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Estratégia de Busca Científica: Como Montar Passo a Passo
Aprenda como montar uma estratégia de busca científica passo a passo. Veja como transformar a pergunta de pesquisa em conceitos, descritores e termos livres, usar operadores booleanos, testar e refinar a busca, adaptar a estratégia para diferentes bases e documentar o procedimento realizado.
Estratégia de Busca Científica: Como Montar Passo a Passo
Uma estratégia de busca científica é um planejamento estruturado utilizado para transformar uma pergunta de pesquisa em uma busca capaz de localizar literatura relevante. Ela envolve a definição dos conceitos, a escolha de descritores e termos livres, a organização desses termos, o uso de operadores, os testes da consulta, a adaptação às diferentes bases e o registro do procedimento realizado.
Atualizado em Agosto de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia
Na prática, montar uma boa estratégia de busca é muito mais do que escrever algumas palavras-chave em uma caixa de pesquisa. Antes de chegar à expressão que será executada, o pesquisador precisa decidir o que deseja recuperar, quais conceitos representam sua pergunta e como esses conceitos aparecem na literatura científica.
Esse processo pode ser útil tanto para estudantes que precisam localizar artigos para o TCC quanto para pesquisadores que realizam buscas estruturadas em revisões da literatura. O nível de detalhamento, entretanto, deve ser compatível com o objetivo e com o método adotado.
- Estratégia de busca científica é o planejamento utilizado para transformar uma pergunta de pesquisa em uma busca estruturada.
- O processo começa pela pergunta e pelos conceitos, e não pelos operadores.
- Descritores, termos livres e palavras-chave ajudam a representar os conceitos.
- OR pode reunir alternativas pertinentes dentro de um grupo, enquanto AND costuma relacionar diferentes conceitos.
- Parênteses, aspas, truncamento, campos, proximidade e filtros são recursos complementares que dependem da plataforma e da necessidade.
- A estratégia deve ser testada e refinada, e não apenas construída de uma única vez.
- Uma mesma expressão não deve ser copiada mecanicamente para todas as bases.
- Quando a busca possui importância metodológica, a versão efetivamente executada deve ser documentada.
Índice
- O que é uma estratégia de busca científica?
- Para que serve uma estratégia de busca?
- Estratégia de busca e string de busca são a mesma coisa?
- Qual é a diferença entre busca bibliográfica e estratégia de busca?
- Como descritores e operadores entram na estratégia?
- O que fazer antes de montar a estratégia?
- Como montar uma estratégia de busca científica passo a passo?
- Como montar uma matriz de conceitos e termos?
- Exemplo completo: da pergunta à estratégia
- Quantos conceitos utilizar?
- Quantos termos colocar em cada grupo?
- Como combinar descritores e termos livres?
- Como usar AND, OR e NOT?
- Como saber se a estratégia está ampla ou restritiva?
- Como testar e refinar a estratégia?
- Recuperar artigos conhecidos valida a estratégia?
- Como adaptar a estratégia entre diferentes bases?
- Como funciona no PubMed, SciELO, Google Acadêmico e CAPES?
- Como utilizar uma estratégia de busca no TCC?
- Como a estratégia muda conforme o tipo de revisão?
- Como documentar uma estratégia de busca?
- Quais são os erros mais comuns?
- Checklist para revisar sua estratégia
- Perguntas frequentes
O que é uma estratégia de busca científica?
Uma estratégia de busca científica é o conjunto organizado de decisões utilizadas para representar uma pergunta de pesquisa em uma ou mais fontes de informação.
Ela ajuda a responder questões como:
- quais conceitos precisam ser pesquisados;
- como esses conceitos aparecem na literatura;
- quais descritores e termos livres podem representá-los;
- como os termos devem ser agrupados;
- quais relações lógicas precisam ser estabelecidas;
- em quais fontes a busca será realizada;
- como testar e refinar a recuperação;
- como adaptar a busca entre diferentes plataformas;
- quais informações precisam ser registradas.
Por isso, a estratégia deve ser entendida como um processo de planejamento e execução, e não apenas como a expressão final digitada em uma base.
Uma forma simples de visualizar esse processo é:
tema → pergunta → conceitos → descritores e termos livres → grupos → relações lógicas → busca → testes → refinamento → adaptação → documentação.
Estratégia de busca é usada apenas em revisão sistemática?
Não.
O planejamento da busca pode ser útil em diferentes contextos acadêmicos, incluindo:
- TCCs;
- monografias;
- dissertações;
- teses;
- artigos científicos;
- revisões bibliográficas;
- revisões narrativas;
- revisões integrativas;
- revisões sistemáticas;
- revisões de escopo.
O que muda é o grau de rigor, abrangência, documentação e reprodutibilidade exigido em cada método.
Para que serve uma estratégia de busca?
A estratégia de busca ajuda o pesquisador a sair de uma pesquisa improvisada por palavras isoladas e avançar para uma recuperação mais organizada da literatura.
Entre suas principais funções estão:
- representar os conceitos centrais da pergunta;
- identificar diferentes formas de expressão desses conceitos;
- organizar descritores, palavras-chave e termos livres;
- estabelecer relações lógicas entre os grupos;
- reduzir perdas causadas por uma terminologia excessivamente limitada;
- identificar fontes de ruído;
- permitir testes e refinamentos;
- facilitar a adaptação entre plataformas;
- melhorar a transparência do processo de busca.
Uma boa estratégia encontra todos os artigos relevantes?
Não existe garantia de que uma estratégia consiga recuperar absolutamente toda a literatura relevante.
A recuperação depende de vários fatores, como:
- cobertura das bases consultadas;
- indexação dos documentos;
- terminologia utilizada pelos autores;
- campos pesquisados;
- recursos da plataforma;
- decisões terminológicas;
- limites do próprio processo de busca.
O objetivo é construir uma estratégia coerente, testada e adequada à finalidade da pesquisa.
Estratégia de busca e string de busca são a mesma coisa?
Não exatamente.
Embora os termos sejam algumas vezes utilizados de maneira próxima, é útil distinguir os conceitos.
| Elemento | O que representa |
|---|---|
| Estratégia de busca | Planejamento mais amplo: pergunta, conceitos, termos, grupos, relações, fontes, testes, adaptações e documentação. |
| String ou expressão de busca | Forma operacional utilizada para executar uma consulta em determinada plataforma. |
Considere a expressão:
(adolescente OR jovem) AND ("atividade física" OR exercício)
Ela pode ser uma string de busca.
Entretanto, olhando apenas para essa expressão, não sabemos:
- como os conceitos foram definidos;
- por que esses termos foram selecionados;
- quais alternativas foram testadas e descartadas;
- em qual plataforma a consulta será executada;
- quais campos serão utilizados;
- se a expressão será adaptada para outra base;
- como o procedimento será documentado.
Essas decisões fazem parte da estratégia.
Qual é a diferença entre busca bibliográfica e estratégia de busca?
A busca bibliográfica é o processo mais amplo de procurar e localizar literatura relacionada a determinado tema ou pergunta.
Ela pode envolver:
- definição das fontes;
- pesquisas exploratórias;
- buscas estruturadas;
- consulta a referências de artigos;
- identificação de autores relevantes;
- localização de trabalhos relacionados;
- organização dos materiais encontrados.
A estratégia de busca é uma parte importante desse processo. Ela organiza como a pergunta será representada e pesquisada em determinadas fontes.
Se você ainda está estruturando essa etapa mais ampla, consulte o guia sobre como fazer uma busca bibliográfica.
Para a etapa posterior de localização e exploração de documentos, veja também como encontrar artigos científicos.
Como descritores e operadores entram na estratégia?
Descritores, termos livres e operadores cumprem funções diferentes dentro do planejamento.
| Elemento | Função principal |
|---|---|
| Descritores | Representar conceitos por meio de vocabulários controlados, quando aplicáveis. |
| Termos livres | Representar formas pelas quais os conceitos aparecem na linguagem utilizada nos registros e na literatura. |
| OR | Reunir alternativas pertinentes, frequentemente dentro de um mesmo grupo conceitual. |
| AND | Relacionar diferentes conceitos que precisam coexistir na recuperação. |
| NOT | Excluir determinada condição, exigindo uso criterioso devido ao risco de remover estudos relevantes. |
Um erro comum é pensar que encontrar bons descritores significa ter concluído a estratégia.
Na realidade, ainda será necessário decidir:
- quais descritores utilizar;
- quais termos livres acrescentar;
- como organizá-los;
- quais grupos serão obrigatórios;
- como testar as combinações;
- como implementar tudo isso na fonte escolhida.
Para aprofundar a etapa terminológica, consulte o que são descritores científicos e como utilizá-los na pesquisa.
Para entender em detalhes a lógica das combinações, consulte como usar os operadores booleanos AND, OR e NOT.
O que fazer antes de montar uma estratégia de busca científica?
Antes de procurar descritores ou escrever operadores, defina com clareza qual pergunta a busca precisa ajudar a responder.
