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Como Montar um Protocolo de Revisão: Passo a Passo para Planejar a Pesquisa
Aprenda como montar um protocolo de revisão passo a passo: pergunta, objetivo, critérios de elegibilidade, estratégia de busca, seleção, extração, síntese, registro e documentação das alterações.
Como Montar um Protocolo de Revisão: Passo a Passo para Planejar a Pesquisa
Um protocolo de revisão é o planejamento metodológico elaborado antes da execução das principais etapas de uma revisão científica. Nele, o pesquisador define previamente a pergunta, os objetivos, o tipo de revisão, os critérios de elegibilidade, as fontes de informação, a estratégia de busca, a seleção dos estudos, a extração dos dados, a avaliação quando aplicável, a síntese e a forma de documentar decisões e alterações.
Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia
Na prática, o protocolo transforma uma ideia de pesquisa em um plano operacional. Seu nível de formalização depende do tipo de revisão, da pergunta, do contexto acadêmico e das orientações metodológicas aplicáveis.
Neste guia, você aprenderá como montar um protocolo de revisão passo a passo, como relacionar suas diferentes partes e quais cuidados tomar com alterações, registro, PROSPERO, OSF, PRISMA e trabalhos de conclusão de curso.
Um protocolo de revisão pode definir antecipadamente:
- pergunta e objetivo;
- tipo de revisão;
- critérios de elegibilidade;
- fontes de informação;
- estratégia de busca;
- seleção dos estudos;
- extração dos dados;
- avaliação dos estudos, quando aplicável;
- forma de síntese;
- responsabilidades e cronograma;
- controle de versões e alterações.
Ideia central: protocolo é o que foi planejado; a revisão concluída deve relatar o que realmente foi executado.
Índice
- O que é um protocolo de revisão?
- Para que serve?
- Todo tipo de revisão precisa de protocolo?
- Protocolo, projeto e revisão final são a mesma coisa?
- O que definir antes de montar o protocolo?
- Como montar um protocolo em 12 etapas?
- Como definir a pergunta de pesquisa?
- Como definir o objetivo da revisão?
- Como escolher o tipo de revisão?
- Como definir os critérios de elegibilidade?
- Como escolher as fontes de informação?
- Como planejar a estratégia de busca?
- Como planejar a seleção?
- Como planejar a extração?
- Como planejar a avaliação?
- Como planejar a síntese?
- Como organizar responsabilidades e cronograma?
- Como documentar alterações?
- Exemplo de protocolo
- Modelo de protocolo
- O protocolo pode ser alterado?
- Onde registrar?
- Todo protocolo precisa ser publicado?
- Como utilizar no TCC?
- Qual é a relação com PRISMA e PRISMA-P?
- Ter protocolo garante qualidade?
- 12 erros comuns
- Checklist final
- Perguntas frequentes
O que é um protocolo de revisão?
Um protocolo de revisão é o plano metodológico elaborado antes da execução das principais etapas da revisão, no qual são definidos previamente a pergunta, os objetivos, os métodos e as decisões que orientarão a identificação, seleção, avaliação, extração e síntese das evidências, conforme o tipo de revisão realizado.
Ele funciona como um mapa da pesquisa: registra como o pesquisador pretende sair da pergunta inicial e chegar à síntese das evidências.
Dependendo do desenho, pode conter critérios de elegibilidade, fontes, estratégia de busca, procedimentos de seleção, extração, avaliação, síntese, responsabilidades e regras para documentar alterações.
Quando o protocolo é elaborado?
O princípio é que as principais decisões sejam planejadas antes da execução definitiva.
Isso não impede buscas exploratórias, testes de estratégias ou ajustes realizados enquanto o método ainda está sendo construído. Explorar o campo para compreender terminologia e viabilidade é diferente de definir retrospectivamente o método depois de conhecer os resultados da revisão.
Planejamento prospectivo não significa pesquisar às cegas. Testes metodológicos podem ajudar a construir um protocolo mais realista.
O protocolo é igual ao resultado final da revisão?
Não. O protocolo descreve o planejado; a revisão concluída relata o executado e os resultados encontrados.
Se ocorrerem mudanças justificáveis durante a pesquisa, elas devem ser documentadas conforme sua relevância metodológica.
Para que serve um protocolo de revisão?
O protocolo ajuda a transformar decisões que poderiam ser improvisadas durante a pesquisa em procedimentos previamente pensados.
Entre suas principais funções estão:
- organizar o método;
- alinhar pergunta, objetivo e procedimentos;
- definir regras antes da seleção e análise dos estudos;
- facilitar consistência entre etapas;
- antecipar problemas de viabilidade;
- distribuir responsabilidades em trabalhos de equipe;
- aumentar transparência e rastreabilidade;
- permitir comparar posteriormente planejamento e execução.
O protocolo elimina o risco de viés?
Não. O planejamento prévio pode reduzir oportunidades para determinadas decisões pós-hoc e aumentar a transparência, mas não elimina vieses nem garante que o método escolhido seja adequado.
O valor do protocolo não está apenas em existir, mas em tornar explícita a lógica das decisões antes que os resultados possam influenciá-las.
Todo tipo de revisão precisa de protocolo?
Não com o mesmo grau de formalização. O planejamento deve ser proporcional ao tipo de revisão e às orientações metodológicas aplicáveis.
| Tipo ou contexto | Papel do protocolo |
|---|---|
| Revisão sistemática | Planejamento prospectivo e estruturado possui papel metodológico central. |
| Revisão de escopo | Protocolo estruturado é compatível com as orientações metodológicas desse desenho. |
| Revisão integrativa | Planejamento prévio pode organizar pergunta, busca, seleção, extração e síntese conforme o referencial adotado. |
| Revisão narrativa | Planejamento continua útil, mas não se deve importar automaticamente todas as exigências de uma revisão sistemática. |
| TCC de revisão | O nível de formalização depende do desenho, das normas institucionais e da orientação acadêmica. |
Na revisão sistemática, o protocolo possui papel especialmente importante para estabelecer os métodos antecipadamente. Na revisão de escopo, o planejamento estruturado também é compatível com referenciais metodológicos específicos.
Já a revisão integrativa e a revisão narrativa não devem ser transformadas artificialmente em revisões sistemáticas apenas para parecerem mais rigorosas.
Rigor não significa aplicar as mesmas exigências a todos os desenhos. Significa utilizar procedimentos coerentes com a pergunta, o objetivo e o tipo de revisão declarado.
Protocolo, projeto de pesquisa e revisão final são a mesma coisa?
Não. Os três documentos podem se relacionar, mas cumprem funções diferentes.
| Documento | Pergunta principal | Conteúdo predominante |
|---|---|---|
| Projeto de pesquisa | O que será pesquisado e por quê? | Problema, justificativa, objetivos, referencial, método, cronograma e demais elementos acadêmicos. |
| Protocolo de revisão | Como a revisão será conduzida? | Decisões metodológicas planejadas para busca, elegibilidade, seleção, extração, avaliação e síntese. |
| Revisão concluída | O que foi feito e encontrado? | Métodos executados, alterações, resultados, síntese, discussão e conclusões. |
Qual é a diferença entre projeto e protocolo?
O projeto apresenta a pesquisa em uma perspectiva acadêmica mais ampla. O protocolo aprofunda especialmente como a revisão será operacionalizada.
Em alguns TCCs, partes do protocolo podem estar incorporadas ao próprio projeto, sem existir como documento separado.
Qual é a diferença entre protocolo e revisão concluída?
A diferença central é temporal:
- protocolo: “pretendemos pesquisar”, “serão incluídos”, “será realizada”;
- revisão final: “pesquisamos”, “foram incluídos”, “foi realizada”.
Se o método executado divergir do planejado, a revisão final deve relatar as alterações relevantes em vez de reescrever retrospectivamente o protocolo.
O protocolo já precisa apresentar resultados da busca?
