TCC

O que é revisão de escopo? Guia completo para TCC e pesquisa científica

Descubra o que é revisão de escopo (Scoping Review), quando essa metodologia deve ser utilizada, quais são suas etapas, como aplicar o framework PCC, seguir o PRISMA-ScR e quais são as diferenças em relação à revisão sistemática e à revisão integrativa.

O que é revisão de escopo? Guia completo para TCC e pesquisa científica

O que é revisão de escopo? Guia completo para TCC e pesquisa científica

A revisão de escopo, conhecida internacionalmente como Scoping Review, é uma metodologia científica utilizada para mapear, organizar e sintetizar o conhecimento disponível sobre determinado tema. Diferentemente da revisão sistemática, que busca responder a uma pergunta de pesquisa altamente específica, a revisão de escopo possui caráter mais exploratório e tem como principal objetivo identificar a extensão, a natureza e as lacunas existentes na literatura científica.


Atualizado em Julho de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia


Nos últimos anos, esse tipo de revisão ganhou grande relevância em diferentes áreas do conhecimento, especialmente nas ciências da saúde, educação, psicologia, administração e ciências sociais. Sua flexibilidade metodológica permite compreender como determinado assunto vem sendo estudado, quais abordagens predominam, quais conceitos ainda apresentam divergências e quais oportunidades existem para pesquisas futuras.

Por essas características, a revisão de escopo tem sido cada vez mais utilizada em Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), dissertações, teses e artigos científicos, principalmente quando o pesquisador deseja explorar um tema amplo antes da realização de uma revisão sistemática ou de estudos primários.

Neste guia completo você entenderá o que é revisão de escopo, quando ela deve ser utilizada, quais são suas etapas, como aplicar o framework PCC, quais diretrizes internacionais orientam sua elaboração, como a banca costuma avaliar esse tipo de pesquisa e quais são as diferenças em relação à revisão sistemática e à revisão integrativa.

Ao final da leitura, você terá uma compreensão completa da metodologia e saberá quando a revisão de escopo representa a melhor escolha para o seu projeto de pesquisa.

Resumo rápido

  • A revisão de escopo possui caráter exploratório.
  • Seu objetivo é mapear a literatura científica disponível.
  • É indicada para temas amplos ou pouco explorados.
  • Utiliza o framework PCC para estruturar a pergunta de pesquisa.
  • Segue recomendações internacionais como o PRISMA-ScR.
  • Nem sempre realiza avaliação crítica da qualidade metodológica dos estudos.
  • Ajuda a identificar lacunas do conhecimento científico.

O que é revisão de escopo?

A revisão de escopo é um método de síntese do conhecimento desenvolvido para identificar, reunir e organizar todas as evidências disponíveis sobre determinado tema, conceito ou área de investigação. Em vez de responder exclusivamente a uma pergunta específica, essa metodologia procura oferecer uma visão abrangente da literatura científica existente.

Seu principal objetivo é mapear o conhecimento produzido, identificar como determinado assunto vem sendo investigado, quais conceitos são utilizados pelos pesquisadores, quais métodos predominam e quais lacunas ainda permanecem na literatura.

Por esse motivo, a revisão de escopo costuma ser indicada quando o pesquisador ainda está explorando um tema amplo ou quando deseja compreender o panorama geral das evidências antes de desenvolver estudos mais específicos.

Visão do especialista

A revisão de escopo não procura determinar qual intervenção é mais eficaz nem produzir recomendações clínicas definitivas. Seu foco está na organização do conhecimento existente, permitindo compreender o estado atual da pesquisa sobre determinado assunto.

Origem da revisão de escopo

A metodologia começou a ganhar destaque a partir do trabalho de Arksey e O’Malley (2005), que propuseram um modelo estruturado para mapear a literatura científica em áreas ainda pouco consolidadas.

Posteriormente, pesquisadores como Levac, Colquhoun e O’Brien aperfeiçoaram esse modelo, ampliando sua aplicabilidade e tornando o processo mais sistemático.

Atualmente, uma das principais referências internacionais para revisões de escopo é o Joanna Briggs Institute (JBI), que estabelece orientações metodológicas amplamente utilizadas em pesquisas científicas.

Vale lembrar

Embora utilize procedimentos sistemáticos para localizar e selecionar estudos, a revisão de escopo possui objetivos diferentes da revisão sistemática. Seu propósito é mapear e organizar o conhecimento disponível, e não necessariamente avaliar a efetividade de intervenções ou produzir sínteses quantitativas das evidências.

Para que serve uma revisão de escopo?