Para acompanhar todo o processo, utilizaremos o seguinte exemplo didático:
Qual é a relação entre atividade física e ansiedade em adolescentes?
A pergunta contém três conceitos imediatamente reconhecíveis:
- adolescentes;
- atividade física;
- ansiedade.
Isso não significa que os três necessariamente precisarão permanecer como grupos obrigatórios na versão final da estratégia. Essa decisão será tomada durante os testes.
Por que começar pela pergunta?
Porque é a pergunta que determina o que os termos precisam representar.
Se o pesquisador começa diretamente procurando palavras, pode acumular expressões relacionadas ao tema sem saber exatamente qual função cada uma desempenha.
Compare:
Tema amplo: atividade física e saúde mental.
Pergunta: qual é a relação entre atividade física e ansiedade em adolescentes?
A segunda formulação fornece uma estrutura conceitual muito mais clara para planejar a recuperação.
Cada palavra da pergunta deve virar um grupo de busca?
Não.
Uma das decisões mais importantes é identificar quais elementos precisam ser representados na busca e quais podem ser avaliados posteriormente.
Transformar automaticamente cada elemento da pergunta em um grupo conectado por AND pode restringir excessivamente a recuperação.
Como decidir quais conceitos devem entrar na estratégia?
Para cada conceito, pergunte:
- ele é essencial para distinguir a literatura que procuro?
- os estudos relevantes costumam representar esse elemento nos campos pesquisáveis?
- torná-lo obrigatório elimina artigos que deveriam ser recuperados?
- esse elemento poderia ser avaliado posteriormente durante a seleção dos estudos?
Essas perguntas ajudam a evitar uma estratégia excessivamente restritiva.
Preciso encontrar os descritores antes de fazer qualquer teste?
Não necessariamente.
Buscas exploratórias podem ajudar a compreender a linguagem da área, identificar artigos relevantes e descobrir termos utilizados por autores e sistemas de indexação.
Depois dessa exploração inicial, o pesquisador pode consultar vocabulários controlados apropriados e organizar os termos de maneira mais sistemática.
Com a pergunta definida e os conceitos preliminares identificados, podemos iniciar a construção operacional da estratégia em etapas.
Como montar uma estratégia de busca científica passo a passo?
Uma estratégia de busca científica pode ser construída progressivamente. Em vez de começar com uma expressão longa e difícil de revisar, avance da pergunta para os conceitos, dos conceitos para os termos e, somente depois, para as combinações e recursos técnicos.
Continuaremos utilizando a pergunta:
Qual é a relação entre atividade física e ansiedade em adolescentes?
O processo será organizado em 12 etapas.
- Definir a pergunta de pesquisa.
- Identificar os conceitos principais.
- Decidir quais conceitos realmente precisam entrar na busca.
- Identificar descritores e termos livres.
- Construir uma matriz de conceitos e termos.
- Organizar alternativas dentro de cada grupo.
- Relacionar os grupos conceituais.
- Avaliar recursos complementares.
- Testar os grupos separadamente.
- Avaliar os resultados e refinar.
- Adaptar a estratégia para cada base.
- Documentar a estratégia executada.
O fluxo abaixo resume visualmente esse processo, desde a formulação da pergunta até o registro da estratégia efetivamente executada.

Etapa 1 — Defina a pergunta de pesquisa
O primeiro passo é saber exatamente o que a busca precisa ajudar a investigar.
No nosso exemplo:
Qual é a relação entre atividade física e ansiedade em adolescentes?
Uma pergunta clara facilita a identificação dos conceitos e reduz a tendência de acumular palavras relacionadas ao tema sem função definida.
Etapa 2 — Identifique os conceitos principais
Agora decomponha a pergunta em ideias centrais.
| Conceito | Papel na pergunta |
|---|---|
| Adolescentes | População ou grupo de interesse |
| Atividade física | Exposição ou comportamento de interesse |
| Ansiedade | Condição ou desfecho de interesse |
Essa decomposição fornece a arquitetura conceitual inicial da estratégia.
Etapa 3 — Decida quais conceitos realmente precisam entrar na busca
Identificar três conceitos na pergunta não significa que os três obrigatoriamente precisarão permanecer na expressão final.
Suponha que uma primeira tentativa utilize:
(adolescentes) AND ("atividade física") AND (ansiedade)
Se o grupo populacional eliminar muitos estudos pertinentes, pode ser necessário testar uma versão com apenas os outros dois conceitos e verificar a população posteriormente durante a seleção.
Por exemplo:
("atividade física") AND (ansiedade)
Essa decisão não altera a pergunta da pesquisa. Ela modifica apenas a maneira pela qual a literatura será recuperada.
Etapa 4 — Identifique descritores e termos livres
Depois de definir os conceitos preliminares, investigue como cada um deles é representado.
Podem ser considerados:
- descritores de vocabulários controlados;
- termos livres;
- sinônimos;
- variantes ortográficas;
- siglas;
- formas por extenso;
- terminologia técnica;
- expressões utilizadas pelos autores.
Essa etapa não consiste em copiar o maior número possível de sinônimos. O objetivo é identificar formas pertinentes de representar cada conceito.
Onde encontrar possíveis termos?
Algumas fontes úteis incluem:
- vocabulários controlados da área;
- títulos e resumos de artigos relevantes;
- palavras-chave fornecidas pelos autores;
- termos de indexação dos registros;
- artigos de revisão sobre o tema;
- buscas exploratórias nas fontes que serão utilizadas.
Para entender com maior profundidade a diferença entre vocabulário controlado, palavras-chave e termos livres, consulte o guia sobre descritores científicos.
Preciso pesquisar apenas em português?
Não necessariamente.
A escolha dos idiomas dos termos depende das fontes consultadas e da literatura que se deseja recuperar.
Em algumas áreas, pode ser importante identificar equivalentes em inglês, português, espanhol ou outros idiomas relevantes.
Entretanto, traduções literais nem sempre correspondem à terminologia efetivamente utilizada na literatura ou nos vocabulários controlados.
Etapa 5 — Construa uma matriz de conceitos e termos
Depois do levantamento inicial, organize as possibilidades em uma matriz.
A matriz permite visualizar quais termos pertencem a cada conceito antes de construir uma expressão extensa.
Como montar uma matriz de conceitos e termos?
Uma estrutura simples pode ter uma coluna para o conceito, outra para o vocabulário controlado e uma terceira para termos livres e variantes.
| Conceito | Descritor a verificar | Termos livres e variantes a avaliar |
|---|---|---|
| Adolescentes | Descritor correspondente no vocabulário apropriado | adolescente, adolescentes, jovem, jovens e outras variantes pertinentes |
| Atividade física | Descritor correspondente no vocabulário apropriado | atividade física, exercício, exercício físico e expressões relacionadas |
| Ansiedade | Descritor correspondente no vocabulário apropriado | ansiedade, transtorno de ansiedade, transtornos de ansiedade e outras variantes pertinentes |
Os exemplos acima são didáticos. Em uma pesquisa real, os descritores e termos precisam ser verificados nas fontes adequadas.
Por que utilizar uma matriz?
A matriz ajuda a:
- separar conceitos diferentes;
- visualizar lacunas terminológicas;
- evitar colocar termos no grupo errado;
- comparar descritores e termos livres;
- registrar alternativas encontradas durante os testes;
- acompanhar quais termos foram mantidos ou retirados.
Ela pode ser criada em um editor de texto, planilha, gerenciador de notas ou outro sistema de organização.
A matriz já é a estratégia de busca?
Não.
Ela é uma ferramenta de organização utilizada durante a construção da estratégia.
Ainda será necessário decidir quais termos realmente serão utilizados, como serão combinados, em quais campos serão pesquisados e como a expressão será adaptada a cada fonte.
Etapa 6 — Organize alternativas dentro de cada grupo
Com a matriz pronta, as diferentes representações de um mesmo conceito podem ser organizadas em grupos.
Em uma versão inicial simplificada:
Grupo A — Adolescentes
(adolescente OR jovem)
Grupo B — Atividade física
("atividade física" OR exercício)
Grupo C — Ansiedade
(ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Esses exemplos ainda não representam uma estratégia pronta para qualquer base. Servem para demonstrar a arquitetura conceitual.
Por que usar OR dentro dos grupos?
OR costuma ser utilizado quando queremos reunir diferentes alternativas pertinentes para representar um mesmo conceito.
Por exemplo:
("atividade física" OR exercício)
Isso permite considerar registros que utilizem uma alternativa ou outra, conforme o comportamento da plataforma.
A lógica completa de AND, OR e NOT é explicada no guia sobre operadores booleanos na pesquisa científica.
Todo termo encontrado precisa entrar no grupo?
Não.
A matriz pode conter candidatos que posteriormente serão retirados porque:
- não representam exatamente o conceito;
- produzem ruído excessivo;
- são redundantes no contexto da plataforma;
- não acrescentam recuperação útil;
- pertencem a outro conceito.