Não os resultados finais da revisão. Buscas exploratórias e testes podem fazer parte do planejamento, mas não devem ser confundidos com a seleção e síntese definitivas.
O que definir antes de montar um protocolo?
Antes de preencher um modelo, o pesquisador precisa compreender minimamente:
- o problema investigado;
- a pergunta de pesquisa;
- o objetivo;
- o tipo de revisão mais compatível;
- o tipo de evidência necessário;
- a viabilidade do projeto.
Começar preenchendo um template de protocolo antes de saber exatamente qual pergunta será respondida e qual tipo de revisão será realizado.
Preciso conhecer todas as bases antes de começar o protocolo?
Não. Uma exploração inicial pode ajudar a identificar fontes relevantes. Antes da execução definitiva, porém, o conjunto de fontes deve estar suficientemente definido e justificado para o método adotado.
O tipo de revisão deve ser escolhido antes da execução?
Em geral, sim. A pergunta e o objetivo ajudam a determinar o desenho apropriado. Não é uma boa prática selecionar estudos primeiro e somente depois escolher o nome da revisão.
Se ainda houver dúvida, consulte o guia sobre a diferença entre os tipos de revisão.
- Quero investigar…
- Minha pergunta é…
- Meu objetivo é…
- O tipo de revisão mais compatível parece ser…
- Para responder à pergunta, precisarei encontrar estudos que…
Como montar um protocolo de revisão em 12 etapas?
A sequência abaixo organiza o protocolo como uma cadeia de decisões. Dependendo do desenho, algumas etapas podem ocorrer de forma iterativa, mas todas precisam permanecer coerentes entre si.
- Defina a pergunta de pesquisa.
- Defina o objetivo da revisão.
- Escolha e declare o tipo de revisão.
- Defina os critérios de elegibilidade.
- Defina as fontes de informação.
- Planeje a estratégia de busca.
- Planeje a seleção dos estudos.
- Defina os dados que serão extraídos.
- Planeje a avaliação dos estudos, quando aplicável.
- Defina como os resultados serão organizados e sintetizados.
- Organize responsabilidades, cronograma e registros.
- Defina registro, versões e documentação das alterações.
Pergunta → objetivo → tipo de revisão → critérios de elegibilidade → fontes → busca → seleção → extração → avaliação → síntese → organização → documentação.
O infográfico abaixo resume as 12 etapas que transformam a pergunta de pesquisa em um protocolo de revisão estruturado.

Etapa 1 — Defina a pergunta de pesquisa
A pergunta é o ponto de partida porque delimita aquilo que critérios, busca, extração e síntese precisarão representar.
Uma pergunta útil deve ser clara o suficiente para orientar decisões concretas, mas não precisa ser artificialmente estreita.
Usaremos ao longo deste guia o exemplo:
Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?
Essa pergunta contém três conceitos facilmente reconhecíveis:
- atividade física;
- ansiedade;
- adolescentes.
Isso não significa que os três conceitos precisarão obrigatoriamente aparecer da mesma maneira na estratégia de busca. Como vimos no guia sobre estratégia de busca científica, a pergunta e a estratégia possuem funções diferentes.
Preciso utilizar PICO ou outro framework?
Frameworks podem ajudar a estruturar perguntas, mas não existe um único modelo apropriado a qualquer revisão. A escolha deve acompanhar a natureza da pergunta e o desenho metodológico.
Não force uma pergunta a caber em um framework apenas porque ele é conhecido. O framework deve ajudar a representar o problema, não deformá-lo.
Etapa 2 — Defina o objetivo da revisão
Depois da pergunta, transforme a dúvida em uma ação investigativa.
| Elemento | Exemplo |
|---|---|
| Pergunta | Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes? |
| Objetivo | Analisar as evidências disponíveis sobre a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes. |
O objetivo pode utilizar verbos como analisar, identificar, mapear, comparar, sintetizar ou avaliar, desde que correspondam ao que será realmente realizado.
Se o objetivo for integralmente cumprido, a pergunta será respondida? Se a resposta for não, revise um dos dois.
Etapa 3 — Escolha e declare o tipo de revisão
O tipo de revisão determina parte importante das decisões posteriores.
Entre os desenhos que podem aparecer em trabalhos acadêmicos estão:
- revisão bibliográfica;
- revisão narrativa;
- revisão integrativa;
- revisão sistemática;
- revisão de escopo.
A escolha deve considerar a pergunta, o objetivo, o tipo de evidência pretendido e as orientações metodológicas próprias do desenho.
Não escolha a modalidade apenas depois de observar quais estudos foram encontrados nem utilize “revisão sistemática” como rótulo de maior prestígio.
Um protocolo começa a perder coerência quando o nome da revisão promete um método que as etapas planejadas não conseguem sustentar.
Etapa 4 — Defina os critérios de elegibilidade
Os critérios de elegibilidade estabelecem quais estudos poderão ou não responder à pergunta da revisão.
Dependendo do desenho, podem considerar:
- população ou participantes;
- fenômeno, exposição ou intervenção;
- comparador, quando pertinente;
- desfechos;
- contexto;
- desenho dos estudos;
- período;
- idioma;
- tipo de publicação.
Exemplo simplificado
| Elemento | Possível decisão |
|---|---|
| População | Adolescentes conforme definição adotada no protocolo. |
| Fenômeno | Prática ou nível de atividade física. |
| Resultado de interesse | Sintomas ou medidas relacionadas à ansiedade. |
| Desenho | Definido conforme objetivo e tipo de revisão. |
| Período e idioma | Definidos somente quando houver justificativa. |
Os critérios centrais devem estar suficientemente definidos antes da seleção definitiva. Buscas exploratórias e testes podem revelar ambiguidades e justificar refinamentos, desde que mudanças relevantes sejam documentadas.
Critério de elegibilidade não é sinônimo de filtro da base. Um critério pertence ao método da revisão; um filtro é um recurso técnico da plataforma e pode não representar perfeitamente esse critério.
Como essa decisão possui impacto direto sobre quais estudos entrarão na revisão, o próximo cluster deste silo aprofundará especificamente como definir critérios de inclusão e exclusão.
- qual pergunta será investigada;
- qual objetivo será perseguido;
- qual tipo de revisão será realizado;
- que evidências poderão ser consideradas elegíveis.
As próximas etapas transformam essas definições em um processo de localização, seleção, extração e síntese das evidências.
Etapa 5 — Defina as fontes de informação
Depois de estabelecer quais estudos poderão ser elegíveis, o protocolo precisa indicar onde as evidências serão procuradas.
Dependendo da pergunta e do desenho, podem ser consideradas:
- bases bibliográficas;
- plataformas de busca acadêmica;
- registros especializados;
- fontes de literatura cinzenta;
- listas de referências;
- outras fontes justificáveis para o campo pesquisado.
Quantas bases precisam ser pesquisadas?
Não existe um número universal adequado a qualquer revisão.
O conjunto deve ser justificado pela área, pela pergunta, pelo tipo de revisão e pela cobertura necessária. Utilizar muitas fontes sem propósito não garante qualidade; utilizar poucas fontes inadequadas pode comprometer a identificação das evidências relevantes.
Antes de definir o conjunto, avalie:
- cobertura temática;
- tipos de documentos indexados;
- recursos de busca;
- sobreposição e complementaridade;
- acessibilidade e viabilidade.
O guia sobre como escolher fontes confiáveis para o TCC ajuda a compreender esses critérios.
Google Acadêmico, SciELO e Portal CAPES podem entrar no planejamento?
Podem, quando forem adequados ao objetivo, mas é importante compreender o papel de cada recurso.
O Google Acadêmico possui características diferentes de uma base bibliográfica especializada. A SciELO oferece acesso e pesquisa em sua coleção científica. Já o Portal de Periódicos CAPES funciona como um amplo portal de acesso a diferentes recursos e bases, e não deve ser tratado automaticamente como se fosse uma única base bibliográfica.
