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Como Usar o PRISMA na Revisão Sistemática: Guia Passo a Passo

Aprenda como usar o PRISMA na revisão sistemática passo a passo. Entenda o PRISMA 2020, os 27 itens do checklist, como preencher o fluxograma, diferenciar registros, relatórios e estudos, documentar a seleção, evitar erros comuns e revisar o trabalho antes da entrega. O guia também explica a relação entre PRISMA, protocolo, Rayyan, meta-análise, avaliação da qualidade e extensões como PRISMA-ScR e PRISMA-S.

Como Usar o PRISMA na Revisão Sistemática: Guia Passo a Passo

Como Usar o PRISMA na Revisão Sistemática: Guia Passo a Passo

Aprender como usar o PRISMA é fundamental para relatar uma revisão sistemática com transparência, mas isso não significa simplesmente preencher um fluxograma. O PRISMA é uma diretriz de relato: ele ajuda a organizar e apresentar informações importantes sobre o que foi planejado, realizado e encontrado durante a revisão, sem substituir protocolo, estratégia de busca, critérios de elegibilidade, seleção dos estudos, extração dos dados, avaliação crítica ou métodos de síntese.


Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia


Essa distinção é especialmente importante em TCCs, dissertações, teses e artigos científicos. É relativamente comum encontrar trabalhos que apresentam PRISMA como se fosse uma metodologia completa de revisão sistemática ou utilizam apenas seu fluxograma e concluem que, por isso, “seguiram PRISMA”. As duas interpretações precisam ser tratadas com cuidado.

O PRISMA 2020 atualizou a declaração anterior e oferece um conjunto de recursos para melhorar a completude do relato, incluindo um checklist principal de 27 itens, checklist expandido, orientações para resumos, modelos de fluxograma e documentos explicativos.

Para consultar os checklists, modelos de fluxograma, extensões e outros materiais atualizados, acesse o site oficial do PRISMA.

Neste guia, você entenderá o que é PRISMA, quando ele pode ser utilizado, como trabalhar com o checklist, como interpretar seus 27 itens, como preencher o fluxograma, qual é a diferença entre registros, relatórios e estudos, como registrar duplicatas e exclusões, qual é a relação entre PRISMA e Rayyan, quais extensões existem e quais erros devem ser evitados.

Resumo rápido: o que você precisa saber sobre PRISMA

  • PRISMA significa Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses.
  • É principalmente uma diretriz de relato, e não um método completo para conduzir revisões sistemáticas.
  • PRISMA 2020 substituiu a declaração PRISMA 2009.
  • O checklist principal possui 27 itens, vários deles divididos em subitens.
  • Existe também um checklist expandido com orientações adicionais.
  • Há recomendações específicas para o relato de resumos.
  • O fluxograma PRISMA ajuda a representar o processo de identificação e seleção dos estudos.
  • Existem diferentes modelos de fluxograma, escolhidos conforme o tipo de revisão e as formas utilizadas para identificar estudos.
  • Registro, relatório e estudo não são sinônimos.
  • PRISMA não substitui protocolo, estratégia de busca, critérios de elegibilidade, seleção, extração, avaliação de risco de viés ou síntese.
  • Rayyan e PRISMA desempenham funções diferentes.
  • PRISMA não exige que toda revisão sistemática possua meta-análise.
  • Existem extensões PRISMA para necessidades específicas de relato.

Índice

O que é PRISMA?

PRISMA é uma diretriz de relato desenvolvida para melhorar a transparência e a completude da apresentação de revisões sistemáticas.

Na prática, ela oferece recomendações sobre quais informações devem ser apresentadas para que leitores, orientadores, avaliadores, editores e outros pesquisadores consigam compreender melhor:

  • por que a revisão foi realizada;
  • qual era seu objetivo;
  • quais critérios foram utilizados;
  • onde e como as evidências foram procuradas;
  • como ocorreu a seleção dos estudos;
  • como os dados foram coletados;
  • quais avaliações foram realizadas;
  • como os resultados foram sintetizados;
  • quais estudos foram incluídos;
  • quais limitações precisam ser consideradas;
  • quais informações adicionais são necessárias para interpretar e verificar o trabalho.

Isso significa que PRISMA está relacionado principalmente à pergunta:

“O relatório desta revisão apresenta, com transparência suficiente, aquilo que o leitor precisa saber sobre o que foi feito e encontrado?”

Essa pergunta é diferente de:

“Os métodos escolhidos são metodologicamente adequados?”

As duas dimensões se relacionam, mas não são idênticas.

Visão metodológica: uma revisão pode ter utilizado procedimentos cuidadosos e relatá-los mal. Também pode descrever com bastante transparência procedimentos que possuem limitações metodológicas. PRISMA melhora principalmente a qualidade e a completude do relato; ele não deve ser utilizado sozinho como certificado de qualidade metodológica.

Essa distinção será retomada ao longo do artigo porque ela evita grande parte dos erros associados ao uso da sigla PRISMA em trabalhos acadêmicos.

Continue aprendendo: se você ainda está definindo o desenho da pesquisa, consulte primeiro nosso guia sobre o que é revisão sistemática. Compreender o método ajuda a perceber por que uma diretriz de relato não deve ser confundida com o processo completo da revisão.

O que significa PRISMA?

PRISMA é a sigla de Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses.

Em tradução livre, a expressão pode ser entendida como itens preferenciais de relato para revisões sistemáticas e meta-análises.

O próprio nome fornece uma pista importante: o foco está nos reporting items, isto é, nos elementos que devem ser relatados.

Isso ajuda a compreender por que não é tecnicamente preciso apresentar PRISMA simplesmente como “a metodologia PRISMA”.

PRISMA é um software?

Não.

PRISMA não é uma plataforma para armazenar referências, remover duplicatas ou realizar triagem.

Ferramentas como gerenciadores bibliográficos e plataformas especializadas podem ser utilizadas durante uma revisão, mas desempenham outra função.

Essa distinção é especialmente importante quando o pesquisador utiliza o Rayyan: a plataforma pode apoiar etapas operacionais da seleção, enquanto PRISMA orienta a transparência do relato.

PRISMA é um fluxograma?

Também não.

O fluxograma é um dos componentes mais conhecidos do PRISMA, mas a diretriz é muito mais ampla.

O PRISMA 2020 possui um checklist principal, materiais complementares, orientações para resumos e modelos de fluxograma, além de documentos que ajudam a interpretar e aplicar as recomendações.

Erro comum: inserir um fluxograma no TCC e escrever que “a metodologia utilizada foi PRISMA”. O fluxograma documenta visualmente parte do processo de identificação e seleção; ele não substitui a descrição e a execução dos métodos da revisão.

Para que serve o PRISMA?

PRISMA serve para melhorar a transparência, a completude e a utilidade do relato de revisões sistemáticas.

Quando uma revisão é insuficientemente relatada, o leitor pode não conseguir responder a perguntas básicas, como:

  • quais bases foram pesquisadas?
  • quando as buscas foram executadas?
  • qual estratégia foi utilizada?
  • quais estudos podiam ser incluídos?
  • como os artigos foram selecionados?
  • quantos revisores participaram?
  • como os dados foram extraídos?
  • como o risco de viés foi avaliado?
  • como os resultados foram combinados ou sintetizados?
  • quantos estudos foram incluídos?
  • quais limitações existiram?

Quanto menos claras forem essas informações, mais difícil será interpretar, avaliar e eventualmente reproduzir aspectos importantes da revisão.

PRISMA organiza recomendações que ajudam o autor a reduzir essas lacunas.

PRISMA melhora a reprodutibilidade?

Um relato suficientemente detalhado pode facilitar a compreensão e a reprodução de determinados procedimentos, especialmente quando estratégias, critérios e métodos são apresentados de forma transparente.

Entretanto, PRISMA não garante que toda revisão possa ser reproduzida exatamente. A reprodutibilidade depende também da qualidade da documentação, da disponibilidade das fontes, das ferramentas utilizadas e de diversos outros fatores.

PRISMA ajuda a avaliar uma revisão?

Ele ajuda o leitor a localizar informações necessárias para compreender e examinar a revisão.

Isso não significa, porém, que o checklist PRISMA seja um instrumento universal para atribuir uma nota de qualidade metodológica.

Relato e qualidade metodológica devem permanecer conceitualmente separados.

O que PRISMA ajuda a tornar transparente?

Dimensão Exemplos de informações
Objetivo Por que a revisão foi realizada e o que pretende responder
Elegibilidade Quais estudos poderiam ou não participar
Busca Onde, quando e como os estudos foram procurados
Seleção Como os registros e relatórios foram avaliados
Coleta Como os dados foram obtidos dos estudos
Avaliação Como foram examinados aspectos como risco de viés, quando aplicável
Síntese Como os resultados foram organizados e analisados
Resultados Quais estudos foram incluídos e o que foi encontrado
Limitações Quais limitações das evidências e da própria revisão devem ser consideradas
Outras informações Registro, protocolo, apoio, conflitos de interesse e disponibilidade de materiais

PRISMA é método ou diretriz de relato?

PRISMA é uma diretriz de relato.

Esse é um dos conceitos mais importantes deste guia.

Uma revisão sistemática precisa de métodos para responder a diferentes perguntas:

  • como formular a questão de pesquisa?
  • como definir a elegibilidade?
  • como construir a busca?
  • como selecionar os estudos?
  • como extrair os dados?
  • como avaliar o risco de viés?
  • como sintetizar os resultados?
  • como avaliar a certeza das evidências, quando pertinente?

PRISMA não fornece sozinho todo o referencial necessário para tomar essas decisões.

Ele pergunta, em essência, se as decisões e os resultados pertinentes foram relatados com transparência suficiente.

Guarde esta distinção:
método → orienta como determinadas etapas serão conduzidas;
PRISMA → orienta como informações relevantes sobre a revisão devem ser relatadas.

Então PRISMA não influencia o planejamento?

Conhecer antecipadamente uma diretriz de relato pode melhorar muito o planejamento documental.

Se o pesquisador sabe que precisará informar datas de busca, estratégias utilizadas, número de registros recuperados, duplicatas, decisões de seleção e motivos de exclusão, ele tende a preservar essas informações desde o início.

Isso é diferente de dizer que PRISMA se transforma, por essa razão, no método completo da revisão.

Uma forma útil de compreender é:

PRISMA pode informar o planejamento da documentação sem substituir o planejamento metodológico.

Por que essa distinção importa no TCC?

Porque escrever apenas:

“A metodologia adotada foi PRISMA.”

não informa como a revisão realmente foi conduzida.

O leitor ainda precisa saber quais foram os critérios, fontes, estratégias, procedimentos de seleção, métodos de extração, avaliações e formas de síntese.

Mais adiante veremos maneiras mais precisas de mencionar PRISMA na metodologia.

O que o PRISMA não faz?

Entender os limites da diretriz é tão importante quanto conhecer seus componentes.

Tarefa PRISMA faz isso sozinho?
Definir a pergunta de pesquisa Não
Escolher o tipo de revisão Não
Criar o protocolo Não
Definir automaticamente os critérios de elegibilidade Não
Construir automaticamente uma estratégia de busca adequada Não
Executar buscas nas bases Não
Remover duplicatas Não
Decidir quais estudos devem ser incluídos Não
Extrair dados dos artigos Não
Avaliar automaticamente o risco de viés Não
Realizar meta-análise Não
Garantir que os métodos utilizados sejam adequados Não
Orientar a transparência do relato Sim
Oferecer estrutura para conferir a completude do relato Sim
Oferecer modelos para representar o fluxo de seleção Sim

Esse quadro ajuda a evitar a expectativa de que uma única diretriz resolva todas as decisões metodológicas de uma revisão sistemática.

Atenção: preencher corretamente um checklist de relato não corrige automaticamente uma busca inadequada, critérios mal definidos, seleção inconsistente ou síntese metodologicamente imprópria.

PRISMA é ferramenta de avaliação de qualidade?

Não deve ser utilizado como se fosse um instrumento universal de avaliação da qualidade metodológica de revisões.

O fato de um artigo relatar determinado item não significa necessariamente que o procedimento correspondente tenha sido metodologicamente ideal.

Por exemplo, uma revisão pode informar claramente que pesquisou apenas uma fonte. O relato pode ser transparente, mas ainda será necessário discutir se essa decisão foi adequada para a pergunta e o desenho.

PRISMA garante que a revisão é sistemática?

Também não.

Adicionar um fluxograma, preencher um checklist ou citar PRISMA não transforma retrospectivamente uma revisão pouco estruturada em revisão sistemática.

A natureza do trabalho depende de como a pesquisa foi planejada e conduzida.

Erro comum: utilizar elementos visuais do PRISMA como “prova” de que uma revisão é sistemática. O fluxograma relata o processo; ele não cria retrospectivamente o processo metodológico que deveria ter ocorrido.

O que é PRISMA 2020?

PRISMA 2020 é a atualização da declaração PRISMA destinada a melhorar o relato de revisões sistemáticas.

A atualização refletiu mudanças importantes ocorridas na produção de revisões, incluindo avanços nos métodos de síntese, no uso de ferramentas, na disponibilidade de dados e na maneira como revisões são planejadas e publicadas.

Entre os recursos associados ao PRISMA 2020 estão:

  • checklist principal com 27 itens;
  • checklist expandido;
  • orientações para o relato de resumos;
  • modelos atualizados de fluxograma;
  • documento Statement;
  • documento Explanation and Elaboration, com explicações e exemplos.

Esses recursos desempenham funções complementares.

Por que PRISMA foi atualizado?

As práticas de revisão sistemática evoluíram desde a publicação da versão de 2009.

Entre outros aspectos, tornaram-se mais relevantes questões relacionadas a:

  • novos métodos de síntese;
  • maior diversidade de fontes de informação;
  • uso de ferramentas de automação;
  • registro e protocolos;
  • disponibilidade de dados, códigos e materiais;
  • avaliação da certeza das evidências;
  • relato mais detalhado do processo de seleção.

PRISMA 2020 atualizou as recomendações para refletir melhor esse cenário.

O checklist principal continua sendo suficiente sozinho?

O checklist principal é o ponto de referência central, mas itens complexos podem exigir consulta aos materiais complementares.

Por isso, ao encontrar uma recomendação que parece vaga ou difícil de interpretar, não é recomendável simplesmente adivinhar o que ela significa.

Consulte:

  • o checklist expandido;
  • o documento Explanation and Elaboration;
  • a documentação oficial;
  • eventuais extensões aplicáveis.

Boa prática: utilize o checklist principal como mapa e os documentos complementares como ferramentas para compreender em profundidade os itens que geram dúvida.

O esquema abaixo resume como os principais componentes do PRISMA 2020 se complementam para melhorar a transparência do relato.

PRISMA 2020 com checklist fluxograma e relato transparente da revisão sistemática
PRISMA 2020 reúne checklist, fluxograma e orientações complementares para tornar mais transparente o relato de uma revisão sistemática.

PRISMA 2009 ainda deve ser usado?

PRISMA 2020 substituiu a declaração PRISMA 2009.

Isso não torna trabalhos antigos que utilizaram a versão anterior automaticamente incorretos. Antes da atualização, PRISMA 2009 era a referência disponível e foi amplamente utilizado em revisões sistemáticas.

Entretanto, para um trabalho novo, a existência da atualização significa que não é adequado escolher automaticamente a versão de 2009 apenas porque:

  • ela apareceu em um TCC antigo;
  • o orientador enviou um modelo antigo de fluxograma;
  • um artigo da área publicado anos atrás a utilizou;
  • um arquivo encontrado na internet ainda contém o diagrama anterior;
  • o estudante já estava familiarizado com o modelo antigo.

O ponto de partida para uma revisão nova deve ser a documentação atual aplicável ao desenho.

Qual é a principal diferença prática para o estudante?

A diferença não deve ser reduzida a uma mudança estética no fluxograma.

PRISMA 2020 atualizou recomendações de relato em diferentes partes da revisão e reorganizou aspectos importantes do checklist e do fluxo de seleção.

Por isso, substituir apenas a figura antiga por uma figura nova, mantendo todo o restante do relato baseado em uma compreensão desatualizada, não representa uma atualização adequada.

Posso encontrar artigos atuais citando PRISMA 2009?

Sim. Isso pode acontecer por diferentes motivos, inclusive porque o trabalho começou anteriormente, porque os autores seguiram documentação mais antiga ou porque determinadas práticas demoram a ser atualizadas.

A existência desses artigos não altera o fato de que PRISMA 2020 é a atualização da declaração principal.

E se minha instituição fornecer um modelo baseado em PRISMA 2009?

Nesse caso, vale verificar a exigência com o orientador, programa ou instituição e, ao mesmo tempo, consultar a documentação atual.

Em vez de presumir que um modelo institucional antigo continua sendo necessariamente a orientação desejada, é melhor esclarecer qual versão deve ser adotada.

Atenção: não atualize apenas o ano escrito no texto. PRISMA 2020 possui conteúdo e estrutura próprios. Se você afirma utilizar a versão de 2020, o relato e os materiais utilizados precisam corresponder efetivamente a essa versão e às orientações aplicáveis.

PRISMA 2020 vale para qualquer revisão de literatura?

Não.

A atualização da declaração não significa que toda revisão narrativa, bibliográfica, integrativa, de escopo ou outro tipo de síntese deva utilizar exatamente o mesmo checklist.

O primeiro passo continua sendo identificar corretamente o desenho da revisão.

Depois, o pesquisador deve verificar quais diretrizes e extensões de relato são aplicáveis.

Em resumo: PRISMA 2020 é a declaração atualizada para o relato de revisões sistemáticas no seu escopo de aplicação. Ele substituiu PRISMA 2009, mas não transforma PRISMA em uma metodologia completa nem significa que o mesmo checklist deva ser aplicado mecanicamente a qualquer tipo de revisão.

Quem deve usar PRISMA?

O PRISMA foi desenvolvido para melhorar o relato de revisões sistemáticas. Entretanto, isso não significa que toda pesquisa que utiliza a expressão “revisão de literatura” deva aplicar automaticamente o checklist principal do PRISMA 2020.

Antes de escolher a diretriz, o pesquisador precisa responder a uma pergunta anterior:

Qual é exatamente o tipo de revisão que estou realizando?

Essa identificação é importante porque diferentes tipos de síntese podem possuir objetivos, métodos e necessidades de relato distintos.

PRISMA pode ser utilizado em revisões sistemáticas novas?

Sim. Revisões sistemáticas novas estão entre os principais contextos de aplicação do PRISMA 2020.

A diretriz ajuda os autores a relatar de maneira transparente informações sobre:

  • justificativa e objetivos;
  • critérios de elegibilidade;
  • fontes de informação;
  • estratégias de busca;
  • seleção dos estudos;
  • coleta de dados;
  • avaliação de risco de viés;
  • métodos de síntese;
  • resultados;
  • limitações;
  • registro e protocolo;
  • apoio e conflitos de interesse;
  • disponibilidade de materiais.

O modo como cada item será aplicado depende das características da revisão.

PRISMA pode ser utilizado em revisões sistemáticas atualizadas?

Sim.

Uma revisão sistemática pode ser atualizada quando novas evidências surgem ou quando existe necessidade de rever uma síntese anterior.

O PRISMA 2020 contempla o relato de revisões novas e atualizadas, e os modelos de fluxograma também diferenciam essas situações.

Em uma atualização, o leitor precisa compreender não apenas os estudos recém-identificados, mas também a relação entre a revisão atual e a versão anterior.

E revisões sistemáticas vivas?

As chamadas living systematic reviews são revisões sistemáticas planejadas para incorporar novas evidências de maneira contínua ou periódica.

Elas possuem particularidades operacionais e de atualização, mas continuam exigindo relato transparente. O pesquisador deve consultar as orientações pertinentes ao desenho e às atualizações realizadas, em vez de presumir que apenas o checklist principal resolverá todas as particularidades.

PRISMA deve ser usado em revisão narrativa?

Não se deve assumir automaticamente que uma revisão narrativa precisa utilizar o checklist principal do PRISMA 2020.

Revisões narrativas podem possuir objetivos e métodos diferentes daqueles de uma revisão sistemática. Aplicar mecanicamente um checklist desenvolvido para outro desenho não transforma a revisão narrativa em sistemática e pode produzir uma falsa aparência de padronização.

Continue aprendendo: veja o que é revisão narrativa para compreender melhor suas características antes de escolher uma diretriz de relato.

PRISMA deve ser usado em revisão de escopo?

As revisões de escopo possuem necessidades específicas de relato e contam com uma extensão própria, o PRISMA-ScR.

Portanto, não é recomendável simplesmente pegar o checklist principal do PRISMA 2020 e aplicá-lo mecanicamente a uma revisão de escopo sem considerar a extensão pertinente.

Mais adiante veremos essa relação com maior profundidade.

E revisão integrativa?

Também não é adequado afirmar que toda revisão integrativa deve obrigatoriamente seguir o checklist principal do PRISMA.

O termo “revisão integrativa” é utilizado em diferentes áreas e pode estar associado a referenciais e procedimentos distintos. O pesquisador precisa identificar claramente o método adotado e verificar quais orientações de relato são adequadas.

Atenção: encontrar outros TCCs que utilizam PRISMA não é, sozinho, justificativa metodológica para utilizá-lo no seu trabalho. Primeiro identifique o desenho; depois escolha as orientações de relato correspondentes.

PRISMA é apenas para pesquisas da área da saúde?

Embora o desenvolvimento e grande parte da utilização do PRISMA estejam fortemente associados às ciências da saúde, revisões sistemáticas também são realizadas em outras áreas.

O ponto decisivo não deve ser simplesmente a área do curso, mas a natureza da revisão, a pergunta investigada, os métodos empregados e a aplicabilidade das recomendações.

Em áreas ou desenhos diferentes daqueles que motivaram originalmente a diretriz, torna-se ainda mais importante verificar cuidadosamente a adequação dos itens e a existência de orientações específicas.

Todo TCC de revisão sistemática precisa usar PRISMA?

Não existe uma regra universal aplicável a todas as instituições e a todos os cursos.

As exigências podem variar conforme:

  • instituição;
  • programa;
  • curso;
  • orientador;
  • manual acadêmico;
  • tipo de revisão;
  • eventual periódico ao qual o trabalho será submetido.

Quando PRISMA for pertinente, sua utilização pode aumentar substancialmente a transparência do trabalho. Entretanto, requisitos institucionais e metodológicos específicos também precisam ser observados.

Quando usar PRISMA na revisão?

PRISMA costuma aparecer de forma mais visível na fase de redação, mas não é recomendável conhecê-lo apenas quando todo o trabalho já terminou.

Uma abordagem mais segura é pensar em quatro momentos:

  1. conhecer as recomendações antes ou durante o planejamento;
  2. documentar adequadamente o processo durante a execução;
  3. relatar as informações pertinentes durante a redação;
  4. conferir o trabalho completo com o checklist antes da entrega ou submissão.

Sequência prática: conhecer → documentar → relatar → conferir.

1. Conhecer PRISMA durante o planejamento

Conhecer antecipadamente os itens que precisarão ser relatados ajuda o pesquisador a perceber quais informações devem ser preservadas ao longo da revisão.

Isso pode incluir:

  • datas das buscas;
  • estratégias completas;
  • quantidades recuperadas em cada fonte;
  • arquivos exportados;
  • duplicatas identificadas;
  • decisões tomadas durante a seleção;
  • motivos de exclusão;
  • mudanças em relação ao protocolo;
  • informações sobre extração, avaliações e síntese.

Essa antecipação não transforma PRISMA no método da revisão. Ela apenas evita que informações importantes desapareçam antes da redação.

2. Documentar durante a execução

Uma revisão sistemática pode durar meses. Depender da memória para reconstruir cada decisão no final aumenta o risco de erros.

Durante a execução, mantenha registros que permitam responder perguntas como:

  • quantos registros vieram de cada fonte?
  • quando a busca foi executada?
  • qual estratégia foi realmente utilizada?
  • quantas duplicatas foram removidas?
  • quantos registros foram triados?
  • quantos relatórios foram procurados?
  • quais não puderam ser recuperados?
  • por que determinados relatórios foram excluídos?
  • quantos estudos foram finalmente incluídos?

Boa prática: preserve a trilha documental da revisão desde a busca até a síntese. O fluxograma final deve ser consequência desses registros, e não uma reconstrução feita de memória.

3. Utilizar PRISMA durante a redação

Na fase de redação, o checklist ajuda a verificar se informações relevantes estão distribuídas adequadamente pelo trabalho.

O objetivo não é copiar os 27 itens para dentro do TCC. É garantir que o relatório contenha as informações aplicáveis em seus lugares apropriados.

4. Fazer uma conferência final

Antes da entrega ou submissão, faça uma última auditoria comparando:

  • checklist;
  • texto principal;
  • fluxograma;
  • tabelas;
  • apêndices ou materiais suplementares;
  • protocolo e registro, quando existentes.

Essa etapa pode revelar inconsistências que passam despercebidas durante a redação, como um número de estudos no resumo diferente daquele informado no fluxograma.

PRISMA deve ser consultado antes do protocolo?

Conhecer a diretriz pode ser útil durante o planejamento, mas PRISMA não substitui a elaboração do protocolo nem as orientações metodológicas utilizadas para construí-lo.

O protocolo responde principalmente ao que se pretende fazer. O relatório final mostra o que foi efetivamente realizado. PRISMA ajuda a tornar essas informações transparentes.

Continue aprendendo: se a revisão ainda não começou, veja como montar um protocolo de revisão antes de executar as principais etapas.

O que compõe o PRISMA 2020?

Tratar PRISMA como sinônimo de fluxograma faz com que vários recursos importantes sejam ignorados.

O conjunto PRISMA 2020 inclui materiais com funções diferentes e complementares.

Componente Função principal
Checklist PRISMA 2020 Organiza os principais itens recomendados para o relato da revisão sistemática
Checklist expandido Detalha elementos que devem ser considerados dentro dos itens e subitens
PRISMA 2020 for Abstracts Orienta informações importantes no resumo
Fluxogramas PRISMA 2020 Representam visualmente o processo de identificação e seleção dos estudos
PRISMA 2020 Statement Apresenta a declaração atualizada e seus principais componentes
Explanation and Elaboration Explica a justificativa dos itens e fornece orientação e exemplos para o relato

O que é o PRISMA 2020 Statement?

O PRISMA 2020 Statement é a publicação central da atualização.

Ela apresenta a nova declaração, descreve o processo de desenvolvimento e introduz os principais recursos associados à atualização.

Ao citar PRISMA 2020 em um trabalho acadêmico, essa publicação é uma das referências fundamentais.

Para que serve o Explanation and Elaboration?

O documento PRISMA 2020 Explanation and Elaboration aprofunda a interpretação dos itens.

Ele é especialmente útil quando o estudante olha para uma linha do checklist e pensa:

“O que exatamente eu preciso informar aqui?”

Em vez de interpretar o item apenas pelo título, é possível consultar uma explicação mais detalhada e exemplos de relato.

Visão metodológica: para uma auditoria séria do trabalho, não limite a consulta à versão resumida do checklist. Itens aparentemente simples podem conter vários elementos relevantes.

O fluxograma faz parte do PRISMA 2020?

Sim.

Os modelos de fluxograma foram atualizados e ajudam a apresentar visualmente o fluxo de registros, relatórios e estudos ao longo da identificação e seleção.

Entretanto, como veremos em profundidade mais adiante, existem diferentes modelos e a escolha deve refletir a maneira como a revisão foi realizada.

Como usar o checklist PRISMA 2020?

O checklist principal do PRISMA 2020 possui 27 itens, organizados em grandes seções relacionadas às diferentes partes do relatório.

De maneira geral, essas seções abrangem:

  • título;
  • resumo;
  • introdução;
  • métodos;
  • resultados;
  • discussão;
  • outras informações.

Alguns dos 27 itens são divididos em subitens. Por isso, o checklist não deve ser interpretado como apenas 27 perguntas de “sim ou não”.

O checklist é uma lista de tarefas para conduzir a revisão?

Não.

Esse é um ponto fundamental.

Imagine um item relacionado à avaliação do risco de viés.

O checklist pode exigir que o relatório explique os métodos utilizados e apresente informações correspondentes nos resultados. Isso não significa que PRISMA esteja fornecendo, sozinho, a ferramenta, o treinamento e o método necessários para realizar adequadamente essa avaliação.

Da mesma forma, um item sobre estratégia de busca exige transparência no relato, mas não substitui o conhecimento necessário para construir uma busca metodologicamente apropriada.

Como preencher o checklist na prática?

Uma maneira útil é trabalhar com uma cópia do checklist e, para cada item aplicável, registrar onde a informação aparece no trabalho.