Como saber se os grupos iniciais estão adequados?
A resposta não vem apenas da matriz.
Os grupos precisam ser executados e observados.
É durante os testes que o pesquisador começa a descobrir:
- quais termos recuperam literatura pertinente;
- quais geram ruído;
- quais variantes estão faltando;
- quais conceitos restringem excessivamente a recuperação.
Por isso, a próxima etapa é relacionar os grupos, avaliar os recursos necessários e começar os testes progressivos da estratégia.
Etapa 7 — Relacione os grupos conceituais
Depois de organizar as alternativas dentro de cada conceito, é hora de relacionar os grupos necessários à pergunta de pesquisa.
No exemplo:
Grupo A — Adolescentes
(adolescente OR jovem)
Grupo B — Atividade física
("atividade física" OR exercício)
Grupo C — Ansiedade
(ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Uma combinação conceitual inicial poderia ser:
(adolescente OR jovem) AND ("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Nessa estrutura, OR reúne alternativas dentro dos grupos e AND relaciona os diferentes conceitos.
Todos os grupos precisam ser ligados por AND?
Não necessariamente.
A estrutura “OR dentro dos grupos e AND entre os grupos” é uma boa referência didática, mas não deve ser transformada em fórmula rígida.
Cada grupo conectado por AND acrescenta uma condição obrigatória. Dependendo da pergunta e da forma como os estudos estão descritos e indexados, isso pode reduzir excessivamente a recuperação.
Por exemplo, podemos comparar:
("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
com:
(adolescente OR jovem) AND ("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Se a segunda versão deixar de recuperar estudos claramente pertinentes sobre adolescentes, o grupo populacional merece ser investigado.
Talvez seja necessário melhorar seus termos ou, dependendo do método, considerar a possibilidade de verificar a população durante a seleção dos estudos.
Etapa 8 — Avalie os recursos complementares
Com a arquitetura conceitual definida, avalie quais recursos técnicos podem melhorar sua implementação na plataforma escolhida.
Dependendo da fonte, podem existir recursos como:
- parênteses;
- aspas;
- truncamento;
- campos de busca;
- operadores de proximidade;
- vocabulários controlados;
- filtros e limites;
- outros comandos específicos.
Esses elementos devem ser utilizados quando cumprem uma função real na estratégia, e não apenas para tornar a expressão aparentemente mais sofisticada.
Quando utilizar aspas?
Em plataformas que oferecem esse recurso, as aspas podem ajudar a indicar determinadas expressões ou sequências de palavras.
Por exemplo:
"atividade física"
Entretanto, o comportamento das aspas deve ser confirmado na documentação atual da plataforma.
Quando utilizar truncamento?
O truncamento pode ser útil para recuperar determinadas variações a partir de uma raiz comum, quando a fonte oferece esse recurso.
A sintaxe e o comportamento não são universais. Portanto, o símbolo utilizado em uma plataforma não deve ser automaticamente transportado para outra.
Quando utilizar campos de busca?
Campos permitem direcionar a recuperação para partes específicas do registro, quando disponíveis, como título, resumo, assunto, autor ou outros elementos.
Restringir um termo a determinado campo pode melhorar a pertinência em algumas situações, mas também pode eliminar documentos que deveriam ser recuperados.
Por isso, a escolha deve ser testada.
Filtros melhoram uma estratégia de busca?
Filtros podem ser úteis quando correspondem a critérios metodologicamente justificáveis.
Entretanto, não devem ser utilizados automaticamente para compensar uma estratégia conceitualmente mal construída.
Etapa 9 — Teste os grupos separadamente
Antes de executar apenas a combinação completa, observe como cada grupo se comporta isoladamente.
No exemplo:
Teste A:
(adolescente OR jovem)
Teste B:
("atividade física" OR exercício)
Teste C:
(ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Depois, avance para combinações progressivas.
Teste A + B:
(adolescente OR jovem) AND ("atividade física" OR exercício)
Teste B + C:
("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Teste A + B + C:
(adolescente OR jovem) AND ("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Essa progressão ajuda a descobrir qual grupo ou combinação está modificando a recuperação.
| Teste | O que observar |
|---|---|
| Grupo isolado | Terminologia, amplitude e ruído do conceito |
| Dois grupos | Como a relação entre os conceitos modifica os resultados |
| Todos os grupos | Se a estratégia ficou excessivamente restritiva |
| Versão modificada | Qual foi o efeito do termo, campo ou grupo alterado |
Etapa 10 — Avalie os resultados e refine a estratégia
Os testes produzem informações para o refinamento.
Ao examinar os resultados, pergunte:
- os títulos e resumos parecem relacionados à pergunta?
- existem termos recorrentes que ainda não estão na matriz?
- algum termo está trazendo muitos documentos claramente irrelevantes?
- algum grupo elimina estudos que deveriam aparecer?
- os campos escolhidos fazem sentido?
- há uma variante terminológica importante ausente?
- algum filtro está produzindo uma restrição desnecessária?
Com base nessas observações, revise a matriz, os grupos ou os recursos técnicos e execute novamente a estratégia.
Como saber se a estratégia de busca está ampla ou restritiva demais?
Amplitude e restrição precisam ser avaliadas em relação ao objetivo da busca. Não existe uma quantidade universal de resultados que determine se uma estratégia está correta.
| Sinal observado | Possível problema | O que investigar |
|---|---|---|
| Muitos resultados claramente irrelevantes | Termos amplos ou grupos pouco específicos | Termos, grupos e campos |
| Pouquíssimos resultados | Excesso de condições obrigatórias | Grupos conectados por AND |
| Artigos importantes não aparecem | Representação insuficiente do conceito | Descritores, termos livres, variantes e campos |
| Muito ruído | Alternativas pouco específicas | Termos incluídos com OR e campos pesquisados |
| Resultados muito diferentes entre fontes | Diferenças de implementação | Sintaxe, campos, vocabulários e recursos da plataforma |
Uma estratégia ampla é necessariamente ruim?
Não.
Em determinados métodos, pode ser desejável priorizar uma recuperação mais sensível para diminuir o risco de perder estudos pertinentes.
O problema surge quando a amplitude decorre de termos conceitualmente inadequados ou produz uma quantidade de ruído que não contribui para a pergunta.
Uma estratégia restritiva é necessariamente melhor?
Também não.
Uma estratégia pode parecer eficiente porque gera poucos resultados e, ao mesmo tempo, estar excluindo literatura importante.
Como testar e refinar uma estratégia de busca?
O refinamento é um processo iterativo. Uma sequência prática é:
- execute uma versão da busca;
- observe os resultados;
- identifique ruído, lacunas ou restrições;
- formule uma hipótese sobre a causa;
- altere o elemento correspondente;
- execute novamente;
- compare o efeito da mudança;
- registre as decisões relevantes.
É melhor alterar vários elementos de uma vez?
Quando o objetivo é diagnosticar o comportamento da estratégia, geralmente é mais útil modificar poucos elementos por vez.
Se vários termos, campos e filtros forem alterados simultaneamente, será mais difícil saber qual mudança produziu determinado efeito.
Devo retirar um termo porque ele gera muitos resultados?
Não automaticamente.
Primeiro verifique se o termo representa corretamente o conceito e se contribui para recuperar literatura relevante.
Um termo pode ser amplo e ainda ser necessário.
Da mesma forma, um termo que acrescenta poucos resultados não é automaticamente inútil. Ele pode recuperar uma parcela específica e importante da literatura.
A decisão deve considerar a contribuição do termo para o conjunto da estratégia.
Recuperar artigos conhecidos valida a estratégia?
Não por si só.
Artigos previamente conhecidos como relevantes podem funcionar como uma ferramenta de diagnóstico.
Se um estudo importante não aparece, investigue possíveis causas, como:
- termos ausentes;
- variações terminológicas não consideradas;
- indexação diferente da esperada;
- campos muito restritivos;
- grupos obrigatórios em excesso;
- uso inadequado de exclusões;
- diferenças de sintaxe;
- limitações de cobertura da fonte consultada.
Como investigar por que um artigo conhecido não foi recuperado?
Examine:
- o título;
- o resumo;
- as palavras-chave fornecidas pelos autores;
- os termos de indexação, quando disponíveis;
- qual grupo conceitual deveria recuperar o estudo;
- os campos pesquisados;
- qual condição da estratégia pode estar impedindo sua recuperação.
Esse processo pode revelar novos termos para a matriz ou problemas na implementação da estratégia.