Para uma visão operacional mais ampla, consulte também como fazer busca bibliográfica e como encontrar artigos científicos.
No protocolo, registre a fonte efetivamente pesquisada. Informar apenas o portal utilizado para chegar a uma base pode dificultar a reprodução da busca.
Preciso considerar literatura cinzenta?
Depende da pergunta e do desenho. Teses, dissertações, registros, documentos institucionais e outros materiais podem ser relevantes em determinadas revisões, mas não precisam ser incluídos mecanicamente em todas elas.
Ao terminar esta etapa, o protocolo deve permitir compreender onde a revisão pretende procurar evidências e por que essas fontes foram escolhidas.
Etapa 6 — Planeje a estratégia de busca
Definidas as fontes, o protocolo precisa estabelecer como os estudos potencialmente relevantes serão localizados.
O planejamento pode envolver:
- conceitos derivados da pergunta;
- descritores controlados;
- termos livres e sinônimos;
- grupos conceituais;
- operadores booleanos;
- recursos específicos das plataformas;
- testes e refinamentos;
- adaptação da estratégia entre diferentes fontes;
- registro das buscas executadas.
Esses componentes são desenvolvidos em profundidade nos guias sobre descritores científicos, operadores booleanos e, principalmente, como montar uma estratégia de busca científica passo a passo.
O protocolo precisa apresentar uma estratégia definitiva?
O protocolo deve apresentar o planejamento exigido pelo desenho e pela orientação metodológica adotada. Durante sua elaboração, é legítimo testar e refinar a busca para verificar se ela representa adequadamente os conceitos.
É útil distinguir:
- estratégia planejada: definida durante a elaboração do protocolo;
- estratégia testada: submetida a buscas exploratórias para avaliação e refinamento;
- estratégia executada: aquela efetivamente utilizada na revisão e que deverá ser documentada adequadamente.
A mesma estratégia pode ser copiada para todas as bases?
Não mecanicamente. Sintaxe, campos, vocabulários controlados e recursos variam entre plataformas.
A lógica conceitual pode permanecer relacionada, mas a expressão técnica da busca precisa ser adaptada quando necessário.
Na pergunta sobre atividade física, ansiedade e adolescentes, o pesquisador pode identificar grupos de termos relacionados aos conceitos relevantes, testar como eles se comportam nas fontes escolhidas e documentar as adaptações necessárias.
Isso não significa que todos os conceitos da pergunta devam obrigatoriamente ser transformados em blocos de busca. A decisão depende do comportamento da recuperação e da estratégia metodológica.
O protocolo não deve reduzir a estratégia a uma lista de palavras-chave. Ele precisa tornar compreensível como a busca será construída, testada, adaptada e documentada.
Etapa 7 — Planeje como os estudos serão selecionados
Recuperar registros não significa incluí-los automaticamente na revisão. O protocolo deve definir como os resultados da busca serão avaliados até chegar ao conjunto final de estudos.
Um fluxo possível envolve:
Registros recuperados → gerenciamento de duplicatas → triagem inicial → avaliação do texto completo → aplicação dos critérios → estudos incluídos.
As etapas exatas dependem do desenho utilizado.
O que precisa ser definido no protocolo?
- como os registros serão organizados;
- como duplicatas serão tratadas;
- em quais etapas ocorrerá a seleção;
- como os critérios serão aplicados;
- quem realizará cada etapa;
- como divergências serão resolvidas quando houver mais de um avaliador;
- como decisões e exclusões relevantes serão documentadas.
Duplicata e publicação múltipla são a mesma coisa?
Não necessariamente. Uma duplicata bibliográfica pode representar o mesmo registro recuperado em mais de uma fonte. Já diferentes artigos podem relatar dados do mesmo estudo ou projeto.
O protocolo deve prever tratamento adequado quando essa distinção for relevante.
Quantos revisores precisam fazer a seleção?
Isso depende do tipo de revisão e das orientações metodológicas adotadas. Não se deve inventar um segundo revisor apenas para reproduzir uma estrutura encontrada em outro protocolo.
Em um TCC individual, descreva com transparência o procedimento realmente viável e siga as exigências acadêmicas e metodológicas aplicáveis.
Softwares podem facilitar deduplicação, triagem e registro de decisões, mas a ferramenta não define o método de seleção. O protocolo precisa estabelecer as regras antes da escolha do software.
A seleção e a triagem dos estudos serão aprofundadas em um cluster específico deste silo.
Etapa 8 — Defina quais dados serão extraídos
Depois de planejar quais estudos poderão ser incluídos, o protocolo precisa definir que informações serão coletadas desses estudos.
Os campos dependem da pergunta e do tipo de revisão, podendo incluir:
- autor e ano;
- local ou contexto;
- desenho do estudo;
- características dos participantes;
- exposição, intervenção ou fenômeno;
- comparadores;
- desfechos;
- principais resultados;
- informações necessárias à avaliação e síntese.
Quanto mais dados eu extrair, melhor?
Não. Coletar informações sem finalidade aumenta trabalho e pode tornar a síntese desorganizada.
Para cada campo, pergunte:
“Que função esta informação terá na caracterização, avaliação ou síntese da revisão?”
| Campo | Possível finalidade |
|---|---|
| Desenho do estudo | Caracterizar a evidência e orientar avaliação ou interpretação. |
| Participantes | Verificar aplicabilidade à população definida. |
| Exposição/intervenção | Compreender o fenômeno investigado. |
| Desfechos | Relacionar resultados à pergunta. |
| Resultados | Alimentar a síntese. |
Poderiam ser necessários dados sobre características dos adolescentes, forma de mensuração da atividade física, instrumento utilizado para avaliar ansiedade, desenho do estudo e resultados relevantes à relação investigada.
É útil testar o formulário de extração?
Sim, quando compatível com o método. Um teste piloto pode revelar campos ambíguos, informações difíceis de localizar ou dados importantes que não haviam sido previstos.
A extração de dados será aprofundada em um conteúdo específico deste silo.
O protocolo deve estabelecer quais informações serão retiradas dos estudos e para que serão utilizadas.
Etapa 9 — Planeje a avaliação dos estudos quando aplicável
Dependendo do tipo de revisão e da finalidade da síntese, pode ser necessário planejar uma avaliação metodológica dos estudos incluídos.
Antes de escolher um instrumento, esclareça o que será avaliado.
| Conceito | Questão geral |
|---|---|
| Qualidade metodológica | Quão adequadamente determinados aspectos metodológicos foram conduzidos? |
| Risco de viés | Em que medida características do estudo podem produzir desvios sistemáticos nos resultados? |
| Certeza da evidência | Qual é o grau de confiança em um conjunto de evidências para determinada conclusão? |
Esses conceitos se relacionam, mas não são sinônimos.
Existe uma ferramenta universal?
Não. A escolha deve considerar o desenho dos estudos, a dimensão que se pretende avaliar e o referencial metodológico utilizado.
Quando a avaliação fizer parte da revisão, o protocolo deve indicar, conforme aplicável:
- o que será avaliado;
- qual ferramenta ou abordagem será utilizada;
- por que ela é adequada;
- quem realizará a avaliação;
- como divergências serão tratadas;
- como os resultados influenciarão interpretação ou síntese.
Não escolha uma ferramenta apenas porque ela aparece com frequência em outros artigos. Primeiro identifique os desenhos incluídos e a dimensão metodológica que precisa ser avaliada.
Etapa 10 — Planeje como os resultados serão organizados e sintetizados
O protocolo também precisa antecipar como as informações extraídas serão transformadas em uma resposta à pergunta.
Dependendo do desenho e dos dados, a síntese pode envolver:
- descrição narrativa;
- tabelas e quadros;
- agrupamento por características;
- categorias ou temas;
- comparações entre estudos;
- síntese quantitativa;
- meta-análise, quando metodologicamente apropriada.
Toda revisão sistemática precisa fazer meta-análise?
