Normas da ABNT

Como Citar Entrevista nas Normas ABNT: Guia com Exemplos

Veja como citar entrevista nas normas ABNT em diferentes situações. Aprenda a citar entrevistas feitas para o TCC, entrevistas publicadas, falas de participantes, vídeos e podcasts, além de entender referências, transcrição, anonimato, apêndices e exemplos práticos.

Como Citar Entrevista nas Normas ABNT: Guia com Exemplos

Como Citar Entrevista nas Normas ABNT: Guia com Exemplos

Saber como citar entrevista nas normas ABNT é uma dúvida comum em TCCs, monografias e pesquisas acadêmicas, principalmente porque uma entrevista realizada pelo próprio pesquisador não recebe necessariamente o mesmo tratamento de uma entrevista publicada em revista, jornal, site, vídeo ou podcast.


Atualizado em Setembro de 2026
Por Equipe Editorial do TCC&Monografia


Mas como citar entrevista nas normas ABNT? A resposta depende de uma distinção essencial: uma entrevista realizada pelo próprio pesquisador para produzir os dados do TCC não é necessariamente tratada da mesma maneira que uma entrevista já publicada em jornal, revista, site, vídeo ou podcast.

Por isso, antes de procurar um modelo pronto de referência, é necessário identificar qual é a origem da entrevista, se ela foi publicada, onde pode ser encontrada e em qual suporte está disponível.

Resumo rápido: como citar entrevista na ABNT?

Antes de citar uma entrevista, faça estas perguntas:

  • A entrevista foi realizada por você para o TCC? Nesse caso, ela faz parte da produção de dados da pesquisa e precisa ser contextualizada metodologicamente.
  • A entrevista já foi publicada? Então é necessário identificar a publicação e o suporte em que ela está disponível.
  • Está em jornal, revista ou site? A referência deve considerar as características da publicação consultada.
  • Está em vídeo ou podcast? O suporte audiovisual ou sonoro passa a ser relevante.
  • A informação não está publicamente recuperável? O tratamento pode ser diferente daquele aplicado a uma fonte publicada.

Em outras palavras: não existe uma única fórmula que possa ser aplicada mecanicamente a qualquer situação envolvendo entrevistas.

Ao longo deste guia, você verá como lidar com entrevistas realizadas para o próprio TCC, entrevistas publicadas, conteúdos disponíveis na internet, gravações, transcrições, identificação dos participantes, citações diretas e indiretas, apêndices e referências.

Também serão abordadas situações que costumam gerar dúvidas, como entrevistas anônimas, uso de códigos como “Participante 1”, entrevistas publicadas no YouTube, podcasts e informações obtidas oralmente.

Como citar entrevista nas normas ABNT?

Para citar uma entrevista corretamente, o primeiro passo não é montar a referência. O primeiro passo é identificar que tipo de fonte você realmente possui.

A palavra “entrevista” descreve uma forma de obtenção ou apresentação de informações, mas pode aparecer em situações documentais bastante diferentes.

Um estudante pode, por exemplo, entrevistar cinco professores especificamente para produzir dados para seu TCC. Outro estudante pode utilizar uma entrevista com um especialista publicada por um jornal. Em um terceiro trabalho, a fonte pode ser uma entrevista disponível em um canal do YouTube.

Nos três casos existe uma entrevista, mas a natureza da fonte e a forma de documentá-la não são idênticas.

Atenção: entrevista não é um único tipo de documento

Uma entrevista pode constituir dado produzido na própria pesquisa ou estar incorporada a uma fonte publicada e recuperável, como uma reportagem, página da internet, vídeo, podcast ou outro documento.

Por isso, aplicar uma única fórmula de referência a qualquer entrevista pode produzir erros.

Na prática, uma boa decisão começa pela identificação de quatro características:

  1. Origem: quem produziu ou realizou a entrevista?
  2. Finalidade: ela foi produzida para a própria pesquisa ou consultada como fonte externa?
  3. Disponibilidade: está publicada e pode ser recuperada pelo leitor?
  4. Suporte: está em texto, página web, jornal, revista, áudio, vídeo, podcast ou outro formato?

Depois dessa classificação, fica muito mais fácil decidir como a entrevista será apresentada no texto, qual norma precisa ser observada e se existe um documento que deve aparecer na lista de referências.

Exemplo simples

Imagine dois estudantes pesquisando o mesmo tema.

Estudante A: entrevista pessoalmente uma professora para coletar dados destinados exclusivamente ao TCC.

Estudante B: encontra uma entrevista com uma professora publicada no site de uma universidade e utiliza algumas declarações como fonte documental.

No primeiro caso, a entrevista integra diretamente a produção de dados da pesquisa. O trabalho precisa explicar, entre outros aspectos relevantes, como os participantes foram definidos, como a entrevista foi realizada, como as informações foram registradas e como os dados foram analisados.

No segundo caso, o estudante está consultando uma fonte previamente publicada. Nesse cenário, é necessário identificar corretamente o documento consultado, fazer a citação pertinente e elaborar a referência correspondente.

Essa distinção será utilizada em todo este guia.

Boa prática

Antes de copiar qualquer modelo de referência para entrevista, responda em uma frase: “De onde exatamente veio essa informação?”

Essa pergunta costuma revelar se você está lidando com dado produzido pela própria pesquisa, documento publicado, informação não recuperável ou conteúdo audiovisual.

Quais normas ABNT são usadas para citar entrevistas?

Não existe uma única norma da ABNT dedicada exclusivamente a “entrevistas”. Para compreender como esse tipo de fonte deve aparecer em um trabalho acadêmico, é necessário considerar principalmente as normas de citações, referências e apresentação de trabalhos acadêmicos.

ABNT NBR 10520:2023 — citações

A ABNT NBR 10520:2023 estabelece as regras gerais para apresentação de citações em documentos.

Ela é especialmente relevante quando o pesquisador precisa incorporar ao texto uma informação proveniente da entrevista, seja reproduzindo literalmente uma fala, seja apresentando a ideia com outras palavras.

É nesse contexto que entram questões como:

  • citação direta;
  • citação indireta;
  • formas de chamada da fonte;
  • citações diretas de até três linhas;
  • citações diretas com mais de três linhas;
  • localização de trechos em documentos não paginados;
  • uso de notas quando aplicável.

Portanto, quando a dúvida é “como apresentar no texto a fala ou a informação obtida na entrevista?”, a NBR 10520:2023 é uma das referências normativas centrais.

Para conferir diretamente uma orientação institucional atualizada sobre citações, consulte também os materiais de normalização disponibilizados pelo Sistema Integrado de Bibliotecas da Universidade Federal de Jataí.

ABNT NBR 6023:2025 — referências

A ABNT NBR 6023:2025 estabelece os princípios para elaboração de referências.

Ela é fundamental quando a entrevista está associada a um documento que precisa ser identificado na lista de referências, como uma entrevista publicada em periódico ou outro documento recuperável.

A edição de 2025 também merece atenção porque contém orientação específica para entrevistas. Nos exemplos bibliográficos apresentados mais adiante neste guia, essa atualização será considerada para evitar a reprodução automática de modelos antigos.

ABNT NBR 14724:2024 — trabalhos acadêmicos

A ABNT NBR 14724:2024 trata da apresentação dos trabalhos acadêmicos e é relevante para compreender a organização dos elementos pós-textuais.

Entre esses elementos estão:

  • referências;
  • glossário;
  • apêndices;
  • anexos;
  • índice.

Essa norma também ajuda a compreender a diferença entre materiais produzidos pelo próprio autor e documentos produzidos por terceiros quando eles precisam ser apresentados como elementos complementares do trabalho.

