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Como Montar um Quadro de Síntese: Passo a Passo para Organizar os Estudos
Aprenda como montar um quadro de síntese para organizar e comparar os estudos de uma revisão. Veja quais informações incluir, como escolher as colunas, padronizar os dados, apresentar os principais resultados, evitar erros e transformar o quadro em uma síntese acadêmica clara.
Como Montar um Quadro de Síntese: Passo a Passo para Organizar os Estudos
Aprender como montar um quadro de síntese é uma etapa importante para quem já selecionou os estudos de uma revisão e precisa transformar os dados extraídos em uma estrutura clara, comparável e útil para a análise. O quadro ajuda a visualizar características, métodos e resultados dos estudos lado a lado, mas sua construção exige mais do que copiar informações dos artigos para uma tabela.
Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia
Um bom quadro precisa responder à pergunta da revisão, selecionar apenas os campos realmente úteis, manter diferenças metodológicas importantes e apresentar as informações de forma suficientemente padronizada para facilitar a comparação.
Isso significa que não existe um modelo universal de quadro de síntese. A estrutura depende da pergunta de pesquisa, dos objetivos, do tipo de revisão, das características dos estudos e da síntese que será realizada.
Se você ainda não organizou as informações retiradas dos estudos, vale começar pelo guia sobre como extrair dados dos artigos científicos em uma revisão. A extração cria a base detalhada; o quadro de síntese transforma parte dessa base em uma apresentação comparativa.
Resumo rápido
- O quadro de síntese organiza informações relevantes dos estudos em uma estrutura comparativa.
- Ele não precisa reproduzir todos os campos da planilha de extração.
- As colunas devem ser escolhidas de acordo com a pergunta, os objetivos e o método da revisão.
- Cada linha frequentemente representa um estudo, mas um estudo pode possuir mais de um relatório ou publicação.
- Informações equivalentes devem ser apresentadas de maneira consistente.
- Padronizar não significa apagar diferenças metodológicas importantes.
- Resultados devem ser condensados com fidelidade e sem alterar seu significado.
- Resultado do estudo e conclusão dos autores não são a mesma coisa.
- Siglas, unidades e códigos para informações ausentes precisam ser compreensíveis.
- Um quadro excessivamente largo ou cheio de parágrafos perde sua função comparativa.
- O quadro ajuda a identificar padrões, diferenças e lacunas, mas não substitui a síntese textual.
Índice
- O que é um quadro de síntese?
- Para que serve um quadro de síntese?
- Quadro de síntese, planilha de extração, tabela de resultados e matriz de análise
- O que colocar em um quadro de síntese?
- Como escolher as colunas?
- Quantas colunas o quadro deve ter?
- Como montar um quadro de síntese passo a passo?
- Como resumir informações sem perder o sentido?
- Como padronizar informações entre os estudos?
- Como lidar com informações ausentes?
- Como colocar os principais resultados no quadro?
- Posso colocar a conclusão dos autores?
- Devo colocar números ou escrever os resultados em palavras?
- Exemplo de quadro de síntese pronto
- Como passar da extração para o quadro de síntese?
- Como analisar um quadro de síntese?
- Como transformar o quadro de síntese em texto?
- O quadro muda conforme o tipo de revisão?
- Quadro ou tabela: qual usar no TCC?
- Como formatar um quadro de síntese no TCC?
- 12 erros comuns ao montar um quadro de síntese
- Checklist para montar um quadro de síntese
- Perguntas frequentes
O que é um quadro de síntese?
Um quadro de síntese é uma estrutura, geralmente organizada em linhas e colunas, utilizada para apresentar de maneira comparativa informações relevantes dos estudos incluídos em uma revisão.
Dependendo da pergunta e do método, ele pode mostrar informações como:
- autor e ano;
- país ou contexto;
- objetivo;
- desenho do estudo;
- participantes;
- tamanho da amostra;
- intervenção, exposição ou fenômeno investigado;
- comparador;
- instrumentos de mensuração;
- desfechos;
- tempo de acompanhamento;
- principais resultados.
A principal vantagem dessa organização é permitir que características que estavam dispersas em diferentes artigos sejam observadas lado a lado.
Imagine uma revisão com 20 estudos. Se cada artigo for lido isoladamente, pode ser difícil perceber quais utilizaram populações semelhantes, quais adotaram desenhos diferentes, quais mediram o mesmo desfecho com instrumentos distintos e quais encontraram resultados convergentes.
Quando essas características são organizadas em uma estrutura comparativa, as diferenças se tornam mais visíveis.
Em resumo: o quadro de síntese transforma informações selecionadas dos estudos em uma visão comparativa. Seu objetivo não é armazenar tudo o que foi encontrado, mas tornar visíveis as características necessárias para compreender o conjunto de evidências.
O quadro de síntese é obrigatório?
Não existe uma estrutura universal de quadro que seja obrigatória para todas as revisões e todos os trabalhos acadêmicos.
A necessidade, o formato e o nível de detalhamento dependem do método utilizado, das orientações de relato, das exigências institucionais e da finalidade da revisão.
Em muitas revisões, apresentar as características dos estudos de forma estruturada é extremamente útil porque aumenta a transparência e facilita a compreensão do conjunto de evidências.
O Cochrane Handbook, por exemplo, orienta que as características dos estudos sejam resumidas antes da síntese e destaca a utilidade de comparar características relevantes para determinar quais estudos podem ser agrupados ou analisados conjuntamente.
Isso, porém, não significa que todos os trabalhos devam utilizar as mesmas colunas ou reproduzir um único template.
Vale lembrar: o método deve orientar a estrutura. Um modelo encontrado em outro TCC, artigo ou revisão pode servir como referência, mas não substitui a decisão sobre quais informações são necessárias no seu próprio trabalho.
Para que serve um quadro de síntese?
O quadro pode cumprir várias funções ao mesmo tempo. As principais são caracterizar os estudos, facilitar comparações, tornar padrões visíveis e apoiar a síntese.
Caracterizar os estudos incluídos
Antes de interpretar resultados, o leitor precisa saber que tipo de evidência compõe a revisão.
Um quadro pode mostrar rapidamente:
- onde os estudos foram realizados;
- quais desenhos foram utilizados;
- quem participou;
- quais intervenções ou exposições foram investigadas;
- como os desfechos foram medidos;
- qual foi o período de acompanhamento.
Essa caracterização fornece contexto para a interpretação dos achados.
Facilitar a comparação
O quadro permite comparar características que seriam difíceis de acompanhar apenas por meio de parágrafos.
Por exemplo, pode ficar evidente que cinco estudos utilizaram questionários autorreferidos, enquanto outros três utilizaram medidas objetivas.
Essa diferença pode ser relevante quando os resultados são interpretados.
Tornar padrões e diferenças visíveis
Quando as informações são apresentadas lado a lado, torna-se mais fácil observar:
- predomínio de determinado desenho;
- concentração de estudos em determinada população;
- diferenças entre instrumentos;
- variação nos períodos de acompanhamento;
- convergência ou divergência dos resultados;
- possíveis lacunas no corpo de evidências.
Apoiar a síntese textual
O quadro também funciona como uma ponte entre a extração dos dados e a redação dos resultados.
Em vez de escrever um parágrafo independente para cada artigo, o pesquisador pode utilizar a estrutura para identificar grupos de estudos, padrões, diferenças e exceções.
Boa prática: depois de preencher o quadro, não pergunte apenas “o que cada estudo encontrou?”. Pergunte também “o que consigo perceber quando observo todos os estudos em conjunto?”.
Aumentar a transparência
Uma estrutura organizada permite que o leitor visualize quais características sustentam determinadas comparações.
Se o texto afirma que os estudos apresentaram grande diversidade metodológica, por exemplo, o quadro pode mostrar essa diversidade por meio dos desenhos, instrumentos, populações ou formas de mensuração.
Visão metodológica: o quadro não é apenas um recurso visual. Quando bem planejado, ele funciona como parte da arquitetura de transparência da revisão, conectando os estudos incluídos à síntese apresentada no texto.
Quadro de síntese, planilha de extração, tabela de resultados e matriz de análise: qual é a diferença?
Esses termos podem aparecer em trabalhos acadêmicos com significados parcialmente diferentes. A terminologia não é completamente uniforme entre áreas e métodos, por isso é mais seguro compreender a função de cada estrutura do que depender apenas do nome.
| Estrutura | Função principal | Uso típico |
|---|---|---|
| Planilha ou formulário de extração | Registrar sistematicamente informações retiradas dos estudos | Base detalhada de trabalho e rastreabilidade |
| Quadro de síntese | Selecionar e apresentar informações de forma comparativa | Caracterização, comparação e apoio à síntese |
| Tabela de resultados | Apresentar resultados ou análises específicas | Estimativas, medidas, frequências ou outros resultados |
| Matriz de análise | Organizar categorias ou relações para análise | Codificação, interpretação ou comparação conforme o método |
A planilha de extração é a base detalhada
Na etapa de extração, podem ser registrados muitos campos:
- ID do estudo;
- referência completa;
- país;
- desenho;
- critérios de elegibilidade;
- características da população;
- número recrutado;
- número analisado;
- instrumentos;
- intervenções;
- comparadores;
- desfechos;
- momentos de avaliação;
- resultados;
- medidas estatísticas;
- páginas de origem;
- observações de conferência.
Esses campos podem ser necessários para executar a revisão, mas isso não significa que todos devam ser apresentados ao leitor.
O quadro de síntese seleciona uma parte dessa base
Imagine uma planilha com 25 campos. O quadro final pode utilizar apenas sete:
Autor/ano | País | Desenho | Participantes | Exposição/intervenção | Desfecho | Principais resultados
Os outros dados não foram descartados. Eles continuam disponíveis na base de extração para conferência, análise e rastreabilidade.
Erro comum: copiar a planilha inteira para o trabalho e chamá-la de quadro de síntese. Uma estrutura com dezenas de colunas pode conter muita informação e, ainda assim, oferecer pouca capacidade de comparação.
O quadro não precisa conter todos os resultados
Um estudo pode apresentar várias análises, subgrupos, modelos e momentos de acompanhamento. Dependendo do objetivo, apenas uma parte desses resultados precisa aparecer no quadro principal.
Resultados mais detalhados podem permanecer na base ou ser apresentados em estruturas específicas.
A matriz de análise pode ter outra finalidade
Em alguns métodos, uma matriz é utilizada para organizar categorias, códigos, temas, relações conceituais ou interpretações.
Nesse caso, ela não deve ser confundida automaticamente com o quadro utilizado para caracterizar os estudos.
A mesma revisão pode ter:
- uma base de extração;
- um quadro de características;
- uma matriz analítica;
- e estruturas específicas para resultados.
Cada uma pode cumprir uma função diferente.
Estudo e artigo também não são necessariamente a mesma coisa
Essa distinção é especialmente importante.
Um único estudo pode gerar:
- um artigo com resultados principais;
- uma publicação com acompanhamento posterior;
- um relatório sobre outro desfecho;
- uma análise secundária;
- ou outras publicações relacionadas.
Se cada publicação for tratada automaticamente como um estudo independente, existe risco de representar a mesma população mais de uma vez.
Por isso, quando houver múltiplos relatórios, é útil manter um identificador comum para o estudo e registrar quais publicações fornecem cada informação.
Atenção: uma linha por artigo não é uma regra universal. Antes de montar o quadro, defina se a unidade de apresentação será estudo, relatório, grupo, comparação, desfecho ou outra unidade compatível com o método.
O quadro de síntese não substitui a análise
Mesmo uma estrutura excelente continua sendo uma forma de organização.
Ela pode mostrar que:
- os estudos utilizaram desenhos diferentes;
- determinados instrumentos predominam;
- alguns resultados convergem;
- outros divergem.
Mas é o pesquisador quem precisa interpretar o que essas características significam para a revisão.
Em resumo: a extração registra, o quadro seleciona e compara, estruturas de resultados apresentam achados específicos e a análise interpreta o conjunto. Manter essas funções separadas ajuda a construir uma revisão mais organizada e transparente.