Por exemplo:

Item Situação Localização no trabalho
Objetivos Relatado Introdução, p. 6
Critérios de elegibilidade Relatado Métodos, p. 10–11
Fontes de informação Relatado Métodos, p. 12
Estratégias de busca Relatado Apêndice A
Processo de seleção Relatado Métodos, p. 14

Esse tipo de controle permite verificar rapidamente se uma informação está realmente presente.

Posso apenas marcar “sim” em cada item?

Uma simples marcação pode ser útil para controle pessoal, mas não é suficiente para uma auditoria cuidadosa.

O ideal é conseguir responder:

  • o item é aplicável?
  • quais componentes desse item são pertinentes?
  • eles estão efetivamente relatados?
  • onde aparecem?
  • a informação é suficientemente clara?

Erro comum: marcar todos os itens como atendidos apenas porque existe uma frase relacionada ao tema. “Mencionado” não significa necessariamente “adequadamente relatado”.

O que significa “não se aplica”?

Nem todos os elementos possíveis serão aplicáveis a toda revisão.

Entretanto, é importante distinguir três situações:

Situação Significado
Não se aplica O elemento realmente não é pertinente ao desenho ou aos métodos utilizados
Não foi realizado O procedimento poderia ser pertinente, mas não foi executado
Não foi relatado O procedimento pode ter ocorrido, mas a informação não aparece adequadamente no relatório

Essas situações não devem ser tratadas como equivalentes.

Posso preencher o checklist somente no final?

O checklist final é importante, mas utilizá-lo exclusivamente depois que toda a revisão terminou pode revelar lacunas difíceis de corrigir.

Por isso, uma estratégia mais robusta é:

  1. conhecer o checklist antecipadamente;
  2. preservar as informações durante a execução;
  3. consultá-lo durante a redação;
  4. preenchê-lo ou auditá-lo novamente na versão final.

O que é o checklist expandido do PRISMA 2020?

O checklist expandido detalha os elementos que devem ser considerados dentro dos itens e subitens do PRISMA 2020.

Ele é particularmente útil porque alguns itens do checklist principal parecem simples quando vistos isoladamente, embora envolvam diversas informações.

Exemplo: estratégia de busca

Imagine que o checklist principal solicite a apresentação das estratégias de busca.

Um estudante pode interpretar isso como:

“Vou escrever os nomes dos descritores utilizados.”

Mas uma estratégia de busca pode envolver muito mais:

  • termos de vocabulário controlado;
  • termos livres;
  • sinônimos;
  • operadores booleanos;
  • truncamentos;
  • campos pesquisados;
  • parênteses;
  • filtros;
  • limites;
  • sintaxe específica da interface;
  • adaptações entre plataformas.

O checklist expandido ajuda a evitar uma interpretação excessivamente superficial.

Continue aprendendo: para compreender como os termos se transformam em uma busca reproduzível, consulte nosso guia sobre estratégia de busca científica.

Checklist expandido e Explanation and Elaboration são a mesma coisa?

Não exatamente.

Os dois recursos ajudam a aprofundar a compreensão, mas desempenham papéis complementares.

De maneira prática:

  • checklist expandido → detalha elementos de relato associados aos itens;
  • Explanation and Elaboration → oferece explicações mais extensas, justificativas e exemplos.

Quando existir dúvida sobre um item, vale consultar ambos.

Como usar PRISMA no título e no resumo?

Os dois primeiros itens do checklist principal tratam do título e do resumo.

Essas partes parecem simples, mas são importantes porque muitas pessoas decidem se continuarão lendo um trabalho com base apenas nessas informações.

Item 1 — Título

O título deve identificar o trabalho como uma revisão sistemática quando esse for realmente o desenho utilizado.

Isso permite que leitores, indexadores e mecanismos de busca reconheçam o tipo de estudo.

Não é necessário transformar o título em uma descrição completa da metodologia.

Também não existe uma regra geral determinando que a palavra “PRISMA” obrigatoriamente apareça no título.

Erro comum: colocar “PRISMA” no título para transmitir maior rigor, mesmo quando o trabalho não foi conduzido como revisão sistemática ou a diretriz não foi efetivamente utilizada no relato.

Item 2 — Resumo

O PRISMA possui orientações específicas para o relato de resumos de revisões sistemáticas.

O objetivo é evitar resumos que informam apenas tema, objetivo e uma conclusão genérica, omitindo elementos essenciais sobre os métodos e resultados.

Um bom resumo precisa permitir que o leitor compreenda rapidamente aspectos fundamentais da revisão.

Dependendo do contexto e da aplicabilidade das recomendações, isso pode envolver informações sobre:

  • objetivo;
  • critérios de elegibilidade;
  • fontes de informação;
  • métodos de avaliação e síntese;
  • principais resultados;
  • limitações relevantes;
  • interpretação;
  • registro, quando pertinente.

O checklist para resumos possui 27 itens?

Não.

As orientações específicas para resumos são estruturadas separadamente do checklist principal de 27 itens. O PRISMA 2020 for Abstracts possui 12 itens voltados à apresentação das informações essenciais no resumo.

Isso evita a tentativa inadequada de comprimir todo o checklist principal dentro de poucas centenas de palavras.

Como conciliar PRISMA com as regras da faculdade para o resumo?

Em um TCC, o estudante também precisa respeitar as exigências institucionais relacionadas a:

  • extensão;
  • formatação;
  • estrutura;
  • palavras-chave;
  • idioma;
  • eventuais normas acadêmicas.

Portanto, a tarefa não é escolher entre PRISMA e as regras da instituição.

É necessário produzir um resumo que respeite os requisitos acadêmicos e, dentro deles, apresente de maneira transparente as informações metodológicas e os resultados relevantes.

Boa prática: depois de finalizar o trabalho, confira novamente o resumo. Mudanças realizadas nos resultados ou no número final de estudos podem deixar o resumo desatualizado.

O número de estudos no resumo precisa coincidir com o fluxograma?

Sim, quando ambos se referem à mesma contagem.

Uma inconsistência como:

Resumo: 42 estudos incluídos.
Fluxograma: 39 estudos incluídos.
Tabela de características: 41 estudos.

precisa ser investigada antes da entrega.

Esse tipo de erro frequentemente ocorre quando uma parte do texto foi atualizada e outra permaneceu baseada em uma versão anterior da seleção.

Em resumo: o checklist principal funciona como mapa do relato, enquanto o checklist expandido e o documento de explicação ajudam a interpretar seus detalhes. Título e resumo já fazem parte dessa transparência: o leitor deve conseguir reconhecer corretamente o desenho e compreender os elementos essenciais da revisão desde o início.

Quais são os 27 itens do PRISMA 2020?

O checklist principal do PRISMA 2020 possui 27 itens, vários deles subdivididos em componentes específicos.

Esses itens acompanham a estrutura lógica de um relatório científico: começam pelo título e resumo, passam pela justificativa e pelos objetivos, entram detalhadamente nos métodos e resultados e terminam com discussão e outras informações importantes.

Antes de analisar cada grupo, veja o mapa geral:

Seção Itens Foco principal
Título 1 Identificação do trabalho como revisão sistemática
Resumo 2 Relato estruturado das informações essenciais
Introdução 3–4 Justificativa e objetivos
Métodos 5–15 Como a revisão foi planejada e conduzida
Resultados 16–22 Seleção, características, avaliações e sínteses
Discussão 23 Interpretação, limitações e implicações
Outras informações 24–27 Registro, protocolo, apoio, conflitos e disponibilidade de materiais

Os itens 1 e 2, relacionados ao título e ao resumo, já foram apresentados. A partir daqui, avançaremos pelas demais seções.

Atenção: a explicação abaixo é didática e não substitui o checklist oficial, o checklist expandido nem o documento PRISMA 2020 Explanation and Elaboration. Utilize esses materiais na auditoria final da revisão.

Como relatar introdução e objetivos segundo o PRISMA?

A introdução corresponde aos itens 3 e 4 do checklist principal.

Esses itens respondem a duas perguntas fundamentais:

Por que esta revisão precisava ser realizada?

e

O que exatamente ela pretende responder?

Item 3 — Justificativa

O item 3 trata da justificativa da revisão no contexto do conhecimento existente.

Uma introdução adequada não deve apenas afirmar que o tema é importante.

Ela precisa mostrar por que uma nova síntese é necessária.

Dependendo da pergunta e da área, essa justificativa pode envolver situações como:

  • existência de resultados conflitantes;
  • crescimento recente da literatura;
  • ausência de síntese atualizada;
  • existência de revisões anteriores desatualizadas;
  • incerteza sobre determinado efeito ou associação;
  • necessidade de reunir evidências dispersas;
  • mudanças relevantes na prática, tecnologia ou conhecimento;
  • limitações identificadas em revisões anteriores.

Exemplo fraco de justificativa

“Este tema é muito importante e existem muitos artigos publicados sobre ele.”

A frase pode ser verdadeira, mas não explica por que uma revisão sistemática é necessária.

Exemplo conceitualmente mais informativo

Uma justificativa mais forte explicaria, por exemplo, que revisões anteriores estão desatualizadas, que novos estudos relevantes foram publicados ou que os resultados disponíveis permanecem inconsistentes.

O texto concreto dependerá da literatura real sobre o tema.

Boa prática: antes de afirmar que “não existem revisões sobre o assunto”, faça uma busca específica por revisões anteriores. A ausência percebida durante uma busca rápida não demonstra que nenhuma síntese foi publicada.

Item 4 — Objetivos

Depois de justificar a necessidade da revisão, o trabalho precisa declarar claramente seus objetivos ou perguntas.

O objetivo deve ser coerente com:

  • a pergunta de pesquisa;
  • os critérios de elegibilidade;
  • os dados que serão procurados;
  • as análises ou sínteses planejadas.

Se o objetivo promete responder algo que os critérios ou os dados não permitem investigar, existe uma inconsistência estrutural.

Exemplo de desalinhamento

Imagine que o objetivo seja avaliar os efeitos de uma intervenção em adultos com determinada condição.

Entretanto, os critérios permitem indiscriminadamente estudos com crianças e adultos, e o formulário de extração não registra idade ou população separadamente.

Nesse caso, objetivo, elegibilidade e extração não estão adequadamente alinhados.

Visão metodológica: uma revisão sistemática funciona como uma cadeia. Pergunta, objetivo, elegibilidade, busca, seleção, extração e síntese precisam conversar entre si. PRISMA ajuda a tornar essa cadeia visível no relato, mas não cria a coerência metodológica automaticamente.

Como relatar os métodos segundo o PRISMA?

A seção de métodos concentra grande parte do checklist PRISMA 2020.

Ela corresponde aos itens 5 a 15 e permite que o leitor compreenda como a revisão foi planejada e executada.

É também uma das áreas em que relatórios excessivamente resumidos mais dificultam a avaliação do trabalho.

Item 5 — Critérios de elegibilidade

O item 5 trata dos critérios de elegibilidade e de como os estudos foram agrupados para as sínteses.

Em termos práticos, o leitor precisa compreender quais características tornavam um estudo elegível ou inelegível para a revisão.

Dependendo da pergunta, os critérios podem considerar elementos como:

  • população;
  • condição;
  • intervenção;
  • exposição;
  • comparador;
  • desfecho;
  • contexto;
  • desenho do estudo;
  • período;
  • idioma, quando houver restrição justificada;
  • tipo de publicação;
  • outras características pertinentes.

Não existe uma lista universal que precise ser utilizada em todas as revisões. Os critérios devem resultar da pergunta, dos objetivos e do desenho.

Critérios precisam ser suficientemente operacionais

Compare:

Critério vago: “Foram incluídos estudos relacionados ao tema.”

Critério operacional: especifica quais características da população, intervenção ou exposição, comparador, desfechos, contexto ou desenho tornam o estudo elegível.

Quanto mais subjetiva for a regra, maior será o risco de decisões inconsistentes durante a seleção.

Continue aprendendo: veja nosso guia completo sobre como definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão.

PRISMA define quais critérios devo usar?

Não.

PRISMA orienta o relato dos critérios utilizados. A definição metodológica desses critérios depende da pergunta, do desenho da revisão e das orientações metodológicas pertinentes.

Também preciso explicar como os estudos foram agrupados para a síntese?

Sim, quando houver agrupamentos relevantes.

Uma revisão pode incluir vários estudos, mas nem todos necessariamente contribuem para a mesma síntese.

Por exemplo, os estudos podem ser agrupados por:

  • tipo de intervenção;
  • comparador;
  • população;
  • desfecho;
  • tempo de acompanhamento;
  • desenho;
  • outras características definidas pela revisão.

O leitor precisa entender a lógica utilizada para determinar quais estudos contribuíram para cada síntese.

Item 6 — Fontes de informação

O item 6 trata das fontes utilizadas para identificar estudos e da data em que cada fonte foi consultada ou pesquisada pela última vez.

É comum encontrar metodologias que dizem apenas:

“A busca foi realizada em bases de dados científicas.”

Essa informação é insuficiente.

O trabalho deve identificar as fontes utilizadas.

Dependendo da revisão, isso pode incluir:

  • bases bibliográficas;
  • registros de estudos;
  • sites;
  • organizações;
  • listas de referências;
  • busca de citações;
  • outras fontes relevantes.

Por que a data da busca é importante?

Porque a literatura muda continuamente.

Dizer que uma base foi pesquisada sem informar quando a busca ocorreu dificulta avaliar até que momento a revisão procurou evidências.

Uma revisão entregue em dezembro pode ter realizado sua última busca em janeiro. Sem a data, o leitor não consegue identificar essa diferença.

Boa prática: registre a data no mesmo dia em que cada busca for executada. Não tente reconstruí-la meses depois pela memória.

Base de dados e plataforma são a mesma coisa?

Nem sempre.

Uma mesma base pode ser acessada por diferentes plataformas ou interfaces, e a sintaxe de busca pode variar.

Por isso, dependendo do contexto, informar apenas o nome genérico da fonte pode não ser suficiente para permitir a compreensão ou reprodução adequada da busca.

Item 7 — Estratégias de busca

O item 7 trata da apresentação das estratégias completas de busca utilizadas nas diferentes fontes, incluindo filtros e limites empregados.

Esse é um dos pontos mais importantes para a reprodutibilidade.

Uma metodologia como:

“Foram utilizados os descritores diabetes, exercício e qualidade de vida combinados com AND e OR.”

raramente representa uma estratégia completa.

Uma busca pode envolver:

  • vocabulário controlado;
  • termos livres;
  • sinônimos;
  • variações ortográficas;
  • operadores booleanos;
  • truncamentos;
  • proximidade, quando disponível;
  • campos de busca;
  • parênteses;
  • filtros;
  • limites;
  • sintaxe específica da plataforma.

Preciso mostrar a estratégia de todas as bases?

O objetivo é permitir que as estratégias utilizadas sejam conhecidas de maneira suficientemente completa.

Como a sintaxe costuma variar entre plataformas, não é adequado apresentar apenas uma estratégia genérica e afirmar que ela foi “adaptada” sem fornecer detalhes suficientes das adaptações relevantes.

Erro comum: apresentar somente uma lista de palavras-chave e chamar essa lista de estratégia de busca completa.

Continue aprendendo: a construção da busca começa antes da linha final de comandos. Veja como usar descritores científicos, como usar operadores booleanos e como montar uma estratégia de busca científica.

Posso colocar as estratégias no apêndice?

Dependendo do formato do trabalho e das regras institucionais, estratégias extensas podem ser apresentadas em apêndice ou material suplementar.

O importante é que estejam disponíveis e claramente relacionadas às fontes correspondentes.

Item 8 — Processo de seleção

O item 8 trata de como os estudos foram considerados elegíveis para inclusão.

Não basta informar quais eram os critérios. É necessário explicar como eles foram aplicados.

O leitor precisa compreender, conforme aplicável:

  • quantos revisores participaram;
  • se trabalharam de forma independente;
  • como divergências foram resolvidas;
  • quais etapas de seleção foram realizadas;
  • se ferramentas de automação foram utilizadas;
  • como essas ferramentas participaram do processo.

Critérios de elegibilidade e processo de seleção são coisas diferentes

Essa distinção merece destaque.

Critérios de elegibilidade respondem:

“Quais estudos podem entrar?”

Processo de seleção responde:

“Como aplicamos essas regras aos registros e relatórios encontrados?”

Uma revisão pode ter critérios excelentes e ainda relatar muito mal como eles foram aplicados.

Continue aprendendo: nosso guia sobre seleção e triagem dos estudos explica em profundidade como os critérios são aplicados durante o processo de seleção.

Preciso informar o número de revisores?

Quando pertinente ao processo realizado, sim.

Frases como:

“Os artigos foram avaliados pelos pesquisadores.”

podem ser insuficientes porque não esclarecem quantas pessoas participaram nem como as decisões foram tomadas.

Se houve avaliação independente, consenso, terceiro revisor ou outro procedimento, isso deve ser descrito de forma correspondente à realidade.

E se apenas uma pessoa realizou a seleção?

Não invente um segundo revisor para fazer o trabalho parecer metodologicamente mais robusto.

Relate transparentemente o processo que realmente ocorreu e considere essa característica na discussão das limitações quando pertinente.

Atenção: PRISMA não deve ser utilizado para reconstruir retrospectivamente um método que nunca foi executado.

E se eu utilizar Rayyan?

O uso de uma plataforma deve ser relatado de acordo com a função que ela realmente desempenhou.

Rayyan pode apoiar a organização e a triagem, mas escrever apenas:

“A seleção foi feita no Rayyan.”

não descreve todo o processo.

O leitor ainda precisa saber quem avaliou, como os critérios foram aplicados, como divergências foram resolvidas e como eventuais recursos de automação participaram.

Item 9 — Processo de coleta de dados

Depois da seleção, a revisão precisa coletar informações dos estudos incluídos.

O item 9 trata de como os dados foram coletados dos relatórios.

Dependendo do processo, o relato pode precisar esclarecer:

  • quantos revisores coletaram os dados;
  • se trabalharam independentemente;
  • como divergências foram resolvidas;
  • se autores dos estudos foram contatados;
  • se ferramentas de automação participaram;
  • como os formulários foram utilizados;
  • como a consistência dos registros foi verificada.

Extração de dados é apenas resumir os artigos?

Não.

A extração é um processo estruturado de identificação e registro das informações necessárias para responder à pergunta e realizar as análises ou sínteses planejadas.

Ela deve estar alinhada aos objetivos da revisão.

Continue aprendendo: veja como extrair dados dos artigos científicos e construir um processo rastreável para os estudos incluídos.

Preciso informar se o formulário foi testado?

Quando houve teste piloto, treinamento, calibração ou outro procedimento utilizado para melhorar a consistência da coleta, essa informação pode ser relevante para compreender o processo.

Novamente, a regra é relatar o que realmente foi feito, e não adicionar retrospectivamente uma etapa porque ela pareceria desejável.

Item 10 — Itens de dados

O item 10 trata de quais dados foram procurados nos estudos.

Ele possui dois componentes principais.

Item 10a — Desfechos e resultados procurados

O trabalho precisa especificar quais desfechos foram buscados e como foram tomadas decisões quando existiam diferentes:

  • medidas;
  • momentos de avaliação;
  • instrumentos;
  • análises;
  • formas de apresentação.

Isso é importante porque um único estudo pode apresentar vários resultados possíveis para o mesmo domínio.

Se o pesquisador escolhe apenas o resultado mais favorável depois de visualizar os dados, pode introduzir viés.

Item 10b — Outras variáveis procuradas

Além dos desfechos, a revisão normalmente coleta outras informações, como:

  • características da população;
  • tamanho da amostra;
  • idade;
  • sexo ou gênero, quando pertinente;
  • características da intervenção ou exposição;
  • comparadores;
  • duração do acompanhamento;
  • desenho do estudo;
  • contexto;
  • financiamento;
  • outras variáveis necessárias à revisão.

O relato também deve esclarecer suposições feitas sobre informações ausentes ou pouco claras quando isso for relevante.

Preciso extrair tudo o que aparece nos artigos?

Não.

Extrair dados indiscriminadamente aumenta o trabalho e pode produzir uma planilha extensa sem utilidade analítica.

Os campos devem ser definidos em função da pergunta, dos objetivos, das características necessárias para interpretar os estudos e das sínteses planejadas.

Boa prática: antes de adicionar uma coluna ao formulário de extração, pergunte: “Como esta informação será utilizada para descrever, comparar, avaliar ou sintetizar os estudos?”.

Item 11 — Avaliação do risco de viés nos estudos

O item 11 trata dos métodos utilizados para avaliar o risco de viés nos estudos incluídos.

O relato deve explicar o processo utilizado, incluindo aspectos como:

  • instrumento ou abordagem adotada;
  • quantidade de revisores;
  • independência das avaliações, quando existente;
  • resolução de divergências;
  • uso de ferramentas de automação, quando pertinente.

PRISMA diz qual ferramenta de risco de viés devo utilizar?

Não existe uma única ferramenta universal apropriada a todos os desenhos de estudo.

A escolha depende, entre outros fatores, do tipo de estudo e da pergunta da revisão.

PRISMA orienta que o método utilizado seja relatado; ele não substitui a decisão metodológica sobre qual abordagem é adequada.

Atenção: “avaliação da qualidade” e “risco de viés” não devem ser tratados automaticamente como expressões equivalentes sem considerar o instrumento e o conceito que está sendo avaliado.

PRISMA substitui a avaliação de risco de viés?

Não.

Preencher o item correspondente do checklist apenas informa ao leitor como essa dimensão foi tratada no relato.

A avaliação propriamente dita precisa ser realizada utilizando métodos apropriados.

Item 12 — Medidas de efeito

O item 12 trata das medidas de efeito utilizadas para apresentar ou sintetizar os resultados de cada desfecho.

Dependendo do tipo de dado e da pergunta, exemplos podem incluir:

  • risco relativo;
  • odds ratio;
  • diferença de médias;
  • diferença de médias padronizada;
  • razão de riscos instantâneos;
  • outras medidas apropriadas.

A medida utilizada deve ser compatível com o tipo de desfecho e com os métodos de síntese.

Todo TCC precisa apresentar uma medida de efeito?

Não de forma universal.

A aplicabilidade depende do tipo de revisão, dos estudos incluídos, dos desfechos e dos métodos utilizados.

Não se deve inventar uma medida quantitativa apenas para preencher um item do checklist.

Erro comum: acreditar que atender PRISMA significa executar todas as análises imagináveis. O correto é realizar os procedimentos metodologicamente pertinentes e relatar com transparência aquilo que foi feito.

Até aqui: os itens 3 e 4 explicam por que a revisão existe e o que pretende responder. Os itens 5 a 12 começam a tornar seus métodos rastreáveis: elegibilidade, fontes, estratégias de busca, seleção, coleta, dados procurados, risco de viés e medidas de efeito. A próxima etapa aprofunda os métodos de síntese e as avaliações relacionadas aos itens 13, 14 e 15.

Item 13 — Métodos de síntese

O Item 13 é um dos mais detalhados do PRISMA 2020 porque sintetizar resultados envolve muito mais do que simplesmente reunir números ou escrever um parágrafo resumindo os estudos.

Ele é dividido em seis subitens, de 13a a 13f, que ajudam o leitor a compreender:

  • como os estudos foram considerados elegíveis para cada síntese;
  • como os dados foram preparados;
  • como os resultados foram apresentados;
  • quais métodos de síntese foram utilizados;
  • como possíveis causas de heterogeneidade foram investigadas;
  • como análises de sensibilidade foram realizadas.

Nem todos esses componentes serão necessariamente aplicáveis da mesma maneira a toda revisão. O importante é compreender o que foi efetivamente realizado e relatá-lo com transparência.

Item 13a — Como os estudos foram considerados elegíveis para cada síntese?

Uma revisão pode incluir 40 estudos, mas isso não significa que os 40 contribuirão para todas as sínteses.

Alguns podem avaliar:

  • populações diferentes;
  • intervenções distintas;
  • comparadores diferentes;
  • desfechos diferentes;
  • tempos de acompanhamento diferentes;
  • formas diferentes de mensurar o mesmo construto.

O Item 13a pede que o relato permita compreender como os pesquisadores decidiram quais estudos contribuiriam para cada síntese.

Exemplo didático

Imagine uma revisão com 30 estudos incluídos.

Desses:

  • 22 avaliaram o desfecho A;
  • 17 avaliaram o desfecho B;
  • 12 avaliaram ambos;
  • alguns utilizaram comparadores diferentes;
  • outros apresentaram resultados em tempos de acompanhamento incompatíveis.

Não seria adequado simplesmente afirmar:

“Os 30 estudos foram analisados em conjunto.”

O leitor precisa compreender quais estudos contribuíram para quais análises ou sínteses e por quê.

Visão metodológica: inclusão na revisão e inclusão em determinada síntese não são necessariamente a mesma coisa. Um estudo pode ser elegível para a revisão, mas não contribuir para todas as sínteses realizadas.

Como relacionar os estudos às sínteses?

Os pesquisadores podem utilizar características definidas pelos critérios e pelos objetivos da revisão para estruturar os agrupamentos.

Dependendo da pergunta, isso pode envolver:

  • população;
  • intervenção;
  • exposição;
  • comparador;
  • desfecho;
  • tempo de acompanhamento;
  • desenho;
  • contexto;
  • outras características pertinentes.

O importante é que a lógica seja metodologicamente justificável e suficientemente transparente.

Item 13b — Como os dados foram preparados para a síntese?

Dados extraídos dos estudos nem sempre chegam em uma forma diretamente comparável.

Pode ser necessário realizar algum tipo de preparação antes da síntese.

Dependendo da revisão, isso pode envolver:

  • conversão de unidades;
  • transformação de medidas;
  • cálculo de estatísticas ausentes a partir de dados disponíveis;
  • combinação de categorias;
  • tratamento de dados reportados em formatos diferentes;
  • outras transformações necessárias.

Quando essas operações são realizadas, precisam ser suficientemente descritas.

Por que isso importa?

Porque duas revisões podem extrair os mesmos estudos e produzir resultados diferentes se prepararem os dados de maneiras diferentes.

Sem essa informação, o leitor pode enxergar apenas o resultado final, sem compreender como os dados originais foram transformados.

Boa prática: preserve uma trilha entre o dado encontrado no estudo, o dado registrado na extração e qualquer transformação realizada antes da síntese.

Item 13c — Como os resultados dos estudos foram tabulados ou apresentados visualmente?

O Item 13c trata dos métodos utilizados para tabular ou apresentar visualmente os resultados dos estudos e das sínteses.

Isso pode incluir, conforme o tipo de revisão:

  • tabelas;
  • quadros;
  • gráficos;
  • forest plots;
  • outras formas de visualização.

O objetivo não é acrescentar figuras por estética, mas permitir que o leitor compreenda como os resultados foram organizados e comparados.

Continue aprendendo: quando o objetivo é organizar comparativamente os estudos incluídos, veja como montar um quadro de síntese.

Quadro de síntese e método de síntese são a mesma coisa?

Não.

Um quadro pode organizar características e resultados, facilitando a comparação entre estudos.

Entretanto, a síntese envolve a maneira como os achados são integrados, interpretados ou combinados para responder à pergunta da revisão.

Organizar informações em uma tabela não substitui automaticamente uma estratégia de síntese.

Item 13d — Quais métodos foram utilizados para sintetizar os resultados?

Este subitem trata diretamente dos métodos utilizados para realizar cada síntese.

Quando uma meta-análise é realizada, o relato pode precisar incluir detalhes sobre:

  • modelo estatístico;
  • métodos de estimação;
  • medidas de heterogeneidade;
  • software;
  • pacotes ou funções utilizados, quando pertinente;
  • outros parâmetros relevantes.

Quando não existe meta-análise, os métodos utilizados para sintetizar os resultados também precisam ser descritos.

PRISMA exige meta-análise?

Não.

Uma revisão sistemática pode não realizar meta-análise quando uma combinação estatística não é adequada ou não é possível.

A ausência de meta-análise não elimina a necessidade de explicar como os resultados foram sintetizados.

Atenção: “não fizemos meta-análise” não é uma descrição completa do método de síntese. O leitor ainda precisa compreender como os resultados dos estudos foram organizados e interpretados.

Posso simplesmente dizer que foi realizada uma síntese narrativa?

A expressão pode identificar de maneira geral uma abordagem, mas muitas vezes é necessário explicar com maior precisão como os estudos foram agrupados, comparados e sintetizados.