Atualização importante

Ao consultar exemplos de referências na internet, observe a data do material.

Muitos tutoriais ainda utilizam versões anteriores das normas. Neste guia, as orientações consideram principalmente a ABNT NBR 10520:2023, a ABNT NBR 6023:2025 e a ABNT NBR 14724:2024, sem transformar convenções de um manual institucional específico em regras universais da ABNT.

A ABNT determina toda a metodologia de uma entrevista?

Não. Essa distinção é fundamental.

As normas de citação, referências e apresentação ajudam a organizar formalmente o trabalho, mas não substituem as decisões metodológicas de uma pesquisa que utiliza entrevistas.

Questões como seleção dos participantes, construção do roteiro, modalidade da entrevista, forma de gravação, transcrição, análise dos dados, consentimento e proteção da identidade dependem do desenho da pesquisa, do método adotado e das exigências institucionais ou éticas aplicáveis.

Visão metodológica

Citar uma entrevista corretamente não significa que a entrevista foi metodologicamente bem conduzida.

Em uma pesquisa de campo, o leitor também precisa compreender como os dados foram produzidos, registrados e analisados. A normalização acadêmica é apenas uma parte desse processo.

O manual da universidade pode trazer regras adicionais?

Sim. Universidades, faculdades e programas de pós-graduação podem publicar manuais próprios de normalização e orientações metodológicas.

Esses documentos podem estabelecer detalhes de apresentação, modelos de identificação dos participantes, organização de apêndices, estrutura das transcrições, medidas de recuo e outras convenções utilizadas pela instituição.

Por isso, uma prática segura é trabalhar em três níveis:

  1. norma ABNT vigente;
  2. manual institucional;
  3. orientações específicas do curso, programa ou orientador.

Quando houver exigência institucional específica para entrega do TCC, ela deve ser conferida antes da versão definitiva.

Entrevista feita para o TCC e entrevista publicada são a mesma coisa?

Não. Essa é provavelmente a distinção mais importante para quem deseja aprender como citar entrevistas.

Uma entrevista realizada pelo pesquisador pode funcionar como instrumento de produção de dados primários. Já uma entrevista publicada existe como documento ou conteúdo externo que o pesquisador consultou.

Situação Natureza predominante Tratamento principal
Entrevista realizada pelo pesquisador para o TCC Dado produzido na pesquisa Descrição metodológica, identificação adequada dos participantes e documentação dos dados
Entrevista publicada em revista Fonte publicada Citação no texto e referência do documento consultado
Entrevista publicada em jornal Fonte publicada Citação e referência conforme as características da publicação
Entrevista disponível em site Fonte online Citação e referência considerando o documento efetivamente consultado
Entrevista publicada em vídeo Documento audiovisual Citação e referência considerando o suporte audiovisual
Entrevista publicada em podcast Documento sonoro/digital Citação e referência considerando o episódio ou programa consultado

Observe que a tabela não apresenta uma fórmula única de referência. Ela primeiro classifica a fonte. Esse raciocínio reduz o risco de aplicar um modelo correto ao documento errado.

Por que essa diferença é tão importante?

Porque a lista de referências tem a função de identificar os documentos utilizados. Já os dados produzidos diretamente pelo pesquisador fazem parte também da documentação metodológica da própria pesquisa.

Isso não significa que se possa adotar sem análise a regra simplificada “entrevista própria nunca aparece nas referências”. A existência de uma gravação publicada, documento depositado, transcrição disponibilizada ou orientação institucional específica pode modificar a forma pela qual esse material é documentado.

O correto é analisar a situação concreta.

Erro comum: procurar primeiro o modelo de referência

Um erro frequente é pesquisar “referência ABNT de entrevista”, copiar a primeira fórmula encontrada e apenas substituir nome e data.

O problema é que o exemplo encontrado pode se referir a uma entrevista publicada em periódico, enquanto a sua entrevista foi realizada pessoalmente durante uma pesquisa de campo.

Classifique a fonte primeiro. Formate depois.

Entrevista é fonte primária?

Uma entrevista produzida diretamente pelo pesquisador pode constituir uma fonte primária de dados, especialmente em pesquisas qualitativas e estudos que investigam experiências, percepções, práticas, opiniões ou trajetórias dos participantes.

Entretanto, “fonte primária” não significa automaticamente “fonte mais confiável” nem “fonte que dispensa análise crítica”. O termo descreve principalmente a relação da fonte com o objeto e com a produção da informação.

Além disso, uma entrevista publicada pode ser uma fonte primária para determinada pergunta de pesquisa e, ao mesmo tempo, ser consultada pelo estudante como documento já existente.

Por exemplo, um pesquisador que estuda o discurso público de determinado dirigente pode analisar entrevistas publicadas como documentos primários de seu corpus, embora não tenha realizado pessoalmente nenhuma delas.

Vale lembrar

“Fonte primária” e “fonte publicada” não são categorias opostas. Uma entrevista pode estar publicada e ainda funcionar como fonte primária para determinada investigação.

Como citar entrevista feita pelo próprio pesquisador?

Quando a entrevista foi realizada especificamente para o TCC, é importante pensar além da citação de uma frase isolada.

A entrevista faz parte do processo de produção dos dados e, portanto, normalmente precisa estar conectada à metodologia da pesquisa.

O leitor deve conseguir compreender, dentro dos limites éticos e metodológicos do estudo:

  • quem compôs o grupo de participantes;
  • como os participantes foram selecionados;
  • quantas entrevistas foram realizadas;
  • qual tipo de entrevista foi adotado;
  • em que período ocorreu a coleta;
  • se as entrevistas foram presenciais ou remotas;
  • como foram registradas;
  • como foram transcritas, quando aplicável;
  • como os dados foram analisados;
  • como a identidade dos participantes foi protegida, quando necessário.

Essas informações permitem que as falas utilizadas nos resultados ou na discussão sejam compreendidas dentro do desenho da pesquisa.

Como identificar o entrevistado no TCC?

A identificação depende do desenho do estudo e das condições éticas e metodológicas da pesquisa.

Em alguns trabalhos, a identidade do participante pode ser pública e relevante. Em outros, revelar o nome pode ser inadequado ou incompatível com as condições estabelecidas para sua participação.

Quando é necessário preservar a identidade, o pesquisador pode utilizar códigos ou pseudônimos coerentes, como:

  • Participante 1;
  • Participante 2;
  • Entrevistado A;
  • Entrevistada B;
  • Professor 1;
  • Gestora A.

A escolha não deve ser aleatória. O sistema de identificação precisa ser explicado e utilizado de maneira consistente ao longo do trabalho.

Na prática

Imagine uma pesquisa qualitativa com oito professores de escolas públicas. Para preservar a identidade dos participantes, o pesquisador estabelece os códigos Professor 1 a Professor 8.

Na metodologia, ele explica esse procedimento. Nos resultados, as falas são atribuídas aos mesmos códigos.

Dessa maneira, o leitor consegue distinguir os participantes sem que o trabalho precise expor seus nomes.

Posso inventar características para tornar o entrevistado anônimo?

Não é uma boa solução alterar informações arbitrariamente apenas para esconder a identidade do participante, porque determinadas mudanças podem comprometer a integridade dos dados.

Quando características potencialmente identificadoras precisam ser omitidas, generalizadas ou modificadas por razões de confidencialidade, essa decisão deve ser metodologicamente justificada e compatível com os procedimentos éticos da pesquisa.

O nome real do entrevistado deve aparecer?

Não existe uma resposta universal aplicável a toda pesquisa.

Uma entrevista pública com uma autoridade identificada, uma entrevista jornalística já publicada e uma entrevista confidencial realizada com um participante de pesquisa são situações diferentes.