Não. Revisão sistemática e meta-análise não são sinônimos. A possibilidade de combinar quantitativamente resultados depende da pergunta, dos dados disponíveis e da compatibilidade metodológica e clínica dos estudos, entre outros fatores.
Extração e síntese precisam ser planejadas juntas?
Sim. Os dados coletados precisam alimentar a forma de síntese prevista.
Se o protocolo promete comparar determinado aspecto, mas o formulário não coleta essa informação, existe uma ruptura metodológica.
Leia o plano de síntese e pergunte: “Quais dados preciso possuir para conseguir fazer isso?” Depois confira se esses dados aparecem no formulário de extração.
Preciso definir antecipadamente todas as categorias?
Não necessariamente. Em abordagens nas quais categorias ou temas podem emergir dos estudos, o protocolo pode definir como essa construção será realizada sem inventar previamente resultados que ainda não existem.
A organização dos dados e a construção de quadros de síntese serão aprofundadas em conteúdos específicos deste silo.
Defina onde procurar → como procurar → como selecionar → o que extrair → como avaliar → como sintetizar.
Essas decisões formam o núcleo operacional do protocolo e precisam permanecer alinhadas à pergunta e ao objetivo.
Etapa 11 — Organize responsabilidades, cronograma e registros
Um protocolo também precisa considerar como a revisão será executada e documentada.
Em trabalhos de equipe, isso inclui definir responsabilidades. Em um TCC individual, significa organizar etapas, arquivos, versões e cronograma de maneira compatível com a realidade do estudante.
Que responsabilidades podem ser planejadas?
| Atividade | O que definir |
|---|---|
| Busca | Quem executará e documentará as estratégias. |
| Gerenciamento dos registros | Quem organizará arquivos e duplicatas. |
| Seleção | Quem realizará cada etapa e como divergências serão tratadas, quando aplicável. |
| Extração | Quem coletará e conferirá os dados. |
| Avaliação | Quem aplicará os instrumentos, quando necessária. |
| Síntese | Quem organizará e analisará os resultados. |
Não descreva procedimentos fictícios apenas porque aparecem em protocolos de grandes equipes. Se o trabalho será conduzido por um estudante, o método precisa refletir essa realidade e atender às exigências acadêmicas e metodológicas aplicáveis.
Como montar um cronograma?
O cronograma deve refletir a sequência real da revisão e reservar tempo para etapas que costumam exigir retrabalho.
| Fase | Atividade |
|---|---|
| Planejamento | Pergunta, objetivo, desenho e protocolo. |
| Preparação | Critérios, fontes, estratégia e testes. |
| Identificação | Execução e documentação das buscas. |
| Seleção | Triagem e aplicação dos critérios. |
| Extração e avaliação | Coleta dos dados e avaliação quando aplicável. |
| Síntese | Organização, análise e interpretação. |
| Redação | Relato dos métodos, resultados, discussão e conclusão. |
Que registros precisam ser preservados?
Dependendo do desenho, podem ser úteis:
- versões do protocolo;
- estratégias de busca;
- datas das buscas;
- arquivos exportados das bases;
- registros de deduplicação e seleção;
- planilhas de extração;
- avaliações metodológicas;
- decisões e justificativas;
- histórico de alterações.
A organização das referências pode ser apoiada pelas práticas apresentadas no guia sobre como organizar referências bibliográficas no TCC.
Defina desde o início onde os arquivos serão armazenados e como versões serão nomeadas. Ferramentas ajudam a executar o processo, mas não substituem as regras metodológicas estabelecidas no protocolo.
Etapa 12 — Defina versões, registro e documentação das alterações
A última etapa transforma o protocolo em um documento rastreável.
Registre, conforme aplicável:
- título;
- autores ou responsáveis;
- data;
- número da versão;
- local de armazenamento;
- identificador de registro, quando houver;
- histórico de alterações relevantes.
Como controlar versões?
| Versão | Significado possível |
|---|---|
| 1.0 | Protocolo definido para início da revisão. |
| 1.1 | Ajuste documentado sem reconstrução completa do protocolo. |
| 2.0 | Alteração metodológica substancial, quando essa convenção fizer sentido no projeto. |
Não existe obrigação universal de utilizar exatamente essa convenção. O importante é conseguir identificar qual versão orientou cada momento da pesquisa.
O protocolo pode mudar?
Sim. Uma alteração justificável não significa automaticamente falha metodológica.
Quando relevante, registre:
- o que mudou;
- quando;
- por que mudou;
- quem tomou a decisão;
- qual impacto potencial possui.
O protocolo não é uma prisão metodológica. Sua função é tornar transparente a diferença entre o que foi planejado e o que precisou ser alterado durante a execução.
Mais adiante veremos como documentar emendas e quando considerar registros como PROSPERO ou OSF.
Resumo das 12 etapas para montar um protocolo de revisão
| Etapa | Decisão principal |
|---|---|
| 1. Pergunta | O que a revisão pretende responder? |
| 2. Objetivo | O que será feito para produzir essa resposta? |
| 3. Tipo de revisão | Qual desenho é compatível com a pergunta e o objetivo? |
| 4. Elegibilidade | Que estudos poderão entrar? |
| 5. Fontes | Onde as evidências serão procuradas? |
| 6. Busca | Como os estudos serão localizados? |
| 7. Seleção | Como será decidido o que entra? |
| 8. Extração | Que informações serão coletadas? |
| 9. Avaliação | Como os estudos serão avaliados, quando aplicável? |
| 10. Síntese | Como os dados serão transformados em resposta? |
| 11. Organização | Quem fará o quê, quando e onde os registros serão mantidos? |
| 12. Documentação | Como versões, registro e alterações serão controlados? |
Um protocolo coerente não é uma coleção de 12 campos independentes. Cada decisão precisa preparar a seguinte.
Pergunta → objetivo → desenho → elegibilidade → fontes → busca → seleção → extração → avaliação → síntese → organização → documentação.
Exemplo de protocolo de revisão preenchido
Agora podemos reunir as decisões em um único exemplo, sem transformar o modelo em uma receita universal.
Considere novamente a pergunta utilizada ao longo deste guia:
Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes?
Como essa pergunta pode ser transformada em protocolo?
| Componente | Aplicação no exemplo |
|---|---|
| Pergunta | Qual é a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes? |
| Objetivo | Analisar as evidências disponíveis sobre a relação entre atividade física e sintomas de ansiedade em adolescentes. |
| Tipo de revisão | Deve ser escolhido conforme a finalidade específica, a amplitude pretendida e o método que será efetivamente executado. |
| Elegibilidade | Definir população adolescente, atividade física, ansiedade, desenhos elegíveis e demais limites justificáveis. |
| Fontes | Selecionar fontes capazes de recuperar literatura relevante nas áreas envolvidas e justificar sua utilização. |
| Busca | Representar os conceitos relevantes por descritores e termos livres, combiná-los de forma lógica, testar a recuperação e adaptar a estratégia às fontes. |
| Seleção | Definir como registros serão organizados, avaliados pelos critérios e documentados até o conjunto final. |
| Extração | Coletar apenas dados necessários à caracterização e à resposta, como participantes, mensuração da atividade física, avaliação da ansiedade, desenho e resultados. |
| Avaliação | Definir se será necessária e, quando aplicável, utilizar abordagem compatível com os desenhos e a finalidade da revisão. |
| Síntese | Planejar como características e resultados serão organizados e comparados de acordo com o desenho escolhido. |
| Organização | Definir responsabilidades, cronograma, armazenamento, planilhas e controle dos registros. |
| Documentação | Atribuir versão e data ao protocolo e estabelecer como alterações relevantes serão registradas. |
O que esse exemplo demonstra?
Principalmente que uma mesma pergunta atravessa todo o protocolo.
Se a revisão é sobre adolescentes, por exemplo, esse conceito precisa ser considerado de forma coerente na elegibilidade, na busca quando pertinente, na extração e na interpretação dos resultados.