Com essa diferença estabelecida, a próxima decisão é prática: quais informações realmente merecem virar colunas no quadro de síntese?
O que colocar em um quadro de síntese?
As informações incluídas no quadro devem ajudar o leitor a identificar, caracterizar, comparar ou interpretar os estudos. Isso significa que uma coluna não deve existir apenas porque apareceu em outro TCC ou em um modelo encontrado na internet.
Dependendo da revisão, podem ser relevantes:
- identificação do estudo;
- autor e ano;
- país ou contexto;
- objetivo;
- desenho metodológico;
- características dos participantes;
- tamanho da amostra;
- intervenção, exposição ou fenômeno estudado;
- comparador;
- instrumentos ou métodos de mensuração;
- desfechos;
- tempo de acompanhamento;
- principais resultados;
- outras características diretamente relacionadas à pergunta da revisão.
Essa lista representa possibilidades, não um conjunto obrigatório de campos.
Atenção: uma informação ter sido extraída não significa que obrigatoriamente precise aparecer no quadro final. A base de extração pode ser muito mais detalhada do que a apresentação destinada ao leitor.
Autor e ano
Autor e ano são frequentemente utilizados para identificar rapidamente os estudos.
Por exemplo:
Silva et al. (2024)
Entretanto, durante a condução da revisão, também pode ser útil manter um identificador próprio:
EST-001
Esse código facilita o vínculo entre diferentes arquivos, formulários e relatórios relacionados ao mesmo estudo.
Na apresentação final, a referência autor/ano pode ser mais intuitiva para o leitor, enquanto o identificador interno continua disponível na base de trabalho.
País ou contexto
O local pode ser relevante quando ajuda a compreender a população ou a aplicabilidade dos resultados.
Dependendo da pergunta, pode ser mais útil registrar:
- país;
- região;
- serviço de saúde;
- escola;
- universidade;
- comunidade;
- ambiente ocupacional;
- outro contexto específico.
Se o local não tiver função na caracterização ou interpretação, não precisa ocupar uma coluna apenas por tradição.
Objetivo do estudo
O objetivo pode ajudar quando os estudos incluídos investigam aspectos diferentes do tema.
Entretanto, essa coluna costuma ficar extensa quando o objetivo é copiado literalmente do artigo.
Em vez de reproduzir frases completas, pode-se registrar uma versão condensada e fiel.
Versão extensa:
Investigar a associação entre os níveis de atividade física autorreferida e a presença de sintomas de ansiedade entre adolescentes matriculados em escolas públicas.
Versão condensada:
Investigar a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes.
Boa prática: se todos os estudos possuem objetivos praticamente idênticos e essa coluna não ajuda a comparação, avalie se ela realmente precisa aparecer.
Desenho do estudo
O desenho metodológico frequentemente é uma das características mais importantes porque influencia a interpretação dos resultados.
Alguns exemplos são:
- estudo transversal;
- coorte;
- caso-controle;
- ensaio clínico;
- estudo qualitativo;
- estudo de métodos mistos.
A terminologia deve ser padronizada quando os termos forem genuinamente equivalentes, mas sem reclassificar estudos de maneira indevida apenas para deixar o quadro visualmente uniforme.
Participantes e tamanho da amostra
Essa coluna pode informar quem participou e quantas pessoas foram avaliadas.
Por exemplo:
642 adolescentes; 13–17 anos.
Dependendo da pergunta, também podem ser relevantes:
- sexo ou gênero;
- condição clínica;
- faixa etária;
- critério diagnóstico;
- nível educacional;
- ou outra característica da população.
Número recrutado e número analisado são diferentes
Um estudo pode recrutar 510 participantes e analisar apenas 472.
Nesse caso, escrever apenas:
n = 510
pode criar uma impressão incorreta sobre a amostra efetivamente utilizada no resultado.
Dependendo da finalidade do quadro, pode ser mais apropriado apresentar:
510 recrutados; 472 analisados.
Ou, se apenas a amostra analisada for relevante:
472 analisados.
Atenção: sempre deixe claro o que o número representa. Recrutados, randomizados, acompanhados e analisados podem ser populações diferentes dentro do mesmo estudo.
Intervenção, exposição ou fenômeno de interesse
O nome da coluna deve acompanhar a natureza da pergunta.
Em uma revisão de intervenção, pode ser necessário registrar:
- tipo de intervenção;
- duração;
- frequência;
- dose ou intensidade;
- modo de aplicação.
Em uma revisão observacional, pode ser mais adequado registrar:
- exposição;
- forma de mensuração;
- categorias utilizadas;
- tempo ou frequência de exposição.
Em estudos qualitativos, a estrutura pode priorizar o fenômeno ou experiência investigada.
Comparador
Quando existe um comparador relevante, ele pode precisar de uma coluna própria.
Exemplos:
- placebo;
- cuidado usual;
- outra intervenção;
- menor nível de exposição;
- grupo não exposto;
- ou outra categoria de referência.
O comparador não deve ser incluído mecanicamente em revisões nas quais essa estrutura não se aplica.
Instrumentos e formas de mensuração
Duas pesquisas podem investigar o mesmo conceito utilizando métodos bastante diferentes.
Considere atividade física:
| Estudo | Mensuração da atividade física |
|---|---|
| EST-A | Questionário autorreferido |
| EST-B | Acelerômetro |
Se a forma de mensuração puder influenciar a interpretação, essa diferença merece permanecer visível.
O mesmo raciocínio vale para escalas, exames, entrevistas, registros, sensores, questionários e outros instrumentos.
Desfechos
Quando a revisão possui mais de um desfecho, pode ser importante indicar qual foi avaliado em cada estudo e como ocorreu a mensuração.
Uma coluna genérica chamada apenas “Desfecho” pode ser suficiente em alguns casos. Em outros, pode ser útil separar:
Desfecho | Instrumento | Momento de avaliação
A decisão depende do quanto essas diferenças são importantes para a síntese.
Principais resultados
O quadro pode apresentar os resultados diretamente relacionados à pergunta da revisão.
Essa coluna exige cuidado porque um único artigo pode conter dezenas de análises.
O objetivo não é reproduzir todas elas, mas selecionar os resultados pertinentes segundo critérios coerentes com o método.
Mais adiante veremos como registrar medidas numéricas, resultados textuais, diferentes momentos de acompanhamento e conclusões sem misturá-los.
Como escolher as colunas do quadro de síntese?
Uma maneira prática de decidir se um campo merece aparecer é submeter cada possível coluna a algumas perguntas.
- Essa informação ajuda a responder à pergunta da revisão?
- Ela é necessária para caracterizar os estudos?
- Ajuda a comparar estudos entre si?
- Pode ajudar a interpretar diferenças nos resultados?
- Será utilizada na síntese ou discussão?
- O leitor precisa dela para compreender o conjunto de evidências?
Quanto mais respostas forem positivas, maior a justificativa para manter o campo.
Na prática: tente completar a frase: “Esta coluna é necessária porque…”. Se não houver uma resposta metodológica ou comunicacional clara, vale reconsiderar sua inclusão.
Classifique os campos antes de montar a versão final
Uma estratégia simples é classificar as informações extraídas em três grupos:
| Categoria | O que significa? | Destino provável |
|---|---|---|
| Essencial | Necessária para caracterizar, comparar ou interpretar | Quadro principal |
| Útil | Pode acrescentar contexto, mas não é indispensável | Avaliar conforme espaço e finalidade |
| Interna | Necessária para controle, rastreabilidade ou conferência | Base de extração |
Essa classificação reduz a tendência de levar toda a planilha para a versão publicada.
Exemplo: de 22 campos para 7 colunas
Imagine que a base de extração possua 22 campos, incluindo:
- ID;
- referência;
- ano;
- país;
- objetivo;
- desenho;
- cenário;
- n recrutado;
- n analisado;
- idade;
- exposição;
- instrumento da exposição;
- desfecho;
- instrumento do desfecho;
- tempo de acompanhamento;
- resultado bruto;
- resultado ajustado;
- intervalo de confiança;
- variáveis de ajuste;
- página da fonte;
- responsável pela extração;
- observações de conferência.
Depois de avaliar a pergunta da revisão, o quadro principal poderia ficar assim:
Autor/ano | País | Desenho | Participantes | Exposição/mensuração | Desfecho/mensuração | Principais resultados
Isso não significa que os outros 15 campos foram considerados inúteis. Eles continuam disponíveis para controle e análise.
Erro comum: interpretar a retirada de uma coluna do quadro como descarte da informação. O dado pode continuar preservado na base mesmo quando não precisa ser exibido ao leitor.
O fluxo entre extração e síntese pode ser visualizado como uma redução planejada: uma base detalhada contém todas as informações necessárias para execução e conferência; depois, os campos relevantes são selecionados e reorganizados em uma estrutura comparativa.

Escolha também a ordem das colunas
Não basta selecionar os campos. A sequência deve facilitar a leitura.
Uma ordem lógica frequentemente vai da identificação para a caracterização e, depois, para os resultados:
Estudo → contexto → desenho → população → intervenção/exposição → desfecho → resultado.
Mas essa sequência pode mudar conforme a pergunta.
Em uma revisão centrada em intervenções, por exemplo, pode ser útil colocar intervenção e comparador próximos. Em uma revisão de escopo, conceito e contexto podem assumir maior destaque.
Combine colunas quando isso melhora a leitura
Alguns campos podem ser apresentados juntos.
Por exemplo:
Participantes
pode reunir:
642 adolescentes; 13–17 anos.
Em vez de criar três colunas:
População | N | Idade
Essa combinação economiza espaço sem necessariamente perder informação.
Separe colunas quando a combinação esconde diferenças
O raciocínio inverso também é válido.
Uma coluna chamada:
Intervenção e resultado
pode misturar informações com funções completamente diferentes.
Se o leitor precisa comparar cada elemento separadamente, mantenha campos distintos.
Visão metodológica: combinar ou separar campos não é apenas uma decisão estética. A estrutura das colunas determina quais comparações o leitor consegue fazer com facilidade.
Quantas colunas um quadro de síntese deve ter?
Não existe um número universal.
O quadro deve equilibrar três objetivos:
completude + comparabilidade + legibilidade.
Se houver poucas colunas, características importantes podem desaparecer. Se houver colunas demais, o quadro se transforma em uma planilha difícil de ler.
Exemplo de modelo mais enxuto
Uma revisão simples pode utilizar:
| Autor/ano | Desenho | Participantes | Objetivo | Principais resultados |
|---|---|---|---|---|
| Estudo A | Transversal | Adolescentes | Avaliar associação entre X e Y | Associação inversa |
Exemplo de modelo mais detalhado
Outra revisão pode precisar de:
| Autor/ano | País | Desenho | Participantes | Exposição/intervenção | Comparador | Desfecho | Instrumento | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Estudo A | Brasil | Coorte | Adolescentes | Atividade física | Menor exposição | Ansiedade | Escala validada | Associação inversa |
Nenhum dos dois modelos é automaticamente superior. A estrutura adequada depende do que precisa ser comparado.
Sinais de que existem colunas demais
Vale reconsiderar o desenho quando:
- o leitor precisa rolar excessivamente para os lados;
- o quadro exige fonte muito pequena;
- várias colunas possuem quase sempre a mesma informação;
- alguns campos nunca são mencionados na síntese;
- existem colunas exclusivamente administrativas;
- as células ficam tão estreitas que cada palavra ocupa uma linha;
- a comparação se torna mais difícil, e não mais fácil.
UX acadêmica: se o leitor precisa ampliar muito a página apenas para descobrir o que cada coluna significa, o quadro provavelmente precisa ser redesenhado.
O que fazer quando o quadro fica muito largo?
Existem várias alternativas antes de simplesmente diminuir a fonte:
- remover campos secundários;
- combinar informações relacionadas;
- encurtar cabeçalhos;
- resumir células;
- explicar abreviações em nota;
- separar características e resultados em duas estruturas;
- manter detalhes secundários na base ou em material complementar, quando aplicável;
- utilizar orientação horizontal se isso for permitido pelas normas institucionais.
Quando dividir em dois quadros?
