Ferramentas Acadêmicas e Revisões Científicas
Rayyan: Como Usar na Revisão Sistemática — Guia Passo a Passo
Aprenda como usar o Rayyan na revisão sistemática passo a passo. Veja como importar referências, identificar duplicatas, configurar critérios, fazer a triagem de títulos e resumos, trabalhar com revisores, resolver conflitos, avaliar textos completos, usar recursos de inteligência artificial e organizar os estudos selecionados.
Rayyan: Como Usar na Revisão Sistemática — Guia Passo a Passo
O Rayyan é uma plataforma criada para apoiar pesquisadores na organização e execução de diferentes etapas de revisões da literatura, especialmente quando existe um grande conjunto de referências para selecionar. A ferramenta pode ajudar na importação dos registros, identificação de possíveis duplicatas, triagem de títulos e resumos, trabalho entre revisores, avaliação em texto completo e outras atividades associadas ao fluxo da revisão.
Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia
Entretanto, utilizar o Rayyan corretamente exige compreender uma distinção fundamental: a ferramenta ajuda a operacionalizar a revisão, mas não define o método da pesquisa.
Para conhecer diretamente a plataforma, seus recursos e as modalidades atualmente disponíveis, consulte o site oficial do Rayyan.
O software não decide qual deve ser sua pergunta, quais critérios de inclusão e exclusão são cientificamente adequados, quais bases precisam ser pesquisadas ou qual estudo realmente responde ao objetivo da revisão. Essas decisões continuam dependendo do planejamento metodológico e do julgamento dos pesquisadores.
Por isso, este guia não será apenas uma sequência de botões. Você aprenderá como usar o Rayyan na revisão sistemática desde a preparação dos arquivos e criação da revisão até a triagem, resolução de conflitos, avaliação de texto completo, recursos de inteligência artificial, PRISMA e exportação dos resultados.
Se você ainda está estruturando a etapa de seleção metodologicamente, vale consultar também nosso guia sobre como fazer seleção e triagem dos estudos em uma revisão. Neste artigo, o foco será transformar esse planejamento em um fluxo operacional dentro do Rayyan.
Resumo rápido: o que você precisa saber sobre o Rayyan
- Rayyan é uma ferramenta de apoio: ele não substitui protocolo, critérios de elegibilidade ou julgamento metodológico.
- As referências podem ser importadas: resultados recuperados em diferentes fontes podem ser reunidos para organização e triagem.
- Possíveis duplicatas podem ser identificadas: mas uma sugestão de duplicidade ainda precisa ser interpretada corretamente.
- A triagem pode utilizar Include, Exclude e Maybe: cada decisão precisa ter significado definido pela equipe.
- O trabalho colaborativo pode ser realizado de forma independente: o Blind Mode ajuda a ocultar temporariamente as decisões dos demais revisores.
- Conflitos podem ser identificados: a plataforma localiza divergências, mas não resolve metodologicamente quem está certo.
- Labels, motivos de exclusão, notas e filtros ajudam na organização: desde que cada recurso tenha uma função clara.
- A avaliação em texto completo pode ser organizada em etapa própria: sem confundi-la com a triagem inicial.
- Recursos automatizados podem ajudar: classificação por relevância, IA e destaque PICO são recursos de apoio, não substitutos automáticos das decisões dos revisores.
- O Rayyan pode apoiar o fluxo utilizado no PRISMA: mas Rayyan e PRISMA não são a mesma coisa.
- Planos, recursos e interface podem mudar: por isso, este guia prioriza o raciocínio metodológico e operacional que permanece válido mesmo quando a interface é atualizada.

Índice
- 1. O que é Rayyan?
- 2. Para que serve o Rayyan?
- 3. Rayyan é gratuito?
- 4. Em que etapa da revisão sistemática usar o Rayyan?
- 5. O que preparar antes de usar o Rayyan?
- 6. Como criar uma revisão no Rayyan?
- 7. Como importar artigos e referências para o Rayyan?
- 8. Como identificar e gerenciar duplicatas no Rayyan?
- 9. Como configurar critérios de inclusão e exclusão?
- 10. Como trabalhar com revisores?
- 11. Como funciona o Blind Mode?
- 12. Como fazer a triagem de títulos e resumos?
- 13. Como usar Include, Exclude e Maybe?
- 14. Como usar labels?
- 15. Como registrar motivos de exclusão?
- 16. Como usar filtros e palavras-chave?
- 17. Como resolver conflitos?
- 18. Como fazer a triagem do texto completo?
- 19. Como organizar os motivos de exclusão no texto completo?
- 20. O Rayyan gera o fluxograma PRISMA?
- 21. O que é Relevance Ranking?
- 22. Como usar inteligência artificial com cautela?
- 23. Como funciona o destaque PICO?
- 24. Como exportar os resultados?
- 25. Rayyan substitui Zotero ou Mendeley?
- 26. Fluxo completo de uso do Rayyan
- 27. Erros comuns ao usar o Rayyan
- 28. Checklist completo
- 29. Perguntas frequentes
- 30. Conclusão
O que é Rayyan?
O Rayyan é uma plataforma de colaboração em pesquisa desenvolvida para ajudar pesquisadores a trabalhar com grandes conjuntos de referências durante revisões da literatura.
A ferramenta ficou especialmente conhecida pelo suporte à triagem de títulos e resumos, permitindo que pesquisadores classifiquem referências, trabalhem de maneira independente, comparem posteriormente suas decisões e identifiquem divergências.
Ao longo do tempo, a plataforma incorporou outros recursos e etapas do fluxo de revisão, incluindo apoio à identificação de duplicatas, avaliação em texto completo, extração de dados, avaliações de risco de viés e funcionalidades baseadas em inteligência artificial.
Isso torna importante abandonar uma definição excessivamente limitada como:
“Rayyan é um site para clicar em incluir ou excluir artigos.”
A plataforma atualmente pode apoiar uma parte mais ampla do processo. Mesmo assim, sua função precisa ser corretamente delimitada.
Rayyan é uma ferramenta, não uma metodologia
Esse é o princípio mais importante deste guia.
O Rayyan pode registrar que um revisor selecionou Exclude, mas o software não cria sozinho a justificativa científica que torna aquela exclusão adequada.
Da mesma forma, pode armazenar critérios de elegibilidade, mas não determina automaticamente quais critérios são corretos para sua pergunta.
Considere a diferença:
| Decisão metodológica | Apoio operacional do Rayyan |
|---|---|
| Definir quais estudos são elegíveis | Registrar e organizar critérios previamente definidos |
| Determinar como ocorrerá a seleção | Ajudar a operacionalizar a triagem |
| Definir independência entre revisores | Oferecer Blind Mode para apoiar esse procedimento |
| Determinar como divergências serão resolvidas | Identificar decisões conflitantes |
| Definir quais informações serão extraídas | Disponibilizar recursos para organizar etapas posteriores |
| Escolher a diretriz de relato | Apoiar a organização de informações e, em determinados planos, a geração do diagrama PRISMA |
Visão metodológica: o software deve ser configurado para representar o método da revisão. Não altere o método apenas para encaixá-lo nas opções disponíveis em uma interface.
Quem pode utilizar o Rayyan?
O Rayyan pode ser útil para:
- estudantes desenvolvendo TCC;
- mestrandos;
- doutorandos;
- pesquisadores;
- grupos de pesquisa;
- equipes responsáveis por revisões sistemáticas;
- autores de outras revisões da literatura que necessitem organizar e selecionar grandes conjuntos de referências.
A ferramenta pode ser utilizada individualmente ou em colaboração.
Entretanto, ter vários usuários cadastrados no mesmo projeto não significa automaticamente que a revisão esteja utilizando um processo de seleção independente. A independência depende de como a equipe organiza o trabalho.
Rayyan serve para qualquer tipo de revisão?
Ele pode apoiar diferentes projetos baseados em revisão da literatura, mas o tipo de revisão continua determinando o método.
Uma revisão sistemática, uma revisão de escopo, uma revisão integrativa e uma revisão narrativa não se tornam equivalentes apenas porque utilizam o mesmo software.
Se essa distinção ainda não estiver clara, consulte nosso guia sobre a diferença entre os tipos de revisão.
Para que serve o Rayyan?
Na prática, o Rayyan funciona como um ambiente no qual o pesquisador pode reunir registros bibliográficos e executar tarefas necessárias ao fluxo de uma revisão.
Entre as aplicações mais importantes estão:
- importar referências recuperadas em bases e outras fontes;
- organizar grandes conjuntos de registros;
- identificar possíveis duplicatas;
- registrar critérios de triagem;
- classificar referências como Include, Exclude ou Maybe;
- utilizar labels e motivos de exclusão;
- trabalhar com vários revisores;
- ocultar temporariamente as decisões dos demais avaliadores;
- identificar conflitos;
- organizar avaliação em texto completo;
- utilizar filtros e recursos de priorização;
- apoiar outras etapas disponibilizadas pela plataforma.
O que o Rayyan pode e não pode fazer?
| Tarefa | O Rayyan pode ajudar? | Limite |
|---|---|---|
| Organizar referências | Sim | A qualidade dos registros depende dos dados importados |
| Detectar possíveis duplicatas | Sim | A sugestão precisa ser interpretada corretamente |
| Registrar critérios | Sim | Os critérios precisam ser definidos metodologicamente |
| Triar títulos e resumos | Sim | A decisão continua sendo responsabilidade do revisor |
| Apoiar independência entre revisores | Sim | A equipe precisa utilizar corretamente o Blind Mode |
| Identificar conflitos | Sim | O software não determina qual decisão é metodologicamente correta |
| Priorizar referências | Sim | Prioridade algorítmica não equivale a elegibilidade |
| Gerar elementos do fluxo PRISMA | Dependendo dos recursos disponíveis | As contagens e o método ainda precisam ser conferidos |
| Definir a pergunta da revisão | Não | É uma decisão metodológica |
| Criar automaticamente critérios adequados | Não | Os critérios derivam da pergunta e do método |
| Substituir julgamento metodológico | Não | A decisão científica permanece com os pesquisadores |
Atenção: quanto mais funções uma plataforma incorpora, maior pode ser a tentação de deixar o software determinar o fluxo da pesquisa. Faça o contrário: estabeleça o fluxo metodológico e utilize somente os recursos que realmente o apoiam.
Rayyan não substitui critérios de inclusão e exclusão
Os critérios precisam existir antes da triagem regular.
É a equipe que define, por exemplo:
- qual população interessa;
- quais intervenções ou exposições são elegíveis;
- quais desenhos serão aceitos;
- quais contextos fazem parte do escopo;
- quais tipos de publicação serão considerados;
- quais limites são justificáveis.
Depois, o Rayyan pode ajudar a registrar e aplicar operacionalmente essas regras.
Para aprofundar essa etapa, consulte como definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão.
Rayyan é gratuito?
Uma das dúvidas mais frequentes é se o Rayyan pode ser utilizado gratuitamente.
A resposta precisa ser apresentada com cautela porque a plataforma possui planos e conjuntos de funcionalidades que podem mudar ao longo do tempo.
Existem recursos acessíveis em modalidades básicas e outros associados a planos pagos, avançados ou institucionais. Determinadas funções relacionadas a automação, colaboração, PICO, PRISMA ou outras etapas podem possuir condições específicas.
Por isso, evite basear uma revisão inteira em afirmações permanentes como:
“Rayyan é totalmente gratuito.”
ou:
“Tal recurso sempre exige pagamento.”
O correto é verificar a documentação e a página de planos no momento em que a revisão for planejada.
O método não deve depender de um recurso premium
Imagine que seu protocolo determine que duas pessoas avaliarão independentemente todos os títulos e resumos.
Essa é uma decisão metodológica.
Se determinado recurso do software não estiver disponível no plano utilizado, a equipe precisa encontrar uma maneira metodologicamente adequada de executar o procedimento — e não simplesmente abandonar a independência porque uma função mudou de plano.
Boa prática: antes de iniciar uma revisão extensa, confira quais recursos estão disponíveis no plano utilizado pela equipe e quais são realmente necessários ao procedimento planejado.
Recursos baseados em IA também podem variar
Ferramentas de inteligência artificial e automação evoluem rapidamente.
Recursos como:
- classificação por relevância;
- priorização;
- destaques automáticos;
- extração de elementos;
- filtros avançados;
podem sofrer mudanças de disponibilidade, nomenclatura e funcionamento.
Este guia explicará a lógica desses recursos, mas sempre confira as condições atuais antes de utilizá-los como parte importante do fluxo.
Em que etapa da revisão sistemática usar o Rayyan?
O Rayyan não deveria ser o primeiro passo de uma revisão sistemática.
Antes de abrir a plataforma, a pesquisa precisa possuir uma base metodológica suficientemente clara.
Um fluxo conceitual pode ser representado assim:
pergunta → protocolo → critérios → estratégia de busca → buscas → exportação das referências → Rayyan → duplicatas → triagem → conflitos → texto completo → conjunto elegível → etapas posteriores.
Isso mostra que o Rayyan entra principalmente depois que as referências começam a ser recuperadas.
Etapa 1 — Pergunta da revisão
A pergunta determina o que a pesquisa pretende responder.
Sem uma pergunta suficientemente clara, critérios e decisões posteriores tendem a se tornar instáveis.
Etapa 2 — Protocolo
O protocolo registra como a revisão foi planejada antes que os resultados da busca influenciem excessivamente as decisões.
Ele pode contemplar:
- objetivos;
- critérios;
- fontes;
- estratégias;
- seleção;
- extração;
- avaliações metodológicas;
- síntese.
Veja também nosso guia sobre como montar um protocolo de revisão.
Etapa 3 — Critérios de elegibilidade
Antes da seleção, a equipe precisa saber quais regras determinarão se um estudo poderá ou não permanecer.
Etapa 4 — Estratégia de busca
Os conceitos da pergunta são transformados em termos, descritores, operadores e estruturas adaptadas às fontes.
Nosso conteúdo sobre como montar uma estratégia de busca científica desenvolve essa etapa em detalhes.
Etapa 5 — Execução das buscas
As estratégias são executadas nas bases e demais fontes previstas.
É importante registrar:
- onde a busca foi realizada;
- quando;
- qual estratégia foi utilizada;
- quais limites foram aplicados;
- quantos registros foram recuperados.
Etapa 6 — Exportação das referências
Os registros são exportados das fontes em formatos bibliográficos adequados.
É nesse ponto que o Rayyan passa a ocupar uma posição central no fluxo operacional.
Etapa 7 — Importação no Rayyan
Os arquivos são reunidos na revisão.
O pesquisador confere se as quantidades e metadados são compatíveis com os resultados esperados.
Etapa 8 — Tratamento das duplicatas
Registros repetidos provenientes de diferentes fontes precisam ser identificados e tratados antes da triagem regular.
Etapa 9 — Triagem de títulos e resumos
Os revisores aplicam os critérios às informações disponíveis e registram suas decisões.
Etapa 10 — Resolução das divergências
Depois da fase independente, conflitos e pendências são tratados conforme o procedimento previsto.
Etapa 11 — Avaliação em texto completo
Os documentos potencialmente elegíveis são avaliados com informação mais detalhada.
Etapa 12 — Conjunto final e etapas posteriores
Depois da seleção, a revisão pode avançar para extração de dados, avaliações metodológicas, organização, análise e síntese.
Visão metodológica: o Rayyan ocupa uma posição importante entre a recuperação das referências e a definição do conjunto de estudos que seguirá para as etapas posteriores. Isso não significa que todas as tarefas anteriores ou posteriores precisem ocorrer dentro da plataforma.
Posso importar novos registros depois?
Uma revisão pode exigir buscas atualizadas, buscas complementares ou identificação de referências por outros métodos.
Nesses casos, novos registros podem entrar posteriormente no fluxo, mas precisam ser documentados e submetidos ao procedimento de seleção apropriado.
O importante é evitar que estudos adicionais apareçam no conjunto final sem uma origem e um processo de avaliação rastreáveis.
O que preparar antes de usar o Rayyan?
Quanto melhor a preparação, menor a chance de transformar a plataforma em um ambiente cheio de decisões inconsistentes.
Antes da triagem regular, confira os seguintes elementos.
1. Pergunta claramente formulada
A equipe precisa compreender exatamente o que a revisão procura responder.
2. Tipo de revisão definido
Não escolha “revisão sistemática” apenas porque pretende utilizar Rayyan.
O desenho da revisão precisa ser compatível com os objetivos e com a metodologia empregada.
3. Critérios de inclusão e exclusão
As regras precisam estar suficientemente claras para serem aplicadas a casos concretos.
4. Definição da etapa em que cada critério será aplicado
Nem toda informação está disponível no título ou no resumo.
Alguns critérios só podem ser confirmados com segurança no texto completo.
Por isso, a equipe deve compreender quais decisões são possíveis em cada etapa.
5. Número e função dos revisores
Defina:
- quem fará a triagem;
- se as avaliações serão independentes;
- quem resolverá divergências;
- se haverá terceiro revisor;
- quem administrará o projeto.
6. Procedimento de piloto ou calibração
Antes de avaliar milhares de referências, pode ser útil testar os critérios em uma amostra.
Isso ajuda a identificar:
- critérios ambíguos;
- interpretações diferentes;
- situações não previstas;
- problemas na terminologia utilizada pela equipe.
7. Estratégias de busca finalizadas e documentadas
Não dependa do Rayyan para reconstruir posteriormente como as referências foram encontradas.
8. Convenção para os arquivos
Use nomes identificáveis.
Por exemplo:
pubmed_busca-principal_2026-09-18.ris
scopus_busca-principal_2026-09-18.ris
web-of-science_busca-principal_2026-09-18.ris
Assim, mesmo fora da plataforma, é possível compreender a origem dos arquivos.
9. Lista padronizada de motivos de exclusão
Quando motivos serão registrados, defina uma terminologia consistente.
Evite que cada revisor crie variações como:
- população errada;
- população inadequada;
- público diferente;
- amostra fora;
- participantes não servem.
Se todas representam a mesma regra, uma categoria padronizada como população não elegível pode ser mais útil.
10. Convenção para labels
Labels devem possuir função conhecida.