Uma frase genérica como:

“Foi realizada síntese narrativa dos resultados.”

pode deixar sem resposta perguntas como:

  • quais estudos foram agrupados?
  • por qual lógica?
  • quais resultados foram priorizados?
  • como diferenças entre estudos foram consideradas?
  • como padrões ou inconsistências foram identificados?

Item 13e — Como foram investigadas possíveis causas de heterogeneidade?

Estudos incluídos em uma revisão podem diferir entre si.

Essas diferenças podem estar relacionadas a:

  • populações;
  • intervenções;
  • exposições;
  • comparadores;
  • desfechos;
  • instrumentos de medida;
  • tempos de acompanhamento;
  • desenhos metodológicos;
  • contextos;
  • outros fatores.

Quando os pesquisadores realizam análises para explorar possíveis causas de heterogeneidade, os métodos utilizados precisam ser relatados.

Dependendo da revisão, isso pode envolver análises de subgrupos, meta-regressão ou outras abordagens apropriadas.

Toda revisão precisa realizar análise de heterogeneidade?

Não existe uma única análise aplicável universalmente.

A abordagem depende do tipo de síntese, da quantidade e das características dos estudos e da pergunta investigada.

Novamente, o objetivo não é realizar um procedimento apenas para preencher o checklist.

Item 13f — Como foram realizadas as análises de sensibilidade?

As análises de sensibilidade ajudam a examinar se determinadas escolhas ou pressupostos influenciam substancialmente os resultados da síntese.

Dependendo da revisão, pode-se investigar, por exemplo, o que acontece quando:

  • determinados estudos são removidos;
  • certos pressupostos são alterados;
  • métodos analíticos diferentes são utilizados;
  • decisões específicas de inclusão ou análise são modificadas.

Se análises de sensibilidade foram realizadas, seus métodos precisam ser explicados.

Se não eram pertinentes ou não foram realizadas, não devem ser inventadas retrospectivamente apenas porque aparecem no checklist.

Item 13 em uma visão rápida

Subitem Pergunta prática
13a Como foi decidido quais estudos contribuiriam para cada síntese?
13b Como os dados foram preparados antes da síntese?
13c Como os resultados foram tabulados ou apresentados visualmente?
13d Quais métodos foram utilizados para sintetizar os resultados?
13e Como possíveis causas de heterogeneidade foram investigadas?
13f Como análises de sensibilidade foram realizadas?

Item 14 — Avaliação do risco de viés decorrente de resultados ausentes

O Item 14 trata dos métodos utilizados para avaliar o risco de viés decorrente da ausência de resultados em uma síntese, incluindo situações relacionadas a vieses de relato.

Esse problema pode ocorrer quando os resultados disponíveis na literatura não representam de maneira completa tudo o que foi medido ou produzido.

Por exemplo, resultados estatisticamente significativos ou considerados interessantes podem ter maior probabilidade de:

  • ser publicados;
  • ser apresentados com destaque;
  • aparecer em determinadas publicações;
  • ser relatados de forma suficientemente detalhada.

Resultados não significativos ou desfavoráveis podem, em determinados contextos, ser menos visíveis ou não ser relatados.

Isso é a mesma coisa que risco de viés dentro de cada estudo?

Não.

É importante distinguir:

Item 11 → risco de viés nos estudos incluídos.

Item 14 → métodos utilizados para avaliar risco de viés decorrente de resultados ausentes em uma síntese.

As duas dimensões podem afetar a confiança nos achados, mas não são equivalentes.

PRISMA define uma única ferramenta para isso?

Não.

Os métodos adequados dependem da revisão, do tipo de síntese, da quantidade de estudos e das orientações metodológicas pertinentes.

Se uma avaliação foi realizada, o relatório deve explicar como.

Item 15 — Avaliação da certeza das evidências

O Item 15 trata dos métodos utilizados para avaliar a certeza ou confiança no corpo de evidências para determinado resultado.

Essa avaliação é diferente de simplesmente observar se um resultado foi estatisticamente significativo.

A certeza das evidências pode considerar diferentes dimensões, dependendo da abordagem utilizada.

PRISMA determina qual sistema devo usar?

Não.

PRISMA solicita transparência sobre os métodos utilizados para avaliar a certeza das evidências. A escolha da abordagem depende do contexto metodológico da revisão.

Se uma abordagem específica foi utilizada, o trabalho deve explicar como ela foi aplicada.

E se minha revisão não avaliou formalmente a certeza das evidências?

Não se deve afirmar que a avaliação ocorreu se ela não foi realizada.

A ausência de determinada avaliação pode ter implicações metodológicas que precisam ser consideradas, mas preencher o checklist não autoriza criar retrospectivamente um procedimento inexistente.

Erro comum: encontrar um item PRISMA no final do trabalho e acrescentar uma frase dizendo que determinada avaliação foi realizada, embora não exista nenhum registro, método ou resultado correspondente.

Resumo dos Itens 5 a 15 — Métodos

Item O que precisa ficar transparente?
5 Critérios de elegibilidade e agrupamento dos estudos para sínteses
6 Fontes de informação e datas das buscas
7 Estratégias completas de busca
8 Processo de seleção dos estudos
9 Processo de coleta dos dados
10 Desfechos e outras variáveis procuradas
11 Métodos de avaliação do risco de viés nos estudos
12 Medidas de efeito utilizadas
13 Métodos utilizados nas sínteses
14 Métodos para avaliar risco de viés decorrente de resultados ausentes
15 Métodos para avaliar a certeza das evidências

Como preencher o checklist PRISMA sem transformar o processo em burocracia?

Depois de conhecer os itens, surge uma dúvida prática: como utilizar o checklist sem simplesmente marcar caixas?

Uma abordagem útil é tratá-lo como uma matriz de auditoria do relato.

1. Trabalhe com a versão quase final do texto

O checklist pode ser consultado durante todo o desenvolvimento, mas a auditoria detalhada precisa considerar uma versão suficientemente estável do trabalho.

Isso reduz o risco de registrar que determinado item está na página 18 e, depois de várias alterações, descobrir que a informação mudou de lugar ou desapareceu.

2. Leia o item completo antes de procurar a informação

Não faça a auditoria apenas pelos títulos dos itens.

Quando houver subitens ou componentes detalhados, verifique cada um deles.

Se houver dúvida, consulte o checklist expandido e o documento de explicação e elaboração.

3. Localize a evidência dentro do próprio trabalho

Para cada item aplicável, identifique onde a informação aparece.

Uma matriz simples pode ser organizada assim:

Item Informação esperada Onde aparece? Situação Ação
5 Critérios de elegibilidade Métodos, seção 2.2 Completo
6 Fontes e datas Métodos, seção 2.3 Parcial Adicionar data da última busca
7 Estratégias completas Apêndice A Completo Conferir versão final
8 Processo de seleção Métodos, seção 2.4 Parcial Explicar resolução de divergências

Esse sistema transforma o checklist em uma ferramenta de revisão editorial e metodológica muito mais útil do que uma coluna de “sim” e “não”.

4. Diferencie ausência de relato e ausência de procedimento

Imagine que o checklist peça informações sobre uma avaliação de risco de viés.

Existem pelo menos três situações possíveis:

Situação A: a avaliação foi realizada, mas não foi adequadamente descrita.

Situação B: a avaliação não foi realizada.

Situação C: o componente não é aplicável ao desenho ou à situação específica.

As três situações exigem respostas diferentes.

Na Situação A, pode ser possível melhorar o relato utilizando a documentação existente.

Na Situação B, não se deve inventar retrospectivamente uma avaliação.

Na Situação C, a inaplicabilidade precisa ser genuína.

Atenção: o checklist não deve ser usado para transformar “não fizemos” em “fizemos, mas esquecemos de escrever”. Primeiro descubra o que realmente aconteceu.

5. Não corrija lacunas metodológicas apenas com redação

Algumas lacunas são editoriais.

Por exemplo, a data da busca foi registrada em uma planilha, mas não apareceu no texto. Nesse caso, o relato pode ser corrigido.

Outras lacunas são metodológicas.

Por exemplo, nenhuma avaliação de risco de viés foi realizada, embora ela fosse pertinente ao desenho.

Nesse caso, adicionar uma frase genérica não resolve o problema.

6. Confira o checklist contra a documentação original

Quando possível, não confie apenas na narrativa final.

Compare informações com:

  • protocolo;
  • registro;
  • planilhas;
  • arquivos das buscas;
  • bibliotecas de referências;
  • registros de triagem;
  • formulários de extração;
  • avaliações de risco de viés;
  • scripts;
  • outros documentos da revisão.

Isso ajuda a detectar discrepâncias entre o que foi realizado e o que acabou escrito.

7. Faça uma segunda conferência independente quando possível

Quem escreveu o texto pode deixar de perceber uma omissão porque já conhece o processo e preenche mentalmente informações que não estão realmente no documento.

Quando possível, uma segunda pessoa pode conferir se consegue localizar e compreender os elementos indicados no checklist.

8. Atualize a auditoria depois de alterações importantes

Se o trabalho sofrer mudanças substanciais após o preenchimento do checklist, faça uma nova conferência.

Isso é especialmente importante quando:

  • estudos são adicionados ou removidos;
  • uma busca é atualizada;
  • uma síntese é refeita;
  • o número de estudos muda;
  • seções são reorganizadas;
  • tabelas ou apêndices são substituídos.

Boa prática: considere o checklist preenchido como uma fotografia da versão auditada. Se a versão do trabalho muda significativamente, a fotografia também precisa ser atualizada.

9. Não transforme “completude” em excesso de texto

Relatar de forma completa não significa repetir a mesma informação em várias seções.

Uma informação pode ser apresentada no local adequado e, quando necessário, referenciada em outra parte.

O objetivo é completude com clareza, e não extensão artificial.

10. Use o checklist para encontrar inconsistências, não apenas omissões

A auditoria pode revelar não apenas informações ausentes, mas também contradições.

Por exemplo:

  • o protocolo previa duas bases, mas a metodologia relata quatro;
  • a metodologia informa dois revisores, mas o registro operacional mostra apenas um;
  • o fluxograma informa 80 estudos, mas a tabela apresenta 76;
  • a estratégia apresentada no apêndice não corresponde àquela realmente executada;
  • o resumo informa uma data de busca diferente da metodologia.

Essas inconsistências precisam ser investigadas e reconciliadas.

Checklist preenchido significa revisão metodologicamente perfeita?

Não.

Essa conclusão confundiria qualidade do relato com qualidade metodológica.

Considere dois cenários:

Cenário 1: uma revisão relata detalhadamente que pesquisou apenas uma fonte, utilizou um único avaliador e não realizou determinada avaliação pertinente.

Cenário 2: uma revisão pesquisou várias fontes, utilizou procedimentos metodológicos cuidadosos e realizou avaliações relevantes, mas descreveu tudo de maneira tão incompleta que o leitor não consegue compreender o processo.

No primeiro caso, existe transparência sobre possíveis limitações metodológicas.

No segundo, métodos potencialmente melhores estão mal relatados.

PRISMA contribui para reduzir o segundo problema e torna o primeiro mais visível, mas não substitui uma avaliação crítica dos métodos.

Em resumo: preencher o checklist PRISMA não é procurar 27 palavras dentro do TCC. É verificar sistematicamente se o relatório contém as informações aplicáveis, se elas correspondem ao que realmente foi realizado e se permitem ao leitor compreender o processo da revisão sem depender de suposições.

Como relatar os resultados segundo o PRISMA?

Depois de explicar o que foi planejado e como a revisão foi conduzida, o relatório precisa mostrar o que efetivamente aconteceu e o que foi encontrado.

No checklist PRISMA 2020, os resultados correspondem aos Itens 16 a 22.

Essa seção abrange:

  • seleção dos estudos;
  • características dos estudos;
  • risco de viés nos estudos;
  • resultados individuais;
  • resultados das sínteses;
  • vieses de relato;
  • certeza das evidências.

Existe uma relação direta entre os métodos e os resultados.

Se a seção de métodos explica como determinada avaliação foi realizada, os resultados devem apresentar o que essa avaliação encontrou, quando aplicável.

Métodos Resultados correspondentes
Como os estudos foram selecionados Quantos avançaram ou foram excluídos em cada etapa
Como o risco de viés foi avaliado Resultados da avaliação do risco de viés
Como os dados foram sintetizados Resultados das sínteses
Como vieses decorrentes de resultados ausentes foram avaliados Resultados dessas avaliações
Como a certeza das evidências foi avaliada Resultados da avaliação de certeza

Visão metodológica: métodos e resultados devem formar pares coerentes. Se o texto descreve um procedimento metodológico, o leitor espera encontrar seus resultados quando aplicável. Da mesma forma, um resultado importante não deveria aparecer sem que o método correspondente tenha sido explicado.

Item 16 — Seleção dos estudos

O Item 16 é dividido em 16a e 16b e está diretamente relacionado ao conhecido fluxograma PRISMA.

Item 16a — Resultados do processo de busca e seleção

O Item 16a pede que sejam descritos os resultados do processo de busca e seleção, desde os registros inicialmente identificados até os estudos finalmente incluídos.

Essas informações costumam ser apresentadas por meio de um fluxograma.

É aqui que entram números como:

  • registros identificados;
  • registros removidos antes da triagem;
  • duplicatas removidas;
  • registros triados;
  • registros excluídos;
  • relatórios procurados para recuperação;
  • relatórios não recuperados;
  • relatórios avaliados quanto à elegibilidade;
  • relatórios excluídos após avaliação detalhada;
  • estudos incluídos.

As categorias concretas dependem do modelo de fluxograma aplicável e do processo efetivamente realizado.

Um exemplo numérico para acompanhar o restante do guia

Para tornar a explicação mais concreta, utilizaremos um exemplo hipotético ao longo das próximas seções.

Imagine que uma revisão tenha registrado:

  • 2.590 registros identificados;
  • 640 duplicatas removidas antes da triagem;
  • 1.950 registros triados por título e resumo;
  • 1.610 registros excluídos nessa etapa;
  • 340 relatórios procurados para recuperação;
  • 8 relatórios não recuperados;
  • 332 relatórios avaliados quanto à elegibilidade;
  • 247 relatórios excluídos após avaliação detalhada;
  • 85 relatórios incluídos;
  • esses 85 relatórios correspondem a 78 estudos incluídos.

Esse exemplo é exclusivamente didático. Os números não representam uma quantidade ideal ou recomendada de estudos.

Atenção: não existe um número “bonito” que o fluxograma precise alcançar. Uma revisão pode terminar com poucos ou muitos estudos. As contagens devem representar o processo real.

As contas precisam fechar?

Sim. As transições numéricas precisam ser coerentes com o processo relatado.

No exemplo:

2.590 − 640 = 1.950 registros triados.

Depois:

1.950 − 1.610 = 340 relatórios procurados para recuperação.

Depois:

340 − 8 = 332 relatórios avaliados quanto à elegibilidade.

Finalmente:

332 − 247 = 85 relatórios.

Esses 85 relatórios correspondem, no exemplo, a 78 estudos porque um mesmo estudo pode possuir mais de um relatório.

Por que fazer essa auditoria aritmética?

Porque erros simples podem comprometer a compreensão de todo o processo.

Imagine um fluxograma informando:

  • 1.000 registros triados;
  • 800 excluídos;
  • 250 relatórios procurados.

Sem outra explicação, os números não fecham: 1.000 − 800 = 200, não 250.

Essa inconsistência pode resultar de:

  • erro de digitação;
  • versão desatualizada do fluxograma;
  • mudança posterior na seleção;
  • contagem feita em unidades diferentes;
  • mistura entre registros, relatórios e estudos;
  • documentação incompleta.

Boa prática: antes de finalizar o fluxograma, refaça todas as operações entre uma etapa e outra e compare as contagens com os arquivos originais da revisão.

O fluxograma substitui a descrição textual da seleção?

Não necessariamente.

O fluxograma oferece uma representação visual extremamente útil, mas o texto pode contextualizar aspectos que não ficam claros apenas pelas caixas e setas.

O importante é evitar contradições entre:

  • fluxograma;
  • metodologia;
  • resultados;
  • resumo;
  • tabelas;
  • eventuais materiais suplementares.

Item 16b — Estudos aparentemente elegíveis que foram excluídos

O Item 16b trata de estudos que poderiam parecer elegíveis, mas foram excluídos, exigindo que sejam citados e que a razão da exclusão seja explicada.

Esse ponto não deve ser confundido com a exclusão rotineira de todos os registros considerados irrelevantes durante a leitura de título e resumo.

Preciso listar todos os artigos excluídos pelo título e resumo?

Não é essa a finalidade do Item 16b.

Durante a triagem inicial, centenas ou milhares de registros podem ser excluídos por não atenderem claramente aos critérios.

O foco aqui está em relatórios que, após avaliação mais detalhada, poderiam parecer elegíveis e cuja exclusão merece transparência.

Por que citar estudos excluídos?

Porque o leitor pode conhecer um estudo aparentemente relevante e perguntar:

“Por que este trabalho não entrou na revisão?”

Se a exclusão não estiver documentada, pode parecer uma omissão acidental ou seletiva.

Registrar a razão ajuda a tornar a decisão verificável.

Como registrar os motivos?

Os motivos precisam ser específicos o suficiente para refletir o critério que não foi atendido.

Exemplos genéricos:

  • população inelegível;
  • intervenção ou exposição fora do escopo;
  • comparador incompatível;
  • desfecho não elegível;
  • desenho de estudo não elegível;
  • tipo de publicação não elegível;
  • contexto fora dos critérios.

A classificação exata dependerá dos critérios definidos na revisão.

Erro comum: usar “não atende aos critérios” como motivo para praticamente todas as exclusões. A frase não informa qual critério falhou.

Um relatório pode ter mais de um motivo para exclusão?

Na prática, um relatório pode violar mais de um critério.

Entretanto, para contagens agregadas do fluxo, é importante utilizar uma lógica consistente que evite contar o mesmo relatório várias vezes quando o objetivo é reconciliar o número total de exclusões.

Uma estratégia operacional é estabelecer uma hierarquia de motivos e registrar um motivo principal por relatório para a contagem do fluxograma, mantendo detalhes adicionais na documentação interna quando necessário.

Exemplo de distribuição das 247 exclusões

No nosso exemplo hipotético, os 247 relatórios excluídos após avaliação detalhada poderiam ser distribuídos assim:

Motivo principal Número de relatórios
População fora dos critérios 72
Intervenção ou exposição incompatível 58
Desenho de estudo não elegível 51
Desfecho ou contexto fora do escopo 39
Tipo de publicação não elegível 27
Total 247

Novamente, os valores são apenas didáticos.

A vantagem do exemplo é mostrar que:

72 + 58 + 51 + 39 + 27 = 247.

O total de motivos contabilizados corresponde ao número de relatórios excluídos nessa etapa.

Visão metodológica: o fluxograma não deve ser tratado como uma ilustração decorativa produzida depois da revisão. Ele é uma representação condensada de decisões que precisam estar documentadas e reconciliadas.

Item 17 — Características dos estudos

Depois de informar quais estudos foram incluídos, o Item 17 pede que cada estudo seja citado e que suas características sejam apresentadas.

Essas características ajudam o leitor a compreender que tipo de evidência compõe a revisão.

Dependendo da pergunta, podem ser relevantes informações como:

  • autor e ano;
  • país ou contexto;
  • desenho;
  • tamanho da amostra;
  • características dos participantes;
  • intervenção;
  • exposição;
  • comparador;
  • desfechos;
  • tempo de acompanhamento;
  • outras variáveis importantes.

Existe uma tabela universal de características?

Não.

As colunas precisam refletir as informações necessárias para compreender e comparar os estudos incluídos.

Uma tabela adequada para uma revisão de ensaios clínicos pode ser inadequada para uma revisão de estudos observacionais.

Continue aprendendo: veja como montar um quadro de síntese para organizar características e resultados sem criar uma tabela excessivamente extensa ou pouco funcional.

Preciso citar cada estudo incluído?

Sim, os estudos incluídos precisam ser identificáveis.

Isso permite que o leitor saiba exatamente quais investigações sustentam a síntese.

É importante não confundir:

  • citar estudos incluídos como parte da revisão;
  • citar referências metodológicas utilizadas para justificar os procedimentos;
  • citar revisões anteriores na introdução ou discussão.

São funções bibliográficas diferentes.

Item 18 — Risco de viés nos estudos

O Item 18 apresenta os resultados das avaliações de risco de viés realizadas para os estudos incluídos.

Ele é a contraparte do Item 11, que descreveu os métodos utilizados para realizar essa avaliação.

Dependendo da ferramenta adotada, os resultados podem ser apresentados:

  • por domínio;
  • por estudo;
  • em tabelas;
  • em figuras;
  • por categorias definidas pelo instrumento;
  • por outras formas apropriadas.

Posso transformar risco de viés em uma nota total?

Isso depende do instrumento utilizado.

Não é adequado criar uma pontuação numérica própria quando a ferramenta não foi desenvolvida ou validada para esse tipo de soma.

A interpretação precisa respeitar a lógica do instrumento escolhido.

Atenção: não converta automaticamente julgamentos qualitativos em uma nota percentual de “qualidade” apenas para facilitar a apresentação.

O resultado da avaliação precisa influenciar a síntese?

O risco de viés não deveria aparecer apenas como uma tabela isolada sem qualquer relação com a interpretação da evidência.

Dependendo dos métodos planejados, ele pode contribuir para:

  • interpretação dos resultados;
  • análises de sensibilidade;
  • avaliação da certeza das evidências;
  • discussão das limitações;
  • outras decisões metodológicas pertinentes.

A forma concreta dessa integração depende da abordagem utilizada.

Item 19 — Resultados dos estudos individuais

O Item 19 trata da apresentação, para cada desfecho, dos resultados de cada estudo e das estimativas de efeito e sua precisão quando aplicável.

Em sínteses quantitativas, isso pode envolver medidas como:

  • estimativa de efeito;
  • intervalo de confiança;
  • dados necessários para interpretar o resultado;
  • representações estruturadas ou gráficas.

Em outros tipos de síntese, a forma de apresentação será diferente, mas o princípio permanece: o leitor precisa conseguir compreender quais resultados dos estudos sustentam a síntese.

Por que não apresentar apenas a conclusão geral?

Porque uma síntese como:

“A maioria dos estudos apresentou resultados positivos.”

pode ocultar diferenças importantes.

Por exemplo:

  • o que significa “positivo”?
  • quais foram as magnitudes dos efeitos?
  • quais estudos não encontraram o mesmo resultado?
  • os intervalos de confiança eram amplos?
  • os estudos tinham tamanhos de amostra muito diferentes?
  • avaliaram exatamente o mesmo desfecho?

Apresentar os resultados individuais de maneira adequada permite que a síntese seja examinada com mais transparência.

Item 20 — Resultados das sínteses

O Item 20 apresenta os resultados das sínteses realizadas e possui quatro subitens: 20a, 20b, 20c e 20d.

Item 20a — Características e risco de viés dos estudos que contribuíram para cada síntese

Para cada síntese, o leitor precisa compreender as características dos estudos que contribuíram para ela e o risco de viés correspondente.

Isso ajuda a interpretar os resultados no contexto da evidência que realmente os produziu.

Uma estimativa combinada, por exemplo, não deveria ser interpretada isoladamente das características e limitações dos estudos que a compõem.

Item 20b — Resultados das sínteses estatísticas

Quando uma meta-análise ou outra síntese estatística é realizada, o relatório deve apresentar os resultados de maneira suficientemente detalhada.

Dependendo da análise, isso pode incluir:

  • estimativa combinada;
  • precisão da estimativa;
  • medidas de heterogeneidade;
  • direção do efeito;
  • outras estatísticas relevantes.

Significância estatística basta?

Não.

Interpretar apenas se um valor de p ficou abaixo ou acima de determinado limiar pode ocultar informações importantes sobre:

  • magnitude do efeito;
  • precisão;
  • heterogeneidade;
  • relevância clínica ou prática;
  • certeza das evidências;
  • limitações dos estudos.

Erro comum: resumir uma síntese complexa em “houve diferença significativa” sem apresentar magnitude, precisão e contexto suficientes para interpretar o achado.

Item 20c — Resultados das investigações de heterogeneidade

Se os métodos incluíram análises para investigar possíveis causas de heterogeneidade, os resultados dessas análises precisam ser apresentados.

Por exemplo, se foram realizadas análises de subgrupos, o leitor deve conhecer os resultados relevantes e as limitações de sua interpretação.

Explorar heterogeneidade significa provar sua causa?

Não necessariamente.

Uma associação observada em uma análise de subgrupo ou outra investigação não deve ser automaticamente interpretada como demonstração causal.

A força da interpretação depende do desenho, da quantidade de estudos, do planejamento da análise, da consistência dos achados e de outros fatores.

Item 20d — Resultados das análises de sensibilidade

Se foram realizadas análises de sensibilidade, seus resultados precisam ser apresentados.

A pergunta central é:

os principais resultados permanecem semelhantes quando determinadas decisões ou pressupostos são modificados?

Se pequenas mudanças produzem grandes alterações, isso pode ser relevante para a interpretação da robustez dos achados.

Exemplo conceitual

Imagine que uma meta-análise apresente determinado efeito quando todos os estudos são incluídos.

Ao excluir estudos classificados com maior risco de viés, o efeito diminui substancialmente ou desaparece.

Essa informação pode ser importante para compreender a estabilidade da conclusão.

Item 20 em uma visão rápida

Subitem Pergunta prática
20a Quais características e riscos de viés possuem os estudos que contribuíram para cada síntese?
20b Quais foram os resultados das sínteses estatísticas?
20c O que foi encontrado nas investigações de possíveis causas de heterogeneidade?
20d O que mostraram as análises de sensibilidade?

Até aqui: os resultados precisam mostrar não apenas quantos estudos chegaram ao final, mas também quais estudos foram incluídos, suas características, seus riscos de viés, seus resultados individuais e o que emergiu das sínteses. A próxima parte conclui os Resultados com os Itens 21 e 22 e avança para Discussão e Outras Informações.

Item 21 — Vieses de relato

O Item 21 apresenta os resultados das avaliações do risco de viés decorrente de resultados ausentes realizadas para cada síntese avaliada.

Ele corresponde, nos Resultados, ao método descrito anteriormente no Item 14.

A lógica é semelhante à relação existente entre outros pares do checklist:

Método Resultado correspondente
Item 11 — Como o risco de viés nos estudos foi avaliado Item 18 — Resultados da avaliação de risco de viés
Item 13 — Como as sínteses foram realizadas Item 20 — Resultados das sínteses
Item 14 — Como o risco de viés decorrente de resultados ausentes foi avaliado Item 21 — Resultados dessa avaliação
Item 15 — Como a certeza das evidências foi avaliada Item 22 — Resultados da avaliação de certeza

Essa correspondência ajuda a fazer uma auditoria simples:

se um método foi relatado, existe um resultado correspondente quando aplicável?

O que significa resultado ausente?

Nem todo resultado produzido por um estudo necessariamente se torna igualmente visível na literatura.

Dependendo do contexto, podem ocorrer problemas relacionados à:

  • não publicação de determinados estudos;
  • publicação seletiva de resultados;
  • omissão de determinados desfechos;
  • apresentação incompleta de resultados;
  • maior visibilidade de achados estatisticamente significativos ou considerados interessantes.

Esses mecanismos podem fazer com que a evidência disponível para uma síntese não represente integralmente a evidência produzida.

Item 21 é sinônimo de viés de publicação?

Não é adequado reduzir todo o problema apenas à expressão viés de publicação.

O risco decorrente de resultados ausentes pode envolver diferentes mecanismos de não disponibilidade ou relato seletivo.

O método escolhido para avaliar esse risco precisa ser coerente com o tipo de síntese e com os dados disponíveis.

Preciso apresentar um funnel plot em toda revisão?

Não.

Um gráfico de funil não é uma exigência automática para qualquer revisão sistemática.

Sua utilidade e interpretação dependem de diferentes fatores, incluindo o tipo e a quantidade de estudos disponíveis.

Além disso, assimetria em um gráfico de funil não possui uma única explicação possível.

Atenção: não acrescente uma análise apenas porque ela aparece frequentemente em artigos de revisão. O procedimento precisa ser pertinente aos dados e ao método utilizado.

Como relatar o Item 21?

Se uma avaliação foi realizada, o relatório deve apresentar seus resultados de forma compatível com o método descrito anteriormente.

Isso pode envolver, conforme a abordagem utilizada:

  • resultados de avaliações estruturadas;
  • gráficos;
  • testes;
  • comparações entre protocolos, registros e publicações;
  • outras evidências pertinentes.

O importante é não limitar o relato a uma frase genérica como:

“Não houve viés de publicação.”