Exemplo consolidado: da pergunta à estratégia de busca
Podemos agora visualizar todo o raciocínio desenvolvido até aqui sem repetir cada etapa.
| Fase | Aplicação no exemplo |
|---|---|
| Pergunta | Qual é a relação entre atividade física e ansiedade em adolescentes? |
| Conceitos iniciais | Adolescentes + atividade física + ansiedade |
| Levantamento terminológico | Descritores apropriados + termos livres e variantes de cada conceito |
| Grupo A | (adolescente OR jovem) |
| Grupo B | ("atividade física" OR exercício) |
| Grupo C | (ansiedade OR "transtornos de ansiedade") |
| Combinação inicial | (A) AND (B) AND (C) |
| Testes | Grupos isolados, combinações de dois grupos e combinação completa |
| Refinamento | Revisão de termos, grupos, campos e outros recursos conforme os resultados |
| Próximas etapas | Adaptação para cada fonte e documentação da versão executada |
O diagrama abaixo resume essa transformação da pergunta de pesquisa em grupos conceituais e, posteriormente, em uma estratégia organizada para testes.

Quantos conceitos devo colocar em uma estratégia de busca?
Não existe um número universal.
Algumas perguntas podem ser adequadamente representadas por dois grupos principais; outras podem exigir três ou mais.
O critério deve ser a função de cada conceito na recuperação, e não a tentativa de atingir uma quantidade predeterminada de resultados.
Mais conceitos tornam a busca mais precisa?
Não necessariamente.
Compare:
(A) AND (B)
com:
(A) AND (B) AND (C) AND (D)
A segunda estrutura acrescenta condições obrigatórias. Ela pode gerar menos resultados, mas isso não significa que seja metodologicamente superior.
Quando um conceito pode ser reconsiderado?
Vale investigar um grupo quando ele:
- elimina estudos claramente pertinentes;
- raramente aparece nos campos pesquisados;
- é difícil de representar terminologicamente;
- pode ser avaliado adequadamente durante a seleção;
- não é indispensável para distinguir a literatura de interesse.
A retirada, manutenção ou reformulação do grupo deve ser coerente com a pergunta e com o método.
Quantos termos devo colocar em cada grupo?
Também não existe uma quantidade fixa.
Um conceito pode exigir poucas alternativas ou uma cobertura terminológica maior.
Para decidir se um termo deve permanecer, avalie:
- pertinência conceitual;
- uso na literatura;
- contribuição para recuperar estudos relevantes;
- ruído acrescentado;
- redundância com outros termos;
- comportamento na plataforma.
Quanto mais sinônimos, melhor?
Não.
Listas muito extensas podem introduzir conceitos apenas parcialmente relacionados, aumentar o ruído e dificultar a revisão da estratégia.
O objetivo não é encontrar o maior número possível de palavras, mas representar adequadamente cada conceito.
Com os grupos testados e refinados, restam duas etapas fundamentais: adaptar a arquitetura para cada fonte de informação e documentar exatamente o que foi executado.
Como combinar descritores e termos livres em uma estratégia de busca?
Descritores e termos livres podem desempenhar funções complementares na recuperação da literatura.
Os descritores pertencem a vocabulários controlados e ajudam a representar conceitos por meio de terminologia padronizada nos ambientes que utilizam esses sistemas.
Os termos livres representam formas pelas quais autores e registros expressam determinado conceito em campos textuais, como títulos e resumos.
Por que não usar apenas descritores?
Porque nem todos os registros necessariamente estarão indexados da forma esperada. Além disso, terminologias novas, variações linguísticas e expressões utilizadas pelos autores podem não estar plenamente representadas pelo vocabulário controlado.
Por que não usar apenas termos livres?
Em fontes que utilizam vocabulários controlados, os descritores podem complementar a busca ao representar conceitos por meio da indexação temática.
Por isso, quando apropriado, uma arquitetura conceitual pode combinar:
(descritor A OR termo livre A1 OR termo livre A2)
com:
(descritor B OR termo livre B1 OR termo livre B2)
e posteriormente:
(grupo A) AND (grupo B)
A implementação concreta dependerá da base e dos campos utilizados.
Se você ainda está definindo a terminologia da pesquisa, consulte como identificar e utilizar descritores científicos.
Como usar AND, OR e NOT em uma estratégia de busca?
Os operadores booleanos ajudam a representar as relações lógicas entre termos e grupos conceituais.
| Operador | Função geral | Uso frequente na estratégia |
|---|---|---|
| OR | Reúne alternativas | Combinar diferentes representações pertinentes de um conceito |
| AND | Relaciona condições que devem coexistir | Combinar diferentes grupos conceituais necessários à pergunta |
| NOT | Exclui uma condição | Uso pontual e cuidadoso quando existe justificativa clara |
Como utilizar OR?
OR costuma reunir diferentes formas de representar um conceito.
Exemplo:
("atividade física" OR exercício)
Adicionar uma alternativa com OR, entretanto, só faz sentido quando ela contribui para representar adequadamente o grupo.
Como utilizar AND?
AND costuma relacionar diferentes conceitos que precisam estar presentes na recuperação.
Exemplo:
("atividade física" OR exercício) AND (ansiedade OR "transtornos de ansiedade")
Como cada novo grupo conectado por AND acrescenta uma condição, sua necessidade deve ser avaliada durante os testes.
Quando utilizar NOT?
NOT merece atenção especial porque pode excluir documentos relevantes que contenham simultaneamente o termo desejado e o termo utilizado para exclusão.
Antes de utilizá-lo, pergunte:
- a exclusão é conceitualmente justificável?
- o problema poderia ser resolvido de outra forma?
- foi verificado quais estudos desaparecem após a aplicação?
- há risco de eliminar literatura pertinente?
Por que os parênteses são importantes?
Quando suportados pela plataforma, os parênteses ajudam a explicitar o agrupamento lógico pretendido.
Compare:
A OR B AND C
com:
(A OR B) AND C
Na segunda representação, fica visualmente claro que A e B formam um grupo antes de sua relação com C.
Para aprofundar precedência, agrupamentos e diferenças entre os operadores, consulte como usar AND, OR e NOT na pesquisa científica.
Etapa 11 — Adapte a estratégia para cada base ou plataforma
Depois de construir e testar a arquitetura conceitual, adapte-a às diferentes fontes que serão utilizadas.
Adaptar não significa copiar e colar a mesma string.
Diferentes sistemas podem possuir:
- vocabulários controlados distintos;
- campos próprios;
- regras diferentes para frases;
- formas específicas de truncamento;
- operadores ou recursos de proximidade;
- filtros diferentes;
- mecanismos próprios de processamento dos termos.
Como adaptar uma estratégia de busca entre diferentes bases?
A pergunta e a arquitetura conceitual tendem a ser os elementos mais estáveis. A implementação técnica precisa ser revisada em cada fonte.
| Elemento | Pode ser reaproveitado? | Precisa ser verificado ou adaptado? |
|---|---|---|
| Pergunta de pesquisa | Sim | Normalmente permanece |
| Conceitos principais | Sim | Podem ser refinados |
| Arquitetura lógica | Em grande parte | Sim |
| Vocabulário controlado | Nem sempre | Sim |
| Termos livres | Em parte | Sim |
| Sintaxe | Não presumir | Sim |
| Campos | Não presumir | Sim |
| Aspas e frases | Não presumir | Sim |
| Truncamento | Não presumir | Sim |
| Proximidade | Depende da fonte | Sim |
| Filtros | Não necessariamente | Sim |
O que deve ser preservado durante a adaptação?
Procure preservar:
- a pergunta;
- os conceitos centrais;
- a função de cada grupo;
- as principais ideias que os termos precisam representar;
- a justificativa metodológica das decisões.
O que precisa ser verificado novamente?
Em cada plataforma, confira:
- vocabulários disponíveis;
- sintaxe;
- campos;
- aspas;
- truncamento;
- proximidade;
- filtros;
- tratamento automático dos termos;
- outros recursos específicos utilizados.
Etapa 12 — Documente a estratégia efetivamente executada
A última etapa é registrar o procedimento realizado.
Essa documentação é especialmente importante quando a busca possui função metodológica no trabalho.
Como documentar uma estratégia de busca científica?
O nível de detalhamento depende do método e das exigências acadêmicas, mas o registro pode incluir:
- nome da base ou fonte de informação;
- plataforma ou interface, quando relevante;
- estratégia ou expressão efetivamente executada;
- data da busca;
- campos utilizados;
- filtros ou limites aplicados;
- adaptações realizadas;
- quantidade de resultados, quando pertinente;
- observações metodológicas relevantes.
Por que registrar a data?
Bases e índices são ambientes dinâmicos. Novos documentos podem ser adicionados e registros podem ser atualizados.
Consequentemente, uma mesma consulta executada em datas diferentes pode recuperar quantidades diferentes de documentos.
Por que guardar a expressão exata?
Pequenas alterações podem modificar a recuperação.
Entre elas:
- acréscimo ou retirada de um termo;
- mudança de campo;
- aplicação de um filtro;
- alteração de operador;
- mudança no agrupamento;
- adaptação específica para determinada plataforma.
Registrar apenas os descritores é suficiente?
Quando a busca possui importância metodológica, uma lista de descritores pode ser insuficiente porque não mostra necessariamente:
- como os termos foram combinados;
- quais termos livres foram utilizados;
- quais campos foram pesquisados;
- quais filtros foram aplicados;
- qual expressão foi realmente executada.