Por isso, a decisão não deve ser tomada apenas com base na formatação bibliográfica.

Atenção: ABNT e ética em pesquisa são assuntos relacionados, mas diferentes

As normas de citação e referência não substituem os procedimentos éticos aplicáveis à pesquisa com participantes humanos.

Quando o estudo envolve pessoas, verifique as exigências do projeto, da instituição e, quando aplicável ao desenho da pesquisa, do sistema de ética correspondente.

Como citar a fala de um entrevistado no TCC?

Depois de definir como os participantes serão identificados, é necessário manter essa identificação consistente ao apresentar suas falas.

Um exemplo didático seria:

“A principal dificuldade foi conciliar o novo procedimento com a rotina que já existia na equipe.” (Participante 3)

Outra possibilidade é integrar a identificação à frase introdutória:

O Participante 3 relatou que “a principal dificuldade foi conciliar o novo procedimento com a rotina que já existia na equipe”.

Esses exemplos demonstram a lógica de identificação dos dados, mas não constituem uma fórmula universal imposta pela ABNT para participantes de pesquisa. A maneira exata de apresentar dados qualitativos pode depender do método, do manual institucional e das decisões editoriais adotadas no trabalho.

Quando o trecho é reproduzido literalmente, é importante preservar adequadamente o sentido da fala e sinalizar eventuais intervenções editoriais relevantes conforme os critérios utilizados na pesquisa.

Antes de avançarmos para citações diretas, indiretas e referências, vale visualizar a principal decisão que organiza todo esse processo.

Fluxograma para identificar como citar entrevista feita para o TCC ou entrevista publicada nas normas ABNT
Antes de escolher um modelo de citação ou referência, identifique se a entrevista foi produzida na própria pesquisa ou consultada como fonte publicada.

Entrevista é considerada informação verbal nas normas ABNT?

Nem toda entrevista deve ser tratada automaticamente como “informação verbal”. Essa simplificação aparece com frequência em materiais acadêmicos e pode gerar erros porque a natureza da fonte depende de como a entrevista foi produzida, registrada, publicada e disponibilizada.

Uma entrevista concedida diretamente ao pesquisador, sem publicação independente e utilizada como dado da pesquisa, precisa ser analisada dentro desse contexto. Já uma entrevista publicada em jornal, revista, site, vídeo ou podcast constitui um documento disponível ao leitor e exige tratamento compatível com a publicação consultada.

Da mesma forma, uma conversa pessoal, uma palestra, uma comunicação oral, uma entrevista gravada para pesquisa e uma entrevista publicada não devem ser consideradas documentalmente equivalentes apenas porque todas envolvem linguagem falada.

Atenção

“Informação verbal” não deve funcionar como categoria genérica para qualquer conteúdo falado.

Antes de utilizar essa classificação, verifique se existe um documento recuperável, uma gravação, uma publicação ou outro registro formal associado à informação.

O que é informação verbal?

Em termos práticos, informações obtidas oralmente podem surgir em situações nas quais o conteúdo não está disponível ao leitor como uma publicação convencional.

Entre os exemplos encontrados no contexto acadêmico estão:

  • conversas pessoais;
  • comunicações orais;
  • palestras;
  • declarações presenciais;
  • informações fornecidas diretamente por determinada pessoa;
  • informações ainda não publicadas.

A NBR 10520:2023 admite que dados obtidos de fontes não publicadas formalmente — como palestras, discursos, comunicações e outras situações semelhantes — sejam indicados no texto ou em nota. Isso não significa, porém, que toda entrevista de pesquisa deva ser reduzida a essa categoria.

Quando entrevistas constituem o próprio corpus de um estudo, elas também precisam ser documentadas dentro da metodologia.

Entrevista gravada continua sendo apenas informação verbal?

Nem sempre.

Quando uma entrevista foi gravada em áudio ou vídeo, existe um registro que pode ser armazenado, transcrito e, em algumas situações, disponibilizado ou depositado.

Uma entrevista gravada pelo próprio pesquisador e mantida como arquivo interno continua fazendo parte dos dados produzidos pelo estudo. Já uma entrevista publicada em vídeo por uma universidade, emissora ou outro veículo constitui um documento audiovisual recuperável.

Portanto, a existência da gravação é relevante, mas não resolve sozinha a classificação da fonte.

Entrevista publicada é apenas informação verbal?

Não é adequado ignorar o documento publicado e tratar uma entrevista disponível em jornal, revista, site, vídeo ou podcast apenas como uma fala efêmera.

Nesses casos, existe uma publicação identificável e sua referência deve considerar o documento efetivamente consultado.

Erro comum

Encontrar uma entrevista publicada em um portal jornalístico, utilizar uma declaração e classificá-la simplesmente como “informação verbal”, sem identificar a publicação nas referências.

Como fazer citação direta de entrevista?

A citação direta ocorre quando o pesquisador reproduz literalmente as palavras da fonte.

Em pesquisas baseadas em entrevistas, esse recurso pode ser especialmente útil quando a formulação original do participante possui valor para a análise.

Entretanto, uma seção de resultados não deve se transformar em uma sequência de transcrições sem interpretação. Cada fala selecionada precisa cumprir uma função no argumento ou na análise.

Como fazer citação direta curta de entrevista?

Segundo a NBR 10520:2023, citações diretas de até três linhas permanecem incorporadas ao parágrafo e devem ser apresentadas entre aspas duplas.

Em uma entrevista produzida pela própria pesquisa, o trecho também precisa ser vinculado ao sistema de identificação dos participantes adotado metodologicamente.

Exemplo didático:

Segundo o Participante 2, “a adaptação ao novo sistema foi mais difícil nas primeiras semanas”.

Outra possibilidade:

“A adaptação ao novo sistema foi mais difícil nas primeiras semanas”, relatou o Participante 2.

Nos dois casos, o código “Participante 2” precisa ter sido explicado anteriormente na metodologia.

Boa prática

Se você utiliza códigos como P1, E2 ou Participante 3, defina o sistema uma única vez na metodologia e mantenha exatamente o mesmo padrão nos resultados, tabelas, transcrições e apêndices.

Como fazer citação direta longa de entrevista?

Quando a reprodução literal possui mais de três linhas, ela deve ser destacada do texto conforme as regras da NBR 10520:2023.

A citação direta longa é apresentada:

  • em bloco destacado;
  • com fonte menor que a utilizada no texto;
  • com espaço simples;
  • sem aspas;
  • com recuo padronizado em relação à margem esquerda.

A norma recomenda o recuo de 4 cm, mas esse valor não deve ser ensinado como se fosse a única medida obrigatória possível em qualquer instituição. O importante é adotar um padrão consistente e verificar também o manual de normalização utilizado pelo curso.

Exemplo didático de conteúdo que receberia essa formatação no documento acadêmico:

Quando o sistema foi implantado, tivemos bastante dificuldade porque a equipe ainda não conhecia todas as funções. Depois dos treinamentos, o processo melhorou e hoje conseguimos executar as tarefas com mais segurança. (Participante 4)

Atualização importante: o recuo de 4 cm

Muitos tutoriais ainda afirmam simplesmente que toda citação direta longa “deve ter 4 cm de recuo”. A NBR 10520:2023 trabalha com recuo padronizado em relação à margem esquerda e recomenda 4 cm.

Essa diferença é importante porque evita transformar uma recomendação normativa em uma exigência absoluta. Se a instituição estabelece 4 cm em seu manual, siga o padrão institucional.

É preciso colocar número de página em uma entrevista própria?

Uma entrevista realizada pelo próprio pesquisador normalmente não possui paginação original como um livro, artigo ou outro documento paginado.

Portanto, não se deve inventar um número de página apenas para reproduzir visualmente o formato de uma citação bibliográfica.