Uma afirmação desse tipo precisa estar apoiada por um método e por resultados que permitam compreender como a conclusão foi alcançada.

Erro comum: declarar ausência de viés simplesmente porque nenhum problema foi percebido visualmente durante a leitura dos artigos.

Item 22 — Certeza das evidências

O Item 22 apresenta os resultados das avaliações de certeza ou confiança no corpo de evidências para os desfechos avaliados.

Ele corresponde ao Item 15 da seção de métodos.

A avaliação de certeza procura responder, dentro da abordagem utilizada, até que ponto é possível confiar no conjunto de evidências relacionado a determinado resultado.

Certeza das evidências é a mesma coisa que significância estatística?

Não.

Um resultado estatisticamente significativo não significa automaticamente que exista alta certeza nas evidências.

Da mesma forma, a ausência de significância estatística não determina sozinha a certeza do corpo de evidências.

Dependendo da abordagem adotada, podem ser considerados fatores relacionados a:

  • limitações metodológicas;
  • inconsistência;
  • imprecisão;
  • indireção;
  • risco decorrente de resultados ausentes;
  • outros aspectos previstos no sistema utilizado.

A certeza é avaliada para a revisão inteira?

Nem sempre.

Em diferentes abordagens, a avaliação pode estar relacionada a resultados ou desfechos específicos.

Isso é importante porque uma mesma revisão pode apresentar maior confiança para determinado resultado e menor confiança para outro.

Como apresentar os resultados?

A apresentação precisa ser coerente com o sistema de avaliação utilizado.

Dependendo da abordagem, podem ser empregados:

  • tabelas;
  • quadros;
  • categorias de certeza;
  • justificativas para julgamentos;
  • resumos estruturados das evidências.

O leitor deve conseguir compreender não apenas a categoria final, mas, quando pertinente, as razões que sustentam o julgamento.

Visão metodológica: resultado do estudo, estimativa combinada, risco de viés e certeza das evidências são conceitos relacionados, mas diferentes. Fundi-los em uma única ideia de “qualidade” pode empobrecer a interpretação da revisão.

Resumo dos Itens 16 a 22 — Resultados

Item O que deve ficar transparente?
16 Como os estudos avançaram pelo processo de seleção e quais exclusões relevantes ocorreram
17 Quais são as características dos estudos incluídos
18 Quais foram os resultados das avaliações de risco de viés
19 Quais foram os resultados dos estudos individuais
20 Quais foram os resultados das sínteses, heterogeneidade e análises de sensibilidade
21 Quais foram os resultados das avaliações relacionadas a vieses decorrentes de resultados ausentes
22 Qual foi a certeza ou confiança nas evidências avaliadas

Como relatar a discussão segundo o PRISMA?

Depois de apresentar os resultados, a revisão precisa interpretá-los.

No PRISMA 2020, o Item 23 trata da Discussão e está dividido em quatro componentes:

  • 23a — interpretação geral dos resultados no contexto de outras evidências;
  • 23b — limitações das evidências incluídas;
  • 23c — limitações dos processos utilizados na própria revisão;
  • 23d — implicações dos resultados.

Essa estrutura ajuda a evitar uma discussão que apenas repete os resultados.

Item 23a — Interpretação geral dos resultados

A discussão deve fornecer uma interpretação geral dos resultados no contexto das demais evidências.

Isso significa ir além de frases como:

“Foram incluídos 20 estudos e 15 apresentaram resultados positivos.”

Essa frase resume dados, mas ainda não os interpreta adequadamente.

Uma discussão mais analítica pode considerar questões como:

  • os resultados são consistentes entre os estudos?
  • existem diferenças relevantes entre populações ou contextos?
  • os achados convergem com revisões anteriores?
  • existem divergências importantes?
  • quais explicações plausíveis podem ser consideradas?
  • qual é a magnitude dos efeitos?
  • qual é a precisão das estimativas?
  • qual é a certeza das evidências?

Posso simplesmente comparar quantos estudos “deram certo” e quantos “não deram”?

Essa estratégia pode ser enganosa.

Dois estudos não possuem necessariamente o mesmo:

  • tamanho de amostra;
  • risco de viés;
  • desenho;
  • precisão;
  • população;
  • intervenção;
  • desfecho;
  • tempo de acompanhamento.

Contar estudos como se cada um fosse um voto equivalente pode simplificar excessivamente a evidência.

Erro comum: transformar síntese científica em uma votação: “dez estudos foram favoráveis e seis desfavoráveis; portanto, a intervenção funciona”. A interpretação precisa considerar características, resultados e limitações da evidência.

Item 23b — Limitações das evidências incluídas

O Item 23b pede que sejam discutidas as limitações das evidências incluídas na revisão.

Essas limitações pertencem principalmente ao corpo de estudos encontrado.

Exemplos podem incluir:

  • amostras pequenas;
  • alto risco de viés;
  • imprecisão;
  • heterogeneidade importante;
  • medidas pouco comparáveis;
  • curto acompanhamento;
  • populações muito específicas;
  • evidência indireta;
  • resultados incompletamente relatados;
  • poucos estudos para determinados desfechos.

Item 23c — Limitações dos processos da própria revisão

O Item 23c trata de algo diferente: as limitações dos processos utilizados para realizar a revisão.

Aqui, a pergunta não é:

“Quais problemas existiam nos estudos encontrados?”

mas:

“Quais limitações do nosso próprio processo de revisão podem ter influenciado os resultados?”

Dependendo do caso, podem ser relevantes limitações como:

  • restrição excessiva de fontes;
  • restrições linguísticas;
  • restrições de período;
  • busca não atualizada;
  • seleção realizada por apenas um revisor;
  • extração realizada por apenas um revisor;
  • dificuldades para recuperar relatórios;
  • mudanças não planejadas;
  • limitações na estratégia de busca;
  • outros aspectos do processo.

Limitações da evidência e limitações da revisão são a mesma coisa?

Não.

Tipo Pergunta Exemplo
Limitação da evidência Que problema existe nos estudos disponíveis? Estudos pequenos e com elevado risco de viés
Limitação do processo da revisão Que problema ou restrição existiu na forma como conduzimos a revisão? A triagem foi realizada por um único pesquisador

Separar essas dimensões torna a discussão muito mais precisa.

Boa prática: ao escrever cada limitação, pergunte: “isso pertence aos estudos que encontramos ou ao modo como realizamos nossa revisão?”. A resposta ajuda a organizar a discussão.

Uma limitação invalida automaticamente a revisão?

Não.

Limitações fazem parte da interpretação científica.

O objetivo não é esconder problemas para que o trabalho pareça perfeito, mas explicar como eles afetam o grau de confiança, a abrangência ou a interpretação dos resultados.

Uma discussão transparente tende a ser mais informativa do que uma seção que afirma genericamente:

“Este estudo não apresentou limitações relevantes.”

Item 23d — Implicações para prática, política e pesquisas futuras

O último componente da discussão trata das implicações dos resultados.

Dependendo da pergunta da revisão, isso pode envolver implicações para:

  • prática;
  • políticas;
  • tomada de decisão;
  • pesquisas futuras;
  • desenvolvimento de métodos;
  • outras áreas pertinentes.

Como evitar exageros nas implicações?

As recomendações precisam ser proporcionais à evidência encontrada.

Uma revisão com poucos estudos, grande heterogeneidade e baixa certeza não deveria sustentar conclusões categóricas como se existisse evidência robusta e definitiva.

Da mesma forma, a frase:

“São necessários mais estudos.”

é pouco informativa quando não explica quais lacunas precisam ser investigadas.

Como tornar as recomendações de pesquisa mais úteis?

Em vez de pedir genericamente “mais pesquisas”, a revisão pode identificar necessidades específicas, como:

  • populações pouco estudadas;
  • desfechos relevantes ainda pouco avaliados;
  • seguimento mais longo;
  • padronização de medidas;
  • estudos com menor risco de viés;
  • comparações ainda ausentes;
  • contextos geográficos pouco representados;
  • melhor relato de determinados resultados.

Visão metodológica: uma boa discussão não transforma incerteza em certeza. Ela mostra o que a evidência permite concluir, o que permanece incerto e por quê.

Resumo do Item 23 — Discussão

Subitem Pergunta prática
23a Como os resultados devem ser interpretados no contexto das demais evidências?
23b Quais são as limitações das evidências incluídas?
23c Quais são as limitações dos processos utilizados na própria revisão?
23d Quais são as implicações dos resultados para prática, políticas e pesquisas futuras?

Quais são as outras informações exigidas pelo PRISMA?

Depois da Discussão, o checklist principal possui quatro itens finais agrupados em Outras Informações.

São os Itens 24 a 27:

  • registro e protocolo;
  • apoio;
  • conflitos de interesse;
  • disponibilidade de dados, códigos e outros materiais.

Esses itens podem parecer administrativos, mas são importantes para a transparência e a rastreabilidade da revisão.

Item 24 — Registro e protocolo

O Item 24 possui três componentes principais.

Item 24a — Informações sobre registro

Quando a revisão foi registrada, devem ser fornecidos o nome do registro e o número de registro.

Se a revisão não foi registrada, essa informação deve ser declarada de forma correspondente à realidade.

Registro e protocolo são a mesma coisa?

Não.

O protocolo é o documento que descreve antecipadamente como a revisão pretende ser realizada.

O registro corresponde ao registro de informações sobre a revisão em um sistema ou plataforma apropriada, quando aplicável.

Uma revisão pode possuir protocolo sem que esses dois conceitos sejam tratados como sinônimos.

Item 24b — Acesso ao protocolo

Quando um protocolo foi preparado, o relatório deve indicar onde ele pode ser acessado ou declarar que não foi preparado, conforme a situação real.

Essa transparência permite comparar o que estava planejado com o que foi efetivamente realizado.

Continue aprendendo: veja nosso guia sobre como montar um protocolo de revisão e por que ele deve ser pensado antes das principais etapas da pesquisa.

Item 24c — Alterações em relação ao registro ou protocolo

Se ocorreram mudanças nas informações fornecidas no registro ou no protocolo, essas alterações precisam ser descritas e explicadas.

Isso não significa que todo desvio torne a revisão inválida.

Durante uma pesquisa real, mudanças podem ser necessárias.

O problema aparece quando alterações importantes são feitas sem transparência, especialmente depois que os resultados já são conhecidos.

Exemplo

Imagine que o protocolo previa determinado desfecho principal, mas o relatório final passa a enfatizar outro desfecho sem explicar a mudança.

O leitor não consegue saber se:

  • a mudança ocorreu por uma razão metodológica legítima;
  • o desfecho originalmente previsto não estava disponível;
  • ou a escolha foi influenciada pelos resultados encontrados.

Relatar e justificar a alteração reduz essa ambiguidade.

Boa prática: mantenha um registro de alterações importantes durante a revisão, incluindo o que mudou, quando mudou e por quê.

Item 25 — Apoio

O Item 25 trata das fontes de apoio financeiro ou não financeiro recebidas para a revisão e do papel desempenhado pelos financiadores ou patrocinadores.

Isso ajuda o leitor a compreender não apenas quem apoiou o trabalho, mas também se essa fonte teve participação em decisões relevantes.

E se não houve financiamento?

Não é necessário inventar uma fonte de apoio.

A situação deve ser declarada conforme a realidade e as exigências do formato de publicação ou da instituição.

Apoio não financeiro também pode ser relevante?

Sim.

Dependendo do contexto, apoio pode não se limitar a transferência direta de recursos financeiros.

O importante é seguir as orientações aplicáveis e relatar relações relevantes com transparência.

Item 26 — Conflitos de interesse

O Item 26 pede que sejam declarados os conflitos de interesse dos autores da revisão.

Conflito de interesse não significa automaticamente que ocorreu má conduta ou que os resultados são inválidos.

A declaração permite que o leitor conheça relações que podem ser relevantes para interpretar o trabalho.

Por que essa informação importa?

A transparência permite que potenciais interesses sejam conhecidos e considerados na avaliação do trabalho.

Ocultar uma relação relevante é diferente de declará-la abertamente.

Item 27 — Disponibilidade de dados, códigos e outros materiais

O último item do checklist trata da disponibilidade pública de materiais relacionados à revisão.

Dependendo do trabalho, isso pode incluir:

  • formulários de coleta de dados;
  • dados extraídos dos estudos;
  • dados utilizados nas análises;
  • código analítico;
  • outros materiais utilizados na revisão.

O relatório deve indicar quais materiais estão disponíveis publicamente e onde podem ser encontrados, quando isso for aplicável.

Todo material precisa necessariamente ser público?

O Item 27 trata da transparência sobre a disponibilidade dos materiais.

Questões relacionadas a direitos autorais, privacidade, acordos de uso, políticas institucionais ou outras restrições podem afetar o que pode ser disponibilizado.

O importante é não afirmar que materiais estão disponíveis quando não estão e indicar com clareza a situação correspondente.

Por que disponibilizar materiais pode ser útil?

Quando possível e apropriado, isso pode:

  • facilitar auditorias;
  • ajudar outros pesquisadores a compreender as análises;
  • reduzir retrabalho;
  • aumentar a rastreabilidade;
  • apoiar atualizações futuras da revisão;
  • favorecer práticas de ciência aberta.

Itens 24 a 27 em uma visão rápida

Item Informação
24 Registro, protocolo e alterações realizadas
25 Fontes de apoio e papel dos financiadores ou patrocinadores
26 Conflitos de interesse
27 Disponibilidade de dados, códigos e outros materiais

Mapa completo dos 27 itens do PRISMA 2020

Depois de percorrer todo o checklist, podemos reunir sua estrutura em um único mapa:

Item Seção Foco
1 Título Identificação como revisão sistemática
2 Resumo Resumo estruturado
3 Introdução Justificativa
4 Introdução Objetivos
5 Métodos Critérios de elegibilidade
6 Métodos Fontes de informação
7 Métodos Estratégias de busca
8 Métodos Processo de seleção
9 Métodos Processo de coleta de dados
10 Métodos Itens de dados
11 Métodos Avaliação do risco de viés nos estudos
12 Métodos Medidas de efeito
13 Métodos Métodos de síntese
14 Métodos Avaliação de vieses decorrentes de resultados ausentes
15 Métodos Avaliação da certeza das evidências
16 Resultados Seleção dos estudos
17 Resultados Características dos estudos
18 Resultados Risco de viés nos estudos
19 Resultados Resultados dos estudos individuais
20 Resultados Resultados das sínteses
21 Resultados Vieses de relato
22 Resultados Certeza das evidências
23 Discussão Interpretação, limitações e implicações
24 Outras informações Registro e protocolo
25 Outras informações Apoio
26 Outras informações Conflitos de interesse
27 Outras informações Disponibilidade de dados, códigos e outros materiais

Em resumo: os 27 itens percorrem toda a lógica do relatório científico. O checklist não começa no fluxograma e não termina na seleção dos estudos. Ele acompanha o trabalho desde a identificação do desenho no título até a transparência sobre protocolo, apoio, conflitos de interesse e disponibilidade dos materiais.

O que vem depois de conhecer os 27 itens?

Conhecer o checklist resolve apenas uma parte do problema.

Para muitos estudantes, a maior dificuldade prática aparece quando chega o momento de transformar centenas ou milhares de registros em um fluxograma PRISMA coerente.

É nessa etapa que diferenças entre registros, relatórios e estudos, remoção de duplicatas, textos completos não recuperados e motivos de exclusão passam a afetar diretamente as contagens.

A seguir, veremos o fluxograma PRISMA passo a passo e retomaremos o exemplo de 2.590 registros identificados e 78 estudos incluídos para demonstrar como as contas devem ser reconciliadas.

O que é o fluxograma PRISMA 2020?

O fluxograma PRISMA 2020 é uma representação visual do processo de identificação e seleção das evidências consideradas em uma revisão sistemática.

Ele permite que o leitor acompanhe, de maneira resumida, como a revisão passou de um conjunto inicial de registros identificados para os estudos finalmente incluídos.

Em termos práticos, o fluxograma ajuda a responder perguntas como:

  • quantos registros foram encontrados?
  • quantos foram removidos antes da triagem?
  • quantos foram avaliados por título e resumo?
  • quantos foram excluídos nessa etapa?
  • quantos relatórios foram procurados?
  • quantos não puderam ser recuperados?
  • quantos foram avaliados detalhadamente?
  • por quais razões ocorreram exclusões?
  • quantos estudos chegaram à inclusão final?

Apesar de ser uma das partes mais reconhecidas do PRISMA, o fluxograma não representa sozinho toda a diretriz.

Ele deve ser interpretado em conjunto com:

  • checklist;
  • descrição dos métodos;
  • resultados;
  • documentação da seleção;
  • demais materiais pertinentes à revisão.

Resumo rápido: o fluxograma mostra visualmente o caminho percorrido pelas evidências durante identificação e seleção. Ele não substitui a descrição metodológica nem comprova, sozinho, que a revisão foi conduzida adequadamente.

Fluxograma PRISMA é obrigatório em toda revisão de literatura?

Não se deve aplicar o fluxograma automaticamente a qualquer trabalho que utilize a expressão “revisão de literatura”.

Sua utilização precisa ser coerente com o tipo de revisão e com a diretriz de relato aplicável.

Uma revisão narrativa, por exemplo, não se transforma em revisão sistemática simplesmente porque recebeu um fluxograma semelhante ao PRISMA.

O fluxograma é feito antes ou depois da seleção?

A versão final é produzida com os números resultantes do processo de seleção, mas a documentação necessária para construí-la precisa começar muito antes.

Desde as buscas, é recomendável preservar informações sobre:

  • fonte de cada conjunto de registros;
  • quantidade recuperada;
  • duplicatas;
  • outras remoções anteriores à triagem;
  • decisões de seleção;
  • tentativas de recuperação de relatórios;
  • motivos de exclusão;
  • relações entre relatórios e estudos.

Boa prática: construa as contagens do fluxograma ao longo da revisão. Não espere a semana da entrega do TCC para tentar reconstruir todo o processo.

Fluxograma PRISMA e processo de seleção são a mesma coisa?

Não.

O processo de seleção é o conjunto de procedimentos pelos quais os critérios de elegibilidade são aplicados às evidências identificadas.

O fluxograma é uma representação do que aconteceu nesse processo.

Essa distinção é importante porque preencher caixas com números não explica:

  • quem realizou a seleção;
  • quantos revisores participaram;
  • se trabalharam independentemente;
  • como divergências foram resolvidas;
  • como os critérios foram operacionalizados;
  • como ferramentas participaram do processo.

Essas informações pertencem ao relato metodológico.

Continue aprendendo: para compreender o método por trás das contagens, veja como fazer a seleção e triagem dos estudos.

Como preencher o fluxograma PRISMA 2020 passo a passo?

Antes de inserir qualquer número, existem três decisões fundamentais:

  1. escolher o modelo de fluxograma apropriado;
  2. definir claramente o que cada número está contando;
  3. reconciliar as contagens com a documentação original da revisão.

Pular qualquer uma dessas etapas aumenta o risco de produzir um fluxograma visualmente correto, mas conceitualmente incoerente.

Passo 1 — Escolha o modelo adequado

O PRISMA 2020 disponibiliza modelos diferentes de fluxograma para acomodar situações distintas.

Entre os modelos principais, existem combinações relacionadas a:

  • revisão sistemática nova ou revisão sistemática atualizada;
  • identificação por bases de dados e registros ou identificação que também envolve outras fontes ou métodos.

Em termos práticos, isso resulta em quatro situações principais:

Situação Modelo a considerar
Revisão nova com identificação por bases de dados e registros Fluxograma para revisão nova — bases de dados e registros
Revisão nova com bases/registros e outros métodos de identificação Fluxograma para revisão nova — bases/registros + outras fontes ou métodos
Revisão atualizada com identificação por bases de dados e registros Fluxograma para revisão atualizada — bases de dados e registros
Revisão atualizada com bases/registros e outros métodos de identificação Fluxograma para revisão atualizada — bases/registros + outras fontes ou métodos

Por que existem modelos diferentes?

Porque nem toda revisão identifica evidências exatamente da mesma maneira.

Uma revisão pode utilizar apenas bases bibliográficas e registros, enquanto outra também pode identificar documentos por procedimentos como:

  • consulta a sites;
  • consulta a organizações;
  • rastreamento de referências;
  • busca de citações;
  • outras estratégias complementares.

Uma revisão atualizada também precisa representar adequadamente sua relação com a revisão anterior.

Atenção: não escolha o fluxograma apenas porque foi o primeiro modelo encontrado em uma busca de imagens. Escolha a versão que corresponde ao processo efetivamente realizado.

Posso redesenhar o fluxograma para combinar com o layout do TCC?

Questões de apresentação podem ser adaptadas às exigências institucionais, mas a adaptação não deve eliminar informações relevantes, mudar o significado das categorias ou criar uma estrutura que distorça o processo.

O objetivo não é reproduzir um desenho por estética, mas representar corretamente o fluxo da revisão.

Passo 2 — Defina a unidade que está sendo contada

Um dos erros mais importantes em fluxogramas ocorre quando o pesquisador mistura:

  • registros;
  • relatórios;
  • estudos.

Esses termos não são necessariamente equivalentes.

Mais adiante veremos essa diferença em uma seção específica, mas é importante introduzi-la antes das contagens.

De maneira simplificada:

Termo Ideia central
Registro Entrada ou referência identificada em uma fonte de informação, como uma base de dados ou site
Relatório Documento que fornece informações sobre um estudo
Estudo Investigação propriamente dita, que pode estar descrita em um ou mais relatórios

Por que essa diferença muda os números?

Porque um único estudo pode gerar mais de um relatório.

Imagine um ensaio clínico que resulte em:

  • artigo com os resultados principais;
  • artigo sobre seguimento prolongado;
  • publicação sobre um desfecho secundário.

Esses documentos podem representar três relatórios relacionados a um único estudo.

Por isso, o número de relatórios incluídos pode ser maior do que o número de estudos incluídos.

Erro comum: utilizar “artigo”, “registro”, “relatório” e “estudo” como se fossem sempre a mesma unidade e, depois, tentar fazer as contas do fluxograma fecharem.

Passo 3 — Volte aos registros originais

Antes de preencher as caixas, reúna a documentação utilizada durante a revisão.

Isso pode incluir:

  • históricos das buscas;
  • arquivos exportados das bases;
  • biblioteca do gerenciador de referências;
  • relatórios de deduplicação;
  • plataforma de triagem;
  • planilhas;
  • listas de exclusões;
  • formulários;
  • registros de decisões.

O fluxograma deve ser construído a partir desses dados, não de uma estimativa aproximada.

Etapa de identificação no fluxograma PRISMA

A fase de identificação mostra de onde vieram os registros ou relatórios potencialmente relevantes.

Para compreender essa etapa, retomaremos nosso exemplo didático.

Imagine que as buscas tenham identificado:

Fonte Registros identificados
Base A 980
Base B 720
Base C 540
Base D 350
Total 2.590

Portanto:

980 + 720 + 540 + 350 = 2.590 registros identificados.

Esse total será o ponto de partida do nosso exemplo.

Preciso manter a quantidade recuperada em cada base?

É uma boa prática preservar essas contagens na documentação da busca.

Mesmo quando a apresentação final utiliza um total agregado, saber quantos registros vieram de cada fonte ajuda a:

  • auditar a busca;
  • identificar erros de exportação;
  • reproduzir o processo;
  • atualizar a revisão posteriormente;
  • conferir o total inicial.

O número recuperado precisa coincidir com o arquivo exportado?

Diferenças podem ocorrer por razões técnicas ou operacionais, mas elas precisam ser compreendidas e documentadas.

Se a interface informa 1.000 resultados e o arquivo exportado contém apenas 850 registros, não é recomendável escolher arbitrariamente um dos números e seguir adiante.

Investigue se houve:

  • limite de exportação;
  • falha durante o download;
  • filtros adicionais;
  • registros indisponíveis;
  • exportação parcial;
  • outro problema técnico.

Boa prática: registre, para cada fonte, a data da busca, estratégia utilizada, quantidade retornada e quantidade efetivamente exportada quando houver diferença relevante.

E quando utilizo outras fontes ou métodos?

Quando a revisão identifica documentos por outros métodos além de bases e registros, o modelo correspondente do PRISMA permite representar esse caminho separadamente.

Isso é importante porque esses documentos podem seguir um fluxo diferente daquele dos registros provenientes das bases.

O objetivo não é forçar todas as fontes para dentro de uma única caixa, mas preservar a rastreabilidade da origem das evidências.

Como registrar duplicatas no fluxograma PRISMA?

Quando várias bases são pesquisadas, é comum que o mesmo documento apareça mais de uma vez.

Essas ocorrências duplicadas precisam ser tratadas antes ou durante a preparação para a triagem, conforme o fluxo utilizado.

No modelo PRISMA 2020, as duplicatas removidas antes da triagem aparecem entre os registros removidos antes do screening.

Exemplo

No nosso cenário:

Registros identificados = 2.590

Duplicatas removidas = 640

Assim:

2.590 − 640 = 1.950 registros restantes para triagem.

Por que existem tantas duplicatas?

Uma mesma referência pode estar indexada em várias bases.

Quanto maior a sobreposição entre as fontes pesquisadas, maior pode ser o número de ocorrências duplicadas.

Isso não significa necessariamente que a busca foi executada incorretamente.

Duplicata é a mesma coisa que dois artigos do mesmo estudo?

Não.

Essa distinção é crucial.

Uma duplicata é uma ocorrência repetida do mesmo registro ou documento dentro do conjunto importado.

dois relatórios diferentes do mesmo estudo podem ser documentos distintos e conter informações complementares.

Eliminar um relatório legítimo como se fosse duplicata pode causar perda de informação.

Atenção: deduplicação não é simplesmente “apagar títulos parecidos”. Registros semelhantes precisam ser examinados com critérios adequados antes de serem tratados como duplicados.

Como as duplicatas podem ser identificadas?

Dependendo das ferramentas utilizadas, a deduplicação pode considerar combinações de campos como:

  • DOI;
  • PMID ou outro identificador;
  • título;
  • autores;
  • ano;
  • periódico;
  • volume;
  • páginas;
  • outros metadados.

Ferramentas automatizadas podem ajudar, mas decisões duvidosas podem exigir verificação manual.

Posso remover duplicatas em mais de uma ferramenta?

É possível que diferentes etapas do fluxo identifiquem duplicatas remanescentes, mas o processo precisa ser documentado de maneira que a mesma ocorrência não seja contabilizada duas vezes.

Por exemplo:

se 600 duplicatas foram removidas em um gerenciador de referências e outras 40 foram identificadas posteriormente em uma plataforma de triagem, o total pode ser 640, desde que sejam 640 ocorrências distintas efetivamente removidas.

Não seria correto somar 600 + 40 se as 40 já estivessem incluídas nas 600.

O que guardar da deduplicação?

Quando possível, preserve:

  • quantidade antes da deduplicação;
  • quantidade removida;
  • quantidade restante;
  • ferramenta ou procedimento utilizado;
  • eventuais decisões manuais importantes.

Essas informações facilitam a construção do fluxograma e a auditoria do processo.

Existem outras remoções antes da triagem?

Sim. O modelo PRISMA 2020 também permite representar outras categorias de registros removidos antes da triagem quando elas realmente ocorreram.

Entre as categorias previstas pelo modelo estão:

  • registros marcados como inelegíveis por ferramentas de automação;
  • registros removidos por outras razões.

Essas categorias não devem ser preenchidas automaticamente se não fizeram parte do processo.

O que significa “marcados como inelegíveis por ferramentas de automação”?

Essa categoria se aplica quando uma ferramenta de automação participa efetivamente da identificação de registros considerados inelegíveis antes da triagem correspondente.

Não significa simplesmente que algum software foi utilizado durante a revisão.

Usar um gerenciador de referências, uma planilha ou uma plataforma de triagem não implica automaticamente preencher essa caixa.

O que entra em “removidos por outras razões”?

Essa categoria deve representar remoções reais ocorridas antes da triagem que não correspondam às duplicatas ou à categoria de automação.

O pesquisador precisa saber exatamente o que foi removido e por quê.

Ela não deve funcionar como uma caixa genérica para fazer as contas fecharem.

Erro comum: perceber uma diferença entre o total identificado e o total triado e colocar essa diferença em “outras razões” sem descobrir o que realmente aconteceu com os registros.

Exemplo com diferentes remoções antes da triagem

Suponha, apenas para compreender a estrutura, que outra revisão tenha:

  • 3.000 registros identificados;
  • 500 duplicatas removidas;
  • 50 registros marcados como inelegíveis por uma ferramenta de automação;
  • 20 registros removidos por outras razões.