Não crie dezenas de etiquetas sem saber como serão utilizadas posteriormente.
11. Regra para Maybe
Defina o que Maybe significa e quando esses registros serão reavaliados.
Sem uma regra, a categoria pode virar apenas uma forma de adiar decisões.
12. Procedimento para conflitos
Antes de surgirem divergências, determine como elas serão tratadas.
Isso pode envolver:
- releitura;
- discussão;
- consenso;
- terceiro revisor;
- outro procedimento metodologicamente previsto.
13. Plano de documentação e relato
Decida desde o início quais números e informações precisarão ser preservados para descrever o processo posteriormente.
Isso inclui, quando aplicável:
- registros identificados;
- duplicatas;
- registros triados;
- registros excluídos;
- documentos procurados;
- documentos avaliados em texto completo;
- motivos de exclusão;
- estudos incluídos.
Checklist antes de abrir a triagem
- ☐ A pergunta está definida.
- ☐ O tipo de revisão está definido.
- ☐ Existe protocolo ou planejamento equivalente.
- ☐ Os critérios de elegibilidade estão claros.
- ☐ A estratégia de busca foi documentada.
- ☐ As fontes pesquisadas foram registradas.
- ☐ Os arquivos possuem origem identificável.
- ☐ A quantidade de revisores está definida.
- ☐ O procedimento de independência está definido.
- ☐ Existe regra para Maybe.
- ☐ Os motivos de exclusão estão padronizados quando necessários.
- ☐ As labels possuem função definida.
- ☐ O procedimento para conflitos foi planejado.
- ☐ A equipe sabe quais dados precisará preservar para o relato.
Em resumo: não utilize o Rayyan para descobrir qual será o método da revisão enquanto a triagem já está acontecendo. Entre na plataforma com pergunta, critérios, responsabilidades e procedimentos suficientemente definidos para que o software funcione como ferramenta de organização — e não como substituto do planejamento.
Com essa preparação concluída, podemos entrar no fluxo operacional propriamente dito: criar a revisão, importar os arquivos bibliográficos, conferir os registros e tratar possíveis duplicatas antes que a triagem comece.
Como criar uma revisão no Rayyan?
Depois de preparar a base metodológica, o próximo passo é criar o ambiente no qual as referências serão organizadas.
A interface do Rayyan pode mudar ao longo do tempo, portanto este guia prioriza o fluxo conceitual em vez de depender de uma sequência rígida de botões.
1. Crie ou acesse sua conta
Utilize uma conta à qual você terá acesso durante todo o período da revisão.
Projetos acadêmicos podem durar meses ou anos. Por isso, evite depender de credenciais temporárias ou de um endereço ao qual você poderá perder acesso.
2. Crie uma nova revisão
Na área destinada aos projetos, utilize a opção atual para criar uma revisão.
A plataforma pode solicitar informações básicas, como:
- título;
- tipo de revisão;
- área ou domínio;
- outras informações de identificação.
Os campos disponíveis podem mudar com as atualizações da plataforma.
3. Utilize um título identificável
Evite nomes como:
Revisão 1
Teste
TCC novo
Projeto final
Prefira algo que permita reconhecer imediatamente a pesquisa.
Por exemplo:
Atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes — Revisão Sistemática
Se a equipe trabalha simultaneamente em vários projetos, essa organização se torna ainda mais importante.
4. Selecione o tipo de revisão com atenção
Quando a plataforma solicitar o tipo de revisão, escolha a opção que corresponde ao projeto.
Mas lembre-se:
selecionar “systematic review” dentro do Rayyan não transforma metodologicamente o trabalho em uma revisão sistemática.
A classificação do estudo depende de como a revisão foi planejada e conduzida.
5. Confira as configurações antes de começar
Antes de importar milhares de registros e convidar toda a equipe, confira o ambiente criado.
Verifique:
- se você está na revisão correta;
- se o título está adequado;
- se o tipo de revisão corresponde ao projeto;
- se as configurações iniciais fazem sentido;
- se não criou acidentalmente um projeto duplicado.
Boa prática: faça a configuração estrutural do projeto antes da triagem. Alterações realizadas depois que centenas ou milhares de decisões já existem podem aumentar a necessidade de conferências e correções.
Não comece a classificar referências imediatamente
Criar a revisão é apenas preparar o ambiente.
Ainda será necessário:
- importar os arquivos corretos;
- conferir quantidades;
- avaliar metadados;
- tratar possíveis duplicatas;
- configurar critérios;
- organizar revisores;
- definir convenções operacionais;
- realizar um piloto quando previsto.
Começar a clicar em Include e Exclude antes dessa preparação pode gerar inconsistências difíceis de corrigir posteriormente.
Como importar artigos e referências para o Rayyan?
Depois de criar a revisão, é necessário inserir os resultados recuperados nas fontes de informação.
Essa etapa costuma ser chamada informalmente de “importar artigos”, mas tecnicamente é importante compreender que, na maior parte das situações, você começa importando registros bibliográficos.
Registro bibliográfico não é necessariamente o PDF
Um registro pode conter informações como:
- título;
- autores;
- ano;
- nome do periódico;
- volume;
- número;
- páginas;
- resumo;
- DOI;
- palavras-chave;
- termos de indexação;
- outros metadados.
Isso é diferente do documento completo.
Portanto:
importar uma referência ≠ necessariamente importar o PDF do artigo.
Essa distinção se torna especialmente importante quando a revisão chega à etapa de texto completo.
Fluxo geral da importação
O processo pode ser representado assim:
fonte de informação → execução da busca → resultados → exportação bibliográfica → arquivo → importação no Rayyan.
Por exemplo:
PubMed → resultados → exportação → arquivo bibliográfico → Rayyan.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a outras fontes que ofereçam exportação compatível.
Quais formatos podem ser utilizados?
O Rayyan trabalha com formatos bibliográficos utilizados para transferência de referências entre sistemas. Dependendo da fonte e da versão atual da plataforma, podem aparecer opções como:
- RIS;
- BibTeX;
- EndNote XML;
- outros formatos compatíveis.
Como as opções suportadas podem ser atualizadas, verifique a documentação oficial antes de exportar grandes conjuntos.
Atenção: não escolha um formato apenas porque ele aparece na base de dados. Confirme se ele é adequadamente suportado pelo destino e se preserva os metadados necessários ao seu fluxo.
Faça um teste antes de importar milhares de registros
Quando a base, formato ou fluxo ainda não foi testado pela equipe, uma importação pequena pode evitar problemas em escala.
Confira se aparecem corretamente:
- títulos;
- autores;
- anos;
- resumos;
- DOIs;
- outros campos importantes.
Se um arquivo com dez referências apresenta problemas graves, é melhor descobrir antes de repetir o processo com dez mil.
Importe os resultados de maneira rastreável
Imagine que a revisão pesquisou:
- PubMed;
- Scopus;
- Web of Science.
Em vez de criar um único arquivo misterioso chamado:
artigos.ris
preserve arquivos identificáveis.
Exemplo:
| Fonte | Arquivo | Registros recuperados |
|---|---|---|
| PubMed | pubmed_busca-principal_2026-09-18.ris | 820 |
| Scopus | scopus_busca-principal_2026-09-18.ris | 1.040 |
| Web of Science | wos_busca-principal_2026-09-18.ris | 730 |
| Total bruto | — | 2.590 |
Os números são fictícios e serão utilizados ao longo deste guia apenas para demonstrar o fluxo.
Por que registrar a origem das referências?
A origem ajuda a:
- conferir importações;
- reconstruir o processo;
- investigar discrepâncias;
- documentar as buscas;
- preparar o relato;
- identificar quais fontes contribuíram para o conjunto inicial.
Se todas as referências forem misturadas sem qualquer documentação, pode ser difícil descobrir posteriormente de onde surgiram determinadas contagens.
Importar em lotes pode ser útil
Quando os resultados vêm de várias fontes, trabalhar com arquivos separados permite conferir cada importação.
Exemplo:
PubMed: esperado 820 → importado 820.
Scopus: esperado 1.040 → importado 1.040.
Web of Science: esperado 730 → importado 730.
Se uma importação apresentar 689 registros quando eram esperados 730, existe uma diferença que merece investigação.
Boa prática: registre a quantidade antes e depois de cada importação. Conferir números no momento em que o procedimento acontece é muito mais fácil do que reconstruí-los meses depois.
O que fazer se alguns registros vierem sem resumo?
Isso pode acontecer.
A ausência do resumo no registro não demonstra que o estudo seja inelegível.
Ela pode ocorrer porque:
- a fonte não exportou o campo;
- o registro original não possui resumo;
- o formato utilizado não preservou corretamente a informação;
- o documento é antigo;
- há problema nos metadados.
Portanto, não utilize:
“sem resumo = excluir”
como regra improvisada.
Se o critério não puder ser avaliado com segurança, siga o procedimento definido para informação insuficiente.
Metadados incompletos também merecem atenção
Outros campos podem estar ausentes ou inconsistentes:
- DOI;
- ano;
- nome completo do autor;
- paginação;
- periódico;
- termos de indexação.
Nem toda ausência precisa ser corrigida imediatamente para permitir a triagem, mas ela pode afetar:
- identificação de duplicatas;
- localização do texto completo;
- exportações;
- organização bibliográfica posterior.
Evite importar repetidamente o mesmo arquivo sem controle
Se você não tem certeza de que um lote já foi importado, confirme antes de enviá-lo novamente.
Importações duplicadas podem aumentar artificialmente o conjunto e criar trabalho desnecessário na deduplicação.
O que fazer quando uma busca é atualizada?
Revisões mais longas podem exigir atualização da busca.
Nesse caso, não misture o novo lote silenciosamente com o anterior.
Registre:
- qual fonte foi atualizada;
- data;
- estratégia utilizada;
- período coberto quando pertinente;
- quantidade recuperada;
- arquivo correspondente.
Os novos registros precisam passar pelo procedimento de deduplicação e seleção aplicável.
Checklist da importação
- ☐ A origem de cada arquivo está identificada.
- ☐ A data da busca foi registrada.
- ☐ A quantidade recuperada em cada fonte foi anotada.
- ☐ O formato escolhido é compatível.
- ☐ Os arquivos originais foram preservados.
- ☐ A quantidade importada foi conferida.
- ☐ Problemas de metadados foram identificados.
- ☐ Ausência de resumo não foi transformada automaticamente em exclusão.
- ☐ Lotes repetidos não foram importados acidentalmente.
- ☐ Atualizações futuras poderão ser diferenciadas da busca original.
Como identificar e gerenciar duplicatas no Rayyan?
Quando a mesma publicação é recuperada em mais de uma fonte, o conjunto pode conter representações repetidas do mesmo documento.
Isso é esperado em revisões que pesquisam várias bases.
Por exemplo, um artigo indexado simultaneamente no PubMed, Scopus e Web of Science pode aparecer três vezes no conjunto bruto.
Se essas representações forem mantidas, os revisores podem acabar avaliando a mesma publicação repetidamente.
O que é uma duplicata bibliográfica?
De maneira simplificada, ocorre quando dois ou mais registros representam a mesma publicação.
Exemplo:
| Registro | Título | Fonte | DOI |
|---|---|---|---|
| A | Physical activity and anxiety symptoms in adolescents | PubMed | 10.xxxx/abc123 |
| B | Physical activity and anxiety symptoms in adolescents | Scopus | 10.xxxx/abc123 |
Se título, autores, publicação e identificadores confirmarem que A e B representam o mesmo artigo, existe uma duplicidade bibliográfica.
O Rayyan pode detectar possíveis duplicatas?
Sim. A plataforma possui recursos para identificar e gerenciar registros que parecem representar a mesma publicação.
Entretanto:
possível duplicata ≠ duplicata confirmada.
Algoritmos trabalham com similaridade de campos e outros sinais. Isso significa que sugestões precisam ser interpretadas, especialmente em casos ambíguos.
Atenção: não utilize “aceitar tudo” como regra apenas para terminar a deduplicação rapidamente. Um falso positivo pode eliminar um registro que representa uma publicação diferente.
Registro, publicação e estudo: qual é a diferença?
Essa distinção evita muitos erros.
Registro é uma representação bibliográfica recuperada de uma fonte.
Publicação ou relatório é um documento específico: artigo, resumo de congresso, protocolo, relatório, tese ou outro documento.
Estudo é a investigação que gerou os dados.
Um único estudo pode produzir várias publicações.
Por exemplo:
- protocolo;
- artigo principal;
- análise de um desfecho secundário;
- seguimento de longo prazo;
- artigo sobre uma subamostra.
Esses documentos podem estar relacionados ao mesmo estudo, mas não são automaticamente registros duplicados da mesma publicação.
Exemplo: publicações relacionadas não são necessariamente duplicatas
Imagine:
Artigo A: resultados de 12 semanas de um ensaio clínico.
Artigo B: seguimento de 24 meses dos participantes do mesmo ensaio.
Os autores podem ser semelhantes e o tema quase idêntico, mas os documentos possuem resultados e momentos diferentes.
Excluir B como simples duplicata de A pode eliminar informação relevante.
Visão metodológica: deduplicação bibliográfica remove representações repetidas da mesma publicação. Identificar múltiplas publicações do mesmo estudo é outro problema metodológico e pode exigir vinculação dos documentos, não exclusão automática.
Quando fazer a deduplicação?
Preferencialmente, organize e trate as duplicatas antes da triagem regular de títulos e resumos.
Isso evita:
- avaliar o mesmo artigo várias vezes;
- criar decisões diferentes para representações da mesma publicação;
- inflar artificialmente o número de registros triados;
- aumentar a carga de trabalho;
- complicar as contagens posteriores.
Passo a passo conceitual para tratar duplicatas
- conclua as importações planejadas para aquela rodada;
- registre a quantidade bruta;
- acesse o recurso atual de identificação de duplicatas;
- analise os pares ou grupos sugeridos;
- compare os campos relevantes;
- confirme quando representam a mesma publicação;
- preserve o registro mais adequado quando houver escolha;
- mantenha separados documentos diferentes;
- registre a quantidade removida;
- confira o conjunto resultante.
Quais campos comparar?
Dependendo do caso:
- título;
- autores;
- ano;
- periódico;
- volume;
- número;
- páginas;
- DOI;
- PMID ou outro identificador;
- resumo.
Nenhum campo isolado é perfeito em todas as situações.
DOI igual é um sinal forte, mas confira o contexto
Quando dois registros possuem o mesmo DOI válido e correspondem ao mesmo documento, isso é um forte indício de duplicidade.
Mas dados bibliográficos podem conter erros.
Por isso, em situações estranhas, confirme outros campos antes de tomar uma decisão irreversível.
Títulos ligeiramente diferentes podem representar a mesma publicação
As bases podem exportar:
- pontuação diferente;
- capitalização diferente;
- subtítulo omitido;
- caracteres especiais distintos;
- abreviações;
- traduções ou variações de indexação.
Exemplo:
Physical Activity and Anxiety Symptoms in Adolescents: A Systematic Analysis
e:
Physical activity and anxiety symptoms in adolescents - a systematic analysis
podem representar a mesma publicação.
Títulos iguais não garantem duplicidade
Artigos diferentes podem possuir títulos idênticos ou muito semelhantes, especialmente quando utilizam expressões genéricas.
Confira autores, ano, periódico, DOI e demais informações.
Resumo de congresso e artigo completo são duplicatas?
Não automaticamente.
Um resumo apresentado em congresso pode estar relacionado ao mesmo estudo que posteriormente originou um artigo completo, mas são documentos diferentes.
A revisão precisa determinar metodologicamente como tratar múltiplos relatos.
Protocolo e artigo de resultados são duplicatas?
Também não.
O protocolo descreve o planejamento de um estudo; o artigo posterior pode apresentar seus resultados.
Ambos podem compartilhar:
- autores;
- população;
- intervenção;
- acrônimo;
- objetivo.
Isso não os transforma no mesmo documento.
Correção, errata e retratação merecem atenção especial
Documentos vinculados a uma publicação, como correções ou avisos de retratação, também não devem ser simplesmente eliminados como duplicatas sem compreender sua função.
Eles podem alterar a interpretação ou a validade do artigo original.
Qual registro manter quando existem duplicatas verdadeiras?
Quando dois registros representam realmente a mesma publicação, pode ser útil preservar aquele com metadados mais completos.
Por exemplo, um registro pode possuir:
- resumo completo;
- DOI;
- termos de indexação;
- paginação;
- autores corretamente formatados.
enquanto outro possui apenas título e autores.
Quando o sistema permite escolher qual representação preservar, a completude dos metadados pode ser um critério operacional útil.
Não perca a origem durante a deduplicação
Mesmo quando um registro duplicado é removido, a revisão pode precisar saber que aquela publicação havia sido recuperada em diferentes fontes.
Por isso, a documentação das buscas não deve depender exclusivamente do registro que permaneceu dentro do Rayyan.
Mantenha seus controles externos de:
- fontes;
- estratégias;
- datas;
- quantidades recuperadas.
Exemplo numérico de deduplicação
Retomando o exemplo:
| Etapa | Quantidade |
|---|---|
| PubMed | 820 |
| Scopus | 1.040 |
| Web of Science | 730 |
| Total bruto | 2.590 |
| Registros duplicados removidos | 640 |
| Registros após deduplicação | 1.950 |
Essas contagens precisam ser preservadas porque poderão ser necessárias posteriormente para descrever o fluxo de seleção.
Deduplicação não é seleção por elegibilidade
Quando uma duplicata verdadeira é removida, isso não significa que o estudo foi excluído porque não atendia aos critérios.
O registro foi retirado porque representava repetidamente a mesma publicação.
Portanto, não misture:
remoção de duplicatas
com:
exclusão por critérios de elegibilidade.
Erro comum: contabilizar todas as duplicatas como “artigos excluídos” durante a triagem. Duplicatas são tratadas antes ou separadamente da exclusão por elegibilidade e precisam ser representadas corretamente no fluxo da revisão.
Checklist da deduplicação
- ☐ As importações previstas para a rodada foram concluídas.
- ☐ O número bruto de registros foi documentado.