Como organizar o registro das buscas?
Uma tabela simples pode ajudar:
| Fonte | Data | Estratégia executada | Campos/filtros | Resultados | Observações |
|---|---|---|---|---|---|
| Base A | Data da execução | Versão utilizada | Registrar quando pertinente | Número recuperado | Ajustes relevantes |
| Base B | Data da execução | Versão adaptada | Registrar quando pertinente | Número recuperado | Diferenças de implementação |
Preciso guardar todas as versões de teste?
Nem todas precisam necessariamente aparecer no trabalho final, mas manter um histórico das principais mudanças pode ser útil.
Registre especialmente decisões como:
- retirada ou inclusão de grupos;
- termos importantes acrescentados ou removidos;
- alterações de campos;
- mudanças de filtros;
- adaptações entre fontes.
Isso ajuda a explicar como a estratégia chegou à versão efetivamente utilizada.
| Etapa | Ação |
|---|---|
| 1 | Definir a pergunta de pesquisa |
| 2 | Identificar os conceitos principais |
| 3 | Decidir quais conceitos precisam entrar na busca |
| 4 | Identificar descritores e termos livres |
| 5 | Construir uma matriz de conceitos e termos |
| 6 | Organizar alternativas dentro dos grupos |
| 7 | Relacionar os grupos conceituais |
| 8 | Avaliar recursos complementares |
| 9 | Testar os grupos separadamente |
| 10 | Avaliar os resultados e refinar |
| 11 | Adaptar a estratégia para cada fonte |
| 12 | Documentar a estratégia executada |
O método completo pode ser resumido assim:
pergunta → conceitos → termos → matriz → grupos → relações → recursos → testes → refinamento → adaptação → documentação.
Com essa arquitetura concluída, o próximo passo é compreender como essas decisões se comportam em ambientes concretos de pesquisa e qual nível de detalhamento faz sentido para diferentes trabalhos acadêmicos.
Como adaptar a estratégia para PubMed, SciELO, Google Acadêmico e Portal CAPES?
Depois de construir a arquitetura conceitual, a estratégia precisa ser implementada de acordo com as características de cada fonte.
Essa adaptação não muda necessariamente a pergunta da pesquisa. O que muda é a maneira pela qual os conceitos são representados e processados em cada ambiente.
PubMed, SciELO, Google Acadêmico e Portal CAPES não devem ser tratados como sistemas equivalentes.
| Fonte | O que considerar na adaptação |
|---|---|
| PubMed | Termos livres, vocabulário MeSH quando pertinente, campos e recursos próprios da plataforma |
| SciELO | Campos, sintaxe e possibilidades de pesquisa oferecidas pela interface utilizada |
| Google Acadêmico | Características próprias do mecanismo, consultas exploratórias e recursos efetivamente disponíveis |
| Portal CAPES | Recurso ou base acessada por meio do portal, interface utilizada e recursos específicos daquele ambiente |
Como adaptar uma estratégia para o PubMed?
No PubMed, a estratégia pode combinar diferentes formas de representação dos conceitos, incluindo termos livres e elementos relacionados ao MeSH quando apropriado.
Durante a adaptação, verifique aspectos como:
- termos e conceitos representados no MeSH;
- termos livres relevantes;
- campos de pesquisa;
- forma como a plataforma interpreta a consulta;
- agrupamentos;
- frases;
- filtros e outros recursos utilizados.
O pesquisador não deve presumir que a expressão visualizada na caixa de pesquisa corresponde exatamente à maneira pela qual todos os seus elementos foram processados.
Quando a precisão metodológica for importante, consulte a documentação atual da plataforma e examine como a consulta foi interpretada.
Para confirmar a sintaxe e os recursos atuais do PubMed, consulte também a documentação oficial da National Library of Medicine.
Preciso usar MeSH em toda busca no PubMed?
Não existe uma regra segundo a qual toda consulta deva ser composta exclusivamente por termos MeSH.
Dependendo da finalidade, pode ser útil combinar vocabulário controlado e termos livres para representar diferentes formas pelas quais o conceito aparece nos registros.
O mais importante é compreender a função de cada elemento e testar a estratégia.
Como adaptar uma estratégia para a SciELO?
Ao pesquisar na SciELO, não copie mecanicamente uma expressão desenvolvida para o PubMed.
Comece preservando os elementos conceituais:
- pergunta;
- conceitos;
- grupos de termos relevantes;
- relações lógicas necessárias.
Depois, verifique como esses elementos podem ser implementados na interface da SciELO que estiver sendo utilizada.
Confirme recursos como:
- campos disponíveis;
- operadores aceitos;
- tratamento de expressões;
- filtros;
- outros comandos utilizados na consulta.
Para conhecer especificamente o funcionamento da plataforma, consulte o guia SciELO: como pesquisar artigos científicos.
Como adaptar uma estratégia para o Google Acadêmico?
O Google Acadêmico pode ser útil para diferentes tarefas de descoberta e exploração da literatura, mas não deve ser tratado como se possuísse necessariamente a mesma estrutura operacional de uma base bibliográfica especializada.
Ele pode auxiliar, por exemplo, na:
- exploração inicial de um tema;
- identificação de terminologia;
- localização de trabalhos conhecidos;
- descoberta de documentos relacionados;
- exploração de citações e trabalhos associados.
Dependendo da finalidade, pode ser mais útil executar diferentes consultas bem planejadas do que tentar reproduzir integralmente uma string extensa construída para outra plataforma.
Para aprofundar o uso da ferramenta, consulte como pesquisar no Google Acadêmico.
Como adaptar uma estratégia para o Portal CAPES?
O Portal de Periódicos CAPES exige uma distinção importante: ele oferece acesso e mecanismos de descoberta relacionados a diferentes conteúdos, recursos e bases, não devendo ser tratado simplesmente como uma única base bibliográfica com uma sintaxe universal.
Por isso, ao registrar uma pesquisa realizada nesse contexto, identifique com precisão:
- qual recurso foi consultado;
- qual interface foi utilizada;
- como a estratégia foi executada;
- quais filtros ou campos foram aplicados;
- quais adaptações foram necessárias.
Para entender melhor o ambiente de pesquisa, consulte como usar o Portal de Periódicos CAPES.
Qual dessas fontes é melhor?
Não existe uma fonte universalmente superior para toda pesquisa.
A escolha depende de fatores como:
- área do conhecimento;
- tema;
- tipo de revisão;
- objetivo da busca;
- cobertura necessária;
- idiomas relevantes;
- tipos de documentos procurados;
- acesso institucional;
- exigências metodológicas.
Uma pesquisa pode exigir uma única fonte, várias bases complementares ou uma combinação de diferentes mecanismos de descoberta.
Antes de incluir uma fonte apenas porque ela é conhecida, pergunte se sua cobertura e suas características são adequadas à pergunta.
Posso usar a mesma estratégia em todas as fontes?
A arquitetura conceitual pode servir como ponto de partida comum, mas cada implementação precisa ser verificada.
Uma forma prática de trabalhar é manter uma estratégia-matriz e criar versões específicas:
- versão para a fonte A;
- versão para a fonte B;
- versão para a fonte C;
- versão para a fonte D.
Isso permite preservar a coerência da pergunta sem fingir que todas as plataformas funcionam da mesma maneira.
Como utilizar uma estratégia de busca científica no TCC?
A estratégia de busca também pode melhorar a qualidade de um Trabalho de Conclusão de Curso, principalmente quando o levantamento da literatura ocupa papel relevante no método.
Ela ajuda o estudante a explicar:
- o que procurou;
- quais conceitos utilizou;
- quais fontes consultou;
- como relacionou os termos;
- como refinou a busca;
- quais procedimentos foram efetivamente realizados.
Todo TCC precisa apresentar uma estratégia de busca detalhada?
Não.
O nível de detalhamento deve ser proporcional ao método, aos objetivos do trabalho e às exigências da instituição ou orientação.
Um TCC que utiliza uma revisão sistemática ou outro método com busca estruturada pode exigir documentação muito mais rigorosa do que um trabalho no qual a literatura possui função contextual ou introdutória.
Onde explicar a estratégia de busca no TCC?
Quando ela integra o método da pesquisa, as informações costumam ser apresentadas na seção metodológica ou em outra parte determinada pelas regras institucionais e pelo desenho do estudo.
Dependendo do trabalho, podem ser informados:
- bases e fontes consultadas;
- período ou data das buscas;
- descritores e termos livres;
- operadores utilizados;
- expressões executadas;
- campos pesquisados;
- filtros e limites;
- critérios metodológicos relacionados à recuperação e seleção.
Preciso colocar a string inteira no corpo do TCC?
Isso depende da extensão das estratégias, do método e das orientações institucionais.
Em algumas situações, uma expressão relativamente curta pode ser apresentada na metodologia. Em outras, estratégias extensas podem ser organizadas em quadros, tabelas, apêndices ou materiais suplementares.