O número encaminhado à triagem seria:

3.000 − 500 − 50 − 20 = 2.430 registros.

Mas essa equação só é válida se as três categorias forem mutuamente reconciliadas e representarem ocorrências efetivamente removidas.

Nosso exemplo principal utilizará outras remoções?

Não.

Para manter o exemplo principal claro e consistente com as partes anteriores, trabalharemos com:

  • 2.590 registros identificados;
  • 640 duplicatas removidas;
  • 0 registros removidos por outras categorias antes da triagem;
  • 1.950 registros encaminhados à triagem.

Assim, mantemos:

2.590 − 640 = 1.950.

Auditoria da fase de identificação

Etapa Quantidade
Registros identificados 2.590
Duplicatas removidas 640
Outras remoções antes da triagem 0
Registros restantes 1.950

Como registrar a triagem no fluxograma PRISMA?

Depois das remoções realizadas antes da triagem, os registros restantes entram na fase de screening.

No nosso exemplo:

1.950 registros foram triados.

Nessa etapa, a avaliação costuma considerar inicialmente informações como título e resumo para verificar se o registro pode corresponder aos critérios de elegibilidade.

Após essa avaliação:

1.610 registros foram excluídos.

Portanto:

1.950 − 1.610 = 340.

Esses 340 seguem para a etapa em que os respectivos relatórios são procurados para avaliação mais detalhada.

Preciso informar motivos individuais para as 1.610 exclusões da triagem?

O fluxograma não exige que os motivos de cada exclusão por título e resumo sejam apresentados da mesma maneira que os motivos das exclusões após avaliação detalhada.

Isso é coerente com a natureza dessa primeira triagem, na qual grande quantidade de registros claramente irrelevantes pode ser eliminada.

Posso excluir um registro se o resumo não trouxer todas as informações?

A decisão precisa seguir os critérios e procedimentos definidos para a revisão.

Quando título e resumo não fornecem informação suficiente para uma exclusão segura, uma abordagem conservadora pode ser necessária para evitar excluir prematuramente um estudo potencialmente elegível.

Os procedimentos concretos devem estar definidos e relatados na metodologia.

Boa prática: a triagem inicial deve aplicar critérios previamente definidos. Não transforme o título e resumo em uma avaliação improvisada baseada apenas em o artigo “parecer interessante”.

O número triado precisa corresponder ao número que entrou na plataforma?

É necessário compreender exatamente o que a ferramenta está contabilizando.

Uma plataforma pode exibir números diferentes relacionados a:

  • registros importados;
  • duplicatas detectadas;
  • registros disponíveis para triagem;
  • decisões realizadas;
  • conflitos;
  • itens excluídos;
  • itens avançados.

Por isso, não copie um número da tela sem saber a qual etapa e unidade ele corresponde.

Como conferir a primeira metade do fluxograma?

No exemplo principal, a auditoria até este ponto é simples:

Operação Resultado
2.590 registros identificados − 640 duplicatas 1.950 registros triados
1.950 registros triados − 1.610 excluídos 340 relatórios procurados

As contas fecham e a unidade muda de forma compreensível quando o processo avança da triagem dos registros para a busca dos relatórios correspondentes.

Até aqui: escolha primeiro o modelo correto, saiba se está contando registros, relatórios ou estudos e reconstrua as contagens a partir da documentação real. No nosso exemplo, 2.590 registros foram identificados, 640 duplicatas foram removidas, 1.950 registros passaram pela triagem e 1.610 foram excluídos, deixando 340 relatórios a serem procurados para avaliação detalhada.

Como registrar relatórios não recuperados no fluxograma PRISMA?

Depois da triagem inicial, os registros considerados potencialmente elegíveis avançam para uma etapa em que os pesquisadores procuram obter os relatórios correspondentes para avaliação detalhada.

No nosso exemplo:

340 relatórios foram procurados para recuperação.

Entretanto, nem todo relatório procurado necessariamente será obtido.

Suponha que:

8 relatórios não puderam ser recuperados.

Portanto:

340 − 8 = 332 relatórios recuperados e avaliados quanto à elegibilidade.

O que significa “relatório não recuperado”?

Significa que o documento necessário para a avaliação detalhada não pôde ser obtido, apesar das tentativas realizadas.

Isso é diferente de:

  • ler o texto completo e decidir que ele é inelegível;
  • descobrir que o estudo possui população inadequada;
  • perceber que o desenho não atende aos critérios;
  • excluir o relatório por outro motivo de elegibilidade.

Nesses últimos casos, o relatório foi recuperado e avaliado. A exclusão ocorreu depois da avaliação detalhada.

Atenção: “não recuperado” não deve ser utilizado como sinônimo de “excluído após leitura do texto completo”. São etapas diferentes do fluxo.

Por que um relatório pode não ser recuperado?

As razões concretas variam conforme o contexto.

Podem existir situações como:

  • documento não localizado;
  • referência bibliográfica incompleta;
  • material antigo ou de difícil acesso;
  • problemas de disponibilidade;
  • falha na obtenção do documento por vias acessíveis ao pesquisador;
  • outras dificuldades documentadas.

O importante é não confundir dificuldade de recuperação com um critério de elegibilidade.

Artigo atrás de paywall é automaticamente “não recuperado”?

Não necessariamente.

Encontrar uma página que exige pagamento não significa que todas as possibilidades razoáveis de obtenção do documento tenham sido esgotadas.

Dependendo dos recursos disponíveis, o pesquisador pode verificar alternativas legítimas, como:

  • acervo da instituição;
  • biblioteca universitária;
  • serviços institucionais de acesso;
  • repositórios autorizados;
  • versões disponibilizadas pelos autores;
  • contato com autores, quando pertinente.

O procedimento adotado deve respeitar as condições de acesso e as políticas aplicáveis.

Preciso documentar as tentativas de recuperação?

É recomendável manter registros suficientes para explicar o processo, principalmente quando relatórios potencialmente relevantes não puderam ser avaliados.

Uma planilha interna pode conter, por exemplo:

  • referência;
  • identificador disponível;
  • data da tentativa;
  • fontes consultadas;
  • resultado da tentativa;
  • observações pertinentes.

Boa prática: não espere o final da revisão para descobrir quais documentos ficaram pendentes. Acompanhe os relatórios não recuperados durante a seleção para permitir novas tentativas quando apropriado.

Como fica nosso exemplo?

Etapa Quantidade
Relatórios procurados para recuperação 340
Relatórios não recuperados 8
Relatórios avaliados quanto à elegibilidade 332

Assim:

340 − 8 = 332.

Como registrar os motivos de exclusão no PRISMA?

Depois que os relatórios são recuperados, eles podem ser avaliados detalhadamente em relação aos critérios de elegibilidade.

No nosso exemplo:

332 relatórios foram avaliados quanto à elegibilidade.

Após essa avaliação:

247 foram excluídos.

Restaram:

332 − 247 = 85 relatórios incluídos.

Por que o motivo da exclusão precisa ser registrado?

Porque, nessa fase, os documentos já foram considerados suficientemente relevantes para justificar uma avaliação detalhada.

O leitor pode legitimamente querer saber por que um relatório aparentemente relacionado à pergunta não foi incluído.

Registrar o motivo torna a decisão mais transparente e auditável.

Os motivos devem vir dos critérios de elegibilidade?

Em princípio, existe uma relação direta entre eles.

Se os critérios determinam quais estudos podem participar, as exclusões deveriam refletir a aplicação dessas regras.

Por exemplo, se a revisão definiu previamente critérios relacionados a:

  • população;
  • intervenção ou exposição;
  • comparador;
  • desfecho;
  • desenho;
  • contexto;
  • tipo de publicação;

esses elementos podem aparecer entre as razões de exclusão quando não forem atendidos.

Visão metodológica: os motivos de exclusão não deveriam surgir como categorias improvisadas apenas no momento de desenhar o fluxograma. Eles devem refletir a aplicação dos critérios previamente estabelecidos.

Quais motivos são específicos o suficiente?

Compare:

Pouco informativo: “não atende aos critérios”.

Mais informativo: “população fora dos critérios de elegibilidade”.

Ou:

Pouco informativo: “artigo inadequado”.

Mais informativo: “desenho de estudo não elegível”.

O objetivo é permitir que outra pessoa compreenda a razão da decisão sem precisar adivinhar qual critério falhou.

Posso criar dezenas de categorias de exclusão?

Uma classificação excessivamente fragmentada pode dificultar a interpretação.

Por outro lado, categorias amplas demais escondem informação.

O ideal é construir categorias:

  • coerentes com os critérios;
  • mutuamente compreensíveis;
  • suficientemente específicas;
  • consistentes ao longo da triagem;
  • adequadas à pergunta da revisão.

Como lidar com um relatório que falha em vários critérios?

Um relatório pode, de fato, violar mais de um critério.

Imagine um documento com:

  • população inelegível;
  • desenho inelegível;
  • desfecho fora do escopo.

Se ele for contado três vezes na tabela de motivos, mas representar apenas uma exclusão no total, as contas deixarão de fechar.

Uma estratégia operacional é definir uma regra consistente para atribuir um motivo principal de exclusão para fins da contagem agregada, mantendo informações adicionais na documentação interna quando necessário.

É possível usar uma hierarquia de motivos?

Sim, desde que essa abordagem seja definida de maneira coerente com o protocolo ou procedimento da revisão.

Uma hierarquia ajuda a responder:

“Se um relatório falhar em mais de um critério, qual motivo será registrado como principal?”

Isso reduz decisões improvisadas e facilita a reconciliação das contagens.

Boa prática: defina os motivos de exclusão antes ou no início da avaliação detalhada e oriente os revisores sobre como registrar situações com múltiplos motivos.

Exemplo completo dos 247 relatórios excluídos

Manteremos exatamente a distribuição utilizada anteriormente:

Motivo principal de exclusão Quantidade
População fora dos critérios 72
Intervenção ou exposição incompatível 58
Desenho de estudo não elegível 51
Desfecho ou contexto fora do escopo 39
Tipo de publicação não elegível 27
Total 247

A auditoria é:

72 + 58 + 51 + 39 + 27 = 247.

E:

332 relatórios avaliados − 247 excluídos = 85 relatórios incluídos.

Preciso guardar uma lista individual dos relatórios excluídos?

Além da contagem agregada do fluxograma, é importante preservar documentação suficiente para identificar as decisões de exclusão relevantes.

Isso ajuda a:

  • responder dúvidas;
  • verificar decisões;
  • resolver divergências;
  • evitar reavaliar o mesmo documento;
  • justificar exclusões de estudos aparentemente elegíveis;
  • apoiar futuras atualizações da revisão.

Posso mudar o motivo de exclusão depois?

Correções podem ser necessárias quando uma classificação anterior estava errada.

Entretanto, mudanças devem refletir uma revisão legítima da decisão, e não uma tentativa de reorganizar artificialmente os números.

Quando alterações substanciais ocorrerem, atualize:

  • registro de seleção;
  • contagens;
  • tabela de motivos;
  • fluxograma;
  • texto dos resultados, quando afetado.

Atenção: nunca altere motivos apenas para fazer uma tabela atingir um total esperado. O total deve resultar das decisões documentadas.

Qual é a diferença entre registros, relatórios e estudos no PRISMA?

Essa é uma das distinções mais importantes para preencher corretamente o fluxograma PRISMA 2020.

Em linguagem cotidiana, é comum utilizar palavras como “artigo”, “estudo” e “referência” de maneira intercambiável.

No contexto do fluxo de uma revisão sistemática, isso pode produzir erros.

O que é um registro?

Um registro é uma entrada que representa um documento ou referência identificada em uma fonte de informação.

Em uma base bibliográfica, por exemplo, o registro pode conter:

  • título;
  • autores;
  • resumo;
  • periódico;
  • ano;
  • identificadores;
  • outros metadados.

É normalmente essa unidade que aparece durante a triagem inicial de título e resumo.

Uma duplicata é um segundo estudo?

Não.

Se o mesmo documento aparece em duas bases, podem existir dois registros importados representando a mesma publicação.

A deduplicação procura reconhecer essa repetição.

O que é um relatório?

Um relatório é um documento que fornece informações sobre um estudo.

Um relatório pode assumir diferentes formas, dependendo do contexto e das fontes consideradas.

O ponto central é que relatório e estudo não são necessariamente uma relação de um para um.

O que é um estudo?

O estudo é a investigação propriamente dita.

Um único estudo pode gerar múltiplos relatórios.

Exemplo prático

Imagine um ensaio clínico denominado, hipoteticamente, Estudo Alfa.

Ao longo dos anos, os pesquisadores publicam:

  • Relatório A — resultados principais após 6 meses;
  • Relatório B — seguimento após 24 meses;
  • Relatório C — análise de um desfecho secundário.

Temos:

3 relatórios.

Mas:

1 estudo.

Se o pesquisador contar os três relatórios como três estudos independentes, poderá superestimar a quantidade de evidência.

Erro comum: encontrar dois artigos com títulos diferentes e presumir automaticamente que representam dois estudos independentes, sem verificar se pertencem à mesma investigação.

Como descobrir se dois relatórios pertencem ao mesmo estudo?

Pode ser necessário comparar informações como:

  • autores;
  • local do estudo;
  • período de recrutamento;
  • tamanho da amostra;
  • características dos participantes;
  • intervenções;
  • identificador de registro;
  • financiamento;
  • nomes ou acrônimos do estudo;
  • referências cruzadas entre publicações.

Nem sempre a relação será imediatamente óbvia.

Por que isso afeta a extração de dados?

Quando vários relatórios pertencem ao mesmo estudo, eles podem fornecer informações complementares.

Um relatório pode apresentar as características basais; outro, determinado desfecho; outro, o seguimento.

O pesquisador precisa evitar tanto:

  • perder informações relevantes;
  • quanto contar os mesmos participantes ou resultados mais de uma vez.

Continue aprendendo: depois de identificar corretamente os estudos incluídos, veja como extrair dados dos artigos científicos sem perder a rastreabilidade entre fontes e informações.

Como registrar os estudos incluídos no PRISMA?

Depois das exclusões realizadas na avaliação detalhada, chegamos à parte final do fluxo.

No nosso exemplo:

332 relatórios foram avaliados.

247 relatórios foram excluídos.

Portanto:

85 relatórios permaneceram incluídos.

Entretanto, após relacionar os diferentes relatórios às investigações correspondentes, descobrimos que esses documentos representam:

78 estudos incluídos.

Por que 85 relatórios e apenas 78 estudos?

Porque alguns estudos possuem mais de um relatório incluído.

Em nosso exemplo didático, existem sete relatórios adicionais distribuídos entre estudos que possuem múltiplas publicações.

Isso não significa que sete documentos estejam duplicados no sentido da deduplicação inicial.

São relatórios distintos que fornecem informações sobre estudos já representados por outro relatório.

Posso informar apenas “78 artigos incluídos”?

Essa expressão pode gerar ambiguidade.

Se existem 85 relatórios correspondentes a 78 estudos, dizer simplesmente “78 artigos” apaga essa diferença.

Quando a distinção for relevante, utilize terminologia consistente e explique as unidades contabilizadas.

O número final do fluxograma deve aparecer em outras partes do trabalho?

Sim, quando as outras seções se referirem à mesma unidade.

Por exemplo, se a revisão incluiu 78 estudos, esse número pode aparecer no:

  • resumo;
  • texto dos resultados;
  • fluxograma;
  • tabelas de características;
  • discussão.

Entretanto, tenha cuidado: uma tabela pode apresentar 85 relatórios se sua unidade for publicação, enquanto outra pode apresentar 78 estudos.

A solução não é forçar todos os números a serem iguais, mas deixar claro o que cada número representa.

Visão metodológica: consistência não significa que todos os números do trabalho precisam ser idênticos. Significa que números diferentes devem representar unidades ou etapas diferentes de maneira explicável.

Auditoria completa da segunda metade do exemplo

Etapa Quantidade
Relatórios procurados para recuperação 340
Relatórios não recuperados 8
Relatórios avaliados quanto à elegibilidade 332
Relatórios excluídos após avaliação detalhada 247
Relatórios incluídos 85
Estudos incluídos 78

As duas operações principais são:

340 − 8 = 332.

332 − 247 = 85 relatórios.

Depois, a relação entre publicações mostra que:

85 relatórios correspondem a 78 estudos.

Auditoria do fluxo completo até a inclusão

Podemos agora reunir toda a sequência:

Etapa Quantidade
Registros identificados 2.590
Duplicatas removidas 640
Registros triados 1.950
Registros excluídos na triagem 1.610
Relatórios procurados 340
Relatórios não recuperados 8
Relatórios avaliados quanto à elegibilidade 332
Relatórios excluídos após avaliação detalhada 247
Relatórios incluídos 85
Estudos incluídos 78

E as contas permanecem coerentes:

2.590 − 640 = 1.950

1.950 − 1.610 = 340

340 − 8 = 332

332 − 247 = 85 relatórios

85 relatórios → 78 estudos

Resumo rápido: um bom fluxograma não é aquele que possui números aparentemente organizados. É aquele cujas contagens podem ser rastreadas até os registros originais e cuja mudança de registros para relatórios e estudos pode ser explicada.

Checklist de auditoria antes de fechar o fluxograma

  • O modelo utilizado corresponde ao tipo de revisão e às fontes de identificação?
  • O total inicial corresponde às buscas documentadas?
  • As duplicatas removidas estão registradas?
  • Outras remoções anteriores à triagem foram realmente realizadas?
  • O número de registros triados está correto?
  • O número de exclusões na triagem fecha matematicamente?
  • Os relatórios procurados foram corretamente contabilizados?
  • Os relatórios não recuperados estão separados dos excluídos?
  • Os motivos das exclusões detalhadas são suficientemente específicos?
  • A soma dos motivos corresponde ao total de relatórios excluídos?
  • Relatórios múltiplos do mesmo estudo foram identificados?
  • O número final de relatórios está diferenciado do número de estudos quando necessário?
  • Resumo, resultados, tabelas e fluxograma utilizam números coerentes?

Em resumo: a segunda metade do fluxograma começa com os relatórios procurados, separa aqueles que não puderam ser recuperados, registra a avaliação detalhada e seus motivos de exclusão e termina distinguindo relatórios incluídos de estudos incluídos. Essa distinção é essencial para evitar dupla contagem e interpretar corretamente a quantidade final de evidência.

Exemplo completo de como preencher o fluxograma PRISMA 2020

Depois de analisar cada etapa separadamente, podemos reunir todo o processo em um exemplo único.

Imagine uma revisão sistemática nova que realizou buscas em quatro bases de dados e identificou inicialmente 2.590 registros.

O fluxo completo foi:

  1. 2.590 registros identificados;
  2. 640 duplicatas removidas;
  3. 1.950 registros triados;
  4. 1.610 registros excluídos na triagem;
  5. 340 relatórios procurados para recuperação;
  6. 8 relatórios não recuperados;
  7. 332 relatórios avaliados quanto à elegibilidade;
  8. 247 relatórios excluídos após avaliação detalhada;
  9. 85 relatórios incluídos;
  10. 78 estudos incluídos.

Passo 1 — Registre a identificação

As quatro bases produziram:

Fonte Registros
Base A 980
Base B 720
Base C 540
Base D 350
Total 2.590

A primeira auditoria é:

980 + 720 + 540 + 350 = 2.590.

Passo 2 — Registre as remoções antes da triagem

Foram identificadas 640 duplicatas.

Não houve, neste exemplo, outras categorias de remoção antes da triagem.

Assim:

2.590 − 640 = 1.950 registros.

Esses 1.950 registros seguem para a triagem.

Passo 3 — Registre a triagem

Durante a avaliação inicial por título e resumo:

1.950 registros foram triados.

Desses:

1.610 foram excluídos.

Portanto:

1.950 − 1.610 = 340.

Passamos, então, à procura dos relatórios correspondentes aos registros potencialmente elegíveis.

Passo 4 — Registre os relatórios procurados e não recuperados

Foram procurados:

340 relatórios.

Desses:

8 não puderam ser recuperados.

Logo:

340 − 8 = 332 relatórios avaliados quanto à elegibilidade.

Passo 5 — Registre as exclusões após avaliação detalhada

Dos 332 relatórios avaliados:

247 foram excluídos.

Os motivos principais foram:

Motivo Quantidade
População fora dos critérios 72
Intervenção ou exposição incompatível 58
Desenho de estudo não elegível 51
Desfecho ou contexto fora do escopo 39
Tipo de publicação não elegível 27
Total 247

Conferimos:

72 + 58 + 51 + 39 + 27 = 247.

Passo 6 — Registre os relatórios incluídos

Depois das exclusões:

332 − 247 = 85 relatórios incluídos.

Passo 7 — Identifique quantos estudos esses relatórios representam

Ao relacionar as diferentes publicações às investigações correspondentes, verificamos que:

85 relatórios correspondem a 78 estudos.

A diferença ocorre porque alguns estudos possuem mais de um relatório.

Passo 8 — Faça a auditoria completa

Ponto de controle Cálculo Resultado
Após deduplicação 2.590 − 640 1.950
Após triagem 1.950 − 1.610 340
Após tentativa de recuperação 340 − 8 332
Após avaliação de elegibilidade 332 − 247 85 relatórios
Relação final 85 relatórios agrupados por investigação 78 estudos

Se qualquer operação não fechar, interrompa a finalização do fluxograma e investigue a diferença.

Atenção: nunca crie ou altere números apenas para que as caixas do fluxograma pareçam coerentes. A reconciliação deve ocorrer voltando aos dados originais da revisão.

O infográfico abaixo resume como as principais contagens avançam desde a identificação dos registros até os estudos finalmente incluídos.

Como preencher o fluxograma PRISMA 2020 passo a passo desde a identificação até os estudos incluídos
Exemplo visual do preenchimento do fluxograma PRISMA 2020, acompanhando identificação, remoção de duplicatas, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos.

Como saber se o fluxograma está realmente correto?

Não basta verificar a aritmética.

Um fluxograma pode possuir contas perfeitas e ainda estar conceitualmente errado.

Por isso, faça três auditorias diferentes.

Auditoria 1 — Matemática

Verifique se:

  • as somas das fontes produzem o total identificado;
  • as remoções anteriores à triagem correspondem à diferença correta;
  • registros triados menos registros excluídos produzem o número que avança;
  • relatórios procurados menos não recuperados produzem os avaliados;
  • a soma dos motivos de exclusão corresponde ao total excluído;
  • os relatórios incluídos correspondem à diferença final.

Auditoria 2 — Conceitual

Verifique se:

  • registros não estão sendo confundidos com estudos;
  • duplicatas não estão sendo confundidas com múltiplos relatórios de um estudo;
  • relatórios não recuperados não estão sendo classificados como excluídos após avaliação;
  • as razões de exclusão correspondem aos critérios de elegibilidade;
  • o número de relatórios está diferenciado do número de estudos quando necessário.

Auditoria 3 — Documental

Compare o fluxograma com:

  • históricos das buscas;
  • arquivos exportados;
  • gerenciador de referências;
  • relatórios de deduplicação;
  • plataforma de triagem;
  • planilhas;
  • listas de exclusões;
  • registros da equipe.

Boa prática: considere o fluxograma correto apenas quando as três auditorias — matemática, conceitual e documental — forem compatíveis.

O que fazer se os números não fecharem?

Não comece ajustando o fluxograma.

Comece identificando em qual transição a diferença aparece.

Por exemplo:

Busca → deduplicação

Verifique arquivos importados, exportações incompletas e duplicatas.

Deduplicação → triagem

Verifique se houve remoções adicionais ou registros que não chegaram à plataforma.

Triagem → recuperação

Verifique decisões de inclusão e exclusão.

Avaliação detalhada → inclusão

Verifique motivos de exclusão e possíveis múltiplos relatórios do mesmo estudo.

Posso reconstruir o fluxograma depois que a revisão terminou?

É possível reconstruir partes do processo quando existe documentação suficiente.

Entretanto, quanto mais tarde essa reconstrução for feita, maior tende a ser a dificuldade.

Se faltarem registros sobre:

  • duplicatas;
  • decisões de triagem;
  • relatórios não recuperados;
  • motivos de exclusão;
  • relação entre publicações;

algumas informações podem não ser recuperáveis com segurança.

Erro comum: utilizar o número atual de referências existentes em uma pasta como se ele representasse automaticamente o número original de registros identificados. Essa pasta pode já ter passado por deduplicação, exclusões ou outras alterações.

Qual é a relação entre Rayyan e PRISMA?

Rayyan e PRISMA aparecem frequentemente juntos em revisões sistemáticas, mas possuem funções diferentes.

Rayyan é uma ferramenta que pode apoiar etapas do processo da revisão.

PRISMA é uma diretriz de relato.

Portanto:

Rayyan ≠ PRISMA.

E:

usar Rayyan ≠ cumprir automaticamente o PRISMA.

Onde Rayyan pode ajudar?

Dependendo do fluxo utilizado, uma ferramenta de triagem como Rayyan pode apoiar atividades relacionadas a:

  • importação de referências;
  • organização dos registros;
  • identificação ou gerenciamento de duplicatas;
  • triagem;
  • registro de decisões;
  • trabalho entre revisores;
  • resolução ou acompanhamento de conflitos;
  • registro de motivos de exclusão;
  • exportação de informações.

Os recursos concretamente disponíveis e utilizados podem variar conforme a configuração e a versão da ferramenta.

Rayyan gera o método da revisão?

Não.

A ferramenta não define por conta própria:

  • a pergunta de pesquisa;
  • os critérios de elegibilidade;
  • a estratégia de busca;
  • quais fontes devem ser pesquisadas;
  • qual avaliação de risco de viés utilizar;
  • como extrair os dados;
  • qual método de síntese é adequado.

Essas são decisões metodológicas.

Rayyan pode ajudar a produzir números para o fluxograma?

Pode ajudar a documentar algumas das contagens necessárias, especialmente aquelas relacionadas à organização e à seleção dos registros.

Entretanto, o pesquisador precisa compreender:

  • o que cada contador da ferramenta representa;
  • em que momento a contagem foi obtida;
  • se existem duplicatas pendentes;
  • se decisões ainda estão em conflito;
  • se todos os registros foram avaliados;
  • se relatórios não recuperados foram documentados;
  • se a relação entre múltiplos relatórios e estudos foi resolvida.

Não é seguro copiar números da interface sem compreender sua unidade e sua etapa.

Continue aprendendo: veja nosso guia Rayyan: como usar na revisão sistemática para aprender a utilizar a ferramenta sem confundi-la com o método da revisão.

Se usei Rayyan, basta escrever isso na metodologia?

Não.

Uma frase como:

“Os artigos foram selecionados utilizando o Rayyan.”

não explica suficientemente o processo.

O relato pode precisar esclarecer, conforme aplicável:

  • quantos revisores participaram;
  • se as decisões foram independentes;
  • quais etapas foram realizadas;
  • como os critérios foram aplicados;
  • como divergências foram resolvidas;
  • como eventuais recursos de automação participaram.

Rayyan substitui o fluxograma PRISMA?

Não.

A ferramenta pode fornecer dados que ajudam a construir o fluxograma, mas o fluxograma possui uma função de relato própria.

Da mesma forma, produzir um fluxograma não substitui os registros operacionais existentes na ferramenta.

Posso usar Rayyan sem usar PRISMA?

Em princípio, uma ferramenta de triagem pode ser utilizada em diferentes projetos e fluxos de trabalho.

A decisão sobre qual diretriz de relato utilizar depende do desenho da pesquisa e das orientações aplicáveis, não do software escolhido.

Posso usar PRISMA sem usar Rayyan?

Sim.

PRISMA não exige que a seleção seja realizada em Rayyan.

O pesquisador pode utilizar outras ferramentas ou fluxos apropriados, desde que o processo seja metodologicamente adequado e relatado com transparência.

Rayyan PRISMA
Ferramenta Diretriz de relato
Pode apoiar triagem e organização Orienta o que deve ser relatado
Pode registrar decisões Ajuda a tornar essas decisões transparentes no relatório
Pode contribuir com algumas contagens Inclui modelos de fluxograma para relatar o fluxo
Não substitui o método Também não substitui o método

Qual é a diferença entre PRISMA e protocolo de revisão?

Outra confusão frequente é tratar PRISMA e protocolo como se fossem alternativas.

Eles possuem funções diferentes e podem ser complementares.

De maneira simplificada:

Protocolo: descreve antecipadamente como a revisão pretende ser realizada.

PRISMA 2020: orienta o relato transparente da revisão realizada.

O que normalmente é planejado no protocolo?