Uma divisão pode funcionar bem quando existem dois conjuntos de informações com funções distintas.
Por exemplo:
Quadro 1 — Características dos estudos incluídos
com:
Autor | País | Desenho | Participantes | Intervenção/exposição
e:
Quadro 2 — Desfechos e principais resultados
com:
Autor | Desfecho | Instrumento | Momento | Resultado
Essa solução pode melhorar bastante a legibilidade em revisões complexas.
Entretanto, dividir não é automaticamente melhor. Se o leitor precisar alternar constantemente entre duas estruturas para compreender cada estudo, a fragmentação pode prejudicar a comparação.
Teste o quadro antes de preenchê-lo completamente
Antes de montar dezenas de linhas, selecione três ou quatro estudos com características diferentes e faça um teste.
Inclua, se possível:
- um estudo simples;
- um estudo com mais de um grupo;
- um estudo com resultados complexos;
- um estudo com alguma informação ausente ou particularidade metodológica.
Depois pergunte:
- todos cabem na estrutura?
- alguma coluna precisa ser dividida?
- alguma nunca é utilizada?
- os resultados conseguem ser apresentados consistentemente?
- alguma diferença importante está sendo escondida?
Boa prática: testar a estrutura com estudos diferentes antes do preenchimento completo pode evitar a necessidade de reconstruir o quadro quando dezenas de linhas já estiverem prontas.
Uma sequência prática para definir o quadro
- Releia a pergunta da revisão.
- Releia os objetivos.
- Liste os campos existentes na base de extração.
- Marque os campos essenciais para caracterização.
- Marque os campos necessários para comparação.
- Identifique informações importantes para interpretar diferenças.
- Retire campos exclusivamente administrativos da versão apresentada.
- Combine informações que podem coexistir sem perda de clareza.
- Separe campos que representam conceitos diferentes.
- Teste a estrutura com estudos distintos.
Em resumo: o melhor quadro não é o que possui mais colunas. É aquele em que cada coluna tem uma função clara e ajuda o leitor a compreender, comparar ou interpretar os estudos.
Depois de decidir o que será apresentado, chega o núcleo operacional do processo: transformar a base de extração em um quadro preenchido, padronizado, conferido e pronto para apoiar a síntese.
Como montar um quadro de síntese passo a passo?
Depois de decidir quais informações realmente precisam aparecer, o próximo passo é construir o quadro de forma sistemática. Em vez de improvisar durante o preenchimento, é melhor definir primeiro a lógica da estrutura e aplicar regras consistentes aos estudos.
De maneira geral, o processo segue este fluxo:
pergunta e objetivos → base de extração → seleção dos campos → definição das linhas e colunas → padronização → preenchimento → conferência → comparação → síntese.
Nas etapas a seguir, veremos como executar esse processo em 11 passos.

Passo 1 — Volte à pergunta e aos objetivos da revisão
Antes de abrir uma planilha ou inserir uma tabela no editor de texto, releia a pergunta de pesquisa e os objetivos.
Essa etapa evita um problema comum: construir o quadro apenas com base no que os artigos oferecem, em vez de selecionar o que a revisão realmente precisa responder.
Considere esta pergunta didática:
Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?
Nesse caso, algumas informações provavelmente terão alta relevância:
- características dos adolescentes;
- desenho dos estudos;
- forma de avaliar atividade física;
- instrumento utilizado para avaliar ansiedade;
- tempo de acompanhamento, quando houver;
- medidas de associação;
- direção dos resultados.
Já informações administrativas ou detalhes que não contribuem para responder à pergunta podem permanecer apenas na base interna.
Boa prática: use a pergunta da revisão como o principal filtro para decidir o que merece espaço no quadro.
Passo 2 — Abra e confira a base de extração de dados
O quadro não deve ser montado de memória nem a partir de uma leitura superficial dos artigos.
O ponto de partida deve ser, sempre que possível, a base em que as informações foram extraídas e conferidas.
Se essa etapa ainda não foi concluída, consulte o guia sobre como extrair dados dos artigos científicos.
A base pode conter muito mais informação do que aparecerá no quadro. Isso é esperado.
Pense nela como um repositório detalhado. O quadro será uma seleção organizada desse material.
Passo 3 — Identifique as informações realmente úteis para comparação
Revise os campos da base e pergunte qual função cada um possui.
Uma classificação prática é:
- caracterização;
- comparação;
- interpretação;
- controle interno.
Os três primeiros grupos tendem a fornecer candidatos para o quadro. O quarto normalmente permanece apenas na base.
| Campo da base | Função | Vai para o quadro? |
|---|---|---|
| Autor/ano | Identificação | Frequentemente, sim |
| Desenho | Comparação metodológica | Frequentemente, sim |
| Instrumento de atividade física | Comparação da mensuração | Sim, se relevante à pergunta |
| Página onde o resultado foi localizado | Rastreabilidade interna | Não necessariamente |
| Responsável pela extração | Controle interno | Normalmente, não |
O objetivo é preservar na apresentação aquilo que ajuda a compreender os estudos, sem perder na base as informações necessárias para rastreabilidade.
Passo 4 — Defina o que cada linha representa
Na maioria dos quadros de caracterização, cada linha representa um estudo e cada coluna representa uma característica.
Mas essa estrutura precisa ser definida conscientemente.
Antes de preencher, pergunte:
- cada linha representa um estudo?
- um relatório?
- um grupo?
- uma comparação?
- um desfecho?
- ou outra unidade?
Essa decisão é especialmente importante quando existem estudos com múltiplos grupos, diferentes momentos de acompanhamento ou mais de uma publicação.
Um estudo pode ter mais de um relatório
Considere um estudo longitudinal que gere duas publicações:
- R1 descreve a população e os dados de atividade física;
- R2 apresenta posteriormente os resultados de ansiedade.
Se R1 e R2 forem tratados automaticamente como dois estudos independentes, a mesma população pode aparecer duplicada.
Uma solução é manter um identificador comum:
EST-C → relatórios R1 e R2.
Atenção: não altere a unidade de apresentação de forma inconsistente no meio do quadro. Se algumas linhas representam estudos e outras representam publicações ou resultados isolados, a comparação pode ficar confusa e produzir duplicações.
Passo 5 — Defina as colunas e sua ordem lógica
Depois de definir o que cada linha representa, organize as colunas.
Uma sequência possível é:
Estudo | País | Desenho | Participantes | Exposição | Desfecho | Resultado
Mas essa estrutura deve ser adaptada à pergunta.
Em uma revisão de intervenção, pode ser mais apropriado:
Estudo | Participantes | Intervenção | Comparador | Desfecho | Seguimento | Resultado
Em uma revisão de escopo, pode ser útil priorizar:
Estudo | País | População | Conceito | Contexto | Método | Principais achados
A ordem deve permitir que o leitor avance da identificação e caracterização para as informações que serão comparadas.
Passo 6 — Padronize nomes, categorias e unidades
Os estudos raramente utilizam exatamente a mesma terminologia.
Um artigo pode escrever:
- cross-sectional study;
- estudo transversal;
- cross-sectional survey.
Quando os termos realmente representam o mesmo desenho, pode ser útil adotar uma nomenclatura comum, como:
Estudo transversal.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a:
- países;
- unidades;
- faixas etárias;
- nomes de instrumentos;
- abreviações;
- categorias de exposição.
Entretanto, dois termos parecidos não devem ser fundidos automaticamente se representarem conceitos diferentes.
Visão metodológica: padronizar significa tornar a apresentação consistente; não significa apagar diferenças relevantes entre os estudos.
Passo 7 — Condense as informações sem distorcer o significado
Um quadro precisa ser compacto, mas não pode simplificar a ponto de alterar o conteúdo.
Considere:
Versão extensa:
Participaram 642 adolescentes entre 13 e 17 anos matriculados em cinco escolas públicas.
Versão condensada:
642 adolescentes; 13–17 anos; escolas públicas.
A informação central é preservada, mas se torna muito mais fácil de comparar.
O mesmo princípio pode ser utilizado para objetivos, métodos e resultados.
Erro comum: copiar longos trechos dos artigos para dentro das células. Isso transforma o quadro em uma coleção de pequenos parágrafos e reduz sua função comparativa.
Passo 8 — Preserve diferenças metodologicamente importantes
Condensar não significa tornar artificialmente iguais estudos que foram conduzidos de formas diferentes.
Imagine duas pesquisas sobre atividade física:
- uma utiliza questionário autorreferido;
- outra utiliza acelerômetro.
Se o quadro registrar apenas:
Atividade física avaliada
a diferença desaparece.
Uma apresentação mais informativa seria:
| Estudo | Avaliação da atividade física |
|---|---|
| EST-A | Questionário autorreferido |
| EST-B | Acelerômetro |
Essa diferença pode ser importante posteriormente para interpretar os resultados.
Vale lembrar: o quadro deve simplificar a forma de apresentação sem simplificar indevidamente a metodologia.
Passo 9 — Defina uma ordem lógica para os estudos
A sequência das linhas também influencia a leitura.
Algumas possibilidades são:
- ordem alfabética por autor;
- ordem cronológica;
- por desenho metodológico;
- por população;
- por intervenção ou exposição;
- por categoria temática;
- por outra lógica analítica definida para a revisão.
Não existe uma ordem universalmente melhor.
Se o objetivo for evidenciar mudanças ao longo do tempo, a ordem cronológica pode ser útil. Se a comparação central envolver diferentes desenhos, agrupá-los metodologicamente pode facilitar a leitura.
Na prática: escolha uma ordem que ajude o leitor a perceber padrões, e não apenas a ordem que foi mais conveniente durante o preenchimento.
Passo 10 — Confira cada célula contra a base de extração
Depois do preenchimento, o quadro precisa passar por controle de qualidade.
Confira especialmente:
- números;
- unidades;
- nomes de instrumentos;
- desenho do estudo;
- tamanho da amostra;
- tempo de acompanhamento;
- direção dos resultados;
- medidas de associação;
- intervalos de confiança;
- informações condensadas.
O ideal é comparar o quadro com a base de extração e, quando houver dúvida ou inconsistência, retornar à fonte original.
Erros podem surgir durante a transferência de valores, a reorganização das colunas ou a condensação de informações.
Boa prática: trate o quadro como um produto que precisa de controle de qualidade, não como uma simples etapa de formatação.
Passo 11 — Revise como leitor e use o quadro para orientar a síntese
A última revisão possui dois objetivos: verificar a legibilidade e observar o que o conjunto de estudos começa a revelar.
Primeiro, examine a apresentação:
- os cabeçalhos são claros?
- as abreviações estão explicadas?
- as células estão muito longas?
- existem colunas redundantes?
- as unidades estão explícitas?
- as categorias são consistentes?
- o leitor consegue comparar as linhas sem esforço excessivo?
Depois, leia o quadro como um conjunto de evidências:
- quais características predominam?
- quais estudos são semelhantes?
- quais são muito diferentes?
- os resultados convergem?
- há divergências?
- as diferenças acompanham mudanças de população, desenho ou mensuração?
- existem lacunas?
Essas perguntas ajudam a transformar uma coleção de artigos em uma síntese estruturada.
Em resumo: montar um quadro de síntese envolve partir da pergunta, trabalhar sobre uma base de extração confiável, selecionar campos, definir linhas e colunas, padronizar informações, condensar sem distorcer, preservar diferenças relevantes, preencher consistentemente, conferir os dados e utilizar a estrutura para orientar a síntese.
Como resumir informações sem perder o sentido?
Uma boa síntese reduz palavras, mas não reduz significado.
O desafio é encontrar a menor forma capaz de preservar as informações necessárias para compreender e comparar o estudo.
Exemplo 1 — Participantes
Versão extensa:
O estudo incluiu adolescentes de 13 a 17 anos matriculados em escolas públicas de uma capital brasileira.
Versão condensada:
Adolescentes de 13–17 anos; escolas públicas.
Exemplo 2 — Instrumento
Versão extensa:
A atividade física foi mensurada por meio de questionário autorreferido previamente validado para a população estudada.
Versão condensada:
Questionário autorreferido validado.
