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Como Fazer Seleção e Triagem dos Estudos em uma Revisão

Aprenda como fazer a seleção e triagem dos estudos em uma revisão científica, desde a remoção de duplicatas e avaliação de títulos e resumos até a análise do texto completo, registro dos motivos de exclusão e definição dos estudos incluídos.

Como Fazer Seleção e Triagem dos Estudos em uma Revisão

Como Fazer Seleção e Triagem dos Estudos em uma Revisão

A seleção e triagem dos estudos é uma das etapas centrais de uma revisão da literatura: depois de realizar as buscas e definir os critérios de elegibilidade, o pesquisador precisa avaliar os registros encontrados para decidir quais devem avançar, quais podem ser excluídos e, ao final, quais estudos realmente farão parte da revisão.


Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia


Esse processo não consiste simplesmente em escolher os artigos que parecem mais interessantes. Em uma revisão metodologicamente organizada, as decisões precisam seguir regras previamente definidas, ser aplicadas de forma consistente e deixar registros suficientes para que o caminho entre a busca e o conjunto final de estudos possa ser compreendido.

Ao longo desse percurso, surgem dúvidas importantes: duplicata é a mesma coisa que estudo excluído? O que fazer quando o resumo não informa a idade dos participantes? Dois artigos podem pertencer ao mesmo estudo? É obrigatório ter dois revisores? Como registrar os motivos de exclusão? E quando o texto completo não pode ser obtido?

Neste guia, você aprenderá como organizar esse processo passo a passo, desde os resultados recuperados nas bases até a consolidação dos estudos incluídos e a preparação para a extração dos dados.

Resumo rápido

  • A busca produz um conjunto de registros potencialmente relevantes, e não uma lista automática de estudos incluídos.
  • Os critérios de elegibilidade devem estar definidos antes da seleção definitiva sempre que possível.
  • Duplicatas devem ser tratadas antes ou durante a organização da triagem, mas duplicata não é sinônimo de estudo inelegível.
  • A triagem inicial costuma avaliar títulos e resumos.
  • Quando existe dúvida razoável nessa etapa, é geralmente mais seguro encaminhar o registro para avaliação adicional do que excluí-lo prematuramente.
  • Os textos potencialmente elegíveis avançam para avaliação detalhada.
  • Informação ausente no resumo não significa automaticamente que o critério não foi atendido.
  • Os motivos de exclusão após avaliação detalhada devem ser claros e coerentes com os critérios previamente definidos.
  • Um estudo pode possuir vários artigos ou relatórios; por isso, registro, relatório e estudo não significam a mesma coisa.
  • A seleção não deve depender de o resultado ser positivo, negativo ou estatisticamente significativo.
  • Planilhas e ferramentas de triagem ajudam a preservar decisões, contagens e rastreabilidade.
  • Depois da seleção, o conjunto final deve estar consolidado antes da extração dos dados.

Fronteira metodológica importante

Este guia parte do princípio de que os critérios de elegibilidade já foram planejados. Se você ainda precisa decidir quais características tornam um estudo elegível, consulte primeiro o guia sobre como definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão.

A diferença é simples: os critérios estabelecem as regras; a seleção e a triagem aplicam essas regras aos registros e estudos encontrados.

Seleção e triagem dos estudos em uma revisão científica
A seleção e triagem dos estudos organiza os resultados da busca, remove duplicatas e identifica quais estudos atendem aos critérios da revisão.

O que é seleção e triagem dos estudos?

Seleção e triagem dos estudos é o processo sistemático de avaliar os registros recuperados pela busca e aplicar os critérios de elegibilidade previamente definidos para determinar quais estudos devem avançar entre as etapas de avaliação e, ao final, quais serão incluídos na revisão.

Uma estratégia de busca pode recuperar dezenas, centenas ou milhares de referências. Esses resultados representam candidatos à inclusão, e não evidências automaticamente elegíveis.

Entre os registros encontrados podem existir:

  • artigos diretamente relacionados à pergunta;
  • estudos apenas parcialmente relacionados;
  • publicações fora da população de interesse;
  • desenhos metodológicos incompatíveis;
  • tipos de publicação não elegíveis;
  • registros repetidos;
  • múltiplas publicações provenientes do mesmo estudo;
  • documentos com informações insuficientes para uma decisão inicial.

Por isso, os resultados precisam passar por uma sequência organizada de avaliação.

A seleção começa depois da busca

A estratégia de busca científica responde principalmente à pergunta:

“Como localizar evidências potencialmente relevantes?”

A seleção responde a outra:

“Entre as evidências localizadas, quais realmente atendem às regras da revisão?”

Essas etapas se relacionam, mas não devem ser confundidas.

Uma busca sensível pode recuperar materiais que posteriormente serão excluídos. Isso não significa necessariamente que a estratégia tenha falhado. Dependendo do objetivo, recuperar candidatos adicionais pode ser preferível a perder evidências relevantes antes mesmo da triagem.

A seleção não deve inventar os critérios

Outro princípio fundamental é que a triagem não deve ser o momento em que o pesquisador decide, artigo por artigo, quais regras gostaria de utilizar.

Os critérios de elegibilidade devem resultar da pergunta, do objetivo, do tipo de revisão e do protocolo ou planejamento metodológico.

Durante a seleção, essas regras são operacionalizadas.

Erro comum

Ler primeiro os artigos encontrados e somente depois criar critérios para eliminar os estudos que parecem menos interessantes. Esse procedimento aumenta o risco de decisões orientadas pelo material recuperado em vez da pergunta e do método.

Busca, critérios, seleção e extração cumprem funções diferentes

Etapa Pergunta principal
Busca Como localizar evidências potencialmente relevantes?
Critérios de elegibilidade Quais características determinam se uma evidência pode participar?
Seleção e triagem Quais registros e estudos encontrados atendem às regras?
Extração de dados Quais informações serão coletadas dos estudos incluídos?

Mapa rápido

Buscar → organizar → triar → avaliar elegibilidade → incluir → extrair dados.

Triagem e elegibilidade são a mesma coisa?

Os termos podem ser usados com alguma variação entre métodos, instituições e publicações. Para fins didáticos, porém, é útil diferenciá-los.

Triagem

A triagem costuma representar uma avaliação inicial dos registros, frequentemente baseada em títulos e resumos.

O objetivo é retirar referências claramente irrelevantes e encaminhar para avaliação adicional aquelas que:

  • parecem atender aos critérios;
  • podem atender aos critérios;
  • não apresentam informação suficiente para uma decisão segura.

Avaliação de elegibilidade

A avaliação de elegibilidade é mais detalhada e geralmente utiliza o texto completo ou outras informações suficientes para verificar se os critérios foram efetivamente atendidos.

Nessa fase, o pesquisador pode confirmar aspectos que estavam ausentes ou pouco claros no resumo, como:

  • faixa etária;
  • desenho metodológico;
  • características da população;
  • intervenção ou exposição;
  • desfechos;
  • contexto;
  • outras condições previstas no protocolo.

Seleção dos estudos

Seleção pode ser utilizada em sentido mais amplo para representar o processo completo que leva dos resultados recuperados pela busca ao conjunto final de estudos incluídos.

Conceito Função prática Informação frequentemente utilizada
Triagem Filtrar inicialmente os registros Título e resumo
Elegibilidade Confirmar o atendimento aos critérios Texto completo e informações complementares
Seleção Representar o processo até a inclusão final Conjunto das etapas

Boa prática

Mais importante do que discutir qual palavra deve ser usada para cada fase é descrever claramente o que foi feito: quais informações foram avaliadas, em quais etapas, por quem e como as decisões foram registradas.

Registro, relatório e estudo: qual é a diferença?

Uma das distinções mais importantes durante a seleção é compreender que registro bibliográfico, relatório e estudo não são necessariamente a mesma unidade.

Termo O que significa?
Registro Entrada bibliográfica recuperada em uma base, mecanismo de busca ou outra fonte.
Relatório Documento que apresenta informações sobre um estudo, como artigo, relatório ou outra publicação.
Estudo A investigação propriamente dita, que pode originar um ou vários relatórios.

Um registro não representa necessariamente um estudo diferente

Imagine que o mesmo artigo esteja indexado em duas bases.

A busca pode recuperar:

  • um registro na Base A;
  • outro registro na Base B.

Existem dois registros recuperados, mas eles podem representar o mesmo relatório.

Essa é uma situação típica de duplicidade bibliográfica.

Um estudo pode gerar vários relatórios

Agora imagine uma investigação longitudinal que produziu:

  • um artigo com os resultados principais;
  • um artigo posterior com seguimento de 12 meses;
  • uma publicação sobre um desfecho secundário.

Esses documentos não são necessariamente duplicatas. Eles podem ser relatórios diferentes da mesma investigação.

Erro comum

Dois artigos não significam necessariamente dois estudos. Contar cada publicação como uma investigação independente pode levar à duplicação de participantes ou evidências.

Como investigar se publicações pertencem ao mesmo estudo?

Quando houver suspeita, compare elementos como:

  • autores;
  • instituições;
  • local de realização;
  • datas de recrutamento;
  • tamanho e características da amostra;
  • intervenção ou exposição;
  • duração do acompanhamento;
  • número de registro do estudo;
  • referências cruzadas entre as publicações.

O objetivo não é eliminar automaticamente uma das publicações. Os relatórios podem trazer informações complementares importantes para a revisão.

Visão metodológica

Existem duas perguntas diferentes: “este registro já apareceu?” e “este documento pertence a uma investigação que possui outros relatórios?”. A primeira ajuda a tratar duplicatas; a segunda ajuda a evitar que uma mesma investigação seja contabilizada como vários estudos independentes.

Compreender visualmente essas unidades ajuda a evitar um dos erros mais comuns na organização da seleção.

Diferença entre registro, relatório e estudo durante a seleção de artigos científicos
Registro, relatório e estudo representam unidades diferentes: uma busca pode recuperar registros repetidos e um mesmo estudo pode possuir vários relatórios.

Duplicata é a mesma coisa que estudo excluído?

Não. A diferença precisa permanecer clara durante todo o processo.

Duplicata

Uma duplicata bibliográfica ocorre quando o mesmo relatório é recuperado mais de uma vez.

Isso pode acontecer porque o mesmo artigo está indexado em diferentes bases ou foi encontrado por mais de uma fonte.

O tratamento da duplicata evita que o mesmo documento seja triado repetidamente.

Exclusão por inelegibilidade

A exclusão por inelegibilidade ocorre quando a evidência é avaliada em relação às regras da revisão e não atende a um ou mais critérios necessários.

Exemplos:

  • população incompatível;
  • desenho não elegível;
  • intervenção ou exposição fora do escopo;
  • desfecho incompatível;
  • tipo de publicação não aceito quando essa restrição foi previamente definida.
Situação O que aconteceu? Como interpretar?
Mesmo artigo recuperado em duas bases Registro repetido Duplicata
Artigo avalia população incompatível Critério obrigatório não atendido Exclusão por inelegibilidade
Dois artigos são publicações diferentes da mesma pesquisa Múltiplos relatórios Investigar e vincular ao mesmo estudo

Em resumo

Duplicata é um problema de organização dos registros. Inelegibilidade é uma decisão metodológica sobre a participação da evidência na revisão.

O que fazer antes de começar a triagem?

A triagem fica muito mais consistente quando algumas decisões já estão organizadas.

1. Confirme a pergunta da revisão

Os critérios e a seleção precisam permanecer alinhados à pergunta que o trabalho pretende responder.

Se a pergunta ainda estiver excessivamente vaga, a classificação dos estudos tende a se tornar igualmente vaga.

2. Tenha os critérios de elegibilidade disponíveis

Não dependa apenas da memória.

Deixe os critérios acessíveis durante toda a seleção, preferencialmente acompanhados de regras operacionais para situações que podem gerar dúvida.

3. Consulte o protocolo ou planejamento metodológico

O protocolo de revisão ajuda a manter a seleção coerente com as decisões tomadas antes da execução das principais etapas.