- ☐ As possíveis duplicatas foram analisadas.
- ☐ Sugestões automáticas não foram aceitas indiscriminadamente.
- ☐ DOI, título, autores e outros campos foram comparados quando necessário.
- ☐ Publicações relacionadas não foram confundidas com duplicatas.
- ☐ Protocolos, resumos de congresso, seguimentos e correções receberam avaliação apropriada.
- ☐ O registro mais completo foi preservado quando houve escolha.
- ☐ A quantidade de duplicatas removidas foi registrada.
- ☐ O número de registros restantes foi conferido.
- ☐ A origem das buscas continua documentada fora da deduplicação.
Em resumo: o Rayyan pode ajudar a identificar possíveis duplicatas, mas a equipe precisa distinguir registros repetidos da mesma publicação de documentos diferentes relacionados ao mesmo estudo. Deduplicação é uma etapa de organização bibliográfica e não deve ser confundida com exclusão por critérios de elegibilidade.
Com os registros importados, conferidos e deduplicados, o conjunto está pronto para a preparação da triagem. Antes de começar a classificar referências, porém, ainda precisamos configurar os critérios, organizar os revisores, estabelecer o Blind Mode e realizar a calibração necessária.
Como configurar critérios de inclusão e exclusão no Rayyan?
Depois de importar as referências e tratar as possíveis duplicatas, chega uma das etapas mais importantes da preparação da triagem: organizar os critérios de inclusão e exclusão que orientarão as decisões dos revisores.
O Rayyan permite registrar critérios para apoiar esse processo. Entretanto, existe uma ordem que precisa ser respeitada:
definir metodologicamente os critérios → registrá-los na plataforma → aplicá-los aos registros.
Não faça o caminho inverso.
Os critérios não nascem dentro do Rayyan
Os critérios derivam da:
- pergunta da revisão;
- finalidade do estudo;
- população de interesse;
- intervenção ou exposição, quando aplicável;
- comparador, quando aplicável;
- conceito;
- contexto;
- desfechos relevantes, quando apropriado;
- desenhos de estudo;
- tipo de publicação;
- período, quando houver justificativa;
- idioma, quando houver justificativa;
- outros elementos metodologicamente necessários.
A composição exata depende da revisão.
Uma revisão sistemática de ensaios clínicos pode utilizar critérios diferentes de uma revisão de estudos observacionais. Uma revisão de escopo pode trabalhar com elementos diferentes daqueles utilizados em uma revisão sistemática voltada à efetividade de uma intervenção.
Para desenvolver essa etapa metodologicamente, consulte nosso guia sobre como definir critérios de inclusão e exclusão em uma revisão.
Registrar um critério não justifica o critério
Imagine que a equipe insira no Rayyan:
Incluir apenas estudos publicados após 2020.
O software pode armazenar essa regra.
Mas ele não responde:
- por que 2020 foi escolhido;
- se existe justificativa científica para o limite;
- se estudos anteriores poderiam responder à pergunta;
- se a restrição introduz um viés desnecessário.
A justificativa pertence ao planejamento metodológico.
Visão metodológica: um campo preenchido dentro do Rayyan documenta uma regra operacional. Ele não transforma automaticamente essa regra em um bom critério científico.
Como registrar os critérios na plataforma?
A interface pode mudar, mas o fluxo conceitual é:
- acesse a área atual destinada aos critérios de triagem;
- registre os critérios de inclusão previamente definidos;
- registre os critérios de exclusão previamente definidos;
- utilize linguagem clara e operacional;
- confira se a equipe interpreta cada regra da mesma maneira;
- realize um piloto quando apropriado;
- ajuste ambiguidades antes da triagem regular.
Evite critérios excessivamente longos, vagos ou compostos por várias decisões diferentes em uma única frase.
Critério vago versus critério operacional
Considere:
Critério vago:
Incluir artigos relevantes sobre atividade física.
O problema é a palavra relevantes.
Dois revisores podem discordar porque não existe uma regra suficientemente objetiva sobre o que significa relevância.
Uma formulação mais operacional poderia especificar elementos como:
- população;
- faixa etária;
- tipo de atividade física;
- desfecho;
- desenho elegível.
Quanto mais operacional for a regra, menor a dependência de impressões subjetivas durante a triagem.
Critérios de inclusão e exclusão precisam ser espelhos?
Não necessariamente.
É comum encontrar listas como:
Inclusão: adultos com diabetes tipo 2.
Exclusão: pessoas que não sejam adultos com diabetes tipo 2.
Essa duplicação nem sempre acrescenta clareza.
Os critérios de exclusão podem ser utilizados para situações específicas que mereçam explicitação, sem obrigatoriamente transformar cada inclusão em sua negação literal.
Defina quando cada critério pode ser avaliado
Nem toda informação estará disponível durante a leitura do título e do resumo.
Por exemplo, um resumo pode informar:
- população;
- intervenção;
- objetivo;
- desenho geral.
mas não apresentar com clareza:
- detalhes metodológicos;
- critérios diagnósticos;
- características completas da amostra;
- detalhes específicos da intervenção;
- informações necessárias para confirmar determinado critério.
Não transforme uma informação ausente no resumo em uma falsa certeza de exclusão.
Atenção: “não está informado no resumo” e “não atende ao critério” são afirmações diferentes.
Posso alterar critérios depois que a triagem começou?
Idealmente, os critérios principais devem estar suficientemente definidos antes da triagem regular.
Entretanto, revisões reais podem revelar situações não antecipadas.
Se uma alteração metodologicamente necessária ocorrer depois do início da seleção, ela não deve ser feita silenciosamente.
A equipe precisa avaliar:
- por que a alteração foi necessária;
- quando ocorreu;
- quais registros já haviam sido avaliados;
- se decisões anteriores precisam ser revisadas;
- se o protocolo ou documentação precisa ser atualizado;
- como a mudança será relatada.
Exemplo de mudança que exige atenção
Imagine que 600 registros já tenham sido avaliados.
Depois disso, a equipe percebe que não definiu claramente se estudos com participantes de 18 e 19 anos fazem parte de uma população inicialmente descrita como “adultos jovens a partir de 20 anos”.
Não basta adicionar uma nova regra e continuar do registro 601.
Talvez seja necessário:
- definir claramente a regra;
- documentar a decisão;
- identificar registros anteriores potencialmente afetados;
- reavaliá-los quando necessário.
Critério de exclusão e motivo de exclusão são a mesma coisa?
São relacionados, mas cumprem funções diferentes.
Critério de elegibilidade é a regra metodológica que determina quem pode participar do conjunto da revisão.
Motivo de exclusão é a categoria utilizada para documentar por que determinado registro ou documento não atendeu às regras.
Exemplo:
Critério: incluir estudos com participantes de 12 a 17 anos.
Motivo de exclusão: população não elegível.
O motivo pode representar operacionalmente a aplicação de um ou mais critérios relacionados.
Critério e label também são diferentes
Uma label pode ser utilizada para classificar ou organizar registros sem determinar necessariamente sua elegibilidade.
Exemplos:
- ensaio clínico;
- estudo qualitativo;
- atividade física escolar;
- intervenção digital;
- subgrupo feminino;
- possível publicação relacionada;
- verificar informação no texto completo.
Uma referência pode receber uma label e continuar elegível.
Portanto:
| Elemento | Função principal |
|---|---|
| Critério | Definir elegibilidade |
| Decisão | Registrar Include, Exclude ou Maybe na etapa |
| Motivo de exclusão | Documentar por que uma referência ou documento foi excluído |
| Label | Classificar, organizar ou sinalizar características |
| Nota | Registrar informação complementar quando necessário |
Crie um pequeno dicionário operacional
Em revisões colaborativas, pode ser útil criar uma tabela compartilhada como:
| Elemento | Nome | Significado | Quando utilizar |
|---|---|---|---|
| Motivo | População não elegível | Participantes fora da população definida | Quando a população estiver claramente fora do critério |
| Label | Verificar texto completo | Informação insuficiente na etapa inicial | Quando um elemento precisar ser confirmado posteriormente |
| Label | Publicação relacionada | Possível relatório do mesmo estudo | Quando houver indício de múltiplas publicações |
Isso reduz interpretações diferentes entre os membros da equipe.
Como trabalhar com revisores no Rayyan?
Um dos recursos mais úteis do Rayyan é permitir que várias pessoas trabalhem na mesma revisão.
Mas colaboração tecnológica não é sinônimo de independência metodológica.
Se dois revisores visualizam as decisões um do outro antes de avaliar cada referência, existe colaboração, mas não necessariamente avaliação independente.
Quantos revisores preciso ter?
O Rayyan não determina esse número.
A quantidade de revisores e a forma de participação dependem:
- do tipo de revisão;
- do protocolo;
- das diretrizes metodológicas utilizadas;
- das exigências institucionais;
- do desenho da pesquisa.
Não utilize como regra universal:
“Toda revisão obrigatoriamente precisa de exatamente dois revisores em todas as etapas.”
Em vez disso, determine o procedimento adequado ao método adotado e descreva-o claramente.
Convide a equipe antes da triagem regular
Quando a revisão será colaborativa, organize os participantes antes de começar a avaliação em grande escala.
Isso permite conferir:
- quem possui acesso;
- quais funções cada participante exercerá;
- se todos conseguem visualizar o projeto correto;
- como funcionarão as decisões independentes;
- quem poderá administrar determinadas configurações.
Os nomes exatos das funções e permissões podem mudar conforme a plataforma evolui. Confira a documentação atual antes de atribuir responsabilidades críticas.
Treine os revisores em duas dimensões
A equipe precisa compreender tanto o método quanto a ferramenta.
| Treinamento metodológico | Treinamento operacional |
|---|---|
| Compreender os critérios | Saber registrar Include, Exclude e Maybe |
| Saber quando a informação é insuficiente | Saber utilizar labels e motivos |
| Distinguir publicação de estudo | Saber navegar e filtrar referências |
| Compreender como conflitos serão resolvidos | Entender o funcionamento do Blind Mode |
| Saber quando um critério pode ser aplicado | Saber registrar notas quando necessário |
Erro comum: ensinar apenas onde clicar. Um revisor pode dominar perfeitamente a interface e ainda aplicar os critérios de maneira inconsistente.
Como funciona o Blind Mode no Rayyan?
O Blind Mode é um recurso destinado a ocultar temporariamente as decisões dos outros revisores durante a triagem independente.
Na configuração atual da plataforma, novas revisões são criadas com esse modo ativado.
Por que ocultar as decisões?
Imagine que o Revisor A abra uma referência e veja imediatamente:
Revisor B → Exclude
Mesmo sem intenção, essa informação pode influenciar sua leitura.
Ele pode:
- procurar razões para confirmar a exclusão;
- examinar menos cuidadosamente argumentos favoráveis à inclusão;
- evitar registrar uma decisão divergente.
Com as decisões ocultas, cada pessoa aplica os critérios sem conhecer antecipadamente o julgamento dos demais.
Blind Mode cria independência automaticamente?
Não.
O recurso ajuda a proteger a independência, mas o procedimento também depende da equipe.
Por exemplo, não adianta ativar Blind Mode e depois os revisores discutirem cada artigo em tempo real antes de registrar a decisão individual.
Independência exige:
- critérios previamente definidos;
- treinamento;
- avaliação individual;
- ocultação adequada das decisões;
- comparação posterior;
- resolução estruturada das divergências.
Quando manter o Blind Mode ativado?
Quando o protocolo prevê triagem independente, mantenha as decisões ocultas durante a etapa correspondente.
O fluxo conceitual é:
triagem independente → conclusão das decisões → revelação → identificação das divergências → resolução.
Quando desativar o Blind Mode?
Depois que a fase independente prevista estiver concluída e chegar o momento de comparar as decisões.
Desativá-lo prematuramente pode comprometer justamente a independência que o recurso pretende apoiar.
Boa prática: antes de revelar as decisões, confirme que todos os revisores concluíram a rodada que deveria ser independente.
Blind Mode não é o mesmo que cegamento em ensaio clínico
O termo blind pode gerar confusão.
Aqui estamos falando da ocultação das decisões de triagem entre revisores.
Isso não é equivalente ao cegamento de participantes, pesquisadores ou avaliadores em um ensaio clínico.
Blind Mode também não elimina conflitos
Na verdade, um dos objetivos de avaliações independentes é permitir que divergências reais apareçam.
Se o Revisor A considera uma referência elegível e o Revisor B entende que ela deve ser excluída, essa discordância contém informação importante.
Ela pode revelar:
- critério ambíguo;
- interpretação diferente;
- informação insuficiente;
- erro de leitura;
- situação não prevista.
Posteriormente veremos como o Rayyan identifica e organiza esses conflitos.
Faça um piloto antes da triagem definitiva
Antes de distribuir milhares de registros, pode ser útil realizar uma rodada piloto.
O piloto não é apenas um teste do software.
Ele é principalmente um teste da operacionalização dos critérios.
O que verificar no piloto?
Selecione uma quantidade manejável de referências e observe se os revisores:
- interpretam os critérios de forma semelhante;
- entendem Include, Exclude e Maybe;
- utilizam os mesmos motivos de exclusão;
- compreendem as labels;
- identificam corretamente informação insuficiente;
- encontram situações não previstas;
- conseguem utilizar a plataforma sem dificuldades relevantes.
O objetivo não é conseguir 100% de concordância artificial
Se os revisores discordarem, não altere decisões apenas para produzir uma aparência de perfeita concordância.
Use as divergências para investigar:
- se a regra está clara;
- se a redação do critério precisa melhorar;
- se existe uma exceção não prevista;
- se a equipe necessita de treinamento adicional.
Exemplo de problema descoberto no piloto
Imagine que o protocolo diga:
Incluir adolescentes.
Durante o piloto aparece um estudo com participantes de 16 a 21 anos.
O Revisor A inclui porque há adolescentes.
O Revisor B exclui porque parte da amostra possui mais de 18 anos.
A divergência revela que a regra não está suficientemente operacionalizada.
A equipe pode precisar definir:
- faixa etária exata;
- se amostras mistas são aceitas;
- se os dados de adolescentes precisam estar disponíveis separadamente;
- como proceder quando essa separação não é possível.
O problema não é “quem clicou errado”.
O problema pode estar na regra.
Visão metodológica: um bom piloto testa se os critérios funcionam quando confrontados com estudos reais. Ele transforma formulações abstratas em regras aplicáveis.
Documente ajustes feitos após o piloto
Se o piloto levar a mudanças, registre:
- o que foi alterado;
- por que;
- quando;
- qual versão dos critérios será utilizada na triagem definitiva.
Se as referências do piloto fizerem parte do conjunto definitivo, defina se precisarão ser avaliadas novamente com as regras finais.
Antes de iniciar a triagem: conferência final
Este é o último ponto de controle antes de começar a classificar o conjunto em larga escala.
- ☐ As importações planejadas para a rodada foram concluídas.
- ☐ As quantidades foram conferidas.
- ☐ As possíveis duplicatas foram tratadas.
- ☐ Os critérios estão definidos.
- ☐ A equipe sabe em qual etapa cada critério pode ser avaliado.
- ☐ Os revisores foram adicionados ao projeto.
- ☐ As responsabilidades estão claras.
- ☐ O Blind Mode está configurado conforme o método.
- ☐ Include, Exclude e Maybe possuem significado operacional.
- ☐ Os motivos de exclusão foram padronizados.
- ☐ As labels possuem finalidade conhecida.
- ☐ Existe procedimento para informação insuficiente.
- ☐ Existe procedimento para conflitos.
- ☐ O piloto foi realizado quando previsto.
- ☐ Os ajustes decorrentes do piloto foram documentados.
Em resumo: critérios claros, revisores treinados, Blind Mode corretamente utilizado e uma etapa de calibração quando necessária formam a base para uma triagem consistente. O Rayyan organiza essas decisões, mas a qualidade delas depende de como o método foi traduzido para regras operacionais.
Agora o conjunto está preparado para o núcleo operacional do processo: ler títulos e resumos, aplicar os critérios e registrar Include, Exclude ou Maybe sem transformar velocidade em perda de rigor metodológico.
Como fazer a triagem de títulos e resumos no Rayyan?
Com os registros importados, as duplicatas tratadas, os critérios definidos e os revisores preparados, começa uma das principais etapas operacionais do Rayyan: a triagem de títulos e resumos.
O objetivo não é simplesmente separar artigos que “parecem interessantes”.
A finalidade é aplicar sistematicamente os critérios de elegibilidade às informações disponíveis em cada registro e determinar quais referências devem avançar, quais podem ser excluídas e quais ainda exigem esclarecimento.
Qual é a lógica da triagem?
Para cada registro, o fluxo básico é:
- abra uma referência ainda não avaliada;
- leia o título;
- leia o resumo quando disponível;
- consulte os critérios aplicáveis;
- verifique se existe informação suficiente para uma decisão;
- registre Include, Exclude ou Maybe conforme o procedimento da revisão;
- adicione motivo, label ou nota quando necessário;
- avance para a próxima referência;
- preserve a independência entre revisores quando prevista.

Comece pelo título, mas não dependa apenas dele
Alguns títulos permitem identificar rapidamente que um registro está claramente fora do escopo.
Imagine uma revisão sobre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes.
Um título como:
Physical activity and anxiety symptoms among adolescents
é potencialmente pertinente.
Já um título como:
Physical activity and bone density in postmenopausal women
pode indicar uma população e um desfecho claramente diferentes.
Entretanto, muitos títulos são pouco informativos.
Exemplos:
Lifestyle and health outcomes in young populations
A randomized controlled trial of a behavioral intervention
Sem ler o resumo, talvez não seja possível saber se a referência atende aos critérios.
Boa prática: não exclua apenas porque o título não contém exatamente os termos utilizados na estratégia de busca. Autores podem descrever a mesma população, intervenção, exposição ou desfecho com terminologias diferentes.
Depois, leia o resumo
Quando disponível, o resumo pode trazer informações sobre:
- objetivo;
- população;
- idade;
- contexto;
- intervenção;
- exposição;
- comparador;
- desfechos;
- desenho do estudo;
- métodos;
- principais resultados.