A revisão de escopo é utilizada quando o pesquisador deseja compreender como determinado tema vem sendo abordado pela literatura científica. Em vez de investigar apenas a eficácia de uma intervenção ou responder a uma pergunta altamente específica, ela procura identificar o alcance das pesquisas existentes, os conceitos utilizados, os métodos empregados e os principais resultados publicados.

Essa metodologia também permite reconhecer áreas pouco exploradas, identificar lacunas do conhecimento e orientar futuras pesquisas, funcionando muitas vezes como etapa preparatória para revisões sistemáticas ou estudos primários.

Além disso, revisões de escopo são frequentemente utilizadas por pesquisadores, grupos de pesquisa e instituições para organizar grandes volumes de informação científica de maneira estruturada e transparente.

Na prática

Imagine que um pesquisador deseja compreender como a inteligência artificial vem sendo utilizada na educação superior. Em vez de avaliar apenas a eficácia de uma ferramenta específica, uma revisão de escopo permite mapear todas as aplicações descritas na literatura, identificar tendências, conceitos predominantes e oportunidades para novas pesquisas.

Principais objetivos da revisão de escopo

  • mapear a produção científica sobre determinado tema;
  • identificar conceitos utilizados pelos pesquisadores;
  • descrever métodos empregados nos estudos;
  • reconhecer lacunas do conhecimento;
  • organizar grandes volumes de literatura científica;
  • subsidiar revisões sistemáticas futuras;
  • orientar agendas de pesquisa.

Boa prática

Antes de optar pela revisão de escopo, verifique se o objetivo do estudo é realmente mapear a literatura científica. Caso a intenção seja responder a uma pergunta altamente específica sobre efetividade, diagnóstico ou prognóstico, a revisão sistemática poderá ser mais adequada.

Quando utilizar uma revisão de escopo?

A revisão de escopo é indicada quando o pesquisador pretende compreender a extensão do conhecimento disponível sobre determinado tema, identificar conceitos utilizados pela literatura, mapear diferentes tipos de evidências ou reconhecer lacunas que ainda precisam ser investigadas.

Diferentemente da revisão sistemática, que normalmente responde a uma pergunta bastante específica, a revisão de escopo trabalha com questões mais amplas e exploratórias, permitindo uma visão geral do campo de estudo.

Essa característica torna a metodologia especialmente útil em áreas emergentes, nas quais os conceitos ainda estão em desenvolvimento ou quando existe grande diversidade de delineamentos metodológicos.

Outro cenário em que a revisão de escopo costuma ser especialmente útil ocorre quando a literatura científica apresenta grande heterogeneidade. Em áreas emergentes ou multidisciplinares, é comum encontrar estudos com diferentes delineamentos, populações, contextos e objetivos, o que dificulta a realização de uma síntese voltada exclusivamente para comparar resultados.

Nessas situações, a revisão de escopo permite organizar esse conjunto diversificado de evidências, identificando como o conhecimento vem sendo construído e quais aspectos ainda necessitam de maior aprofundamento. Essa visão ampla costuma representar um passo importante antes da elaboração de pesquisas mais específicas.

Boa prática

Ao elaborar uma revisão de escopo, procure registrar não apenas os resultados encontrados, mas também as características dos estudos incluídos, como país de realização, delineamento metodológico, população investigada e contexto da pesquisa. Essas informações enriquecem o mapeamento da literatura.

Situações em que a revisão de escopo costuma ser indicada

  • mapear temas pouco explorados;
  • identificar conceitos utilizados pela literatura;
  • levantar diferentes tipos de evidências científicas;
  • compreender tendências de pesquisa;
  • identificar lacunas do conhecimento;
  • subsidiar futuras revisões sistemáticas;
  • organizar grandes volumes de literatura científica.

Boa prática

Antes de escolher essa metodologia, pergunte-se: meu objetivo é responder uma pergunta específica ou compreender como determinado tema vem sendo estudado? Essa reflexão costuma facilitar a escolha entre revisão de escopo e revisão sistemática.

Quando a revisão de escopo não é indicada?

Embora seja uma metodologia bastante versátil, a revisão de escopo não representa a melhor escolha para todas as pesquisas.

Quando o objetivo consiste em responder questões muito específicas relacionadas à efetividade de intervenções, precisão diagnóstica ou prognóstico, normalmente a revisão sistemática oferece maior rigor metodológico e produz respostas mais precisas.

Também não costuma ser indicada quando o pesquisador pretende realizar sínteses quantitativas por meio de metanálise.

Atenção

Escolher uma revisão de escopo apenas porque ela parece mais simples pode comprometer a qualidade metodológica do trabalho. A metodologia deve sempre estar alinhada ao problema de pesquisa e aos objetivos definidos no projeto.