Quando uma situação não prevista surgir, o protocolo também oferece contexto para avaliar qual solução é mais coerente com a pergunta e o método.

4. Organize os resultados da busca

Reúna os registros recuperados pelas fontes utilizadas e preserve informações como:

  • origem do registro;
  • data da busca;
  • identificador bibliográfico;
  • quantidade recuperada em cada fonte;
  • arquivo de exportação, quando aplicável.

Esse controle facilita a deduplicação e a documentação posterior.

5. Defina como as decisões serão registradas

Antes de iniciar centenas de avaliações, determine como os registros serão classificados.

Na triagem inicial, uma convenção prática pode utilizar:

  • avançar;
  • excluir;
  • dúvida/incerto.

Essas categorias não são uma norma universal. Servem como recurso operacional para evitar que situações incertas sejam resolvidas por impulso.

Qual ferramenta utilizar?

Dependendo da dimensão e do método da revisão, a organização pode ser feita em:

  • planilha;
  • gerenciador de referências;
  • plataforma específica para triagem;
  • outro sistema que permita preservar as decisões e a rastreabilidade.

A ferramenta auxilia o processo, mas não decide quais critérios científicos devem ser utilizados.

Boa prática

Antes da triagem definitiva, aplique as regras a uma pequena amostra de registros. Se casos semelhantes estiverem recebendo decisões diferentes, talvez algum critério ou regra operacional precise ser esclarecido antes de prosseguir.

Não comece pela quantidade desejada de artigos

Não existe uma quantidade universal de estudos que uma revisão precise terminar.

O conjunto final depende de fatores como:

  • pergunta;
  • escopo;
  • literatura existente;
  • fontes pesquisadas;
  • estratégia de busca;
  • tipo de revisão;
  • critérios de elegibilidade.

Portanto, não é metodologicamente adequado começar a seleção com a meta de “ficar com exatamente 20 artigos” e depois ajustar as regras até chegar a esse número.

Atenção

A função da seleção é identificar as evidências que atendem aos critérios da revisão, e não produzir uma quantidade previamente conveniente de artigos.

Passo a passo para fazer seleção e triagem dos estudos

Com os elementos anteriores preparados, o processo pode ser organizado em oito etapas principais:

  1. Reunir os resultados das buscas.
  2. Identificar e tratar as duplicatas.
  3. Fazer a triagem por título e resumo.
  4. Recuperar os textos completos potencialmente elegíveis.
  5. Avaliar a elegibilidade pelo texto completo.
  6. Registrar os motivos de exclusão.
  7. Resolver dúvidas, pendências e divergências.
  8. Consolidar os estudos incluídos.

Mapa do processo

Resultados encontrados → organização → duplicatas → título/resumo → texto completo → elegibilidade → decisões documentadas → estudos incluídos.

O fluxo abaixo resume visualmente as principais decisões entre os resultados da busca e o conjunto final de estudos.

Passo a passo para seleção e triagem dos estudos em uma revisão científica
Fluxo da seleção dos estudos: organização dos resultados, tratamento das duplicatas, triagem de títulos e resumos, avaliação do texto completo e definição dos estudos incluídos.

A seguir, cada uma dessas etapas será detalhada.

Etapa 1 — Reúna os resultados das buscas

A primeira etapa operacional da seleção é reunir os resultados recuperados pelas diferentes fontes utilizadas na revisão.

Dependendo do protocolo e do tipo de trabalho, os registros podem vir de:

  • bases bibliográficas;
  • portais acadêmicos;
  • mecanismos de busca científica;
  • registros de estudos;
  • listas de referências;
  • busca manual;
  • literatura cinzenta;
  • outras fontes compatíveis com o método adotado.

Se você ainda está estruturando essa etapa, os guias sobre como fazer busca bibliográfica, como encontrar artigos científicos, Google Acadêmico, SciELO e Portal de Periódicos CAPES aprofundam a localização das fontes.

Preserve a origem de cada registro

Ao combinar resultados de diferentes fontes, evite perder a informação sobre onde cada referência foi localizada.

Esse controle ajuda a:

  • reconstruir o processo posteriormente;
  • conferir as quantidades recuperadas;
  • identificar sobreposição entre bases;
  • documentar a busca;
  • organizar o fluxo da seleção.

Uma tabela simples pode registrar:

Fonte Data da busca Registros recuperados Arquivo/observação
Base A Data registrada 214 Exportação A
Base B Data registrada 137 Exportação B
Base C Data registrada 96 Exportação C
Total bruto 447 Antes da deduplicação

Os números acima são apenas ilustrativos.

Boa prática

Anote a quantidade recuperada em cada fonte antes de combinar e deduplicar os resultados. Assim, você preserva a diferença entre o número originalmente identificado e o número que efetivamente seguirá para a triagem.

Não misture o número encontrado com o número selecionado

Se uma busca encontrou 447 registros, isso não significa que 447 estudos foram incluídos ou sequer que existam 447 estudos distintos.

Entre esses registros podem existir:

  • duplicatas;
  • documentos claramente irrelevantes;
  • publicações que não atendem aos critérios;
  • múltiplos relatórios da mesma investigação.

Atenção

Número de resultados encontrados não é número de estudos incluídos. Cada etapa do fluxo precisa manter sua própria contagem.

Crie identificadores para facilitar o controle

Quando o volume de registros aumenta, um identificador interno pode facilitar o acompanhamento.

Exemplos:

  • R001;
  • R002;
  • R003;
  • R004.

Assim, um registro pode continuar sendo reconhecido mesmo que:

  • o título seja muito longo;
  • existam autores com nomes semelhantes;
  • haja diferentes versões de um documento;
  • a referência passe por várias etapas.

O código não substitui a referência bibliográfica. Ele funciona apenas como instrumento de organização interna.

Ferramentas podem ajudar, mas não definem o método

Planilhas, gerenciadores de referências e plataformas de triagem podem auxiliar em tarefas como:

  • importação de registros;
  • organização;
  • identificação de possíveis duplicatas;
  • distribuição de registros entre avaliadores;
  • registro de decisões;
  • controle de motivos de exclusão;
  • contagem do fluxo.

Entretanto, nenhuma ferramenta substitui a definição científica dos critérios de elegibilidade.

Resumo da Etapa 1

Reúna os resultados, preserve a fonte de origem, registre as quantidades antes da deduplicação e organize os registros de forma que cada decisão posterior possa ser rastreada.

Etapa 2 — Identifique e trate as duplicatas

Quando a mesma busca é executada em diferentes bases, é comum que um artigo seja recuperado mais de uma vez.

Antes da triagem definitiva, essas repetições precisam ser identificadas para evitar avaliar o mesmo relatório repetidamente.

O que é uma duplicata bibliográfica?

Para fins operacionais, uma duplicata ocorre quando dois ou mais registros recuperados representam a mesma publicação ou relatório.

Exemplo:

O artigo de Silva et al. aparece como R021 na Base A e R148 na Base B.

São dois registros recuperados, mas ambos representam o mesmo documento.

Duplicatas nem sempre aparecem de forma idêntica

Diferenças de indexação podem fazer o mesmo artigo aparecer com pequenas variações em:

  • título;
  • nomes dos autores;
  • abreviação do periódico;
  • paginação;
  • pontuação;
  • ano de publicação eletrônica e impressa;
  • presença ou ausência de DOI.

Por isso, ferramentas automáticas ajudam, mas casos incertos podem exigir conferência manual.

Quais elementos podem ser comparados?

Quando houver dúvida, verifique:

  • título;
  • autores;
  • ano;
  • periódico;
  • volume e número;
  • páginas ou identificador eletrônico;
  • DOI;
  • PMID ou outro identificador persistente.

Boa prática

Se dois registros parecem duplicados, mas ainda existe dúvida, não elimine um deles apenas pela semelhança do título. Compare os metadados ou consulte os documentos antes de decidir.

Duplicata bibliográfica não é o mesmo que múltiplos relatórios do mesmo estudo

Essa distinção foi apresentada anteriormente, mas é especialmente importante durante a deduplicação.

Duplicata: dois registros representam o mesmo relatório.

Múltiplos relatórios: dois documentos diferentes podem apresentar informações provenientes da mesma investigação.

Exemplo de múltiplos relatórios:

  • artigo com resultados principais;
  • publicação com seguimento de 12 meses;
  • artigo sobre desfecho secundário.

Nesse caso, não se deve simplesmente apagar uma das publicações como se fosse uma cópia.

Como reconhecer possíveis relatórios do mesmo estudo?

Compare, quando disponíveis:

  • identificador do ensaio ou estudo;
  • autores;
  • instituição e local;
  • período de recrutamento;
  • características da intervenção ou exposição;
  • tamanho da amostra;
  • características basais;
  • tempo de acompanhamento.

Também verifique se uma publicação cita explicitamente outra como relatório anterior ou complementar.

Visão metodológica

O objetivo não é obrigatoriamente manter “um artigo por estudo”. Diferentes relatórios podem fornecer informações complementares. O importante é reconhecer quando pertencem à mesma investigação para evitar dupla contagem da evidência.

Registre quantas duplicatas foram tratadas

Retomando o exemplo:

Etapa Número ilustrativo
Registros identificados 447
Registros duplicados removidos 92
Registros encaminhados para triagem 355

Essa informação será importante para documentar o fluxo posteriormente.

Resumo da Etapa 2

Remova registros repetidos do mesmo relatório, mas não confunda deduplicação com exclusão por inelegibilidade nem elimine automaticamente publicações diferentes que possam pertencer ao mesmo estudo.

Etapa 3 — Faça a triagem por título e resumo

Depois da organização e do tratamento das duplicatas, começa a avaliação inicial dos registros.

Nessa etapa, títulos e resumos são examinados à luz dos critérios de elegibilidade para identificar quais referências:

  • são claramente incompatíveis;
  • parecem potencialmente elegíveis;
  • não apresentam informação suficiente para uma decisão segura.

Qual é o objetivo da triagem inicial?

A triagem por título e resumo não precisa provar que o estudo atende a todos os critérios.

Seu principal objetivo é retirar registros claramente irrelevantes e preservar aqueles que ainda podem ser elegíveis.

Regra importante

Na dúvida razoável durante a triagem por título e resumo, o registro deve geralmente avançar para avaliação adicional em vez de ser excluído precipitadamente.

Essa abordagem reduz o risco de perder estudos relevantes apenas porque o resumo omitiu uma informação que aparece no texto completo.

Por que a triagem inicial tende a ser mais inclusiva?

Títulos e resumos possuem espaço limitado e nem sempre descrevem:

  • idade exata dos participantes;
  • detalhes da amostra;
  • todos os desfechos avaliados;
  • características do contexto;
  • informações completas sobre o desenho;
  • dados de subgrupos;
  • critérios diagnósticos;
  • detalhes da intervenção ou exposição.

Excluir um registro porque uma informação não aparece no resumo pode confundir ausência de informação com não atendimento ao critério.

Quais categorias podem ser usadas?

Uma classificação operacional simples pode ser:

Decisão Quando utilizar?
Avançar O registro parece elegível ou potencialmente elegível.
Excluir Existe incompatibilidade suficientemente clara com os critérios.
Dúvida/incerto Falta informação para decidir com segurança.

Esses nomes podem variar conforme a ferramenta ou protocolo. O princípio é evitar decisões definitivas baseadas em informação insuficiente.

Exemplo prático de triagem

Considere a pergunta:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

Suponha que os critérios considerem:

  • adolescentes;
  • atividade física como exposição ou comportamento de interesse;
  • sintomas de ansiedade;
  • desenhos de estudo compatíveis com o objetivo.
Registro Informação do título/resumo Decisão inicial
A Atividade física e ansiedade em adolescentes Avançar
B Atividade física e depressão em idosos Excluir
C Atividade física e saúde mental em estudantes, sem idade informada Dúvida/avançar
D Revisão sobre atividade física, quando apenas estudos primários são elegíveis Excluir
E Amostra entre 12 e 20 anos, sem informação sobre análise separada Dúvida/avaliar texto completo

Observe que os registros C e E não provaram sua elegibilidade, mas também não oferecem informação suficiente para uma exclusão segura.