O princípio central é permitir que o leitor compreenda adequadamente como a busca foi realizada.
Posso usar somente o Google Acadêmico no TCC?
A resposta depende da área, do objetivo, do método e das exigências do trabalho.
O Google Acadêmico pode ser útil, mas não deve ser escolhido automaticamente como única fonte apenas por ser familiar ou fácil de acessar.
Quando a busca possui função metodológica relevante, avalie quais fontes oferecem cobertura adequada ao tema e ao desenho da pesquisa.
Como escolher as fontes que entrarão no TCC?
Considere:
- aderência à área;
- cobertura temática;
- tipos de documentos indexados;
- qualidade e características das fontes recuperadas;
- complementaridade entre bases;
- requisitos do método.
Para aprofundar essa avaliação, consulte como escolher fontes confiáveis para o TCC.
Como organizar os artigos encontrados?
A busca e a organização bibliográfica são processos conectados, mas diferentes.
Depois da recuperação, será necessário armazenar, identificar, revisar e organizar as referências utilizadas.
Para essa etapa, consulte como organizar referências bibliográficas no TCC.
Uma estratégia complexa torna o TCC melhor?
Não necessariamente.
Complexidade não é sinônimo de rigor.
Uma estratégia relativamente simples, coerente com a pergunta e bem documentada pode ser metodologicamente mais adequada do que uma expressão enorme construída sem compreensão da função de seus elementos.
Como a estratégia de busca muda conforme o tipo de revisão?
O nível de estruturação, abrangência e documentação da busca depende do tipo de revisão e de sua finalidade.
Não é adequado aplicar automaticamente o mesmo padrão de busca a uma revisão narrativa, uma revisão integrativa, uma revisão sistemática ou uma revisão de escopo.
| Tipo de revisão | Papel geral da estratégia de busca |
|---|---|
| Revisão bibliográfica | Varia conforme o objetivo e o método adotado; pode envolver busca organizada em diferentes fontes. |
| Revisão narrativa | A busca pode ser mais flexível e interpretativa, de acordo com a finalidade da revisão. |
| Revisão integrativa | Normalmente exige maior estruturação e transparência na identificação dos estudos. |
| Revisão sistemática | A busca constitui uma etapa metodológica crítica e requer planejamento, documentação e transparência compatíveis com o método. |
| Revisão de escopo | A estratégia deve ser compatível com o objetivo de mapear conceitos, evidências, características ou lacunas de determinado campo. |
A tabela oferece apenas uma visão geral. Cada método possui características próprias que devem ser consideradas no planejamento da pesquisa.
Como funciona a estratégia em uma revisão bibliográfica?
“Revisão bibliográfica” pode ser utilizada em diferentes contextos acadêmicos, por isso o grau de estruturação da busca pode variar bastante.
Mesmo quando não existe exigência de uma estratégia altamente formalizada, organizar:
- fontes;
- conceitos;
- termos;
- consultas;
- critérios de escolha;
pode tornar o levantamento mais consistente e facilitar a descrição do procedimento realizado.
Para compreender melhor essa modalidade, consulte o que é revisão bibliográfica.
Como funciona a estratégia em uma revisão narrativa?
A revisão narrativa pode utilizar procedimentos de busca mais flexíveis, dependendo de seu objetivo.
Isso não significa que a busca deva ser aleatória.
Registrar fontes consultadas, termos importantes e decisões de seleção pode aumentar a transparência, mesmo quando o método não exige o mesmo grau de sistematização de outros tipos de revisão.
Veja também o que é revisão narrativa.
Como funciona a estratégia em uma revisão integrativa?
Na revisão integrativa, a busca da literatura tende a ocupar papel metodológico mais estruturado.
É importante alinhar:
- pergunta;
- fontes de informação;
- estratégia de busca;
- critérios de elegibilidade;
- processo de seleção;
- organização e análise dos estudos.
A estratégia não deve ser analisada isoladamente: ela faz parte de um processo metodológico mais amplo.
Para conhecer as etapas e características desse método, consulte o que é revisão integrativa.
Como funciona a estratégia em uma revisão sistemática?
Na revisão sistemática, a busca da literatura é uma etapa metodológica central.
O planejamento deve considerar, conforme o protocolo e a área:
- pergunta de pesquisa;
- conceitos;
- fontes adequadas;
- vocabulários e termos livres;
- estratégias específicas para cada fonte;
- testes e refinamentos;
- documentação das buscas;
- atualizações quando necessárias.
A transparência é especialmente importante porque o leitor precisa compreender como os estudos potencialmente elegíveis foram procurados.
Para compreender o método completo, consulte o que é revisão sistemática.
Como funciona a estratégia em uma revisão de escopo?
A revisão de escopo costuma buscar uma visão ampla de determinado campo, permitindo mapear conceitos, tipos de evidência, características da literatura e possíveis lacunas.
Por isso, a estratégia precisa ser compatível com a amplitude da pergunta e com os objetivos do mapeamento.
Uma busca excessivamente restritiva pode dificultar a identificação da diversidade existente no campo.
Isso não significa utilizar indiscriminadamente todos os termos possíveis, mas planejar a recuperação de forma coerente com a finalidade da revisão.
Veja também o que é revisão de escopo.
Como escolher o tipo de revisão antes de montar a estratégia?
A escolha deve partir da pergunta, do objetivo e do tipo de síntese que se pretende produzir.
Não escolha um método apenas porque parece mais rigoroso ou porque determinado nome aparece com frequência em outros trabalhos.
Se ainda houver dúvida entre as modalidades, consulte o guia sobre a diferença entre os tipos de revisão científica.
Uma estratégia de busca científica precisa ser reprodutível?
A possibilidade de compreender e reproduzir o procedimento é especialmente importante quando a busca integra formalmente o método da pesquisa.
Para isso, não basta afirmar que foram utilizados determinados descritores. O relato precisa fornecer informações suficientes sobre o que foi realmente executado.
Dependendo do método, isso pode incluir:
- fontes pesquisadas;
- interfaces utilizadas;
- estratégias executadas;
- campos;
- filtros e limites;
- datas;
- outras decisões relevantes.
Reproduzir a busca significa encontrar exatamente o mesmo número de resultados?
Não necessariamente.
Bases de dados e mecanismos de busca são ambientes dinâmicos. Novos documentos podem ser adicionados, registros podem ser atualizados e recursos das plataformas podem mudar.
Assim, uma busca bem documentada pode ser metodologicamente reproduzível mesmo que sua execução posterior não produza exatamente a mesma quantidade de registros.
Por que a data da busca é tão importante?
A data contextualiza os resultados recuperados.
Ela ajuda o leitor a compreender até qual momento a literatura disponível naquela fonte pôde ser considerada pela pesquisa.
Em trabalhos nos quais a busca possui relevância metodológica, esse registro também facilita atualizações posteriores.
Uma estratégia de busca precisa ser idêntica entre diferentes pesquisadores?
Não.
Pesquisadores podem construir estratégias diferentes para a mesma pergunta e ainda assim apresentar decisões metodologicamente justificáveis.
As diferenças podem surgir na:
- seleção dos termos livres;
- escolha de vocabulários;
- definição dos grupos conceituais;
- decisão sobre quais conceitos tornar obrigatórios;
- seleção de campos;
- escolha das fontes;
- forma de adaptar a estratégia;
- avaliação do equilíbrio entre amplitude e especificidade.
Isso não significa que qualquer estratégia seja adequada.
As decisões precisam continuar coerentes com:
- a pergunta;
- o método;
- a literatura da área;
- as características das fontes utilizadas;
- os testes realizados.
Então como avaliar a qualidade de uma estratégia?
Em vez de procurar uma única string considerada universalmente correta, avalie se a estratégia:
- representa adequadamente os conceitos;
- considera terminologia pertinente;
- possui lógica compreensível;
- foi testada;
- foi refinada com critérios claros;
- foi adaptada às fontes utilizadas;
- está documentada no nível exigido pelo método.
Existe uma estratégia de busca perfeita?
Não existe uma estratégia universalmente perfeita.
Uma busca trabalha com escolhas e limitações.
Entre elas estão:
- cobertura das fontes;
- qualidade da indexação;
- variações terminológicas;
- recursos disponíveis na plataforma;
- campos pesquisáveis;
- decisões sobre amplitude e especificidade;
- limitações práticas do próprio projeto.
O objetivo, portanto, não é alcançar uma fórmula ideal e imutável, mas construir uma estratégia adequada à pergunta, coerente com o método, testada, adaptada e suficientemente transparente.
Quando devo parar de refinar a estratégia?
O refinamento não precisa continuar indefinidamente.
A estratégia pode ser considerada suficientemente madura quando:
- os conceitos estão adequadamente representados;
- os termos principais foram avaliados;
- os grupos funcionam de maneira coerente;
- problemas importantes de ruído foram investigados;
- estudos relevantes conhecidos, quando utilizados para diagnóstico, foram considerados;
- as principais decisões já possuem justificativa;
- novos ajustes deixam de produzir melhorias relevantes para a finalidade da pesquisa.