Essas informações permitem aplicar os critérios com mais segurança.
Não transforme a triagem em uma busca por palavras
O fato de determinada palavra aparecer no título ou no resumo não significa que o estudo seja elegível.
Da mesma forma, a ausência de uma palavra específica não significa necessariamente que o conceito esteja ausente.
Exemplo:
Uma revisão procura estudos sobre atividade física.
Um artigo pode utilizar:
- exercise;
- physical exercise;
- sports participation;
- moderate-to-vigorous physical activity;
- movement behavior.
A elegibilidade precisa ser determinada pelo conceito e pelos critérios, não pela presença mecânica de uma palavra.
Aplique apenas critérios pertinentes à etapa
Um erro frequente é tentar decidir durante a leitura do resumo algo que só pode ser confirmado no texto completo.
Se determinado critério exige uma informação que normalmente não aparece no resumo, não presuma automaticamente que o estudo falhou.
Considere três situações:
| Situação | Interpretação |
|---|---|
| O resumo informa claramente que o critério não foi atendido | Pode existir base suficiente para exclusão |
| O resumo informa claramente que o critério foi atendido | O registro pode avançar conforme os demais critérios |
| O resumo não fornece informação suficiente | Incerteza não deve ser convertida automaticamente em exclusão |
Atenção: “não encontrei a informação” não é equivalente a “o estudo não possui essa característica”.
Não exclua porque o artigo parece fraco
Durante a triagem, alguns revisores podem pensar:
“A amostra parece pequena.”
“O estudo não parece muito bom.”
“Esse periódico não me parece forte.”
“Os resultados parecem pouco interessantes.”
Essas impressões não devem criar critérios novos durante a seleção.
Se tamanho da amostra, desenho, qualidade metodológica ou outra característica fizer parte dos critérios previamente definidos, aplique a regra correspondente.
Se não fizer, não invente um novo filtro porque o estudo parece menos convincente.
Evite viés de confirmação durante a leitura
Se o pesquisador espera que determinada intervenção funcione, pode inconscientemente examinar com maior simpatia estudos que apontam resultados favoráveis.
A decisão de elegibilidade não deve depender de o resultado:
- confirmar a hipótese;
- ser estatisticamente significativo;
- ser positivo;
- ser negativo;
- ser surpreendente.
Os critérios precisam ser aplicados independentemente da direção do resultado, salvo situações metodologicamente justificadas e previamente previstas.
Include, Exclude e Maybe: qual decisão utilizar?
Durante a triagem, o Rayyan permite registrar decisões como Include, Exclude e Maybe.
Essas categorias parecem simples, mas precisam ter significado operacional compartilhado pela equipe.
| Decisão | Significado operacional geral | Cuidado principal |
|---|---|---|
| Include | O registro deve avançar segundo as informações disponíveis | Não significa necessariamente inclusão final na revisão |
| Exclude | Existe informação suficiente para concluir que o registro não atende aos critérios aplicáveis | Não excluir com base em suposição |
| Maybe | Existe incerteza que ainda precisa ser resolvida | Não deixar a categoria acumular indefinidamente |
Quando utilizar Include?
Utilize Include quando, segundo o procedimento adotado, as informações disponíveis indicarem que a referência deve continuar no processo.
Na triagem de títulos e resumos, isso geralmente significa:
“Não identifiquei uma razão suficiente para excluir este registro nesta etapa.”
Isso não significa:
“Este estudo está definitivamente incluído na revisão.”
O texto completo ainda pode revelar informações que levem à exclusão.
Include na primeira triagem não é inclusão final
Imagine que o resumo descreva:
- adolescentes;
- atividade física;
- ansiedade;
- estudo aparentemente elegível.
O registro avança.
No texto completo, porém, descobre-se que apenas 5% da amostra estava dentro da faixa etária definida e que os resultados desse subgrupo não podem ser separados.
Dependendo dos critérios, o estudo poderá ser excluído posteriormente.
Portanto:
Include na triagem inicial = avançar para avaliação posterior.
Quando utilizar Exclude?
Utilize Exclude quando existir base suficiente para concluir que a referência não atende aos critérios aplicáveis naquela etapa.
Exemplos:
- população claramente fora da faixa elegível;
- desenho explicitamente excluído;
- contexto incompatível;
- tipo de publicação não elegível;
- intervenção ou exposição claramente diferente da definida.
A exclusão precisa ser vinculada às regras da revisão, e não a uma impressão genérica de irrelevância.
Quando utilizar Maybe?
Maybe pode ser útil quando existe uma incerteza real que não permite registrar Include ou Exclude com segurança.
Por exemplo:
- a faixa etária não está clara;
- o desenho não pode ser identificado;
- não está claro se a população analisada separadamente atende ao critério;
- o resumo é excessivamente incompleto;
- existe dúvida sobre a natureza da publicação.
Maybe precisa ter uma regra
Antes da triagem, defina:
- quando Maybe pode ser utilizado;
- quem revisará esses registros;
- em qual momento;
- se haverá discussão;
- se o registro avançará quando a dúvida não puder ser resolvida no resumo.
Erro comum: utilizar Maybe sempre que uma referência exigir alguns segundos a mais de raciocínio. A categoria deve representar incerteza real, não desconforto com a decisão.
Maybe não deve se transformar em uma quarta decisão final
Ao concluir a etapa, os registros pendentes precisam receber o encaminhamento definido.
Se centenas de referências permanecem indefinidamente como Maybe, a triagem não está realmente concluída.
Maybe é conflito?
Na lógica atual do Rayyan, o conflito formal de triagem está associado a decisões finais opostas, como Include × Exclude.
Uma decisão Maybe, isoladamente, não gera o mesmo tipo de conflito formal.
Isso não significa que combinações como:
- Include × Maybe;
- Exclude × Maybe;
- Maybe × Maybe;
possam ser ignoradas.
Elas ainda representam registros que podem precisar de encaminhamento conforme as regras da equipe.
Quando houver dúvida, seja coerente com o princípio definido no protocolo
Muitas revisões adotam uma postura conservadora na primeira triagem: se não houver informação suficiente para excluir com segurança, o registro avança para avaliação mais completa.
Isso reduz o risco de perder estudos potencialmente elegíveis devido a resumos incompletos.
Entretanto, essa regra deve ser definida pela revisão e aplicada consistentemente.
Exemplo prático com quatro referências
Imagine uma revisão sobre uma intervenção de exercício em adolescentes com sintomas de ansiedade.
| Registro | Informação disponível | Possível decisão |
|---|---|---|
| A | Adolescentes, exercício, ansiedade e desenho elegível claramente descritos | Include |
| B | Adultos de 40 a 65 anos | Exclude por população não elegível |
| C | População descrita apenas como “young participants”, sem faixa etária | Maybe ou avanço conforme regra previamente definida |
| D | Adolescentes e ansiedade, mas intervenção não identificável no resumo | Maybe ou avanço conforme regra previamente definida |
O exemplo mostra por que uma mesma equipe precisa utilizar convenções consistentes.
Posso mudar uma decisão?
Erros de registro podem acontecer e novas informações podem justificar revisão de uma decisão.
Quando for necessário corrigir algo, faça isso conscientemente.
Não altere decisões apenas para:
- eliminar divergências visualmente;
- aumentar artificialmente concordância;
- fazer o resultado “parecer melhor”.
Se uma decisão foi modificada por motivo metodologicamente relevante, preserve documentação adequada quando necessário.
Velocidade é importante, mas consistência é mais importante
Triar milhares de referências é cansativo.
Com o tempo, o revisor pode começar a reconhecer padrões e acelerar.
Isso pode aumentar eficiência, mas também cria riscos:
- leitura superficial;
- exclusão baseada apenas no título;
- dependência de palavras-chave;
- automatização mental excessiva;
- fadiga;
- inconsistência entre o início e o fim da sessão.
Divida a triagem em sessões manejáveis
Quando possível:
- evite sessões excessivamente longas;
- faça pausas;
- monitore queda de atenção;
- revise casos difíceis;
- mantenha os critérios acessíveis.
Boa prática: quando perceber que está decidindo automaticamente antes de terminar de ler o resumo, considere interromper a sessão e retornar depois com maior atenção.
Como usar labels no Rayyan?
As labels podem ajudar a classificar e organizar referências.
Elas são úteis quando a equipe precisa sinalizar características que não correspondem diretamente à decisão de elegibilidade.
Exemplos de labels úteis
Dependendo da revisão:
- ensaio clínico;
- coorte;
- qualitativo;
- intervenção digital;
- ambiente escolar;
- subgrupo específico;
- possível publicação relacionada;
- verificar texto completo;
- verificar idade;
- possível estudo complementar.
Label não é decisão
Uma referência pode receber:
Label: intervenção digital
e:
Decision: Include
Não existe contradição.
A label descreve uma característica; a decisão determina o encaminhamento da referência.
Label não é motivo de exclusão
Também não é necessário criar uma label para cada motivo de exclusão quando a plataforma já possui uma estrutura apropriada para registrar razões.
Utilizar várias ferramentas para representar exatamente a mesma informação pode aumentar a confusão.
Evite a explosão de labels
Uma revisão com centenas de etiquetas semelhantes pode ficar mais difícil de organizar do que uma revisão sem etiquetas.
Exemplo problemático:
- adolescente;
- adolescentes;
- jovem;
- jovens;
- teenagers;
- teen;
- população adolescente.
Se todas representam a mesma categoria, escolha uma convenção.
Crie um dicionário de labels
| Label | Significado | Quando utilizar |
|---|---|---|
| Publicação relacionada | Possível relatório vinculado a outro documento | Quando houver indício de múltiplas publicações do mesmo estudo |
| Verificar idade | Faixa etária não está suficientemente clara | Quando a informação precisar ser confirmada posteriormente |
| Intervenção digital | Intervenção realizada predominantemente por tecnologia digital | Quando essa classificação for útil à organização da revisão |
Isso reduz variações entre revisores.
Como registrar motivos de exclusão no Rayyan?
Registrar por que uma referência foi excluída ajuda a manter consistência e rastreabilidade.
Os motivos devem estar relacionados aos critérios da revisão.
Exemplos de motivos claros
- população não elegível;
- intervenção não elegível;
- exposição não elegível;
- desenho de estudo não elegível;
- contexto não elegível;
- tipo de publicação não elegível;
- desfecho fora do escopo, quando aplicável aos critérios.
Evite motivos vagos
Exemplos pouco úteis:
- não serve;
- ruim;
- fora;
- não gostei;
- não relevante;
- não é o que queremos.
Essas expressões não permitem reconstruir a decisão.
O motivo precisa corresponder à regra
Imagine o critério:
Incluir participantes entre 12 e 17 anos.
Se o artigo avalia exclusivamente adultos de 40 a 60 anos, um motivo coerente é:
População não elegível.
Isso é muito mais informativo do que:
Não relacionado.
E se um estudo falhar em vários critérios?
Um artigo pode possuir simultaneamente:
- população não elegível;
- desenho não elegível;
- contexto fora do escopo.
A equipe deve definir antecipadamente como registrar esses casos.
Dependendo do método e da etapa, pode ser utilizado:
- um motivo principal;
- o primeiro critério hierarquicamente aplicável;
- mais de um motivo, quando o sistema e o procedimento permitirem;
- outra convenção previamente definida.
Não existe uma hierarquia universal válida para toda revisão.
Motivos na triagem inicial e no texto completo podem ter níveis diferentes de detalhe
Durante títulos e resumos, a equipe trabalha com informação limitada.
No texto completo, a exclusão costuma exigir documentação mais específica porque esses documentos já haviam avançado como potencialmente elegíveis.
Por isso, não presuma que o mesmo nível de detalhamento precisa ser utilizado em todas as etapas.
Siga:
- o protocolo;
- as orientações metodológicas adotadas;
- as exigências de relato aplicáveis.
Notas podem complementar, mas não substituir o sistema
Uma nota pode ser útil para registrar algo excepcional:
Idade informada apenas no suplemento; conferir na etapa de texto completo.
Entretanto, se cada revisor escrever livremente todos os motivos dentro de notas, a padronização se perde.
Use notas como complemento, não como um sistema paralelo improvisado.
Boa prática: antes da triagem, crie uma lista curta de motivos padronizados e explique à equipe exatamente quando utilizar cada um.
Como utilizar filtros e palavras-chave no Rayyan?
Quando uma revisão possui centenas ou milhares de referências, filtros ajudam a localizar subconjuntos específicos.
Dependendo dos recursos disponíveis na versão atual, o ambiente de trabalho pode permitir filtrar ou organizar registros utilizando elementos como:
- decisões;
- status;
- labels;
- motivos;
- termos;
- autores;
- ano;
- outros metadados.
Filtros respondem perguntas operacionais
Por exemplo:
“Quais referências ainda estão sem decisão?”
“Quais registros estão marcados como Maybe?”
“Quais possuem determinada label?”
“Quais foram excluídos por população?”
“Quais registros precisam de conferência?”
Isso torna os filtros úteis tanto para produtividade quanto para auditoria interna.
Use filtros para verificar consistência
Imagine que a equipe tenha uma label chamada:
Verificar idade
Ao final da triagem, filtre todos os registros com essa label.
Se alguns ainda estiverem excluídos sem que a idade tenha sido confirmada, talvez seja necessário revisá-los.
Filtros podem ajudar a encontrar inconsistências que passariam despercebidas em uma lista de milhares de registros.
Palavras-chave podem ajudar na navegação
Termos presentes em títulos e resumos podem ser úteis para localizar rapidamente determinadas referências.
Mas existe uma diferença importante entre:
localizar um registro por palavra
e:
decidir sua elegibilidade.
Uma palavra-chave pode chamar sua atenção para um artigo, mas não substitui a aplicação dos critérios.
Filtros do Rayyan não são a estratégia de busca
Essa distinção é fundamental.
A estratégia de busca científica foi construída para recuperar literatura nas bases e demais fontes.
Os filtros utilizados posteriormente dentro do Rayyan atuam sobre um conjunto de referências que já foi recuperado e importado.
Portanto:
filtro interno do Rayyan ≠ estratégia de busca bibliográfica.
Erro comum: utilizar um filtro interno para retirar registros e depois descrevê-lo no método como se fizesse parte da estratégia executada na base de dados.
Não utilize palavras-chave como exclusão automática improvisada
Imagine que uma revisão estude ansiedade.
O pesquisador percebe que muitos artigos irrelevantes contêm a palavra depression e decide:
“Vou excluir todos os registros que contenham depression.”
Isso pode eliminar artigos que avaliam ansiedade e depressão simultaneamente e que poderiam ser elegíveis.
Filtros ajudam a organizar; critérios determinam elegibilidade.
Fluxo prático de uma sessão de triagem
Uma sessão organizada pode seguir:
- acesse o conjunto ainda não avaliado;
- confirme se o Blind Mode deve permanecer ativo;
- abra a primeira referência;
- leia título e resumo;
- aplique os critérios pertinentes;
- registre Include, Exclude ou Maybe;
- adicione motivo, label ou nota quando necessário;
- avance para a próxima;
- interrompa a sessão se perceber fadiga significativa;
- ao finalizar, confira se as decisões foram registradas corretamente.
Faça auditorias durante a triagem
Não espere chegar ao último registro para descobrir que uma convenção foi utilizada incorretamente durante metade do projeto.
Periodicamente, confira:
- distribuição das decisões;
- uso das labels;
- motivos de exclusão;
- quantidade de Maybe;
- referências sem decisão;
- dúvidas recorrentes dos revisores.
Se um motivo começa a ser utilizado de maneira inconsistente, corrija o problema antes que ele se espalhe por milhares de registros.
Quando a triagem de títulos e resumos está concluída?
Não basta chegar ao final da lista.
Antes de encerrar a etapa, confira:
- se todos os registros previstos foram avaliados;
- se todos os revisores concluíram a rodada independente;
- se existem referências sem decisão;
- se os Maybe receberam encaminhamento;
- se as labels pendentes foram revisadas;
- se as contagens são coerentes;
- se chegou o momento metodologicamente previsto de revelar as decisões.
Em resumo: a triagem no Rayyan não é uma competição para classificar referências o mais rapidamente possível. O objetivo é aplicar critérios de maneira consistente, registrar decisões rastreáveis e preservar a independência necessária para que divergências possam ser identificadas e resolvidas posteriormente.
Depois que todos os revisores terminarem a etapa independente, chega o momento de comparar as decisões. É aí que aparecem os conflitos de triagem — e resolvê-los corretamente exige mais do que simplesmente fazer o alerta desaparecer da plataforma.
Como resolver conflitos entre revisores no Rayyan?
Quando dois ou mais revisores realizam a triagem independentemente, é esperado que algumas decisões sejam diferentes.
Essas divergências não devem ser tratadas como falhas que precisam simplesmente desaparecer da plataforma.
Elas podem revelar informações importantes sobre:
- clareza dos critérios;
- interpretação das regras;
- qualidade das informações disponíveis;
- situações não previstas;
- erros de leitura;
- erros de registro;
- necessidade de recalibração da equipe.
O Rayyan ajuda a localizar determinadas decisões conflitantes, mas a resolução continua sendo uma tarefa metodológica dos pesquisadores.
O que é considerado conflito no Rayyan?
Na lógica atual da plataforma, um conflito formal ocorre quando revisores registram decisões finais opostas para a mesma referência, especialmente:
Include × Exclude.
Exemplo:
| Revisor A | Revisor B | Situação |
|---|---|---|
| Include | Include | Concordância |
| Exclude | Exclude | Concordância |
| Include | Exclude | Conflito |
| Include | Maybe | Pendência a tratar conforme a regra da equipe |
| Exclude | Maybe | Pendência a tratar conforme a regra da equipe |
| Maybe | Maybe | Incerteza ainda não resolvida |
Essa distinção é importante porque:
zero conflitos formais não significa necessariamente zero pendências.
Uma revisão pode não possuir nenhum Include × Exclude e ainda manter dezenas de referências como Maybe ou com encaminhamento incompleto.
Finalize a rodada independente antes de revelar as decisões
Quando a metodologia prevê avaliação independente, cada revisor deve concluir sua parte antes que as decisões dos demais sejam reveladas.