Não faça a seleção apenas pelo título

Títulos podem ser:

  • genéricos;
  • criativos;
  • abreviados;
  • centrados apenas em um dos desfechos;
  • pouco informativos sobre população e método.

Por isso, quando o título não permite uma decisão clara, consulte o resumo.

Erro comum

Excluir um artigo porque a palavra-chave exata da revisão não aparece no título. Elegibilidade depende do conteúdo e dos critérios metodológicos, não da repetição literal da palavra-chave.

O que observar no título e no resumo?

Conforme os critérios definidos, procure informações sobre:

  • população;
  • faixa etária;
  • intervenção;
  • exposição;
  • comparador, quando relevante;
  • fenômeno ou conceito;
  • desfecho;
  • desenho do estudo;
  • contexto;
  • período;
  • tipo de publicação;
  • outros elementos previstos no protocolo.

Nem todas essas dimensões serão necessárias em toda revisão.

Não exija do resumo uma prova completa de elegibilidade

Suponha que o critério estabeleça participantes entre 12 e 18 anos.

O resumo informa apenas:

“Participaram estudantes do ensino médio.”

Essa descrição não confirma a idade de todos os participantes, mas também pode não justificar a exclusão.

A informação pode ser verificada no texto completo.

Quando a exclusão inicial pode ser clara?

Exemplos:

  • a revisão investiga adolescentes e o resumo informa exclusivamente idosos;
  • o protocolo aceita apenas estudos primários e o registro é claramente uma revisão;
  • a exposição estudada não tem relação com aquela definida;
  • o artigo trata de um tema completamente diferente, apesar de compartilhar algum termo da busca.

Nesses casos, o registro pode ser excluído na triagem inicial de acordo com os critérios estabelecidos.

Não selecione estudos pelos resultados

A decisão de avançar ou excluir não deve depender de o estudo ter encontrado:

  • associação estatisticamente significativa;
  • resultado positivo;
  • resultado negativo;
  • ausência de associação;
  • resultado favorável à hipótese do pesquisador.

Se o estudo atende aos critérios, seus achados não devem funcionar como filtro implícito de elegibilidade.

Atenção ao viés

Excluir evidências porque os resultados não correspondem à expectativa do pesquisador compromete a imparcialidade da revisão.

O que fazer quando surgir uma dúvida?

Dependendo do caso:

  • releia o resumo;
  • consulte o texto completo;
  • marque o registro como incerto;
  • verifique informações adicionais;
  • solicite avaliação de outro revisor, quando aplicável;
  • discuta o caso segundo o procedimento previsto.

O importante é não transformar incerteza em exclusão automática.

É necessário registrar o motivo de cada exclusão por título e resumo?

O nível de documentação depende do método adotado.

Em muitos processos estruturados, o número total de registros excluídos na triagem inicial é preservado, enquanto os motivos individuais recebem maior detalhamento na avaliação de texto completo.

Isso não impede que uma equipe registre motivos também na triagem inicial quando essa informação for útil para controle interno ou exigida pelo protocolo.

Uma ou duas pessoas devem fazer a triagem inicial?

Isso depende do método.

Em revisões sistemáticas rigorosas, a avaliação independente por mais de uma pessoa pode reduzir erros e decisões individuais. No contexto Cochrane, a triagem duplicada de títulos e resumos é desejável, enquanto a determinação final da elegibilidade recebe exigência ainda mais rigorosa.

Essa recomendação, porém, não deve ser transformada automaticamente em obrigação para todo TCC, revisão narrativa ou outro tipo de revisão.

Mais adiante, este guia apresenta uma seção específica sobre quando e por que utilizar mais de um revisor.

Faça uma pequena calibração antes de centenas de decisões

Quando possível, teste os critérios em uma pequena amostra de registros antes da triagem completa.

Isso pode revelar:

  • termos ambíguos;
  • critérios difíceis de operacionalizar;
  • situações recorrentes não previstas;
  • interpretações diferentes entre avaliadores.

Resolver essas dúvidas no início reduz retrabalho.

Resumo da Etapa 3

Na triagem por título e resumo, exclua os registros claramente incompatíveis e preserve aqueles que parecem elegíveis ou cuja elegibilidade ainda não pode ser determinada com segurança. Informação ausente no resumo não equivale automaticamente a critério não atendido.

Depois dessa primeira filtragem, os registros potencialmente elegíveis avançam para a recuperação e avaliação detalhada dos textos completos.

Etapa 4 — Recupere os textos completos

Depois da triagem por título e resumo, os registros que parecem potencialmente elegíveis — ou que ainda apresentam dúvida — avançam para a recuperação do texto completo.

Essa passagem é fundamental porque muitos critérios não podem ser avaliados com segurança apenas a partir do resumo.

Objetivo da Etapa 4

Localizar e organizar os documentos necessários para que a elegibilidade possa ser avaliada com informação suficiente.

Quais registros devem avançar para o texto completo?

Em geral, avançam os registros que:

  • parecem atender aos critérios;
  • podem atender aos critérios;
  • não oferecem informação suficiente para exclusão segura;
  • foram classificados como dúvida durante a triagem inicial.

A função desta etapa não é confirmar antecipadamente que todos serão incluídos.

O fato de um documento chegar à leitura completa significa apenas que ele merece uma avaliação mais detalhada.

Exemplo ilustrativo de avanço entre as etapas

Retomando o exemplo numérico utilizado anteriormente:

Etapa Número ilustrativo
Registros encaminhados para triagem 355
Registros excluídos por título e resumo 267
Registros encaminhados para recuperação do texto completo 88

Esses números são apenas exemplos didáticos. O tamanho de cada etapa depende da busca, do escopo e dos critérios da revisão.

Recuperar o texto completo não significa incluir o estudo

Esse é um ponto importante.

Um registro pode avançar porque:

  • parece elegível;
  • o resumo é incompleto;
  • existe dúvida sobre alguma característica;
  • a informação necessária só aparece nos métodos;
  • é preciso verificar se os dados de um subgrupo podem ser utilizados separadamente.

Somente depois da avaliação detalhada será possível confirmar se o estudo atende aos critérios.

Atenção

Texto completo recuperado não é sinônimo de estudo incluído. A recuperação fornece a informação necessária para a decisão de elegibilidade.

Como organizar os documentos recuperados?

Uma organização consistente reduz o risco de:

  • avaliar o mesmo documento várias vezes;
  • perder arquivos;
  • confundir versões;
  • misturar relatórios pertencentes a estudos diferentes;
  • esquecer documentos ainda não recuperados.

Para cada registro encaminhado ao texto completo, pode ser útil manter informações como:

Campo Exemplo de informação
ID R083
Autor/ano Silva et al., 2024
Título Título do artigo
DOI ou identificador 10.xxxx/xxxxx
Texto completo Recuperado / não recuperado
Arquivo R083-Silva-2024.pdf
Status Aguardando avaliação

Padronize os nomes dos arquivos

Quando os documentos são salvos localmente, uma convenção de nomes simples facilita a organização.

Exemplos:

  • R083-Silva-2024.pdf;
  • R084-Souza-2023.pdf;
  • R085-Oliveira-2022.pdf.

Outra alternativa é utilizar o identificador gerado pelo gerenciador ou plataforma de revisão.

Onde procurar o texto completo?

Dependendo da publicação e das condições de acesso, o documento pode estar disponível em:

  • página do periódico;
  • DOI;
  • base bibliográfica;
  • repositório institucional;
  • biblioteca universitária;
  • Portal de Periódicos CAPES;
  • SciELO;
  • outras fontes acadêmicas legítimas.

O guia sobre como encontrar artigos científicos apresenta estratégias complementares para localizar publicações.

Texto completo não encontrado significa estudo inelegível?

Não necessariamente.

Essa situação precisa ser distinguida de uma exclusão baseada nos critérios científicos da revisão.

Um relatório pode parecer elegível, mas não ser recuperado por:

  • restrições de acesso;
  • link quebrado;
  • indexação incompleta;
  • publicação antiga;
  • documento fora dos canais inicialmente consultados;
  • problemas de localização bibliográfica.

Essas são questões de recuperação ou acesso, não evidência automática de que o estudo viola os critérios.

Erro comum

Marcar “texto completo indisponível” como se isso fosse um critério científico universal de exclusão. A impossibilidade de recuperar um documento e a inelegibilidade metodológica são situações diferentes.

O que fazer quando o texto completo não é recuperado?

Conforme o método e os recursos disponíveis:

  • verifique o DOI;
  • procure pelo título exato;
  • consulte o periódico;
  • verifique repositórios;
  • consulte a biblioteca da instituição;
  • registre as tentativas relevantes;
  • classifique o relatório de forma apropriada quando ele não puder ser obtido.

Em revisões estruturadas, essa situação pode ser apresentada separadamente das exclusões por elegibilidade.

O resumo pode substituir o texto completo?

Quando a decisão depende de informação metodológica que não está no resumo, ele não deve ser tratado como substituto suficiente.

Por exemplo, se o resumo não informa:

  • idade detalhada;
  • critérios diagnósticos;
  • desenho do estudo;
  • forma de mensuração;
  • subgrupos analisados;
  • características do contexto;

uma decisão definitiva baseada apenas em suposição pode ser inadequada.

Fique atento a múltiplos relatórios

Durante a recuperação dos textos completos, torna-se mais fácil perceber que publicações aparentemente distintas pertencem à mesma investigação.

Quando houver essa suspeita:

  • preserve os documentos;
  • compare características;
  • relacione-os ao mesmo estudo quando apropriado;
  • evite tratá-los como evidências independentes sem verificação.

Use uma tabela de acompanhamento

ID Texto completo Ação necessária Status
R083 Recuperado Avaliar elegibilidade Pendente
R084 Não recuperado Buscar em outra fonte Pendente
R085 Recuperado Verificar população mista Pendente
R086 Recuperado Verificar possível relatório relacionado Pendente

Resumo da Etapa 4

Recupere e organize os textos dos registros potencialmente elegíveis, mantenha separados os casos ainda não recuperados e não confunda dificuldade de acesso com inelegibilidade científica.

Etapa 5 — Avalie a elegibilidade pelo texto completo

Com os documentos disponíveis, começa a avaliação detalhada dos critérios.

A pergunta agora deixa de ser:

“Este registro parece relevante?”

e passa a ser:

“Este estudo atende às condições necessárias para participar da revisão?”

Tenha os critérios disponíveis durante a avaliação

O pesquisador deve consultar continuamente:

  • pergunta da revisão;
  • objetivo;
  • protocolo ou planejamento;
  • critérios de inclusão;
  • critérios de exclusão;
  • regras operacionais definidas para situações específicas.

Não é recomendável depender de uma impressão geral do tipo:

“Este artigo combina com meu tema.”

A decisão deve ser vinculada às regras da revisão.

Transforme os critérios em perguntas operacionais

Uma forma prática é converter cada dimensão relevante em uma pergunta de decisão.

Dimensão Pergunta operacional Possíveis respostas
População Os participantes atendem à população definida? Sim / Não / Incerto
Intervenção ou exposição Corresponde ao fenômeno previsto? Sim / Não / Incerto
Desfecho/conceito O estudo avalia o elemento necessário? Sim / Não / Incerto
Desenho O desenho é compatível com o critério? Sim / Não / Incerto
Contexto O contexto está dentro do escopo, se isso for um critério? Sim / Não / Incerto
Outros critérios As demais condições previamente definidas foram atendidas? Sim / Não / Incerto

Um critério obrigatório não atendido pode ser suficiente para exclusão

Elegibilidade não funciona necessariamente como uma votação em que o estudo precisa “ganhar a maioria” dos critérios.