Se a pesquisa produziu transcrições paginadas, numeradas por linhas ou organizadas por outro sistema interno, esses elementos podem ser utilizados quando forem úteis e quando o procedimento estiver claramente documentado.

Entre os possíveis marcadores de organização estão:

  • código do participante;
  • data da entrevista;
  • número da entrevista;
  • página da transcrição;
  • linha da transcrição;
  • unidade de registro;
  • apêndice correspondente.

Esses elementos devem ter uma função real na pesquisa.

Como localizar uma fala quando a fonte não tem página?

A ausência de paginação é comum em páginas da internet, vídeos, podcasts, gravações e outros documentos digitais.

A NBR 10520:2023 permite que a localização de uma citação direta utilize, quando disponível, elementos apropriados ao documento.

Em materiais audiovisuais e sonoros, a indicação de tempo pode ser particularmente útil.

Exemplo:

Segundo a entrevistada, “a universidade precisa aproximar a pesquisa da sociedade” (Universidade Exemplo, 2026, 12 min 34 s).

Em uma entrevista publicada que possua páginas, utiliza-se a localização correspondente. Se a fonte não possui páginas, elas não devem ser inventadas.

Erro comum: criar uma página inexistente

Não coloque “p. 1” em uma página da internet apenas para preencher um elemento de localização.

A localização precisa corresponder ao documento efetivamente consultado.

Posso corrigir erros de fala em uma citação direta?

Esse é um ponto delicado porque a linguagem oral costuma conter repetições, pausas, interrupções, hesitações e construções diferentes da escrita formal.

O nível de intervenção permitido depende também do método de transcrição.

Se o objetivo da pesquisa é analisar principalmente o conteúdo semântico das respostas, pode ser adotada uma transcrição menos detalhada. Se o objeto envolve discurso, interação, linguagem ou oralidade, elementos aparentemente pequenos podem ter valor analítico.

Em qualquer caso, o pesquisador deve evitar alterar o sentido da fala.

Visão metodológica

Não existe uma única convenção de transcrição adequada para todos os TCCs.

O grau de fidelidade necessário depende da pergunta de pesquisa, da abordagem metodológica e da forma como os dados serão analisados.

Como indicar uma explicação inserida dentro da fala?

Quando uma intervenção é necessária para tornar o trecho compreensível, ela precisa ficar claramente separada das palavras originais.

Por exemplo:

“Depois da mudança [do sistema de avaliação], o processo ficou mais organizado.”

Os colchetes deixam claro que a expressão explicativa não fazia parte literalmente da fala transcrita.

Como fazer citação indireta de uma entrevista?

A citação indireta ocorre quando o pesquisador apresenta com suas próprias palavras a ideia obtida na fonte, sem reproduzir literalmente a fala.

Em uma entrevista produzida para a própria pesquisa, um exemplo seria:

O Participante 5 relatou que a principal dificuldade durante a implantação foi a falta de treinamento inicial da equipe.

Nesse caso, o pesquisador sintetizou o conteúdo da resposta.

A citação indireta pode ser especialmente útil quando a fala original é longa, repetitiva ou contém elementos de oralidade que não são relevantes para a análise apresentada naquele ponto do texto.

Citação indireta significa interpretar livremente a entrevista?

Não.

Parafrasear não significa modificar a ideia do entrevistado.

O pesquisador precisa preservar o sentido central da resposta e evitar acrescentar conclusões que não estejam sustentadas pelos dados.

Boa prática

Ao transformar uma fala em paráfrase, compare o texto final com a transcrição original.

Pergunte se a nova redação preserva realmente o significado da declaração ou se introduziu uma interpretação que pertence ao pesquisador.

Fala do entrevistado e interpretação do pesquisador devem ser separadas?

Sim. Essa separação melhora a transparência da análise.

Compare:

Relato do participante:

O Participante 6 afirmou que a falta de tempo dificultou sua participação nos treinamentos.

Interpretação do pesquisador:

Esse relato sugere que limitações organizacionais podem ter influenciado a adesão às atividades de capacitação.

A primeira frase apresenta o dado atribuído ao participante. A segunda apresenta uma interpretação desse dado.

Confundir esses dois níveis pode fazer uma conclusão do pesquisador parecer uma declaração do entrevistado.

Exemplo de como citar a fala de um entrevistado no TCC nas normas ABNT
Ao utilizar entrevistas no TCC, diferencie a fala literal, a paráfrase e a interpretação desenvolvida pelo pesquisador.

Entrevista precisa aparecer nas referências?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes sobre o tema e também uma das que mais recebem respostas excessivamente simplificadas.

A resposta depende de qual entrevista está sendo utilizada e se existe um documento que deve ser referenciado.

Entrevista publicada deve aparecer nas referências?

Sim, quando o pesquisador utiliza uma entrevista publicada como fonte, o documento consultado precisa ser identificado na lista de referências.

É o caso de entrevistas publicadas em:

  • revistas;
  • jornais;
  • sites;
  • documentos audiovisuais;
  • documentos sonoros;
  • outros suportes recuperáveis.

A referência deve ser construída de acordo com as características do documento e com a NBR 6023:2025.

Entrevista feita pelo pesquisador deve aparecer nas referências?

Quando a entrevista constitui dado produzido especificamente para a própria pesquisa, ela não deve ser tratada automaticamente como se fosse uma publicação bibliográfica convencional.

Sua documentação aparece principalmente na:

  • metodologia;
  • descrição dos participantes;
  • seção de resultados ou análise;
  • transcrição, quando utilizada;
  • apêndice, quando aplicável;
  • documentação do corpus da pesquisa.

Entretanto, é importante evitar também a afirmação absoluta de que uma entrevista produzida pelo pesquisador “nunca pode aparecer nas referências”. Se o material tiver sido publicado, depositado ou disponibilizado como documento recuperável, ou se houver uma convenção institucional específica, o tratamento pode ser diferente.

Como decidir se a entrevista precisa de referência?

Use este fluxo de decisão:

  1. A entrevista foi publicada? Se sim, identifique o documento e elabore sua referência.
  2. Existe um documento recuperável? Se sim, determine qual tipo documental melhor representa a fonte.
  3. A entrevista foi produzida exclusivamente para sua pesquisa? Nesse caso, a documentação metodológica passa a ser central.
  4. Existe orientação específica da instituição? Verifique como o manual acadêmico trata esse material.

Em resumo

Entrevista publicada e recuperável: o documento utilizado deve ser identificado nas referências.

Entrevista produzida como dado da própria pesquisa: exige documentação metodológica clara e pode receber tratamento adicional conforme a forma de disponibilização e as orientações institucionais.

Posso colocar uma entrevista própria nas referências mesmo assim?

Algumas instituições apresentam modelos próprios para entrevistas realizadas pelo pesquisador, comunicações pessoais ou gravações não publicadas.

Quando esse tratamento for exigido pelo curso, ele pode ser aplicado.

O cuidado necessário é não transformar uma convenção institucional específica em uma regra universal da ABNT.

Entrevista pode aparecer em nota de rodapé?

Em determinadas situações, uma nota pode complementar informações sobre a origem da fala, data, circunstância da entrevista ou outra característica necessária para compreender a fonte.

Entretanto, uma nota não substitui a descrição metodológica quando as entrevistas constituem a principal forma de produção de dados da pesquisa.

Por exemplo, informar apenas:

Entrevista concedida ao autor em março de 2026.

não é suficiente para explicar uma pesquisa baseada em várias entrevistas. O método precisa esclarecer como os participantes foram definidos, como a coleta ocorreu e como os dados foram analisados.

Como indicar a data de uma entrevista?