Dependendo do tipo de revisão e das orientações metodológicas adotadas, o protocolo pode antecipar elementos como:

  • justificativa;
  • objetivos;
  • pergunta de pesquisa;
  • critérios de elegibilidade;
  • fontes de informação;
  • estratégia de busca;
  • processo de seleção;
  • processo de extração;
  • variáveis ou desfechos;
  • avaliações metodológicas;
  • métodos de síntese;
  • análises planejadas.

A função central é reduzir decisões improvisadas depois que os resultados começam a ser conhecidos.

Então PRISMA só entra depois que o protocolo termina?

Não exatamente.

Conhecer antecipadamente as informações que precisarão ser relatadas pode ajudar o pesquisador a documentar adequadamente o processo desde o início.

Mas isso não transforma PRISMA no protocolo.

Visão metodológica: planejamento, execução e relato são dimensões relacionadas, mas não idênticas. Um protocolo ajuda a estruturar o planejamento; os métodos orientam a execução; PRISMA ajuda a tornar o processo e os resultados transparentes no relatório.

PRISMA-P é a mesma coisa que PRISMA 2020?

Não.

PRISMA-P corresponde a orientações desenvolvidas especificamente para protocolos de revisões sistemáticas e meta-análises.

Já o PRISMA 2020 é a atualização da declaração principal voltada ao relato de revisões sistemáticas.

Portanto, citar PRISMA-P e citar PRISMA 2020 não representam exatamente a mesma finalidade.

O protocolo precisa ser seguido sem nenhuma alteração?

Uma revisão real pode exigir mudanças.

Por exemplo:

  • uma fonte planejada pode se tornar indisponível;
  • um problema metodológico pode exigir ajuste;
  • determinada análise pode se mostrar inviável;
  • uma estratégia pode precisar de correção.

O princípio importante é a transparência.

Quando mudanças relevantes ocorrem, elas devem ser documentadas e, quando pertinente, justificadas no relatório.

Por que registrar mudanças?

Porque alterações feitas depois que os resultados são conhecidos podem levantar dúvidas sobre decisões orientadas pelos próprios resultados.

Uma documentação clara permite distinguir:

  • mudanças metodologicamente justificadas;
  • correções necessárias;
  • adaptações operacionais;
  • decisões tomadas depois de observar os dados.

Continue aprendendo: se você ainda está planejando a revisão, consulte como montar um protocolo de revisão antes de executar as principais etapas.

PRISMA corrige um protocolo mal planejado?

Não.

Um relato transparente pode revelar problemas do planejamento, mas não os apaga.

Por exemplo, se a revisão utilizou critérios inadequadamente definidos, preencher corretamente o checklist não transforma esses critérios em boas decisões metodológicas.

E um excelente protocolo garante um bom relato?

Também não.

É possível planejar cuidadosamente uma revisão e depois descrevê-la de maneira incompleta.

Por isso, planejamento e relato precisam ser tratados como dimensões complementares.

Em resumo: Rayyan pode apoiar operacionalmente a seleção; o protocolo organiza antecipadamente o que se pretende fazer; PRISMA orienta a transparência do relato. Nenhum dos três substitui os demais, e nenhum deles substitui o julgamento metodológico necessário para conduzir uma revisão sistemática.

PRISMA avalia a qualidade dos estudos?

Não. O PRISMA não é uma ferramenta de avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos.

Essa confusão ocorre porque o checklist contém itens relacionados ao risco de viés e à certeza das evidências. Entretanto, esses itens orientam o pesquisador a relatar como determinadas avaliações foram realizadas e quais resultados foram encontrados.

PRISMA não substitui os instrumentos ou métodos necessários para executar essas avaliações.

PRISMA e risco de viés são a mesma coisa?

Não.

Uma revisão pode utilizar uma ferramenta específica para avaliar risco de viés e utilizar PRISMA para relatar:

  • qual método foi adotado;
  • como a avaliação foi realizada;
  • quantos revisores participaram;
  • como divergências foram resolvidas;
  • quais foram os resultados.

São funções complementares.

Por que o checklist fala de risco de viés, então?

Porque uma revisão sistemática precisa relatar aspectos relevantes para que o leitor compreenda e interprete a evidência.

O checklist pergunta, em essência:

“Como essa avaliação foi realizada e o que ela encontrou?”

Ele não fornece uma única ferramenta universal que possa ser aplicada indiscriminadamente a qualquer desenho de estudo.

Atenção: escrever “a qualidade dos artigos foi avaliada segundo PRISMA” pode ser metodologicamente impreciso se PRISMA estiver sendo apresentado como o instrumento utilizado para avaliar cada estudo.

Qualidade metodológica e risco de viés são sinônimos?

Também não é recomendável tratar automaticamente essas expressões como equivalentes.

Diferentes instrumentos podem avaliar diferentes construtos, e o significado de “qualidade” varia entre abordagens.

Por isso, o trabalho deve informar com precisão:

  • o que foi avaliado;
  • com qual ferramenta ou abordagem;
  • como a avaliação foi realizada;
  • como os resultados foram interpretados.

Posso criar uma pontuação PRISMA para cada artigo?

O checklist PRISMA 2020 não foi desenvolvido como uma escala universal para atribuir uma nota metodológica a cada estudo incluído.

Portanto, transformar os 27 itens em uma porcentagem de “qualidade” de cada artigo muda a finalidade da diretriz.

Erro comum: calcular que determinado artigo possui “85% de qualidade PRISMA” porque atende a determinada proporção do checklist. Isso mistura avaliação do relato de uma revisão com avaliação metodológica de estudos individuais.

PRISMA exige meta-análise?

Não.

Revisão sistemática e meta-análise são conceitos relacionados, mas não equivalentes.

Uma revisão sistemática utiliza métodos explícitos e estruturados para identificar, selecionar, avaliar e sintetizar evidências de acordo com sua pergunta e seu desenho.

A meta-análise é uma técnica estatística de combinação quantitativa de resultados quando essa combinação é apropriada.

Toda revisão sistemática possui meta-análise?

Não.

Uma revisão pode não realizar meta-análise por diferentes razões, como:

  • heterogeneidade incompatível com uma combinação considerada apropriada;
  • desfechos mensurados de maneiras muito diferentes;
  • dados insuficientes;
  • desenhos pouco comparáveis;
  • informações inadequadas para cálculo;
  • natureza da pergunta ou da síntese.

A decisão precisa ser metodologicamente fundamentada.

Se não houver meta-análise, ainda posso usar PRISMA?

Sim, quando PRISMA for a diretriz de relato apropriada para a revisão.

O checklist contempla métodos de síntese e não determina que toda síntese seja necessariamente uma meta-análise.

Posso chamar qualquer resumo qualitativo de “síntese narrativa”?

É importante descrever suficientemente como a síntese foi realizada.

Uma frase como:

“Como não foi possível realizar meta-análise, foi feita uma síntese narrativa.”

pode ser insuficiente se não explicar:

  • como os estudos foram agrupados;
  • quais resultados foram comparados;
  • como padrões foram identificados;
  • como diferenças entre estudos foram consideradas;
  • qual procedimento de síntese foi utilizado.

Visão metodológica: ausência de meta-análise não significa ausência de método de síntese. O pesquisador ainda precisa explicar como transformou os resultados individuais em uma síntese interpretável.

PRISMA garante que uma meta-análise esteja correta?

Não.

PRISMA pode melhorar a transparência do relato dos métodos e resultados, mas não substitui:

  • conhecimento estatístico;
  • escolha apropriada do modelo;
  • avaliação da comparabilidade dos estudos;
  • interpretação da heterogeneidade;
  • análises adequadas;
  • julgamento metodológico.

Uma análise inadequada pode ser relatada com grande transparência e continuar metodologicamente inadequada.

Em resumo: PRISMA não transforma uma revisão em meta-análise e não exige combinação estatística dos estudos. Ele ajuda o leitor a compreender quais métodos de síntese foram utilizados e quais resultados eles produziram.

O que são as extensões do PRISMA?

Ao longo do tempo, foram desenvolvidas extensões e orientações complementares para necessidades específicas de relato que não são completamente contempladas pela declaração principal.

Essas extensões podem estar relacionadas:

  • a tipos específicos de revisão;
  • a componentes específicos do processo;
  • a formatos específicos de publicação;
  • a necessidades particulares de relato.

Isso significa que “usar PRISMA” nem sempre termina no checklist principal do PRISMA 2020.

Como saber se preciso de uma extensão?

Primeiro, identifique claramente:

  1. qual é o tipo de revisão;
  2. qual é a pergunta;
  3. quais métodos foram utilizados;
  4. qual aspecto precisa ser relatado;
  5. se existe uma extensão pertinente.

Depois, consulte a documentação oficial da extensão e verifique seu escopo.

Boa prática: antes de começar a redação final, verifique se existe uma extensão PRISMA específica para o desenho ou para um componente importante da sua revisão.

Uma extensão substitui sempre o PRISMA principal?

Não existe uma resposta única para todas as extensões.

Algumas foram desenvolvidas para complementar, adaptar ou ampliar orientações existentes em um contexto específico.

Por isso, o pesquisador deve consultar as instruções da própria extensão em vez de assumir que basta trocar um checklist pelo outro.

Posso misturar itens de várias extensões?

Recursos diferentes podem ser relevantes para uma mesma revisão, mas não devem ser combinados arbitrariamente.

Cada documento possui:

  • escopo;
  • finalidade;
  • terminologia;
  • recomendações específicas.

A utilização precisa ser justificável e coerente com o trabalho realizado.

O que é PRISMA-ScR?

O PRISMA-ScR é uma extensão voltada ao relato de revisões de escopo (scoping reviews).

Ela foi desenvolvida porque revisões de escopo possuem características e objetivos que podem diferir daqueles de outras revisões sistemáticas.

Por que uma revisão de escopo precisa de orientação específica?

Dependendo da pergunta, uma revisão de escopo pode buscar:

  • mapear a extensão da literatura;
  • identificar tipos de evidência disponíveis;
  • examinar como determinado conceito é estudado;
  • identificar características ou lacunas da literatura;
  • organizar um campo amplo de investigação.

Esses objetivos podem exigir adaptações no relato.

Posso usar apenas PRISMA 2020 em uma revisão de escopo?

Quando o trabalho é uma revisão de escopo, é importante consultar especificamente as orientações desenvolvidas para esse desenho, incluindo o PRISMA-ScR, em vez de aplicar mecanicamente apenas o checklist principal.

PRISMA-ScR transforma qualquer revisão em revisão de escopo?

Não.

Da mesma maneira que ocorre com PRISMA 2020, utilizar um checklist não define retrospectivamente o desenho metodológico.

O trabalho precisa ter sido concebido e conduzido de acordo com métodos apropriados para uma revisão de escopo.

Atenção: diretriz de relato e método de condução continuam sendo dimensões diferentes mesmo quando existe uma extensão específica.

Qual é a referência fundamental do PRISMA-ScR?

A extensão foi publicada por Tricco e colaboradores em 2018 e pode ser utilizada como uma das referências fundamentais ao relatar sua aplicação.

A referência completa será apresentada ao final deste guia.

O que é PRISMA-S?

O PRISMA-S é uma extensão voltada ao relato das buscas bibliográficas em revisões sistemáticas.

Ela aprofunda uma dimensão crítica: permitir que o leitor compreenda de maneira muito mais detalhada como a busca foi realizada.

Por que existe uma extensão específica para busca?

A busca é uma das etapas mais difíceis de reproduzir quando o relato apresenta apenas frases como:

“Foram pesquisadas as principais bases utilizando descritores relacionados ao tema.”

Esse tipo de descrição omite elementos necessários para compreender o que realmente foi feito.

Uma documentação mais completa pode envolver informações relacionadas a:

  • bases e plataformas;
  • estratégias completas;
  • limites e filtros;
  • datas;
  • processos de atualização;
  • deduplicação;
  • outras fontes;
  • revisão das estratégias, quando realizada.

PRISMA-S substitui o Item 7 do PRISMA 2020?

É mais adequado entendê-lo como uma orientação específica que aprofunda o relato das buscas, e não simplesmente como uma desculpa para ignorar a estrutura geral do relatório.

Continue aprendendo: antes de relatar uma busca, é necessário construí-la adequadamente. Consulte nosso guia sobre como montar uma estratégia de busca científica.

Existem outras extensões do PRISMA?

Sim. O ecossistema PRISMA inclui extensões e documentos relacionados destinados a diferentes necessidades.

Como novas orientações podem ser desenvolvidas e documentos podem ser atualizados, é recomendável consultar o site oficial do PRISMA para verificar quais recursos estão disponíveis e quais são pertinentes ao seu trabalho.

PRISMA for Abstracts é uma extensão?

Existem orientações específicas para melhorar o relato de resumos de revisões sistemáticas.

Isso é importante porque o resumo possui espaço limitado, mas precisa transmitir informações suficientes para que o leitor compreenda os elementos essenciais da revisão.

No contexto do PRISMA 2020, existe um checklist específico para resumos, que já discutimos anteriormente.

E PRISMA-P?

O PRISMA-P foi desenvolvido para melhorar o relato de protocolos de revisões sistemáticas e meta-análises.

Portanto, sua finalidade é diferente daquela do PRISMA 2020 aplicado ao relatório final da revisão.

Resumo das orientações relacionadas

Documento Finalidade principal
PRISMA 2020 Relato de revisões sistemáticas
PRISMA-ScR Relato de revisões de escopo
PRISMA-S Relato das buscas bibliográficas em revisões sistemáticas
PRISMA-P Relato de protocolos de revisões sistemáticas e meta-análises
PRISMA for Abstracts Relato de informações essenciais nos resumos

Erro comum: escolher a sigla PRISMA que parece mais próxima do tema sem verificar o escopo oficial do documento.

Como mencionar PRISMA corretamente na metodologia?

Uma frase comum em trabalhos acadêmicos é:

“A metodologia foi realizada de acordo com o PRISMA.”

Essa formulação pode ser imprecisa porque sugere que PRISMA funcionou como um método completo de condução da revisão.

Como vimos ao longo deste guia, PRISMA é principalmente uma diretriz de relato.

Qual formulação é mais precisa?

A redação precisa corresponder ao que realmente foi realizado.

Quando apropriado, uma formulação conceitualmente mais precisa pode indicar que:

o relato da revisão foi preparado de acordo com as recomendações do PRISMA 2020.

Entretanto, essa afirmação só deve ser feita quando o trabalho realmente utilizou as recomendações aplicáveis.

Posso escrever que “a revisão seguiu PRISMA”?

A expressão é bastante utilizada, mas pode ser ambígua.

O leitor pode interpretar que PRISMA determinou:

  • a pergunta;
  • a busca;
  • os critérios;
  • a triagem;
  • a avaliação metodológica;
  • a extração;
  • a síntese.

Quando possível, prefira uma redação que diferencie:

  • referencial metodológico utilizado para conduzir a revisão;
  • protocolo;
  • ferramentas;
  • diretriz utilizada para orientar o relato.

Exemplo de estrutura metodológica mais clara

Em vez de concentrar todo o método na frase “foi utilizado PRISMA”, a metodologia pode explicar separadamente:

  1. qual tipo de revisão foi realizado;
  2. qual referencial metodológico orientou sua condução;
  3. como o protocolo foi estruturado;
  4. como as buscas foram realizadas;
  5. como os critérios foram aplicados;
  6. como ocorreu a seleção;
  7. como os dados foram extraídos;
  8. como as avaliações foram feitas;
  9. como os resultados foram sintetizados;
  10. qual diretriz orientou o relato final.

Boa prática: utilize PRISMA para aumentar a transparência do método, não para substituir a descrição do método.

Onde mencionar PRISMA no TCC?

A localização exata depende da estrutura exigida pela instituição, mas a diretriz costuma ser mencionada na seção metodológica quando o autor explica como o relato da revisão foi estruturado.

Além disso, seus componentes aparecem materialmente em diferentes partes do trabalho:

  • checklist;
  • fluxograma;
  • descrição dos métodos;
  • resultados;
  • eventuais materiais suplementares.

Preciso anexar o checklist preenchido?

Isso pode depender das exigências da instituição, orientador, periódico ou processo de submissão.

Mesmo quando não houver exigência de anexá-lo ao TCC, utilizar o checklist como ferramenta de auditoria interna continua sendo útil.

Preciso colocar “PRISMA 2020” em todos os capítulos?

Não.

A transparência não depende de repetir a sigla continuamente.

O importante é que o relatório contenha as informações necessárias nos lugares adequados.

Como citar PRISMA 2020?

Ao utilizar PRISMA 2020, é importante citar a publicação correspondente à atualização da declaração.

A referência científica central é o artigo de Page e colaboradores que apresenta o PRISMA 2020 Statement.

Além dele, o artigo Explanation and Elaboration é uma referência particularmente importante para compreender a justificativa e a aplicação detalhada dos itens.

Qual é o artigo principal do PRISMA 2020?

A publicação principal é:

Page MJ et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews.

Ela foi publicada em 2021 no BMJ.

DOI: 10.1136/bmj.n71.

Qual é o artigo de explicação e elaboração?

Também de Page e colaboradores:

PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews.

Publicado em 2021 no BMJ.

DOI: 10.1136/bmj.n160.

Preciso citar o artigo de 2009?

Se o trabalho utiliza PRISMA 2020, a atualização de 2020 deve ser a referência central para a versão atual da declaração.

O artigo anterior pode ser relevante em contextos históricos ou quando houver uma razão específica para discuti-lo, mas não deve substituir a referência da atualização quando o objetivo é declarar uso do PRISMA 2020.

Posso citar apenas o site?

O site oficial é extremamente útil para acessar:

  • checklists;
  • fluxogramas;
  • extensões;
  • documentos relacionados;
  • informações atualizadas.

Entretanto, ao fundamentar academicamente o PRISMA 2020, as publicações científicas correspondentes continuam sendo referências essenciais.

E se eu usar PRISMA-ScR?

Nesse caso, também deve ser citada a publicação específica da extensão utilizada.

A referência fundamental do PRISMA-ScR é:

Tricco AC et al. PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation.

DOI: 10.7326/M18-0850.

E se eu usar PRISMA-S?

Também deve ser considerada a publicação correspondente:

Rethlefsen ML et al. PRISMA-S: an extension to the PRISMA Statement for Reporting Literature Searches in Systematic Reviews.

DOI: 10.1186/s13643-020-01542-z.

E PRISMA-P?

Para protocolos, uma referência fundamental é:

Moher D et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement.

DOI: 10.1186/2046-4053-4-1.

E as orientações para resumos?

Uma referência importante é:

Beller EM et al. PRISMA for Abstracts: reporting systematic reviews in journal and conference abstracts.

DOI: 10.1371/journal.pmed.1001419.

Preciso citar todas essas referências em qualquer TCC?

Não automaticamente.

Cite os documentos efetivamente utilizados e pertinentes ao trabalho.

Se a revisão utiliza apenas PRISMA 2020, não é necessário adicionar extensões sem relação com o desenho apenas para aumentar a lista de referências.

Atenção: citar uma extensão não significa que ela foi aplicada. A metodologia deve deixar claro quais orientações foram efetivamente utilizadas.

Como verificar a versão mais atual das orientações?

Como diretrizes e extensões podem receber atualizações, correções ou novos documentos relacionados, consulte a documentação oficial antes da versão final do trabalho.

Isso evita utilizar um arquivo antigo apenas porque ele aparece entre os primeiros resultados de uma busca na internet.

Em resumo: PRISMA não é ferramenta de avaliação de qualidade nem obrigação de realizar meta-análise. Extensões como PRISMA-ScR e PRISMA-S atendem necessidades específicas, enquanto PRISMA-P possui foco em protocolos. Na metodologia, apresente PRISMA como diretriz de relato quando essa for sua função real e cite as publicações correspondentes às orientações efetivamente utilizadas.

30 erros comuns ao usar PRISMA em uma revisão sistemática

Conhecer o checklist e o fluxograma é importante, mas muitos problemas surgem quando o PRISMA é aplicado de maneira mecânica.

Alguns erros são conceituais. Outros aparecem durante busca, seleção, construção do fluxograma, redação da metodologia ou interpretação dos resultados.

Os 30 erros a seguir funcionam como uma auditoria prática para revisar o trabalho antes da entrega ou submissão.

Resumo rápido: os erros mais graves não são necessariamente os visuais. Um fluxograma bonito pode esconder critérios mal definidos, contagens irreconciliáveis, unidades confundidas ou uma metodologia que apresenta PRISMA como algo que ele não é.

Erro 1 — Tratar PRISMA como o método completo da revisão sistemática

Este é um dos erros conceituais mais importantes.

PRISMA é uma diretriz de relato. Ele ajuda a tornar transparentes métodos e resultados, mas não substitui todo o referencial necessário para planejar e conduzir uma revisão sistemática.

Uma frase como:

“A revisão sistemática foi realizada pelo método PRISMA.”

pode transmitir a ideia de que os 27 itens do checklist constituem, por si mesmos, um método completo de condução.

Uma descrição metodológica adequada precisa explicar separadamente:

  • tipo de revisão;
  • referencial metodológico;
  • protocolo;
  • critérios de elegibilidade;
  • busca;
  • seleção;
  • extração;
  • avaliações;
  • síntese;
  • diretriz de relato.

Como corrigir: apresente PRISMA pela função que realmente desempenhou no trabalho, sem utilizá-lo como substituto para a descrição da condução metodológica.

Erro 2 — Acreditar que inserir o fluxograma significa “usar PRISMA”

O fluxograma é apenas um dos componentes mais visíveis da diretriz.

Uma revisão pode apresentar um fluxograma impecável e ainda omitir informações importantes sobre:

  • fontes de informação;
  • estratégias de busca;
  • processo de seleção;
  • coleta de dados;
  • risco de viés;
  • síntese;
  • registro e protocolo;
  • conflitos de interesse.

Portanto:

fluxograma PRISMA ≠ PRISMA completo.

Sinal de alerta: o trabalho menciona PRISMA apenas na legenda da figura e em nenhum outro ponto explica como as recomendações foram utilizadas.

Erro 3 — Usar PRISMA para transformar uma revisão narrativa em revisão sistemática

O desenho da revisão não é determinado retrospectivamente pelo checklist escolhido.

Adicionar:

  • um fluxograma;
  • uma tabela;
  • a sigla PRISMA;
  • algumas bases de dados;

não transforma automaticamente uma revisão narrativa em sistemática.

A classificação depende da pergunta, objetivos e métodos efetivamente utilizados.

Como corrigir: defina primeiro o tipo de revisão. Depois utilize as orientações metodológicas e de relato apropriadas a esse desenho.

Erro 4 — Aplicar PRISMA 2009 automaticamente quando o trabalho utiliza a versão atual

PRISMA 2020 atualizou e substituiu a declaração de 2009.

Materiais antigos, modelos de universidades, imagens disponíveis na internet e trabalhos anteriores podem continuar exibindo a estrutura antiga.

Isso pode levar o estudante a utilizar:

  • checklist desatualizado;
  • fluxograma antigo;
  • terminologia anterior;
  • referência bibliográfica de 2009 como se fosse a versão atual.

Como corrigir: quando o objetivo for aplicar a versão atual da declaração principal, utilize a documentação do PRISMA 2020 e cite a publicação correspondente.

Erro 5 — Escolher uma extensão sem verificar seu escopo

PRISMA-ScR, PRISMA-S, PRISMA-P e outras orientações relacionadas não são siglas intercambiáveis.

Cada documento foi desenvolvido para uma finalidade específica.

Por exemplo:

  • PRISMA-ScR — revisões de escopo;
  • PRISMA-S — relato das buscas;
  • PRISMA-P — protocolos;
  • PRISMA for Abstracts — resumos.

Escolher uma extensão apenas porque seu nome parece relacionado ao tema pode produzir uma aplicação incoerente.

Como corrigir: leia o escopo do documento e confirme se ele corresponde ao desenho ou ao componente que você pretende relatar.

Erro 6 — Começar a pensar no PRISMA somente depois que a revisão terminou

O checklist pode ser utilizado como auditoria no final, mas muitas das informações necessárias precisam ser documentadas durante o processo.

Se o pesquisador deixa tudo para a etapa de redação, pode descobrir que não registrou:

  • quantidades por base;
  • duplicatas;
  • datas das buscas;
  • estratégias completas;
  • decisões de triagem;
  • motivos de exclusão;
  • alterações metodológicas;
  • relações entre relatórios e estudos.

Algumas dessas informações podem ser difíceis ou impossíveis de reconstruir com precisão.

Como corrigir: conheça antecipadamente as informações que precisarão ser relatadas e documente o processo enquanto a revisão acontece.

Erro 7 — Não preparar um protocolo ou planejamento prévio quando ele é necessário ao desenho adotado

O PRISMA não substitui o planejamento antecipado.

Sem uma estrutura prévia, decisões importantes podem ser tomadas depois que o pesquisador já conhece parte dos resultados.

Isso pode afetar:

  • critérios de elegibilidade;
  • desfechos;
  • fontes;
  • métodos de síntese;
  • análises;
  • interpretação.

O problema não é apenas formal. Planejamento antecipado ajuda a distinguir decisões a priori de decisões tomadas durante a execução.

Como corrigir: quando pertinente, estruture previamente o processo com apoio do nosso guia sobre como montar um protocolo de revisão.

Erro 8 — Descrever a busca apenas com os nomes das bases

Uma metodologia como:

“A busca foi realizada nas bases A, B e C.”

é insuficiente para compreender o que realmente foi pesquisado.

Uma descrição transparente pode precisar informar, conforme aplicável:

  • base e plataforma;
  • data da última busca;
  • estratégia completa;
  • campos pesquisados;
  • operadores;
  • filtros;
  • limites;
  • outras fontes;
  • processo de atualização.

Sinal de alerta: outro pesquisador conhece as bases utilizadas, mas não consegue reconstruir nem compreender a lógica da busca.

Erro 9 — Informar apenas palavras-chave soltas em vez da estratégia de busca

Listar termos como:

“diabetes; atividade física; qualidade de vida”

não equivale a apresentar uma estratégia de busca.

Uma estratégia pode envolver:

  • conceitos;
  • sinônimos;
  • vocabulário controlado;
  • termos livres;
  • operadores booleanos;
  • campos;
  • truncamentos;
  • sintaxe específica da plataforma;
  • limites justificados.

Como corrigir: consulte nossos guias sobre descritores científicos, operadores booleanos e estratégia de busca científica.

Erro 10 — Aplicar filtros sem documentá-los ou justificá-los

Filtros podem alterar substancialmente o universo de registros recuperados.

Restrições relacionadas a:

  • idioma;
  • período;
  • tipo de documento;
  • população;
  • outros parâmetros;

precisam ser compatíveis com a pergunta e relatadas de maneira transparente quando aplicáveis.

Um limite não se torna metodologicamente adequado apenas porque reduz o número de resultados.

Erro comum: restringir a busca aos últimos cinco anos apenas porque a busca inicial encontrou muitos artigos, sem uma justificativa relacionada à pergunta da revisão.

Erro 11 — Definir critérios de inclusão e exclusão depois de conhecer os resultados

Os critérios de elegibilidade devem refletir a pergunta e o planejamento da revisão.

Se forem continuamente modificados para acomodar artigos encontrados, existe risco de a pergunta passar a seguir os resultados em vez de os resultados responderem à pergunta.

Isso não significa que nenhuma alteração possa ocorrer.

Significa que mudanças precisam ser:

  • metodologicamente justificadas;
  • documentadas;
  • transparentemente relatadas.

Como corrigir: veja como definir critérios de inclusão e exclusão antes de iniciar a seleção dos estudos.

Erro 12 — Utilizar critérios vagos que não podem ser aplicados de forma consistente

Critérios como:

  • “artigos relevantes”;
  • “estudos de boa qualidade”;
  • “trabalhos relacionados ao tema”;
  • “publicações importantes”;

podem ser subjetivos demais se não houver uma definição operacional.

Dois revisores podem interpretar essas expressões de maneiras muito diferentes.

Como tornar um critério mais operacional?

Em vez de perguntar:

“Este artigo é relevante?”

procure critérios vinculados a elementos observáveis, como:

  • população definida;
  • intervenção ou exposição;
  • comparador;
  • desfecho;
  • desenho;
  • contexto;
  • período, quando justificado;
  • tipo de publicação, quando pertinente.

Como corrigir: teste os critérios em uma amostra de registros antes da triagem definitiva e verifique se diferentes avaliadores conseguem aplicá-los de maneira suficientemente consistente.

Erro 13 — Confundir deduplicação com exclusão por elegibilidade

Remover uma duplicata e excluir um estudo por não atender aos critérios são ações completamente diferentes.