Se uma característica obrigatória não for atendida, o estudo pode ser inelegível mesmo que cumpra todas as demais.

Exemplo:

Se a revisão foi definida exclusivamente para adolescentes e o estudo avaliou somente adultos, o fato de investigar atividade física e ansiedade não compensa a incompatibilidade da população.

Visão metodológica

Os critérios funcionam como condições de elegibilidade. Quando uma condição é obrigatória, seu não atendimento pode determinar a exclusão sem necessidade de “somar pontos” nos demais critérios.

Exemplo contínuo: atividade física e ansiedade em adolescentes

Considere novamente a pergunta:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

Suponha que a revisão tenha definido previamente:

  • população adolescente;
  • atividade física como exposição ou comportamento de interesse;
  • sintomas de ansiedade;
  • desenhos de estudo compatíveis com a pergunta;
  • regra específica para populações etárias mistas.
Estudo Informação no texto completo Possível decisão
A Participantes de 13 a 17 anos; atividade física e ansiedade avaliadas Elegível, se os demais critérios forem atendidos
B Participantes exclusivamente entre 25 e 40 anos Excluir por população incompatível
C Amostra entre 12 e 20 anos, com resultados de adolescentes apresentados separadamente Avaliar conforme a regra definida para população mista
D Amostra entre 12 e 20 anos sem possibilidade de separar os adolescentes Decisão conforme a regra previamente estabelecida

Esse exemplo mostra por que situações de fronteira precisam ser previstas sempre que possível.

Populações mistas exigem uma regra clara

Um critério operacional pode estabelecer, por exemplo:

“Estudos com populações etárias mistas serão considerados elegíveis quando os dados referentes aos adolescentes puderem ser identificados separadamente, conforme os limites etários definidos no protocolo.”

A formulação exata depende da pergunta e do método, mas o princípio é importante: casos semelhantes precisam receber decisões semelhantes.

Consulte especialmente a seção de métodos

Em muitos artigos, as informações necessárias para confirmar a elegibilidade aparecem principalmente nos métodos.

Procure dados sobre:

  • participantes;
  • critérios de recrutamento;
  • idade;
  • local e contexto;
  • desenho;
  • intervenção ou exposição;
  • instrumentos utilizados;
  • desfechos medidos;
  • período do estudo;
  • subgrupos;
  • outras condições relevantes.

Não use o resultado para decidir elegibilidade

Se um estudo atende aos critérios, ele não deve ser excluído porque:

  • não encontrou associação;
  • o resultado não foi estatisticamente significativo;
  • o efeito foi pequeno;
  • o resultado contradiz a hipótese;
  • os autores chegaram a uma conclusão inesperada.

A função da elegibilidade é verificar se o estudo pertence ao escopo da revisão, e não selecionar apenas resultados convenientes.

Erro comum

Ler os resultados antes de terminar a avaliação metodológica e deixar que eles influenciem implicitamente a decisão de inclusão.

Não crie um critério novo apenas porque um artigo é difícil de classificar

Casos difíceis são inevitáveis.

Quando surgirem, volte à:

  • pergunta;
  • justificativa dos critérios;
  • definição operacional;
  • regra utilizada em situações semelhantes.

Se uma regra realmente precisar ser esclarecida ou alterada, a decisão deve ser metodologicamente justificada e aplicada com consistência, e não criada apenas para resolver aquele artigo específico.

O que fazer com casos ainda incertos?

Nem toda leitura de texto completo leva imediatamente a uma decisão.

Algumas situações podem exigir:

  • releitura;
  • consulta a material suplementar;
  • comparação com outro relatório do mesmo estudo;
  • consulta a registro da pesquisa;
  • busca de informação complementar;
  • discussão entre revisores;
  • aplicação de regra previamente definida.

Nesses casos, mantenha o status como pendente ou equivalente até que exista informação suficiente.

Qualidade metodológica é a mesma coisa que elegibilidade?

Não necessariamente.

A elegibilidade responde se o estudo pertence ao universo definido pela revisão.

A avaliação de qualidade metodológica ou risco de viés responde a outra questão: quão confiáveis são determinados aspectos do desenho, condução ou resultados.

Dependendo do protocolo, características metodológicas podem fazer parte dos critérios de elegibilidade. Porém, não é correto excluir informalmente um estudo apenas porque ele “parece fraco” quando essa regra não foi previamente estabelecida.

Distinção importante

Elegibilidade, avaliação crítica e extração de dados são etapas relacionadas, mas não equivalentes. O protocolo deve definir quando e como cada uma será realizada.

Quais decisões podem resultar da avaliação completa?

Status Significado
Incluir O estudo atende aos critérios necessários.
Excluir Existe motivo suficientemente claro de inelegibilidade.
Pendente Ainda falta informação ou resolução de dúvida.

Resumo da Etapa 5

A avaliação de texto completo aplica os critérios de maneira detalhada. A decisão deve depender da pergunta, do protocolo e das regras previamente definidas — não da preferência do pesquisador nem dos resultados encontrados pelo estudo.

Etapa 6 — Registre os motivos de exclusão

Quando um estudo potencialmente relevante é avaliado em detalhe e considerado inelegível, é importante documentar por que ele não entrou na revisão.

Essa documentação melhora:

  • transparência;
  • rastreabilidade;
  • consistência;
  • conferência posterior;
  • relato do processo de seleção.

Critério de exclusão e motivo de exclusão não são exatamente a mesma coisa

Essa distinção evita muita confusão.

Critério de exclusão: regra definida para determinar elegibilidade.

Motivo de exclusão: razão concreta pela qual determinado estudo não atendeu às regras durante a seleção.

Exemplo:

Regra metodológica: incluir estudos com adolescentes conforme a faixa etária definida.

Motivo registrado para o Estudo X: população exclusivamente adulta.

Em resumo

Os critérios existem antes da seleção. Os motivos de exclusão surgem quando essas regras são aplicadas a estudos específicos.

Evite motivos genéricos demais

Registrar apenas:

“Não atendeu aos critérios de inclusão.”

pode ser insuficiente para compreender o que realmente ocorreu.

Quando possível, utilize categorias mais informativas, como:

  • população incompatível;
  • intervenção ou exposição incompatível;
  • desfecho ou conceito fora do escopo;
  • desenho do estudo inelegível;
  • contexto incompatível;
  • tipo de publicação não elegível;
  • período incompatível, quando justificadamente definido;
  • outra razão previamente estabelecida.

Padronize as categorias

Se um estudo for registrado como:

“adultos”

outro como:

“idade errada”

e outro como:

“não adolescente”

as três descrições podem representar a mesma categoria.

Padronizar os termos facilita:

  • contagem;
  • revisão das decisões;
  • construção de tabelas;
  • preenchimento do fluxo da revisão;
  • análise de inconsistências.

Um estudo pode falhar em mais de um critério

Sim.

Um artigo pode apresentar simultaneamente:

  • população incompatível;
  • desenho inelegível;
  • desfecho fora do escopo.

Nem sempre é necessário registrar todos os problemas possíveis.

Uma estratégia prática é registrar um motivo principal de exclusão, desde que exista uma regra consistente para escolher essa razão.

Uma hierarquia de motivos pode ajudar

Uma revisão pode definir uma ordem operacional, por exemplo:

  1. população;
  2. intervenção/exposição;
  3. desfecho ou conceito;
  4. desenho;
  5. contexto;
  6. tipo de publicação;
  7. outros critérios.

Assim, se um estudo falhar primeiro em um critério obrigatório de população, esse pode ser registrado como motivo principal sem necessidade de avaliar todos os demais apenas para produzir múltiplas justificativas.

Boa prática

A hierarquia não precisa ser universal. O importante é escolher uma lógica coerente, documentá-la e aplicá-la da mesma forma aos estudos semelhantes.

Exemplo de registro das decisões

ID Decisão Motivo principal Observação
R083 Incluir Atende aos critérios
R084 Excluir População incompatível Adultos exclusivamente
R085 Excluir Desenho inelegível Tipo de estudo fora do protocolo
R086 Pendente Verificar população mista

Não invente o motivo depois

Um risco comum ocorre quando o pesquisador termina a revisão e tenta reconstruir, semanas depois, por que cada estudo foi excluído.

Nesse momento, detalhes podem ter sido esquecidos.

É mais seguro registrar o motivo no momento em que a decisão é tomada ou logo após a conferência.

Erro comum

Excluir estudos durante a leitura e tentar criar os motivos somente no final para preencher o fluxograma ou a metodologia.

O motivo deve ser claro, mas não excessivamente longo

O registro operacional pode ser conciso.

Em vez de:

“Este estudo foi retirado porque, após a leitura detalhada de todo o artigo, percebeu-se que os participantes não tinham idade compatível com aquela estabelecida para a revisão.”

pode ser suficiente:

População incompatível — participantes adultos.

O objetivo é facilitar identificação e contagem, sem perder a justificativa metodológica.

Registre o motivo no momento da decisão

Essa prática reduz:

  • esquecimentos;
  • retrabalho;
  • categorias inconsistentes;
  • erros na contagem;
  • dificuldade para reconstruir o processo.

Como os motivos se relacionam com o PRISMA?

Em revisões que utilizam o PRISMA 2020, o fluxo pode apresentar os relatórios excluídos após a avaliação detalhada e seus principais motivos.

Por isso, a documentação deve nascer durante a seleção, e não ser inventada quando o fluxograma estiver sendo preparado.

O PRISMA será discutido mais adiante neste guia apenas no contexto do relato da seleção. O uso completo da diretriz exige atenção aos itens aplicáveis ao método e ao tipo de revisão.

Exemplo de consolidação dos motivos

Imagine que 84 relatórios tenham sido avaliados pelo texto completo e 38 excluídos.

Motivo principal Número ilustrativo
População incompatível 12
Desenho inelegível 9
Exposição/intervenção incompatível 7
Desfecho/conceito fora do escopo 6
Tipo de publicação inelegível 4
Total 38

Além de melhorar o relato, essa conferência permite identificar erros matemáticos antes da finalização.

Resumo da Etapa 6

Registre motivos de exclusão específicos, padronizados e vinculados aos critérios. Quando um estudo falhar em vários pontos, uma razão principal pode ser suficiente se a revisão utilizar uma lógica consistente e documentada.

Depois da avaliação individual, ainda podem permanecer casos incertos, discordâncias entre avaliadores ou situações que exigem informações adicionais. A próxima etapa é resolver essas pendências antes de consolidar o conjunto final de estudos.

Etapa 7 — Resolva dúvidas e divergências

Mesmo com critérios bem definidos, algumas decisões não serão imediatas.

Durante a seleção, podem surgir situações como:

  • resumo com informação incompleta;
  • população descrita de forma ambígua;
  • desenho metodológico pouco claro;
  • publicações aparentemente relacionadas;
  • contradição entre resumo e texto completo;
  • diferenças de interpretação entre avaliadores;
  • casos não previstos no protocolo.

A existência dessas dúvidas não significa que o método esteja necessariamente errado. O importante é possuir uma forma coerente de resolvê-las.

Não transforme dúvida em exclusão automática

Quando ainda falta informação relevante, o estudo deve permanecer pendente até que seja possível tomar uma decisão suficientemente fundamentada.

Uma coluna de observações pode registrar, por exemplo:

  • “confirmar faixa etária”;
  • “verificar se os resultados dos adolescentes estão separados”;
  • “avaliar possível publicação do mesmo estudo”;
  • “consultar suplemento”;
  • “discutir desenho com segundo revisor”.

Boa prática

Registre a dúvida de maneira específica. “Revisar depois” é menos útil do que “confirmar se os participantes de 12 a 18 anos podem ser analisados separadamente”.

Como resolver divergências entre dois avaliadores?

