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Como Definir Critérios de Inclusão e Exclusão em uma Revisão

Aprenda como definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão científica. Veja o passo a passo para criar critérios claros, justificar período, idioma e outras restrições, lidar com casos limítrofes e aplicar um checklist antes da seleção dos estudos.

Como Definir Critérios de Inclusão e Exclusão em uma Revisão

Como Definir Critérios de Inclusão e Exclusão em uma Revisão

Definir corretamente os critérios de inclusão e exclusão é uma das etapas mais importantes do planejamento de uma revisão. Esses critérios estabelecem quais estudos ou fontes de evidência poderão participar da pesquisa e ajudam a tornar as decisões de seleção mais claras, consistentes e justificáveis.


Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia


O problema é que muitos trabalhos acadêmicos apresentam critérios genéricos, como “artigos dos últimos cinco anos”, “publicações em português e inglês” ou “textos disponíveis gratuitamente”, sem explicar por que essas restrições são necessárias para responder à pergunta de pesquisa.

Neste guia, você aprenderá a definir critérios de inclusão e exclusão a partir da pergunta, do objetivo, do tipo de revisão e das características das evidências necessárias, evitando regras copiadas ou restrições arbitrárias.

Resumo rápido

  • Critérios de inclusão e exclusão são regras que ajudam a determinar quais evidências são elegíveis para uma revisão.
  • Eles devem ser definidos a partir da pergunta, do objetivo e do tipo de revisão.
  • Critérios de elegibilidade não são a mesma coisa que filtros da base de dados.
  • Nem todo critério precisa aparecer na estratégia de busca.
  • “Últimos cinco anos”, “português e inglês” e “texto gratuito” não são regras universais.
  • Os critérios devem ser suficientemente claros para orientar decisões consistentes.
  • Sempre que possível, devem ser definidos antes da seleção definitiva dos estudos e registrados no protocolo ou planejamento da revisão.

Este artigo trata de como construir as regras de elegibilidade. A aplicação dessas regras aos títulos, resumos e textos completos pertence à etapa posterior de seleção e triagem dos estudos.

Índice

O que são critérios de inclusão e exclusão?

Critérios de inclusão e exclusão são regras previamente definidas que ajudam a determinar quais estudos ou fontes de evidência podem participar de uma revisão.

Essas regras devem ser coerentes com:

  • a pergunta de pesquisa;
  • o objetivo da revisão;
  • o tipo de revisão escolhido;
  • a população ou fonte de evidência de interesse;
  • os conceitos, intervenções, exposições ou desfechos relevantes;
  • os desenhos de estudo ou tipos de documentos compatíveis;
  • outras características realmente necessárias para delimitar o escopo.

Considere a seguinte pergunta, que utilizaremos como exemplo ao longo do artigo:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

A partir dela, já podemos reconhecer alguns elementos centrais:

  • população: adolescentes;
  • exposição ou fenômeno: atividade física;
  • desfecho ou conceito: sintomas de ansiedade.

Esses elementos ajudam a construir os critérios, mas ainda será necessário definir operacionalmente o que será considerado adolescente, atividade física, ansiedade e quais tipos de estudo podem responder adequadamente à pergunta.

O que é um critério de inclusão?

Critérios de inclusão descrevem características que uma evidência precisa apresentar para ser considerada potencialmente elegível.

Por exemplo:

Incluir estudos que investiguem adolescentes conforme a definição etária adotada no protocolo.

Ou:

Incluir estudos que avaliem atividade física e sintomas de ansiedade de forma compatível com o objetivo da revisão.

Essas regras precisam ser mais específicas no protocolo real, mas demonstram a lógica: a inclusão deve decorrer da pergunta e não de uma lista pronta utilizada em outros trabalhos.

O que é um critério de exclusão?

Critérios de exclusão esclarecem condições que tornam determinada evidência incompatível com o escopo ou ajudam a resolver situações que os critérios de inclusão não definem suficientemente.

Por exemplo:

Estudos com populações etárias mistas serão excluídos quando não for possível identificar separadamente os dados referentes à faixa etária de interesse, caso essa separação seja necessária para responder à pergunta.

Esse tipo de regra é mais informativo do que simplesmente escrever:

Excluir estudos que não sejam com adolescentes.

Erro comum: criar listas perfeitamente espelhadas

Não é necessário que cada critério de inclusão tenha uma versão inversa na lista de exclusão. As duas listas servem para tornar a elegibilidade clara, não para possuir o mesmo tamanho ou repetir a mesma informação.

Qual é a diferença entre critérios de elegibilidade, inclusão e exclusão?

Critérios de elegibilidade é o conceito mais amplo. Ele reúne as condições utilizadas para decidir se determinada evidência pode ou não participar da revisão.

Dentro desse conjunto podem existir:

  • critérios de inclusão;
  • critérios ou regras de exclusão;
  • definições operacionais;
  • regras para situações limítrofes;
  • condições relacionadas à população, intervenção, exposição, desfecho, desenho ou contexto.
Conceito O que significa Função
Critérios de elegibilidade Conjunto geral de condições que define quem pode participar da revisão. Delimitar o universo de evidências elegíveis.
Critérios de inclusão Características compatíveis com o escopo. Identificar evidências potencialmente elegíveis.
Critérios de exclusão Condições específicas que tornam a evidência incompatível ou esclarecem situações especiais. Orientar decisões de não elegibilidade.
Motivo de exclusão Razão concreta registrada quando um estudo específico é excluído durante a seleção. Documentar a aplicação dos critérios.

Essa última distinção é especialmente importante: critério de exclusão pertence ao planejamento; motivo de exclusão é registrado posteriormente, quando as regras são aplicadas a um estudo específico.

Critério metodológico não é preferência pessoal

Um critério precisa possuir relação defensável com a pergunta ou com o método.

Formulações como estas merecem cautela quando aparecem sem justificativa:

  • “somente artigos dos últimos cinco anos”;
  • “apenas estudos em português e inglês”;
  • “somente artigos gratuitos”;
  • “apenas textos encontrados no Google Acadêmico”;
  • “somente artigos relacionados ao tema”.

Algumas dessas restrições podem ser apropriadas em determinados projetos. O problema está em tratá-las como regras metodológicas universais.

Boa prática

Para cada restrição, complete mentalmente a frase: “Este critério é necessário porque…”. Se não houver uma justificativa relacionada à pergunta, ao objetivo, ao método ou a uma exigência institucional claramente declarada, vale reconsiderar a regra.

Os critérios fazem parte do protocolo da revisão

Em revisões estruturadas, os critérios de elegibilidade devem ser definidos no planejamento e registrados no protocolo de revisão ou documento equivalente.

Uma sequência lógica é:

Pergunta → objetivo → tipo de revisão → critérios de elegibilidade.

Esse encadeamento reduz o risco de decidir, depois de olhar os resultados, quais estudos “parecem interessantes” e só então criar regras para justificar a seleção.

Em resumo

Os critérios não devem ser escolhidos porque são comuns em outros TCCs. Eles precisam representar, de forma operacional, aquilo que a pergunta e o método realmente exigem.

Quando os critérios devem ser definidos?

Sempre que possível, os critérios devem ser definidos antes da seleção definitiva dos estudos.

A ordem metodológica mais coerente costuma ser:

Pergunta → objetivo → tipo de revisão → elegibilidade → busca → seleção → extração → síntese.

Isso não significa que todo detalhe estará perfeito na primeira versão. Um teste-piloto pode revelar ambiguidades e exigir refinamentos. O importante é que as regras não sejam construídas retroativamente apenas para justificar quais estudos foram mantidos.

Essa lógica é particularmente importante em uma revisão sistemática e também é útil em uma revisão de escopo, em uma revisão integrativa e em outros desenhos que utilizem planejamento explícito.

Por que definir os critérios antes da seleção?

Definir os critérios antecipadamente melhora principalmente três aspectos: consistência, transparência e rastreabilidade das decisões.

Ajuda a manter decisões consistentes

Sem critérios claros, dois estudos semelhantes podem receber decisões diferentes simplesmente porque foram avaliados em momentos distintos ou porque o pesquisador interpretou o tema de maneira diferente.

Regras operacionais reduzem esse problema.

Melhora a transparência

O leitor consegue compreender por que determinados estudos poderiam entrar e outros não.

Isso é especialmente importante quando a revisão apresenta um número pequeno de estudos incluídos ou quando existem restrições relevantes.

Não elimina todas as decisões difíceis

Mesmo critérios bem planejados não impedem o surgimento de situações como:

  • populações com idades mistas;
  • intervenções combinadas;
  • resultados de subgrupos;
  • informações incompletas;
  • vários relatórios do mesmo estudo;
  • definições diferentes entre autores.

O objetivo não é eliminar completamente a necessidade de julgamento, mas criar uma estrutura que torne esse julgamento justificável e consistente.

Atenção

Definir os critérios previamente não elimina automaticamente vieses. O que o planejamento faz é reduzir oportunidades de decisões pós-hoc e tornar alterações e julgamentos mais transparentes.

Os critérios precisam ser igualmente rígidos em todas as revisões?

Não. A amplitude dos critérios depende do propósito da revisão.

Uma revisão destinada a avaliar uma pergunta muito específica pode precisar de critérios mais precisos. Uma revisão de escopo pode utilizar regras mais amplas para mapear diferentes tipos de evidência.

Visão metodológica

Mais restritivo não significa automaticamente mais científico. O rigor está na coerência entre pergunta, método e critérios, e não na quantidade de limitações impostas.

Critérios não são filtros da busca

Uma regra de elegibilidade pode ou não ser operacionalizada por um filtro de base.

Por exemplo, uma plataforma pode oferecer filtro de data. Mas isso não significa que o simples fato de existir um botão “últimos cinco anos” justifique metodologicamente essa restrição.

Da mesma forma, critérios como “dados da população adolescente disponíveis separadamente” provavelmente precisarão ser avaliados durante a leitura e não por um filtro automático.

Nem todo critério precisa aparecer na estratégia de busca

A estratégia de busca científica tenta localizar estudos potencialmente relevantes. Os critérios definem quais desses estudos poderão ser incluídos.