Estratégia de busca é uma etapa isolada?
Não.
Ela se conecta a outras decisões do processo de pesquisa:
pergunta → protocolo ou planejamento → busca → recuperação → seleção → organização → análise → síntese.
Essa relação é especialmente importante em revisões estruturadas, nas quais uma decisão tomada durante o planejamento influencia diretamente as etapas posteriores.
Por isso, depois de aprender a construir a estratégia de busca, o próximo avanço metodológico é compreender como registrar previamente as principais decisões da revisão.
12 erros comuns ao montar uma estratégia de busca científica
Alguns problemas aparecem com frequência quando uma estratégia é construída pela primeira vez. Identificá-los ajuda a revisar a busca antes de utilizá-la definitivamente.
1. Começar pelos operadores antes de definir a pergunta
AND, OR e NOT não dizem ao pesquisador quais conceitos precisam ser pesquisados.
Quando a construção começa pelos operadores, é comum produzir combinações de palavras sem uma arquitetura conceitual clara.
Como evitar: comece pela pergunta, identifique os conceitos e somente depois defina as relações lógicas.
2. Transformar cada elemento da pergunta em um grupo obrigatório
Nem todo componente importante para a pesquisa precisa necessariamente aparecer como condição obrigatória na expressão.
Adicionar muitos grupos com AND pode excluir estudos pertinentes.
Como evitar: teste a contribuição de cada conceito e avalie se determinado elemento pode ser verificado posteriormente durante a seleção.
3. Utilizar apenas um termo para representar cada conceito
A literatura pode utilizar diferentes expressões para a mesma ideia.
Pesquisar apenas uma forma pode reduzir a recuperação de documentos relevantes.
Como evitar: investigue descritores, termos livres, variantes e terminologia encontrada em estudos da área.
4. Copiar listas enormes de sinônimos sem avaliar pertinência
O problema oposto também ocorre: incluir dezenas de palavras apenas porque parecem relacionadas ao tema.
Termos pouco específicos podem aumentar o ruído e tornar a estratégia difícil de revisar.
Como evitar: avalie a função de cada termo e sua contribuição para representar o conceito.
5. Misturar conceitos diferentes dentro do mesmo grupo
Um grupo deve possuir uma função conceitual compreensível.
Quando termos de ideias diferentes são misturados indiscriminadamente, a lógica da estratégia fica difícil de interpretar e testar.
Como evitar: utilize uma matriz de conceitos e termos antes de montar a expressão.
6. Utilizar AND entre alternativas do mesmo conceito sem perceber o efeito
Se duas palavras são alternativas para representar uma ideia, exigir que ambas apareçam pode restringir desnecessariamente a busca.
Compare:
adolescente AND jovem
com:
adolescente OR jovem
As duas expressões representam relações diferentes.
Como evitar: defina primeiro se os termos representam alternativas ou condições distintas.
7. Utilizar NOT apenas para diminuir o número de resultados
NOT pode retirar documentos que contêm simultaneamente o termo excluído e informações relevantes para a pesquisa.
Como evitar: use exclusões apenas quando houver justificativa conceitual e teste quais registros deixam de ser recuperados.
8. Construir uma expressão enorme antes de realizar qualquer teste
Quando dezenas de termos, vários grupos, campos e filtros são combinados de uma única vez, torna-se difícil descobrir a origem de um problema.
Como evitar: teste grupos isoladamente e avance para combinações progressivas.
9. Avaliar a qualidade da estratégia apenas pelo número de resultados
Uma busca com milhares de registros pode ser pertinente. Outra com poucas dezenas pode estar excessivamente restritiva.
O número precisa ser interpretado em relação à pergunta, à fonte e ao método.
Como evitar: examine a pertinência dos resultados e o comportamento dos grupos, não apenas o total exibido.
10. Copiar a mesma string para todas as bases
Plataformas podem utilizar sintaxes, campos, vocabulários e mecanismos de processamento diferentes.
Como evitar: preserve a arquitetura conceitual e adapte a implementação para cada fonte.
11. Não registrar a versão final executada
Durante os testes, a expressão pode sofrer diversas alterações. Se apenas versões preliminares forem salvas, a metodologia poderá não corresponder ao procedimento realmente realizado.
Como evitar: registre a estratégia definitiva de cada fonte no momento da execução.
12. Tentar reconstruir a estratégia posteriormente pela memória
Depois de várias buscas, é fácil esquecer:
- qual termo foi retirado;
- qual filtro estava ativo;
- qual campo foi utilizado;
- qual versão pertence a cada base;
- quando a consulta foi executada.
Como evitar: documente o processo enquanto trabalha.
| Erro | Consequência possível |
|---|---|
| Começar pelos operadores | Estratégia sem arquitetura conceitual |
| Transformar tudo em grupo obrigatório | Recuperação excessivamente restritiva |
| Usar apenas um termo | Perda de variações terminológicas |
| Acumular sinônimos | Ruído e complexidade desnecessária |
| Misturar conceitos | Lógica difícil de interpretar |
| Usar AND inadequadamente | Exigência simultânea indevida |
| Usar NOT para reduzir resultados | Exclusão de estudos relevantes |
| Montar tudo antes de testar | Dificuldade para diagnosticar problemas |
| Julgar apenas pela quantidade | Falsa impressão de qualidade |
| Copiar a mesma string | Implementação inadequada entre fontes |
| Não salvar a versão executada | Metodologia imprecisa |
| Reconstruir pela memória | Perda de transparência e rastreabilidade |
Checklist para revisar uma estratégia de busca científica
Antes de considerar a estratégia pronta, utilize este checklist para fazer uma revisão final.
1. A pergunta de pesquisa está clara?
Você consegue explicar objetivamente o que pretende investigar?
2. Os conceitos principais foram identificados?
Cada grupo da estratégia possui uma função clara em relação à pergunta?
3. Foi avaliado quais conceitos realmente precisam entrar na busca?
Evite transformar automaticamente todos os elementos da pergunta em condições obrigatórias.
4. Foram verificados descritores apropriados?
Quando a área e a fonte utilizam vocabulários controlados, os termos pertinentes foram investigados?
5. Foram considerados termos livres?
A estratégia considera formas relevantes pelas quais os autores expressam os conceitos?
6. Os termos estão organizados por conceito?
A matriz ou estrutura utilizada permite identificar claramente a qual grupo cada termo pertence?
7. OR está reunindo alternativas pertinentes?
As alternativas de cada grupo realmente representam o conceito pretendido?
8. AND está relacionando conceitos necessários?
Cada grupo obrigatório acrescentado à estratégia possui justificativa?
9. O uso de NOT, se houver, foi testado?
Foi verificado se a exclusão pode retirar estudos relevantes?
10. Os agrupamentos estão claros?
Quando a plataforma permite e a lógica exige, os parênteses ou outros recursos deixam evidente quais termos pertencem a cada grupo?
11. Os grupos foram testados separadamente?
Você sabe como cada bloco se comporta antes da combinação completa?
12. As combinações foram testadas progressivamente?
Foi possível observar o efeito da inclusão de cada novo grupo?
13. Estudos relevantes conhecidos foram considerados como diagnóstico, quando pertinente?
Se um estudo importante não aparece, foi investigado por quê?
14. O ruído foi avaliado?
Termos que recuperam muitos documentos irrelevantes foram analisados antes de serem mantidos ou retirados?
15. A documentação atual da plataforma foi consultada quando necessário?
Recursos como campos, aspas, truncamento, filtros e operadores podem mudar ou funcionar de maneiras diferentes entre sistemas.
16. A estratégia foi adaptada para cada fonte?
Evite presumir que a mesma string funciona de maneira equivalente em ambientes diferentes.
17. A versão efetivamente executada foi salva?
O registro corresponde à busca que realmente produziu os resultados utilizados no processo de pesquisa?
18. As informações metodológicas importantes foram registradas?
Quando pertinente, foram anotados data, fonte, interface, campos, filtros, estratégia e quantidade de resultados?
- ☐ Pergunta definida
- ☐ Conceitos identificados
- ☐ Conceitos obrigatórios avaliados
- ☐ Descritores verificados
- ☐ Termos livres avaliados
- ☐ Matriz organizada
- ☐ OR revisado
- ☐ AND revisado
- ☐ NOT testado, se utilizado
- ☐ Agrupamentos conferidos
- ☐ Grupos testados
- ☐ Combinações progressivas realizadas
- ☐ Estudos conhecidos avaliados, quando pertinente
- ☐ Ruído investigado
- ☐ Recursos da plataforma conferidos
- ☐ Adaptações realizadas
- ☐ Versões executadas salvas
- ☐ Busca documentada
A imagem abaixo reúne os principais pontos que devem ser conferidos antes de considerar a estratégia pronta para utilização e documentação.

O que fazer se algum item do checklist ainda estiver pendente?