Quando a revisão utiliza mais de um avaliador, um fluxo possível é:

  1. cada avaliador classifica o estudo de forma independente, quando isso fizer parte do método;
  2. as decisões são comparadas;
  3. as divergências são identificadas;
  4. o texto e os critérios são revisados;
  5. busca-se consenso;
  6. um terceiro avaliador pode ser consultado quando isso estiver previsto.

O objetivo não é descobrir qual avaliador “venceu”, mas chegar a uma decisão coerente com o protocolo.

Por que a avaliação independente pode ser útil?

Quando duas pessoas avaliam o mesmo material sem conhecer previamente a decisão da outra, há menor risco de uma resposta influenciar a outra desde o início.

Isso pode ajudar a revelar:

  • critérios ambíguos;
  • diferenças de interpretação;
  • erros de leitura;
  • situações recorrentes ainda não previstas.

Todo TCC precisa obrigatoriamente de dois revisores?

Não.

A exigência depende do tipo de revisão, do referencial metodológico, do protocolo e das condições do trabalho.

Em revisões sistemáticas de maior rigor, determinados referenciais recomendam ou exigem avaliação independente em etapas específicas.

Isso não deve ser transformado em uma regra universal para qualquer revisão acadêmica.

Atenção

É metodologicamente melhor descrever de forma transparente que a seleção foi realizada por um único pesquisador do que afirmar que existiram dois avaliadores quando isso não aconteceu.

E quando existe apenas um pesquisador?

Algumas estratégias podem melhorar a consistência:

  • usar critérios operacionais claros;
  • testar os critérios em uma pequena amostra;
  • registrar as decisões no momento da avaliação;
  • manter uma categoria de dúvida;
  • revisar casos limítrofes antes da decisão final;
  • consultar orientador ou especialista quando o método permitir.

O princípio central continua sendo a transparência.

Quando é necessário buscar informação adicional?

Em alguns casos, a decisão pode depender de:

  • material suplementar;
  • registro do estudo;
  • outro relatório da mesma investigação;
  • informação metodológica publicada em outro documento;
  • eventual contato com os autores, quando apropriado ao método.

Nem toda dúvida exige esse nível de investigação, mas situações relevantes podem justificar uma verificação adicional antes da exclusão.

Documente decisões excepcionais

Se uma situação não prevista exigir uma nova regra operacional, registre:

  • qual era o problema;
  • qual decisão foi tomada;
  • por que ela é coerente com a pergunta e o protocolo;
  • como será aplicada a casos semelhantes.

Resumo da Etapa 7

Dúvidas devem ser resolvidas com base nos critérios, nas informações disponíveis e em um procedimento consistente. Quando houver mais de um avaliador, as divergências devem seguir a regra previamente estabelecida; quando houver apenas um pesquisador, a documentação torna-se ainda mais importante.

Etapa 8 — Consolide os estudos incluídos

Depois de resolver as pendências, chega o momento de consolidar o conjunto final de estudos que efetivamente participará da revisão.

Esse conjunto será a base para as próximas etapas, que podem envolver:

  • extração de dados;
  • caracterização dos estudos;
  • avaliação crítica ou risco de viés, quando aplicável;
  • organização dos resultados;
  • síntese das evidências.

Antes de fechar a lista final, faça uma conferência

Verifique se:

  • todos os registros possuem decisão;
  • os casos pendentes foram resolvidos ou classificados adequadamente;
  • os motivos de exclusão estão documentados;
  • os textos completos avaliados foram contabilizados;
  • os múltiplos relatórios foram identificados;
  • não existem duplicações residuais;
  • as contagens entre as etapas são coerentes.

Estudo incluído não significa dados já extraídos

Uma vez confirmada a elegibilidade, o estudo está pronto para avançar.

Isso não significa que:

  • todas as características já foram extraídas;
  • os resultados já foram sintetizados;
  • a qualidade metodológica já foi avaliada;
  • o quadro de síntese já está concluído.

Essas atividades pertencem às etapas seguintes.

Fronteira metodológica

Seleção responde “quais estudos entram?”. Extração de dados responde “quais informações serão coletadas desses estudos?”.

Relatórios incluídos e estudos incluídos podem ter números diferentes

Esse ponto merece ser conferido antes de finalizar.

Exemplo:

  • 46 relatórios podem ter sido considerados elegíveis;
  • alguns deles podem pertencer às mesmas investigações;
  • o número final de estudos distintos pode, portanto, ser menor do que 46.

Por isso, o pesquisador deve saber se está contabilizando:

  • registros;
  • relatórios;
  • estudos.

Exemplo de lista final organizada

ID do estudo Relatório principal Relatórios relacionados Status
E01 Silva et al., 2024 Incluído
E02 Souza et al., 2023 Souza et al., 2025 Incluído
E03 Oliveira et al., 2022 Oliveira et al., 2024 Incluído

Essa organização ajuda a evitar que publicações relacionadas sejam tratadas como estudos independentes durante a extração e a síntese.

Confira a matemática do fluxo

Retomando o exemplo didático:

Etapa Número ilustrativo
Registros identificados 447
Duplicatas removidas 92
Registros triados 355
Registros excluídos por título/resumo 267
Relatórios buscados para recuperação 88
Relatórios não recuperados 4
Relatórios avaliados em texto completo 84
Relatórios excluídos após avaliação detalhada 38
Relatórios elegíveis/incluídos 46

A partir daí, ainda deve ser verificado se os 46 relatórios correspondem a 46 estudos distintos ou se existem múltiplas publicações de uma mesma investigação.

Boa prática

Faça a conferência das contagens antes de preencher o fluxograma final. É muito mais fácil corrigir uma inconsistência enquanto a base de seleção ainda está organizada.

Resumo da Etapa 8

Consolide os estudos incluídos somente depois de resolver pendências, conferir motivos de exclusão, vincular relatórios relacionados e revisar as contagens. O conjunto final deve estar suficientemente organizado para avançar à extração de dados.

Como lidar com casos duvidosos durante a seleção?

Casos limítrofes são parte normal da seleção.

A melhor resposta não é improvisar uma regra nova para cada artigo, mas aplicar de forma consistente os princípios definidos na revisão.

1. O resumo não informa a idade dos participantes

Se a idade for necessária para decidir elegibilidade e o resumo não fornecer a informação, consulte o texto completo antes de excluir.

Princípio: informação ausente não equivale a critério não atendido.

2. O estudo mistura adolescentes e adultos

A decisão deve seguir a regra definida para populações mistas.

Uma possibilidade metodológica é considerar o estudo quando os dados da faixa de interesse puderem ser identificados separadamente, desde que essa regra seja compatível com o protocolo.

3. Dois artigos parecem ser da mesma pesquisa

Não exclua automaticamente um deles como duplicata.

Compare:

  • autores;
  • instituição;
  • amostra;
  • período de recrutamento;
  • intervenção ou exposição;
  • identificador do estudo;
  • tempo de acompanhamento.

Se forem relatórios diferentes da mesma investigação, vincule-os ao mesmo estudo.

4. O texto completo não foi encontrado

Registre as tentativas relevantes de recuperação e mantenha essa situação separada de uma exclusão por inelegibilidade.

Se o documento não puder ser recuperado, classifique-o conforme o método adotado.

5. O estudo atende a quase todos os critérios

“Quase todos” não é uma categoria de elegibilidade.

Se um critério obrigatório não for atendido, o estudo pode ser inelegível mesmo que cumpra todos os demais.

Atenção

Elegibilidade não é uma pontuação por maioria. A função dos critérios é definir condições necessárias para a inclusão.

6. O artigo é muito importante, mas está fora do período definido

Se a restrição temporal foi metodologicamente justificada e definida previamente, ela deve ser aplicada de forma consistente.

Não é adequado abrir exceção apenas porque determinado artigo parece particularmente relevante.

Se o critério se mostrar inadequado para a pergunta, uma eventual mudança precisa ser justificada e documentada para todo o processo.

7. O estudo está em outro idioma

A decisão depende dos critérios linguísticos definidos e da justificativa metodológica.

Idioma não deve ser tratado como uma exclusão automática universal.

8. O artigo não está disponível gratuitamente

Ausência de acesso gratuito não significa inelegibilidade científica.

Antes de descartar o documento, verifique possibilidades legítimas de acesso institucional ou acadêmico.

9. O resumo diz uma coisa e o texto completo apresenta outra

Para uma decisão de elegibilidade, priorize a informação mais completa e metodologicamente detalhada disponível.

Por exemplo, um resumo pode chamar a amostra de “jovens”, enquanto os métodos mostram participantes entre 25 e 35 anos.

Nesse caso, a seção metodológica esclarece a população efetivamente estudada.

10. O resumo parece indicar um desenho, mas os métodos mostram outro

Avalie o desenho real descrito no texto completo.

Rótulos simplificados no título ou resumo não devem prevalecer sobre uma descrição metodológica mais precisa.

11. O resultado é contrário ao que eu esperava

Isso não é motivo de exclusão.

Se o estudo atende aos critérios, sua elegibilidade não depende da direção dos resultados.

12. O estudo parece metodologicamente fraco

Verifique o que o protocolo estabeleceu.

A avaliação de elegibilidade não deve ser confundida com avaliação crítica ou risco de viés quando essas são etapas separadas.

13. Encontrei uma revisão, mas meus critérios aceitam apenas estudos primários

A revisão pode ser inelegível para inclusão como unidade de evidência, mas ainda pode ser útil para:

  • identificar estudos primários;
  • localizar referências;
  • compreender terminologia;
  • mapear autores ou pesquisas importantes.

Uso como fonte de busca complementar não é o mesmo que inclusão na amostra final.

14. Dois artigos parecem utilizar a mesma amostra, mas os números são diferentes

Investigue antes de tratá-los como estudos independentes.

Diferenças no número de participantes podem ocorrer por:

  • perdas de seguimento;
  • subamostras;
  • desfechos diferentes;
  • análises secundárias;
  • momentos diferentes de acompanhamento.

15. Apareceu uma situação que não foi prevista no protocolo

Nem todo cenário pode ser antecipado.

Quando isso ocorrer:

  1. identifique claramente o problema;
  2. retorne à pergunta e ao objetivo;
  3. verifique a lógica dos critérios existentes;
  4. defina uma solução metodologicamente justificável;
  5. documente a decisão;
  6. aplique-a consistentemente a situações semelhantes.

Evite decisões baseadas no resultado do estudo ou na conveniência de incluí-lo.

Matriz rápida para situações difíceis

Situação Evite Prefira
Resumo incompleto Excluir por suposição Consultar informação adicional
População mista Decidir caso a caso sem regra Aplicar critério operacional previamente definido
Publicações semelhantes Apagar uma como duplicata automaticamente Verificar se são relatórios do mesmo estudo
Texto não recuperado Classificar como inelegível Registrar problema de recuperação
Resultado inesperado Excluir Manter se atender aos critérios
Qualidade aparentemente baixa Excluir informalmente Seguir o protocolo de elegibilidade e avaliação crítica
Caso não previsto Improvisar uma exceção isolada Definir regra justificável e consistente

Princípio para casos limítrofes

Quando faltar informação, investigue. Quando faltar uma regra, volte à pergunta e ao protocolo. Quando uma nova regra for realmente necessária, documente-a e aplique-a consistentemente.

Como organizar a triagem em uma planilha?

Uma planilha pode funcionar como um sistema simples e eficiente para acompanhar a seleção e triagem dos estudos, especialmente em TCCs, revisões de menor porte e projetos conduzidos por equipes pequenas.

Ela não substitui ferramentas especializadas quando o protocolo exige recursos mais avançados, mas pode ajudar a preservar:

  • identificação dos registros;
  • decisões em cada etapa;
  • motivos de exclusão;
  • pendências;
  • vínculos entre relatórios;
  • contagens necessárias para o relato final.

Quais colunas uma planilha de triagem pode ter?