Se todos os critérios forem transformados em termos ou filtros de busca, a estratégia pode ficar restritiva demais e perder evidências relevantes.

Como definir critérios de inclusão e exclusão passo a passo?

Não existe uma lista universal de critérios aplicável a todo TCC. Uma forma mais segura é construir as regras progressivamente a partir da pergunta.

  1. Retome a pergunta de pesquisa.
  2. Confirme o objetivo da revisão.
  3. Considere o tipo de revisão.
  4. Identifique as dimensões relevantes da pergunta.
  5. Defina quais desenhos ou tipos de evidência são elegíveis.
  6. Avalie critérios complementares.
  7. Justifique cada restrição.
  8. Transforme conceitos vagos em regras operacionais.
  9. Teste os critérios antes da seleção definitiva.
  10. Registre as regras no protocolo ou planejamento.

Antes de começar

Evite iniciar pelos itens “período”, “idioma” e “texto completo”. Primeiro defina aquilo que a pergunta realmente exige. As restrições complementares devem ser avaliadas depois.

Etapa 1 — Retome a pergunta de pesquisa

Os critérios devem nascer daquilo que a revisão pretende responder.

Retomando nosso exemplo:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

Os primeiros elementos relevantes são:

  • adolescentes;
  • atividade física;
  • sintomas de ansiedade.

Perceba que a pergunta não menciona:

  • últimos cinco anos;
  • português e inglês;
  • acesso gratuito;
  • um país específico;
  • um tipo específico de publicação.

Esses elementos só devem ser acrescentados se houver justificativa.

Quanto mais vaga a pergunta, mais difíceis ficam os critérios

Compare:

Pergunta vaga: Qual é a relação entre exercício e saúde mental?

com:

Pergunta mais delimitada: Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

A segunda formulação fornece elementos muito mais úteis para construir regras de elegibilidade.

Etapa 2 — Confirme o objetivo da revisão

A pergunta e o objetivo precisam apontar para o mesmo problema.

Um objetivo hipotético para nosso exemplo poderia ser:

Analisar as evidências disponíveis sobre a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes.

Verbos utilizados no objetivo podem fornecer pistas sobre o tipo de evidência necessária:

  • avaliar;
  • comparar;
  • estimar;
  • identificar;
  • descrever;
  • mapear;
  • compreender;
  • analisar.

Um objetivo de “mapear” pode demandar amplitude diferente de um objetivo de “comparar efeitos”, por exemplo.

Etapa 3 — Considere o tipo de revisão

O tipo de revisão influencia o nível de especificidade e a amplitude das evidências elegíveis.

Por isso, antes de copiar critérios de outro trabalho, confirme se você está realizando:

Se ainda houver dúvida, consulte também o guia sobre a diferença entre os tipos de revisão.

O desenho da revisão orienta os critérios, mas não fornece uma lista pronta. Duas revisões sistemáticas sobre perguntas diferentes podem usar critérios completamente distintos.

Etapa 4 — Identifique as dimensões relevantes da pergunta

Depois de confirmar pergunta, objetivo e tipo de revisão, identifique quais dimensões precisam ser transformadas em regras.

Entre as mais comuns estão:

  • população;
  • intervenção ou exposição;
  • comparador;
  • desfecho ou conceito;
  • contexto.
Dimensão Exemplo Pergunta para definir o critério
População Adolescentes Quem precisa estar representado nos estudos?
Intervenção/exposição Atividade física O que será considerado atividade física?
Comparador Pode não ser necessário A pergunta exige grupo ou condição de comparação?
Desfecho/conceito Sintomas de ansiedade Como o fenômeno precisa ser avaliado?
Contexto Sem restrição específica no exemplo Existe ambiente, país, sistema ou situação indispensável?

PICO e PCC ajudam a definir os critérios?

Sim. Estruturas de formulação de perguntas podem ajudar a identificar dimensões que depois serão traduzidas em critérios.

PICO

PICO é frequentemente utilizado em perguntas que envolvem:

  • P — população;
  • I — intervenção;
  • C — comparador;
  • O — outcome ou desfecho.

Isso não significa que toda revisão precise possuir obrigatoriamente os quatro elementos.

PCC

PCC organiza:

  • P — população;
  • C — conceito;
  • C — contexto.

É particularmente útil em muitas revisões de escopo, nas quais a pergunta pode ser mais ampla.

Atenção

PICO e PCC são ferramentas para estruturar perguntas e critérios. Não são formulários universais que precisam ser preenchidos artificialmente em qualquer revisão.

Etapa 5 — Defina quais desenhos de estudo ou tipos de evidência são elegíveis

Depois de delimitar os conceitos centrais, avalie quais tipos de evidência são capazes de responder adequadamente à pergunta.

Dependendo do objetivo, podem ser relevantes:

  • ensaios clínicos randomizados;
  • estudos quase experimentais;
  • coortes;
  • estudos caso-controle;
  • estudos transversais;
  • pesquisas qualitativas;
  • métodos mistos;
  • outros desenhos ou fontes de evidência.

“Artigo científico” não é desenho de estudo

Essa distinção é importante.

“Artigo” descreve uma forma de publicação. Dentro de artigos científicos podem existir diversos desenhos metodológicos.

Se o desenho é relevante para responder à pergunta, não basta escrever:

Serão incluídos artigos científicos.

É necessário explicar quais desenhos ou tipos de evidência são compatíveis e por quê.

Não existe um desenho “melhor” independentemente da pergunta

O critério deve responder:

Quais desenhos ou fontes conseguem produzir a evidência necessária para o objetivo desta revisão?

Uma revisão que pretende compreender experiências pode precisar de estudos qualitativos. Uma revisão destinada a avaliar efeitos de intervenções pode priorizar outros desenhos. Uma revisão de escopo pode aceitar uma variedade maior de fontes.

No exemplo sobre atividade física e ansiedade em adolescentes, a decisão dependerá da forma como o objetivo foi especificado. Se a pergunta procura associação, determinados estudos observacionais podem ser particularmente relevantes; se pretende avaliar efeito de uma intervenção, os critérios podem ser diferentes.

Até aqui

Antes de pensar em período, idioma ou acesso ao texto, você já deve ter definido:

  • a pergunta;
  • o objetivo;
  • o tipo de revisão;
  • as dimensões centrais da elegibilidade;
  • os desenhos ou tipos de evidência compatíveis.

Essas decisões formam o núcleo dos critérios. As restrições complementares serão avaliadas na etapa seguinte.

Etapa 6 — Avalie os critérios complementares

Depois de definir os elementos centrais da elegibilidade, avalie se a revisão realmente precisa de restrições complementares relacionadas a:

  • período de publicação;
  • idioma;
  • localização geográfica;
  • contexto;
  • tipo ou status de publicação;
  • disponibilidade do texto completo;
  • outras características específicas.

Esses critérios não devem ser acrescentados automaticamente. Para cada um, pergunte:

Esta restrição é necessária para responder à pergunta ou aplicar adequadamente o método?

Período de publicação

Um recorte temporal pode ser justificável quando o fenômeno investigado depende de determinado período.

Isso pode acontecer, por exemplo, em pesquisas relacionadas a:

  • mudanças tecnológicas;
  • nova legislação;
  • alterações em classificações ou critérios diagnósticos;
  • implantação de políticas públicas;
  • eventos históricos específicos;
  • um intervalo explicitamente definido pelo objetivo.

O simples desejo de encontrar estudos “mais atuais” não transforma automaticamente os últimos cinco anos em um critério metodologicamente necessário.

Idioma

O idioma também pode ser delimitado, mas a restrição precisa ser transparente.

Quando ela decorre da capacidade linguística da equipe, isso representa principalmente uma limitação prática. Não significa que evidências publicadas em outros idiomas sejam cientificamente inferiores.

Contexto ou localização geográfica

Restringir país, região, ambiente clínico, escolar, comunitário ou outro contexto pode ser apropriado quando essa característica faz parte da pergunta.

Se o objetivo não exige determinada localização, uma restrição geográfica pode eliminar evidências relevantes sem necessidade.

Tipo e status de publicação

Também pode ser necessário decidir se serão considerados:

  • artigos publicados em periódicos;
  • teses e dissertações;
  • relatórios;
  • trabalhos de congresso;
  • preprints;
  • outras fontes de evidência.

A decisão depende do desenho da revisão e deve ser justificada. Lembre-se de que tipo de publicação e desenho do estudo são conceitos diferentes.

Acesso ao texto

A possibilidade de recuperar informações suficientes para avaliar um estudo é operacionalmente importante. Entretanto, acessibilidade não deve ser confundida com elegibilidade científica.

Um estudo não se torna metodologicamente inadequado apenas porque seu PDF não aparece gratuitamente no primeiro site consultado.

Visão metodológica

Primeiro defina quais evidências são adequadas à pergunta. Depois avalie as limitações práticas e os procedimentos necessários para localizar, recuperar e analisar essas evidências.

Etapa 7 — Justifique cada restrição

Depois de elaborar uma primeira versão dos critérios, faça uma auditoria simples: por que cada restrição existe?

Possível critério Pergunta de auditoria
Adolescentes A população decorre diretamente da pergunta?
Atividade física O conceito está suficientemente definido?
Sintomas de ansiedade Como o fenômeno será reconhecido nos estudos?
Últimos cinco anos Existe razão metodológica para excluir estudos anteriores?
Português e inglês A restrição é metodológica ou decorre dos recursos linguísticos disponíveis?
Texto gratuito Por que o modelo de acesso deveria determinar elegibilidade científica?

Justificativa metodológica e limitação prática não são a mesma coisa

Essa distinção melhora muito a transparência do TCC.

Compare:

Justificativa metodológica: o recorte temporal começa após uma mudança normativa que alterou a definição do fenômeno estudado.

com:

Limitação prática: a equipe possui capacidade de leitura apenas em determinados idiomas.

Ambas podem afetar o trabalho, mas não representam o mesmo tipo de decisão.

Boa prática

Durante o planejamento, organize três informações para cada restrição: critério → regra operacional → justificativa. Essa estrutura ajuda a identificar limites copiados por hábito ou difíceis de defender.