Exemplo 3 — Resultado
Versão extensa:
Após ajuste para idade, sexo e duração do sono, níveis mais altos de atividade física permaneceram associados a menor ocorrência de sintomas de ansiedade.
Versão condensada:
Maior atividade física associada a menos sintomas de ansiedade após ajuste.
Se a medida quantitativa for importante, ela pode acompanhar a descrição:
OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94.
O que não deve desaparecer durante a condensação?
Dependendo da pergunta, alguns elementos podem alterar substancialmente a interpretação se forem omitidos:
- se o resultado é bruto ou ajustado;
- qual grupo foi utilizado como referência;
- qual momento de acompanhamento está sendo apresentado;
- qual instrumento foi utilizado;
- qual população foi analisada;
- qual medida está sendo apresentada;
- qual a direção do resultado.
Atenção: resumir um resultado como “houve efeito positivo” pode ser inadequado se o estudo apenas identificou uma associação observacional. A linguagem do quadro deve respeitar o desenho e o que os dados realmente permitem afirmar.
Como padronizar informações entre os estudos?
Uma das funções do quadro é facilitar a comparação. Para isso, informações equivalentes precisam ser apresentadas de maneira consistente.
Imagine que três registros apresentem o país como:
- Brasil;
- Brazil;
- BR.
Na versão final, pode ser mais claro utilizar:
Brasil.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a:
- nomes de desenhos;
- siglas;
- unidades;
- formas de escrever faixas etárias;
- nomes de instrumentos;
- categorias de exposição.
Padronizar não é recodificar sem justificativa
É importante distinguir padronização de reclassificação.
Imagine que um estudo defina “alta atividade física” como mais de 300 minutos por semana e outro utilize um ponto de corte diferente.
Apresentar ambos simplesmente como:
Alta atividade física
pode criar a impressão de que as categorias são equivalentes.
Se a diferença de definição for importante para interpretar os resultados, ela deve permanecer visível.
Visão metodológica: quanto mais importante uma definição for para a interpretação, menos apropriado é escondê-la atrás de uma categoria genérica.
Como lidar com informações ausentes?
Informações ausentes devem ser tratadas explicitamente.
Uma célula vazia pode significar várias coisas:
- o estudo não informou;
- a informação não se aplica;
- o dado não foi avaliado;
- a informação ainda não foi localizada;
- o dado estava indisponível.
Por isso, deixar a célula simplesmente vazia pode criar ambiguidade.
Defina códigos para situações diferentes
Uma possibilidade é utilizar:
- NI = não informado;
- NA = não aplicável.
Os códigos utilizados devem ser explicados em nota ou legenda.
| Estudo | Tempo de acompanhamento |
|---|---|
| EST-A | NA |
| EST-B | 12 meses |
| EST-C | NI |
Nesse exemplo, EST-A pode ser um estudo transversal, portanto o acompanhamento não se aplica. Já EST-C pode possuir uma estrutura longitudinal, mas o período não ter sido informado no material consultado.
São situações metodologicamente diferentes e não deveriam ser representadas da mesma maneira.
Uma célula vazia não significa zero
Esse cuidado é especialmente importante quando o quadro contém dados numéricos.
Ausência de informação não deve ser convertida automaticamente em:
0
Zero é um valor. “Não informado” representa ausência de informação.
Confundir os dois pode alterar a interpretação.
Erro comum: deixar células vazias sem legenda e obrigar o leitor a adivinhar se o dado não existe, não se aplica, não foi informado ou apenas não foi preenchido.
Em resumo: padronize aquilo que é equivalente, preserve aquilo que é metodologicamente diferente e identifique explicitamente aquilo que está ausente. Essa combinação melhora a comparabilidade sem criar falsa uniformidade entre os estudos.
Com o quadro estruturado, padronizado e preenchido, chegamos a uma das decisões mais delicadas: como selecionar e apresentar os principais resultados sem confundir dado, interpretação e conclusão dos autores.
Como colocar os principais resultados no quadro de síntese?
A coluna de resultados costuma ser uma das mais difíceis de preencher. Um único artigo pode apresentar diversos desfechos, análises, modelos estatísticos, subgrupos e momentos de acompanhamento. Tentar colocar tudo no quadro pode torná-lo ilegível; selecionar sem critérios, por outro lado, pode distorcer o que o estudo realmente mostrou.
Por isso, antes de preencher essa coluna, defina regras coerentes com a pergunta e o método da revisão.
O que significa “principal resultado”?
No contexto de um quadro de síntese, o principal resultado não é necessariamente aquele que recebeu maior destaque no resumo ou na discussão do artigo.
Ele deve ser entendido como o resultado relevante para a pergunta e para os objetivos da revisão.
Imagine que um estudo tenha avaliado:
- atividade física;
- qualidade do sono;
- ansiedade;
- depressão;
- desempenho escolar;
- qualidade de vida.
Se a revisão investiga especificamente a relação entre atividade física e ansiedade, não existe obrigação de transportar para o quadro todos os demais resultados apenas porque aparecem no artigo.
Boa prática: selecione resultados de acordo com a pergunta da revisão, e não de acordo com a quantidade de resultados que o artigo oferece.
Defina previamente quais resultados terão prioridade
Dependendo do tipo de revisão, pode ser necessário decidir:
- qual desfecho será priorizado;
- qual medida será utilizada;
- se resultados brutos ou ajustados serão apresentados;
- qual momento de acompanhamento será considerado;
- como serão tratados diferentes modelos estatísticos;
- como resultados não comparáveis serão descritos.
Essas decisões não devem ser tomadas simplesmente escolhendo, em cada artigo, o resultado que parece mais interessante.
Atenção: escolher retrospectivamente apenas a análise mais forte, o resultado estatisticamente significativo ou o momento mais favorável pode introduzir uma seleção inadequada dos resultados. A lógica de apresentação deve ser coerente com o protocolo, os objetivos e o método da revisão.
Como apresentar um resultado quantitativo?
Quando a magnitude e a precisão forem importantes, pode ser útil apresentar a medida numérica.
Por exemplo:
OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94.
Dependendo do contexto, também pode ser necessário informar:
- grupo de referência;
- unidade da medida;
- momento de acompanhamento;
- variáveis utilizadas no ajuste;
- qual desfecho está sendo representado.
Nem todos esses elementos precisam ocupar a mesma célula. O quadro deve preservar aquilo que é necessário para interpretar corretamente o resultado.
Como apresentar resultados qualitativos?
Em estudos qualitativos, a lógica é diferente. Em vez de medidas de associação, o quadro pode registrar:
- temas;
- categorias;
- experiências;
- percepções;
- barreiras;
- facilitadores;
- outros achados relevantes à pergunta.
A síntese deve continuar fiel ao estudo, evitando transformar achados complexos em frases tão genéricas que percam seu significado.
Evite reduzir resultados a “significativo” ou “não significativo”
Uma célula contendo apenas:
Significativo
ou:
Não significativo
geralmente fornece pouca informação sobre o resultado.
Quando pertinente, é mais útil registrar a direção e a magnitude do achado, juntamente com medidas de precisão ou outras informações necessárias para interpretá-lo.
Visão metodológica: a função do quadro não é transformar cada estudo em um resultado binário. O leitor precisa compreender o que foi observado, em que direção e sob quais condições relevantes.
Como lidar com vários momentos de acompanhamento?
Um estudo pode apresentar resultados em:
- 3 meses;
- 6 meses;
- 12 meses;
- 24 meses.
Não existe uma solução universal. Dependendo da pergunta e do método, pode-se:
- apresentar todos os momentos relevantes;
- priorizar um momento previamente definido;
- criar colunas específicas;
- resumir a trajetória quando isso for metodologicamente apropriado;
- manter resultados adicionais em outra estrutura.
O importante é que a escolha seja consistente entre os estudos e compreensível para o leitor.
Posso colocar a conclusão dos autores no quadro de síntese?
Pode haver situações em que a conclusão dos autores seja útil, mas ela não deve ser confundida com o resultado do estudo.
Considere:
Resultado:
OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94.
Interpretação possível dos autores:
Maior atividade física esteve associada a menor ocorrência de sintomas de ansiedade.
Conclusão mais ampla:
Os autores podem discutir implicações para promoção da saúde, mecanismos possíveis ou recomendações para pesquisas futuras.
Essas três camadas não são equivalentes.
Quando a conclusão pode ser útil?
Ela pode ser relevante quando:
- a pergunta da revisão envolve perspectivas ou interpretações;
- o método prevê a extração dessa informação;
- a conclusão acrescenta algo necessário à compreensão;
- o tipo de síntese exige esse campo.
Em outros casos, uma coluna de conclusão apenas repete os resultados em linguagem diferente e aumenta o tamanho do quadro sem acrescentar informação.
Evite copiar a conclusão literalmente
Se a conclusão for incluída, prefira uma síntese fiel e concisa, mantendo a distinção entre o que foi observado e como os autores interpretaram os achados.
Erro comum: preencher a coluna “principais resultados” copiando a conclusão do resumo do artigo. A conclusão é uma interpretação dos achados e pode incorporar argumentos que vão além do resultado específico relevante para sua revisão.
Devo colocar números ou escrever os resultados em palavras?
Não existe uma regra única. A escolha depende do tipo de dado, da pergunta e da função do quadro.
| Situação | Apresentação que pode ser útil |
|---|---|
| Magnitude de uma associação | Medida numérica acompanhada das informações necessárias à interpretação |
| Direção geral do resultado | Descrição textual concisa |
| Comparação entre grupos | Valores, diferenças ou medidas de efeito, conforme o método |
| Resultado qualitativo | Tema, categoria ou achado sintetizado em palavras |
| Estudos muito heterogêneos | Descrição textual pode facilitar uma visão geral, desde que não elimine diferenças importantes |
| Vários momentos de acompanhamento | Valores ou descrições identificados pelo respectivo momento |
Números podem preservar informações importantes
Considere estas duas formas:
Forma 1:
Maior atividade física associada a menor ansiedade.
Forma 2:
Maior atividade física associada a menor ocorrência de sintomas de ansiedade; OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94.
A segunda apresenta mais elementos para interpretar magnitude e precisão.
Isso não significa que todo quadro precise conter estimativas detalhadas. A necessidade depende da finalidade da síntese.
Palavras podem facilitar a comparação de estudos heterogêneos
Quando os estudos utilizam medidas muito diferentes, uma descrição textual pode ajudar a oferecer uma visão geral.
Por exemplo:
- associação inversa;
- associação positiva;
- não foi identificada associação;
- resultados divergentes entre subgrupos.
Essas categorias devem ser utilizadas com cuidado e não substituir informações quantitativas quando magnitude, precisão ou método de análise forem essenciais.
Use linguagem compatível com o desenho do estudo
Esse cuidado é indispensável.
Se um estudo observacional encontrou uma associação entre maior atividade física e menos sintomas de ansiedade, o quadro não deveria automaticamente transformar isso em:
Atividade física reduziu a ansiedade.
Uma formulação mais fiel seria:
Maior atividade física esteve associada a menos sintomas de ansiedade.
Atenção: condensar não autoriza fortalecer a linguagem causal. O texto do quadro deve respeitar o desenho, a análise e as limitações do estudo original.
Exemplo de quadro de síntese pronto
Agora vamos reunir as decisões anteriores em um exemplo completo.
Considere uma revisão fictícia com a seguinte pergunta:
Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?
Os estudos abaixo são inteiramente fictícios e utilizados apenas para fins didáticos. Os valores não devem ser interpretados como evidência científica real.
Estudo EST-A
- País: Brasil.
- Desenho: transversal.
- Participantes: 642 adolescentes, 13–17 anos.
- Atividade física: questionário autorreferido.
- Ansiedade: escala validada.
- Resultado: OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94.
- Referência: menor nível de atividade física.
- Ajustes: idade, sexo e duração do sono.
Estudo EST-B
- País: Canadá.
- Desenho: coorte.
- Participantes: 510 recrutados; 472 analisados.
- Atividade física: acelerômetro.
- Ansiedade: instrumento padronizado.
- Acompanhamento: 6 e 12 meses.