Campo Função
ID Identificar o registro de forma única durante todo o processo.
Autor e ano Facilitar a identificação bibliográfica.
Título Reconhecer rapidamente o documento avaliado.
Fonte Registrar onde o documento foi recuperado.
Duplicata? Indicar se o registro representa um relatório já existente.
Decisão por título/resumo Registrar avançar, excluir ou dúvida.
Texto completo recuperado? Controlar a etapa de recuperação.
Decisão no texto completo Registrar incluir, excluir ou pendente.
Motivo de exclusão Documentar a principal razão metodológica.
Relatório relacionado? Indicar possível vínculo com outra publicação da mesma investigação.
Observações Registrar dúvidas e informações complementares.

Exemplo simplificado

ID Autor/ano Título/resumo Texto completo Decisão final Motivo/observação
R001 Silva, 2024 Avançar Recuperado Incluir Atende aos critérios
R002 Souza, 2023 Excluir Excluir População incompatível
R003 Oliveira, 2022 Dúvida Recuperado Excluir Desenho inelegível
R004 Costa, 2024 Avançar Recuperado Pendente Verificar relatório relacionado

Separe as decisões por etapa

Evite usar uma única coluna genérica chamada “status” para todo o processo.

Um registro pode ter diferentes situações ao longo da seleção:

  • avançou na triagem inicial;
  • teve o texto completo recuperado;
  • ficou pendente;
  • foi posteriormente excluído;
  • foi finalmente incluído.

Manter colunas separadas ajuda a reconstruir o percurso e evita sobrescrever decisões anteriores.

Boa prática

Preserve a decisão de cada etapa em sua própria coluna. Não apague “avançar no título/resumo” apenas porque o estudo foi excluído mais tarde pelo texto completo.

É possível utilizar códigos?

Sim. Códigos podem tornar a planilha mais compacta, desde que exista uma legenda clara.

Exemplo:

  • AV — avançar;
  • EX — excluir;
  • DU — dúvida;
  • IN — incluir;
  • PE — pendente.

Essas abreviações são apenas uma convenção operacional. Você pode utilizar outras categorias compatíveis com o protocolo ou ferramenta adotada.

Padronize também os motivos de exclusão

Em vez de escrever razões diferentes para o mesmo problema, utilize categorias consistentes, como:

  • POP — população incompatível;
  • DES — desenho inelegível;
  • EXP — exposição/intervenção incompatível;
  • OUT — desfecho/conceito fora do escopo;
  • PUB — tipo de publicação inelegível;
  • CTX — contexto incompatível.

Se utilizar códigos, mantenha sempre uma legenda acessível.

Como registrar múltiplos relatórios do mesmo estudo?

Uma coluna adicional pode indicar o identificador da investigação.

Exemplo:

ID do registro Publicação ID do estudo Relação
R041 Silva et al., 2022 E07 Relatório principal
R093 Silva et al., 2024 E07 Seguimento
R128 Silva et al., 2025 E07 Análise secundária

Essa estrutura ajuda a evitar que três publicações relacionadas sejam tratadas como três estudos independentes.

A planilha deve permitir reconstruir as contagens

Idealmente, os dados registrados devem permitir calcular:

  • quantos registros foram identificados;
  • quantos duplicados foram tratados;
  • quantos foram triados;
  • quantos foram excluídos inicialmente;
  • quantos textos completos foram procurados;
  • quantos foram recuperados;
  • quantos foram avaliados;
  • quantos foram excluídos após avaliação detalhada;
  • quantos relatórios e estudos foram finalmente incluídos.

Visão metodológica

Uma boa planilha não serve apenas para “guardar artigos”. Ela funciona como memória operacional da seleção e permite verificar como cada número do fluxo foi produzido.

Planilha ou ferramenta especializada?

A escolha depende de fatores como:

  • tipo de revisão;
  • número de registros;
  • quantidade de revisores;
  • necessidade de decisões independentes;
  • recursos disponíveis;
  • exigências institucionais;
  • complexidade do protocolo.

Ferramentas específicas podem facilitar a triagem de grandes volumes, ocultar decisões entre avaliadores e automatizar partes do gerenciamento.

Para muitos TCCs, entretanto, uma planilha bem estruturada pode ser suficiente quando isso é compatível com o método.

Vale lembrar

A sofisticação da ferramenta não compensa critérios mal definidos ou decisões inconsistentes. O método vem antes do software.

A seleção precisa ser feita por dois revisores?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre estudantes.

A resposta correta é: depende do tipo de revisão, do referencial metodológico e do protocolo adotado.

Por que utilizar dois revisores?

Quando duas pessoas avaliam independentemente os mesmos registros, o processo pode reduzir:

  • erros individuais;
  • exclusões acidentais;
  • interpretações inconsistentes;
  • influência precoce de uma decisão sobre a outra.

Também permite identificar critérios que precisam de melhor operacionalização.

O que significa avaliação independente?

Significa que cada avaliador toma sua decisão sem conhecer previamente a classificação atribuída pelo outro.

Depois, os resultados são comparados e as divergências são resolvidas conforme o procedimento definido.

Modelo Como funciona?
Avaliação independente Cada revisor classifica os registros separadamente antes da comparação.
Avaliação conjunta Os avaliadores discutem cada registro desde o início.
Revisão por conferência Uma pessoa avalia e outra verifica parte ou todas as decisões.

Esses modelos não são equivalentes. A metodologia deve descrever o procedimento realmente utilizado.

Como resolver discordâncias?

Um procedimento possível inclui:

  1. comparar as decisões;
  2. identificar o ponto de divergência;
  3. reler o critério correspondente;
  4. reavaliar o texto;
  5. buscar consenso;
  6. consultar um terceiro avaliador quando previsto.

O protocolo pode determinar um procedimento diferente, desde que adequado ao método.

E em revisões sistemáticas?

Revisões sistemáticas costumam exigir maior controle das decisões de elegibilidade.

No contexto do Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions, a determinação final da elegibilidade deve envolver pelo menos duas pessoas de forma independente, enquanto a duplicação da triagem inicial de títulos e resumos é considerada desejável.

Essas recomendações existem em um contexto metodológico específico e não devem ser generalizadas automaticamente para todo tipo de revisão.

Importante

Não escreva “dois revisores independentes realizaram a seleção” apenas porque essa formulação aparece em artigos publicados. A metodologia deve descrever o que realmente foi feito.

E em um TCC feito por uma única pessoa?

É comum que trabalhos acadêmicos sejam conduzidos principalmente por um estudante.

Quando isso acontece, a seleção pode ser descrita de maneira transparente, por exemplo:

“A seleção dos estudos foi realizada pelo pesquisador responsável, mediante aplicação dos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos. Casos de dúvida foram reavaliados à luz do protocolo e discutidos com o orientador quando necessário.”

Essa formulação é apenas um exemplo e deve ser adaptada ao procedimento realmente realizado.

Como melhorar a consistência quando existe apenas um avaliador?

  • defina critérios claros;
  • utilize perguntas operacionais;
  • faça calibração inicial;
  • registre dúvidas;
  • reavalie casos limítrofes;
  • mantenha uma planilha organizada;
  • evite decisões baseadas na memória;
  • documente qualquer mudança metodológica.

É necessário calcular concordância entre avaliadores?

Não existe exigência universal de calcular estatísticas de concordância em toda revisão.

Alguns protocolos ou projetos podem utilizar medidas como coeficiente kappa, mas isso depende do objetivo metodológico e do desenho da revisão.

Não inclua uma estatística apenas para dar aparência de rigor se ela não fizer parte do método adotado.

Faça calibração quando houver mais de um avaliador

Antes da triagem completa, os revisores podem testar uma pequena amostra de registros.

Se as decisões divergirem frequentemente, isso pode indicar:

  • critério ambíguo;
  • definição operacional incompleta;
  • interpretação diferente do escopo;
  • situação recorrente não prevista.

Em resumo

Dois revisores podem aumentar a robustez de processos estruturados, mas a exigência depende do método. Transparência sobre quem avaliou e como as divergências foram resolvidas é mais importante do que reproduzir artificialmente um procedimento que não ocorreu.

Como documentar o processo de seleção dos estudos?

Uma revisão bem documentada permite compreender como o pesquisador passou dos resultados inicialmente identificados ao conjunto final incluído.

Essa capacidade de reconstrução é frequentemente chamada de rastreabilidade.

O que deve ser preservado?

Conforme o tipo de revisão, pode ser importante registrar:

  • fontes pesquisadas;
  • número de registros recuperados por fonte;
  • duplicatas tratadas;
  • registros triados;
  • registros excluídos na triagem inicial;
  • relatórios procurados para recuperação;
  • relatórios não recuperados;
  • textos completos avaliados;
  • motivos de exclusão na avaliação detalhada;
  • estudos e relatórios incluídos;
  • decisões sobre múltiplas publicações;
  • procedimento utilizado para resolver divergências.

Não reconstrua o fluxo apenas pela memória

Quando essas informações não são registradas ao longo do processo, o pesquisador pode chegar ao final com números incompatíveis.

Exemplo:

Foram encontrados 447 registros, mas a planilha final contém apenas 320 e ninguém sabe exatamente o que aconteceu com os demais.

Esse problema pode ser evitado quando cada transição é documentada.

Erro comum

Fazer toda a triagem e somente depois tentar descobrir quantas duplicatas existiam, quantos registros foram excluídos por título e resumo e quantos textos completos foram avaliados.

Faça verificações aritméticas

As contagens devem ser compatíveis entre si.

Por exemplo:

Registros identificados − registros removidos antes da triagem = registros triados.

Depois:

Registros triados − registros excluídos = relatórios potencialmente relevantes buscados para recuperação.

E assim por diante.

Nem todo fluxo será matematicamente simples, especialmente quando existem múltiplas fontes adicionais ou relatórios relacionados, mas as transições precisam ser explicáveis.

Preserve a base final de decisões

Ao concluir a seleção, não descarte a planilha ou plataforma utilizada.

Ela pode ser necessária para:

  • conferir uma exclusão;
  • responder a uma dúvida do orientador;
  • revisar o fluxograma;
  • corrigir uma referência;
  • identificar relatórios relacionados;
  • documentar futuras atualizações da revisão.

A metodologia precisa refletir o processo real

A seção de métodos deve explicar, na medida necessária:

  • como os registros foram organizados;
  • como ocorreu a triagem;
  • como a elegibilidade foi avaliada;
  • quem participou;
  • como divergências foram resolvidas;
  • como exclusões foram documentadas.

Não é necessário transformar a metodologia em um diário de cada clique realizado na ferramenta. O objetivo é fornecer informação suficiente para compreender a lógica e a execução do processo.

Resumo da documentação

Registre as decisões enquanto elas acontecem. Uma seleção transparente deve permitir responder: quantos registros existiam, o que aconteceu com eles e por que o conjunto final ficou daquele tamanho.

Como o PRISMA se relaciona com a seleção dos estudos?

O PRISMA 2020 é uma diretriz de relato desenvolvida para aumentar a transparência de revisões sistemáticas e trabalhos relacionados.

Durante a seleção, um dos elementos mais conhecidos é o fluxograma utilizado para mostrar o caminho entre as evidências identificadas e aquelas finalmente incluídas.

O que o fluxograma pode mostrar?

Conforme a versão e o caminho aplicável, o fluxo pode apresentar elementos como:

  • registros identificados;
  • registros removidos antes da triagem;
  • registros triados;
  • registros excluídos;
  • relatórios procurados para recuperação;
  • relatórios não recuperados;
  • relatórios avaliados para elegibilidade;
  • relatórios excluídos e principais motivos;
  • estudos incluídos;
  • relatórios dos estudos incluídos.

PRISMA não substitui o método de seleção

O fluxograma é uma forma de relatar o processo.

Ele não decide:

  • quais critérios utilizar;
  • como formular a pergunta;
  • qual estratégia de busca é adequada;
  • quando um estudo é elegível;
  • como resolver uma divergência.

Três funções diferentes

Critérios de elegibilidade = definem as regras.

Seleção = aplica as regras aos registros e estudos.