Comparando diferentes objetivos de pesquisa

Objetivo da pesquisa Metodologia geralmente mais indicada
Mapear a literatura disponível Revisão de Escopo
Responder pergunta específica Revisão Sistemática
Integrar diferentes tipos de estudos Revisão Integrativa
Apresentar visão geral da literatura Revisão Narrativa

Erro comum

Confundir revisão de escopo com uma revisão bibliográfica ampliada. Apesar do caráter exploratório, a revisão de escopo segue procedimentos metodológicos estruturados e utiliza critérios explícitos para localizar e selecionar os estudos.

Quais são as principais características da revisão de escopo?

A revisão de escopo apresenta características próprias que a diferenciam das demais modalidades de revisão da literatura. Seu foco principal está na organização do conhecimento disponível e não necessariamente na comparação quantitativa dos resultados.

Além disso, ela aceita diferentes tipos de delineamentos metodológicos, permitindo uma visão bastante abrangente do estado atual da produção científica.

Características mais importantes

  • possui caráter exploratório;
  • utiliza metodologia estruturada;
  • permite diferentes tipos de estudos;
  • mapeia conceitos e evidências;
  • identifica lacunas do conhecimento;
  • não exige obrigatoriamente avaliação crítica dos estudos;
  • segue recomendações internacionais como o PRISMA-ScR.

Visão do especialista

Embora muitas revisões de escopo não realizem avaliação formal da qualidade metodológica dos estudos, isso não significa ausência de rigor científico. O foco metodológico está no mapeamento sistemático das evidências disponíveis.

Quais são as etapas de uma revisão de escopo?

Assim como ocorre nas revisões sistemáticas, a revisão de escopo segue uma sequência organizada de etapas metodológicas. A diferença está no objetivo de cada fase, que procura mapear o conhecimento científico disponível em vez de responder exclusivamente a uma pergunta altamente específica.

Ao longo dos últimos anos, diferentes instituições passaram a adotar fluxos bastante semelhantes, especialmente após a publicação das recomendações do Joanna Briggs Institute (JBI).

O fluxograma abaixo resume as principais etapas da revisão de escopo e pode servir como um roteiro durante o desenvolvimento do trabalho acadêmico.

Fluxograma mostrando as principais etapas da revisão de escopo, desde a definição da pergunta de pesquisa até o mapeamento das evidências científicas.
As etapas da revisão de escopo organizam todo o processo de pesquisa, permitindo mapear a literatura científica disponível de forma transparente e estruturada.

1. Definição da pergunta de pesquisa

Todo trabalho começa pela elaboração de uma pergunta clara, compatível com o objetivo exploratório da revisão de escopo.

Nessa metodologia, normalmente utiliza-se o framework PCC, que será apresentado mais adiante.

2. Elaboração do protocolo

Antes da busca bibliográfica, recomenda-se registrar os objetivos, os critérios de elegibilidade, as bases de dados e a estratégia metodológica que será utilizada durante a revisão.

3. Estratégia de busca

São definidos descritores, palavras-chave, operadores booleanos e combinações de termos capazes de localizar o maior número possível de estudos relevantes.

4. Busca nas bases de dados

O pesquisador realiza pesquisas sistemáticas nas bases previamente selecionadas, documentando todas as estratégias utilizadas.

5. Seleção dos estudos

Os registros recuperados passam por remoção das duplicatas, leitura dos títulos, análise dos resumos e avaliação dos textos completos, sempre considerando os critérios previamente estabelecidos.

6. Extração dos dados

As principais informações dos estudos incluídos são organizadas em planilhas ou quadros padronizados para facilitar a comparação das evidências.

7. Mapeamento e síntese das evidências

Nessa etapa ocorre a organização dos resultados, identificando conceitos predominantes, tipos de estudos existentes, lacunas do conhecimento e tendências observadas na literatura científica.

Vale lembrar

O objetivo final da revisão de escopo não é determinar qual intervenção funciona melhor, mas apresentar um panorama amplo e organizado da produção científica sobre determinado tema.

Na prática

Ao concluir uma revisão de escopo, o pesquisador normalmente consegue responder perguntas como: “Quais temas já foram investigados?”, “Quais métodos são mais utilizados?”, “Quais conceitos aparecem com maior frequência?” e “Quais lacunas ainda precisam ser estudadas?”.

O que é o framework PCC?

Uma das principais diferenças entre a revisão de escopo e a revisão sistemática está na forma como a pergunta de pesquisa é construída. Enquanto revisões sistemáticas normalmente utilizam a estratégia PICO, as revisões de escopo adotam, na maioria dos casos, o framework PCC, desenvolvido para estruturar perguntas mais amplas e exploratórias.

A utilização do PCC permite delimitar o foco da pesquisa sem restringir excessivamente o tema, característica essencial para revisões cujo objetivo consiste em mapear a literatura científica disponível.