Deduplicação: remove ocorrências repetidas do mesmo registro ou documento.

Exclusão por elegibilidade: remove um registro ou relatório porque ele não atende aos critérios definidos.

Se as duas operações forem misturadas, as contagens do fluxograma podem se tornar incoerentes.

Exemplo

Um artigo encontrado simultaneamente em duas bases não deve ser contado como:

“um artigo incluído e um artigo excluído”.

Em princípio, existe uma ocorrência duplicada que precisa ser resolvida antes da contagem correspondente à triagem.

Sinal de alerta: a planilha de motivos de exclusão contém a categoria “duplicado” misturada às razões de inelegibilidade da avaliação detalhada, sem distinção entre as etapas.

Erro 14 — Excluir registros na triagem inicial sem aplicar critérios consistentes

A triagem de título e resumo não deve se transformar em uma seleção baseada em impressão pessoal.

Decisões como:

“o título não parece bom”

ou:

“esse artigo parece pouco interessante”

não constituem critérios metodológicos.

A triagem precisa aplicar regras relacionadas aos critérios de elegibilidade.

E se título e resumo não forem suficientes?

Quando as informações disponíveis não permitem uma exclusão segura, pode ser necessário manter o registro para avaliação posterior, conforme o procedimento estabelecido pela revisão.

Excluir prematuramente pode eliminar evidência potencialmente elegível.

Como corrigir: consulte como fazer seleção e triagem dos estudos e defina previamente como situações incertas serão tratadas.

Erro 15 — Construir o fluxograma com números estimados

Um dos problemas mais sérios ocorre quando o pesquisador não preservou as contagens e tenta reconstruir o fluxo por memória.

Isso pode gerar situações como:

  • “acho que eram aproximadamente 1.200 resultados”;
  • “devemos ter removido umas 300 duplicatas”;
  • “coloquei 40 exclusões para fechar a conta”;
  • “o programa mostra 700 agora, então usei esse número”.

O fluxograma deve resultar da documentação da revisão.

Por que estimativas são particularmente perigosas?

Porque uma pequena diferença no início pode afetar todas as caixas seguintes.

Considere:

Registros identificados − remoções = registros triados.

Se qualquer uma dessas quantidades for estimada, a coerência posterior pode ser apenas aparente.

Como corrigir quando os números não fecham?

Volte às fontes primárias do processo:

  • históricos de busca;
  • arquivos exportados;
  • bibliotecas de referências;
  • relatórios de deduplicação;
  • plataformas de triagem;
  • planilhas;
  • listas de decisões.

Identifique exatamente onde ocorreu a divergência.

Somente depois atualize o fluxograma.

Atenção: uma diferença matemática não deve ser resolvida inventando uma categoria como “outras exclusões”. Primeiro descubra o que aconteceu com os registros.

Auditoria intermediária — Erros 1 a 15

Erro Problema central
1 Tratar PRISMA como método completo
2 Reduzir PRISMA ao fluxograma
3 Usar PRISMA para redefinir o tipo de revisão
4 Utilizar versão desatualizada sem perceber
5 Escolher extensão inadequada
6 Documentar o processo apenas no final
7 Negligenciar planejamento ou protocolo pertinente
8 Relatar somente os nomes das bases
9 Confundir lista de palavras com estratégia de busca
10 Usar filtros sem transparência ou justificativa
11 Definir critérios depois de conhecer resultados
12 Usar critérios vagos
13 Confundir deduplicação com exclusão
14 Triar por impressão pessoal
15 Preencher o fluxograma com estimativas

Em resumo: os primeiros 15 erros mostram que a aplicação correta do PRISMA começa muito antes de desenhar o fluxograma. Ela depende de compreender a função da diretriz, escolher a versão adequada, planejar a revisão, documentar a busca, definir critérios aplicáveis, executar uma triagem consistente e preservar as contagens reais do processo.

Erro 16 — Confundir registros, relatórios e estudos

Depois que o processo avança da busca para a seleção e inclusão, a unidade de contagem pode mudar.

Como vimos anteriormente:

  • registro é uma entrada ou referência identificada em uma fonte de informação;
  • relatório é um documento que fornece informações sobre um estudo;
  • estudo é a investigação propriamente dita.

Tratar essas três unidades como sinônimos pode produzir erros no fluxograma, nas tabelas e na síntese.

Exemplo

Imagine que uma revisão termine com:

  • 85 relatórios incluídos;
  • 78 estudos incluídos.

Se o autor escrever que foram incluídos “85 estudos”, estará transformando publicações adicionais de algumas investigações em estudos independentes.

Como corrigir: em cada tabela, contador e frase, pergunte: “o que exatamente este número representa: registros, relatórios ou estudos?”.

Erro 17 — Tratar múltiplos relatórios do mesmo estudo como estudos independentes

Um mesmo estudo pode gerar várias publicações.

Por exemplo:

  • artigo com resultados principais;
  • artigo de seguimento;
  • publicação sobre eventos adversos;
  • análise secundária;
  • outro relatório relacionado à mesma investigação.

Esses documentos podem trazer informações diferentes, mas não necessariamente representam participantes ou estudos independentes.

Por que isso é perigoso?

Se relatórios múltiplos forem tratados como estudos independentes, pode ocorrer:

  • dupla contagem de participantes;
  • superestimação da quantidade de evidência;
  • duplicação de resultados;
  • erro na síntese;
  • inconsistência entre fluxograma e tabelas.

Sinal de alerta: duas publicações apresentam autores, amostra, local e período muito semelhantes, mas foram inseridas na tabela como estudos completamente independentes sem investigação adicional.

Erro 18 — Tratar relatórios não recuperados como exclusões por elegibilidade

Um relatório que não pôde ser recuperado não passou pela mesma avaliação detalhada de um relatório lido e considerado inelegível.

Portanto, essas categorias precisam permanecer separadas.

No exemplo utilizado neste guia:

  • 340 relatórios foram procurados;
  • 8 não foram recuperados;
  • 332 foram efetivamente avaliados.

Somente os 332 recuperados poderiam passar pela avaliação detalhada de elegibilidade correspondente.

Como corrigir: mantenha uma lista própria dos relatórios não recuperados e não invente um motivo de inelegibilidade para documentos que não puderam ser avaliados.

Erro 19 — Utilizar motivos de exclusão genéricos demais

Expressões como:

  • “não relevante”;
  • “não serve”;
  • “fora do tema”;
  • “artigo inadequado”;
  • “não atende aos critérios”;

podem ser pouco informativas.

Quando a exclusão ocorre após avaliação detalhada, o motivo deve permitir compreender qual aspecto da elegibilidade não foi atendido.

Por exemplo:

  • população inelegível;
  • intervenção ou exposição incompatível;
  • desenho não elegível;
  • desfecho fora do escopo;
  • tipo de publicação não elegível.

Como corrigir: vincule as categorias de exclusão aos critérios de elegibilidade previamente definidos.

Erro 20 — Contar o mesmo relatório em mais de um motivo de exclusão no total do fluxograma

Um relatório pode falhar em vários critérios simultaneamente.

Por exemplo, pode apresentar:

  • população inadequada;
  • desenho inadequado;
  • desfecho inadequado.

Entretanto, se esse único relatório for somado três vezes no quadro de motivos, a soma das razões de exclusão poderá ultrapassar o número de relatórios excluídos.

Como evitar?

Uma abordagem operacional é estabelecer uma regra consistente para atribuir um motivo principal para a contagem agregada, preservando informações adicionais na documentação interna quando necessário.

No exemplo deste guia:

72 + 58 + 51 + 39 + 27 = 247 relatórios excluídos.

Cada exclusão entra uma vez na soma utilizada para reconciliar o fluxo.

Atenção: a regra utilizada para classificar os motivos deve ser metodologicamente coerente e aplicada de maneira consistente, não inventada posteriormente apenas para ajustar a aritmética.

Erro 21 — Copiar números do Rayyan ou de outra ferramenta sem saber o que representam

Plataformas de triagem podem apresentar diversos contadores.

Eles podem representar, por exemplo:

  • registros importados;
  • duplicatas;
  • registros disponíveis para triagem;
  • decisões realizadas;
  • conflitos;
  • exclusões;
  • itens ainda pendentes.

Um número exibido na interface não deve ser transferido automaticamente para uma caixa do fluxograma.

Por quê?

Porque o contador pode:

  • estar relacionado a outra unidade;
  • representar um estado temporário;
  • incluir registros ainda não resolvidos;
  • ter sido afetado por deduplicação;
  • não corresponder exatamente à categoria do PRISMA.

Como corrigir: entenda primeiro o fluxo da ferramenta. Nosso guia Rayyan: como usar na revisão sistemática aprofunda essa etapa.

Erro 22 — Acreditar que usar Rayyan significa cumprir PRISMA

Rayyan e PRISMA possuem funções diferentes.

Rayyan pode apoiar operacionalmente atividades da revisão.

PRISMA orienta o relato transparente.

Portanto, a frase:

“A revisão seguiu PRISMA porque a triagem foi feita no Rayyan.”

não estabelece essa relação.

Também é possível:

  • utilizar Rayyan e relatar a revisão de forma incompleta;
  • relatar adequadamente segundo PRISMA utilizando outro fluxo de triagem.

Regra prática: software utilizado e diretriz de relato são dimensões diferentes da revisão.

Erro 23 — Dizer que PRISMA foi usado para avaliar a qualidade dos artigos

PRISMA não deve ser apresentado como uma escala universal de qualidade metodológica dos estudos incluídos.

O checklist possui itens que pedem transparência sobre avaliações como risco de viés e certeza das evidências, mas essas avaliações precisam de métodos apropriados.

Uma frase como:

“Os artigos foram avaliados quanto à qualidade pelo PRISMA.”

pode confundir:

  • qualidade do relato;
  • risco de viés;
  • qualidade metodológica;
  • certeza das evidências.

Como corrigir: informe explicitamente qual instrumento ou abordagem foi utilizado para qual finalidade e descreva PRISMA separadamente como diretriz de relato quando essa for sua função.

Erro 24 — Transformar o checklist PRISMA em uma pontuação de qualidade

Outro problema é converter os 27 itens em uma nota, como:

“O artigo atendeu 23 de 27 itens e recebeu qualidade de 85,2%.”

O checklist principal não foi desenvolvido como uma escala universal de pontuação metodológica dos estudos individuais.

Além disso, os itens não representam necessariamente unidades equivalentes que possam ser simplesmente somadas para produzir uma porcentagem de qualidade.

Erro comum: assumir que dois trabalhos com a mesma quantidade de itens marcados possuem necessariamente a mesma qualidade metodológica.

Erro 25 — Acreditar que toda revisão sistemática precisa de meta-análise

PRISMA não obriga a combinar estatisticamente os resultados.

A possibilidade de meta-análise depende da pergunta, dos dados, da comparabilidade dos estudos e da adequação metodológica da síntese quantitativa.

Forçar uma meta-análise apenas para que a revisão pareça “mais completa” pode ser inadequado.

E o erro inverso?

Também não basta afirmar que os estudos eram “muito diferentes” sem explicar como essa decisão foi tomada.

Quando a meta-análise não é realizada, o método de síntese utilizado continua precisando ser descrito.

Visão metodológica: a pergunta não é “preciso ter meta-análise para usar PRISMA?”, mas “qual método de síntese é apropriado para as evidências desta revisão e como ele deve ser relatado?”.

Erro 26 — Preencher o checklist mecanicamente sem conferir o manuscrito

O checklist não deve ser preenchido por memória ou intenção.

Marcar que um item foi relatado significa que a informação correspondente precisa estar efetivamente localizável no trabalho ou nos materiais indicados.

Por exemplo:

não basta saber que a equipe discutiu determinado procedimento. O leitor precisa conseguir encontrar o relato pertinente.

Como fazer uma auditoria melhor?

Para cada item:

  1. leia o texto completo do item;
  2. verifique se ele é aplicável;
  3. localize a informação no trabalho;
  4. registre a localização correta;
  5. identifique lacunas;
  6. corrija o manuscrito quando necessário;
  7. atualize o checklist depois da correção.

Como corrigir: trate o checklist como um mapa entre a recomendação e o conteúdo real do relatório, não como uma lista de intenções.

Erro 27 — Marcar “não aplicável” para evitar corrigir uma lacuna

Nem todos os itens ou subitens terão a mesma aplicabilidade em qualquer revisão.

Entretanto, “não aplicável” não deve ser utilizado como atalho para uma informação que deveria existir, mas está ausente.

Faça três perguntas

Ao encontrar uma lacuna, pergunte:

  1. o procedimento realmente não se aplica ao desenho?
  2. o procedimento deveria ter sido realizado, mas não foi?
  3. o procedimento foi realizado, mas não foi relatado?

Essas situações são diferentes.

Atenção: preencher o checklist não deve apagar uma limitação metodológica. Se algo relevante não foi feito, a solução pode exigir transparência sobre essa limitação, e não simplesmente marcar “N/A”.

Erro 28 — Deixar fluxograma, texto, resumo e tabelas com números diferentes sem explicação

Uma das auditorias finais mais importantes é comparar todas as ocorrências das contagens da revisão.

Imagine encontrar:

  • 78 estudos no fluxograma;
  • 80 estudos no resumo;
  • 79 na seção de resultados;
  • 85 linhas na tabela de características.

Isso pode indicar erro — ou pode haver uma explicação legítima, como múltiplos relatórios por estudo.

O problema é deixar a diferença sem explicação.

O que conferir?

Pesquise no documento todas as principais contagens:

  • registros identificados;
  • duplicatas;
  • registros triados;
  • relatórios avaliados;
  • relatórios excluídos;
  • relatórios incluídos;
  • estudos incluídos.

Compare:

  • resumo;
  • métodos;
  • resultados;
  • fluxograma;
  • tabelas;
  • apêndices ou suplementos.

Como corrigir: realize uma auditoria numérica final depois da última alteração do manuscrito. Uma mudança tardia na seleção pode exigir atualização em vários pontos.

Erro 29 — Apresentar conclusões mais fortes do que as evidências permitem

Seguir uma diretriz de relato não aumenta automaticamente a certeza das evidências.

Uma revisão pode ser transparentemente relatada e ainda encontrar:

  • poucos estudos;
  • alto risco de viés;
  • resultados inconsistentes;
  • grande imprecisão;
  • evidência indireta;
  • limitações relevantes.

Nessas situações, a conclusão precisa refletir a incerteza.

Exemplo de exagero

“A revisão comprovou definitivamente que a intervenção é eficaz.”

Essa redação pode ser incompatível com um corpo de evidências limitado.

Uma formulação mais proporcional depende dos resultados reais e pode reconhecer:

  • direção do efeito;
  • magnitude;
  • precisão;
  • consistência;
  • limitações;
  • certeza das evidências.

Visão metodológica: transparência do relato e força da evidência são dimensões diferentes. PRISMA pode melhorar a primeira sem transformar evidência fraca em evidência forte.

Erro 30 — Escrever “seguimos PRISMA” sem verificar se o relatório realmente atende aos itens aplicáveis

A frase:

“Esta revisão seguiu as recomendações PRISMA.”

é uma afirmação sobre o relato do trabalho.

Ela não deve funcionar como um selo automático de qualidade.

Antes de utilizá-la, verifique se:

  • a versão correta foi utilizada;
  • o checklist foi realmente consultado;
  • os itens aplicáveis estão relatados;
  • o fluxograma corresponde aos dados;
  • as extensões pertinentes foram consideradas;
  • as referências corretas foram citadas;
  • não existem lacunas importantes incompatíveis com a afirmação.

Uma frase sobre PRISMA substitui o checklist?

Não.

Dizer que as recomendações foram utilizadas não permite ao leitor localizar automaticamente cada informação.

O valor da diretriz está justamente em tornar o relato verificável.

Uma revisão “PRISMA” é automaticamente uma revisão de alta qualidade?

Não.

É importante separar pelo menos quatro dimensões:

Dimensão Pergunta
Relato O trabalho descreve de maneira transparente o que foi feito e encontrado?
Condução Os métodos utilizados foram apropriados?
Evidência Quais são as limitações e a certeza do corpo de evidências?
Interpretação As conclusões são proporcionais aos resultados e às incertezas?

PRISMA atua principalmente sobre a transparência do relato. Ele pode ajudar a revelar informações necessárias para avaliar as demais dimensões, mas não as transforma automaticamente.

Como corrigir: utilize a afirmação sobre PRISMA somente depois de auditar o relatório completo contra os itens e orientações realmente aplicáveis.

Auditoria final — Os 30 erros em uma visão única

Erro
1 Tratar PRISMA como método completo da revisão
2 Reduzir PRISMA ao fluxograma
3 Usar PRISMA para transformar outro desenho em revisão sistemática
4 Utilizar automaticamente a versão de 2009
5 Escolher uma extensão sem verificar seu escopo
6 Começar a documentar somente no final
7 Negligenciar planejamento ou protocolo pertinente
8 Relatar apenas os nomes das bases
9 Confundir palavras-chave com estratégia de busca
10 Aplicar filtros sem transparência ou justificativa
11 Definir critérios depois de conhecer os resultados
12 Utilizar critérios vagos
13 Confundir deduplicação com exclusão por elegibilidade
14 Triar registros por impressão pessoal
15 Construir o fluxograma com estimativas
16 Confundir registros, relatórios e estudos
17 Contar múltiplos relatórios como estudos independentes
18 Confundir relatório não recuperado com relatório excluído
19 Usar motivos de exclusão genéricos
20 Contar a mesma exclusão em vários motivos
21 Copiar contadores de ferramentas sem compreender a unidade
22 Confundir uso do Rayyan com conformidade ao PRISMA
23 Usar PRISMA como ferramenta de avaliação da qualidade dos artigos
24 Transformar o checklist em pontuação de qualidade
25 Acreditar que revisão sistemática exige meta-análise
26 Preencher o checklist mecanicamente
27 Usar “não aplicável” para esconder lacunas
28 Manter contagens incompatíveis entre seções
29 Produzir conclusões mais fortes do que a evidência permite
30 Afirmar que seguiu PRISMA sem auditar o relatório

Como usar esta lista na prática?

Não é necessário esperar o final do TCC.

Os 30 erros podem ser utilizados em três momentos.

Antes da revisão

Priorize os itens relacionados a:

  • tipo de revisão;
  • protocolo;
  • critérios;
  • busca;
  • documentação.

Durante a revisão

Priorize:

  • deduplicação;
  • triagem;
  • motivos de exclusão;
  • registro das decisões;
  • unidades de contagem;
  • documentação das alterações.

Antes da entrega ou submissão

Faça uma auditoria completa de:

  • checklist;
  • fluxograma;
  • contagens;
  • tabelas;
  • métodos;
  • resultados;
  • discussão;
  • conclusões;
  • referências;
  • extensões aplicáveis.

Resumo rápido: a melhor forma de evitar erros com PRISMA é não tratá-lo como uma tarefa gráfica realizada no final. O relato começa a ser preparado quando a revisão começa a ser documentada.

O que conferir depois de corrigir os 30 erros?

Depois dessa auditoria conceitual e metodológica, ainda vale realizar uma última verificação operacional.

Essa verificação deve reunir, em um único checklist:

  • versão do PRISMA;
  • checklist principal;
  • fluxograma;
  • contagens;
  • estratégias de busca;
  • critérios;
  • seleção;
  • extração;
  • síntese;
  • limitações;
  • registro e protocolo;
  • extensões;
  • citações;
  • coerência entre todas as partes do trabalho.

É esse o objetivo do checklist final apresentado a seguir.

Checklist final para usar PRISMA 2020 antes da entrega

Depois de concluir a revisão e preparar o relatório, faça uma última auditoria antes de entregar o TCC, dissertação, artigo ou outro trabalho acadêmico.

O objetivo deste checklist final não é substituir o checklist oficial do PRISMA 2020.

Ele funciona como uma verificação prática complementar, reunindo os principais pontos discutidos ao longo deste guia.

Atenção: utilize também os documentos oficiais correspondentes ao PRISMA e às extensões aplicáveis. O checklist abaixo é uma ferramenta didática para ajudar a identificar inconsistências antes da versão final.

1. Confira se PRISMA é adequado ao seu trabalho

  • O tipo de revisão está claramente definido?
  • Você confirmou que PRISMA é uma diretriz de relato pertinente ao desenho utilizado?
  • Você evitou apresentar PRISMA como um método completo de condução?
  • Você verificou se existe alguma extensão específica aplicável?
  • Se for revisão de escopo, verificou as orientações do PRISMA-ScR?
  • Se estiver detalhando o relato da busca, verificou a pertinência do PRISMA-S?
  • Se estiver trabalhando com protocolo, diferenciou PRISMA-P do PRISMA 2020?

2. Confira a versão utilizada

  • Você está utilizando PRISMA 2020 quando essa é a versão pertinente?
  • O checklist utilizado corresponde à versão correta?
  • O modelo de fluxograma corresponde à versão correta?
  • As referências bibliográficas correspondem aos documentos efetivamente utilizados?
  • Materiais antigos do PRISMA 2009 não foram incorporados automaticamente como se fossem a versão atual?

3. Confira o título e o resumo

  • O título identifica o trabalho como revisão sistemática quando apropriado?
  • O resumo apresenta as informações essenciais do estudo?
  • O resumo está coerente com o texto completo?
  • O número de estudos incluídos é o mesmo relatado nos Resultados quando a unidade é a mesma?
  • Objetivos, métodos, resultados e conclusões do resumo correspondem ao conteúdo do trabalho?
  • Você consultou as orientações específicas para resumos quando aplicáveis?

4. Confira a justificativa e os objetivos

  • A introdução explica por que a revisão é necessária?
  • A justificativa considera o conhecimento existente?
  • Os objetivos estão claramente formulados?
  • A pergunta de revisão está coerente com os objetivos?
  • Os métodos posteriores realmente respondem à pergunta formulada?

5. Confira os critérios de elegibilidade

  • Os critérios de inclusão estão explicitamente descritos?
  • Os critérios de exclusão estão suficientemente claros?
  • Os critérios são operacionalizáveis?
  • Eles correspondem à pergunta de pesquisa?
  • Foram definidos antes da seleção, quando metodologicamente esperado?
  • Alterações posteriores foram documentadas e justificadas quando necessário?
  • Os motivos de exclusão utilizados posteriormente derivam de critérios compreensíveis?

6. Confira as fontes de informação

  • Todas as bases pesquisadas foram informadas?
  • As plataformas relevantes foram identificadas?
  • Registros, sites, organizações ou outras fontes foram descritos quando utilizados?
  • A data da última busca está informada?
  • É possível compreender o universo de fontes consultadas?

7. Confira as estratégias de busca

  • As estratégias estão documentadas de maneira suficientemente completa?
  • Os termos utilizados estão registrados?
  • Operadores booleanos foram documentados quando aplicáveis?
  • Vocabulários controlados e termos livres estão diferenciados quando necessário?
  • Filtros e limites estão descritos?
  • Restrições possuem justificativa?
  • A sintaxe corresponde às plataformas utilizadas?
  • As estratégias podem ser auditadas por outro pesquisador?

Continue aprendendo: se esta etapa revelar lacunas, revise nosso guia sobre como montar uma estratégia de busca científica.

8. Confira o processo de seleção

  • Está claro como os registros foram triados?
  • Está claro como os relatórios foram avaliados quanto à elegibilidade?
  • O número de revisores está informado quando aplicável?
  • O trabalho explica se as avaliações foram independentes?
  • O método de resolução de divergências foi relatado?
  • Ferramentas utilizadas foram identificadas quando pertinente?
  • Eventuais recursos de automação foram descritos adequadamente?

9. Confira a coleta e extração dos dados

  • O processo de extração está descrito?
  • Está claro quem extraiu os dados?
  • Existe informação sobre conferência ou duplicação quando pertinente?
  • Formulários ou instrumentos utilizados estão documentados?
  • Está claro como informações ausentes ou duvidosas foram tratadas?
  • Dados provenientes de múltiplos relatórios do mesmo estudo foram reconciliados?

Continue aprendendo: consulte como extrair dados dos artigos científicos para revisar essa etapa.

10. Confira quais dados foram procurados

  • Desfechos e resultados de interesse estão definidos?
  • Outras variáveis relevantes foram especificadas?
  • Suposições utilizadas para informações ausentes ou pouco claras foram documentadas?
  • Está claro quais resultados foram priorizados quando havia múltiplas medidas ou momentos?

11. Confira a avaliação de risco de viés

  • Está claro o que foi avaliado?
  • A ferramenta ou abordagem utilizada foi identificada?
  • O procedimento de avaliação está descrito?
  • Está claro quantos revisores participaram quando aplicável?
  • Divergências foram tratadas de maneira transparente?
  • Os resultados da avaliação aparecem na seção correspondente?
  • PRISMA não foi apresentado como se fosse a própria ferramenta de risco de viés?

12. Confira as medidas de efeito

  • As medidas utilizadas estão identificadas para os desfechos pertinentes?
  • Elas são compatíveis com os dados e com a síntese realizada?
  • O texto permite compreender como os resultados foram expressos?

13. Confira os métodos de síntese

  • Está claro quais estudos participaram de cada síntese?
  • O tratamento e a preparação dos dados estão descritos quando necessários?
  • Está explicado como os resultados foram tabulados ou apresentados visualmente?
  • O método utilizado para sintetizar os resultados está descrito?
  • Meta-análise foi realizada somente quando apropriada?
  • Se não houve meta-análise, o método de síntese ainda está explicado?
  • Investigações de heterogeneidade estão descritas quando realizadas?
  • Análises de sensibilidade estão descritas quando realizadas?

14. Confira vieses decorrentes de resultados ausentes

  • O método de avaliação está descrito quando aplicável?
  • Os resultados dessa avaliação foram apresentados?
  • O texto evita reduzir todo o problema automaticamente a “viés de publicação”?
  • Conclusões sobre ausência de viés estão apoiadas pelo procedimento realizado?

15. Confira a certeza das evidências

  • Foi informado se e como a certeza ou confiança nas evidências foi avaliada?
  • A abordagem utilizada foi identificada?
  • Os resultados aparecem de maneira compreensível?
  • O trabalho evita confundir certeza das evidências com significância estatística?

16. Confira os resultados da seleção

  • O número inicial de registros está documentado?
  • As duplicatas removidas estão registradas?
  • Outras remoções anteriores à triagem estão explicadas quando ocorreram?
  • O número de registros triados está correto?
  • O número de registros excluídos está correto?
  • Os relatórios procurados foram contabilizados?
  • Os relatórios não recuperados aparecem separadamente?
  • Os relatórios avaliados quanto à elegibilidade estão contabilizados?
  • Os motivos das exclusões detalhadas estão registrados?
  • Os relatórios incluídos estão diferenciados dos estudos incluídos quando necessário?

17. Confira o fluxograma PRISMA

  • Você escolheu o modelo adequado?
  • O modelo corresponde a uma revisão nova ou atualizada?
  • O modelo representa corretamente as fontes de identificação utilizadas?
  • Todas as contas fecham?
  • As unidades mudam de registros para relatórios e estudos de maneira coerente?
  • As contagens podem ser rastreadas até a documentação original?
  • O fluxograma corresponde ao texto dos Resultados?
  • O fluxograma corresponde ao resumo?
  • O fluxograma corresponde às tabelas?

18. Confira registros, relatórios e estudos

  • O trabalho diferencia corretamente essas três unidades?
  • Múltiplos relatórios do mesmo estudo foram identificados?
  • Publicações relacionadas não foram contabilizadas indevidamente como estudos independentes?
  • O número de relatórios incluídos está claro?
  • O número de estudos incluídos está claro?

19. Confira as características dos estudos

  • Os estudos incluídos estão identificados?
  • Suas características relevantes estão apresentadas?
  • As informações são suficientes para compreender população, desenho, intervenções, exposições, comparadores ou outros elementos pertinentes?
  • As tabelas utilizam unidades consistentes?

Continue aprendendo: para organizar comparativamente as informações extraídas, veja como montar um quadro de síntese.

20. Confira os resultados dos estudos e das sínteses

  • Os resultados individuais relevantes estão apresentados?
  • As sínteses correspondem aos métodos previamente descritos?
  • As estimativas possuem medidas de precisão quando pertinentes?
  • Resultados de heterogeneidade estão apresentados quando avaliados?
  • Análises de sensibilidade estão relatadas quando realizadas?
  • O texto evita selecionar apenas os resultados mais favoráveis?

21. Confira a discussão

  • Os resultados foram interpretados no contexto das demais evidências?
  • A discussão vai além de repetir os Resultados?
  • As limitações das evidências incluídas estão descritas?
  • As limitações do próprio processo da revisão aparecem separadamente?
  • As implicações são proporcionais à força das evidências?
  • As lacunas para pesquisas futuras são específicas?
  • O texto evita conclusões causais ou definitivas não sustentadas pelos dados?