Mais restrições não significam mais rigor

Uma revisão com muitos critérios não é automaticamente melhor.

Adicionar período, idioma, localização, tipo de publicação e outras limitações sem necessidade pode produzir um conjunto artificialmente estreito de evidências.

Rigor significa coerência e transparência, e não quantidade de exclusões possíveis.

Etapa 8 — Transforme conceitos vagos em regras operacionais

Um critério pode parecer claro durante a escrita e se tornar ambíguo quando começa a ser aplicado aos estudos.

Por isso, expressões genéricas precisam ser convertidas em definições observáveis.

Formulação vaga Problema
Estudos recentes Não define período nem justificativa.
Estudos com adolescentes Pode não definir os limites etários ou como lidar com populações mistas.
Artigos relacionados à ansiedade Não explica como o conceito precisa aparecer ou ser avaliado.
Artigos científicos Não informa quais desenhos ou tipos de evidência são compatíveis.
Fontes confiáveis Não apresenta uma regra verificável de elegibilidade ou avaliação.

Faça o teste da ambiguidade

Para cada critério, imagine dois avaliadores lendo o mesmo estudo.

Pergunte:

Com base apenas nesta regra, eles teriam informações suficientes para chegar à mesma decisão na maioria dos casos?

Se a resposta for não, a regra provavelmente precisa de maior precisão.

Antecipe situações limítrofes previsíveis

Nem todas as situações podem ser previstas, mas algumas aparecem com frequência:

  • população com faixa etária mista;
  • intervenções multicomponentes;
  • desfecho secundário;
  • dados apresentados apenas para subgrupos;
  • informação incompleta no resumo;
  • múltiplos relatórios do mesmo estudo.

Quando uma dessas situações for provável, vale definir antecipadamente como será tratada.

Etapa 9 — Teste os critérios antes da seleção definitiva

Depois de redigir os critérios, faça um teste-piloto em uma pequena amostra de referências antes da seleção definitiva.

O objetivo não é escolher os estudos finais, mas verificar se as regras funcionam na prática.

O teste pode incluir exemplos:

  • claramente elegíveis;
  • claramente inelegíveis;
  • aparentemente limítrofes;
  • com informações incompletas.

Durante o teste, observe:

  • algum termo gera interpretações diferentes?
  • existem critérios impossíveis de verificar?
  • uma regra está excluindo evidências que deveriam pertencer ao escopo?
  • o conjunto ficou amplo demais?
  • há situações recorrentes não previstas?

Por que o teste-piloto é valioso?

Uma regra pode parecer precisa no protocolo e revelar ambiguidades quando aplicada a estudos reais. Testá-la antes da seleção definitiva permite corrigir problemas enquanto as decisões ainda não estão consolidadas.

Refinar não significa adaptar aos resultados desejados

O teste-piloto pode justificar esclarecimentos ou ajustes. Mas ele não deve ser utilizado para modificar os critérios até que permaneçam apenas estudos com resultados considerados interessantes.

O objetivo é melhorar a clareza da regra, não escolher antecipadamente a conclusão da revisão.

Etapa 10 — Registre os critérios no protocolo

Depois de definidos e testados, os critérios devem ser incorporados ao protocolo de revisão ou planejamento metodológico correspondente.

O registro pode incluir:

  • critérios de elegibilidade;
  • definições operacionais;
  • justificativas para restrições importantes;
  • regras para situações limítrofes previsíveis;
  • procedimentos para documentar alterações.

Isso cria uma referência metodológica para a etapa posterior de seleção.

E se os critérios precisarem mudar?

Mudanças podem ocorrer quando surgem problemas metodológicos genuínos. Nesse caso, devem ser justificadas e documentadas.

Uma alteração não deve ser feita silenciosamente nem apenas porque:

  • foram encontrados estudos demais;
  • foram encontrados estudos de menos;
  • os resultados não correspondem à expectativa;
  • determinado estudo interessante ficaria de fora.

Se uma mudança alterar a elegibilidade, decisões já tomadas podem precisar ser reavaliadas para que todos os estudos sejam julgados pelas mesmas regras.

Atenção

O protocolo registra aquilo que foi planejado. O trabalho final precisa relatar aquilo que realmente foi realizado. Quando existirem diferenças relevantes, elas devem ser explicadas de acordo com o método adotado.

Resumo: 10 passos para definir critérios de inclusão e exclusão

Etapa Decisão principal
1 Retomar a pergunta de pesquisa.
2 Confirmar o objetivo da revisão.
3 Considerar o tipo de revisão.
4 Identificar as dimensões relevantes da pergunta.
5 Definir desenhos ou tipos de evidência elegíveis.
6 Avaliar critérios complementares.
7 Justificar cada restrição.
8 Transformar conceitos vagos em regras operacionais.
9 Testar os critérios.
10 Registrar as regras no protocolo.

O infográfico abaixo resume esse processo e pode ser utilizado como referência rápida durante o planejamento.

Passo a passo para definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão científica
Dez etapas para definir critérios de inclusão e exclusão coerentes com a pergunta, o objetivo e o método da revisão.

Fluxo essencial

Pergunta → objetivo → tipo de revisão → dimensões da elegibilidade → desenhos de estudo → restrições complementares → justificativas → operacionalização → teste → protocolo.

Quais critérios de inclusão e exclusão podem ser utilizados?

Os critérios possíveis dependem da pergunta. Em vez de trabalhar com uma lista obrigatória, é mais útil pensar em dimensões de elegibilidade.

Dimensão Pergunta que ajuda a definir Exemplo
População Quem precisa estar representado? Adolescentes.
Intervenção/exposição Qual intervenção, comportamento ou exposição interessa? Atividade física.
Comparador A pergunta exige condição ou grupo de comparação? Depende do objetivo.
Desfecho/conceito Qual fenômeno precisa ser avaliado? Sintomas de ansiedade.
Contexto Existe ambiente ou situação indispensável? Escolar, clínico, comunitário ou sem restrição, conforme a pergunta.
Desenho Quais desenhos podem responder ao objetivo? Observacionais, experimentais, qualitativos ou outros, conforme o método.
Período Existe razão para limitar datas? Recorte associado a evento ou mudança relevante.
Idioma É necessária alguma restrição linguística? Idiomas previamente definidos e justificados.
Tipo/status de publicação Quais formas de evidência serão consideradas? Artigos, teses, relatórios ou outras fontes, conforme o desenho.
Outras condições A pergunta exige alguma característica adicional? Regras específicas justificadas pelo protocolo.

Não transforme a matriz em formulário obrigatório

Uma dimensão só precisa virar critério quando for relevante para a revisão. Deixar de impor uma restrição desnecessária também é uma decisão metodológica.

População

Defina quem precisa estar representado e, quando necessário, operacionalize características como:

  • idade;
  • condição clínica;
  • características demográficas;
  • grupo profissional;
  • outras condições relevantes.

Se estudos com populações mistas forem prováveis, estabeleça como serão tratados.

Intervenção ou exposição

Defina o que será reconhecido como a intervenção, comportamento, fator ou exposição de interesse.

Evite conceitos tão vagos que permitam incluir estudos muito diferentes sem justificativa ou tão estreitos que excluam variações legítimas do fenômeno.

Comparador

Nem toda pergunta exige comparador.

Quando ele for necessário, determine quais condições são compatíveis: ausência de intervenção, cuidado usual, outra intervenção, diferentes níveis de exposição ou outra referência pertinente.

Desfecho ou conceito

Defina o fenômeno que precisa estar representado e avalie se existem requisitos importantes quanto à forma de mensuração.

Essa decisão exige cuidado para não confundir o desfecho ter sido avaliado com os resultados estarem relatados exatamente da forma desejada para a síntese.

Contexto

Contexto pode envolver país, sistema de saúde, escola, comunidade, ambiente ocupacional ou outra situação relevante.

Use essa restrição apenas quando o contexto realmente fizer parte da pergunta ou for necessário para interpretar a evidência.

Desenho ou tipo de evidência

Defina quais desenhos são capazes de responder ao objetivo e justifique exclusões relevantes. Em revisões mais amplas, diferentes tipos de evidência podem ser necessários.

O esquema abaixo reúne visualmente as principais dimensões que podem orientar a construção dos critérios.

Principais tipos de critérios de inclusão e exclusão em uma revisão científica
Principais dimensões que podem orientar critérios de inclusão e exclusão: população, intervenção ou exposição, comparador, desfecho, contexto, desenho, período, idioma, publicação e outras condições justificadas.

Em resumo

Não existe uma quantidade ideal de critérios. O conjunto deve ser suficiente para delimitar as evidências necessárias à pergunta sem acrescentar restrições arbitrárias.

Posso usar os últimos cinco anos como critério de inclusão?

Sim, um período de publicação pode fazer parte dos critérios de inclusão e exclusão. Entretanto, “usar apenas estudos dos últimos cinco anos” não é uma regra metodológica universal para TCCs ou revisões da literatura.

O recorte temporal precisa estar relacionado ao objetivo, ao fenômeno estudado ou a outra justificativa defensável.

Quando um recorte temporal pode fazer sentido?

Existem situações em que delimitar o período é importante. Por exemplo:

  • uma tecnologia foi introduzida em determinado momento;
  • uma legislação alterou substancialmente o fenômeno investigado;
  • houve mudança relevante em uma classificação ou definição;
  • uma política pública começou a vigorar em determinada data;
  • a pergunta está relacionada a uma pandemia, crise ou evento histórico específico;
  • o próprio objetivo estabelece um intervalo de interesse.

Nesses casos, a data não é escolhida simplesmente para reduzir a quantidade de resultados. Ela possui relação com aquilo que a revisão pretende investigar.

Por que “estudos mais recentes” nem sempre é uma justificativa suficiente?

Atualidade e elegibilidade são conceitos diferentes.

Um estudo mais antigo pode continuar:

  • diretamente relacionado à pergunta;
  • metodologicamente relevante;
  • importante para compreender a evolução de determinado conceito;
  • fundamental para a literatura de uma área.

Da mesma forma, um estudo publicado recentemente não se torna adequado apenas por ser novo.