Resumo rápido

O framework PCC ajuda a organizar perguntas de pesquisa exploratórias, servindo como base para definir a estratégia de busca, os critérios de elegibilidade e o escopo da revisão.

O significado da sigla PCC

Elemento Significado Exemplo
P Population (População) Estudantes universitários
C Concept (Conceito) Uso da inteligência artificial
C Context (Contexto) Ensino superior

Com esses três elementos, o pesquisador consegue construir perguntas suficientemente delimitadas para orientar a revisão, mas sem limitar a investigação apenas a intervenções específicas ou resultados previamente definidos.

Na prática

Uma pergunta construída com PCC poderia ser: “Como a inteligência artificial vem sendo utilizada no ensino superior por estudantes universitários?”. Observe que o objetivo não é medir a eficácia de uma intervenção, mas compreender como determinado fenômeno aparece na literatura científica.

Por que o PCC foi desenvolvido?

O framework PICO foi criado principalmente para pesquisas clínicas que buscam responder perguntas bastante específicas relacionadas à efetividade de intervenções, diagnóstico ou prognóstico.

Entretanto, muitas pesquisas possuem objetivos diferentes. Em vez de perguntar “qual intervenção funciona melhor?”, procuram compreender “como determinado tema vem sendo estudado?” ou “quais conceitos existem sobre determinado assunto?”.

Nesses casos, utilizar o PICO pode limitar desnecessariamente a busca bibliográfica. O PCC surgiu justamente para permitir perguntas mais abrangentes, preservando o rigor metodológico da revisão.

Outra vantagem do framework PCC é permitir que a pergunta de pesquisa permaneça suficientemente ampla para contemplar diferentes delineamentos metodológicos, populações e contextos. Essa característica torna a revisão de escopo especialmente útil quando o conhecimento científico ainda está em desenvolvimento ou quando existem diferentes formas de investigar o mesmo fenômeno.

Além de orientar a estratégia de busca, o PCC também contribui para estabelecer critérios de elegibilidade mais consistentes, evitando que estudos relevantes sejam excluídos apenas porque utilizam abordagens metodológicas distintas.

Vale lembrar

O objetivo do PCC não é restringir a pesquisa, mas delimitar claramente o escopo da revisão para que o mapeamento das evidências ocorra de maneira organizada e transparente.

Visão do especialista

O PCC não representa uma versão simplificada do PICO. Ambos foram desenvolvidos para objetivos diferentes e devem ser escolhidos conforme a natureza da pergunta de pesquisa.

PCC ou PICO: qual framework utilizar?

A escolha entre PCC e PICO depende diretamente do objetivo da pesquisa. Enquanto o PICO procura responder perguntas altamente específicas, o PCC foi desenvolvido para revisões exploratórias que pretendem mapear a literatura científica.

Aspecto PCC PICO
Objetivo Mapear evidências Responder pergunta específica
Tipo de revisão Revisão de Escopo Revisão Sistemática
Pergunta Mais ampla Muito específica
Flexibilidade Alta Menor
Avaliação de intervenção Nem sempre Frequente
Mapeamento da literatura Principal objetivo Objetivo secundário

Boa prática

Antes de escolher entre PCC e PICO, analise cuidadosamente a pergunta de pesquisa. Se o objetivo for compreender um fenômeno de maneira ampla, normalmente o PCC será mais adequado.

O que é o PRISMA-ScR?

Assim como as revisões sistemáticas utilizam as diretrizes do PRISMA para relatar seus métodos e resultados, as revisões de escopo contam com uma adaptação específica denominada PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses extension for Scoping Reviews).

Publicado em 2018, o PRISMA-ScR fornece um conjunto de recomendações destinadas a tornar os relatos das revisões de escopo mais transparentes, completos e reproduzíveis.

Essas diretrizes auxiliam pesquisadores a documentar todas as etapas da revisão, desde a definição da pergunta até a apresentação da síntese das evidências.

O fluxograma abaixo apresenta, de forma simplificada, as quatro fases do PRISMA-ScR, facilitando a compreensão do processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos em uma revisão de escopo.

Fluxograma simplificado do PRISMA-ScR mostrando identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos em uma revisão de escopo.
O PRISMA-ScR contribui para tornar o relato das revisões de escopo mais transparente, organizado e reproduzível.

Por que utilizar o PRISMA-ScR?

Além de facilitar a compreensão do processo metodológico, o PRISMA-ScR aumenta a qualidade do relato científico e aproxima o trabalho dos padrões adotados por periódicos internacionais e instituições de pesquisa.

Embora sua utilização nem sempre seja obrigatória em Trabalhos de Conclusão de Curso, seguir suas recomendações demonstra organização metodológica e fortalece a credibilidade da pesquisa.