22. Confira registro e protocolo

  • A revisão foi registrada?
  • Se foi registrada, nome do registro e número estão informados?
  • Se não foi registrada, a situação é relatada adequadamente?
  • Existe protocolo?
  • Está informado onde ele pode ser acessado quando aplicável?
  • Alterações relevantes em relação ao protocolo ou registro foram descritas?
  • As alterações foram explicadas quando necessário?

23. Confira apoio e conflitos de interesse

  • As fontes de apoio financeiro estão declaradas?
  • Apoio não financeiro relevante foi considerado?
  • O papel de financiadores ou patrocinadores está informado quando aplicável?
  • Conflitos de interesse foram declarados?
  • A ausência de conflitos foi relatada conforme as exigências aplicáveis?

24. Confira disponibilidade de dados e materiais

  • Formulários utilizados podem ser disponibilizados?
  • Dados extraídos podem ser disponibilizados?
  • Dados analíticos podem ser disponibilizados?
  • Código utilizado nas análises pode ser disponibilizado?
  • Outros materiais relevantes estão acessíveis?
  • O relatório informa claramente o que está ou não disponível?

25. Confira o checklist oficial

  • Você leu o texto completo de cada item aplicável?
  • As localizações indicadas realmente contêm a informação solicitada?
  • Itens parcialmente relatados foram identificados?
  • “Não aplicável” foi utilizado apenas quando realmente justificável?
  • O checklist foi atualizado depois das últimas alterações no trabalho?

26. Confira as extensões pertinentes

  • Existe extensão relevante para seu tipo de revisão?
  • Existe extensão relevante para algum componente específico?
  • Você consultou a versão apropriada?
  • A extensão foi utilizada de acordo com seu escopo?
  • O trabalho não mistura arbitrariamente diferentes documentos PRISMA?

27. Confira as citações

  • O PRISMA 2020 Statement foi citado corretamente?
  • O artigo Explanation and Elaboration foi consultado quando necessário?
  • As extensões efetivamente utilizadas possuem suas referências correspondentes?
  • A bibliografia não utiliza apenas uma referência antiga quando a versão atual foi aplicada?
  • DOIs e demais dados bibliográficos foram conferidos?

28. Faça a auditoria numérica final

Procure no documento todos os números relacionados à seleção e compare:

  • resumo;
  • métodos;
  • resultados;
  • fluxograma;
  • tabelas;
  • apêndices;
  • materiais suplementares.

Confirme novamente:

identificados − removidos = triados

triados − excluídos = relatórios procurados

procurados − não recuperados = relatórios avaliados

avaliados − excluídos = relatórios incluídos

Depois, verifique quantos estudos esses relatórios representam.

29. Faça a auditoria terminológica

Procure expressões como:

  • artigo;
  • registro;
  • relatório;
  • estudo;
  • duplicata;
  • exclusão;
  • qualidade;
  • risco de viés;
  • certeza da evidência;
  • PRISMA;
  • meta-análise.

Verifique se cada termo está sendo utilizado com significado consistente.

30. Faça a auditoria da conclusão

  • A conclusão responde ao objetivo?
  • Ela corresponde aos resultados encontrados?
  • Reconhece incertezas relevantes?
  • Evita promessas ou afirmações que extrapolam as evidências?
  • Não apresenta PRISMA como prova de qualidade metodológica?
  • Não transforma transparência do relato em certeza científica?

Checklist essencial em 10 perguntas

  1. Estou usando a versão e a extensão corretas do PRISMA?
  2. O método da revisão está descrito independentemente do PRISMA?
  3. Minha busca pode ser compreendida e auditada?
  4. Os critérios foram definidos e aplicados de forma consistente?
  5. Consigo rastrear todos os números do fluxograma?
  6. Sei distinguir registros, relatórios e estudos?
  7. Os resultados correspondem aos métodos descritos?
  8. Limitações da evidência e da revisão estão separadas?
  9. Checklist, texto, tabelas e fluxograma são coerentes?
  10. Minhas conclusões são proporcionais às evidências?

Antes de entregar ou submeter a revisão, utilize um checklist final para conferir a coerência entre texto, fluxograma, tabelas e documentação.

Checklist final para usar PRISMA 2020 na revisão sistemática antes da entrega do trabalho
Checklist final para revisar a aplicação do PRISMA 2020 e conferir a consistência do relato antes da entrega ou submissão.

Como utilizar este checklist sem transformar a revisão em uma tarefa mecânica?

Não tente simplesmente obter trinta respostas “sim”.

Quando encontrar um problema, identifique qual das seguintes situações está ocorrendo:

  1. o procedimento foi realizado e relatado adequadamente;
  2. o procedimento foi realizado, mas está mal relatado;
  3. o procedimento deveria ter sido realizado, mas não foi;
  4. o procedimento não se aplica ao desenho;
  5. não existem informações suficientes para determinar o que aconteceu.

Essas situações exigem respostas diferentes.

Uma lacuna de redação pode ser corrigida explicando melhor o que foi feito.

Uma limitação metodológica real não deve ser disfarçada como simples problema de redação.

Visão metodológica: o objetivo da auditoria PRISMA não é fazer o trabalho parecer perfeito. É tornar suficientemente transparente o que foi planejado, realizado, encontrado e modificado para que o leitor consiga avaliar a revisão de maneira informada.

Checklist preenchido significa que o trabalho está pronto?

Ele representa uma etapa importante da revisão final, mas ainda vale conferir:

  • normas da instituição;
  • orientações do orientador;
  • instruções do periódico, quando houver;
  • normas de referências;
  • consistência de tabelas e figuras;
  • gramática e clareza;
  • formatação;
  • documentos suplementares exigidos.

PRISMA cuida de uma dimensão específica: melhorar a transparência do relato da revisão sistemática.

Em resumo: antes da entrega, audite não apenas se cada item foi mencionado, mas se as informações realmente correspondem ao que aconteceu durante a revisão. Confira versão, método, busca, critérios, seleção, extração, síntese, fluxograma, contagens, discussão, protocolo, conflitos, materiais e referências. A consistência entre essas partes é tão importante quanto o preenchimento individual de cada caixa.

Perguntas frequentes sobre PRISMA em revisões sistemáticas

As dúvidas abaixo reúnem alguns dos pontos que mais geram confusão quando estudantes e pesquisadores começam a utilizar PRISMA em revisões sistemáticas.

PRISMA é obrigatório em toda revisão sistemática?

Não existe uma regra universal que torne PRISMA obrigatório em absolutamente toda revisão sistemática

A necessidade de utilizar determinada diretriz pode depender do tipo de revisão, das orientações metodológicas pertinentes, da instituição, do orientador, do periódico ou de outras exigências aplicáveis ao trabalho.

PRISMA 2020 é uma importante diretriz para melhorar a transparência do relato de revisões sistemáticas, mas não deve ser apresentado como uma obrigação legal ou acadêmica universal para qualquer trabalho chamado de revisão.

Além disso, determinados desenhos ou componentes podem possuir extensões ou orientações específicas.

Boa prática: identifique primeiro qual revisão está sendo realizada e depois verifique quais diretrizes de relato são apropriadas e quais são exigidas no contexto em que o trabalho será apresentado.

PRISMA é um método de revisão sistemática?

PRISMA é principalmente uma diretriz de relato, não um método completo de condução

Ele orienta quais informações devem ser relatadas para tornar mais transparente o que foi feito e encontrado.

PRISMA não substitui, por si só:

  • protocolo;
  • referencial metodológico;
  • estratégia de busca;
  • critérios de elegibilidade;
  • processo de seleção;
  • extração de dados;
  • avaliação de risco de viés;
  • métodos de síntese.

Por isso, dizer apenas que “o método utilizado foi PRISMA” pode deixar a metodologia incompleta ou conceitualmente imprecisa.

Qual versão do PRISMA devo usar?

Para a declaração principal atualizada, a referência é PRISMA 2020

PRISMA 2020 substituiu a declaração de 2009 e atualizou tanto o checklist quanto as orientações de relato.

Entretanto, não basta perguntar qual é a versão principal mais recente. Também é necessário verificar se existe uma extensão pertinente ao trabalho.

Uma revisão de escopo, por exemplo, deve considerar as orientações específicas do PRISMA-ScR.

Para relato detalhado de buscas, PRISMA-S pode ser relevante.

Para protocolos, PRISMA-P possui finalidade específica.

Qual é a diferença entre PRISMA 2009 e PRISMA 2020?

PRISMA 2020 atualizou a declaração anterior e ampliou as orientações para o relato de revisões sistemáticas

A atualização incorporou mudanças no checklist, na terminologia, nas orientações e nos modelos de fluxograma.

Por isso, não é recomendável utilizar automaticamente materiais antigos encontrados em trabalhos acadêmicos ou imagens disponíveis na internet.

Ao declarar utilização do PRISMA 2020, confira se checklist, fluxograma, terminologia e referências correspondem à versão atualizada.

Quantos itens possui o checklist PRISMA 2020?

O checklist principal do PRISMA 2020 possui 27 itens

Esses itens abrangem diferentes partes do relatório, incluindo:

  • título;
  • resumo;
  • introdução;
  • métodos;
  • resultados;
  • discussão;
  • outras informações.

Alguns itens possuem subitens, portanto preencher o checklist exige mais do que simplesmente localizar 27 palavras ou frases no documento.

PRISMA é apenas o fluxograma?

Não. O fluxograma é apenas um dos componentes mais conhecidos

O PRISMA 2020 inclui um checklist de relato e materiais complementares, além dos modelos de fluxograma.

O fluxograma ajuda a mostrar como os registros avançaram pelas etapas de identificação, triagem e inclusão, mas não substitui o relato dos demais métodos e resultados.

O fluxograma PRISMA é obrigatório?

O fluxograma é um componente central para relatar os resultados do processo de seleção quando aplicável

O PRISMA 2020 recomenda apresentar os resultados da busca e seleção desde o número de registros identificados até os estudos incluídos, idealmente por meio de um fluxograma.

Entretanto, a forma concreta de apresentação também deve considerar o desenho da revisão e as exigências institucionais ou editoriais aplicáveis.

Qual modelo de fluxograma PRISMA 2020 devo escolher?

A escolha depende do tipo de revisão e de como os estudos foram identificados

Os modelos oficiais contemplam situações como:

  • revisão sistemática nova com identificação por bases de dados e registros;
  • revisão nova com bases e registros mais outras fontes ou métodos;
  • revisão sistemática atualizada utilizando bases e registros;
  • revisão atualizada com fontes adicionais.

Escolha o modelo que representa o processo efetivamente realizado, em vez de adaptar os números ao primeiro modelo encontrado.

O que significa “registro” no PRISMA?

Registro é uma entrada identificada em uma base, registro ou outra fonte de informação

Ele pode conter título, resumo, autores e outros metadados.

Durante as primeiras etapas da revisão, é comum trabalhar principalmente com registros.

Um mesmo documento pode aparecer como mais de um registro quando é encontrado em diferentes bases, razão pela qual a deduplicação é importante.

Qual é a diferença entre registro, relatório e estudo?

São unidades diferentes dentro do processo da revisão

De maneira simplificada:

  • registro: entrada ou referência identificada;
  • relatório: documento que fornece informações sobre um estudo;
  • estudo: investigação propriamente dita.

Um estudo pode possuir mais de um relatório.

Por isso, uma revisão pode terminar, por exemplo, com 85 relatórios correspondentes a 78 estudos.

Duplicata e múltiplos relatórios do mesmo estudo são a mesma coisa?

Não

Uma duplicata ocorre quando a mesma referência ou documento aparece repetidamente no conjunto de registros, como quando a mesma publicação é recuperada em duas bases.

Múltiplos relatórios, por outro lado, são documentos diferentes relacionados à mesma investigação.

Confundir essas situações pode provocar dupla contagem de evidências.

O que significa “relatório não recuperado” no fluxograma PRISMA?

É um relatório procurado para avaliação, mas que não pôde ser obtido

Isso não é o mesmo que um relatório recuperado, lido e posteriormente excluído.

Se o texto foi obtido e considerado inelegível, ele pertence à etapa de avaliação detalhada e deve ser tratado de acordo com o motivo de exclusão correspondente.

Preciso informar os motivos de exclusão no PRISMA?

Os motivos das exclusões após avaliação detalhada são uma parte importante da transparência do processo

Os motivos devem ser suficientemente informativos e coerentes com os critérios de elegibilidade.

Em vez de utilizar apenas:

“não atende aos critérios”,

pode ser mais informativo indicar categorias como:

  • população inelegível;
  • desenho não elegível;
  • intervenção ou exposição incompatível;
  • desfecho fora do escopo;
  • tipo de publicação não elegível.

Um artigo pode ter mais de um motivo de exclusão?

Sim, mas a contagem agregada precisa evitar dupla contabilização

Um relatório pode falhar simultaneamente em vários critérios.

Para manter as contagens reconciliáveis, pode ser utilizada uma regra consistente para registrar um motivo principal na contagem agregada, mantendo informações adicionais na documentação interna quando necessário.

PRISMA exige dois revisores independentes?

O checklist exige transparência sobre como a seleção e outros processos foram realizados

O trabalho deve informar quantos revisores participaram das etapas pertinentes, se trabalharam independentemente e, quando aplicável, como divergências foram resolvidas.

A composição metodologicamente apropriada da equipe deve ser determinada pelas orientações de condução relevantes ao tipo de revisão, e não por uma interpretação isolada do checklist como se ele fosse um manual completo de método.

Posso usar Rayyan para fazer o fluxograma PRISMA?

Rayyan pode ajudar a documentar algumas contagens, mas não substitui o PRISMA

Uma plataforma de triagem pode registrar informações relacionadas a:

  • referências;
  • duplicatas;
  • decisões;
  • conflitos;
  • motivos de exclusão.

Esses dados podem contribuir para a construção do fluxo.

Entretanto, o pesquisador precisa compreender o significado de cada contador e reconciliar as informações com as demais etapas da revisão.

Usar Rayyan significa que minha revisão segue PRISMA?

Não

Rayyan é uma ferramenta de apoio ao fluxo de trabalho.

PRISMA é uma diretriz de relato.

É possível utilizar Rayyan e produzir um relato incompleto. Também é possível relatar adequadamente uma revisão sem utilizar Rayyan.

PRISMA substitui o protocolo da revisão?

Não. Protocolo e PRISMA cumprem funções diferentes

O protocolo documenta antecipadamente o que se pretende fazer.

PRISMA 2020 orienta a transparência do relato da revisão realizada.

Conhecer PRISMA desde o planejamento ajuda a preservar as informações necessárias, mas isso não transforma a diretriz em protocolo.

Qual é a diferença entre PRISMA 2020 e PRISMA-P?

PRISMA 2020 e PRISMA-P possuem finalidades diferentes

PRISMA 2020 corresponde à atualização da declaração principal para o relato de revisões sistemáticas.

PRISMA-P foi desenvolvido especificamente para melhorar o relato de protocolos de revisões sistemáticas e meta-análises.

PRISMA avalia a qualidade dos artigos?

Não. PRISMA não é uma escala de qualidade dos estudos incluídos

A revisão pode precisar avaliar risco de viés, certeza das evidências ou outros aspectos por métodos apropriados.

PRISMA orienta como informações relevantes sobre essas avaliações devem ser relatadas, mas não substitui as ferramentas utilizadas para executá-las.

Posso calcular uma nota PRISMA para avaliar a qualidade de um artigo?

O checklist PRISMA 2020 não foi desenvolvido como uma escala universal de qualidade dos artigos

Transformar a quantidade de itens atendidos em uma porcentagem de “qualidade metodológica” altera a finalidade original da diretriz.

Além disso, atender determinado item de relato não equivale automaticamente a possuir baixo risco de viés ou alta certeza das evidências.

Toda revisão sistemática precisa fazer meta-análise?

Não

Meta-análise é uma forma de síntese quantitativa que deve ser realizada quando for metodologicamente apropriada.

Algumas revisões sistemáticas não possuem dados adequados para combinação estatística.

Nesses casos, a revisão continua precisando explicar claramente como os resultados foram sintetizados.

Posso usar PRISMA em uma revisão sistemática sem meta-análise?

Sim, quando PRISMA for uma diretriz de relato apropriada ao trabalho

A ausência de meta-análise não impede, por si só, a utilização do PRISMA.

O importante é relatar de maneira transparente quais métodos de síntese foram utilizados e por que foram apropriados às evidências disponíveis.

Qual PRISMA usar em uma revisão de escopo?

Revisões de escopo possuem uma extensão específica: PRISMA-ScR

Ela foi desenvolvida para abordar características próprias do relato de scoping reviews.

O pesquisador também precisa utilizar métodos de condução adequados a uma revisão de escopo. O checklist não transforma outro desenho de estudo em scoping review.

O que é PRISMA-S?

PRISMA-S é uma extensão voltada ao relato das buscas bibliográficas em revisões sistemáticas

Ela aprofunda a transparência sobre como a busca foi realizada e documentada.

É especialmente relevante porque informar apenas os nomes das bases e algumas palavras-chave normalmente não permite compreender ou reproduzir adequadamente uma busca complexa.

Preciso usar todas as extensões do PRISMA?

Não

Utilize os documentos pertinentes ao desenho e aos componentes da revisão.

Adicionar extensões sem relação com o trabalho não melhora automaticamente o relato.

O importante é compreender o escopo de cada orientação e utilizá-la quando realmente aplicável.

Como escrever que usei PRISMA na metodologia?

Descreva PRISMA de acordo com a função que ele realmente exerceu

Quando apropriado e verdadeiro, pode ser mais preciso informar que o relato da revisão foi preparado de acordo com as recomendações do PRISMA 2020 do que afirmar simplesmente que “o método foi PRISMA”.

A metodologia ainda precisa explicar como a revisão foi efetivamente conduzida.

Posso escrever “esta revisão seguiu PRISMA”?

A expressão pode ser utilizada com cautela, mas deve corresponder ao que realmente foi feito

Antes de utilizá-la, audite o trabalho contra os itens aplicáveis.

Uma afirmação ampla sobre conformidade não corrige:

  • informações ausentes;
  • métodos não descritos;
  • contagens inconsistentes;
  • fluxograma incorreto;
  • extensões ignoradas quando pertinentes.

Preciso anexar o checklist PRISMA preenchido ao TCC?

Isso depende das exigências aplicáveis ao trabalho

Instituições, orientadores e periódicos podem possuir requisitos diferentes.

Mesmo quando o checklist não precisar ser anexado, preenchê-lo como ferramenta de auditoria pode ajudar a identificar lacunas no relatório.

Como saber se meu fluxograma PRISMA está correto?

Faça auditorias matemática, conceitual e documental

Auditoria matemática: verifique se todas as contagens fecham.

Auditoria conceitual: confira se registros, relatórios, estudos, duplicatas e exclusões foram classificados corretamente.

Auditoria documental: compare os números com históricos de busca, arquivos exportados, ferramentas de triagem, planilhas e registros da revisão.

As três dimensões precisam ser compatíveis.

O que fazer se os números do fluxograma não fecharem?

Volte aos registros originais e localize a etapa em que surgiu a divergência

Não invente números nem crie uma categoria artificial apenas para completar a diferença.

Confira sequencialmente:

  1. identificação;
  2. deduplicação;
  3. triagem;
  4. recuperação dos relatórios;
  5. avaliação detalhada;
  6. exclusões;
  7. inclusão;
  8. agrupamento dos relatórios por estudo.

PRISMA garante que minha revisão sistemática tenha alta qualidade?

Não. Transparência do relato e qualidade metodológica não são a mesma coisa

Uma revisão pode relatar claramente um método inadequado.

PRISMA facilita a compreensão do que foi feito e encontrado, permitindo que leitores avaliem melhor o trabalho, mas não transforma automaticamente métodos inadequados em métodos adequados.

Usar PRISMA garante que as evidências encontradas sejam fortes?

Não

A força ou certeza das evidências depende de características do corpo de evidências e das avaliações apropriadas.

Uma revisão muito bem relatada pode encontrar evidências limitadas, imprecisas ou com importantes riscos de viés.

A conclusão precisa refletir essas limitações.

Onde encontro o checklist e os fluxogramas oficiais do PRISMA?

Utilize os materiais disponibilizados pelo projeto oficial PRISMA

Antes de finalizar o trabalho, consulte a documentação oficial para obter checklists, modelos de fluxograma, extensões e materiais relacionados.

Isso reduz o risco de utilizar versões antigas reproduzidas em trabalhos acadêmicos, blogs, apresentações ou imagens encontradas na internet.

Em resumo: utilizar PRISMA corretamente exige compreender sua função como diretriz de relato, escolher a versão e as extensões pertinentes, documentar o processo da revisão, manter as contagens rastreáveis e diferenciar claramente registros, relatórios e estudos. O checklist e o fluxograma são instrumentos de transparência — não substitutos para uma metodologia adequada.

Conclusão: como usar PRISMA corretamente na revisão sistemática

Aprender como usar o PRISMA significa compreender muito mais do que preencher um fluxograma ao final de uma revisão sistemática.

PRISMA 2020 é uma diretriz de relato desenvolvida para aumentar a transparência sobre o que foi planejado, realizado, encontrado e interpretado durante uma revisão sistemática.

Seu valor está justamente em ajudar o leitor a responder perguntas essenciais:

  • por que a revisão foi realizada?
  • qual era sua pergunta?
  • quais estudos poderiam participar?
  • onde as evidências foram procuradas?
  • como a busca foi construída?
  • como ocorreu a seleção?
  • quais dados foram coletados?
  • como os estudos foram avaliados?
  • como os resultados foram sintetizados?
  • quantos registros, relatórios e estudos passaram por cada etapa?
  • quais limitações precisam ser consideradas?
  • como as conclusões se relacionam com a força das evidências?

Por isso, reduzir PRISMA ao desenho de quatro ou cinco caixas ligadas por setas perde justamente a parte mais importante da diretriz.

PRISMA deve acompanhar a documentação da revisão

Embora o relatório final seja o lugar em que as recomendações se tornam visíveis para o leitor, muitas informações necessárias ao relato precisam ser preservadas durante a própria execução da revisão.

É muito mais seguro registrar desde o início:

  • fontes pesquisadas;
  • datas das buscas;
  • estratégias completas;
  • quantidades recuperadas;
  • duplicatas;
  • decisões de triagem;
  • motivos de exclusão;
  • relatórios não recuperados;
  • alterações metodológicas;
  • múltiplos relatórios relacionados ao mesmo estudo.

Quando essa documentação existe, preencher o fluxograma deixa de ser um exercício de memória.

Ele passa a ser uma representação do processo efetivamente registrado.

Boa prática: não espere a redação final para descobrir quais informações PRISMA solicita. Conheça a diretriz antecipadamente, preserve a documentação necessária e utilize o checklist novamente durante a auditoria do manuscrito.

O checklist e o fluxograma precisam contar a mesma história

Uma aplicação consistente do PRISMA exige coerência entre:

  • resumo;
  • introdução;
  • metodologia;
  • resultados;
  • discussão;
  • fluxograma;
  • tabelas;
  • checklist;
  • apêndices e materiais suplementares, quando existentes.

Se o fluxograma apresenta 78 estudos incluídos, mas o texto menciona 80 sem explicação, existe uma inconsistência a investigar.

Se 85 relatórios correspondem a 78 estudos, essa diferença pode ser perfeitamente legítima — desde que o pesquisador compreenda as unidades e as relate claramente.

PRISMA melhora a transparência, não substitui o rigor metodológico

Esse é um dos princípios mais importantes de todo este guia.

Um relatório transparente permite visualizar melhor:

  • o que foi bem realizado;
  • quais decisões foram tomadas;
  • quais limitações existem;
  • onde permanecem incertezas.

Mas transparência não corrige automaticamente um método inadequado.

Da mesma maneira:

  • PRISMA não substitui protocolo;
  • PRISMA não substitui uma estratégia de busca adequada;
  • PRISMA não define sozinho os critérios de elegibilidade;
  • PRISMA não substitui avaliação de risco de viés;
  • PRISMA não obriga meta-análise;
  • PRISMA não transforma qualquer revisão em revisão sistemática;
  • PRISMA não funciona como uma pontuação universal de qualidade.

Visão metodológica: um dos maiores benefícios de um bom relato é permitir que outras pessoas enxerguem tanto as forças quanto as limitações da revisão. Transparência científica não significa esconder imperfeições; significa torná-las avaliáveis.

Uma sequência prática para aplicar PRISMA

Se você estiver começando uma revisão sistemática, pode organizar o trabalho em uma sequência semelhante a esta:

  1. defina corretamente o tipo de revisão;
  2. formule a pergunta e os objetivos;
  3. planeje o protocolo;
  4. estabeleça critérios de elegibilidade;
  5. construa e documente a estratégia de busca;
  6. registre os resultados de cada fonte;
  7. deduplique os registros;
  8. realize a seleção e preserve as decisões;
  9. registre os motivos das exclusões pertinentes;
  10. extraia os dados de maneira estruturada;
  11. realize as avaliações metodológicas previstas;
  12. sintetize os resultados com métodos apropriados;
  13. reconcilie registros, relatórios e estudos;
  14. construa o fluxograma a partir dos dados documentados;
  15. audite o relatório com o checklist PRISMA 2020;
  16. consulte extensões pertinentes;
  17. confira a coerência entre texto, tabelas, checklist e fluxograma;
  18. revise as conclusões à luz das limitações e da certeza das evidências.

Essa sequência não transforma PRISMA em método de condução. Ela mostra como a preparação para um relato transparente pode acompanhar as etapas metodológicas definidas por referenciais apropriados.

Antes de entregar o trabalho

Faça uma última pergunta:

um leitor que não participou da revisão consegue compreender o que fizemos e acompanhar o caminho que levou da busca inicial aos estudos e conclusões finais?

Se informações importantes estiverem apenas na memória da equipe, em arquivos não identificados ou implícitas em frases genéricas, o relato ainda pode ser melhorado.

Se, ao contrário, métodos, decisões, números e resultados forem rastreáveis e coerentes, o trabalho estará muito mais próximo do objetivo central do PRISMA: um relato completo, claro e transparente da revisão sistemática.

Em resumo: use PRISMA 2020 como uma estrutura de transparência. Não comece pelo desenho do fluxograma; comece pela documentação rigorosa da revisão. Escolha a versão e as extensões adequadas, compreenda os 27 itens, diferencie registros, relatórios e estudos, preserve as contagens, audite o texto e relate limitações com clareza.

Continue sua jornada na revisão sistemática

PRISMA faz mais sentido quando cada etapa anterior da revisão também está bem estruturada. Por isso, você pode continuar a jornada metodológica pelos seguintes conteúdos:

1. Entenda o desenho: comece por O que é revisão sistemática? para revisar os fundamentos desse tipo de estudo.

2. Planeje antes de executar: veja Como montar um protocolo de revisão.

3. Defina as regras da seleção: consulte Como definir critérios de inclusão e exclusão.

5. Selecione os estudos: veja Como fazer seleção e triagem dos estudos.

6. Utilize uma ferramenta de apoio: consulte Rayyan: como usar na revisão sistemática.

7. Organize a extração: leia Como extrair dados dos artigos científicos.

8. Compare as evidências: finalize essa etapa com Como montar um quadro de síntese.

Referências

PAGE, Matthew J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71.

PAGE, Matthew J. et al. PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 160, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n160.

TRICCO, Andrea C. et al. PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Annals of Internal Medicine, v. 169, n. 7, p. 467–473, 2018. DOI: 10.7326/M18-0850.

RETHLEFSEN, Melissa L. et al. PRISMA-S: an extension to the PRISMA Statement for Reporting Literature Searches in Systematic Reviews. Systematic Reviews, v. 10, art. 39, 2021. DOI: 10.1186/s13643-020-01542-z.

MOHER, David et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Systematic Reviews, v. 4, art. 1, 2015. DOI: 10.1186/2046-4053-4-1.

BELLER, Elaine M. et al. PRISMA for Abstracts: reporting systematic reviews in journal and conference abstracts. PLoS Medicine, v. 10, n. 4, e1001419, 2013. DOI: 10.1371/journal.pmed.1001419.

Referências essenciais para começar: para utilizar PRISMA 2020, os dois documentos centrais são o PRISMA 2020 Statement e o artigo Explanation and Elaboration. As demais referências devem ser utilizadas de acordo com as extensões ou componentes efetivamente pertinentes à revisão.

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entre em contato com o suporte.

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