Erro comum

Considerar automaticamente “últimos cinco anos” um indicador de qualidade. Recência não substitui relevância, adequação metodológica nem compatibilidade com a pergunta.

Como justificar um período de publicação?

Em vez de escrever apenas:

Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos.

explique por que o início e o final do período são coerentes com o objeto investigado.

Uma justificativa pode estar relacionada, por exemplo, a uma mudança normativa ocorrida em determinada data. Nesse caso, o recorte decorre de uma característica do fenômeno, e não de uma fórmula acadêmica.

E se a faculdade ou o orientador exigir determinado período?

Nesse caso, a exigência deve ser respeitada, mas é útil distinguir:

  • decisão metodológica: restrição decorrente da pergunta, do objetivo ou do método;
  • exigência acadêmica ou institucional: regra estabelecida pelo curso, instituição ou orientação recebida.

As duas podem determinar o desenho final do TCC, mas não precisam ser apresentadas como se fossem a mesma coisa.

Visão metodológica

O melhor recorte temporal não é necessariamente o mais curto. É aquele que pode ser defendido em relação ao fenômeno, ao objetivo e ao método da revisão.

Data da busca e período de elegibilidade são coisas diferentes

Também é importante não confundir:

  • data em que a busca foi executada;
  • intervalo de publicação definido para elegibilidade.

Uma revisão pode, por exemplo, executar a busca em setembro e considerar publicações de um período muito maior.

Registrar quando a busca foi realizada faz parte da documentação da pesquisa, independentemente da existência de um recorte temporal.

O filtro de data da base substitui o critério?

Não.

Ferramentas de data disponíveis no Google Acadêmico, na SciELO ou em outras plataformas podem ajudar a executar uma decisão metodológica previamente estabelecida.

O filtro técnico não explica por que aquela data foi escolhida.

Antes de limitar por data, pergunte

  • O que aconteceu no início desse período?
  • Estudos anteriores deixaram de ser pertinentes? Por quê?
  • A restrição decorre da pergunta ou apenas reduz resultados?
  • Posso justificar essa escolha na metodologia?

Idioma pode ser critério de inclusão ou exclusão?

Sim. O idioma pode ser utilizado como critério, desde que a decisão seja explicitada e adequadamente contextualizada.

Não existe, porém, uma regra segundo a qual todo TCC precise aceitar apenas estudos em português e inglês.

Quando o idioma pode estar relacionado à própria pergunta?

Em alguns temas, idioma, cultura ou localização podem fazer parte do fenômeno investigado. Nesses casos, a restrição linguística pode possuir relação direta com o objetivo.

Em outras revisões, a limitação ocorre porque os pesquisadores conseguem avaliar adequadamente apenas determinados idiomas.

Essa segunda situação é comum, mas deve ser entendida principalmente como limitação operacional.

Restringir idioma pode afetar a cobertura da revisão

Se estudos potencialmente relevantes existirem em idiomas excluídos, a restrição pode reduzir o universo de evidências avaliadas.

Isso não significa que toda revisão precise traduzir publicações em qualquer idioma. Significa apenas que a limitação deve ser apresentada com transparência, sem sugerir que os idiomas selecionados sejam cientificamente superiores.

Como escrever esse critério?

Evite simplesmente reproduzir:

Foram incluídos artigos em português e inglês.

sem explicar a decisão.

Quando a restrição decorrer dos recursos linguísticos disponíveis, isso pode ser informado na metodologia ou nas limitações do trabalho, conforme a estrutura adotada.

Atenção

Ferramentas de tradução podem ajudar na compreensão inicial, mas não garantem, por si só, interpretação adequada de terminologia técnica, instrumentos, conceitos ou nuances metodológicas.

Antes de excluir por idioma

Dependendo do método e dos recursos disponíveis, pode ser útil verificar se:

  • há resumo em idioma compreensível;
  • existe versão legítima em outro idioma;
  • há tradução institucional ou outra forma confiável de avaliação;
  • o estudo possui relevância suficiente para justificar tentativa adicional de análise.

O procedimento precisa ser proporcional às exigências da revisão e aos recursos do projeto.

Texto completo disponível ou acesso gratuito pode ser critério de inclusão?

Essa é uma das questões que mais geram confusão em trabalhos acadêmicos.

A distinção central é:

Elegibilidade científica não é a mesma coisa que facilidade de acesso.

Um estudo pode atender à população, ao fenômeno, ao desenho e aos demais critérios metodológicos mesmo que o PDF não esteja gratuitamente disponível na página em que foi encontrado.

Situação O que representa
Estudo incompatível com a população Questão de elegibilidade.
Desenho incompatível com o protocolo Questão de elegibilidade.
PDF não disponível gratuitamente Questão de acesso.
Texto completo não recuperado após tentativas adequadas Problema de recuperação que precisa ser documentado e tratado conforme o método.

Erro comum

“Gratuito” não significa “elegível”. O modelo de acesso de uma publicação não determina automaticamente sua compatibilidade com a pergunta de pesquisa.

Por que “somente artigos gratuitos” pode ser problemático?

Imagine dois estudos igualmente relevantes para a pergunta:

  • o primeiro possui PDF aberto no site da revista;
  • o segundo pode ser acessado por assinatura institucional ou outra via legítima.

Excluir o segundo apenas porque ele não apareceu gratuitamente na primeira tentativa faria a seleção depender do modelo de acesso, e não das características científicas da evidência.

Onde procurar o texto completo?

Antes de considerar um documento irrecuperável, podem existir diferentes caminhos legítimos, dependendo do estudo:

  • Portal CAPES e assinaturas institucionais;
  • SciELO;
  • biblioteca da instituição;
  • repositórios institucionais;
  • versões legítimas depositadas pelos autores ou instituições;
  • outros serviços acadêmicos autorizados.

Os guias sobre como encontrar artigos científicos e como escolher fontes confiáveis para o TCC ajudam a aprofundar essa etapa.

“Texto completo disponível” e “texto completo gratuito” não são a mesma coisa

O texto completo pode ser necessário para:

  • confirmar definitivamente a elegibilidade;
  • verificar detalhes metodológicos;
  • extrair dados;
  • avaliar características não descritas no resumo.

Mas o documento pode estar disponível por diferentes vias legítimas, inclusive acesso institucional.

O resumo é suficiente para decidir tudo?

Nem sempre.

Durante a triagem inicial, título e resumo podem permitir diversas decisões. Porém, informações necessárias para confirmar a elegibilidade frequentemente aparecem apenas no texto completo.

Por isso, ausência de informação no resumo não deve ser tratada automaticamente como prova de inelegibilidade.

E se o texto completo realmente não puder ser recuperado?

O procedimento depende do método utilizado, mas pode envolver:

  • registrar as tentativas de recuperação;
  • procurar outros relatórios relacionados ao mesmo estudo;
  • consultar repositórios ou fontes institucionais;
  • considerar contato com autores quando apropriado e viável;
  • documentar a impossibilidade de obtenção quando ela permanecer.

Um estudo pode possuir mais de um relatório

Outro cuidado importante é não confundir estudo com artigo.

Uma mesma pesquisa pode gerar:

  • artigo principal;
  • publicação de resultados secundários;
  • relatório;
  • protocolo;
  • outros documentos relacionados.

Assim, a ausência de um relatório específico nem sempre significa ausência completa de informações sobre o estudo.

E em um TCC com recursos limitados?

Limitações de tempo, acesso institucional e recursos são reais e podem precisar ser reconhecidas.

O importante é não transformar automaticamente uma limitação operacional em afirmação metodológica de que somente evidências gratuitas possuem qualidade ou elegibilidade.

Regra prática

Primeiro pergunte: “Este estudo atende aos critérios científicos da revisão?” Depois: “Consigo recuperar informações suficientes para avaliá-lo e utilizá-lo adequadamente?” São perguntas relacionadas, mas diferentes.

O desfecho pode ser usado como critério de elegibilidade?

Sim. O desfecho ou conceito de interesse pode fazer parte dos critérios quando sua avaliação é necessária para responder à pergunta.

No exemplo utilizado neste guia:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

faz sentido que os estudos precisem avaliar ansiedade de maneira compatível com o objetivo da revisão.

Entretanto, é necessário distinguir diferentes situações.

O estudo avaliou o desfecho?

Essa pode ser uma condição legítima de elegibilidade quando o desfecho faz parte da pergunta.

O estudo relatou todos os dados que eu gostaria de utilizar?

Essa é outra questão.

Um estudo pode ter avaliado determinado desfecho e, ainda assim, o relatório disponível:

  • não apresentar todas as estatísticas desejadas;
  • apresentar resultados em formato diferente;
  • tratar o desfecho como secundário;
  • não disponibilizar dados suficientes para determinada análise.

Essas situações não devem ser confundidas automaticamente com ausência do desfecho.

Atenção metodológica

Quando o desfecho é relevante para a pergunta, pode ser adequado exigir que ele tenha sido avaliado. Porém, excluir estudos simplesmente porque os resultados utilizáveis não foram relatados da maneira esperada exige cautela e precisa ser compatível com o método da revisão.

O desfecho precisa ser o resultado principal do estudo?

Não necessariamente.

Se um estudo avaliou adequadamente o fenômeno de interesse como desfecho secundário, ele pode continuar sendo relevante, dependendo do protocolo.

Exigir que determinado resultado seja sempre o desfecho primário pode criar uma restrição desnecessária se essa condição não decorrer da pergunta.

Posso exigir um instrumento específico?

Em alguns projetos, a forma de mensuração pode ser metodologicamente importante.

Por exemplo, a revisão pode exigir instrumentos validados ou determinado tipo de avaliação quando isso for necessário para tornar os estudos comparáveis ou responder ao objetivo.

Mas exigir uma única escala por conveniência pode excluir evidências pertinentes.

Antes de transformar um instrumento em critério, pergunte:

  • essa restrição é necessária para responder à pergunta?
  • existem instrumentos diferentes que medem adequadamente o mesmo fenômeno?
  • a exigência melhora a coerência ou apenas reduz resultados?

Em resumo

O desfecho pode integrar os critérios de elegibilidade quando estiver relacionado à pergunta, mas é preciso distinguir mensuração do desfecho, importância do desfecho dentro do estudo e disponibilidade dos resultados no formato desejado.