PRISMA = ajuda a relatar de forma transparente o caminho percorrido.

Por que registrar os motivos de exclusão antes de montar o fluxograma?

Porque o fluxograma e outras formas de relato devem ser consequência da documentação realizada durante a revisão.

Se o pesquisador deixa para criar os motivos de exclusão somente no momento de preencher o PRISMA, corre o risco de:

  • esquecer decisões;
  • agrupar categorias de maneira inconsistente;
  • produzir números que não fecham;
  • inventar justificativas retrospectivamente.

Todo tipo de revisão precisa usar PRISMA?

Não.

A aplicabilidade depende do tipo de revisão e do referencial utilizado.

O PRISMA 2020 está associado principalmente ao relato de revisões sistemáticas. Extensões e adaptações podem existir para outros tipos de síntese.

Uma revisão narrativa, por exemplo, não se torna automaticamente metodologicamente melhor apenas porque recebeu um fluxograma PRISMA.

Importante

Usar um fluxograma PRISMA não transforma, por si só, um trabalho em revisão sistemática. O tipo de revisão depende do conjunto do método adotado.

Não monte o fluxograma antes de consolidar os dados

Primeiro organize:

  • contagens;
  • duplicatas;
  • exclusões;
  • textos não recuperados;
  • motivos de exclusão;
  • relatórios;
  • estudos incluídos.

Depois, utilize essas informações para preencher o fluxo apropriado.

Exemplo numérico

O exemplo utilizado ao longo deste guia produziria, de maneira simplificada, o seguinte percurso:

447 registros identificados → 92 duplicatas removidas → 355 registros triados → 267 excluídos na triagem → 88 relatórios buscados → 4 não recuperados → 84 avaliados em texto completo → 38 excluídos → 46 relatórios elegíveis.

Depois disso, ainda é necessário verificar quantos estudos distintos esses 46 relatórios representam.

Por que PRISMA diferencia estudos e relatórios?

Porque um único estudo pode produzir vários documentos.

Assim, é possível que a revisão inclua:

  • 40 estudos;
  • 46 relatórios desses estudos.

Essa distinção evita que o número de publicações seja interpretado como número de investigações independentes.

Visão metodológica

O fluxograma final deve ser uma representação condensada de um processo que já foi devidamente registrado. Ele é o resultado da rastreabilidade, não um substituto para ela.

10 erros comuns na seleção e triagem dos estudos

Mesmo quando a busca foi bem planejada, falhas durante a seleção podem comprometer a consistência da revisão. A seguir estão alguns dos erros mais frequentes e como evitá-los.

1. Começar a triagem antes de definir os critérios

Sem critérios claros, as decisões tendem a variar conforme cada artigo lido.

O pesquisador pode acabar incluindo estudos semelhantes por razões diferentes ou excluindo materiais porque “não parecem adequados”, sem uma regra metodológica explícita.

Como evitar: defina os critérios antes da seleção definitiva e mantenha-os acessíveis durante toda a triagem.

2. Excluir na dúvida durante título e resumo

Resumos frequentemente omitem informações importantes.

Se uma característica necessária não estiver descrita, isso não significa automaticamente que o estudo não a possui.

Como evitar: quando houver dúvida razoável, encaminhe o registro para avaliação adicional em vez de excluir por suposição.

3. Confundir duplicata com estudo excluído

Duplicata é um registro repetido do mesmo relatório. Exclusão ocorre quando a evidência não atende às regras da revisão.

Como evitar: trate deduplicação e elegibilidade como processos diferentes e registre suas contagens separadamente.

4. Contar dois relatórios como dois estudos independentes

Uma mesma investigação pode gerar várias publicações.

Se cada artigo for contabilizado como estudo independente, existe risco de duplicar participantes, intervenções ou resultados.

Como evitar: investigue publicações relacionadas e vincule-as ao mesmo estudo quando apropriado.

5. Alterar critérios durante a seleção para facilitar decisões

Casos difíceis podem levar o pesquisador a criar exceções convenientes.

Isso é especialmente problemático quando a mudança favorece a inclusão ou exclusão de um artigo específico.

Como evitar: volte à pergunta, ao objetivo e ao protocolo. Se uma alteração realmente for necessária, justifique-a, documente-a e aplique-a consistentemente.

6. Depender da memória para registrar decisões

Depois de dezenas ou centenas de registros, é fácil esquecer por que determinado artigo foi excluído ou qual dúvida ainda estava pendente.

Como evitar: registre decisões e observações no momento da avaliação.

7. Usar “não atendeu aos critérios” para todas as exclusões

Essa justificativa é pouco informativa e dificulta a rastreabilidade.

Como evitar: utilize categorias específicas, como população incompatível, desenho inelegível ou desfecho fora do escopo.

8. Não registrar as quantidades em cada etapa

Sem contagens, o pesquisador pode chegar ao final sem saber quantos registros foram identificados, quantos eram duplicados ou quantos textos completos foram avaliados.

Como evitar: preserve os números à medida que o processo avança.

9. Resolver divergências sem um procedimento definido

Quando existem dois ou mais avaliadores, uma discordância não deve ser resolvida apenas pela opinião de quem tem mais experiência ou fala por último.

Como evitar: utilize critérios, releitura, consenso e, quando previsto, terceiro avaliador.

10. Começar a extração antes de consolidar os estudos incluídos

Extrair dados enquanto ainda existem dúvidas de elegibilidade pode gerar retrabalho e confundir o conjunto final.

Como evitar: finalize a seleção antes de iniciar a extração definitiva.

Resumo dos erros mais comuns

Erro Problema Como evitar
Triar sem critérios definidos Decisões inconsistentes Definir regras antes da seleção
Excluir na dúvida Perda de estudos potencialmente relevantes Encaminhar casos incertos para avaliação adicional
Confundir duplicata com exclusão Contagens incorretas Separar deduplicação de elegibilidade
Contar relatórios como estudos Dupla contagem da evidência Identificar publicações relacionadas
Mudar critérios por conveniência Viés de seleção Justificar e documentar alterações
Depender da memória Perda de rastreabilidade Registrar decisões imediatamente
Usar motivos genéricos Baixa transparência Padronizar motivos específicos
Não controlar contagens Fluxo inconsistente Registrar números em cada etapa
Resolver divergências informalmente Decisões pouco reprodutíveis Usar procedimento pré-definido
Extrair dados antes da seleção final Retrabalho Consolidar os incluídos primeiro

Em resumo

Os erros mais graves costumam surgir quando a revisão perde rastreabilidade: critérios mudam, decisões não são registradas, contagens deixam de fechar ou relatórios são confundidos com estudos independentes.

Checklist para seleção e triagem dos estudos

Use o checklist abaixo antes de considerar a seleção finalizada.

Antes da triagem

  • ☐ A pergunta da revisão está claramente definida.
  • ☐ O objetivo está alinhado à pergunta.
  • ☐ Os critérios de elegibilidade foram definidos.
  • ☐ O protocolo ou planejamento metodológico está disponível.
  • ☐ Os resultados das buscas foram reunidos.
  • ☐ A origem de cada registro foi preservada.
  • ☐ As quantidades recuperadas por fonte foram anotadas.
  • ☐ Existe uma forma padronizada de registrar as decisões.

Durante a deduplicação

  • ☐ Os possíveis registros duplicados foram verificados.
  • ☐ Duplicatas não foram contabilizadas como exclusões metodológicas.
  • ☐ Publicações diferentes da mesma investigação não foram eliminadas automaticamente.
  • ☐ Casos incertos foram conferidos manualmente.

Durante a triagem de títulos e resumos

  • ☐ Os critérios foram aplicados de maneira consistente.
  • ☐ Registros claramente incompatíveis foram excluídos.
  • ☐ Casos com informação insuficiente avançaram para avaliação adicional.
  • ☐ A ausência de uma palavra-chave no título não foi usada isoladamente como motivo de exclusão.
  • ☐ Os resultados do estudo não influenciaram a elegibilidade.
  • ☐ Os registros classificados como dúvida foram identificados.

Durante a avaliação do texto completo

  • ☐ Os textos potencialmente elegíveis foram recuperados ou tiveram sua situação documentada.
  • ☐ Dificuldade de acesso não foi confundida automaticamente com inelegibilidade.
  • ☐ Os critérios foram transformados em perguntas operacionais quando necessário.
  • ☐ Populações mistas foram tratadas de acordo com regra previamente definida.
  • ☐ Casos difíceis não geraram exceções improvisadas.
  • ☐ Elegibilidade não foi confundida com avaliação de qualidade ou risco de viés.

Ao registrar exclusões

  • ☐ Os motivos foram vinculados aos critérios.
  • ☐ Categorias de exclusão foram padronizadas.
  • ☐ Motivos genéricos demais foram evitados.
  • ☐ O motivo foi registrado no momento da decisão.
  • ☐ Estudos com múltiplos problemas seguiram uma lógica consistente para definir o motivo principal.

Quando existem dois ou mais avaliadores

  • ☐ Está claro se as decisões foram independentes ou conjuntas.
  • ☐ Existe procedimento para resolver divergências.
  • ☐ Casos discordantes foram reavaliados com base nos critérios.
  • ☐ Um terceiro avaliador foi utilizado apenas quando previsto ou necessário.
  • ☐ A metodologia descreve o procedimento que realmente ocorreu.

Antes de finalizar a seleção

  • ☐ Todas as pendências foram resolvidas ou classificadas adequadamente.
  • ☐ Os múltiplos relatórios do mesmo estudo foram identificados.
  • ☐ A lista final de estudos incluídos foi consolidada.
  • ☐ As contagens entre as etapas foram conferidas.
  • ☐ Os motivos de exclusão estão disponíveis.
  • ☐ A base de decisões foi preservada.
  • ☐ O conjunto final está pronto para a extração dos dados.

Controle final de qualidade

Faça uma pergunta simples: se outra pessoa abrir sua planilha ou ferramenta de triagem, ela conseguirá entender o que aconteceu com cada registro?

Se a resposta for sim, a rastreabilidade do processo provavelmente está bem organizada.

O checklist visual abaixo pode ser utilizado como conferência antes de encerrar a seleção e iniciar a extração dos dados.

Checklist para seleção e triagem dos estudos em uma revisão
Checklist para verificar se a deduplicação, triagem, avaliação de elegibilidade, registro das exclusões e consolidação dos estudos foram realizados de forma organizada.

Da busca aos estudos incluídos: visão completa do processo

A seleção fica mais fácil de compreender quando é vista como parte de uma sequência metodológica maior.

  1. Defina a pergunta.
  2. Planeje a revisão e o protocolo.
  3. Defina os critérios de elegibilidade.
  4. Construa e execute a estratégia de busca.
  5. Reúna e deduplique os registros.
  6. Faça a triagem de títulos e resumos.
  7. Recupere e avalie os textos completos.
  8. Registre os motivos de exclusão e resolva pendências.
  9. Consolide os estudos incluídos.
  10. Avance para a extração e síntese.

Visão integrada

A busca encontra candidatos. Os critérios estabelecem as regras. A triagem reduz o conjunto. A elegibilidade confirma quem pode entrar. A documentação mostra o caminho percorrido.

Como esse processo se conecta às etapas anteriores?

A qualidade da seleção depende diretamente do que veio antes.

Uma estratégia de busca mal construída pode deixar estudos relevantes de fora antes mesmo da triagem.

Critérios vagos podem tornar as decisões inconsistentes.

Um protocolo pouco claro pode dificultar a resolução de casos limítrofes.

Por isso, vale revisar os conteúdos sobre:

Depois da seleção, a próxima etapa natural é organizar as informações dos estudos incluídos para a extração e posterior síntese.

Seleção e triagem em diferentes tipos de revisão

O princípio geral de avaliar evidências em relação ao escopo da revisão é amplamente útil, mas o nível de formalização varia conforme o tipo de trabalho.

Revisão sistemática

Em uma revisão sistemática, a seleção costuma ser altamente estruturada, com critérios previamente definidos, etapas documentadas, controle de divergências e relato transparente do fluxo.