O fluxo ideal é:
triagem independente → conclusão da rodada → revelação das decisões → identificação das divergências → resolução → conjunto definido para a etapa seguinte.
Revelar as decisões antes do momento planejado pode influenciar avaliações ainda não concluídas.
Boa prática: antes de desativar o Blind Mode, confirme que todos os revisores finalizaram a rodada independente correspondente.
Como resolver conflitos passo a passo?
O procedimento exato precisa seguir o protocolo da revisão, mas um fluxo conceitual pode incluir:
- concluir todas as avaliações independentes;
- revelar as decisões no momento previsto;
- filtrar ou localizar os conflitos;
- abrir uma referência divergente;
- revisar título e resumo;
- identificar qual critério gerou a discordância;
- comparar as interpretações dos revisores;
- consultar o protocolo ou manual operacional;
- buscar informação adicional quando o procedimento permitir e for necessário;
- chegar ao encaminhamento definido pelo método;
- registrar a decisão final de maneira consistente.
Discuta o critério, não quem “venceu”
Considere:
Revisor A: Include.
Revisor B: Exclude.
Uma abordagem pouco útil seria:
“Quem está certo?”
Uma abordagem metodologicamente melhor é:
“Qual critério gerou a divergência e como ele deve ser aplicado a este caso?”
Essa mudança de foco transforma o conflito em uma oportunidade de verificar a consistência das regras.
Exemplo de conflito
Imagine uma revisão que inclua participantes entre 12 e 17 anos.
O resumo informa:
Participants aged 16–21 years were recruited...
O Revisor A registra Include porque parte da amostra possui 16 e 17 anos.
O Revisor B registra Exclude porque a amostra inclui participantes acima da faixa elegível.
A divergência revela uma pergunta metodológica:
estudos com amostras mistas são elegíveis quando parte dos participantes está dentro da faixa?
Se o protocolo já estabelece que os dados da população elegível precisam estar disponíveis separadamente, basta aplicar essa regra.
Se isso não foi previsto, a equipe precisa tratar a situação de maneira documentada e consistente.
Visão metodológica: conflitos repetidos sobre o mesmo tema geralmente indicam que a equipe não está diante de vários problemas independentes, mas de uma regra que precisa ser esclarecida.
O Rayyan resolve o conflito automaticamente?
Não no sentido metodológico.
A plataforma pode:
- identificar decisões divergentes;
- permitir que os revisores visualizem as decisões;
- ajudar a localizar os registros envolvidos;
- permitir a atualização das decisões.
Mas ela não determina qual interpretação dos critérios é cientificamente correta.
Maioria simples resolve o conflito?
Não utilize automaticamente:
“Dois votaram Include e um votou Exclude, então Include vence.”
como regra universal.
O procedimento para resolução deve estar alinhado ao método da revisão.
Dependendo do protocolo, pode envolver:
- consenso entre os revisores;
- discussão estruturada;
- avaliação por terceiro revisor;
- outro mecanismo previamente definido.
Quando utilizar um terceiro revisor?
Se o protocolo estabelecer arbitragem por uma terceira pessoa quando os avaliadores iniciais não chegam a consenso, essa etapa pode ser utilizada.
O terceiro revisor não deve funcionar como um recurso improvisado apenas quando a equipe quer encerrar rapidamente um caso difícil.
Sua função precisa fazer parte do procedimento planejado.
Não altere decisões apenas para eliminar o alerta
Um conflito visualmente resolvido não significa necessariamente um conflito metodologicamente resolvido.
Imagine que o Revisor B mude Exclude para Include apenas porque percebeu que o colega escolheu Include, sem reavaliar o registro.
A plataforma mostrará concordância.
Mas o processo não esclareceu por que a divergência ocorreu.
Erro comum: tratar a resolução de conflitos como uma tarefa de limpeza da interface. O objetivo não é zerar um contador; é chegar a decisões coerentes com os critérios da revisão.
Conflitos repetitivos exigem recalibração
Suponha que, em 80 conflitos, 55 estejam relacionados ao mesmo problema:
amostras com faixas etárias mistas.
Resolver os 55 casos individualmente sem revisar a interpretação da regra é ineficiente.
Talvez seja necessário:
- interromper temporariamente a resolução;
- revisar o critério;
- definir uma interpretação operacional;
- documentar a decisão;
- verificar registros anteriores potencialmente afetados;
- aplicar a regra consistentemente aos demais.
E os registros marcados como Maybe?
Antes de considerar a triagem inicial encerrada, os registros pendentes precisam receber o encaminhamento previsto.
Dependendo da regra da revisão, um Maybe pode:
- ser reavaliado pelo próprio revisor;
- ser discutido pela equipe;
- avançar para texto completo quando a incerteza não puder ser resolvida pelo resumo;
- receber outro tratamento previamente definido.
O importante é que Maybe não permaneça como uma categoria final sem significado.
Checklist para encerrar a triagem de títulos e resumos
- ☐ Todos os registros previstos foram avaliados.
- ☐ Todos os revisores concluíram suas rodadas independentes.
- ☐ O Blind Mode só foi desativado no momento previsto.
- ☐ Os conflitos Include × Exclude foram identificados.
- ☐ As divergências foram discutidas com base nos critérios.
- ☐ Os Maybe receberam encaminhamento.
- ☐ Registros sem decisão foram verificados.
- ☐ Alterações metodológicas foram documentadas quando ocorreram.
- ☐ A equipe verificou se conflitos repetitivos indicavam critérios ambíguos.
- ☐ O conjunto que avançará para texto completo foi conferido.
Em resumo: o Rayyan ajuda a tornar as divergências visíveis. A resolução, porém, depende da aplicação coerente dos critérios, do protocolo e do procedimento definido pela equipe. Conflitos não devem ser apagados; devem ser compreendidos e resolvidos.
Como fazer a triagem do texto completo no Rayyan?
Depois da triagem de títulos e resumos e da resolução das pendências, os registros potencialmente elegíveis avançam para uma avaliação mais detalhada.
Essa etapa é conhecida como triagem ou avaliação do texto completo.
O Rayyan atualmente oferece uma etapa específica para apoiar esse processo.
Triagem inicial e texto completo não são a mesma coisa
| Triagem de títulos e resumos | Triagem do texto completo |
|---|---|
| Informação limitada | Informação muito mais detalhada |
| Decisão preliminar de avanço | Confirmação da elegibilidade segundo os critérios |
| Muitas incertezas podem permanecer | Grande parte das incertezas deve ser resolvida |
| Exclusões podem ocorrer por incompatibilidades evidentes | Motivos de exclusão precisam ser documentados com maior precisão |
| Include não significa inclusão final | O resultado contribui para definir o conjunto elegível |
Texto completo não é apenas “confirmar o Include”
Um registro avançou porque as informações iniciais não forneceram razão suficiente para excluí-lo.
Agora o documento completo permite verificar os critérios com maior precisão.
É possível descobrir, por exemplo, que:
- a população não é elegível;
- a intervenção foi interpretada incorretamente no resumo;
- o desenho não atende aos critérios;
- o documento é um protocolo sem resultados;
- o desfecho necessário não foi realmente avaliado;
- os participantes elegíveis não podem ser analisados separadamente;
- a publicação é um relato relacionado que precisa ser vinculado a outro documento.
Portanto, a avaliação do texto completo é uma nova aplicação dos critérios com informação mais completa.
Primeiro, localize o documento correto
Antes de avaliar elegibilidade, confirme que você está lendo a publicação correspondente ao registro.
Compare:
- título;
- autores;
- ano;
- periódico;
- DOI ou outro identificador.
Esse cuidado é especialmente importante quando existem:
- artigos com títulos semelhantes;
- múltiplas publicações do mesmo estudo;
- protocolos;
- correções;
- seguimentos;
- versões preliminares.
Obtenha o texto completo por meios apropriados
O acesso pode ocorrer por:
- assinaturas institucionais;
- bibliotecas;
- repositórios;
- publicações de acesso aberto;
- serviços acadêmicos legítimos;
- contato com autores quando apropriado.
Documente tentativas relevantes quando um texto completo necessário não puder ser obtido.
Leia o artigo com os critérios ao lado
O objetivo desta etapa não é ainda extrair tudo o que o estudo contém.
A pergunta central continua sendo:
“Este documento atende aos critérios de elegibilidade da revisão?”
Por isso, mantenha os critérios acessíveis durante a leitura.
Onde procurar informações?
Diferentes critérios podem exigir consulta a diferentes partes do artigo.
| Critério | Possíveis locais no texto completo |
|---|---|
| População | Métodos, participantes, critérios de recrutamento, tabela basal |
| Faixa etária | Métodos, características da amostra, tabelas |
| Intervenção | Métodos, procedimentos, materiais suplementares |
| Exposição | Métodos, instrumentos e definição das variáveis |
| Desenho do estudo | Métodos, desenho, recrutamento e seguimento |
| Desfecho | Métodos, instrumentos, resultados e tabelas |
| Contexto | Métodos, cenário e características dos participantes |
Não confunda seleção com extração de dados
Durante a leitura do texto completo, você naturalmente encontrará:
- tamanho da amostra;
- resultados;
- medidas de efeito;
- características metodológicas;
- informações de interesse para a síntese.
Mas isso não significa que a extração completa deva ser improvisada durante a seleção.
Primeiro determine a elegibilidade.
Depois, os estudos incluídos seguem para uma etapa estruturada de coleta das informações necessárias.
Nosso guia sobre como extrair dados dos artigos científicos desenvolve essa fase separadamente.
Erro comum: transformar a triagem do texto completo em uma extração desorganizada e depois descobrir que informações essenciais não foram registradas de maneira padronizada.
Não pare necessariamente na primeira impressão
Às vezes, uma característica aparentemente excludente exige verificação adicional.
Imagine que o resumo indique uma amostra de 18 a 25 anos, enquanto a revisão inclua participantes até 21 anos.
Antes de excluir imediatamente, o texto completo pode mostrar que:
- os dados de 18 a 21 anos foram apresentados separadamente;
- há uma subamostra elegível;
- a faixa descrita no resumo não corresponde à população efetivamente analisada para o desfecho relevante.
O procedimento correto depende dos critérios.
Preserve a independência também no texto completo quando prevista
Se o protocolo determina que dois revisores avaliem independentemente os textos completos, essa independência precisa ser mantida nessa etapa.
Não presuma que a necessidade de avaliação independente terminou com títulos e resumos.
Registre a decisão na etapa correta
Uma exclusão descoberta durante o texto completo precisa ser documentada como uma decisão dessa fase.
Isso é importante para:
- rastreabilidade;
- contagens;
- motivos de exclusão;
- relato do processo;
- fluxograma PRISMA quando aplicável.
Resolva divergências do texto completo
Os revisores também podem discordar nessa fase.
O mesmo princípio permanece:
identificar o critério responsável pela divergência → revisar a evidência → aplicar o procedimento de resolução definido → registrar a decisão final.
Como organizar os motivos de exclusão no texto completo?
Os motivos de exclusão do texto completo merecem atenção especial porque explicam por que documentos que inicialmente pareciam potencialmente elegíveis não permaneceram na revisão.
Utilize categorias padronizadas
Dependendo dos critérios da revisão, exemplos podem incluir:
| Motivo | Significado |
|---|---|
| População não elegível | Os participantes não atendem à população definida |
| Intervenção não elegível | A intervenção não corresponde ao critério |
| Exposição não elegível | A exposição avaliada está fora do escopo |
| Comparador não elegível | O comparador não atende ao desenho previsto, quando aplicável |
| Desfecho não elegível | O estudo não avalia o desfecho exigido pelos critérios |
| Desenho não elegível | O desenho do estudo não corresponde aos critérios |
| Contexto não elegível | O cenário está fora do escopo definido |
| Tipo de publicação não elegível | O documento não corresponde aos tipos aceitos |
As categorias devem refletir os critérios reais da revisão.
Evite “não relacionado ao tema”
Esse motivo é excessivamente amplo.
Se um artigo não está relacionado porque a população é diferente, registre população não elegível.
Se o desenho não é aceito, registre desenho não elegível.
Quanto mais vinculada aos critérios estiver a razão, mais informativo será o processo.
Não crie um motivo diferente para cada artigo
Imagine:
- “participantes eram universitários”;
- “amostra de estudantes de graduação”;
- “não eram adolescentes”;
- “idade acima do limite”.
Se todos representam a mesma violação, podem pertencer a uma categoria comum como:
população não elegível.
Padronização facilita:
- contagem;
- auditoria;
- relato;
- consistência entre revisores.
E quando existem vários motivos?
Um texto completo pode falhar em mais de um critério.
Por exemplo:
- população fora da faixa;
- desenho não elegível;
- desfecho inadequado.
A equipe precisa definir como registrar o motivo principal.
Uma possibilidade é criar uma hierarquia operacional.
Exemplo meramente ilustrativo:
- tipo de publicação;
- população;
- intervenção ou exposição;
- desenho;
- desfecho.
Mas essa ordem não é uma regra universal.
A hierarquia, se utilizada, deve fazer sentido para a revisão e ser aplicada consistentemente.
“Texto completo não encontrado” exige cautela
Não localizar um documento imediatamente não significa que o estudo seja metodologicamente inelegível.
Antes de classificar a situação, considere:
- busca pelo DOI;
- consulta ao periódico;
- biblioteca institucional;
- repositórios;
- outras fontes legítimas;
- contato com autores quando apropriado.
Além disso, diretrizes de relato podem distinguir documentos procurados, não recuperados e avaliados para elegibilidade.
Por isso, preserve as contagens correspondentes.
Idioma só é motivo de exclusão se fizer parte dos critérios
Encontrar um artigo em um idioma inesperado não autoriza automaticamente sua exclusão.
Se houver restrição linguística, ela deve ter sido definida e justificada conforme o método.
Não crie uma restrição durante a triagem apenas porque o documento é mais difícil de avaliar.
“Baixa qualidade” também não deve surgir espontaneamente
Avaliação da qualidade metodológica ou risco de viés é uma etapa distinta em muitos desenhos de revisão.
Não exclua um estudo simplesmente porque ele “parece fraco”, a menos que o protocolo e o método estabeleçam claramente como essa característica participa da elegibilidade.
Registre o motivo no momento da decisão
Não deixe para reconstruir meses depois por que 247 documentos foram excluídos.
Ao tomar a decisão, registre o motivo conforme a convenção da equipe.
Boa prática: motivos de exclusão padronizados e registrados no momento da avaliação reduzem retrabalho e facilitam a conferência das contagens utilizadas posteriormente.
Exemplo completo do fluxo até o conjunto elegível
Retomemos os números fictícios utilizados anteriormente:
| Etapa | Quantidade |
|---|---|
| Registros importados | 2.590 |
| Duplicatas removidas | 640 |
| Registros submetidos à triagem de títulos e resumos | 1.950 |
| Registros excluídos na triagem inicial | 1.610 |
| Registros que avançaram | 340 |
| Documentos em texto completo avaliados | 332 |
| Documentos não recuperados | 8 |
| Documentos excluídos após texto completo | 247 |
| Publicações ou estudos elegíveis, conforme a unidade definida | 85 |
Observe que:
340 documentos procurados − 8 não recuperados = 332 avaliados em texto completo.
E:
332 avaliados − 247 excluídos = 85 elegíveis.
A matemática precisa fechar.
Publicações e estudos podem ter números diferentes
Os 85 documentos elegíveis não significam necessariamente 85 estudos independentes.
Se um mesmo estudo originou:
- artigo principal;
- seguimento;
- análise secundária;
pode haver várias publicações relacionadas a uma única investigação.
Essa distinção se torna importante tanto para a extração quanto para o relato.
Ao avançar para a organização dos dados, veja também nosso guia sobre como montar um quadro de síntese.
Checklist da etapa de texto completo
- ☐ O documento correto foi localizado.
- ☐ Os critérios foram aplicados ao texto completo.
- ☐ Informação ausente não foi confundida automaticamente com falha do critério.
- ☐ Publicações relacionadas foram identificadas quando necessário.
- ☐ A independência entre revisores foi preservada quando prevista.
- ☐ Divergências foram resolvidas pelo procedimento definido.
- ☐ O motivo de cada exclusão foi registrado.
- ☐ Os motivos utilizam categorias padronizadas.
- ☐ Documentos não recuperados foram contabilizados separadamente quando apropriado.
- ☐ O número de documentos avaliados é coerente com o fluxo anterior.
- ☐ O conjunto elegível foi conferido.
- ☐ Publicações e estudos não foram tratados automaticamente como unidades equivalentes.
Em resumo: a avaliação em texto completo é uma nova aplicação dos critérios com informação mais detalhada. O Rayyan ajuda a organizar essa etapa, mas a equipe precisa preservar independência quando prevista, registrar motivos específicos de exclusão e conferir cuidadosamente as contagens que descrevem o caminho entre registros recuperados e estudos incluídos.
Com a seleção concluída e as contagens reconciliadas, surge uma pergunta natural: o próprio Rayyan consegue transformar esse fluxo em um diagrama PRISMA? A resposta exige distinguir claramente a plataforma utilizada para organizar a revisão da diretriz utilizada para relatar seu processo.
O Rayyan gera o fluxograma PRISMA?
Depois de concluir as principais etapas de seleção, muitos pesquisadores precisam organizar as contagens para representar como os registros identificados foram progressivamente selecionados.
O Rayyan atualmente possui um recurso capaz de gerar um diagrama de fluxo compatível com o PRISMA 2020 a partir das informações disponíveis na revisão.
Entretanto, duas distinções são fundamentais:
Rayyan ≠ PRISMA.
E:
gerar um fluxograma ≠ conduzir corretamente uma revisão sistemática.
O que é o PRISMA?
PRISMA é uma diretriz de relato desenvolvida para melhorar a transparência e a completude da apresentação de revisões sistemáticas e trabalhos relacionados aos quais suas recomendações sejam aplicáveis.
Entre seus elementos mais conhecidos está o diagrama de fluxo que apresenta o caminho entre:
- identificação dos registros;
- remoções anteriores à triagem;
- triagem;
- documentos procurados;
- documentos não recuperados;
- avaliação para elegibilidade;
- exclusões e respectivos motivos;
- estudos e relatórios incluídos.