Da mesma maneira, não faz sentido planejar determinada comparação na síntese se os dados necessários para realizá-la não forem extraídos.
A pergunta não aparece apenas na primeira página do protocolo. Ela funciona como um fio condutor que conecta todas as decisões posteriores.
O exemplo define qual tipo de revisão deve ser utilizado?
Não propositalmente.
A pergunta isolada não é suficiente para transformar automaticamente o trabalho em revisão sistemática, integrativa, narrativa ou de escopo. A finalidade específica e o método pretendido também precisam ser considerados.
Essa escolha consciente evita ensinar que existe uma única arquitetura metodológica correta para qualquer pergunta.
Modelo: o que deve conter um protocolo de revisão?
A matriz abaixo pode ser utilizada como estrutura de planejamento. Ela não substitui diretrizes específicas, mas ajuda a verificar se as principais decisões estão conectadas.
| Componente | Pergunta que o protocolo deve responder |
|---|---|
| Identificação | Qual é o título, a versão, a data e quem são os responsáveis? |
| Justificativa | Por que a revisão é necessária? |
| Pergunta | O que se pretende responder? |
| Objetivo | O que a revisão fará? |
| Tipo de revisão | Qual desenho será utilizado e por quê? |
| Framework | Algum modelo será utilizado para estruturar a pergunta ou elegibilidade? |
| Elegibilidade | Que evidências poderão ser incluídas? |
| Fontes | Onde serão procuradas? |
| Busca | Como serão localizadas e documentadas? |
| Gerenciamento | Como registros, duplicatas, arquivos e versões serão organizados? |
| Seleção | Como será decidido quais estudos entram? |
| Extração | Quais dados serão coletados e por quê? |
| Avaliação | O que será avaliado e como, quando aplicável? |
| Síntese | Como os resultados serão organizados e analisados? |
| Responsabilidades | Quem realizará cada etapa? |
| Cronograma | Quando cada fase deverá ocorrer? |
| Registro | Existe registro aplicável e, se houver, qual será utilizado? |
| Alterações | Como mudanças serão registradas e justificadas? |
O mapa abaixo reúne os principais componentes que podem integrar um protocolo de revisão e mostra como essas decisões se conectam.

Todo protocolo precisa conter exatamente esses campos?
Não. O conteúdo depende do tipo de revisão, da pergunta, do contexto e das orientações utilizadas.
A matriz funciona como instrumento de planejamento, não como checklist universal obrigatório.
Modelo resumido para preencher
Título: […]
Versão e data: […]
Justificativa: […]
Pergunta: […]
Objetivo: […]
Tipo de revisão: […]
Critérios de elegibilidade: […]
Fontes: […]
Estratégia de busca: […]
Seleção: […]
Extração: […]
Avaliação: […]
Síntese: […]
Responsabilidades e cronograma: […]
Registro, quando aplicável: […]
Controle de alterações: […]
Esse modelo substitui uma diretriz metodológica?
Não. Revisões sistemáticas, revisões de escopo e outros desenhos podem exigir elementos adicionais ou formas específicas de planejamento.
O modelo deste guia serve para compreender a arquitetura do protocolo. Na aplicação real, ele deve ser compatibilizado com o referencial metodológico apropriado.
Se alguém ler apenas o protocolo, conseguirá compreender o que será investigado, quais evidências serão procuradas, como serão selecionadas, que informações serão coletadas e como serão transformadas em uma síntese?
Se partes importantes dessa trajetória continuarem indefinidas, o protocolo ainda precisa de refinamento.
Posso alterar o protocolo depois de iniciar a revisão?
Sim. Um protocolo pode precisar de alterações justificáveis durante a execução. O princípio fundamental é preservar a diferença entre o que havia sido planejado e o que foi modificado posteriormente.
Entre os motivos possíveis estão:
- esclarecimento de um critério ambíguo;
- problema operacional identificado durante um piloto;
- indisponibilidade de uma fonte;
- refinamento necessário da estratégia de busca;
- ajuste do formulário de extração;
- mudança justificada na forma de avaliação ou síntese.
Quando uma alteração se torna problemática?
Especialmente quando uma decisão relevante é modificada depois de conhecer estudos ou resultados e a mudança é ocultada ou apresentada como se sempre estivesse prevista.
| Situação | Conduta transparente |
|---|---|
| Critério revelou ambiguidade durante teste piloto | Refinar, justificar e registrar a alteração. |
| Fonte planejada tornou-se indisponível | Documentar o problema e a solução adotada. |
| Estratégia precisou de refinamento | Preservar versões relevantes e relatar a estratégia efetivamente executada. |
| Novo campo tornou-se necessário na extração | Registrar a inclusão e sua justificativa. |
| Critério foi alterado apenas para acomodar estudos já conhecidos | Avaliar criticamente a decisão e não ocultar seu caráter pós-hoc. |
Como registrar uma emenda?
Um histórico simples pode conter:
| Versão | Data | Seção | Alteração | Justificativa |
|---|---|---|---|---|
| 1.0 | [data] | Protocolo inicial | Versão definida para início | — |
| 1.1 | [data] | [seção] | [descrever alteração] | [justificar] |
Uma mudança justificável não é automaticamente uma falha. Para a transparência, o problema mais importante é não conseguir distinguir posteriormente planejamento, alteração e execução.
Se o protocolo estiver registrado ou publicado, consulte também as regras específicas da plataforma ou do periódico para comunicar atualizações ou emendas.
Onde registrar um protocolo de revisão?
O registro pode aumentar transparência e rastreabilidade, mas não existe um registro universal apropriado a qualquer revisão.
A escolha depende do tipo de revisão, área, escopo da plataforma, estágio do projeto e eventuais exigências institucionais, editoriais ou de financiamento.
Critérios de elegibilidade e procedimentos das plataformas podem mudar. Verifique sempre as regras oficiais vigentes antes de preparar ou submeter o registro.
O que é PROSPERO?
O PROSPERO, mantido pelo Centre for Reviews and Dissemination da University of York, é um registro prospectivo internacional para revisões sistemáticas que atendem ao seu escopo e aos critérios de elegibilidade vigentes.
Seu registro permite tornar publicamente identificáveis informações planejadas sobre a revisão, favorecendo transparência e ajudando a identificar trabalhos em andamento.
Qualquer revisão pode ser registrada no PROSPERO?
Não. O PROSPERO possui critérios próprios.
Nas orientações vigentes consultadas para esta atualização, revisões sistemáticas precisam atender ao escopo do registro; para revisões envolvendo estudos em humanos, o resultado deve possuir relevância direta para a saúde humana. As orientações atuais também indicam que revisões de escopo e revisões de literatura que utilizam busca sistemática não são elegíveis nessa categoria.
Por isso, não presuma que uma revisão bibliográfica, integrativa, de escopo ou um TCC será aceito simplesmente porque possui uma busca estruturada.
Antes da submissão, consulte diretamente o PROSPERO e verifique os critérios oficiais de elegibilidade vigentes para confirmar se o tipo e o estágio da revisão podem ser registrados.
Quando registrar no PROSPERO?
A lógica é prospectiva. O protocolo precisa estar preparado e o pesquisador deve observar o estágio máximo da revisão permitido pelas regras vigentes.
O registro não deve ser tratado como um recurso retrospectivo para atribuir um número a uma revisão já praticamente concluída.
Ter um registro no PROSPERO não equivale a certificação de qualidade metodológica, aprovação dos resultados ou garantia de publicação.
O que é OSF?
O Open Science Framework (OSF) é uma infraestrutura mais ampla de ciência aberta que permite organizar projetos e também criar registros e pré-registros.
Entre suas opções está o template Generalized Systematic Review, destinado ao pré-registro de revisões sistemáticas, revisões de escopo e meta-análises.