O PRISMA-ScR também contribui para aumentar a qualidade do relato científico ao incentivar a descrição detalhada das estratégias de busca, das bases consultadas, dos critérios de elegibilidade e da forma como os resultados foram organizados. Essa documentação facilita a compreensão do processo metodológico e permite que outros pesquisadores reproduzam ou atualizem a revisão futuramente.

Mesmo em pesquisas acadêmicas de menor porte, seguir essas recomendações demonstra preocupação com a transparência e fortalece a credibilidade do trabalho apresentado.

Atenção

O PRISMA-ScR não define como a revisão de escopo deve ser conduzida. Seu objetivo é orientar a forma como todas as etapas da pesquisa são documentadas e apresentadas ao leitor.

Vale lembrar

Uma revisão de escopo bem documentada facilita futuras atualizações da pesquisa e permite que outros pesquisadores compreendam exatamente como os estudos foram localizados e selecionados.

Quais bases de dados utilizar em uma revisão de escopo?

A qualidade de uma revisão de escopo depende diretamente da abrangência da estratégia de busca. Como o objetivo dessa metodologia é mapear o conhecimento disponível sobre determinado tema, recomenda-se consultar diferentes bases de dados capazes de reunir estudos provenientes de diversas áreas do conhecimento.

A utilização de múltiplas bases amplia a cobertura da literatura científica e reduz o risco de que pesquisas relevantes deixem de ser identificadas durante a revisão.

Boa prática

Registre todas as bases consultadas, as datas das buscas e as estratégias utilizadas. Essa documentação aumenta a transparência da revisão e facilita futuras atualizações da pesquisa.

Principais bases de dados

Base Área predominante Destaque
PubMed Ciências da Saúde Grande referência internacional.
SciELO Multidisciplinar Produção científica latino-americana.
Scopus Multidisciplinar Ampla cobertura internacional.
Web of Science Multidisciplinar Base tradicional de alto impacto.
Embase Saúde Importante para pesquisas biomédicas.
Google Scholar Multidisciplinar Complementa a busca bibliográfica.

Visão do especialista

Como a revisão de escopo busca mapear a literatura existente, muitos pesquisadores também incluem literatura cinzenta, como dissertações, teses, documentos institucionais e relatórios técnicos, sempre que isso estiver alinhado aos objetivos da pesquisa.

Como construir uma estratégia de busca?

Depois de selecionar as bases de dados, inicia-se a elaboração da estratégia de busca. Nessa etapa são definidos os descritores, palavras-chave, sinônimos e operadores booleanos que permitirão localizar os estudos relacionados ao tema.

Operador Função
AND Recupera registros que contenham todos os termos pesquisados.
OR Inclui sinônimos e amplia a estratégia de busca.
NOT Exclui termos que não fazem parte do escopo da pesquisa.

Uma estratégia bem construída melhora a recuperação dos estudos e reduz a necessidade de repetir buscas posteriormente.

Na prática

É comum realizar buscas piloto antes da pesquisa definitiva. Esses testes ajudam a identificar descritores mais adequados e a ajustar combinações de palavras-chave para recuperar um conjunto mais representativo de estudos.

Como selecionar os estudos?

Após a realização das buscas, inicia-se a etapa de seleção dos estudos. Esse processo deve seguir critérios previamente definidos no protocolo metodológico, evitando decisões subjetivas durante a revisão.

Em geral, a seleção ocorre por meio das seguintes etapas:

  1. remoção das duplicatas;
  2. leitura dos títulos;
  3. análise dos resumos;
  4. leitura completa dos textos potencialmente elegíveis.

Ao final desse processo permanecem apenas os estudos compatíveis com os objetivos da revisão de escopo.

Atenção

Embora a revisão de escopo possua caráter exploratório, os critérios de elegibilidade devem ser definidos antes do início da seleção dos estudos, garantindo maior transparência metodológica.

Como organizar os dados coletados?

Depois da seleção dos estudos, inicia-se a fase de extração e organização das informações. O objetivo dessa etapa é reunir os principais dados de cada publicação de maneira padronizada, facilitando a comparação entre os estudos incluídos.

Normalmente são utilizados quadros de síntese contendo autores, ano de publicação, país, objetivo, metodologia, população estudada, principais resultados e observações relevantes.

Dependendo dos objetivos da revisão, os dados também podem ser organizados por categorias temáticas, populações estudadas, tipos de intervenção, contextos investigados ou metodologias utilizadas. Essa classificação facilita a identificação de padrões e torna a apresentação dos resultados mais clara para o leitor.

Em muitos casos, além dos quadros de síntese, pesquisadores utilizam mapas conceituais, gráficos, tabelas-resumo e diagramas para representar visualmente a distribuição das evidências encontradas.