PRISMA não é o método completo da revisão
Um erro frequente em trabalhos acadêmicos é escrever:
“A metodologia utilizada foi o PRISMA.”
Essa frase pode ser imprecisa.
O PRISMA orienta principalmente o relato transparente da revisão. Ele não substitui todas as decisões metodológicas necessárias para:
- formular a pergunta;
- definir critérios;
- escolher fontes;
- construir estratégias de busca;
- executar a seleção;
- extrair dados;
- avaliar aspectos metodológicos;
- realizar a síntese.
Visão metodológica: utilizar um diagrama PRISMA não demonstra, sozinho, que todas as etapas da revisão foram conduzidas adequadamente. O fluxograma relata o percurso; não cria o percurso metodológico.
Como o Rayyan pode ajudar no diagrama PRISMA?
Na versão atual da plataforma, o Rayyan consegue utilizar dados da revisão para preencher partes do diagrama PRISMA 2020.
Algumas informações podem ser preenchidas a partir das atividades registradas na plataforma, enquanto outros campos precisam ser inseridos ou ajustados manualmente.
O fluxo conceitual é:
- concluir as etapas relevantes da seleção;
- resolver decisões pendentes;
- conferir as contagens;
- acessar o recurso atual de PRISMA;
- verificar os números preenchidos automaticamente;
- completar os campos que exigem informação manual;
- reconciliar o diagrama com os registros da revisão;
- exportar a versão final.
Não aceite as contagens automaticamente sem conferir
Mesmo quando um software gera parte do diagrama, a equipe precisa verificar se os números correspondem ao processo realmente realizado.
Retomando nosso exemplo fictício:
| Etapa | Quantidade |
|---|---|
| Registros identificados/importados | 2.590 |
| Duplicatas removidas | 640 |
| Registros triados | 1.950 |
| Registros excluídos na triagem inicial | 1.610 |
| Documentos procurados para recuperação | 340 |
| Documentos não recuperados | 8 |
| Documentos avaliados para elegibilidade | 332 |
| Documentos excluídos após texto completo | 247 |
| Publicações elegíveis | 85 |
As relações matemáticas precisam ser coerentes.
Por exemplo:
2.590 − 640 = 1.950 registros triados.
1.950 − 1.610 = 340 documentos procurados.
340 − 8 = 332 documentos avaliados.
332 − 247 = 85 publicações elegíveis.
Por que os números podem não fechar?
Diferenças podem aparecer quando:
- algum lote não foi registrado corretamente;
- referências foram importadas novamente;
- duplicatas foram contabilizadas de forma inconsistente;
- existem registros sem decisão;
- Maybe permanece sem resolução;
- novos registros foram adicionados depois;
- documentos não recuperados foram misturados às exclusões;
- publicações e estudos foram confundidos;
- parte da seleção ocorreu fora da plataforma;
- dados foram alterados sem atualização dos controles externos.
Boa prática: mantenha um controle das principais contagens fora do software. O Rayyan pode facilitar o processo, mas a equipe deve conseguir reconstruir o fluxo mesmo sem depender exclusivamente do diagrama automático.
Registro, relatório e estudo voltam a ser importantes
O PRISMA 2020 diferencia unidades que não devem ser automaticamente tratadas como equivalentes.
Uma revisão pode terminar, por exemplo, com:
- 85 relatórios ou publicações;
- correspondentes a 72 estudos.
Isso pode acontecer porque alguns estudos produziram mais de um relatório.
Portanto, não presuma:
85 artigos incluídos = 85 estudos independentes.
A relação entre publicações e estudos precisa ser identificada corretamente.
O recurso PRISMA está disponível em todos os planos?
Na configuração atual do Rayyan, a geração do diagrama PRISMA está associada aos planos pagos que oferecem esse recurso.
Como planos e funcionalidades podem mudar, consulte a documentação atual antes de planejar o fluxo com base nessa função.
Alterações manuais no diagrama precisam ser preservadas
Na versão atual, modificações realizadas manualmente no editor do diagrama não devem ser tratadas como se fossem automaticamente preservadas indefinidamente.
Depois de revisar e completar o fluxograma, salve ou exporte a versão necessária conforme as opções disponibilizadas pela plataforma.
Atenção: nunca considere o diagrama concluído apenas porque foi gerado automaticamente. Confira contagens, campos preenchidos manualmente, motivos de exclusão e a distinção entre registros, relatórios e estudos.
Rayyan e PRISMA cumprem funções diferentes
| Rayyan | PRISMA |
|---|---|
| Plataforma de apoio à revisão | Diretriz de relato |
| Organiza referências | Orienta como relatar aspectos da revisão |
| Apoia triagem e outras etapas | Inclui checklist e diagrama de fluxo |
| Registra decisões operacionais | Promove transparência do relato |
| Pode gerar um diagrama a partir dos dados disponíveis | Não depende obrigatoriamente do Rayyan |
Em nosso próximo conteúdo específico sobre PRISMA, essa diferença será aprofundada sem transformar o presente guia em um segundo artigo sobre a diretriz.
O que é Relevance Ranking no Rayyan?
Além de organizar as decisões humanas, o Rayyan possui recursos que utilizam aprendizado de máquina para apoiar a priorização das referências ainda não avaliadas.
Um dos principais é o Relevance Ranking, ou classificação por relevância.
Qual é a ideia do Relevance Ranking?
À medida que os pesquisadores registram decisões de Include e Exclude, o sistema identifica padrões presentes nos registros avaliados.
Com base nesses padrões, atribui uma estimativa de relevância às referências que ainda não possuem decisão.
Isso permite priorizar quais registros serão apresentados ou examinados primeiro.
O princípio é:
decisões humanas anteriores → aprendizagem de padrões → classificação das referências ainda não avaliadas → priorização da leitura.
Relevance Ranking não decide elegibilidade
Essa é a distinção central.
Se o algoritmo considera determinada referência pouco provável de inclusão, isso não significa:
“Este estudo não atende aos critérios.”
Significa apenas que, segundo os padrões aprendidos a partir das decisões disponíveis, o registro recebeu uma classificação menos favorável.
Portanto:
priorização algorítmica ≠ decisão de elegibilidade.
Atenção: não transforme uma classificação de baixa relevância em um novo critério de exclusão.
Quais informações o sistema utiliza?
Na documentação atual, o classificador utiliza características extraídas dos registros, incluindo informações textuais do título e do resumo e termos MeSH quando disponíveis.
Ele aprende com padrões associados às decisões Include e Exclude já registradas.
O algoritmo lê os critérios metodológicos?
Não da mesma forma que um pesquisador interpreta um protocolo.
O sistema aprende a partir das decisões que a equipe tomou.
Isso significa que os critérios influenciam o modelo indiretamente, por meio das classificações humanas.
Se as decisões humanas forem inconsistentes, o padrão aprendido também pode refletir essa inconsistência.
Quantas decisões são necessárias?
Na configuração atual, o Rayyan exige pelo menos:
- 50 decisões de triagem;
- incluindo no mínimo 5 decisões Include;
- e no mínimo 5 decisões Exclude.
Esse mínimo é calculado para a revisão como um todo, considerando as decisões da equipe.
Além disso, precisam existir referências ainda sem decisão para que haja algo a classificar.
Por que o equilíbrio entre Include e Exclude importa?
Imagine que a equipe tenha registrado:
- 49 Include;
- 1 Exclude.
Mesmo com 50 decisões, o modelo possui pouquíssimos exemplos de exclusão.
Por isso, o requisito mínimo atual inclui exemplos das duas classes.
Mesmo depois de alcançar o mínimo técnico, um conjunto extremamente desequilibrado pode produzir classificações menos úteis.
Como interpretar as avaliações?
A plataforma atualmente apresenta níveis que vão de referências com maior probabilidade estimada de inclusão até aquelas com maior probabilidade estimada de exclusão, além de situações em que não há recomendação suficientemente clara.
O importante não é decorar os nomes da interface, que podem mudar, mas compreender a lógica:
| Classificação | Interpretação correta |
|---|---|
| Maior probabilidade estimada de inclusão | O padrão se parece mais com registros previamente incluídos |
| Probabilidade intermediária | O sistema possui menor segurança para priorizar |
| Sem recomendação clara | Os dados disponíveis não permitem classificação suficientemente informativa |
| Maior probabilidade estimada de exclusão | O padrão se parece mais com registros previamente excluídos |
Posso começar pelos registros mais promissores?
Esse é um dos usos possíveis da priorização.
Ela pode ajudar a:
- encontrar estudos potencialmente elegíveis mais cedo;
- organizar a ordem da triagem;
- concentrar inicialmente a atenção em subconjuntos com maior probabilidade estimada de inclusão.
Mas isso não significa que os registros classificados mais abaixo possam ser descartados automaticamente.
Posso excluir automaticamente tudo que recebeu baixa relevância?
Não como consequência automática da classificação.
A avaliação algorítmica é uma sugestão de priorização, não uma decisão registrada de elegibilidade.
Se o protocolo prevê triagem humana de todos os registros, uma classificação baixa não substitui essa avaliação.
Erro comum: interpretar “mais provável de excluir” como se significasse “excluído pelo critério”. São conceitos diferentes.
O que acontece com decisões conflitantes?
Na configuração atual, decisões conflitantes de Include e Exclude sobre a mesma referência são excluídas do cálculo das avaliações de relevância.
Isso evita utilizar diretamente uma referência para a qual a própria equipe ainda possui julgamentos opostos como exemplo de treinamento.
O Relevance Ranking funciona com Blind Mode?
As avaliações podem ser calculadas a partir das decisões da equipe mesmo quando o Blind Mode está ativo.
Isso não significa que os revisores passam a visualizar as decisões individuais ocultas dos colegas.
O recurso de priorização e o mecanismo de ocultação cumprem funções diferentes.
O recurso está disponível em todos os planos?
A disponibilidade pode variar conforme a função específica.
Na configuração atual, as avaliações e a ordenação por relevância estão amplamente disponíveis, enquanto determinados filtros associados às avaliações podem depender de planos mais avançados.
Como essa distribuição pode mudar, confira a documentação atual antes de criar um procedimento dependente de uma funcionalidade específica.
Como usar inteligência artificial no Rayyan com segurança metodológica?
O Rayyan vem incorporando diferentes recursos de inteligência artificial e automação.
Essas tecnologias podem reduzir tarefas repetitivas e ajudar a organizar grandes conjuntos de referências.
Entretanto, a pergunta correta não é:
“A IA consegue fazer minha revisão?”
Uma pergunta mais útil é:
“Em quais tarefas a automação pode me ajudar sem substituir decisões metodológicas que continuam sob responsabilidade dos pesquisadores?”
O que a IA pode ajudar a fazer?
Dependendo dos recursos atualmente disponíveis, sistemas automatizados podem ajudar a:
- priorizar referências;
- identificar padrões;
- destacar termos;
- organizar registros;
- apoiar determinadas classificações;
- auxiliar tarefas estruturadas dentro do fluxo.
O que a IA não sabe automaticamente?
Ela não possui, por simples acesso aos registros, toda a compreensão metodológica que existe no protocolo.
Por exemplo, pode não compreender adequadamente:
- exceções específicas dos critérios;
- decisões justificadas durante o piloto;
- contexto disciplinar;
- relações complexas entre múltiplas publicações;
- nuances que exigem leitura do texto completo;
- razões científicas por trás de determinada regra.
Automação não elimina responsabilidade
Se uma ferramenta automatizada influencia substancialmente a seleção, extração ou outra etapa metodologicamente relevante, a equipe precisa compreender:
- o que o recurso fez;
- como foi utilizado;
- quais decisões permaneceram humanas;
- quais verificações foram realizadas;
- como o uso será descrito quando necessário.
Visão metodológica: quanto maior a influência de uma automação sobre quais estudos permanecem na revisão, maior a importância de compreender, verificar e relatar adequadamente sua função.
Velocidade não é sinônimo de validade
Um sistema pode classificar milhares de referências em segundos.
Isso demonstra eficiência computacional.
Não demonstra, por si só, que todas as classificações estejam metodologicamente corretas.
Da mesma forma, um pesquisador humano pode tomar decisões rapidamente e ainda cometer erros.
O objetivo não é escolher entre:
humano perfeito
e:
algoritmo perfeito.
O objetivo é construir um processo no qual cada recurso seja utilizado de maneira compatível com suas limitações.
Não transforme uma sugestão em verdade
Quando a plataforma:
- destaca um termo;
- atribui uma classificação;
- prioriza um registro;
- sugere uma estrutura;
trate a saída como apoio à análise, não como prova independente de elegibilidade.
Como funciona o destaque PICO no Rayyan?
Outro recurso de apoio disponível atualmente é a identificação de elementos relacionados ao PICO.
A estrutura PICO é frequentemente utilizada para organizar perguntas clínicas e outras perguntas compatíveis com seus componentes:
- P — Population: população;
- I — Intervention: intervenção;
- C — Comparison: comparação;
- O — Outcome: desfecho.
O que o Rayyan faz com PICO?
Na configuração atual, a plataforma utiliza inteligência artificial para identificar termos relacionados aos componentes PICO presentes nos resumos.
Esses elementos podem ser destacados visualmente e utilizados em recursos de filtragem.
Isso pode ajudar o pesquisador a localizar mais rapidamente informações relacionadas a:
- quem foi estudado;
- qual intervenção ou exposição aparece;
- qual comparação foi realizada;
- quais desfechos foram mencionados.
Destaque PICO não significa confirmação do critério
Imagine que o sistema destaque:
adolescents
como elemento relacionado à população.
Isso ajuda a localizar o termo.
Mas ainda é necessário verificar:
- qual faixa etária foi realmente utilizada;
- se toda a amostra é elegível;
- se os dados relevantes estão disponíveis separadamente;
- se os demais critérios são atendidos.
Portanto:
destaque PICO ≠ decisão de inclusão.
E se o sistema não destacar algo importante?
A ausência de destaque também não demonstra ausência da característica.
O algoritmo pode:
- não identificar determinada expressão;
- interpretar o contexto de maneira diferente;
- não possuir informação suficiente;
- depender de um campo que não está preenchido.
O PICO depende do resumo
Na configuração atual, a extração utilizada para esse recurso depende do campo de resumo do registro.
Se uma referência não possuir resumo, o sistema não terá esse conteúdo para realizar a extração e o destaque.
Isso reforça um princípio já discutido:
ausência de informação no registro ≠ ausência da característica no estudo.
Não exclua automaticamente registros sem destaque PICO
Uma regra como:
“Se o Rayyan não identificou Population, vou excluir.”
é metodologicamente perigosa.
O recurso deve apoiar a leitura, não substituir os critérios.
Toda revisão precisa utilizar PICO?
Não.
PICO é apropriado para determinadas perguntas, mas não constitui uma estrutura universal para todos os tipos de revisão.
Dependendo do objetivo, outras estruturas podem ser mais adequadas.
Por exemplo, revisões de escopo frequentemente utilizam estruturas como PCC:
- P — Population;
- C — Concept;
- C — Context.
Não force uma pergunta a caber em PICO apenas porque o software oferece um recurso com esse nome.
Erro comum: adaptar artificialmente a metodologia ao recurso disponível na ferramenta. Primeiro escolha a estrutura apropriada à pergunta; depois decida quais recursos do software podem ajudar.
O recurso PICO está disponível em todos os planos?
Na configuração atual, o destaque e os filtros PICO estão associados aos planos Advanced e institucionais.
Essa disponibilidade pode mudar ao longo do tempo.
Como interpretar os principais recursos automatizados?
| Recurso | Para que pode ajudar | O que não deve representar automaticamente |
|---|---|---|
| Relevance Ranking | Priorizar referências ainda não avaliadas | Decisão de elegibilidade |
| PICO | Destacar e organizar elementos detectados no resumo | Confirmação de que os critérios foram atendidos |
| Filtros | Localizar subconjuntos de referências | Estratégia de busca ou critério novo |
| Labels | Organizar características e pendências | Decisão de inclusão ou exclusão |
| Detecção de duplicatas | Localizar registros possivelmente repetidos | Prova automática de que dois documentos são idênticos |
| PRISMA | Apoiar a organização do diagrama de fluxo | Prova de que a revisão foi metodologicamente correta |
Sete perguntas antes de utilizar automação na revisão
- Qual tarefa o recurso está realizando?
- Quais dados ele utiliza?
- A saída é uma sugestão ou uma decisão?
- Como o pesquisador verificará erros?
- O uso está de acordo com o protocolo?
- A automação pode alterar quais estudos entram ou saem da revisão?
- O uso precisa ser documentado ou relatado?
Checklist para utilizar recursos automatizados com cautela
- ☐ A equipe entende a função do recurso.
- ☐ O recurso não foi transformado em critério de elegibilidade sem justificativa.
- ☐ Classificações de relevância não são tratadas como decisões automáticas.
- ☐ Ausência de destaque PICO não é tratada como ausência da característica.
- ☐ Os critérios metodológicos continuam acessíveis aos revisores.
- ☐ As decisões humanas são verificadas quando necessário.
- ☐ O uso de automação está coerente com o protocolo.
- ☐ Mudanças de plano ou disponibilidade não comprometem o método.
- ☐ A equipe sabe como descrever o papel da automação no trabalho.
Em resumo: os recursos automatizados do Rayyan podem ajudar a priorizar, destacar e organizar referências. O ganho de eficiência é valioso, mas não transforma previsões em critérios nem algoritmos em revisores metodologicamente autônomos. A ferramenta deve ampliar a capacidade de organização da equipe sem apagar a responsabilidade dos pesquisadores pelas decisões científicas.
Depois que a seleção estiver concluída e os recursos de apoio tiverem cumprido sua função, ainda existe uma etapa operacional importante: retirar do Rayyan os conjuntos necessários para continuar a revisão, preservar os resultados e integrá-los a outras ferramentas acadêmicas.
Como exportar os resultados do Rayyan?
Depois da triagem e da definição do conjunto que seguirá para as etapas posteriores, o pesquisador pode precisar retirar informações do Rayyan para utilizá-las em outros ambientes.