É importante distinguir:
- projeto no OSF: espaço de trabalho que pode continuar sendo organizado e atualizado;
- registro: versão temporalmente identificável do plano submetido.
Assim, simplesmente criar um projeto no OSF não significa necessariamente que o protocolo foi registrado.
PROSPERO ou OSF: qual escolher?
| Aspecto | PROSPERO | OSF |
|---|---|---|
| Natureza | Registro especializado para revisões elegíveis ao seu escopo. | Infraestrutura ampla de ciência aberta com registros e pré-registros. |
| Elegibilidade | Critérios específicos precisam ser atendidos. | Possui opções mais amplas e diferentes templates. |
| Revisão de escopo | Não elegível segundo a orientação PROSPERO consultada para esta atualização. | Contemplada pelo template Generalized Systematic Review. |
| Decisão | Escolher conforme desenho, escopo e requisitos aplicáveis, verificando sempre as regras vigentes. | |
Comece pelo método, não pela plataforma: “Que tipo de revisão estou realizando e qual mecanismo de registro é compatível com ela?”
Elaborar, registrar e publicar um protocolo são a mesma coisa?
Não. São três ações diferentes.
| Ação | Significado |
|---|---|
| Elaborar | Construir o plano metodológico da revisão. |
| Registrar | Depositar informações do protocolo em um registro ou plataforma compatível. |
| Publicar | Divulgar o protocolo como documento ou artigo científico. |
Um protocolo pode ser elaborado sem publicação como artigo. Dependendo do desenho e do contexto, também pode existir registro sem publicação convencional do protocolo.
Publicar ou registrar significa que o protocolo foi cientificamente validado?
Não automaticamente. Registro, publicação e avaliação metodológica possuem funções diferentes.
Elaborar é planejar. Registrar é criar um registro formal. Publicar é transformar o protocolo em um produto científico divulgado. Nenhuma dessas ações, isoladamente, garante a qualidade da revisão.
Como montar um protocolo de revisão para TCC?
Em um TCC, o nível de formalização deve ser compatível com o tipo de revisão, as normas da instituição e a orientação acadêmica.
Nem todo estudante precisa produzir um protocolo separado ou registrar o trabalho internacionalmente. Mesmo assim, o planejamento prévio pode organizar a revisão e facilitar posteriormente a redação da metodologia.
O que um protocolo simplificado pode conter?
- pergunta;
- objetivo;
- tipo de revisão;
- critérios de elegibilidade;
- fontes;
- estratégia de busca;
- seleção;
- extração;
- avaliação, quando aplicável;
- síntese;
- cronograma;
- controle de alterações.
O protocolo precisa aparecer no TCC?
Depende das normas institucionais. Suas decisões normalmente alimentam a metodologia final, mas o protocolo completo pode permanecer como documento de planejamento, integrar o projeto, aparecer como apêndice, ser registrado ou ser disponibilizado separadamente quando pertinente.
A metodologia final deve relatar o que realmente foi executado, incluindo alterações relevantes quando necessário.
E se o TCC for realizado por uma única pessoa?
Adapte o planejamento à realidade do trabalho. Não afirme que dois revisores independentes realizaram procedimentos se isso não ocorreu.
Rigor em um TCC individual significa transparência e coerência metodológica — não simular uma equipe inexistente.
Qual é a relação entre protocolo, PRISMA e PRISMA-P?
Esses conceitos se relacionam, mas não são sinônimos.
O que é PRISMA?
PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) é uma diretriz de relato destinada a aumentar a transparência e a completude da apresentação de revisões sistemáticas.
PRISMA ajuda a orientar o que precisa ser relatado; não deve ser apresentado isoladamente como o método utilizado para conduzir toda a revisão.
Escrever “a metodologia utilizada foi o PRISMA” como se o checklist, sozinho, definisse pergunta, critérios, busca, seleção, avaliação e síntese.
O que é PRISMA-P?
PRISMA-P foi desenvolvido especificamente para facilitar o desenvolvimento e o relato de protocolos de revisões sistemáticas.
Seu checklist contempla elementos como objetivos, elegibilidade, fontes, busca, gerenciamento dos estudos, seleção, extração, avaliação, síntese e alterações do protocolo.
PRISMA e PRISMA-P: qual é a diferença?
| Aspecto | PRISMA | PRISMA-P |
|---|---|---|
| Foco | Relato da revisão sistemática. | Desenvolvimento e relato do protocolo de revisão sistemática. |
| Momento | Comunicação da revisão realizada. | Planejamento documentado da revisão. |
| Substitui referencial metodológico? | Não. | Não. |
Seguir PRISMA-P garante qualidade metodológica?
Não. Um checklist pode melhorar completude e transparência, mas não consegue determinar sozinho se pergunta, critérios, fontes, estratégia, ferramentas de avaliação ou síntese são metodologicamente adequados.
E as revisões de escopo?
Revisões de escopo possuem orientações próprias de método e relato. Existe, por exemplo, uma extensão PRISMA específica para o relato desse desenho, conhecida como PRISMA-ScR.
Não transforme automaticamente uma diretriz criada para determinado tipo de revisão em requisito universal para revisões sistemáticas, integrativas, narrativas, de escopo ou outros desenhos.
O fluxograma PRISMA substitui o protocolo?
Não. O protocolo planeja como a seleção ocorrerá; o fluxograma comunica o que aconteceu durante a identificação e seleção dos estudos.
Um conteúdo específico deste silo aprofundará como usar o PRISMA na revisão sistemática, incluindo checklist, fluxograma e cuidados de interpretação.
Ter um protocolo garante que a revisão será de qualidade?
Não. Um protocolo melhora planejamento, transparência e rastreabilidade, mas sua existência não garante que as decisões metodológicas sejam adequadas.
É possível elaborar um protocolo detalhado e ainda apresentar problemas como:
- pergunta incompatível com o desenho escolhido;
- critérios de elegibilidade pouco claros;
- fontes inadequadas;
- estratégia de busca insuficiente;
- procedimentos de seleção inconsistentes;
- extração desconectada da pergunta;
- ferramenta de avaliação incompatível com os estudos;
- síntese que não corresponde aos dados disponíveis.
O que caracteriza um protocolo metodologicamente coerente?
Uma das melhores formas de avaliar o documento é verificar a cadeia de decisões:
Pergunta → objetivo → tipo de revisão → elegibilidade → fontes → busca → seleção → extração → avaliação → síntese.
Cada elemento deve preparar o seguinte.
| Verifique se… | Pergunta de auditoria |
|---|---|
| Pergunta e objetivo combinam | O objetivo realmente permite responder à pergunta? |
| Desenho combina com a finalidade | O tipo de revisão escolhido consegue cumprir esse objetivo? |
| Elegibilidade representa a pergunta | Os estudos considerados elegíveis poderão fornecer a evidência necessária? |
| Fontes são adequadas | É plausível encontrar nessas fontes a literatura relevante? |
| Busca representa os conceitos | A estratégia consegue localizar os estudos potencialmente elegíveis? |
| Extração alimenta a síntese | Os dados previstos são suficientes para produzir a análise prometida? |
| Avaliação é compatível | A abordagem escolhida avalia o que realmente precisa ser avaliado? |
| Síntese responde à pergunta | O resultado planejado poderá responder ao objetivo da revisão? |
Um bom protocolo não é necessariamente o mais longo. É aquele em que as decisões importantes estão claras, justificadas, executáveis e coerentes entre si.
Registrar o protocolo comprova sua qualidade?
Não. Um registro pode aumentar transparência e criar uma referência temporal do planejamento, mas não deve ser apresentado como selo automático de qualidade, certificação dos resultados ou garantia de publicação.
12 erros comuns ao montar um protocolo de revisão
Conhecer os erros mais frequentes ajuda a identificar inconsistências antes da execução.
1. Elaborar o protocolo depois de realizar a revisão
Um documento retrospectivo não cumpre plenamente a função de planejamento prospectivo. Se a revisão já começou, descreva com transparência o estágio em que o protocolo foi elaborado.