Boa prática

Escolha formas de apresentação que realmente facilitem a interpretação das informações. O objetivo não é produzir grande quantidade de tabelas, mas organizar o conhecimento de maneira lógica e acessível.

O esquema abaixo mostra como organizar os dados coletados em uma revisão de escopo utilizando quadros de síntese, facilitando a comparação dos estudos, a interpretação das evidências e a apresentação dos resultados da pesquisa.

Esquema mostrando como organizar os dados coletados em uma revisão de escopo utilizando quadros de síntese.
Os quadros de síntese facilitam a organização, comparação e interpretação dos estudos incluídos, tornando o mapeamento das evidências mais claro e estruturado.

Exemplo de quadro de síntese

Autor Ano Objetivo Método Principais resultados
Autor A 2024 Mapear aplicações da IA Estudo qualitativo Diversidade de abordagens
Autor B 2023 Analisar ensino híbrido Revisão de Escopo Expansão das pesquisas
Autor C 2022 Investigar competências digitais Estudo transversal Predomínio de pesquisas observacionais

Vale lembrar

Na revisão de escopo, o quadro de síntese tem como principal finalidade organizar o conhecimento existente e facilitar o mapeamento da literatura científica, e não apenas resumir os estudos encontrados.

Revisão de Escopo × Revisão Sistemática

Essas metodologias compartilham diversas etapas, como planejamento, busca bibliográfica e seleção dos estudos. Entretanto, possuem objetivos bastante diferentes.

Aspecto Revisão de Escopo Revisão Sistemática
Objetivo Mapear a literatura Responder pergunta específica
Pergunta Exploratória Muito específica
Framework PCC PICO
Síntese Mapeamento das evidências Síntese crítica das evidências
Metanálise Não é objetivo Pode ser realizada
Avaliação crítica Pode ocorrer, mas nem sempre é obrigatória Frequentemente realizada

Na prática, essas metodologias frequentemente se complementam. Diversos grupos de pesquisa utilizam inicialmente uma revisão de escopo para compreender como determinado tema vem sendo investigado e, posteriormente, desenvolvem revisões sistemáticas voltadas para perguntas específicas identificadas durante esse mapeamento.

Dessa forma, a revisão de escopo pode representar uma etapa estratégica no planejamento de pesquisas futuras, auxiliando na definição de prioridades e na formulação de perguntas de pesquisa mais precisas.

Boa prática

Escolha a revisão de escopo quando o objetivo for compreender o panorama geral da literatura. Se a intenção for responder uma pergunta específica baseada nas melhores evidências disponíveis, a revisão sistemática tende a ser mais adequada.

Revisão de Escopo × Revisão Integrativa

Embora ambas permitam trabalhar com diferentes tipos de estudos, elas apresentam finalidades distintas.

Aspecto Revisão de Escopo Revisão Integrativa
Objetivo principal Mapear o conhecimento existente. Integrar diferentes evidências.
Foco Amplitude da literatura. Síntese crítica e integração do conhecimento.
Pergunta Exploratória. Mais abrangente.
Resultado esperado Panorama da produção científica. Integração e interpretação das evidências.

Visão do especialista

Apesar das semelhanças, revisão de escopo e revisão integrativa respondem a necessidades metodológicas diferentes. A escolha deve sempre considerar o objetivo da pesquisa e não apenas o grau de complexidade da metodologia.

Exemplo comentado de uma revisão de escopo

Imagine que um pesquisador deseja compreender como a inteligência artificial vem sendo utilizada na educação superior nos últimos anos. Em vez de investigar apenas a eficácia de uma ferramenta específica, seu objetivo consiste em mapear todas as formas de aplicação descritas pela literatura científica.

Nesse cenário, a revisão de escopo representa uma metodologia bastante adequada. Inicialmente, o pesquisador estrutura sua pergunta utilizando o framework PCC, define as bases de dados que serão consultadas e estabelece critérios de inclusão e exclusão compatíveis com os objetivos da pesquisa.

Após a realização das buscas, são identificados centenas de estudos publicados em diferentes países. Depois da remoção das duplicatas e da aplicação dos critérios de elegibilidade, permanecem os artigos que efetivamente abordam a utilização da inteligência artificial na educação superior.

Durante a extração dos dados, o pesquisador organiza informações como autores, ano de publicação, país de origem, objetivos, metodologias utilizadas, tecnologias investigadas, principais resultados e lacunas identificadas.

Ao final da revisão, torna-se possível compreender quais aplicações são mais frequentes, quais metodologias predominam, quais conceitos aparecem com maior regularidade e quais aspectos ainda permanecem pouco explorados pela literatura científica.