Como escrever critérios de inclusão e exclusão no TCC?

Depois de decidir quais evidências são elegíveis, é necessário transformar essas decisões em uma redação clara para a metodologia do TCC.

O objetivo não é utilizar uma linguagem complicada. O importante é que o leitor consiga compreender quais regras foram adotadas, por que determinadas restrições existem e como elas serão aplicadas.

Evite critérios genéricos

Uma formulação como esta é frequente:

Foram incluídos artigos recentes, disponíveis na íntegra, em português e inglês, relacionados ao tema e provenientes de fontes confiáveis.

Apesar de parecer acadêmica, ela deixa várias dúvidas:

  • o que significa “recente”?
  • por que existe uma restrição temporal?
  • por que apenas esses idiomas?
  • “disponível na íntegra” significa gratuito?
  • o que caracteriza “relacionado ao tema”?
  • como será determinada uma “fonte confiável”?
  • qual população será aceita?
  • quais desenhos de estudo são compatíveis?

A confiabilidade das fontes é importante, mas deve ser avaliada por critérios adequados. O guia sobre como escolher fontes confiáveis para o TCC aprofunda essa questão.

Prefira regras verificáveis

Uma redação melhor apresenta características que possam ser verificadas durante a seleção.

Exemplo hipotético:

Serão considerados elegíveis estudos que investiguem adolescentes dentro da faixa etária previamente definida, avaliem atividade física e sintomas de ansiedade de maneira compatível com a pergunta da revisão e utilizem desenhos de estudo considerados adequados ao objetivo estabelecido. Estudos com populações etárias mistas poderão ser incluídos quando os dados referentes aos adolescentes puderem ser identificados separadamente.

A formulação exata dependerá do protocolo. O exemplo demonstra apenas como transformar conceitos em regras operacionais.

Não copie o exemplo literalmente

Os critérios precisam refletir sua própria pergunta, seu objetivo e o tipo de revisão realizado. Um exemplo metodológico serve para demonstrar a estrutura de raciocínio, não para fornecer uma lista universal.

Posso apresentar os critérios em texto ou tabela?

Sim. A forma depende das normas do curso, da instituição e da complexidade da revisão.

Quando existem vários critérios, uma tabela pode facilitar a leitura. Uma estrutura útil é:

Dimensão Critério de inclusão Regra de exclusão ou situação especial Justificativa
População [Definir] [Definir] [Justificar]
Intervenção/exposição [Definir] [Definir quando necessário] [Justificar]
Desfecho/conceito [Definir] [Definir quando necessário] [Justificar]
Desenho [Definir] [Definir] [Justificar]
Período [Se aplicável] [Se aplicável] [Justificar o recorte]
Idioma [Se aplicável] [Se aplicável] [Explicar a restrição]

A coluna de justificativa é especialmente útil durante o planejamento, mesmo que a tabela final apresentada no TCC utilize outro formato.

Exemplo completo de critérios de inclusão e exclusão

Vamos aplicar o raciocínio à pergunta utilizada ao longo deste guia:

Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?

Imagine, apenas para fins didáticos, que o objetivo seja:

Analisar as evidências disponíveis sobre a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes.

Antes de redigir os critérios, o pesquisador precisaria especificar o tipo de revisão e as definições adotadas no protocolo.

1. População

A população central é composta por adolescentes.

Entretanto, “adolescente” precisa ser operacionalizado. O protocolo deve definir a faixa etária ou outra referência utilizada e explicar como estudos com populações mistas serão tratados.

Uma regra possível seria:

Estudos com populações etárias mistas serão considerados elegíveis quando os dados referentes aos adolescentes puderem ser identificados separadamente, conforme os limites etários definidos no protocolo.

2. Exposição ou fenômeno

A revisão precisa definir o que será considerado atividade física.

Dependendo da pergunta, podem ser relevantes:

  • atividade física habitual;
  • exercício estruturado;
  • atividade física no lazer;
  • atividade física escolar;
  • outras formas compatíveis com a definição adotada.

Se o protocolo pretende estudar apenas uma dessas modalidades, isso precisa aparecer na elegibilidade.

3. Desfecho

Os estudos precisam avaliar sintomas de ansiedade de maneira compatível com a pergunta.

O protocolo pode especificar:

  • quais conceitos serão aceitos;
  • se serão necessários instrumentos validados;
  • como diferentes medidas serão tratadas;
  • se o desfecho pode ser primário ou secundário.

4. Desenho do estudo

Os desenhos elegíveis dependerão da finalidade da revisão.

Se o objetivo for investigar associação, estudos observacionais podem fornecer evidências importantes. Se a pergunta for reformulada para avaliar efeito de uma intervenção, a decisão metodológica poderá ser diferente.

5. Contexto

Se não houver razão para restringir escola, comunidade, clínica, país ou região, o protocolo não precisa inventar uma limitação contextual.

Não estabelecer uma restrição desnecessária também é uma decisão metodológica.

6. Período, idioma e publicação

Essas dimensões seriam acrescentadas apenas quando justificadas pelo desenho do projeto ou por limitações que precisem ser explicitadas.

Não há motivo para presumir automaticamente:

  • últimos cinco anos;
  • português e inglês;
  • somente artigos gratuitos;
  • somente artigos encontrados em uma única plataforma.

Exemplo de matriz preenchida

Dimensão Possível inclusão Possível exclusão/regra especial Racional
População Adolescentes conforme definição etária adotada. Populações mistas sem possibilidade de identificar separadamente os dados da faixa etária de interesse. A pergunta é específica para adolescentes.
Atividade física Estudos que avaliem atividade física conforme definição estabelecida no protocolo. Exposições incompatíveis com o conceito definido. Atividade física é o fenômeno central da pergunta.
Ansiedade Estudos que avaliem sintomas de ansiedade de maneira compatível com a definição adotada. Estudos que não avaliem o fenômeno de interesse. Ansiedade constitui o desfecho ou conceito investigado.
Desenho Desenhos capazes de fornecer evidências compatíveis com o objetivo. Desenhos incompatíveis com a pergunta ou finalidade da revisão. Evitar evidências incapazes de responder ao objetivo.
Contexto Sem restrição, caso o objetivo não exija contexto específico. Não aplicável. Evitar restrição geográfica ou contextual arbitrária.
Período Sem recorte automático; definir apenas se houver justificativa. Conforme eventual recorte estabelecido. Evitar excluir evidências por uma janela temporal arbitrária.
Idioma Idiomas definidos de acordo com o protocolo e os recursos disponíveis. Conforme limitação explicitada. Tornar a limitação linguística transparente.
Publicação/acesso Fontes compatíveis com o tipo de revisão. Conforme decisões justificadas sobre tipos de publicação. Separar elegibilidade científica de simples gratuidade do PDF.

O que torna este exemplo metodologicamente mais forte?

Ele começa pela pergunta e explica a função de cada decisão. Não acrescenta automaticamente “cinco anos”, “dois idiomas”, “gratuito” ou “apenas artigos” para fazer a metodologia parecer mais rigorosa.

Como esse exemplo poderia aparecer em texto?

Uma redação hipotética poderia seguir esta lógica:

Foram considerados elegíveis estudos que investigassem adolescentes conforme a definição etária estabelecida no protocolo e avaliassem a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade de forma compatível com o objetivo da revisão. Foram aceitos os desenhos previamente definidos como capazes de responder à pergunta. Nos estudos com populações etárias mistas, a inclusão dependeu da possibilidade de identificar separadamente os dados referentes aos adolescentes. Restrições adicionais de período, idioma, contexto ou tipo de publicação foram aplicadas apenas quando previamente definidas e justificadas no protocolo.

O texto final de um trabalho real deve ser adaptado às decisões efetivamente tomadas.

Um exemplo de critérios fracos

Compare com:

Foram incluídos artigos dos últimos cinco anos, em português e inglês, gratuitos e relacionados ao tema. Foram excluídos artigos que não atendessem aos critérios de inclusão.

Essa formulação apresenta vários problemas:

  • não define adequadamente a população;
  • não operacionaliza atividade física;
  • não define ansiedade;
  • não informa desenhos elegíveis;
  • não justifica o período;
  • não explica a restrição linguística;
  • confunde gratuidade com elegibilidade;
  • utiliza “relacionados ao tema”, uma expressão subjetiva;
  • a exclusão apenas repete, de maneira inversa, a inclusão.

Erro comum

Escrever apenas “foram excluídos estudos que não atenderam aos critérios de inclusão” pode ser logicamente verdadeiro, mas oferece pouca informação sobre situações especiais ou decisões de elegibilidade que merecem ser explicitadas.

Teste final da matriz

Antes de considerar os critérios prontos, pergunte:

  1. Cada regra está ligada à pergunta ou ao método?
  2. Os conceitos importantes possuem definição operacional?
  3. As restrições complementares estão justificadas?
  4. Casos previsivelmente ambíguos possuem regra?
  5. Os critérios poderiam ser aplicados de maneira consistente?
  6. Outra pessoa entenderia por que um estudo entra ou sai?

Como lidar com estudos que atendem apenas parte dos critérios?

Casos limítrofes são estudos para os quais a decisão de elegibilidade não é imediatamente óbvia.

Eles não representam necessariamente um problema no método. O importante é possuir regras consistentes para resolvê-los.

Populações mistas

Um estudo pode incluir adolescentes e adultos.

Em vez de excluí-lo automaticamente, o protocolo pode estabelecer:

Estudos com populações mistas serão elegíveis quando os dados da população de interesse puderem ser identificados separadamente.

A regra exata depende da pergunta e do tipo de análise pretendida.

Faixas etárias parcialmente compatíveis

Alguns autores utilizam intervalos de idade diferentes daqueles adotados na revisão.

Por isso, uma regra baseada apenas no rótulo “adolescente” pode ser insuficiente. Definir previamente os limites e o tratamento de intervalos sobrepostos reduz decisões arbitrárias.

Estudos com vários desfechos

Um estudo pode avaliar ansiedade junto com depressão, estresse, qualidade de vida ou outros desfechos.