2. Trabalhar com uma pergunta vaga
Se a pergunta não delimita adequadamente o problema, critérios, busca, extração e síntese tendem a perder direção.
Correção: refine a pergunta antes de construir o restante do método.
3. Confundir pergunta com objetivo
A pergunta expressa a dúvida; o objetivo descreve o que a revisão fará para respondê-la.
Correção: verifique se o cumprimento do objetivo produz uma resposta à pergunta.
4. Escolher o tipo de revisão pelo prestígio do nome
Chamar um trabalho de revisão sistemática não o torna mais rigoroso.
Correção: escolha o desenho pela finalidade e pelo método que poderá ser efetivamente executado.
5. Definir critérios depois de conhecer os estudos
Isso pode permitir que resultados conhecidos influenciem decisões que deveriam ter sido planejadas antecipadamente.
Correção: defina os critérios antes da seleção definitiva e documente alterações justificáveis.
6. Escolher fontes sem justificativa
Uma lista extensa de plataformas não substitui uma estratégia de cobertura adequada.
Correção: relacione as fontes à área, à pergunta e ao desenho.
7. Tratar a estratégia de busca como uma lista de palavras
Termos isolados não descrevem adequadamente como os conceitos serão representados, combinados, testados e adaptados.
Correção: utilize o método desenvolvido no guia sobre estratégia de busca científica.
8. Não planejar a seleção dos estudos
Critérios de elegibilidade só se tornam operacionais quando existe um procedimento para aplicá-los.
Correção: defina etapas, responsáveis, registros e tratamento de divergências quando aplicável.
9. Decidir a extração durante a leitura dos artigos
Isso pode produzir coleta inconsistente e campos que não servem à síntese.
Correção: planeje antecipadamente quais informações serão necessárias e teste o formulário quando apropriado.
10. Escolher uma ferramenta de avaliação incompatível
Instrumentos metodológicos não são intercambiáveis.
Correção: identifique primeiro o que precisa ser avaliado e quais desenhos serão incluídos.
11. Fazer alterações sem registrá-las
Mudanças podem ser legítimas. Ocultá-las prejudica a rastreabilidade.
Correção: registre o que mudou, quando e por quê.
12. Copiar o protocolo de outra revisão
Protocolos publicados podem servir como referência, mas decisões adequadas para outra pergunta podem ser inadequadas para a sua.
Correção: utilize exemplos para aprender a estrutura e justifique cada decisão no contexto da própria revisão.
Diagnóstico rápido dos erros
| Se você percebeu… | Revise principalmente… |
|---|---|
| O trabalho não sabe exatamente o que responder | Pergunta e objetivo. |
| O nome da revisão não combina com os procedimentos | Tipo de revisão e referencial metodológico. |
| Os estudos entram ou saem sem regra clara | Elegibilidade e seleção. |
| A busca parece arbitrária | Fontes e estratégia. |
| A planilha acumula informações sem finalidade | Extração e síntese. |
| O método mudou silenciosamente | Controle de versões e alterações. |
Entre diferentes problemas possíveis, merece atenção especial alterar decisões depois de conhecer os resultados e apresentá-las posteriormente como se tivessem sido definidas desde o início.
Quando uma decisão pós-hoc for necessária e justificável, a resposta metodologicamente mais transparente é documentá-la.
Checklist para revisar o protocolo antes de iniciar a revisão
Antes da execução definitiva, faça uma auditoria do documento. O objetivo não é apenas verificar se existem seções preenchidas, mas confirmar se as decisões estão suficientemente claras para orientar o trabalho.
O checklist visual abaixo resume os principais pontos que devem ser conferidos antes de iniciar a execução da revisão.

1. Pergunta de pesquisa
- □ A pergunta está claramente formulada?
- □ Os conceitos centrais podem ser identificados?
- □ A amplitude é compatível com o trabalho?
2. Objetivo
- □ O objetivo corresponde à pergunta?
- □ O verbo utilizado representa o que será realmente realizado?
3. Tipo de revisão
- □ O desenho está explicitamente declarado?
- □ A escolha é compatível com pergunta e objetivo?
- □ Existe um referencial metodológico adequado quando necessário?
4. Critérios de elegibilidade
- □ Está claro o que poderá ser incluído?
- □ Os critérios estão relacionados à pergunta?
- □ Limitações de período, idioma ou publicação possuem justificativa quando utilizadas?
- □ Ambiguidades importantes foram testadas ou esclarecidas?
5. Fontes de informação
- □ As fontes estão identificadas?
- □ A escolha possui justificativa?
- □ A cobertura parece adequada à área e à pergunta?
- □ Portal de acesso e base efetivamente pesquisada estão corretamente distinguidos?
6. Estratégia de busca
- □ Os conceitos relevantes foram identificados?
- □ Descritores e termos livres foram considerados quando apropriados?
- □ As relações entre os grupos estão claras?
- □ A estratégia foi testada e refinada?
- □ Está prevista adaptação entre fontes?
- □ A execução poderá ser documentada?
7. Seleção
- □ As etapas de seleção estão definidas?
- □ Está claro como os critérios serão aplicados?
- □ Responsáveis e divergências estão previstos quando aplicável?
- □ Existe plano para documentar decisões relevantes?
8. Extração
- □ Os dados necessários foram definidos?
- □ Cada campo possui finalidade?
- □ O formulário poderá ser testado quando apropriado?
- □ Os dados previstos alimentam a síntese?
9. Avaliação
- □ Está definido se haverá avaliação metodológica?
- □ A abordagem é compatível com os desenhos incluídos?
- □ Está claro como seus resultados serão utilizados?
10. Organização e síntese
- □ Está previsto como os estudos serão caracterizados?
- □ A forma de síntese corresponde à pergunta e aos dados?
- □ O protocolo evita prometer análises incompatíveis com o método?
11. Organização da execução
- □ Responsabilidades estão definidas?
- □ O cronograma é viável?
- □ Arquivos, referências e versões possuem forma de organização?
12. Registro, versões e alterações
- □ O protocolo possui versão e data?
- □ Foi verificado se existe registro apropriado ao desenho?
- □ Está definido como alterações serão documentadas?
- □ O método permite distinguir planejamento e execução?
Nem todo protocolo precisa responder “sim” a todos os itens. Alguns podem ser não aplicáveis ao desenho utilizado.
Proporcionalidade metodológica significa distinguir entre aquilo que está ausente por descuido e aquilo que não é necessário para aquela revisão.
Como classificar o resultado da auditoria?
| Status | Significado |
|---|---|
| Definido | A decisão está clara e pronta para orientar a execução. |
| Precisa de refinamento | A decisão existe, mas ainda possui ambiguidade relevante. |
| Pendente | Uma decisão necessária ainda não foi tomada. |
| Não aplicável | O elemento não é exigido pelo desenho ou contexto adotado. |
Checklist rápido: o protocolo está pronto?
- □ Sei exatamente qual pergunta quero responder.
- □ O objetivo corresponde à pergunta.
- □ O tipo de revisão está definido.
- □ Sei quais estudos poderão ser incluídos.
- □ Sei onde procurar as evidências.
- □ Tenho um plano para construir e documentar a busca.
- □ Sei como os estudos serão selecionados.
- □ Sei quais dados serão extraídos.
- □ Defini a avaliação necessária, quando aplicável.
- □ Sei como os resultados serão sintetizados.
- □ Responsabilidades e cronograma são viáveis.
- □ O protocolo possui versão e data.
- □ Sei como alterações serão documentadas.
- □ Verifiquei se registro é necessário ou apropriado.
- O que vou investigar?
- Por que este tipo de revisão é adequado?
- Que evidências poderão entrar?
- Onde e como vou procurá-las?
- Como decidirei quais estudos incluir?
- Que informações vou extrair e avaliar?
- Como transformarei esses dados em uma síntese?