A data é útil para documentar quando a informação foi produzida.

Em entrevistas realizadas para a pesquisa, ela pode aparecer nos registros metodológicos, fichas de coleta, arquivos de áudio, transcrições ou sistemas de identificação adotados.

Exemplo:

Entrevistado 3, entrevista realizada em 18 de março de 2026.

Em uma entrevista publicada, a data deve ser apresentada conforme os elementos bibliográficos do documento consultado.

É preciso informar o local da entrevista?

Depende do contexto.

O local pode ser metodologicamente relevante quando ajuda a compreender as condições da coleta, mas não deve ser incluído mecanicamente apenas porque aparece em um modelo antigo de referência.

Uma entrevista presencial em ambiente institucional, uma entrevista domiciliar e uma entrevista realizada por videoconferência podem envolver contextos metodológicos diferentes.

O mais importante é informar aquilo que efetivamente ajuda o leitor a compreender como os dados foram produzidos.

Como citar entrevista publicada nas normas ABNT?

Quando uma entrevista já foi publicada por um jornal, revista, portal, instituição ou outro veículo, o estudante está utilizando uma fonte publicada.

Nesse caso, não basta registrar uma fala isolada. A referência precisa identificar o documento consultado e permitir que o leitor compreenda de onde aquela informação foi retirada.

A ABNT NBR 6023:2025 trouxe uma orientação especialmente importante para esse tipo de fonte: nas entrevistas, o primeiro elemento da referência deve ser o entrevistado.

Essa regra merece atenção porque muitos modelos disponíveis na internet foram produzidos com base em edições anteriores da norma ou em manuais institucionais antigos.

Atualização importante: quem vem primeiro na referência de entrevista?

Segundo a ABNT NBR 6023:2025, em entrevistas o primeiro elemento da referência é o entrevistado.

Portanto, ao utilizar modelos antigos, verifique se eles ainda refletem a edição vigente da norma.

Quais informações identificar antes de montar a referência?

Antes de formatar uma entrevista publicada, procure identificar:

  • nome do entrevistado;
  • título da entrevista ou do conteúdo;
  • nome do entrevistador, quando informado e pertinente;
  • veículo ou publicação;
  • local de publicação, quando aplicável;
  • volume e número, quando existentes;
  • paginação, quando existente;
  • data de publicação;
  • suporte ou formato;
  • URL ou outro identificador, quando o documento estiver online;
  • data de acesso, quando aplicável.

A quantidade de elementos efetivamente utilizada depende do documento.

Boa prática

Antes de montar a referência, abra a publicação original e registre seus dados bibliográficos. Não tente reconstruir a referência apenas a partir de um trecho copiado, resultado de busca ou postagem que reproduziu a entrevista.

Entrevistado e entrevistador são a mesma responsabilidade?

Não.

O entrevistado é quem fornece as respostas e, de acordo com a NBR 6023:2025, ocupa a posição de primeiro elemento da referência de entrevista.

O entrevistador é quem conduz a entrevista. Sua responsabilidade pode ser indicada na referência quando os dados da publicação permitirem essa identificação.

Em um exemplo didático, essa relação pode aparecer assim:

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título da entrevista. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador. Dados da publicação.

Os demais elementos variam conforme o documento em que a entrevista foi publicada.

O jornalista deve aparecer como primeiro autor?

Quando o documento é efetivamente caracterizado como entrevista, a orientação específica da NBR 6023:2025 deve prevalecer: o entrevistado é o primeiro elemento.

Isso precisa ser distinguido de uma reportagem jornalística comum que contém algumas declarações obtidas em entrevistas.

Se o estudante está citando uma reportagem escrita e assinada por um jornalista, e não uma entrevista apresentada como documento autônomo, o tipo de fonte é outro. Nesse caso, não se deve transformar a reportagem em “entrevista” apenas porque o texto contém falas de pessoas entrevistadas.

Erro comum: confundir reportagem com entrevista

Uma reportagem pode conter declarações de várias pessoas e ainda assim continuar sendo uma reportagem de autoria do jornalista.

A regra específica de entrada pelo entrevistado deve ser aplicada quando o documento utilizado é efetivamente uma entrevista.

Como citar entrevista publicada em revista?

Quando a entrevista integra uma revista, a referência precisa combinar a identificação da entrevista com os dados do periódico.

Dependendo da publicação, podem aparecer:

  • entrevistado;
  • título da entrevista;
  • identificação do entrevistador;
  • título da revista;
  • local;
  • volume;
  • número;
  • paginação;
  • data;
  • DOI, URL ou outros elementos, quando aplicáveis.

Estrutura didática

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título da entrevista. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador. Título da Revista, local, volume, número, páginas, data.

Esse modelo mostra a lógica de organização dos elementos. Os dados inexistentes não devem ser inventados.

Exemplo de entrevista em revista

Considere o seguinte exemplo fictício:

ALMEIDA, Renata. Educação e tecnologia nas universidades brasileiras. Entrevista concedida a Paulo Martins. Revista Educação em Debate, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 24-31, 2026.

Observe que Renata Almeida, a entrevistada, aparece como primeiro elemento.

Se a entrevista foi consultada na versão online da revista, os elementos de acesso precisam ser acrescentados quando aplicáveis.

E se a revista não informar o entrevistador?

Não invente essa informação.

A referência deve ser construída com os elementos disponíveis no documento e exigidos para sua identificação.

Da mesma maneira, não crie volume, número ou paginação se a publicação não possuir esses elementos.

Entrevista em revista científica muda alguma coisa?

Revistas científicas também podem publicar entrevistas como parte de seus números editoriais.

Nesses casos, é comum encontrar dados bibliográficos mais completos, como:

  • volume;
  • número;
  • ano;
  • paginação ou identificador eletrônico;
  • DOI;
  • informações de autoria e responsabilidade.

Esses dados devem ser aproveitados na referência quando estiverem disponíveis.

Se houver DOI oficialmente atribuído à entrevista, ele funciona como um identificador persistente importante para localização do documento.

Como citar entrevista publicada em jornal?

Quando a entrevista foi publicada em jornal, a referência deve identificar o entrevistado e os elementos característicos da publicação jornalística.

Podem ser necessários:

  • entrevistado;
  • título da entrevista;
  • entrevistador;
  • nome do jornal;
  • local;
  • data;
  • caderno ou seção;
  • página, quando existente;
  • URL e acesso, quando a versão consultada for online.

Estrutura didática

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título da entrevista. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador. Nome do Jornal, local, data, seção ou caderno, página.

Exemplo de entrevista em jornal

Exemplo fictício:

COSTA, Helena. Pesquisa científica precisa dialogar com a sociedade. Entrevista concedida a Marcos Lima. Jornal da Universidade, Porto Alegre, 10 abr. 2026, Educação, p. 6.

Se a consulta foi realizada em uma página online, a referência precisa refletir a versão efetivamente utilizada.

Como citar uma entrevista de jornal que também está na internet?

Primeiro, identifique se a página corresponde à versão online da mesma entrevista ou a um conteúdo diferente.

Se o estudante consultou a edição digital disponibilizada pelo próprio jornal, a referência deve documentar a fonte efetivamente utilizada e incluir os elementos eletrônicos pertinentes.

Não é necessário fingir que a consulta ocorreu na edição impressa se o documento utilizado foi online.

Vale lembrar

A referência deve representar o documento realmente consultado.

Esse princípio evita referências aparentemente completas, mas incapazes de indicar ao leitor onde a informação foi efetivamente obtida.

Como citar entrevista da internet nas normas ABNT?