A exportação pode servir para:
- preservar uma cópia do conjunto de referências;
- transferir referências para um gerenciador bibliográfico;
- continuar etapas analíticas em outras ferramentas;
- criar controles adicionais;
- preservar resultados da triagem;
- arquivar dados importantes do projeto.
Os formatos e campos disponíveis podem variar conforme a versão da plataforma e o tipo de exportação. Por isso, o princípio mais importante não é decorar uma sequência de botões, mas saber qual conjunto você está exportando, quais informações precisa preservar e para qual finalidade o arquivo será utilizado.
Antes de exportar, defina o objetivo
Não utilize simplesmente:
Export All
e suponha que o arquivo resultante servirá para qualquer finalidade.
Pergunte:
- quero exportar apenas os registros incluídos?
- preciso preservar também os excluídos?
- quero transferir referências para Zotero ou Mendeley?
- preciso arquivar decisões de triagem?
- quero continuar uma análise em uma planilha?
- preciso manter labels ou outros campos?
- estou criando uma cópia de segurança?
A finalidade determina o que deve ser preservado.
Confira os filtros antes de exportar
Imagine que a revisão possua:
- 1.950 registros triados;
- 340 registros que avançaram após títulos e resumos;
- 85 publicações elegíveis ao final.
Se o objetivo é exportar apenas as 85 publicações elegíveis, confirme que o filtro realmente representa esse conjunto.
Uma exportação realizada com o filtro errado pode gerar:
- referências faltantes;
- registros excluídos indevidamente misturados;
- conjuntos incompletos;
- contagens inconsistentes.
Boa prática: antes de exportar, anote quantos registros espera receber no arquivo. Depois da exportação, confira se a quantidade corresponde ao esperado.
Escolha o formato conforme o destino
Formatos bibliográficos podem ser adequados quando o destino é um gerenciador de referências.
Outros formatos podem ser mais úteis para análise tabular ou arquivamento.
Antes de escolher, confirme:
- quais formatos o Rayyan oferece atualmente;
- quais formatos o sistema de destino aceita;
- quais campos serão preservados;
- se caracteres especiais permanecem corretos;
- se identificadores como DOI são mantidos.
Faça um teste quando a transferência for importante
Se você pretende mover centenas ou milhares de referências para outro sistema, teste primeiro um subconjunto pequeno.
Depois da importação no destino, confira:
- título;
- autores;
- ano;
- periódico;
- DOI;
- resumo;
- outros campos necessários.
Isso evita descobrir tarde demais que determinado formato perdeu informações importantes.
Não sobrescreva seus arquivos originais
Mantenha separados:
- arquivos exportados das bases;
- arquivos utilizados para importação no Rayyan;
- arquivos exportados depois da triagem;
- versões finais utilizadas em outras etapas.
Uma estrutura simples pode ser:
/01_buscas_originais/
/02_importacao_rayyan/
/03_exportacoes_rayyan/
/04_conjunto_final/
Adapte a organização à sua equipe, mas preserve a possibilidade de reconstruir o processo.
Utilize nomes de arquivo informativos
Evite:
export.ris
final.csv
final2.csv
final_agora_vai.csv
Prefira nomes como:
rayyan_incluidos-texto-completo_2026-09-19.ris
rayyan_exportacao-triagem_2026-09-19.csv
Uma convenção simples reduz confusão quando várias versões existem.
Preciso guardar os registros excluídos?
Não trate o conjunto excluído como lixo que pode ser descartado imediatamente.
Dependendo do estágio e das necessidades da revisão, registros excluídos podem ser importantes para:
- auditoria;
- conferência de decisões;
- resolução de dúvidas;
- revisão de critérios;
- reconstrução das contagens;
- justificativa do processo de seleção.
Preserve os dados necessários de acordo com o protocolo, as práticas da equipe, as políticas institucionais e os requisitos de transparência aplicáveis.
Faça backups em momentos estratégicos
Uma plataforma online não deve ser o único lugar em que existe a memória operacional de um projeto longo.
Considere preservar exportações ou registros em momentos como:
- após a importação;
- após a deduplicação;
- após a triagem de títulos e resumos;
- após a resolução de conflitos;
- após a avaliação em texto completo;
- antes de alterações estruturais importantes;
- no encerramento da revisão.
Atenção: backup não significa apenas possuir várias cópias desorganizadas. É necessário saber a que etapa cada arquivo corresponde.
Preserve também a documentação metodológica
Um arquivo de referências não substitui:
- protocolo;
- estratégias de busca;
- datas das buscas;
- critérios;
- manual operacional;
- registro de alterações;
- contagens principais;
- decisões metodológicas relevantes.
O projeto precisa continuar compreensível mesmo quando diferentes ferramentas forem utilizadas em etapas diferentes.
O Rayyan substitui Zotero ou Mendeley?
Não é adequado tratar Rayyan, Zotero e Mendeley como se fossem ferramentas idênticas.
Existe alguma sobreposição de funções relacionadas a referências, mas o foco principal de cada tipo de ferramenta é diferente.
Qual é o foco do Rayyan?
O Rayyan é orientado ao fluxo de revisões da literatura, com recursos voltados a atividades como:
- importação de referências;
- identificação de possíveis duplicatas;
- triagem;
- decisões de inclusão e exclusão;
- colaboração entre revisores;
- Blind Mode;
- resolução de conflitos;
- avaliação em texto completo;
- outros recursos de apoio à revisão.
Qual é o foco de Zotero e Mendeley?
Zotero e Mendeley são conhecidos principalmente como gerenciadores de referências bibliográficas.
Eles podem ajudar em tarefas como:
- armazenar referências;
- organizar coleções bibliográficas;
- gerenciar documentos;
- inserir citações em processadores de texto;
- gerar bibliografias;
- apoiar a organização das fontes utilizadas em trabalhos acadêmicos.
Os recursos exatos variam entre ferramentas e versões.
Comparação conceitual
| Tarefa | Rayyan | Gerenciador bibliográfico |
|---|---|---|
| Organizar referências | Sim, dentro do fluxo da revisão | Sim, como função central |
| Triagem sistemática de registros | Função central | Não é o foco principal |
| Blind Mode entre revisores | Recurso específico para triagem colaborativa | Não é função central |
| Conflitos Include × Exclude | Organizados no fluxo da revisão | Não é função central |
| Inserir citações durante a escrita | Não é seu foco principal | Função típica |
| Gerar bibliografia do TCC ou artigo | Não é seu foco principal | Função típica |
Posso utilizar Rayyan e um gerenciador bibliográfico juntos?
Sim.
Em muitos fluxos, as ferramentas podem ser complementares.
Exemplo:
bases de dados → exportação → Rayyan → triagem → conjunto elegível → gerenciador bibliográfico → escrita e referências.
Esse é apenas um exemplo. A sequência pode variar conforme o projeto.
Qual deles devo escolher?
Não é necessário pensar obrigatoriamente em:
Rayyan OU Zotero OU Mendeley.
A pergunta mais útil é:
“Qual ferramenta atende melhor a cada tarefa do meu fluxo?”
Se você precisa realizar triagem independente de milhares de registros, o Rayyan possui recursos especificamente voltados a esse problema.
Se precisa inserir citações e construir a lista de referências durante a redação do TCC, um gerenciador bibliográfico possui outra função importante.
Boa prática: escolha ferramentas por função. Não force um único programa a executar todo o ciclo da pesquisa apenas para evitar utilizar sistemas complementares.
Rayyan não substitui o protocolo
Da mesma forma que não substitui necessariamente um gerenciador bibliográfico, o Rayyan também não substitui:
- protocolo;
- pergunta de pesquisa;
- critérios de elegibilidade;
- estratégia de busca;
- julgamento dos revisores;
- procedimentos de síntese;
- diretrizes metodológicas e de relato aplicáveis.
O que fazer depois de concluir a seleção no Rayyan?
Terminar a seleção não significa terminar a revisão.
Depois de definir quais estudos ou publicações são elegíveis, ainda podem existir várias etapas.
Dependendo do tipo de revisão, elas podem incluir:
- vinculação de múltiplas publicações do mesmo estudo;
- extração de dados;
- avaliação de risco de viés ou qualidade metodológica, quando aplicável;
- organização dos resultados;
- construção de quadros e tabelas;
- síntese narrativa;
- síntese quantitativa, quando aplicável;
- avaliações adicionais previstas pelo método;
- redação;
- relato segundo diretrizes pertinentes.
Primeiro, confirme o conjunto incluído
Antes de começar a extração, confira se:
- todos os conflitos foram resolvidos;
- não existem pendências sem decisão;
- os motivos de exclusão foram registrados;
- as publicações relacionadas foram identificadas quando possível;
- as contagens fecham;
- o conjunto elegível foi exportado ou preservado.
Depois, prepare a extração dos dados
A extração não deve começar como uma coleção aleatória de tudo que parece interessante nos artigos.
Ela precisa utilizar campos previamente definidos e procedimentos consistentes.
Veja nosso guia completo sobre como extrair dados dos artigos científicos em uma revisão.
Organize os estudos para comparação
Depois da extração, as informações podem ser organizadas em estruturas que facilitem a comparação entre os estudos.
Nosso conteúdo sobre como montar um quadro de síntese mostra como transformar dados extraídos em uma estrutura comparativa útil.
Não volte a confundir seleção e qualidade metodológica
Um estudo pode ser elegível e, posteriormente, apresentar limitações metodológicas importantes.
Isso não significa que ele deveria necessariamente ter sido eliminado na triagem.
Elegibilidade e avaliação crítica cumprem funções diferentes.
Preserve a rastreabilidade entre as etapas
Idealmente, deve ser possível acompanhar:
registro recuperado → publicação avaliada → estudo identificado → decisão de elegibilidade → dados extraídos → síntese.
Quanto maior a revisão, mais importante se torna essa cadeia de rastreabilidade.
Fluxo completo: como usar o Rayyan em uma revisão sistemática?
Agora podemos reunir as etapas discutidas em um único fluxo.
Etapa 1 — Planeje a revisão
Antes do Rayyan:
- defina a pergunta;
- escolha o tipo de revisão;
- prepare o protocolo de revisão quando aplicável;
- defina os critérios de elegibilidade;
- planeje a busca;
- estabeleça o processo de seleção.
Etapa 2 — Execute as buscas
Realize as estratégias nas fontes planejadas e registre:
- fonte;
- estratégia;
- data;
- filtros legítimos utilizados na fonte;
- quantidade recuperada.
Etapa 3 — Exporte os resultados
Salve os registros em formatos compatíveis e preserve os arquivos originais.
Etapa 4 — Crie a revisão no Rayyan
Configure o projeto com identificação clara e confira as informações iniciais.
Etapa 5 — Importe os registros
Importe os lotes de forma rastreável e confira as quantidades.
Etapa 6 — Trate possíveis duplicatas
Analise as sugestões de duplicidade sem confundir:
mesma publicação
com:
publicações diferentes do mesmo estudo.
Etapa 7 — Configure os critérios
Transfira para a ferramenta os critérios que já foram definidos metodologicamente.
Etapa 8 — Organize os revisores
Defina:
- quem realizará a triagem;
- como será mantida a independência;
- quando as decisões serão reveladas;
- como conflitos serão resolvidos.
Etapa 9 — Faça um piloto
Quando previsto, teste os critérios em um conjunto manejável e corrija ambiguidades antes da triagem em grande escala.
Etapa 10 — Faça a triagem de títulos e resumos
Para cada registro:
- leia título e resumo;
- aplique os critérios pertinentes;
- registre Include, Exclude ou Maybe;
- utilize motivos, labels e notas de maneira padronizada.
Etapa 11 — Resolva pendências e conflitos
Depois da rodada independente:
- revele as decisões;
- identifique conflitos;
- trate os Maybe;
- discuta divergências;
- aplique o mecanismo de consenso ou arbitragem definido.
Etapa 12 — Avalie os textos completos
Obtenha os documentos e reaplique os critérios com informação mais detalhada.
Etapa 13 — Registre os motivos de exclusão
Utilize categorias consistentes e vinculadas aos critérios.
Etapa 14 — Confira as contagens
Reconcilie:
- registros identificados;
- duplicatas;
- registros triados;
- exclusões iniciais;
- documentos procurados;
- documentos não recuperados;
- textos completos avaliados;
- exclusões após texto completo;
- publicações e estudos incluídos.
Etapa 15 — Utilize recursos automatizados com cautela
Relevance Ranking, PICO, filtros e outros recursos podem apoiar a revisão, mas não devem ser confundidos com critérios ou decisões metodológicas autônomas.
Etapa 16 — Exporte e preserve os resultados
Salve os conjuntos necessários, confira os arquivos e preserve a documentação.
Etapa 17 — Continue a revisão fora da triagem
Avance para:
- extração;
- avaliações metodológicas pertinentes;
- organização dos dados;
- síntese;
- redação;
- relato.
Em resumo: o Rayyan ocupa uma posição importante no fluxo operacional da revisão, especialmente entre a importação das referências e a definição do conjunto elegível. Mas a revisão começa antes da plataforma e continua depois dela.
Erros comuns ao usar o Rayyan em uma revisão sistemática
Uma ferramenta pode organizar o trabalho sem impedir decisões metodologicamente inadequadas.
Conhecer os erros mais frequentes ajuda a utilizar o Rayyan de maneira mais consistente.
1. Começar pelo Rayyan antes de planejar a revisão
Criar um projeto e importar artigos sem pergunta, protocolo ou critérios claros transforma a plataforma em um depósito de referências.
Como evitar: planeje o método antes de iniciar a triagem.
2. Criar os critérios durante a triagem
Se cada artigo difícil produz uma regra nova, os registros avaliados no início podem ter recebido tratamento diferente daqueles avaliados no final.
Como evitar: defina os critérios antecipadamente e documente alterações realmente necessárias.
3. Confundir filtro da plataforma com critério de elegibilidade
Um filtro pode localizar registros; ele não cria automaticamente uma justificativa metodológica para excluí-los.
Como evitar: mantenha separadas as funções de organização e decisão.
4. Importar os resultados sem preservar a origem
Misturar todos os registros sem saber de qual fonte vieram dificulta auditoria e reconstrução das buscas.
Como evitar: preserve arquivos, datas, fontes e contagens.
5. Aceitar todas as sugestões de duplicatas automaticamente
Publicações relacionadas podem parecer semelhantes sem serem o mesmo documento.
Como evitar: confira título, autores, DOI, periódico e demais metadados.
6. Confundir publicação duplicada com múltiplas publicações do mesmo estudo
Um protocolo, artigo principal e seguimento podem pertencer ao mesmo estudo sem serem duplicatas bibliográficas.
Como evitar: mantenha clara a diferença entre registro, publicação e estudo.
7. Excluir registros apenas porque não possuem resumo
A ausência de resumo pode resultar de limitações de indexação ou exportação.
Como evitar: trate informação insuficiente segundo uma regra previamente definida.
8. Desativar o Blind Mode cedo demais
Ver a decisão do colega antes de concluir a própria avaliação pode influenciar o julgamento.
Como evitar: revele as decisões apenas depois da rodada independente prevista.
9. Usar Maybe como depósito permanente de dúvidas
Centenas de Maybe sem resolução apenas transferem o problema para o futuro.
Como evitar: estabeleça como e quando as pendências serão resolvidas.
10. Resolver conflitos apenas mudando o clique
Fazer Include × Exclude desaparecer da interface não esclarece por que os revisores discordaram.
Como evitar: identifique o critério responsável pela divergência e aplique o procedimento definido.
11. Criar dezenas de labels sem padronização
Etiquetas redundantes aumentam a complexidade e reduzem sua utilidade.
Como evitar: utilize um pequeno dicionário operacional.
12. Transformar Relevance Ranking em exclusão automática
Uma classificação algorítmica serve para priorização; não é uma decisão metodológica de elegibilidade.
Como evitar: mantenha a decisão de acordo com o procedimento definido no protocolo.
13. Tratar o destaque PICO como confirmação do critério
Identificar um termo relacionado à população ou intervenção não demonstra que o estudo atende a todos os requisitos.
Como evitar: utilize o destaque para apoiar a leitura, não para substituir a avaliação.
14. Confiar no diagrama PRISMA sem reconciliar as contagens
Um fluxograma visualmente correto pode conter números incompatíveis com o processo real.
Como evitar: confira matematicamente cada transição e preserve controles externos.
15. Achar que terminar a triagem significa terminar a revisão
Depois da seleção ainda podem existir extração, avaliação metodológica, síntese e relato.
Como evitar: enxergue o Rayyan como uma parte de um fluxo científico maior.
Atenção: praticamente todos esses erros têm a mesma origem: transformar uma ferramenta operacional em substituta do raciocínio metodológico. Quanto mais claro estiver o método, mais útil o Rayyan se torna.
Uma regra simples para evitar a maioria dos problemas
Sempre que estiver em dúvida, faça duas perguntas:
1. Esta decisão vem do protocolo e dos critérios ou estou inventando uma regra porque a ferramenta permite?
2. Se eu precisasse explicar esta decisão na metodologia do TCC, artigo ou dissertação, conseguiria justificá-la cientificamente?
Se a resposta à segunda pergunta for não, provavelmente vale revisar o procedimento antes de continuar.
Em resumo: usar bem o Rayyan não significa conhecer todos os botões. Significa saber o que precisa ser decidido pelos pesquisadores, o que pode ser organizado pela plataforma e como preservar a rastreabilidade entre método, decisão e resultado.
Antes de encerrar este guia, vale transformar todo o processo em uma lista final de conferência e responder às dúvidas que mais aparecem entre estudantes e pesquisadores que estão começando a utilizar o Rayyan.
Checklist final: como usar o Rayyan na revisão sistemática
Antes de considerar concluído o trabalho no Rayyan, vale realizar uma última conferência do processo.
O checklist abaixo não substitui o protocolo nem as orientações metodológicas específicas do tipo de revisão. Sua função é ajudar a identificar pendências operacionais que poderiam comprometer a consistência, a rastreabilidade ou o relato posterior.