Esse exemplo demonstra que a revisão de escopo procura organizar o conhecimento científico existente de maneira ampla, permitindo visualizar tendências de pesquisa, áreas consolidadas e temas que ainda necessitam de maior desenvolvimento científico.

Ao final do processo, o pesquisador não apenas reúne informações, mas produz um panorama estruturado capaz de orientar novos estudos, apoiar decisões acadêmicas e contribuir para o avanço da produção científica.

Na prática

Observe que o objetivo da revisão de escopo não foi descobrir qual tecnologia produz melhores resultados. O foco esteve em compreender como determinado tema vem sendo estudado e quais oportunidades existem para novas pesquisas.

Ferramentas que podem auxiliar uma revisão de escopo

Diferentes ferramentas podem facilitar a organização da revisão, especialmente quando há grande quantidade de estudos para selecionar e analisar.

Ferramenta Finalidade
Rayyan Triagem e seleção dos estudos.
Covidence Gerenciamento da revisão.
Excel Extração e organização dos dados.
Mendeley Gerenciamento das referências.
Zotero Organização bibliográfica.

Boa prática

Independentemente da ferramenta escolhida, mantenha registros organizados de todas as etapas da revisão. Isso facilita atualizações futuras e aumenta a transparência metodológica da pesquisa.

Como a banca costuma avaliar uma revisão de escopo?

Ao analisar uma revisão de escopo, a banca normalmente procura verificar se existe coerência entre a pergunta de pesquisa, os objetivos do estudo e a metodologia utilizada.

Também costuma observar se o pesquisador justificou adequadamente a escolha da revisão de escopo, explicou os critérios de elegibilidade, documentou a estratégia de busca e organizou corretamente os resultados obtidos.

Outro aspecto valorizado é a capacidade de interpretar criticamente o panorama da literatura científica, identificando tendências, lacunas do conhecimento e oportunidades para pesquisas futuras.

Além da organização metodológica, muitas bancas valorizam a capacidade do pesquisador de explicar por que a revisão de escopo foi escolhida em vez de outras metodologias de revisão da literatura. Essa justificativa demonstra domínio conceitual e evidencia que a escolha do método foi realizada de forma consciente e alinhada aos objetivos do estudo.

Também costuma ser bem avaliada a apresentação clara dos critérios utilizados durante a seleção dos estudos e da forma como as evidências foram organizadas. Quanto mais transparente for esse processo, maior será a confiança do leitor nos resultados apresentados.

Visão do especialista

Em uma revisão de escopo, a banca espera que o pesquisador demonstre domínio metodológico e capacidade de organizar grandes volumes de informação científica, e não apenas resumir os artigos encontrados.

Erros mais comuns em revisões de escopo

  • Confundir revisão de escopo com revisão bibliográfica tradicional.
  • Utilizar o framework PCC de maneira inadequada.
  • Não justificar a escolha da metodologia.
  • Realizar buscas pouco abrangentes.
  • Não documentar a estratégia de busca.
  • Organizar os resultados sem critérios claros.
  • Apresentar apenas resumos dos estudos, sem realizar o mapeamento das evidências.

Erro comum

Um dos equívocos mais frequentes consiste em transformar a revisão de escopo em uma sequência de resumos de artigos. O objetivo da metodologia é mapear padrões, conceitos, métodos e lacunas existentes na produção científica.

Checklist para elaborar uma revisão de escopo

Antes da entrega do trabalho, confirme se todas as etapas foram concluídas.

  • ✔ Pergunta de pesquisa elaborada com PCC.
  • ✔ Protocolo metodológico definido.
  • ✔ Bases de dados selecionadas.
  • ✔ Estratégia de busca documentada.
  • ✔ Critérios de elegibilidade estabelecidos.
  • ✔ Seleção dos estudos concluída.
  • ✔ Dados organizados em quadros de síntese.
  • ✔ Evidências categorizadas.
  • ✔ Lacunas da literatura identificadas.
  • ✔ Discussão desenvolvida.
  • ✔ Conclusão alinhada aos objetivos.
  • ✔ Referências revisadas conforme a ABNT.

Antes da entrega do TCC, utilize o checklist abaixo para verificar se todas as etapas da revisão de escopo foram concluídas corretamente, garantindo maior organização, transparência e rigor metodológico ao trabalho.

Checklist para verificar se todas as etapas da revisão de escopo foram concluídas antes da entrega do TCC.
O checklist auxilia estudantes e pesquisadores a verificar se todas as etapas da revisão de escopo foram concluídas antes da apresentação do trabalho acadêmico.

Vale lembrar

Antes da entrega do trabalho, revise novamente a coerência entre a pergunta de pesquisa, os objetivos, a estratégia PCC e a organização dos resultados apresentados.