O grau de rigor deve seguir o protocolo e o referencial metodológico utilizado.

Revisão de escopo

Na revisão de escopo, a seleção também precisa ser sistemática e transparente, embora os objetivos e critérios possam ser mais amplos, dependendo da pergunta de mapeamento.

Revisão integrativa

Uma revisão integrativa pode incluir diferentes desenhos de estudo e exigir critérios capazes de lidar com essa diversidade.

A triagem deve permanecer coerente com a pergunta e com o método de revisão adotado.

Revisão narrativa

Na revisão narrativa, o processo de seleção pode ser menos formalizado.

Isso não significa, porém, que os estudos possam ser escolhidos arbitrariamente. O autor deve explicar de forma compatível com o objetivo como a literatura foi localizada e selecionada.

Revisão bibliográfica em TCC

Em um TCC de revisão bibliográfica, o grau de formalização depende do desenho metodológico escolhido, das normas institucionais e da orientação recebida.

Nem todo TCC precisa reproduzir integralmente uma revisão sistemática, mas organização, critérios claros e rastreabilidade melhoram a qualidade acadêmica do processo.

Proporcionalidade metodológica

Quanto maior a pretensão de sistematicidade, reprodutibilidade e abrangência da revisão, maior tende a ser a necessidade de formalizar seleção, avaliadores, registro das decisões e fluxo dos estudos.

Rigor não significa copiar procedimentos de outro tipo de revisão; significa aplicar de forma coerente o método adequado ao trabalho realizado.

Perguntas frequentes sobre seleção e triagem dos estudos

O que é triagem de estudos?

A triagem de estudos é a avaliação inicial dos registros recuperados pela busca para identificar quais são claramente incompatíveis com os critérios da revisão e quais devem avançar para uma análise mais detalhada.

Frequentemente, essa etapa utiliza títulos e resumos.

Qual é a diferença entre seleção e triagem dos estudos?

A triagem costuma representar a filtragem inicial dos registros, enquanto seleção pode ser usada em sentido mais amplo para todo o processo que vai dos resultados da busca à definição dos estudos incluídos.

Na prática, o mais importante é explicar claramente quais etapas foram realizadas e como as decisões de elegibilidade foram tomadas.

Devo analisar primeiro o título, o resumo ou o texto completo?

Em processos estruturados, é comum iniciar por título e resumo para retirar referências claramente irrelevantes e depois avaliar os textos completos dos registros potencialmente elegíveis.

O desenho exato deve seguir o protocolo e o método da revisão.

O que fazer quando o resumo não possui informação suficiente?

Se a informação ausente for necessária para decidir a elegibilidade, evite excluir por suposição.

O registro pode avançar para consulta do texto completo ou de outras informações disponíveis.

Regra prática

Ausência de informação no resumo não significa automaticamente ausência da característica no estudo.

Duplicata conta como estudo excluído?

Não.

Uma duplicata ocorre quando o mesmo relatório foi recuperado mais de uma vez. A exclusão por inelegibilidade acontece quando a evidência não atende aos critérios metodológicos da revisão.

Essas situações devem ser controladas separadamente.

Dois artigos da mesma pesquisa contam como dois estudos?

Não necessariamente.

Uma única investigação pode produzir vários relatórios, como artigo principal, seguimento ou análise secundária.

Essas publicações precisam ser identificadas e vinculadas corretamente para evitar dupla contagem da mesma investigação.

Preciso registrar o motivo de todas as exclusões?

O nível de detalhamento depende do método e da etapa da seleção.

Em processos estruturados, costuma ser especialmente importante registrar razões específicas para exclusões feitas após a avaliação detalhada dos relatórios potencialmente elegíveis.

Na triagem inicial de títulos e resumos, frequentemente se preserva a quantidade total excluída, embora o protocolo possa prever documentação adicional.

A seleção dos estudos precisa ser feita por dois revisores?

Não existe uma regra universal válida para todos os TCCs e todos os tipos de revisão.

Em revisões sistemáticas conduzidas segundo referenciais específicos, a avaliação independente por mais de uma pessoa pode ser recomendada ou exigida em determinadas etapas.

Em trabalhos realizados por um único pesquisador, o procedimento deve ser descrito com transparência, sem simular a participação de revisores que não existiram.

Como organizar a seleção dos artigos?

Uma planilha ou ferramenta de triagem pode registrar:

  • ID;
  • autor e ano;
  • título;
  • fonte;
  • duplicata;
  • decisão por título e resumo;
  • situação do texto completo;
  • decisão final;
  • motivo de exclusão;
  • possível relatório relacionado;
  • observações.

O objetivo é permitir que cada registro seja acompanhado ao longo do processo.

Quantos artigos devem sobrar depois da seleção?

Não existe um número universal.

A quantidade final depende da pergunta, das fontes pesquisadas, da estratégia de busca, dos critérios de elegibilidade e da literatura disponível.

Não é recomendável alterar critérios apenas para atingir uma quantidade previamente desejada.

Posso excluir um artigo porque ele não está disponível gratuitamente?

A ausência de acesso gratuito não equivale automaticamente a inelegibilidade científica.

Antes de descartar o documento, verifique possibilidades legítimas de recuperação, como biblioteca institucional, periódico, repositório ou Portal de Periódicos CAPES.

Quando o relatório não puder ser recuperado, essa situação deve ser documentada de acordo com o método adotado.

Posso excluir um estudo porque o resultado não foi estatisticamente significativo?

Não, se a decisão estiver sendo baseada apenas na direção ou significância do resultado.

Estudos elegíveis não devem ser excluídos porque:

  • não encontraram associação;
  • apresentaram efeito pequeno;
  • contradisseram a hipótese;
  • produziram resultado considerado inconveniente.

A elegibilidade deve ser determinada pelos critérios previstos para a revisão.

O que fazer se perceber durante a triagem que um critério ficou mal definido?

Não faça uma mudança silenciosa para acomodar um artigo específico.

Retorne à pergunta, ao objetivo e ao protocolo. Se realmente for necessário esclarecer ou modificar a regra:

  • registre o problema;
  • justifique a decisão;
  • documente a alteração;
  • avalie seu impacto sobre estudos já analisados;
  • aplique a nova regra de maneira consistente.

Quando devo começar a extração dos dados?

Preferencialmente depois de consolidar o conjunto de estudos incluídos.

Antes disso, confirme que:

  • as pendências de elegibilidade foram resolvidas;
  • os motivos de exclusão estão registrados;
  • múltiplos relatórios foram identificados;
  • as contagens foram conferidas;
  • a lista final está organizada.

A partir daí, inicia-se uma nova etapa metodológica: coletar sistematicamente as informações necessárias dos estudos que realmente fazem parte da revisão.

Resumo: como fazer seleção e triagem dos estudos

Se você precisar revisar rapidamente todo o processo, utilize esta sequência:

  1. Tenha a pergunta e os critérios claramente definidos.
  2. Reúna os registros encontrados nas diferentes fontes.
  3. Preserve as quantidades e a origem dos resultados.
  4. Identifique e trate as duplicatas.
  5. Faça a triagem inicial por título e resumo.
  6. Na dúvida razoável, encaminhe o registro para avaliação adicional.
  7. Recupere os textos completos potencialmente elegíveis.
  8. Aplique os critérios detalhadamente.
  9. Registre motivos específicos para as exclusões relevantes.
  10. Resolva pendências e divergências de forma consistente.
  11. Identifique múltiplos relatórios pertencentes ao mesmo estudo.
  12. Consolide e confira o conjunto final antes da extração dos dados.

Resumo em uma frase

A seleção transforma os resultados brutos da busca em um conjunto documentado de estudos que realmente atende às regras metodológicas da revisão.

Como esse processo se encaixa em uma revisão científica?

A seleção não é uma atividade isolada. Ela ocupa uma posição específica dentro da sequência metodológica:

Pergunta → protocolo → critérios de elegibilidade → estratégia de busca → resultados recuperados → deduplicação → triagem → avaliação de elegibilidade → estudos incluídos → extração de dados → síntese.

Cada etapa responde a uma pergunta diferente.

Etapa Pergunta principal
Pergunta da revisão O que quero responder?
Protocolo Como pretendo conduzir a revisão?
Critérios Quais evidências poderão participar?
Busca Como localizar evidências potencialmente relevantes?
Triagem e seleção Quais evidências encontradas realmente atendem às regras?
Extração Quais informações serão coletadas dos estudos incluídos?
Síntese Como as evidências serão organizadas e interpretadas?

Visão metodológica

Uma seleção bem executada depende das decisões tomadas antes dela e influencia diretamente todas as etapas posteriores. Por isso, clareza dos critérios, rastreabilidade e consistência são mais importantes do que simplesmente reduzir rapidamente o número de artigos.

Conclusão

Fazer a seleção e triagem dos estudos significa muito mais do que separar artigos aparentemente interessantes daqueles que parecem pouco relevantes.

O processo precisa transformar os resultados recuperados pela busca em um conjunto de evidências selecionado por regras explícitas, aplicadas de maneira suficientemente consistente e documentadas ao longo do caminho.

Na prática, isso envolve organizar os registros, tratar duplicatas, avaliar títulos e resumos, recuperar textos completos, confirmar elegibilidade, documentar exclusões, resolver dúvidas e reconhecer quando vários relatórios pertencem à mesma investigação.

Também é fundamental entender que cada etapa possui uma função diferente. Critérios de inclusão e exclusão estabelecem as regras; a triagem aplica essas regras aos resultados encontrados; e ferramentas de relato, como o PRISMA quando apropriado, ajudam a mostrar de forma transparente o percurso realizado.

O objetivo final não é terminar com o maior ou o menor número possível de estudos. É chegar a um conjunto que represente, de forma metodologicamente coerente, as evidências que atendem à pergunta e aos critérios estabelecidos para aquela revisão.

Quando a seleção está concluída, a revisão entra em uma nova fase: transformar os estudos incluídos em informações organizadas que possam ser comparadas, avaliadas e posteriormente sintetizadas.

Em resumo

Uma boa seleção não é aquela que elimina mais artigos. É aquela em que cada decisão relevante pode ser compreendida, justificada e reconstruída.

Continue aprendendo

A seleção dos estudos faz parte de uma sequência metodológica. Para aprofundar cada etapa, veja também:

Depois da triagem e da definição dos estudos incluídos, o próximo passo metodológico é estruturar a extração dos dados, transformando os artigos selecionados em informações organizadas para análise e síntese.

Referências metodológicas

  1. LEFEBVRE, C.; GLANVILLE, J.; BRISCOE, S.; FEATHERSTONE, R.; LITTLEWOOD, A.; METZENDORF, M.-I.; NOEL-STORR, A.; PAYNTER, R.; RADER, T.; THOMAS, J.; WIELAND, L. S. Chapter 4: Searching for and selecting studies. In: HIGGINS, J. P. T.; THOMAS, J.; CHANDLER, J.; CUMPSTON, M.; LI, T.; PAGE, M. J. et al. (eds.). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Version 6.5.1. Cochrane, 2025. Chapter last updated March 2025. Disponível em: Cochrane Handbook — Chapter 4.

  2. PAGE, M. J.; McKENZIE, J. E.; BOSSUYT, P. M.; et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71.

  3. PAGE, M. J.; MOHER, D.; BOSSUYT, P. M.; et al. PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n160, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n160.

  4. AROMATARIS, E.; LOCKWOOD, C.; PORRITT, K.; PILLA, B.; JORDAN, Z. (eds.). JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI, 2024. Disponível em: JBI Manual for Evidence Synthesis.

Sobre as referências metodológicas

Diretrizes e manuais possuem escopos próprios. Recomendações desenvolvidas para revisões sistemáticas, revisões de escopo ou outros tipos específicos de síntese devem ser utilizadas de maneira compatível com o método efetivamente adotado no trabalho.

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