Antes da importação
- ☐ A pergunta da revisão está suficientemente definida.
- ☐ O tipo de revisão foi estabelecido.
- ☐ O protocolo foi preparado quando aplicável.
- ☐ Os critérios de elegibilidade foram definidos.
- ☐ As fontes de informação foram planejadas.
- ☐ As estratégias de busca foram construídas e testadas.
- ☐ O processo de seleção foi previamente definido.
- ☐ A equipe sabe quantos revisores participarão de cada etapa.
- ☐ O procedimento para resolver divergências foi estabelecido.
Durante a importação
- ☐ Os arquivos originais exportados das bases foram preservados.
- ☐ Cada lote pode ser relacionado à sua fonte.
- ☐ As quantidades recuperadas foram registradas.
- ☐ Os formatos de importação foram conferidos.
- ☐ Os registros chegaram ao Rayyan sem perdas evidentes de metadados importantes.
- ☐ Novas importações foram documentadas.
Antes da triagem
- ☐ As possíveis duplicatas foram verificadas.
- ☐ Duplicatas bibliográficas não foram confundidas com publicações diferentes do mesmo estudo.
- ☐ Os critérios foram registrados de maneira operacional.
- ☐ Os revisores compreendem os critérios.
- ☐ Include, Exclude e Maybe possuem significado compartilhado pela equipe.
- ☐ Os motivos de exclusão foram padronizados.
- ☐ As labels possuem finalidade definida.
- ☐ O Blind Mode está configurado de acordo com o procedimento da revisão.
- ☐ O piloto ou calibração foi realizado quando previsto.
- ☐ Ajustes decorrentes do piloto foram documentados.
Durante a triagem de títulos e resumos
- ☐ Os critérios estão sendo aplicados consistentemente.
- ☐ Títulos pouco informativos não estão sendo excluídos automaticamente.
- ☐ Ausência de informação não está sendo confundida com ausência da característica.
- ☐ Os revisores não estão criando novos critérios informalmente.
- ☐ Maybe está sendo utilizado apenas segundo a convenção definida.
- ☐ Os motivos de exclusão são rastreáveis.
- ☐ Labels não estão substituindo decisões.
- ☐ Notas não estão substituindo um sistema padronizado.
- ☐ Filtros e palavras-chave são utilizados como apoio, não como critérios improvisados.
- ☐ A fadiga dos revisores está sendo considerada.
Antes de revelar as decisões
- ☐ Todos os revisores concluíram a rodada independente prevista.
- ☐ Não existem grandes lotes ainda sem avaliação.
- ☐ O momento de desativar o Blind Mode está correto.
Durante a resolução de conflitos
- ☐ Os conflitos Include × Exclude foram identificados.
- ☐ Os Maybe e demais pendências receberam encaminhamento.
- ☐ As divergências estão sendo discutidas com base nos critérios.
- ☐ Decisões não estão sendo alteradas apenas para eliminar alertas da interface.
- ☐ O mecanismo de consenso ou arbitragem previsto está sendo respeitado.
- ☐ Conflitos repetitivos foram investigados como possível sinal de ambiguidade.
- ☐ Mudanças metodológicas relevantes foram documentadas.
Durante a avaliação em texto completo
- ☐ O documento correto foi recuperado para cada registro.
- ☐ Os critérios foram reaplicados utilizando as informações completas.
- ☐ A independência entre revisores foi preservada quando prevista.
- ☐ As exclusões possuem motivos específicos.
- ☐ Os motivos foram registrados no momento da decisão.
- ☐ Documentos não recuperados foram tratados separadamente quando apropriado.
- ☐ Restrições não previstas não foram criadas apenas por conveniência.
- ☐ Publicações relacionadas foram identificadas quando necessário.
Antes de encerrar a seleção
- ☐ Não existem registros relevantes sem decisão.
- ☐ Os conflitos foram resolvidos.
- ☐ Os Maybe receberam encaminhamento final.
- ☐ Os motivos de exclusão em texto completo foram conferidos.
- ☐ As contagens entre as etapas são matematicamente coerentes.
- ☐ Registros, relatórios/publicações e estudos não foram confundidos.
- ☐ O conjunto elegível foi conferido.
- ☐ As exportações necessárias foram realizadas.
- ☐ Backups foram preservados.
- ☐ A documentação metodológica permite reconstruir o processo.
Se utilizar recursos automatizados
- ☐ Relevance Ranking não foi transformado automaticamente em decisão de exclusão.
- ☐ Destaques PICO não foram tratados como confirmação dos critérios.
- ☐ Ausência de destaque automático não foi tratada como ausência da característica.
- ☐ A equipe compreende o papel do recurso automatizado.
- ☐ O uso da automação é compatível com o protocolo.
- ☐ As decisões metodologicamente relevantes continuam verificáveis.
Em resumo: o melhor indicador de que o Rayyan foi bem utilizado não é a velocidade com que milhares de registros desapareceram da fila de triagem. É a capacidade de explicar como cada etapa foi conduzida, quais regras foram utilizadas e como o conjunto final de estudos foi obtido.
Perguntas frequentes sobre Rayyan
O que é Rayyan?
Rayyan é uma plataforma desenvolvida para apoiar fluxos de revisões da literatura, incluindo atividades como organização de referências, identificação de possíveis duplicatas, triagem, colaboração entre revisores e outras etapas relacionadas ao processo de revisão.
A ferramenta ajuda a operacionalizar o trabalho, mas não substitui protocolo, critérios de elegibilidade ou julgamento metodológico.
Para que serve o Rayyan?
O Rayyan ajuda a organizar e executar etapas da revisão
Ele pode ser utilizado para importar referências, organizar registros, identificar possíveis duplicatas, realizar triagem de títulos e resumos, registrar decisões, trabalhar com revisores, resolver conflitos e apoiar outras etapas disponíveis na plataforma.
Sua utilidade é especialmente evidente quando a revisão recupera grande quantidade de referências.
O Rayyan é gratuito?
Existem recursos e planos diferentes
A oferta do Rayyan pode incluir diferentes modalidades de acesso, e determinados recursos podem depender do plano utilizado.
Como preços, planos e funcionalidades podem mudar, consulte as informações oficiais atuais antes de escolher uma modalidade com base em um recurso específico.
Preciso usar o Rayyan para fazer uma revisão sistemática?
Não existe obrigatoriedade universal de utilizar essa plataforma
O Rayyan é uma ferramenta de apoio. Uma revisão sistemática precisa seguir métodos adequados ao seu desenho, mas isso não significa que exista obrigação universal de utilizar um software específico.
A ferramenta escolhida deve ser compatível com o fluxo metodológico planejado.
O Rayyan faz revisão sistemática sozinho?
Não
O software pode apoiar várias tarefas, mas não formula autonomamente uma revisão metodologicamente válida nem substitui as decisões científicas dos pesquisadores.
A equipe continua responsável pela pergunta, protocolo, critérios, busca, decisões de elegibilidade, interpretação, síntese e relato.
Posso usar o Rayyan no TCC?
Sim, quando a ferramenta fizer sentido para o método utilizado
Estudantes podem utilizar o Rayyan em TCCs que envolvam revisões da literatura compatíveis com seu fluxo de trabalho.
O importante é explicar adequadamente na metodologia como a ferramenta foi utilizada, em vez de apresentá-la como se ela própria constituísse o método científico da revisão.
Como citar o Rayyan no TCC ou artigo?
Identifique a ferramenta utilizada e consulte a orientação institucional aplicável
Ao descrever a metodologia, informe que o Rayyan foi utilizado nas etapas correspondentes e registre as informações necessárias para tornar o procedimento compreensível.
Também pode ser pertinente citar o artigo clássico que descreve o Rayyan, de Ouzzani e colaboradores, publicado em 2016 na revista Systematic Reviews.
A forma final da referência bibliográfica deve seguir o estilo exigido pelo curso, periódico ou instituição.
Rayyan remove duplicatas automaticamente?
O Rayyan ajuda a identificar possíveis duplicatas, mas elas precisam ser tratadas com cuidado
A semelhança entre dois registros não prova, por si só, que sejam duplicatas bibliográficas.
Compare elementos como título, autores, ano, periódico, DOI e outros metadados antes de confirmar a remoção.
Também é necessário distinguir duplicatas de publicações diferentes relacionadas ao mesmo estudo.
O que significa Include no Rayyan?
Na triagem inicial, Include geralmente significa que a referência deve avançar
Isso não significa necessariamente que o estudo já esteja definitivamente incluído na revisão.
A avaliação em texto completo ainda pode revelar que algum critério não foi atendido.
O que significa Exclude no Rayyan?
Exclude indica que existe base para não manter a referência naquela etapa
A decisão deve decorrer dos critérios de elegibilidade aplicáveis, e não apenas de uma impressão de que o artigo não parece interessante.
O que significa Maybe no Rayyan?
Maybe pode representar uma incerteza que ainda precisa ser resolvida
A equipe deve definir antecipadamente quando essa categoria será utilizada e como os registros pendentes receberão encaminhamento.
Maybe não deve se transformar em um depósito permanente de referências difíceis.
O que é Blind Mode no Rayyan?
É o recurso que oculta as decisões dos outros revisores durante a triagem independente
Ele ajuda a reduzir a influência direta da decisão de um revisor sobre outro.
Na configuração atual, novas revisões são criadas com o Blind Mode ativado. A equipe deve utilizá-lo de acordo com o procedimento metodológico planejado.
Quando devo desativar o Blind Mode?
Depois da rodada independente prevista
Quando todos os revisores tiverem concluído suas decisões independentes, a equipe pode revelar as avaliações no momento planejado e iniciar a resolução das divergências.
Desativá-lo antecipadamente pode comprometer a independência pretendida.
O que é um conflito no Rayyan?
O conflito formal envolve decisões finais opostas entre revisores
Um exemplo é quando um revisor registra Include e outro registra Exclude para a mesma referência.
Decisões Maybe podem gerar pendências que também precisam ser resolvidas, embora não representem necessariamente o mesmo conflito formal.
O Rayyan resolve conflitos automaticamente?
Não no sentido metodológico
A plataforma ajuda a identificar e organizar divergências, mas os pesquisadores precisam determinar qual decisão é coerente com os critérios e com o procedimento definido para a revisão.
Preciso de dois revisores para usar o Rayyan?
O número de revisores depende do método adotado
O Rayyan permite colaboração, mas a quantidade de avaliadores e a forma de participação devem seguir o protocolo, as diretrizes metodológicas aplicáveis e as exigências do projeto.
Não transforme “dois revisores” em uma regra universal para qualquer tipo de revisão.
O Rayyan faz triagem de texto completo?
A plataforma atualmente oferece suporte a uma etapa de avaliação em texto completo
Essa fase permite reaplicar os critérios utilizando informações mais detalhadas e registrar o encaminhamento dos documentos avaliados.
A disponibilidade e a configuração exata dos recursos podem mudar com a evolução da plataforma.
O Rayyan gera fluxograma PRISMA?
Atualmente existe recurso para apoiar a geração do diagrama PRISMA 2020 em planos compatíveis
Mesmo quando parte das informações é preenchida pela plataforma, a equipe precisa conferir as contagens e completar adequadamente os campos necessários.
O Rayyan não substitui o PRISMA, e o diagrama não substitui a metodologia da revisão.
O que é Relevance Ranking no Rayyan?
É um recurso de priorização das referências ainda não avaliadas
O sistema aprende padrões a partir de decisões anteriores de Include e Exclude e atribui avaliações às referências restantes.
Essas avaliações podem ajudar a ordenar a triagem, mas não devem ser interpretadas automaticamente como decisões de elegibilidade.
Quantas decisões são necessárias para o Relevance Ranking?
Na configuração atual, são necessárias pelo menos 50 decisões
Esse conjunto precisa incluir pelo menos 5 decisões Include e 5 decisões Exclude, além de existirem referências ainda sem decisão para serem classificadas.
Como requisitos técnicos podem mudar, confirme a documentação atual se esse recurso for importante para seu projeto.
O Rayyan usa inteligência artificial?
Sim, existem recursos de automação e inteligência artificial
Eles podem apoiar tarefas como priorização e identificação de informações nos registros.
O uso de IA não elimina a responsabilidade dos pesquisadores por compreender, verificar e relatar adequadamente as decisões metodológicas.
O que é o PICO no Rayyan?
É um recurso que pode identificar e destacar elementos relacionados à estrutura PICO nos resumos
Esses destaques podem facilitar a leitura e a organização, mas não demonstram automaticamente que o estudo atende aos critérios de elegibilidade.
Além disso, nem toda revisão deve ser estruturada em PICO.
Rayyan substitui Zotero ou Mendeley?
Não necessariamente, porque as ferramentas possuem focos diferentes
O Rayyan é especialmente orientado ao fluxo de revisão e triagem. Gerenciadores bibliográficos como Zotero e Mendeley possuem funções importantes na organização de referências, citações e bibliografias.
Essas ferramentas podem ser utilizadas de forma complementar.
Posso exportar as referências do Rayyan?
Sim, a plataforma oferece recursos de exportação
Antes de exportar, confira qual conjunto está selecionado, qual formato será utilizado, quais informações serão preservadas e se o sistema de destino é compatível.
O Rayyan substitui os critérios de inclusão e exclusão?
Não
Os critérios precisam ser definidos metodologicamente pelos pesquisadores.
O Rayyan pode ajudar a registrar e aplicar essas regras durante a triagem, mas não determina quais critérios são cientificamente apropriados para a pergunta da revisão.
O Rayyan substitui o protocolo da revisão?
Não
O protocolo documenta como a revisão foi planejada. O Rayyan é uma ferramenta que pode apoiar a execução de algumas etapas desse planejamento.
Posso fazer toda a revisão dentro do Rayyan?
Não presuma que uma única plataforma precisa concentrar todas as etapas
O Rayyan pode apoiar diferentes fases do fluxo, mas uma revisão também pode exigir bases bibliográficas, gerenciadores de referências, planilhas, softwares de análise, ferramentas de avaliação metodológica e outros recursos.
A ferramenta deve servir ao método, e não o método ser redesenhado apenas para caber na ferramenta.
Conclusão: vale a pena usar o Rayyan?
O Rayyan pode facilitar significativamente a organização de revisões que envolvem dezenas, centenas ou milhares de referências.
Recursos como importação de registros, identificação de possíveis duplicatas, decisões Include/Exclude/Maybe, Blind Mode, colaboração entre revisores, filtros, labels, organização de conflitos, avaliação em texto completo e mecanismos de priorização ajudam a transformar uma grande coleção bibliográfica em um fluxo de trabalho mais estruturado.
Mas o principal aprendizado deste guia é justamente reconhecer os limites da ferramenta.
O Rayyan não define sozinho uma boa pergunta.
Não justifica critérios.
Não transforma uma busca incompleta em busca abrangente.
Não converte uma decisão inconsistente em decisão válida.
Não substitui o julgamento dos revisores.
E não transforma automaticamente um conjunto de referências triadas em uma revisão sistemática metodologicamente adequada.
O melhor uso da plataforma acontece quando o método já está suficientemente claro.
Nesse cenário, o pesquisador consegue distinguir:
- o que foi definido no protocolo;
- o que foi executado nas bases;
- o que foi organizado pelo Rayyan;
- o que foi decidido pelos revisores;
- o que foi apoiado por automação;
- o que precisa ser documentado;
- o que seguirá para extração, análise e síntese.
Essa distinção transforma o Rayyan de um simples aplicativo para “marcar artigos” em uma ferramenta de apoio a um processo de seleção mais organizado, rastreável e colaborativo.
Continue aprendendo: se você ainda está estruturando a revisão, consulte nosso guia sobre como montar um protocolo de revisão. Para aprofundar a etapa anterior ao uso da ferramenta, veja como definir critérios de inclusão e exclusão e como fazer seleção e triagem dos estudos. Depois da seleção, avance para como extrair dados dos artigos científicos e como montar um quadro de síntese.
Em uma revisão bem planejada, portanto, a pergunta não é simplesmente “como usar o Rayyan?”, mas:
“como utilizar o Rayyan para executar com mais organização um método que continua sendo definido, compreendido e controlado pelos pesquisadores?”
Essa é a diferença entre apenas utilizar uma ferramenta e integrá-la corretamente ao processo científico.
Referências e fontes para aprofundamento
OUZZANI, Mourad et al. Rayyan—a web and mobile app for systematic reviews. Systematic Reviews, v. 5, art. 210, 2016. DOI: 10.1186/s13643-016-0384-4.
PAGE, Matthew J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, 2021;372:n71. DOI: 10.1136/bmj.n71.
PAGE, Matthew J. et al. PRISMA 2020 explanation and elaboration: updated guidance and exemplars for reporting systematic reviews. BMJ, 2021;372:n160. DOI: 10.1136/bmj.n160.
RAYYAN. Rayyan — plataforma para revisões da literatura e revisões sistemáticas. Disponível no site oficial da plataforma.
RAYYAN HELP CENTER. Getting Started with Rayyan. Documentação oficial sobre criação e organização de revisões.
RAYYAN HELP CENTER. How to Set Up Screening Criteria in Rayyan. Documentação oficial sobre configuração de critérios.
RAYYAN HELP CENTER. How to Screen References in Rayyan. Documentação oficial sobre triagem e decisões.
RAYYAN HELP CENTER. How to Use Blind Mode in Rayyan. Documentação oficial sobre ocultação das decisões entre revisores.
RAYYAN HELP CENTER. How to Resolve Screening Conflicts in Rayyan. Documentação oficial sobre identificação e resolução de conflitos.
RAYYAN HELP CENTER. How to Complete Full-Text Screening in Rayyan. Documentação oficial sobre avaliação em texto completo.
RAYYAN HELP CENTER. How to Use Ratings and Relevance Ranking in Rayyan. Documentação oficial sobre classificação e priorização de referências.
RAYYAN HELP CENTER. How to Use PICO Highlighting and Filtering in Rayyan. Documentação oficial sobre recursos PICO.
RAYYAN HELP CENTER. How to Create a PRISMA Flow Diagram in Rayyan. Documentação oficial sobre geração do diagrama PRISMA.