- Regra da revisão: priorizar resultado de 12 meses.
- Resultado: maior atividade física associada a menos sintomas de ansiedade aos 12 meses.
Estudo EST-C
- País: Espanha.
- Desenho: longitudinal.
- Participantes: 380 adolescentes.
- Relatório R1: descreve população e mensuração da atividade física.
- Relatório R2: apresenta resultados relacionados à ansiedade.
- Unidade da revisão: EST-C representa um único estudo, apesar dos dois relatórios.
Como esses dados podem aparecer no quadro?
| Estudo | País | Desenho | Participantes | Atividade física | Ansiedade | Principal resultado |
|---|---|---|---|---|---|---|
| EST-A | Brasil | Transversal | 642 adolescentes; 13–17 anos | Questionário autorreferido | Escala validada | Maior atividade física associada a menos sintomas; OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94 |
| EST-B | Canadá | Coorte | 510 recrutados; 472 analisados | Acelerômetro | Instrumento padronizado | Maior atividade física associada a menos sintomas aos 12 meses |
| EST-C | Espanha | Longitudinal | 380 adolescentes | Informação obtida no relatório R1 | Resultado obtido no relatório R2 | Relatórios vinculados ao mesmo estudo para composição das informações |
Esse exemplo mostra que o quadro não precisa fazer os estudos parecerem idênticos.
Pelo contrário, ele torna visíveis diferenças que podem ser relevantes:
- EST-A é transversal;
- EST-B possui acompanhamento;
- a atividade física foi mensurada de formas diferentes;
- EST-B possui diferença entre número recrutado e analisado;
- EST-C possui múltiplos relatórios relacionados ao mesmo estudo.
Visão metodológica: um quadro útil permite comparar o que é comparável e, ao mesmo tempo, enxergar aquilo que não deve ser tratado como equivalente.
O exemplo poderia utilizar outras colunas?
Sim.
Se o objetivo exigisse maior detalhamento, poderíamos acrescentar:
- faixa etária;
- tempo de acompanhamento;
- grupo de referência;
- variáveis de ajuste;
- instrumento específico;
- outras características metodologicamente relevantes.
Se a revisão tivesse uma finalidade mais descritiva, talvez fosse possível utilizar menos campos.
É exatamente por isso que um modelo pronto deve ser adaptado, e não copiado mecanicamente.
Na prática: utilize o exemplo como uma demonstração da lógica de construção. Antes de reproduzir suas colunas, pergunte quais delas realmente respondem às necessidades da sua revisão.
Como passar da extração de dados para o quadro de síntese?
Essa transição é mais fácil quando a base de extração foi construída de maneira organizada.
O fluxo pode ser resumido assim:
base detalhada → seleção de campos → padronização → condensação → conferência → quadro comparativo.
A base permanece completa. O quadro apresenta uma seleção planejada.
Exemplo de base detalhada
Considere que EST-A possua os seguintes campos na planilha:
| Campo | Registro |
|---|---|
| ID | EST-A |
| País | Brasil |
| Desenho | Transversal |
| População | Adolescentes |
| Idade | 13–17 anos |
| N analisado | 642 |
| Exposição | Atividade física |
| Mensuração da exposição | Questionário autorreferido |
| Desfecho | Sintomas de ansiedade |
| Mensuração do desfecho | Escala validada |
| Medida | OR ajustada |
| Estimativa | 0,74 |
| IC95% | 0,58–0,94 |
| Grupo de referência | Menor atividade física |
| Ajustes | Idade, sexo e duração do sono |
| Localização da informação | Registrada na base para conferência |
Essa estrutura é útil para rastreabilidade e análise, mas pode ser detalhada demais para o quadro principal.
Exemplo de versão condensada
| Estudo | Desenho | Participantes | Exposição | Desfecho | Resultado |
|---|---|---|---|---|---|
| EST-A | Transversal | 642 adolescentes; 13–17 anos | Atividade física por questionário autorreferido | Ansiedade por escala validada | Maior atividade física associada a menos sintomas; OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94 |
A informação foi reduzida de 16 campos para seis colunas, mas os dados originais continuam preservados na base.
A redução precisa ser reversível
Esse é um princípio importante.
Ao encontrar no quadro:
OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94
o pesquisador deve conseguir retornar à base e identificar:
- qual estudo gerou o valor;
- qual análise foi utilizada;
- qual grupo serviu como referência;
- quais ajustes foram realizados;
- onde a informação foi localizada.
Essa rastreabilidade reduz o risco de um valor permanecer no quadro sem que seja possível reconstruir sua origem.
Boa prática: condensar para apresentação e preservar para verificação são objetivos complementares. O quadro pode ser enxuto porque a base continua detalhada.
O quadro também pode revelar problemas na extração
Ao colocar os estudos lado a lado, podem surgir inconsistências que não eram evidentes durante a extração individual.
Por exemplo:
- um estudo possui tamanho de amostra sem indicar se é recrutado ou analisado;
- outro não informa claramente o instrumento;
- uma categoria foi registrada com nomes diferentes;
- um resultado parece utilizar unidade diferente;
- dois relatórios parecem pertencer ao mesmo estudo;
- um campo importante está vazio apenas em alguns registros.
Nesse momento, não é adequado simplesmente “corrigir” o quadro por suposição.
O procedimento é voltar à base e, se necessário, ao artigo ou relatório correspondente.
Atenção: quando o quadro revela uma inconsistência, corrija primeiro a fonte de trabalho — a base de extração — e depois atualize a apresentação. Isso evita que base e quadro passem a conter versões diferentes da mesma informação.
Do quadro preenchido para a análise
Depois de selecionar, condensar, padronizar e conferir as informações, o quadro deixa de ser apenas um produto de apresentação e passa a funcionar como uma ferramenta para observar o conjunto.
É possível começar a perguntar:
- quais desenhos predominam?
- as populações são semelhantes?
- os instrumentos são comparáveis?
- os resultados apontam na mesma direção?
- determinadas diferenças metodológicas acompanham resultados diferentes?
- quais lacunas aparecem?
Essas perguntas marcam a passagem da organização dos estudos para a síntese propriamente dita.
Em resumo: a planilha detalhada preserva a informação; o quadro seleciona e organiza; a conferência garante fidelidade; e a comparação prepara o caminho para a síntese. Nenhuma dessas etapas precisa substituir a anterior.
A partir daqui, o desafio muda: em vez de perguntar apenas “como preencher o quadro?”, precisamos entender “como ler o quadro como um conjunto e transformar as comparações em uma síntese acadêmica coerente?”.
Como analisar um quadro de síntese?
Depois que o quadro está preenchido e conferido, começa uma etapa diferente: observar o conjunto de estudos.
Até esse momento, boa parte do trabalho ocorreu estudo por estudo. Cada artigo foi avaliado, suas informações foram extraídas e os campos relevantes foram organizados.
Agora, a perspectiva precisa mudar.
Em vez de perguntar apenas:
“O que este estudo encontrou?”
comece a perguntar:
“O que consigo perceber quando observo todos os estudos em conjunto?”
Essa mudança é fundamental para que o quadro deixe de ser apenas uma estrutura de apresentação e passe a apoiar efetivamente a síntese.
Observe quais desenhos predominam
Comece verificando como os estudos foram conduzidos.
Por exemplo:
- a maioria é transversal?
- existem estudos longitudinais?
- há ensaios clínicos?
- predominam estudos qualitativos?
- existem desenhos muito diferentes sendo analisados conjuntamente?
Essa caracterização importa porque desenhos diferentes permitem responder a perguntas diferentes e possuem limitações distintas.
Se praticamente toda a evidência for transversal, por exemplo, isso deve ser considerado ao interpretar relações temporais ou utilizar linguagem causal.
Visão metodológica: não observe apenas se os resultados “concordam”. Primeiro verifique que tipos de estudos estão produzindo esses resultados.
Compare as populações
Estudos sobre um mesmo tema podem envolver populações bastante diferentes.
Observe:
- faixas etárias;
- condições clínicas;
- contextos sociais;
- níveis educacionais;
- locais de recrutamento;
- outros critérios relevantes à pergunta.
Dois estudos podem avaliar aparentemente a mesma relação e, ainda assim, investigar grupos pouco comparáveis.
Essa heterogeneidade não deve ser escondida apenas para produzir uma conclusão mais uniforme.
Compare as formas de mensuração
O quadro também permite verificar se os estudos mediram os conceitos de maneira semelhante.
No exemplo didático anterior:
- EST-A avaliou atividade física por questionário autorreferido;
- EST-B utilizou acelerômetro.
Ambos investigam atividade física, mas os métodos de mensuração são diferentes.
O mesmo pode ocorrer com:
- escalas diagnósticas;
- questionários;
- exames laboratoriais;
- entrevistas;
- registros administrativos;
- pontos de corte;
- definições de exposição;
- momentos de avaliação.
Quando essas diferenças forem relevantes, elas devem entrar na interpretação.
Observe a direção e a magnitude dos resultados
Dependendo dos dados disponíveis, pergunte:
- os resultados apontam predominantemente na mesma direção?
- existem resultados divergentes?
- as magnitudes são semelhantes?
- as estimativas possuem diferentes níveis de precisão?
- há resultados que mudam conforme população, desenho ou mensuração?
A resposta não precisa ser transformada imediatamente em uma conclusão definitiva. O objetivo inicial é reconhecer o padrão.
Procure relações entre características e resultados
Uma das vantagens do quadro é permitir cruzar visualmente diferentes características.
Por exemplo:
- estudos com mensuração objetiva apresentam resultados diferentes daqueles com questionários?
- estudos longitudinais mostram padrão diferente dos transversais?
- determinada população concentra resultados divergentes?
- o tempo de acompanhamento parece acompanhar mudanças nos achados?
Essas observações podem gerar hipóteses interpretativas, mas precisam ser feitas com cautela.
Atenção: identificar visualmente um padrão no quadro não prova que determinada característica causou a diferença entre os resultados. O quadro ajuda a formular e organizar comparações; a interpretação precisa respeitar o método e as limitações dos estudos.
Procure lacunas
O quadro também pode mostrar o que está ausente no corpo de evidências.
Por exemplo:
- poucos estudos longitudinais;
- ausência de determinadas populações;
- concentração geográfica;
- poucos estudos utilizando medidas objetivas;
- falta de acompanhamento de longo prazo;
- determinados desfechos pouco investigados.
Essas lacunas podem ser relevantes na discussão e na indicação de necessidades para pesquisas futuras, desde que sejam descritas de maneira compatível com o escopo da revisão.
Não transforme a análise em contagem de significância estatística
Uma abordagem superficial seria contar:
- 8 estudos com resultado estatisticamente significativo;
- 4 sem significância estatística;
- logo, “a maioria comprova” determinada hipótese.
Esse raciocínio ignora diferenças de:
- tamanho da amostra;
- precisão;
- desenho;
- qualidade metodológica;
- mensuração;
- estimativas;
- população;
- risco de viés;
- outros fatores relevantes.
Além disso, ausência de significância estatística não equivale automaticamente a evidência de ausência de efeito ou associação.
Erro comum: utilizar o quadro apenas para contar quantos estudos “deram positivo” ou “deram negativo”. A síntese exige interpretar características e resultados, não apenas somar conclusões.
Um exercício simples para começar a análise
Depois de preencher o quadro, crie três perguntas:
- O que se repete?
- O que varia?
- O que está faltando?
Em seguida, acrescente:
- essas repetições aparecem em estudos metodologicamente semelhantes?
- as variações podem estar relacionadas a diferenças importantes?
- as lacunas limitam o que a revisão consegue responder?
Na prática: marque temporariamente no quadro características recorrentes, diferenças e ausências. Depois transforme essas observações em categorias de comparação antes de começar a redigir os resultados.
Como transformar o quadro de síntese em texto?
Um dos erros mais frequentes na redação de revisões é montar um bom quadro e, em seguida, escrever novamente um resumo independente de cada artigo.
O resultado costuma ser uma sequência como:
Silva et al. encontraram…
Souza et al. observaram…
Pereira et al. verificaram…
Oliveira et al. concluíram…
Essa estrutura pode descrever os estudos, mas nem sempre produz uma síntese.