Uma entrevista encontrada na internet pode estar hospedada em diversos tipos de documentos:

  • portal jornalístico;
  • site institucional;
  • agência de notícias;
  • revista eletrônica;
  • jornal online;
  • blog institucional;
  • repositório;
  • plataforma audiovisual;
  • plataforma de áudio.

Por isso, “entrevista da internet” não é uma categoria documental suficiente para montar a referência.

Primeiro identifique o que é o documento. Depois aplique os elementos correspondentes.

Como citar entrevista publicada em site?

Quando a entrevista existe como página publicada em um site, procure identificar:

  • entrevistado;
  • título da entrevista;
  • entrevistador, quando informado;
  • nome do site, portal ou instituição;
  • data de publicação;
  • endereço eletrônico;
  • data de acesso, quando aplicável.

Estrutura didática

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título da entrevista. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador. Nome do Site, data. Disponível em: URL. Acesso em: dia mês ano.

Exemplo de entrevista publicada em site

Exemplo fictício:

FERREIRA, Lucas. Ciência aberta pode aproximar universidades e sociedade. Entrevista concedida a Mariana Alves. Portal Pesquisa Hoje, 22 maio 2026. Disponível em: https://www.exemplo.com/entrevista-ciencia-aberta. Acesso em: 8 set. 2026.

Em uma referência real, substitua todos os dados fictícios pelas informações da publicação efetivamente consultada.

URL é suficiente para fazer uma referência?

Não.

A URL é um elemento de localização do documento eletrônico. Ela não substitui informações como entrevistado, título, veículo e data.

Uma referência composta apenas por um link pode deixar o leitor sem saber quem é responsável pelo conteúdo ou mesmo o que encontrará naquele endereço.

Boa prática

Trate a URL como parte da referência, e não como a própria referência.

Esse princípio também é útil ao consultar o guia sobre como citar site nas normas ABNT.

É preciso informar a data de acesso?

Nos documentos online em que a indicação de disponibilidade e acesso é aplicável, registre a data em que o conteúdo foi efetivamente consultado.

Exemplo:

Acesso em: 8 set. 2026.

Não utilize automaticamente a data em que está finalizando o TCC se ela não corresponde ao momento da consulta.

Posso usar a data mostrada pelo Google?

Não é recomendável utilizar a data apresentada pelo mecanismo de busca sem conferir a publicação original.

Resultados de pesquisa podem exibir datas extraídas de diferentes elementos da página e elas nem sempre representam corretamente a data de publicação do documento.

Prefira a informação fornecida pelo próprio veículo.

Como citar entrevista encontrada pelo Google?

O Google é uma ferramenta utilizada para localizar documentos. Ele não se torna a fonte bibliográfica apenas porque foi o caminho utilizado para encontrar a entrevista.

Depois de localizar o resultado, abra a publicação original e utilize os dados desse documento.

Incorreto:

GOOGLE. Entrevista sobre educação digital. 2026.

Correto:

Identificar o entrevistado e a publicação original — jornal, revista, universidade, instituição, portal ou outro documento — e construir a referência a partir dela.

Erro comum: ferramenta de busca como fonte

O mecanismo de busca ajuda você a encontrar a fonte; ele não substitui a fonte encontrada.

O mesmo raciocínio vale para buscadores acadêmicos e mecanismos de pesquisa de imagens.

Como citar entrevista republicada em outro site?

Entrevistas podem ser reproduzidas integral ou parcialmente por outros sites.

Sempre que possível, procure localizar a publicação original antes de fazer a referência.

Isso reduz problemas como:

  • atribuição incorreta;
  • trechos removidos;
  • alteração do título;
  • datas divergentes;
  • perda de contexto;
  • links que não apontam para a fonte primária da publicação.

Se a versão original não puder ser localizada e o estudante utilizou efetivamente a republicação, a referência precisa representar o documento que foi consultado, sem inventar dados da publicação original.

E se o site não informar o entrevistador?

Não invente um entrevistador para completar o modelo.

Registre os elementos efetivamente identificáveis no documento.

E se a página não informar data?

Antes de concluir que não existe data, verifique cuidadosamente:

  • cabeçalho da página;
  • rodapé;
  • página da edição;
  • arquivo do site;
  • informações editoriais disponíveis na própria publicação.

Se a data realmente não estiver disponível, sua ausência deve ser tratada de acordo com as regras de referência aplicáveis, e não preenchida por adivinhação.

Como citar entrevista publicada por uma universidade?

Universidades publicam entrevistas em diferentes canais, como:

  • portais institucionais;
  • agências universitárias de notícias;
  • revistas;
  • boletins;
  • sites de programas e departamentos;
  • canais de vídeo;
  • podcasts.

O fato de o responsável pela publicação ser uma universidade não cria um modelo único de referência.

Uma entrevista publicada como página da agência de notícias institucional possui características diferentes de uma entrevista publicada em revista científica ou em vídeo.

Novamente, a pergunta principal é: qual documento foi efetivamente consultado?

Como citar apenas uma fala de entrevista publicada?

Mesmo que o estudante utilize somente uma frase, a lista de referências precisa identificar a entrevista publicada utilizada como fonte.

Uma citação curta pode aparecer, por exemplo:

Segundo Almeida (2026), “a formação científica precisa começar antes da universidade”.

Se o documento possui paginação, a localização correspondente deve acompanhar a citação direta conforme a regra aplicável às citações diretas.

Se não existe paginação, não invente uma página.

Entrevista publicada em PDF muda a referência?

O fato de um arquivo estar em PDF não determina sozinho o tipo documental.

Uma entrevista em PDF pode integrar:

  • revista;
  • jornal;
  • boletim;
  • livro;
  • documento institucional;
  • outro tipo de publicação.

Primeiro identifique o documento. Depois construa a referência correspondente.

O mesmo princípio é utilizado em nosso guia sobre como citar PDF nas normas ABNT: PDF é formato de arquivo, não uma categoria bibliográfica suficiente por si só.

Como saber qual é a fonte original da entrevista?

Procure sinais documentais como:

  1. nome do veículo;
  2. entrevistado;
  3. entrevistador;
  4. data de publicação;
  5. URL da página original;
  6. edição, volume ou número;
  7. identificação institucional;
  8. indicação de reprodução;
  9. link para a publicação original.

Quando houver versões diferentes, comparar datas e créditos editoriais pode ajudar a identificar a origem do conteúdo.

Visão documental

Uma boa referência não existe apenas para satisfazer uma exigência formal.

Ela permite que o leitor saiba qual documento sustenta a informação apresentada e, quando possível, localize a mesma fonte.

Comparação entre entrevista própria, publicada, online, em vídeo e podcast nas normas ABNT
Entrevistas realizadas pelo pesquisador e entrevistas publicadas em diferentes suportes exigem decisões documentais distintas antes da citação e da referência.

Como citar entrevista do YouTube nas normas ABNT?

Quando uma entrevista está publicada no YouTube, o pesquisador não está lidando apenas com uma fala oral. Existe um documento audiovisual online que pode ser identificado, localizado e consultado novamente.

Por isso, a referência precisa considerar o vídeo efetivamente utilizado.

Antes de montar a referência, identifique:

  • quem é o entrevistado;
  • título do vídeo;
  • responsável pelo canal ou publicação;
  • plataforma;
  • data de publicação;
  • URL;
  • data de acesso;
  • eventual duração ou marcador temporal relevante.

Como este artigo trata especificamente de entrevistas, também é importante preservar a identificação do entrevistado conforme a lógica da NBR 6023:2025.

O canal do YouTube é automaticamente o autor?

Não necessariamente.

O canal ajuda a identificar quem disponibilizou o vídeo, mas isso não significa que ele substitua automaticamente o entrevistado ou outras responsabilidades intelectuais presentes no conteúdo.