Não é necessário reconstruir toda a estratégia.
Retorne à etapa relacionada ao problema.
| Problema encontrado | Etapa a revisar |
|---|---|
| Conceito mal definido | Pergunta e estrutura conceitual |
| Poucos termos pertinentes | Levantamento terminológico e matriz |
| Muito ruído | Termos, grupos e campos |
| Poucos resultados | Conceitos obrigatórios, AND e restrições |
| Artigo importante ausente | Termos, indexação, campos e grupos |
| Busca funciona em uma base, mas não em outra | Adaptação de sintaxe e recursos |
| Não é possível explicar o que foi executado | Documentação |
Como saber se a estratégia está pronta?
Não existe um teste único que certifique universalmente uma estratégia como “perfeita”.
Antes de utilizá-la definitivamente, procure verificar se:
- a pergunta está adequadamente representada;
- os grupos possuem função conceitual clara;
- os termos relevantes foram investigados;
- os operadores cumprem a lógica pretendida;
- os testes não revelam problemas importantes ainda sem investigação;
- a implementação foi adaptada à fonte;
- as decisões podem ser explicadas;
- a versão executada pode ser documentada.
Se esses elementos estão coerentes com o método e com o objetivo da pesquisa, a estratégia possui uma base muito mais sólida para ser utilizada.
Perguntas frequentes sobre estratégia de busca científica
O que é uma estratégia de busca científica?
É o planejamento utilizado para transformar uma pergunta de pesquisa em uma busca estruturada.
Ela envolve a identificação dos conceitos, escolha de descritores e termos livres, organização dos grupos, relações lógicas, testes, refinamento, adaptação às fontes e documentação do procedimento realizado.
Como montar uma estratégia de busca científica?
Comece pela pergunta, identifique os conceitos e avance progressivamente até a expressão que será executada.
Uma sequência prática é:
pergunta → conceitos → termos → matriz → grupos → operadores → recursos → testes → refinamento → adaptação → documentação.
Evite começar diretamente por uma string extensa.
Qual é a diferença entre estratégia de busca e string de busca?
A estratégia é o planejamento completo; a string é a expressão operacional utilizada em determinada plataforma.
A estratégia inclui decisões sobre conceitos, terminologia, fontes, testes, adaptações e documentação. A string representa apenas uma das formas pelas quais esse planejamento é executado.
Qual é a diferença entre estratégia de busca e busca bibliográfica?
A busca bibliográfica é um processo mais amplo de localização da literatura.
A estratégia de busca organiza como determinada pergunta será representada e pesquisada em uma ou mais fontes de informação. Ela é, portanto, uma parte importante do processo de busca bibliográfica.
Quantos conceitos devo utilizar em uma estratégia de busca?
Não existe um número universal de conceitos.
A quantidade depende da pergunta e da função de cada grupo. Acrescentar conceitos com AND pode restringir a recuperação, portanto cada condição obrigatória deve ter uma função justificável.
Quantos termos devo colocar em cada grupo?
Também não existe uma quantidade fixa.
Inclua descritores, termos livres e variantes pertinentes quando contribuírem para representar o conceito. Uma lista maior não é automaticamente melhor.
Devo combinar descritores e palavras-chave?
Descritores e termos livres podem ser complementares quando a fonte e a área tornam essa combinação apropriada.
Vocabulários controlados ajudam a representar conceitos por meio da indexação, enquanto termos livres podem recuperar formas utilizadas pelos autores e nos campos textuais dos registros.
Como usar AND e OR em uma estratégia de busca?
OR costuma reunir alternativas de um mesmo conceito, enquanto AND costuma relacionar diferentes grupos conceituais.
Essa é uma referência prática, não uma fórmula automática. A lógica de cada combinação precisa corresponder à pergunta e ser verificada durante os testes.
Posso usar a mesma estratégia no PubMed e na SciELO?
A arquitetura conceitual pode ser semelhante, mas a implementação precisa ser adaptada.
Vocabulários, campos, sintaxe, filtros e outros recursos podem variar. Por isso, não copie mecanicamente uma string entre plataformas.
O que fazer quando a estratégia recupera poucos resultados?
Investigue primeiro se a busca ficou excessivamente restritiva.
Revise especialmente grupos conectados por AND, termos muito específicos, campos, filtros e outros limites. Poucos resultados não significam automaticamente que existe pouca literatura sobre o tema.
Como saber se uma estratégia de busca está boa?
Avalie se ela representa a pergunta, utiliza terminologia pertinente, possui lógica compreensível, foi testada e está adequada à fonte.
Quando a busca possui importância metodológica, também deve ser possível explicar e documentar as principais decisões tomadas.
Todo TCC precisa apresentar uma estratégia de busca?
O nível de formalização depende do método, do objetivo e das exigências acadêmicas.
Trabalhos baseados em revisões estruturadas podem exigir uma descrição detalhada, enquanto outros TCCs podem utilizar procedimentos mais simples. O importante é não atribuir ao trabalho um rigor metodológico que não foi realmente aplicado.
Preciso registrar a data da busca?
Quando a busca possui relevância metodológica, registrar a data é uma boa prática e pode ser essencial para a transparência do procedimento.
As bases são dinâmicas, portanto a quantidade e a composição dos resultados podem mudar com o tempo.
A estratégia de busca pode ser atualizada posteriormente?
Sim, quando o método ou o andamento da pesquisa exige atualização.
Se uma nova busca for realizada, registre a data e as alterações relevantes. Em revisões que se estendem por períodos maiores, uma atualização pode ser necessária para incorporar literatura publicada depois da busca inicial.
Preciso guardar todas as versões testadas da estratégia?
Nem todas precisam aparecer no trabalho final, mas preservar um histórico das principais mudanças é útil.
Registre especialmente versões que expliquem decisões relevantes, como inclusão ou retirada de grupos, mudanças de campos, filtros e adaptações entre fontes. A versão efetivamente executada deve ser preservada.
Conclusão: como construir uma estratégia de busca científica melhor?
Construir uma boa estratégia de busca científica não significa simplesmente encontrar algumas palavras-chave e conectá-las com AND e OR.
O processo começa antes da string.
Primeiro, é necessário compreender a pergunta e identificar os conceitos que precisam ser representados. Depois, o pesquisador investiga descritores, termos livres e variantes, organiza essas possibilidades em grupos e estabelece relações lógicas entre elas.
A partir daí, a estratégia precisa ser testada.
Os resultados ajudam a revelar:
- termos excessivamente amplos;
- conceitos restritivos;
- variantes terminológicas ausentes;
- problemas de agrupamento;
- campos inadequados;
- diferenças entre plataformas.
Esse diagnóstico permite refinar a busca antes de sua utilização definitiva.
Também é fundamental compreender que uma única string não deve ser transportada mecanicamente entre todas as fontes. A arquitetura conceitual pode ser preservada, mas a implementação deve respeitar vocabulários, campos, sintaxe e recursos próprios de cada ambiente.
Quando a busca possui papel metodológico no TCC, artigo ou revisão científica, a documentação completa o processo. Registrar fonte, data, estratégia executada, campos, filtros e adaptações relevantes aumenta a transparência e evita a reconstrução posterior pela memória.
Uma estratégia de busca científica consistente segue uma lógica:
pergunta → conceitos → termos → matriz → grupos → relações → recursos → testes → refinamento → adaptação → documentação.
O objetivo não é construir a maior ou mais complexa string possível, mas desenvolver uma busca coerente com a pergunta, adequada às fontes utilizadas e suficientemente transparente para o método adotado.
Continue aprendendo
Depois de aprender a transformar uma pergunta em uma estratégia de busca estruturada, o próximo passo é planejar formalmente como a revisão será conduzida.
Como montar um protocolo de revisão: passo a passo para planejar a pesquisa
Nesse guia, você verá como organizar previamente a pergunta, objetivos, fontes, critérios, estratégia de busca e demais decisões metodológicas que orientarão a revisão.
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Referências e fontes recomendadas
- National Library of Medicine (NLM). PubMed User Guide. Documentação oficial sobre pesquisa, recursos, campos e funcionamento do PubMed.
- National Library of Medicine (NLM). Medical Subject Headings (MeSH). Vocabulário controlado utilizado para indexação e recuperação de informação biomédica.
- BIREME/OPAS/OMS. Descritores em Ciências da Saúde — DeCS/MeSH. Vocabulário estruturado utilizado na indexação e recuperação de informação em saúde.
- Rethlefsen ML, Kirtley S, Waffenschmidt S, et al. PRISMA-S: an extension to the PRISMA Statement for Reporting Literature Searches in Systematic Reviews. Systematic Reviews. 2021;10:39. DOI: 10.1186/s13643-020-01542-z.
- Waltho D, Kaur MN, Haynes RB, Farrokhyar F, Thoma A. Users’ guide to the surgical literature: how to perform a high-quality literature search. Canadian Journal of Surgery. 2015;58(5):349–358. DOI: 10.1503/cjs.017314.