A alternativa é organizar a narrativa em torno das relações entre os estudos.
Organize a redação por padrões
Dependendo da revisão, a síntese pode ser estruturada por:
- temas;
- populações;
- desenhos metodológicos;
- intervenções;
- exposições;
- desfechos;
- instrumentos;
- momentos de acompanhamento;
- direção dos resultados;
- outras categorias justificadas pelo método.
Em vez de dedicar um parágrafo a cada estudo, o texto passa a apresentar o que o conjunto revela.
Exemplo de descrição artigo por artigo
Considere novamente os estudos fictícios sobre atividade física e ansiedade.
Uma redação predominantemente descritiva poderia ser:
EST-A encontrou associação inversa entre atividade física e sintomas de ansiedade. EST-B também encontrou associação inversa aos 12 meses. EST-C avaliou atividade física e ansiedade em dois relatórios.
A informação não está necessariamente errada, mas a comparação ainda é limitada.
Exemplo de síntese comparativa
Uma redação mais analítica poderia ser:
Os estudos apresentaram tendência de associação inversa entre atividade física e sintomas de ansiedade, embora tenham utilizado desenhos e métodos de mensuração distintos. EST-A avaliou atividade física por questionário autorreferido em delineamento transversal, enquanto EST-B empregou acelerometria em uma coorte com acompanhamento de 12 meses. Essa heterogeneidade metodológica deve ser considerada na interpretação conjunta dos resultados.
A segunda versão não apenas informa o que cada estudo encontrou. Ela mostra:
- o padrão geral;
- as diferenças metodológicas;
- e a implicação dessas diferenças para a interpretação.
Visão metodológica: sintetizar significa relacionar estudos, e não apenas colocá-los em sequência.
Como apresentar convergências?
Quando vários estudos apontam na mesma direção, a narrativa pode destacar essa convergência sem afirmar que todos são equivalentes.
Por exemplo:
Os estudos apresentaram resultados predominantemente na mesma direção, com maior exposição associada a menor ocorrência do desfecho. Entretanto, houve variação nos desenhos, instrumentos e estratégias de mensuração.
Esse tipo de redação preserva simultaneamente o padrão e a heterogeneidade.
Como apresentar divergências?
Resultados diferentes não precisam ser tratados como um problema a ser eliminado.
Eles podem ser uma informação importante.
Uma narrativa poderia dizer:
Embora parte dos estudos tenha identificado associação inversa, outros apresentaram resultados distintos. As pesquisas divergiram quanto ao desenho, à população e à mensuração da exposição, características que precisam ser consideradas ao interpretar a heterogeneidade dos achados.
O objetivo não é inventar uma explicação para a divergência, mas identificar fatores que possam ser relevantes para compreendê-la.
Não repita no texto tudo o que já está no quadro
Se o quadro informa país, tamanho da amostra, desenho, instrumento e resultado de cada estudo, o texto não precisa reproduzir cada célula.
A narrativa deve selecionar aquilo que é importante para:
- caracterizar o conjunto;
- comparar estudos;
- destacar padrões;
- explicar diferenças relevantes;
- apresentar lacunas;
- responder à pergunta da revisão.
Boa prática: use o quadro para detalhes comparáveis e o texto para relações, padrões e interpretação. Isso reduz repetição e melhora a função de cada formato.
Não extrapole o que os estudos permitem afirmar
A síntese precisa respeitar as limitações dos estudos incluídos.
Se a maioria dos estudos é observacional, por exemplo, uma associação consistente não deve ser automaticamente transformada em uma relação causal.
Da mesma forma, a existência de um padrão visual no quadro não elimina questões relacionadas a:
- risco de viés;
- qualidade ou certeza da evidência, quando aplicável;
- heterogeneidade;
- imprecisão;
- confundimento;
- limitações da mensuração;
- aplicabilidade dos resultados.
Esses aspectos devem ser tratados conforme o método da revisão.
Do quadro para um roteiro de escrita
Uma maneira prática de iniciar a redação é seguir esta sequência:
- Descreva brevemente o conjunto de estudos.
- Identifique as características predominantes.
- Agrupe estudos quando houver justificativa.
- Apresente padrões de resultados.
- Destaque divergências relevantes.
- Relacione diferenças metodológicas à interpretação quando apropriado.
- Identifique lacunas.
- Evite conclusões que ultrapassem os dados disponíveis.
Em resumo: o quadro responde principalmente “como os estudos se organizam e se comparam?”. A síntese textual deve avançar para “o que esse conjunto mostra, onde converge, onde diverge e quais características precisam ser consideradas na interpretação?”.
O quadro de síntese muda conforme o tipo de revisão?
Sim. A lógica de organização deve acompanhar o objetivo e o método da revisão.
Não faz sentido obrigar uma revisão sistemática de intervenção, uma revisão integrativa, uma revisão de escopo e uma revisão narrativa a utilizarem exatamente as mesmas colunas.
Antes de escolher um modelo, é importante compreender a diferença entre os principais tipos de revisão.
Quadro de síntese em revisão sistemática
Em uma revisão sistemática, o quadro pode precisar representar características diretamente relacionadas à elegibilidade, à comparação dos estudos e à síntese planejada.
Dependendo da pergunta, podem ser relevantes:
- desenho;
- participantes;
- intervenção ou exposição;
- comparador;
- desfechos;
- instrumentos;
- momentos de acompanhamento;
- resultados relevantes.
A estrutura deve estar alinhada ao protocolo e ao método utilizado.
Atenção: um quadro de características não substitui outras etapas de uma revisão sistemática, como avaliação metodológica, avaliação do risco de viés, síntese estatística quando apropriada ou procedimentos de avaliação da certeza da evidência quando previstos.
Quadro de síntese em revisão integrativa
A revisão integrativa pode reunir estudos com diferentes abordagens metodológicas.
Nesse contexto, o quadro pode precisar acomodar maior diversidade.
Campos possíveis incluem:
- autor/ano;
- objetivo;
- desenho ou abordagem;
- participantes;
- contexto;
- procedimentos;
- principais achados.
Quando estudos quantitativos e qualitativos aparecem no mesmo conjunto, é especialmente importante evitar uma estrutura que force resultados metodologicamente diferentes a caber em categorias inadequadas.
Quadro de síntese em revisão de escopo
Uma revisão de escopo frequentemente possui finalidade de mapeamento.
Dependendo dos objetivos, pode ser útil apresentar:
- autor e ano;
- país;
- população;
- conceito;
- contexto;
- tipo de evidência;
- metodologia;
- características ou achados relevantes ao mapeamento.
Nesse tipo de revisão, os campos extraídos e apresentados devem permanecer alinhados à pergunta e aos objetivos do mapeamento.
Quadro de síntese em revisão narrativa
Na revisão narrativa, a estrutura pode ser mais flexível.
Isso não significa que o quadro deva ser arbitrário.
Se utilizado, ele ainda precisa possuir uma finalidade clara, como:
- comparar conceitos;
- organizar abordagens;
- mostrar características de estudos selecionados;
- resumir evidências centrais;
- apresentar evolução de determinado tema.
A flexibilidade do método não elimina a necessidade de transparência na forma como as informações são selecionadas e apresentadas.
Quadro de síntese em revisão bibliográfica para TCC
Em uma revisão bibliográfica desenvolvida como TCC, pode ser suficiente utilizar uma estrutura relativamente simples quando ela atende ao objetivo do trabalho.
Por exemplo:
Autor/ano | Objetivo | Método | Principais resultados
Entretanto, esse modelo não deve ser aplicado automaticamente.
Se diferenças de população, contexto ou mensuração forem importantes para interpretar os estudos, esses campos podem precisar aparecer.
Quadro em revisões com estudos qualitativos
Quando a revisão envolve estudos qualitativos, campos possíveis incluem:
- contexto;
- participantes;
- abordagem metodológica;
- procedimento de coleta;
- fenômeno investigado;
- temas ou achados relevantes.
É importante evitar reduzir achados qualitativos complexos a classificações excessivamente simples apenas para fazê-los caber em uma estrutura rígida.
Como escolher a estrutura conforme o tipo de revisão?
Uma sequência prática é:
- identifique claramente o tipo de revisão;
- releia a pergunta e os objetivos;
- verifique quais características são necessárias para compreender os estudos;
- identifique quais informações serão utilizadas na síntese;
- considere as orientações metodológicas pertinentes ao método;
- monte e teste o quadro com estudos diferentes antes de fechar o modelo.
Erro comum: escolher primeiro um modelo de quadro e depois tentar adaptar a revisão a ele. O caminho mais seguro é o inverso: compreender a revisão e, a partir dela, construir a estrutura.
Em resumo: não existe um quadro universal porque diferentes revisões respondem a perguntas diferentes e organizam evidências de formas diferentes. A estrutura deve nascer do método, da pergunta, dos objetivos e das informações necessárias para a síntese.
Depois de definir o conteúdo e a lógica metodológica, resta uma questão especialmente importante para quem está preparando um TCC: essa estrutura deve ser chamada de quadro ou de tabela e como ela deve ser formatada no trabalho acadêmico?
Quadro ou tabela: qual usar no TCC?
Depois de organizar as informações, surge uma dúvida muito comum: a estrutura deve ser chamada de quadro ou tabela?
É possível encontrar orientações que tentam resolver a questão com uma regra simples:
“Quadro é para texto e tabela é para números.”
Essa explicação pode aparecer em determinados contextos acadêmicos, mas não deve ser tratada como uma regra universal capaz de resolver todos os casos.
A terminologia e as convenções de apresentação podem variar conforme:
- instituição;
- curso;
- programa de pós-graduação;
- área do conhecimento;
- manual acadêmico adotado;
- natureza das informações;
- tipo de trabalho;
- orientações editoriais específicas.
Por isso, existem duas questões diferentes:
- o quadro está metodologicamente bem construído?
- a apresentação formal está de acordo com as regras adotadas pela instituição?
As duas precisam ser consideradas.
Atenção: não escolha a denominação apenas observando se existem números dentro das células. Uma estrutura pode combinar texto, números, medidas e descrições. Verifique a convenção efetivamente utilizada no seu contexto acadêmico.
Por que a presença de números não resolve a classificação?
Considere um quadro de síntese contendo:
| Autor/ano | Desenho | Participantes | Resultado |
|---|---|---|---|
| Estudo A | Transversal | 642 adolescentes | OR ajustada 0,74; IC95% 0,58–0,94 |
A estrutura possui dados textuais e numéricos ao mesmo tempo.
Isso mostra por que uma regra baseada exclusivamente na presença ou ausência de números pode ser insuficiente.
O que fazer na prática?
Antes de finalizar o trabalho, consulte:
- o manual de trabalhos acadêmicos da instituição;
- as orientações específicas do curso;
- modelos oficiais de TCC disponibilizados pela instituição;
- orientações da biblioteca universitária, quando disponíveis;
- as instruções fornecidas pelo orientador.
Se a instituição adota uma convenção específica para diferenciar quadros e tabelas, siga essa orientação de maneira consistente.
Boa prática: resolva primeiro a função metodológica da estrutura e depois adapte sua apresentação às normas acadêmicas aplicáveis. Não sacrifique clareza metodológica apenas para encaixar os dados em um modelo inadequado.
E se o manual da instituição não explicar claramente?
Se não houver uma orientação explícita, procure verificar:
- exemplos oficiais da própria instituição;
- trabalhos-modelo disponibilizados pelo curso;
- guias elaborados pela biblioteca;
- orientações complementares do programa;
- a convenção indicada pelo orientador.
Depois de definida a escolha, mantenha consistência ao longo do trabalho.
Em resumo: “quadro” e “tabela” não devem ser diferenciados por uma fórmula simplista aplicada a qualquer instituição. O conteúdo precisa ser metodologicamente coerente e a apresentação deve respeitar as orientações acadêmicas adotadas no TCC.
Como formatar um quadro de síntese no TCC?
Depois de definir a estrutura e verificar as regras institucionais, a formatação deve priorizar identificação, consistência e legibilidade.