- Como documentarei o que foi planejado e o que eventualmente mudou?
Se essas respostas estiverem claras e coerentes, o protocolo está muito mais próximo de cumprir sua função metodológica.
Perguntas frequentes sobre protocolo de revisão
O que é um protocolo de revisão?
É o planejamento metodológico da revisão
É o documento ou conjunto estruturado de decisões elaborado antes da execução das principais etapas da revisão. Ele descreve o que será investigado e como a pesquisa pretende localizar, selecionar, avaliar, extrair e sintetizar as evidências.
Para que serve um protocolo de revisão?
Para organizar antecipadamente as principais decisões
O protocolo ajuda a alinhar pergunta, objetivo e método, aumenta a rastreabilidade das decisões e permite comparar posteriormente o que havia sido planejado com aquilo que foi realmente executado.
Todo TCC de revisão precisa ter um protocolo?
Não necessariamente como documento separado
Isso depende do tipo de revisão, das normas da instituição e da orientação acadêmica. Mesmo quando não existe um protocolo formal separado, o planejamento prévio das etapas metodológicas continua sendo útil.
Toda revisão sistemática precisa de protocolo?
O planejamento prospectivo possui papel metodológico central
Em revisões sistemáticas, definir os métodos antecipadamente é uma prática metodologicamente importante. Requisitos específicos de elaboração, registro ou publicação dependem das diretrizes e do contexto aplicável.
Qual é a diferença entre protocolo e projeto de pesquisa?
O projeto é mais amplo e o protocolo detalha a execução da revisão
O projeto normalmente inclui problema, justificativa, objetivos, referencial, método e cronograma. O protocolo concentra-se especialmente nas decisões que orientarão a execução metodológica da revisão.
Qual é a diferença entre protocolo e revisão final?
O protocolo descreve o planejado; a revisão final relata o executado
A revisão concluída deve apresentar os métodos efetivamente realizados e documentar alterações relevantes ocorridas em relação ao planejamento inicial.
Um protocolo de revisão pode ser alterado?
Sim, desde que mudanças relevantes sejam documentadas
Alterações podem ser necessárias por motivos metodológicos ou operacionais. O importante é registrar o que mudou, quando ocorreu e por que a decisão foi tomada.
Registrar um protocolo é obrigatório?
Não existe uma regra universal para todos os tipos de revisão
A necessidade ou adequação do registro depende do desenho, do escopo do registro escolhido e das exigências acadêmicas, editoriais ou institucionais aplicáveis.
Onde posso registrar um protocolo de revisão?
PROSPERO e OSF são possibilidades em contextos diferentes
O PROSPERO possui escopo e critérios próprios para revisões elegíveis. O OSF oferece infraestrutura mais ampla para registros e pré-registros. A plataforma deve ser escolhida de acordo com o desenho e os requisitos atuais.
O PROSPERO aceita qualquer tipo de revisão?
Não
O PROSPERO possui critérios específicos de elegibilidade. Antes de preparar uma submissão, consulte sempre as orientações oficiais vigentes.
O que é OSF?
É uma infraestrutura de ciência aberta
O Open Science Framework permite organizar projetos e criar registros ou pré-registros. Criar um projeto no OSF e registrar formalmente um plano são ações relacionadas, mas não idênticas.
A estratégia de busca precisa estar pronta antes do protocolo?
Ela pode ser testada e refinada durante a construção do protocolo
O pesquisador pode realizar buscas exploratórias e testes para melhorar a estratégia. Antes da execução definitiva, porém, o planejamento da busca deve estar suficientemente definido e documentável.
Os critérios de inclusão e exclusão devem ser definidos antes da busca?
Os critérios centrais devem anteceder a seleção definitiva
Buscas exploratórias podem ajudar a esclarecer ambiguidades, mas não é uma boa prática definir retrospectivamente os critérios apenas depois de conhecer quais estudos foram encontrados.
Protocolo de revisão é a mesma coisa que PRISMA?
Não
O protocolo é o plano metodológico da revisão. PRISMA é uma diretriz de relato para revisões sistemáticas. O PRISMA-P foi desenvolvido especificamente para auxiliar o desenvolvimento e o relato de protocolos de revisões sistemáticas.
O que é PRISMA-P?
É uma diretriz voltada aos protocolos de revisões sistemáticas
O PRISMA-P apresenta itens importantes para o desenvolvimento e relato de protocolos, mas não substitui o referencial metodológico necessário para conduzir a revisão.
Uma revisão integrativa pode ter protocolo?
Sim
O planejamento prévio pode organizar pergunta, critérios, busca, seleção, extração e síntese em uma revisão integrativa, respeitando o referencial metodológico adotado para esse desenho.
Uma revisão de escopo pode ter protocolo?
Sim
O planejamento estruturado é compatível com revisões de escopo e pode ser desenvolvido conforme as orientações metodológicas específicas desse tipo de revisão.
O protocolo pode ser colocado no TCC?
Sim, mas sua forma depende das normas acadêmicas
Ele pode integrar o projeto, contribuir para a seção metodológica, aparecer como apêndice ou permanecer como documento separado. Consulte as exigências da instituição e do orientador.
Ter protocolo garante uma revisão de qualidade?
Não
Um protocolo melhora planejamento e transparência, mas a qualidade depende da adequação da pergunta, do desenho, dos critérios, das fontes, da busca, da seleção, da avaliação e da síntese.
Conclusão: como montar um bom protocolo de revisão?
Montar um protocolo de revisão significa transformar uma pergunta de pesquisa em uma sequência coerente de decisões metodológicas.
O processo começa pela definição da pergunta e do objetivo, passa pela escolha do tipo de revisão, critérios de elegibilidade, fontes e estratégia de busca e continua com o planejamento da seleção, extração, avaliação, síntese, responsabilidades e documentação.
O protocolo não precisa ser idêntico em todos os tipos de revisão, nem precisa necessariamente se transformar em um documento extenso. O ponto central é que as decisões importantes estejam suficientemente claras para orientar a execução e permitir que posteriormente se reconheça o que foi planejado, o que foi realizado e o que precisou mudar.
Um protocolo bem construído é menos uma formalidade e mais um instrumento de coerência metodológica. Ele conecta a pergunta às decisões necessárias para localizar, selecionar, analisar e sintetizar as evidências.
Próximo passo: como definir critérios de inclusão e exclusão
Depois de compreender a arquitetura do protocolo, uma das decisões que mais exige cuidado é determinar quais estudos poderão entrar ou deverão ficar fora da revisão.
Esse será o foco do próximo conteúdo deste silo: Como Definir Critérios de Inclusão e Exclusão em uma Revisão.
Nele, veremos como transformar a pergunta de pesquisa em critérios operacionais, como lidar com população, fenômeno, desenho, período, idioma e tipo de publicação e como evitar critérios criados apenas depois de conhecer os estudos.
Para aprofundar as etapas que antecedem e alimentam o protocolo, consulte também:
Referências e documentos metodológicos
- MOHER, D. et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015 statement. Systematic Reviews, v. 4, art. 1, 2015. DOI: 10.1186/2046-4053-4-1.
- SHAMSEER, L. et al. Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) 2015: elaboration and explanation. BMJ, v. 349, g7647, 2015. DOI: 10.1136/bmj.g7647.
- PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 71, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71.
- HIGGINS, J. P. T. et al. (eds.). Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions. Version 6.5. Cochrane.
- LASSERSON, T. J.; THOMAS, J.; HIGGINS, J. P. T. Starting a review. In: Cochrane Handbook for Systematic Reviews of Interventions.
- PETERS, M. D. J. et al. Scoping Reviews. In: JBI Manual for Evidence Synthesis. JBI, 2024. DOI: 10.46658/JBIMES-24-09.
- PRISMA Statement — site oficial.
- PRISMA-P — protocolos.
- PROSPERO — International Prospective Register of Systematic Reviews.
- Open Science Framework — Registrations.