Se os dados relevantes para a pergunta puderem ser identificados adequadamente, a presença de outros desfechos não precisa tornar o estudo inelegível.

Intervenções ou exposições combinadas

Um programa pode combinar atividade física, educação em saúde e outras intervenções.

Nesse caso, o protocolo precisa considerar se:

  • a atividade física precisa ser isolada;
  • intervenções multicomponentes serão aceitas;
  • é possível identificar o efeito ou a informação relevante;
  • a combinação continua compatível com o objetivo.

Dados de subgrupos

Um estudo maior pode conter um subgrupo que atende à pergunta.

A decisão deve considerar se os dados desse subgrupo estão disponíveis de maneira suficiente e se a análise é compatível com o protocolo.

Informação insuficiente no título ou resumo

Durante a triagem inicial, alguns registros não fornecem dados suficientes para uma decisão definitiva.

Nesses casos, ausência de informação não deve ser automaticamente interpretada como ausência do critério.

Quando necessário, o registro pode avançar para uma avaliação mais detalhada.

Múltiplos relatórios do mesmo estudo

Uma única pesquisa pode gerar diferentes publicações.

Por isso, a unidade de interesse metodológico pode ser o estudo, enquanto os artigos, resumos, protocolos e relatórios são documentos associados a ele.

Essa distinção ajuda a evitar:

  • contagem duplicada;
  • tratamento de publicações relacionadas como estudos independentes;
  • perda de informações complementares disponíveis em outro relatório.

Tabela de decisões para casos limítrofes

Situação Pergunta para orientar a decisão
População mista Os dados da população de interesse podem ser identificados separadamente?
Faixa etária parcialmente compatível A regra operacional do protocolo contempla essa sobreposição?
Vários desfechos O desfecho relevante foi avaliado de maneira utilizável para a pergunta?
Intervenção combinada A intervenção ou exposição de interesse pode ser avaliada conforme o objetivo?
Subgrupo elegível Os dados do subgrupo são identificáveis e metodologicamente adequados?
Informação ausente no resumo É necessário consultar o texto completo antes de decidir?
Múltiplos relatórios Os documentos pertencem ao mesmo estudo?

Boa prática

Registre decisões difíceis e as regras utilizadas para resolvê-las. Quando casos semelhantes aparecerem novamente, aplique a mesma lógica sempre que metodologicamente apropriado.

Os critérios de inclusão e exclusão podem mudar durante a revisão?

Sim. Um teste-piloto ou a execução da revisão pode revelar situações que não foram previstas adequadamente.

O problema não é toda e qualquer mudança. O problema é alterar os critérios de maneira oportunista, silenciosa ou orientada pelos resultados encontrados.

Quando uma alteração pode ser justificável?

Por exemplo, quando:

  • uma definição inicialmente utilizada se mostra ambígua;
  • surge uma situação recorrente não prevista;
  • o teste-piloto revela que dois avaliadores interpretam a regra de formas diferentes;
  • uma característica necessária à elegibilidade precisa ser operacionalizada com maior precisão;
  • o protocolo contém uma inconsistência que precisa ser corrigida.

Quando a alteração é problemática?

É metodologicamente preocupante mudar os critérios apenas porque:

  • o pesquisador deseja chegar a determinado número de artigos;
  • foram encontrados “artigos demais”;
  • um estudo considerado interessante seria excluído;
  • determinados resultados contradizem uma expectativa;
  • uma nova regra permitiria selecionar evidências com resultados mais favoráveis.

Atenção

Os critérios não devem ser ajustados para fabricar um conjunto de estudos que produza a conclusão esperada.

O momento da alteração importa

Uma ambiguidade identificada durante o teste-piloto é diferente de uma regra modificada depois que o pesquisador já conhece grande parte dos resultados.

Quanto mais avançada estiver a revisão, maior a necessidade de explicar cuidadosamente:

  • por que a alteração foi necessária;
  • quando ela ocorreu;
  • qual foi seu possível impacto;
  • se estudos avaliados anteriormente precisaram ser reconsiderados.

Como documentar uma mudança?

Um registro simples pode incluir:

Item O que registrar
Regra original Como o critério estava definido.
Nova regra Como passou a ser aplicado.
Momento Em qual etapa ocorreu a mudança.
Justificativa Qual problema metodológico motivou a alteração.
Reavaliação Se estudos anteriormente avaliados precisaram ser revistos.
Impacto Consequências relevantes da mudança.

Não apague o histórico do protocolo

Quando o método utilizado exigir documentação das alterações, a versão final não deve simplesmente substituir silenciosamente a regra original como se ela nunca tivesse existido.

O protocolo representa o planejamento. O relatório final precisa deixar claro o que foi efetivamente realizado e explicar alterações relevantes.

Mudar um critério significa que o protocolo estava errado?

Não necessariamente.

O planejamento é realizado antes de todas as situações concretas serem conhecidas. Alguns ajustes podem representar aperfeiçoamento legítimo.

A qualidade metodológica depende menos da ideia de que “nada jamais pode mudar” e mais da capacidade de justificar, documentar e aplicar consistentemente as mudanças necessárias.

Alterar critérios e refinar a estratégia de busca são a mesma coisa?

Não.

A estratégia de busca pode precisar de ajustes em termos, descritores, sintaxe ou adaptação entre bases sem que os critérios de elegibilidade sejam modificados.

Da mesma forma, uma mudança em uma regra de elegibilidade não significa necessariamente que toda a estratégia de busca precise ser reconstruída.

E se o orientador pedir uma alteração?

Em um TCC, ajustes solicitados durante a orientação fazem parte do processo acadêmico.

Quando a alteração modifica uma decisão metodológica importante, o ideal é:

  1. compreender a razão da mudança;
  2. atualizar a regra de maneira clara;
  3. verificar seu efeito sobre decisões já tomadas;
  4. documentar a versão efetivamente utilizada no trabalho.

Em resumo

Critérios podem ser refinados quando existe uma razão metodológica legítima. O que deve ser evitado é modificá-los para selecionar resultados convenientes ou atingir uma quantidade previamente desejada de estudos.

Os critérios de inclusão e exclusão mudam conforme o tipo de revisão?

Sim. Os critérios dependem do objetivo, da pergunta e do tipo de revisão realizado.

Isso não significa que exista uma lista fixa de critérios para cada método. A principal diferença está na amplitude, especificidade e variedade das evidências que podem ser consideradas.

Tipo de revisão Tendência metodológica Cuidado principal
Revisão sistemática Critérios geralmente mais explícitos, operacionais e previamente definidos. Não alterar regras com base nos resultados encontrados.
Revisão de escopo Pode aceitar amplitude maior de conceitos, contextos e tipos de evidência. Amplitude não significa ausência de critérios.
Revisão integrativa Pode reunir diferentes desenhos de estudo, conforme a pergunta. Explicar claramente quais evidências serão aceitas e por quê.
Revisão narrativa O nível de formalização pode variar conforme o projeto. Não impor artificialmente procedimentos de revisão sistemática.
Revisão bibliográfica em TCC A estrutura depende do desenho metodológico adotado. “Revisão bibliográfica” é um termo amplo e não define, sozinho, todos os procedimentos.

Importante

O simples fato de um trabalho possuir critérios de inclusão e exclusão não transforma a revisão em sistemática. O tipo de revisão depende do conjunto de métodos utilizados, e não da presença isolada de uma etapa.

Revisão sistemática

Em uma revisão sistemática, os critérios ocupam papel central no planejamento.

Dependendo da pergunta, podem ser definidos elementos relacionados a:

  • participantes ou população;
  • intervenções ou exposições;
  • comparadores;
  • desfechos;
  • desenhos de estudo;
  • contextos;
  • outras características relevantes.

As regras devem ser suficientemente claras para orientar a seleção de maneira consistente.

Revisão de escopo

Uma revisão de escopo costuma trabalhar com perguntas mais amplas e pode mapear diferentes tipos de evidência.

A estrutura PCC — população, conceito e contexto — pode ajudar em muitos projetos, mas não deve ser tratada como formulário obrigatório.

Critérios mais amplos continuam precisando de definições claras.

Revisão integrativa

Uma revisão integrativa pode reunir estudos com diferentes desenhos, desde que isso seja coerente com o objetivo.

Nesse caso, os critérios precisam explicar:

  • quais tipos de evidência podem ser incluídos;
  • como eles se relacionam à pergunta;
  • quais restrições foram estabelecidas;
  • como a diversidade metodológica será tratada.

Revisão narrativa

Em uma revisão narrativa, o nível de formalização dos critérios pode variar.

Isso não impede a existência de planejamento prévio, mas também não significa que toda revisão narrativa precise reproduzir o mesmo nível de protocolo e seleção de uma revisão sistemática.

Revisão bibliográfica no TCC

O termo revisão bibliográfica pode abranger diferentes formas de levantamento e análise da literatura.

Por isso, antes de definir critérios, é importante saber qual método está sendo efetivamente adotado.

Se ainda houver dúvida, consulte a diferença entre os tipos de revisão.

Regra metodológica

Critérios mais amplos ou mais restritos não definem, sozinhos, a qualidade da revisão. O que importa é a coerência entre pergunta, finalidade, método e elegibilidade.

Critérios de inclusão e filtros da base são a mesma coisa?

Não.

Critérios de elegibilidade são decisões metodológicas. Filtros são recursos técnicos oferecidos por bases, portais e plataformas para restringir resultados.

Critério de elegibilidade Filtro da base
Define quais evidências podem participar da revisão. Limita tecnicamente os resultados exibidos.
Precisa ser justificado metodologicamente. Depende dos recursos disponíveis em cada plataforma.
É definido no planejamento. É utilizado durante a execução da busca.
Pode exigir leitura do resumo ou texto completo. Normalmente trabalha com metadados indexados pela plataforma.

Um filtro pode operacionalizar um critério

Se a revisão possui um recorte temporal previamente justificado, o filtro de data de uma base pode ajudar a executar essa decisão.

Mas o filtro não cria a justificativa metodológica.

O mesmo cuidado vale para recursos de:

  • idioma;
  • tipo de documento;
  • período;
  • faixa etária;
  • outras categorias disponíveis nas plataformas.