Um quadro metodologicamente excelente pode perder grande parte de sua utilidade se estiver visualmente congestionado.
Use um título informativo
Evite títulos genéricos como:
Quadro 1 — Estudos.
Prefira algo que permita compreender o conteúdo:
Quadro 1 — Características dos estudos incluídos na revisão.
Ou, conforme a finalidade:
Quadro 2 — Características metodológicas e principais resultados dos estudos incluídos.
O título deve refletir o que a estrutura realmente apresenta.
Mantenha a numeração consistente
Se o trabalho utilizar numeração para quadros ou tabelas, mantenha uma sequência coerente.
Evite mudanças como:
- Quadro 1;
- Quadro nº 2;
- QUADRO III;
- Quadro quatro.
A forma exata deve acompanhar o padrão institucional adotado.
Escreva cabeçalhos objetivos
Cabeçalhos muito longos consomem espaço e dificultam a leitura.
Em vez de:
Características relacionadas ao desenho metodológico utilizado pelos pesquisadores
pode ser suficiente:
Desenho
Em vez de:
Quantidade total de participantes que efetivamente foram analisados no estudo
pode-se utilizar:
N analisado
desde que a abreviação esteja clara no contexto.
Explique siglas e abreviações
Se forem utilizados códigos ou siglas como:
- OR;
- RR;
- IC95%;
- NI;
- NA;
eles devem ser compreensíveis para o leitor.
Uma nota pode informar, por exemplo:
OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%; NI: não informado; NA: não aplicável.
A necessidade de explicar determinada abreviação depende do público e das convenções do trabalho, mas o quadro não deve exigir que o leitor adivinhe o significado dos códigos.
Identifique unidades
Se uma coluna contém medidas, deixe claro se os valores representam:
- anos;
- meses;
- minutos;
- quilogramas;
- porcentagens;
- escores;
- outras unidades.
Uma coluna chamada apenas:
Tempo
pode ser ambígua.
Dependendo da estrutura, prefira:
Seguimento (meses)
ou indique a unidade em cada registro quando houver variação.
Utilize notas quando elas evitarem sobrecarregar as células
Notas podem ser úteis para explicar:
- abreviações;
- códigos;
- critérios específicos;
- particularidades de um estudo;
- regras utilizadas na apresentação dos resultados.
Entretanto, um quadro que exige uma página inteira de notas pode estar tentando condensar informações demais em uma única estrutura.
Indique a fonte conforme as orientações aplicáveis
A apresentação da fonte deve seguir o padrão adotado pela instituição.
Em trabalhos acadêmicos, pode ser necessário indicar que a estrutura foi elaborada pelo autor a partir dos estudos incluídos ou utilizar outra forma prevista pelo manual institucional.
Evite simplesmente copiar a expressão “Fonte: elaboração própria” de outro trabalho sem verificar se essa é a forma recomendada no seu contexto.
Vale lembrar: a normalização formal precisa acompanhar as orientações da instituição. O fato de uma forma aparecer em muitos TCCs não significa que ela seja automaticamente a exigida no seu curso.
Não resolva excesso de informação diminuindo demais a fonte
Quando o quadro não cabe na página, uma reação comum é reduzir progressivamente o tamanho da letra.
Isso pode fazer o conteúdo caber fisicamente, mas prejudicar sua função.
UX acadêmica: legibilidade também faz parte da qualidade da apresentação. Se o leitor precisa ampliar excessivamente a página ou se esforçar para distinguir as informações, vale reorganizar a estrutura antes de simplesmente reduzir a fonte.
Evite parágrafos inteiros dentro das células
Considere:
Versão extensa:
Os autores verificaram que adolescentes que apresentavam níveis mais elevados de atividade física apresentaram menor frequência de sintomas de ansiedade após ajuste para diferentes variáveis.
Uma versão mais apropriada para comparação poderia ser:
Maior atividade física associada a menos sintomas de ansiedade após ajuste.
Se necessário, a medida estatística pode ser acrescentada.
Orientação horizontal pode ser uma alternativa
Quando o quadro possui várias colunas realmente necessárias, a orientação horizontal da página pode melhorar a legibilidade.
Essa solução deve ser utilizada conforme as possibilidades do editor e as orientações da instituição.
Antes disso, ainda vale perguntar se todas as colunas são indispensáveis.
Divida a estrutura quando houver uma lógica metodológica
Se características e resultados formarem dois conjuntos muito diferentes, pode ser melhor utilizar:
Quadro 1 — Características dos estudos.
e:
Quadro 2 — Desfechos e principais resultados.
A divisão deve facilitar a compreensão, e não apenas resolver um problema de espaço.
Faça uma revisão visual de consistência
Antes de finalizar, confira:
- alinhamento;
- capitalização;
- formato dos números;
- casas decimais;
- unidades;
- abreviações;
- pontuação;
- uso de NI e NA;
- ordem das linhas;
- títulos;
- numeração;
- fonte e notas.
Pequenas inconsistências podem tornar a comparação mais difícil.
Boa prática: faça uma revisão apenas de conteúdo e outra apenas de apresentação. Procurar erros metodológicos e visuais ao mesmo tempo aumenta a chance de alguns passarem despercebidos.
12 erros comuns ao montar um quadro de síntese
Muitos problemas aparecem não porque o pesquisador deixou de coletar informações, mas porque tentou apresentar dados demais, padronizou de forma inadequada ou perdeu a ligação entre quadro e síntese.
1. Copiar toda a planilha de extração
A base detalhada possui função diferente da estrutura apresentada ao leitor.
Como corrigir: selecione os campos necessários para caracterização, comparação e interpretação e mantenha os demais na base.
2. Criar colunas apenas porque aparecem em outros TCCs
Um campo útil em outra revisão pode ser irrelevante para a sua pergunta.
Como corrigir: justifique cada coluna com base na pergunta, nos objetivos e no método.
3. Colocar parágrafos dentro das células
Textos extensos dificultam a comparação entre linhas.
Como corrigir: condense a informação preservando seu significado.
4. Misturar resultado e conclusão dos autores
O resultado representa o achado; a conclusão incorpora interpretação.
Como corrigir: defina previamente qual informação a coluna representa e mantenha essa regra.
5. Omitir unidades
Um valor sem unidade pode ser ambíguo ou impossível de interpretar.
Como corrigir: informe a unidade no cabeçalho, na célula ou em nota, conforme a estrutura.
6. Confundir número recrutado com número analisado
O tamanho inicial da amostra pode não ser o mesmo utilizado na análise.
Como corrigir: registre explicitamente o que cada número representa.
7. Não padronizar informações equivalentes
Brasil, Brazil e BR podem aparecer como se fossem categorias diferentes.
Como corrigir: adote uma forma consistente quando as informações forem realmente equivalentes.
8. Padronizar demais e apagar diferenças reais
Dois estudos podem usar a expressão “alta atividade física” com definições diferentes.
Como corrigir: preserve diferenças que possam influenciar a interpretação.
9. Deixar células vazias sem explicação
O leitor não sabe se o dado não foi informado, não se aplica ou simplesmente foi esquecido.
Como corrigir: utilize códigos definidos, como NI e NA, quando apropriado, e explique-os.
10. Copiar frases dos artigos em vez de sintetizar
Além de produzir células extensas, isso impede a padronização da apresentação.
Como corrigir: escreva uma síntese fiel, concisa e compatível com a função do campo.
11. Montar o quadro e ignorá-lo durante a análise
Se o quadro não ajuda a identificar padrões, diferenças ou características importantes, parte de seu potencial foi perdida.
Como corrigir: utilize-o ativamente para planejar a síntese textual.
12. Tratar o quadro como substituto da síntese
Mesmo um quadro excelente não interpreta sozinho o conjunto de estudos.
Como corrigir: transforme as comparações em narrativa analítica compatível com o método da revisão.
Resumo dos principais erros
| Erro | Por que é um problema? | Como corrigir? |
|---|---|---|
| Copiar toda a extração | Gera excesso de informação | Selecionar campos relevantes |
| Usar modelo alheio sem adaptação | As colunas podem não responder à pergunta | Partir dos objetivos e do método |
| Parágrafos nas células | Reduz comparabilidade | Condensar com fidelidade |
| Misturar resultado e conclusão | Confunde dado e interpretação | Definir a função de cada campo |
| Omitir unidades | Cria ambiguidade | Identificar unidades claramente |
| Confundir recrutados e analisados | Pode representar incorretamente a amostra | Indicar o significado de cada N |
| Não padronizar equivalentes | Dificulta comparação | Uniformizar terminologia equivalente |
| Padronizar diferenças reais | Cria falsa equivalência | Preservar diferenças relevantes |
| Deixar células vazias | Ausência fica ambígua | Utilizar códigos explicados |
| Copiar frases extensas | Sobrecarrega a estrutura | Sintetizar |
| Ignorar o quadro na análise | Transforma-o em elemento decorativo | Utilizá-lo para comparar os estudos |
| Substituir a síntese pelo quadro | Organização não equivale a interpretação | Construir síntese textual |
Em resumo: os erros mais importantes surgem quando o quadro deixa de cumprir sua função comparativa. Selecionar, condensar, padronizar, conferir e interpretar são processos diferentes e precisam permanecer conectados.
Antes de considerar o quadro concluído, vale realizar uma última verificação sistemática. O próximo checklist reúne os principais pontos metodológicos, de preenchimento e de apresentação que devem ser conferidos antes da entrega do trabalho.
Checklist para montar um quadro de síntese
Antes de considerar o quadro pronto, faça uma conferência sistemática. O objetivo não é apenas verificar se todas as células foram preenchidas, mas confirmar se a estrutura representa os estudos de maneira clara, consistente, rastreável e útil para a síntese.
O checklist pode ser dividido em quatro etapas: planejamento, estrutura, preenchimento e revisão final.

1. Planejamento
- ☐ A pergunta da revisão está claramente definida?
- ☐ Os objetivos foram considerados na escolha das informações?
- ☐ Os estudos que entrarão no quadro já foram definidos?
- ☐ A etapa de extração de dados está suficientemente concluída?
- ☐ Existe uma base organizada à qual seja possível retornar para conferência?
- ☐ Está claro o que cada linha representará?
- ☐ Está definida a finalidade principal do quadro?
Se essas decisões ainda estiverem indefinidas, pode ser cedo para construir a versão definitiva.
Boa prática: monte o quadro a partir de uma base de extração organizada. Alternar diretamente entre PDFs e a versão final durante todo o preenchimento aumenta a chance de inconsistências e dificulta a rastreabilidade.
2. Estrutura
- ☐ Cada coluna possui uma função clara?
- ☐ Os campos ajudam a caracterizar, comparar ou interpretar os estudos?
- ☐ Campos exclusivamente administrativos foram mantidos fora da apresentação ao leitor?
- ☐ Colunas redundantes foram eliminadas ou combinadas?
- ☐ O número de colunas permite leitura confortável?
- ☐ Os cabeçalhos são objetivos e compreensíveis?
- ☐ A ordem das colunas possui lógica?
- ☐ A ordem dos estudos foi definida consistentemente?
- ☐ A estrutura foi testada com estudos diferentes entre si?
3. Preenchimento
- ☐ As informações foram retiradas da base conferida?
- ☐ Os dados foram resumidos sem alteração de significado?
- ☐ Os desenhos metodológicos estão identificados corretamente?
- ☐ Está claro se o tamanho da amostra representa recrutados, incluídos, acompanhados ou analisados?
- ☐ As unidades estão explícitas?
- ☐ Instrumentos de mensuração relevantes foram identificados?
- ☐ Os momentos de acompanhamento estão claros quando necessários?
- ☐ Resultados brutos e ajustados não foram confundidos?
- ☐ Resultado e conclusão dos autores não foram tratados como sinônimos?
- ☐ Informações equivalentes utilizam terminologia consistente?
- ☐ Diferenças metodológicas importantes foram preservadas?
- ☐ Informações ausentes foram identificadas explicitamente?
- ☐ Siglas e códigos utilizados estão explicados?
- ☐ Múltiplos relatórios do mesmo estudo foram identificados corretamente?