Em uma entrevista propriamente dita, deve-se observar a orientação específica para esse gênero documental e, ao mesmo tempo, registrar adequadamente o documento audiovisual consultado.

Atenção

Não confunda “quem publicou o vídeo” com “quem é o entrevistado”.

Um canal institucional pode hospedar a entrevista, mas a pessoa entrevistada continua ocupando papel central na identificação da fonte.

Estrutura didática para entrevista no YouTube

Uma estrutura didática pode considerar:

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título da entrevista ou do vídeo. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador, quando identificado. Publicado por Nome do Canal ou Instituição. YouTube, data. Disponível em: URL. Acesso em: dia mês ano.

Essa estrutura precisa ser ajustada aos elementos realmente apresentados pelo vídeo.

Exemplo de entrevista publicada no YouTube

Exemplo fictício:

ROCHA, Marina. Universidade, inovação e sociedade. Entrevista concedida a Carlos Mendes. Publicado por Universidade Exemplo. YouTube, 14 maio 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=exemplo. Acesso em: 8 set. 2026.

O objetivo do exemplo é demonstrar a lógica de identificação da fonte. Em uma referência real, utilize os dados exibidos pelo vídeo e pela publicação original.

Como citar uma fala específica de um vídeo?

Quando o estudante reproduz literalmente uma fala retirada de um vídeo, o marcador temporal pode ajudar o leitor a localizar o trecho.

Exemplo didático:

Segundo Rocha (2026, 14 min 22 s), “a inovação universitária precisa estar conectada às necessidades da sociedade”.

O uso da minutagem é especialmente útil em documentos audiovisuais longos.

Boa prática

Ao citar uma fala específica de vídeo ou áudio, anote a minutagem no momento em que fizer a leitura ou transcrição.

Isso reduz o risco de precisar rever todo o material posteriormente apenas para localizar o trecho utilizado.

Posso citar somente o canal do YouTube?

Não é uma boa prática quando o objetivo é identificar uma entrevista específica.

O canal funciona como parte da identificação da publicação, mas a referência precisa apontar para o documento utilizado.

Da mesma maneira, não basta escrever apenas:

YOUTUBE. Entrevista sobre educação. 2026.

Esse tipo de referência não identifica adequadamente quem foi entrevistado, qual conteúdo foi utilizado ou qual vídeo deve ser consultado.

E se o vídeo foi incorporado em outro site?

Quando o mesmo vídeo está incorporado em um portal, site institucional ou matéria jornalística, procure identificar a fonte original.

Se o vídeo foi publicado originalmente em um canal oficial e apenas incorporado em outra página, normalmente faz sentido documentar a publicação audiovisual original utilizada.

Se a página acrescenta contexto, edição ou informações próprias que também foram utilizadas no trabalho, ela pode constituir uma fonte adicional.

Como citar entrevista de podcast nas normas ABNT?

Podcasts também podem conter entrevistas, mas o pesquisador precisa distinguir duas coisas:

  • a entrevista como conteúdo;
  • o episódio como documento publicado.

Na prática, a referência precisa identificar o episódio efetivamente consultado, sem apagar a responsabilidade do entrevistado quando o conteúdo é caracterizado como entrevista.

Quais dados verificar em um podcast?

Antes de montar a referência, procure:

  • nome do entrevistado;
  • título do episódio;
  • nome do programa;
  • entrevistador ou apresentador;
  • instituição, produtora ou responsável;
  • data de publicação;
  • plataforma ou endereço eletrônico;
  • URL;
  • data de acesso;
  • marcador temporal, quando necessário.

Estrutura didática para entrevista em podcast

SOBRENOME DO ENTREVISTADO, Nome. Título do episódio. Entrevista concedida a Nome do Entrevistador ou Apresentador. Nome do Podcast, data. Disponível em: URL. Acesso em: dia mês ano.

Assim como nos demais exemplos deste guia, os elementos devem ser adaptados ao documento real.

Exemplo de entrevista em podcast

Exemplo fictício:

MARTINS, Beatriz. O futuro da pesquisa acadêmica. Entrevista concedida a Rafael Souza. Podcast Ciência em Pauta, 3 jun. 2026. Disponível em: https://www.exemplo.com/podcast/episodio-18. Acesso em: 8 set. 2026.

Como citar uma fala específica do podcast?

Quando a citação é direta e o episódio não possui páginas, o marcador temporal pode ajudar a localizar a fala.

Exemplo:

Martins (2026, 22 min 10 s) afirma que “a pesquisa precisa dialogar melhor com problemas concretos da sociedade”.

O nome do podcast substitui o nome do entrevistado?

Não.

O nome do podcast identifica o programa ou publicação. O entrevistado identifica a pessoa que concedeu a entrevista.

São funções documentais diferentes.

Erro comum

Referenciar apenas o nome do podcast e o título do episódio, sem verificar quem foi entrevistado e quem possui responsabilidade pelo conteúdo.

Podcast e entrevista são a mesma coisa?

Não.

Um podcast pode assumir diferentes formatos:

  • entrevista;
  • debate;
  • mesa-redonda;
  • monólogo;
  • documentário sonoro;
  • noticiário;
  • narrativa;
  • aula ou conversa temática.

Portanto, não se deve aplicar automaticamente uma regra de entrevista a qualquer episódio de podcast.

Vale lembrar

O suporte não determina sozinho o gênero documental.

Um vídeo pode ser entrevista, palestra, aula ou reportagem. Um podcast pode ser entrevista, debate ou narrativa. Primeiro identifique o conteúdo; depois organize a referência.

Como citar entrevista gravada pelo próprio pesquisador?

Entrevistas gravadas pelo próprio pesquisador constituem uma situação diferente das entrevistas publicadas em plataformas.

Nesse caso, o áudio ou vídeo funciona principalmente como registro dos dados produzidos durante a pesquisa.

O arquivo pode ser importante para:

  • transcrição;
  • conferência das falas;
  • análise de conteúdo;
  • análise de discurso;
  • registro metodológico;
  • auditoria interna da pesquisa;
  • armazenamento dos dados do estudo.

Isso não significa que toda gravação privada precise ser transformada em uma referência bibliográfica pública.

Como documentar uma entrevista gravada?

O pesquisador pode manter um sistema de registro contendo, por exemplo:

  • código do participante;
  • data da entrevista;
  • horário;
  • duração;
  • modalidade;
  • nome do arquivo;
  • formato do arquivo;
  • local de armazenamento;
  • status da transcrição;
  • observações metodológicas.

Exemplo de organização interna:

P03 — entrevista realizada em 18 mar. 2026 — videoconferência — duração: 47 min — arquivo: P03_18032026_audio.m4a.

Esse tipo de controle melhora a rastreabilidade dos dados, mas não precisa necessariamente aparecer integralmente no texto final do TCC.

Posso disponibilizar a gravação como material complementar?

Isso depende do desenho da pesquisa, das condições de consentimento, das regras institucionais e da necessidade de proteção dos participantes.

Uma gravação que contenha voz, imagem, nomes, instituições ou outras informações identificadoras pode envolver riscos de privacidade muito maiores do que uma transcrição anonimizada.

Atenção à confidencialidade

Não publique gravações de participantes apenas para tornar a pesquisa “mais completa”.

A disponibilização precisa ser compatível com as condições de participação, com o tratamento ético dos dados e com eventuais restrições definidas no projeto.

Entrevista gravada por vídeo muda a forma de análise?

Pode mudar, dependendo do objetivo do estudo.

Uma gravação em vídeo pode registrar elementos que não aparecem no áudio, como:

  • expressões;
  • gestos;
  • interações;
  • uso do espaço;
  • materiais apresentados;
  • comunicação não verbal.