Os filtros variam entre plataformas

Os recursos disponíveis na SciELO, no Google Acadêmico, no Portal CAPES e em bases específicas não são idênticos.

Por isso, critérios metodológicos não devem ser construídos apenas em função dos botões encontrados em uma plataforma.

Nem todo critério pode ser filtrado automaticamente

Considere a regra:

Incluir estudos com populações mistas apenas quando os dados referentes aos adolescentes puderem ser identificados separadamente.

Esse critério dificilmente será resolvido com um filtro automático.

Provavelmente será necessário examinar o resumo ou o texto completo.

Em uma frase

O critério diz o que é elegível. O filtro é apenas uma ferramenta que, em alguns casos, ajuda a localizar ou restringir registros.

Critérios de inclusão e estratégia de busca são a mesma coisa?

Também não.

A estratégia de busca científica organiza como os estudos potencialmente relevantes serão localizados.

Os critérios definem quais dessas evidências poderão participar da revisão.

A relação pode ser resumida assim:

Busca → encontra candidatos.
Critérios → definem quem é elegível.

A busca pode recuperar estudos que depois serão excluídos

Isso é esperado.

Uma estratégia de busca não precisa excluir previamente todo registro incompatível com os critérios.

Em muitos casos, tentar eliminar todas as possibilidades ainda na busca tornaria a estratégia específica demais e aumentaria o risco de perder estudos relevantes.

Critério não é necessariamente palavra-chave

Se uma revisão possui como critério uma faixa etária específica, isso não significa que todos os termos de idade precisem obrigatoriamente aparecer na expressão de busca.

A decisão depende de:

  • como o tema é indexado;
  • da plataforma utilizada;
  • do equilíbrio entre sensibilidade e especificidade;
  • da estrutura da pergunta;
  • do desenho da revisão.

Para construir a busca, consulte também:

A estratégia pode ser refinada sem alterar os critérios

Ao testar uma busca, o pesquisador pode descobrir:

  • novos sinônimos;
  • descritores mais adequados;
  • diferenças de sintaxe entre plataformas;
  • necessidade de ajustar combinações booleanas.

Esses refinamentos podem melhorar a recuperação dos estudos sem mudar aquilo que a revisão considera elegível.

Distinção essencial

Descritores e operadores ajudam a encontrar. Critérios ajudam a decidir. Misturar as duas funções pode produzir buscas excessivamente restritivas ou regras metodológicas mal formuladas.

Qual é a diferença entre critérios de inclusão e seleção dos estudos?

Essa distinção é fundamental para compreender a sequência metodológica da revisão.

Critérios de inclusão e exclusão são as regras.

Seleção dos estudos é o processo de aplicar essas regras aos registros recuperados pela busca.

Critérios Seleção
São definidos previamente. Acontece depois que os registros são recuperados.
Estabelecem as condições de elegibilidade. Verifica quais estudos atendem às condições.
Fazem parte do protocolo ou planejamento. Faz parte da execução da revisão.
Devem ser claros e operacionais. Deve aplicar as regras consistentemente.

Primeiro defina as regras; depois aplique

A lógica é:

Critérios → busca → seleção.

Na prática, planejamento e busca podem exigir refinamentos, mas a seleção definitiva não deve começar com critérios improvisados a cada novo artigo encontrado.

A seleção pode ocorrer em etapas

Em revisões estruturadas, é comum que a elegibilidade seja avaliada progressivamente por:

  • título;
  • resumo;
  • texto completo.

Nem todas as informações necessárias aparecem na primeira etapa.

Por isso, quando um resumo não fornece informação suficiente para excluir um registro com segurança, pode ser necessário avançar para avaliação mais detalhada.

Ausência de informação não significa automaticamente inelegibilidade

Se o resumo não informa a faixa etária, por exemplo, isso não significa necessariamente que o estudo tenha população incompatível.

Uma decisão definitiva pode depender do texto completo.

Critério de exclusão e motivo de exclusão não são a mesma coisa

Considere este critério:

Estudos com populações mistas serão excluídos quando os dados da faixa etária de interesse não puderem ser identificados separadamente.

Durante a seleção, um estudo específico pode receber como motivo de exclusão:

Dados de adolescentes não apresentados separadamente.

O primeiro é uma regra planejada. O segundo documenta como ela foi aplicada a uma evidência concreta.

O número final de estudos não deve controlar os critérios

Se poucos estudos forem incluídos, não conclua automaticamente que os critérios são restritivos demais.

Antes, avalie:

  • a pergunta está excessivamente específica?
  • a busca bibliográfica foi suficientemente abrangente?
  • sinônimos e descritores adequados foram utilizados?
  • foram consultadas fontes apropriadas?
  • há critérios sem justificativa?
  • o campo possui realmente pouca evidência?

Da mesma forma, encontrar muitos estudos não é razão suficiente para criar novas exclusões apenas para facilitar o trabalho.

Nesse caso, verifique:

  • a pergunta está ampla demais?
  • a estratégia recupera muitos registros irrelevantes?
  • os conceitos precisam ser melhor operacionalizados?
  • o tipo de revisão escolhido é adequado ao objetivo?

A sequência completa

Definir critérios → localizar evidências potencialmente relevantes → aplicar os critérios durante a seleção.

O próximo estágio metodológico não é inventar novas regras, mas aprender a aplicar de forma organizada aquelas que já foram planejadas.

12 erros comuns ao definir critérios de inclusão e exclusão

Depois de compreender a lógica dos critérios, vale revisar os erros que mais frequentemente prejudicam a clareza e a coerência metodológica de uma revisão.

1. Copiar critérios de outro TCC

Dois trabalhos sobre temas semelhantes podem ter perguntas, objetivos, populações e métodos diferentes. Por isso, critérios encontrados em outro TCC não devem ser reutilizados automaticamente.

Erro comum

Começar com uma lista pronta e tentar adaptar a pergunta a ela. O caminho correto é o inverso: a pergunta e o objetivo orientam os critérios.

2. Usar “últimos cinco anos” sem justificativa

Um recorte temporal pode ser adequado, mas precisa estar relacionado ao fenômeno, ao objetivo ou a outra razão defensável.

Recência, isoladamente, não garante relevância nem qualidade.

3. Limitar idiomas automaticamente

“Português e inglês” não é uma fórmula universal. Se houver restrição linguística, ela deve ser explicitada e, quando decorrer dos recursos da equipe, reconhecida como limitação operacional.

4. Exigir acesso gratuito

O modelo de acesso não determina a qualidade ou a elegibilidade científica de um estudo.

Antes de excluir por indisponibilidade imediata, considere outras formas legítimas de recuperação, como Portal CAPES, SciELO, bibliotecas e repositórios institucionais.

5. Utilizar critérios vagos

Expressões como “artigos relevantes”, “fontes confiáveis”, “estudos recentes” e “trabalhos relacionados ao tema” deixam espaço excessivo para interpretação.

Prefira características que possam ser verificadas durante a seleção.

6. Confundir tipo de publicação com desenho de estudo

“Artigo científico” não informa se a pesquisa é transversal, coorte, ensaio clínico, qualitativa ou utiliza outro desenho.

Se o desenho for importante para a pergunta, ele precisa ser explicitado.

7. Espelhar perfeitamente inclusão e exclusão

Não é necessário escrever:

Incluir adolescentes.

e depois:

Excluir quem não for adolescente.

A exclusão é mais útil quando esclarece situações específicas, como populações mistas ou dados que não podem ser separados.

8. Transformar filtros em critérios metodológicos

O fato de uma base oferecer filtro de data, idioma ou tipo de documento não significa que ele deva ser utilizado.

Filtros operacionalizam algumas decisões; não criam sua justificativa.

9. Tentar colocar todos os critérios dentro da busca

Nem toda regra de elegibilidade precisa virar termo, descritor ou filtro.

Algumas características só podem ser verificadas durante a leitura do resumo ou do texto completo.

Uma estratégia de busca científica excessivamente restritiva pode deixar estudos relevantes de fora.

10. Alterar critérios para atingir uma quantidade desejada de estudos

O número final de estudos deve ser resultado da pergunta, da busca e da aplicação dos critérios, não uma meta previamente escolhida.

Atenção

Poucos estudos podem indicar uma pergunta estreita, uma busca incompleta ou simplesmente pouca literatura disponível. Muitos estudos podem indicar um tema amplo ou uma estratégia pouco específica. Antes de mudar os critérios, investigue a causa.

11. Não prever casos limítrofes

Populações mistas, subgrupos, intervenções combinadas, informações incompletas e múltiplos relatórios são situações comuns.

Quando previsíveis, devem possuir regras operacionais.

12. Alterar critérios sem documentar

Se uma mudança for necessária, registre:

  • o que mudou;
  • por que mudou;
  • quando ocorreu;
  • se decisões anteriores precisaram ser reavaliadas.

Em resumo

Os erros mais importantes surgem quando os critérios são copiados, vagos, arbitrariamente restritivos, confundidos com filtros ou alterados de acordo com a conveniência dos resultados.

Checklist: seus critérios estão prontos para a seleção?

Antes de iniciar a seleção definitiva, utilize este checklist como uma auditoria final.

Pergunta, objetivo e método

  • ☐ A pergunta de pesquisa está claramente definida?
  • ☐ O objetivo é coerente com a pergunta?
  • ☐ O tipo de revisão foi identificado?
  • ☐ Os critérios são proporcionais ao método escolhido?

Elementos centrais da elegibilidade

  • ☐ A população está operacionalmente definida, quando aplicável?
  • ☐ A intervenção, exposição ou conceito está claro?
  • ☐ O comparador foi definido apenas se necessário?
  • ☐ O desfecho ou conceito de interesse está suficientemente delimitado?
  • ☐ Os desenhos ou tipos de evidência elegíveis foram definidos quando relevantes?
  • ☐ O contexto foi restringido apenas quando necessário?

Restrições complementares

  • ☐ Qualquer recorte temporal possui justificativa?
  • ☐ Qualquer restrição linguística foi explicitada?
  • ☐ Tipo ou status de publicação foi limitado apenas quando necessário?
  • ☐ Acesso gratuito foi separado de elegibilidade científica?