Atenção: uma célula não está necessariamente conferida apenas porque contém algum texto. Verifique se a informação representa corretamente o estudo e se está sendo apresentada de maneira compatível com informações equivalentes dos demais estudos.
4. Revisão final
- ☐ Cada linha pode ser associada ao estudo correspondente?
- ☐ Os principais números foram conferidos?
- ☐ Intervalos de confiança, medidas e unidades estão corretos?
- ☐ Não existem células vazias cujo significado seja ambíguo?
- ☐ O quadro pode ser compreendido sem fonte excessivamente pequena?
- ☐ Células muito extensas foram revisadas?
- ☐ Abreviações desnecessárias foram removidas?
- ☐ Título e numeração estão consistentes?
- ☐ Notas e fonte seguem as orientações aplicáveis ao trabalho?
- ☐ A denominação “quadro” ou “tabela” foi verificada conforme o padrão institucional?
- ☐ As informações são coerentes com a narrativa da revisão?
- ☐ O quadro está sendo efetivamente utilizado na análise?
Na prática: faça duas revisões diferentes. Na primeira, confira a fidelidade dos dados contra a base. Na segunda, leia o quadro como se fosse o leitor: é possível compreender e comparar os estudos sem precisar reconstruir mentalmente cada artigo?
Checklist rápido antes de entregar o TCC
Para uma última verificação, tente responder “sim” às dez perguntas abaixo:
- Eu sei exatamente qual é a função deste quadro?
- Cada coluna possui uma justificativa?
- Os dados podem ser rastreados até os estudos correspondentes?
- As informações equivalentes foram apresentadas consistentemente?
- As diferenças importantes entre os estudos continuam visíveis?
- Os principais números e unidades foram conferidos?
- Informações ausentes estão claramente identificadas?
- O quadro está legível?
- A formatação está compatível com as orientações da minha instituição?
- O texto utiliza o quadro para comparar e sintetizar os estudos?
Se alguma resposta for “não”, revise esse ponto antes de considerar a estrutura finalizada.
Em resumo: um quadro de síntese está pronto quando é metodologicamente coerente, fiel aos estudos, comparável, rastreável, legível e integrado à análise da revisão.
Perguntas frequentes sobre quadro de síntese
O que é um quadro de síntese?
É uma estrutura utilizada para organizar e comparar informações relevantes dos estudos incluídos em uma revisão.
O quadro pode reunir características como autoria, desenho, participantes, métodos, instrumentos, intervenções, exposições, desfechos e resultados. Os campos utilizados dependem da pergunta, dos objetivos e do método da revisão.
O que colocar em um quadro de síntese?
Inclua informações necessárias para caracterizar, comparar e compreender os estudos.
Autor e ano, país, desenho, população, amostra, intervenção ou exposição, instrumentos, desfechos e principais resultados são possibilidades. Nem todos esses campos precisam aparecer em toda revisão.
Quantas colunas um quadro de síntese deve ter?
Não existe um número obrigatório de colunas.
O quadro deve possuir os campos necessários para sua finalidade. Uma estrutura com cinco colunas pode ser suficiente em determinado trabalho, enquanto outra revisão pode exigir uma apresentação mais detalhada.
Cada linha do quadro deve representar um artigo?
Não necessariamente. Muitas vezes é mais apropriado pensar em estudos, e não simplesmente em artigos.
Um mesmo estudo pode gerar dois ou mais relatórios ou publicações. Se cada relatório for tratado automaticamente como um estudo independente, o mesmo conjunto de participantes pode acabar representado mais de uma vez.
A unidade utilizada no quadro deve ser definida de acordo com a estrutura e o método da revisão.
Quadro de síntese e planilha de extração são a mesma coisa?
Não necessariamente. A planilha de extração costuma ser mais detalhada e funcionar como base de trabalho.
Ela pode registrar informações necessárias para rastreabilidade, conferência e análise que não precisam aparecer na versão destinada ao leitor. O quadro seleciona e organiza os campos relevantes para sua finalidade comparativa.
Posso fazer um quadro apenas com autor, ano e resultado?
Pode ser possível em situações específicas, mas essa estrutura pode ser insuficiente para muitas revisões.
Sem informações sobre desenho, participantes, intervenção, exposição, instrumentos ou contexto, pode ser difícil compreender por que os resultados diferem entre os estudos. As colunas devem ser escolhidas a partir da pergunta e da necessidade de comparação.
Preciso colocar o objetivo de cada estudo?
Não obrigatoriamente.
O objetivo pode ser útil quando os estudos investigam dimensões diferentes do problema. Se todos possuem objetivos muito semelhantes e a coluna apenas repete informações, ela pode não ser necessária.
Posso copiar a conclusão do artigo para o quadro?
Quando a conclusão for realmente necessária, prefira sintetizá-la de forma fiel e distingui-la dos resultados.
Copiar conclusões longas torna as células extensas e pode reduzir a capacidade de comparação. Além disso, resultado e interpretação dos autores não devem ser tratados como sinônimos.
Como colocar resultados muito longos no quadro?
Selecione os resultados relacionados à pergunta da revisão e apresente-os de maneira condensada.
Medidas importantes podem ser preservadas, incluindo estimativas, intervalos de confiança e momentos de avaliação quando necessários. Evite transferir todas as análises de um artigo para uma única célula.
O que significa NI em um quadro de síntese?
NI pode ser utilizado para indicar “não informado”, desde que essa definição seja explicitada.
O código não é universal por si só. Se for utilizado, explique-o em nota ou legenda. Também é importante diferenciá-lo de “NA”, que pode ser empregado para “não aplicável”.
Posso deixar células vazias?
É melhor evitar células vazias quando elas tornam a ausência ambígua.
Uma célula vazia não informa se o dado não foi relatado, não se aplica, não foi avaliado ou simplesmente não foi preenchido. Utilize códigos ou notas quando necessário.
Posso usar cores no quadro de síntese?
As cores podem ajudar em alguns contextos, mas não devem ser indispensáveis para compreender a informação.
Em um trabalho acadêmico, considere as orientações institucionais, a impressão em escala de cinza e a acessibilidade. Categorias importantes devem continuar compreensíveis por texto, símbolos ou estrutura mesmo sem cor.
O quadro de síntese substitui a análise dos resultados?
Não. O quadro organiza as informações, mas a síntese exige análise do conjunto.
O pesquisador ainda precisa identificar convergências, divergências, características metodológicas, padrões e lacunas e explicar esses aspectos na narrativa da revisão.
Quadro e tabela são a mesma coisa?
A terminologia pode variar conforme a finalidade e as orientações adotadas pela instituição.
Evite utilizar como regra universal a ideia de que todo conteúdo textual é necessariamente quadro e todo conteúdo numérico é necessariamente tabela. Consulte o manual acadêmico utilizado no curso e as orientações institucionais aplicáveis.
Posso usar inteligência artificial para montar o quadro de síntese?
Ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na organização, mas não devem substituir a conferência dos dados nem as decisões metodológicas do pesquisador.
Uma ferramenta pode auxiliar na reorganização de textos, sugestão de categorias ou padronização da apresentação. Entretanto, também pode omitir informações, interpretar resultados incorretamente, confundir estudos ou gerar dados inexistentes.
Qualquer conteúdo produzido ou transformado com auxílio de IA precisa ser verificado contra a base de extração e as fontes originais. Também devem ser observadas as políticas da instituição sobre uso, declaração e limites dessas ferramentas.
Atenção: não utilize uma ferramenta de IA como fonte dos resultados de um estudo. As informações científicas apresentadas no quadro devem permanecer vinculadas às fontes consultadas e verificadas pelo pesquisador.
O que fazer depois de montar o quadro de síntese?
Use o quadro para comparar os estudos e construir a síntese dos resultados.
Observe padrões, diferenças de desenho, populações, instrumentos, desfechos, direção dos resultados e lacunas. A etapa seguinte não deve consistir apenas em descrever linha por linha, mas em compreender o que o conjunto dos estudos permite observar.
Como saber se meu quadro está bom?
Um bom quadro permite compreender quais estudos foram incluídos, como eles diferem e quais informações são relevantes para a síntese.
Se existem dezenas de colunas, parágrafos inteiros nas células, muitas abreviações ou informações que nunca são utilizadas na análise, provavelmente ainda existe espaço para simplificação.
Posso dividir o quadro de síntese em dois?
Sim, quando a divisão melhora a legibilidade e possui uma lógica clara.
Por exemplo, uma estrutura pode apresentar características metodológicas e outra os principais resultados. A divisão deve facilitar a leitura, e não obrigar o leitor a alternar constantemente entre dois quadros para compreender o mesmo estudo.
Existe um modelo universal de quadro de síntese?
Não. O modelo deve ser adaptado à pergunta, aos objetivos, ao tipo de revisão e aos dados disponíveis.
Modelos prontos podem servir como referência visual, mas não devem determinar automaticamente quais campos sua revisão precisa apresentar.
Conclusão: como montar um quadro de síntese realmente útil?
Aprender como montar um quadro de síntese não significa encontrar um modelo pronto e preencher suas colunas. A etapa exige decidir quais características dos estudos são importantes para a pergunta da revisão e como apresentá-las de maneira comparável sem perder informações metodologicamente relevantes.
O processo começa na base de extração. A partir dela, o pesquisador seleciona os campos que realmente precisam ser apresentados, define a unidade de cada linha, padroniza terminologias, resume informações, identifica dados ausentes, confere resultados e organiza os estudos em uma estrutura legível.
Um bom quadro também mantém uma distinção importante entre organizar e interpretar. A estrutura facilita a visualização do conjunto, mas não substitui a análise. Depois de preenchê-la, é necessário observar padrões, diferenças, convergências, divergências e lacunas e transformar essas observações em uma síntese textual coerente.
Também não existe um número obrigatório de colunas nem um único modelo adequado para todas as revisões. Revisões sistemáticas, integrativas, de escopo, narrativas e outros trabalhos acadêmicos podem exigir estruturas diferentes.
Da mesma forma, a apresentação formal como quadro ou tabela deve considerar as orientações da instituição. Clareza metodológica e conformidade acadêmica precisam caminhar juntas.
Em resumo: um quadro de síntese de qualidade não tenta mostrar tudo o que foi coletado. Ele mostra, de maneira organizada e verificável, aquilo que o leitor precisa enxergar para compreender e comparar os estudos e acompanhar a síntese da revisão.
Continue aprendendo
A construção do quadro faz parte de uma sequência metodológica maior. Se você está desenvolvendo uma revisão, estes conteúdos ajudam a conectar as etapas:
- Veja como montar um protocolo de revisão antes de iniciar as principais etapas do processo.
- Entenda como definir critérios de inclusão e exclusão.
- Aprenda como fazer a seleção e triagem dos estudos.
- Confira como extrair dados dos artigos científicos antes de organizá-los para síntese.
- Conheça a diferença entre os principais tipos de revisão para compreender como o método influencia a organização dos dados.
Se a dificuldade ainda estiver na localização dos estudos, consulte também o guia sobre como montar uma estratégia de busca científica.
Continue aprendendo: depois da seleção dos estudos e da extração dos dados, o quadro de síntese ajuda a organizar comparativamente as informações que serão utilizadas na análise. As etapas seguintes de avaliação, síntese e relato devem acompanhar o método definido para a revisão.
Referências e leituras recomendadas
- COCHRANE. Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Chapter 5: Collecting data. Disponível em: Cochrane.
- COCHRANE. Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Chapter 9: Summarizing study characteristics and preparing for synthesis. Disponível em: Cochrane.
- COCHRANE. Developing an effective Overview of included studies and syntheses table. Material de treinamento sobre apresentação das características e sínteses dos estudos incluídos. Disponível em: Cochrane.
- PETERS, M. D. J. et al. Updated methodological guidance for the conduct of scoping reviews. JBI Evidence Synthesis, v. 18, n. 10, p. 2119–2126, 2020. DOI: 10.11124/JBIES-20-00167.
- JBI. JBI Manual for Evidence Synthesis. Manual metodológico para sínteses de evidências. Disponível em: JBI.