Perguntas frequentes sobre revisão de escopo

O que diferencia a revisão de escopo da revisão sistemática?

A revisão de escopo possui caráter exploratório e busca mapear o conhecimento disponível sobre determinado tema. Já a revisão sistemática procura responder a uma pergunta específica por meio da síntese crítica das melhores evidências científicas.

Quando devo utilizar uma revisão de escopo?

Ela é indicada quando o objetivo consiste em compreender como um tema vem sendo estudado, identificar conceitos, métodos utilizados, tendências de pesquisa e lacunas existentes na literatura científica.

O framework PCC é obrigatório?

Não obrigatoriamente, mas é amplamente recomendado pelas principais diretrizes metodológicas para revisões de escopo.

Uma revisão de escopo precisa avaliar a qualidade metodológica dos estudos?

Não. Seu foco principal é mapear e organizar as evidências disponíveis, embora alguns estudos também incluam avaliações metodológicas quando isso for pertinente aos objetivos da pesquisa.

É possível utilizar o PRISMA-ScR no TCC?

Sim. Mesmo quando não é obrigatório, utilizar suas recomendações demonstra organização metodológica e fortalece a qualidade do trabalho.

Qual a diferença entre PCC e PICO?

O PCC foi desenvolvido para perguntas exploratórias típicas das revisões de escopo, enquanto o PICO é indicado para perguntas específicas utilizadas principalmente em revisões sistemáticas.

Quantos estudos devem ser incluídos?

Não existe um número fixo. A quantidade dependerá do tema investigado, da estratégia de busca e dos critérios de elegibilidade definidos no protocolo.

Uma revisão de escopo pode servir de base para uma revisão sistemática?

Sim. Muitos pesquisadores utilizam a revisão de escopo para mapear a literatura antes de desenvolver revisões sistemáticas sobre perguntas mais específicas.

Em resumo

A revisão de escopo é uma metodologia científica utilizada para mapear, organizar e sintetizar o conhecimento disponível sobre determinado tema. Seu caráter exploratório permite identificar conceitos, tendências, lacunas e diferentes tipos de evidências, contribuindo para orientar novas pesquisas e ampliar a compreensão de áreas ainda em desenvolvimento.

Conclusão

Compreender o que é revisão de escopo permite ao estudante selecionar uma metodologia compatível com objetivos exploratórios e desenvolver pesquisas mais organizadas, transparentes e alinhadas às recomendações internacionais.

Ao contrário da revisão sistemática, que procura responder perguntas altamente específicas, a revisão de escopo amplia a visão sobre determinado campo do conhecimento, identificando como os estudos vêm sendo produzidos, quais conceitos predominam e quais lacunas ainda precisam ser investigadas.

Esse panorama torna a metodologia especialmente útil em áreas emergentes, temas multidisciplinares e pesquisas que buscam compreender a evolução da produção científica antes da realização de investigações mais aprofundadas.

À medida que novas áreas do conhecimento surgem e temas complexos passam a ser investigados sob diferentes perspectivas, a revisão de escopo tende a ganhar ainda mais relevância. Sua capacidade de reunir e organizar informações provenientes de diferentes tipos de estudos permite construir uma visão abrangente do estado atual da ciência e orientar futuras agendas de pesquisa.

As recomendações internacionais para o relato de revisões de escopo podem ser consultadas diretamente na página oficial do PRISMA-ScR (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses Extension for Scoping Reviews), que apresenta orientações amplamente utilizadas por pesquisadores e periódicos científicos.

Além de contribuir para a elaboração de Trabalhos de Conclusão de Curso, dissertações e teses, aprender a desenvolver revisões de escopo fortalece competências relacionadas à pesquisa científica, ao pensamento crítico e à organização sistemática das evidências disponíveis.

Referências

  • ARKSEY, H.; O’MALLEY, L. Scoping studies: towards a methodological framework. International Journal of Social Research Methodology, 2005.
  • LEVAC, D.; COLQUHOUN, H.; O’BRIEN, K. Scoping studies: advancing the methodology. Implementation Science, 2010.
  • TRICCO, A. C. et al. PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Annals of Internal Medicine, 2018.
  • JOANNA BRIGGS INSTITUTE. JBI Manual for Evidence Synthesis.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724 — Trabalhos acadêmicos.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023 — Referências.
  • ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520 — Citações em documentos.
Por gentileza, se deseja alterar o arquivo do rodapé,
entre em contato com o suporte.

Este site usa cookies e outras tecnologias similares para lembrar e entender como você usa nosso site, analisar seu uso de nossos produtos e serviços, ajudar com nossos esforços de marketing e fornecer conteúdo de terceiros. Leia mais em Política de Cookies e Privacidade.