Clareza operacional

  • ☐ Termos vagos foram eliminados ou operacionalizados?
  • ☐ Outra pessoa conseguiria aplicar os critérios de maneira semelhante?
  • ☐ Populações mistas e outros casos previsíveis possuem regra?
  • ☐ Ausência de informação no resumo não será automaticamente tratada como inelegibilidade?

Teste e documentação

  • ☐ Os critérios foram testados em uma pequena amostra de referências?
  • ☐ Ambiguidades identificadas foram corrigidas?
  • ☐ Cada restrição importante possui uma justificativa?
  • ☐ Os critérios estão registrados no protocolo de revisão ou planejamento correspondente?
  • ☐ Existe uma forma de registrar eventuais alterações?
  • ☐ Está claro que critérios, filtros, busca e seleção são etapas diferentes?

Teste final em três perguntas

Para cada critério, confirme:

  1. O que esta regra determina?
  2. Por que ela é necessária?
  3. Como será aplicada na prática?

Se alguma dessas respostas ainda estiver vaga, refine a regra antes de iniciar a seleção definitiva.

O checklist visual abaixo reúne os principais pontos que devem estar resolvidos antes de avançar para a triagem dos estudos.

Checklist para definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão científica
Checklist para verificar se os critérios de inclusão e exclusão estão claros, justificados, operacionais e prontos para a seleção dos estudos.

Verificação rápida antes de avançar

Se quiser fazer uma checagem final em menos tempo, responda:

  1. Os critérios derivam da pergunta e do objetivo?
  2. O tipo de revisão foi considerado?
  3. As dimensões centrais estão operacionalmente definidas?
  4. As restrições complementares possuem justificativa?
  5. Evitei confundir acesso com elegibilidade?
  6. Evitei transformar todos os critérios em filtros ou termos de busca?
  7. Casos limítrofes previsíveis possuem regra?
  8. Os critérios foram testados?
  9. As decisões estão registradas no protocolo?
  10. Outra pessoa conseguiria compreender por que um estudo entra ou não entra?

Se houver várias respostas “não” ou “não sei”, vale revisar os critérios antes de iniciar a triagem.

Critérios prontos para uso

Um bom conjunto de critérios tende a ser coerente, claro, proporcional ao tipo de revisão, justificável, operacional, testado e documentado.

Perguntas frequentes sobre critérios de inclusão e exclusão

O que são critérios de inclusão e exclusão?

São regras previamente definidas que ajudam a determinar quais estudos ou fontes de evidência são elegíveis para uma revisão. Devem ser coerentes com a pergunta, o objetivo, o tipo de revisão e as características das evidências necessárias.

Qual é a diferença entre critérios de inclusão e critérios de exclusão?

Os critérios de inclusão descrevem características compatíveis com a revisão. Os critérios de exclusão podem esclarecer condições específicas que tornam determinada evidência incompatível com o escopo ou resolver situações que não ficam suficientemente definidas apenas pelos critérios de inclusão.

O que são critérios de elegibilidade?

Critérios de elegibilidade é o conceito mais amplo que reúne as regras utilizadas para determinar quais evidências podem participar da revisão.

Como definir critérios de inclusão e exclusão?

Comece pela pergunta de pesquisa e pelo objetivo. Em seguida, considere o tipo de revisão, identifique as dimensões relevantes da pergunta, defina desenhos ou tipos de evidência compatíveis, avalie restrições complementares, justifique cada decisão, operacionalize conceitos vagos, teste as regras e registre-as no protocolo.

Posso usar apenas estudos dos últimos cinco anos?

Sim, quando houver uma justificativa adequada. “Últimos cinco anos” não é uma regra universal. O recorte temporal deve estar relacionado ao fenômeno, ao objetivo, ao método ou a uma exigência institucional claramente declarada.

Idioma pode ser critério de inclusão?

Sim. A restrição deve ser explicitada e contextualizada. Quando decorre da capacidade linguística da equipe, representa principalmente uma limitação operacional e não significa que estudos em outros idiomas sejam cientificamente inferiores.

Artigo gratuito pode ser critério de inclusão?

A gratuidade não é, por si só, uma característica científica de elegibilidade. Um estudo pode atender aos critérios metodológicos mesmo que dependa de acesso institucional, biblioteca, repositório ou outra forma legítima de recuperação.

O texto completo precisa estar disponível?

O texto completo frequentemente é necessário para confirmar a elegibilidade e extrair dados. Entretanto, a dificuldade inicial de recuperação deve ser diferenciada da incompatibilidade metodológica do estudo.

O desfecho pode ser usado como critério?

Sim, quando sua avaliação é necessária para responder à pergunta. É importante distinguir o estudo ter medido o desfecho de os resultados estarem relatados exatamente no formato desejado para determinada síntese.

Os critérios podem mudar durante a revisão?

Podem, quando existe uma razão metodológica legítima. A alteração deve ser justificada, documentada e, quando necessário, acompanhada da reavaliação de decisões tomadas anteriormente.

PICO e PCC ajudam a definir critérios?

Sim. PICO e PCC podem ajudar a estruturar os principais elementos da pergunta, mas não devem ser tratados como formulários obrigatórios para qualquer tipo de revisão.

Critérios de inclusão são a mesma coisa que filtros da base?

Não. Critérios são decisões metodológicas. Filtros são ferramentas técnicas oferecidas por plataformas para restringir resultados.

Critérios são a mesma coisa que estratégia de busca?

Não. A estratégia de busca procura localizar estudos potencialmente relevantes. Os critérios definem quais dessas evidências são elegíveis.

Preciso ter o mesmo número de critérios de inclusão e exclusão?

Não. As listas não precisam ser simétricas. O objetivo é tornar as regras claras e úteis, não criar duas listas de tamanho igual.

Quanto mais critérios eu tiver, melhor será a revisão?

Não. Um número maior de restrições não significa mais rigor. Bons critérios são aqueles que possuem relação clara com a pergunta, o objetivo e o método.

Resposta essencial

Critérios fortes não são os mais numerosos nem os mais restritivos. São os mais coerentes, claros, justificáveis e aplicáveis.

Conclusão: como definir bons critérios de inclusão e exclusão

Definir critérios de inclusão e exclusão não deveria ser uma etapa mecânica em que o pesquisador apenas escreve “últimos cinco anos”, “português e inglês” e “texto completo disponível”.

O processo começa muito antes.

Os critérios precisam nascer da:

  • pergunta de pesquisa;
  • finalidade da revisão;
  • população ou evidência de interesse;
  • intervenção, exposição ou conceito;
  • desfechos relevantes;
  • tipo de revisão;
  • demais características necessárias para responder ao objetivo.

Somente depois devem ser avaliadas restrições complementares relacionadas a período, idioma, contexto, publicação ou acesso.

Uma boa regra deve permitir responder a três perguntas:

  1. O que ela determina?
  2. Por que ela é necessária?
  3. Como será aplicada?

Também é importante lembrar que:

  • recência não substitui relevância;
  • gratuidade não define elegibilidade;
  • filtros não substituem decisões metodológicas;
  • nem todo critério precisa aparecer na busca;
  • critério de exclusão e motivo de exclusão são conceitos diferentes;
  • listas de inclusão e exclusão não precisam ser espelhadas;
  • alterações podem ocorrer, mas devem ser justificadas e documentadas.

A lógica central deste guia

Pergunta → objetivo → tipo de revisão → dimensões relevantes → critérios → justificativas → regras operacionais → teste → protocolo → aplicação durante a seleção.

Quando esse encadeamento está claro, os critérios deixam de ser uma formalidade da metodologia e passam a cumprir sua função real: orientar de forma transparente quais evidências podem contribuir para responder à pergunta da revisão.

O que vem depois de definir os critérios?

O próximo passo é aplicar as regras aos estudos encontrados

Depois de definir, testar e registrar os critérios, começa outra etapa metodológica: a seleção e triagem dos estudos.

Nessa fase, as referências recuperadas serão avaliadas para verificar quais realmente atendem às regras estabelecidas.

Entre as principais decisões dessa etapa estarão:

  • organizar os registros encontrados;
  • identificar duplicatas;
  • avaliar títulos e resumos;
  • avançar para leitura do texto completo quando necessário;
  • registrar motivos de exclusão;
  • resolver divergências;
  • documentar o fluxo de seleção.

Essas atividades pertencem à etapa posterior da revisão e não devem ser confundidas com a definição dos critérios.

Continue aprendendo

Antes de começar a triagem, confira se as regras já estão registradas no seu protocolo de revisão e se a estratégia de busca científica foi planejada e documentada.

A próxima etapa desta sequência metodológica é aprender como fazer a seleção e a triagem dos estudos, aplicando na prática os critérios definidos neste guia.

Para aprofundar o planejamento metodológico, consulte também o Cochrane Handbook, uma das principais referências internacionais para revisões sistemáticas.

Referências metodológicas

Este conteúdo foi desenvolvido com base em princípios metodológicos utilizados em revisões de evidências e deve ser adaptado ao desenho específico da revisão realizada.

  • HIGGINS, J. P. T. et al. (eds.). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Version 6.5. Cochrane, 2024.
  • COCHRANE. Chapter 2: Determining the scope of the review and the questions it will address. In: Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions.
  • COCHRANE. Chapter 3: Defining the criteria for including studies and how they will be grouped for the synthesis. In: Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions.
  • COCHRANE. Chapter 4: Searching for and selecting studies. In: Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions.
  • PETERS, M. D. J. et al. Scoping Reviews. In: JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI, 2024. DOI: 10.46658/JBIMES-24-09.
  • PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, 2021;372:n71. DOI: 10.1136/bmj.n71.

Importante sobre as referências

Diretrizes como PRISMA são voltadas principalmente à transparência e ao relato de revisões e não devem ser tratadas, isoladamente, como um método completo para conduzir todas as etapas da revisão. Para decisões de condução, utilize também manuais metodológicos compatíveis com o tipo de revisão adotado.

Por gentileza, se deseja alterar o arquivo do rodapé,
entre em contato com o suporte.

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