Se esses elementos fizerem parte do objeto de análise, a metodologia precisa explicar como eles foram tratados.

Se o vídeo foi utilizado apenas como forma de registrar a entrevista para posterior transcrição textual, essa função também pode ser descrita de maneira simples.

Como transcrever entrevista no TCC?

A transcrição transforma o conteúdo oral registrado em um documento textual que pode ser analisado, codificado e citado.

Entretanto, transcrever não significa apenas “passar o áudio para o papel”. O pesquisador precisa decidir qual nível de detalhe é adequado ao objetivo da investigação.

É obrigatório transcrever todas as entrevistas?

Não existe uma regra universal da ABNT determinando que toda entrevista utilizada em TCC precise ser transcrita integralmente.

A necessidade depende de fatores como:

  • abordagem metodológica;
  • tipo de análise;
  • quantidade de entrevistas;
  • tempo disponível;
  • relevância da oralidade;
  • requisitos institucionais;
  • forma de documentação dos dados.

Em algumas pesquisas qualitativas, a transcrição integral é essencial. Em outras, podem ser utilizadas transcrições selecionadas, registros estruturados ou outros procedimentos metodologicamente justificados.

Transcrição precisa reproduzir cada pausa e hesitação?

Não necessariamente.

Se o estudo investiga discurso, conversação ou aspectos da linguagem, elementos como pausas, interrupções, entonação e hesitações podem ter valor analítico.

Em pesquisas voltadas principalmente ao conteúdo das respostas, uma transcrição mais limpa pode ser suficiente, desde que não altere o sentido das falas.

Visão metodológica

A convenção de transcrição deve ser escolhida em função do que será analisado.

Quanto mais a forma da fala importa para a pergunta de pesquisa, maior tende a ser a necessidade de preservar detalhes da oralidade.

Posso retirar repetições e vícios de linguagem?

Com cautela.

Uma edição voltada apenas à legibilidade pode ser aceitável em determinados métodos, mas não deve:

  • alterar o sentido;
  • eliminar informações relevantes;
  • tornar a fala artificialmente mais sofisticada;
  • corrigir a posição ou opinião do participante;
  • apagar características que sejam objeto da análise.

Quando o trabalho emprega uma política específica de edição das falas, ela pode ser mencionada na metodologia.

Como indicar trechos inaudíveis?

O pesquisador pode utilizar uma convenção consistente para indicar que determinado trecho não pôde ser compreendido.

Exemplo:

“Quando começamos o projeto, a equipe [inaudível] e depois reorganizamos as etapas.”

Outra convenção pode ser adotada se o método ou o manual da instituição estabelecer padrão diferente.

Como indicar pausas, risos ou interrupções?

Quando esses elementos forem relevantes para a análise, pode ser adotado um sistema de marcação.

Exemplos:

[pausa]

[risos]

[interrupção]

O importante é que a convenção tenha significado claro e seja utilizada de maneira consistente.

Preciso colocar perguntas e respostas na transcrição?

Depende do método e da finalidade do documento.

Uma transcrição completa pode registrar:

Pesquisador: Qual foi a principal dificuldade durante a implantação?

Participante 2: A principal dificuldade foi adaptar o processo à rotina da equipe.

Em outras pesquisas, apenas as falas relevantes podem ser utilizadas durante a análise.

O importante é que o pesquisador preserve o contexto suficiente para interpretar corretamente as respostas.

Posso usar pseudônimos na transcrição?

Sim, quando a proteção da identidade exigir esse procedimento e ele for compatível com o desenho da pesquisa.

Também é possível utilizar códigos.

Exemplo:

P1: Eu já trabalhava com esse processo antes da mudança.

P2: Para mim, tudo era novo.

A legenda dos códigos deve ser explicada na metodologia sem revelar informações que comprometam a confidencialidade.

Preciso colocar a transcrição completa no trabalho?

Não necessariamente.

Mesmo quando todas as entrevistas foram integralmente transcritas para análise, isso não significa que todas as transcrições devam ser reproduzidas no arquivo final do TCC.

Uma pesquisa com vinte entrevistas de uma hora poderia gerar centenas de páginas adicionais.

A decisão deve considerar:

  • utilidade para o leitor;
  • exigência institucional;
  • extensão;
  • confidencialidade;
  • relevância metodológica;
  • possibilidade de disponibilização segura.

Erro comum: confundir documentação da pesquisa com publicação de todos os dados

O pesquisador precisa documentar adequadamente seus dados, mas isso não significa que todo arquivo, gravação ou transcrição precise integrar a versão pública do TCC.

Transcrição automática pode ser usada?

Ferramentas automáticas podem ajudar a acelerar o processo, mas a transcrição precisa ser conferida com o áudio ou vídeo original.

Erros são especialmente comuns em:

  • nomes próprios;
  • termos técnicos;
  • siglas;
  • falas simultâneas;
  • áudio de baixa qualidade;
  • sotaques;
  • palavras pouco frequentes;
  • trechos com ruído.

Se a análise depende da precisão das palavras utilizadas, uma transcrição automática sem revisão pode introduzir erros diretamente nos dados do estudo.

Boa prática

Depois da transcrição, faça pelo menos uma conferência sistemática entre texto e gravação, dando atenção especial aos trechos que serão reproduzidos como citações diretas.

Entrevista deve ficar no apêndice ou no anexo?

Essa dúvida aparece com frequência porque estudantes costumam utilizar “apêndice” e “anexo” como se fossem sinônimos. Nas normas de apresentação de trabalhos acadêmicos, porém, esses elementos possuem funções diferentes.

De forma geral, o apêndice reúne materiais elaborados pelo próprio autor do trabalho. O anexo reúne documentos que não foram produzidos pelo autor, mas que são acrescentados porque ajudam a fundamentar, ilustrar ou documentar a pesquisa.

Quando uma entrevista pode ir para o apêndice?

Materiais produzidos durante a própria pesquisa podem ser inseridos em apêndices quando sua inclusão for metodologicamente útil e compatível com as condições de confidencialidade.

Entre os exemplos possíveis estão:

  • roteiro de entrevista elaborado pelo pesquisador;
  • instrumento de coleta;
  • modelo de termo utilizado no estudo, quando apropriado;
  • transcrição selecionada;
  • quadro de codificação produzido pelo autor;
  • outro material diretamente desenvolvido para a pesquisa.

Isso não significa que todo TCC baseado em entrevistas precise conter a transcrição completa em apêndice.

Atenção

Apêndice não é depósito obrigatório de tudo o que foi produzido na pesquisa.

Inclua apenas materiais que realmente ajudem o leitor a compreender o método, os instrumentos ou os dados, respeitando também limitações de confidencialidade e extensão.

Quando uma entrevista pode aparecer como anexo?

Se o estudante utiliza uma entrevista já publicada por outra pessoa ou instituição e, por alguma razão, precisa reproduzir esse documento integral ou parcialmente como elemento complementar, ele pode ser tratado como documento externo.

Na maioria dos casos, porém, uma entrevista publicada corretamente citada e referenciada não precisa ser reproduzida novamente em anexo.

O fato de um documento ser interessante não é suficiente para justificar sua inclusão entre os elementos pós-textuais.

Erro comum: usar anexo como arquivo de materiais extras

Não acrescente documentos apenas para aumentar o volume do TCC ou demonstrar que determinada fonte existe.

Todo apêndice ou anexo deve ter uma função clara no trabalho.

Como identificar os apêndices?

Quando houver mais de um, eles podem ser organizados de forma sequencial e receber títulos claros.

Exemplos:

APÊNDICE A — Roteiro de entrevista semiestruturada

APÊNDICE B — Modelo de ficha de caracterização dos participantes

APÊNDICE C — Trechos selecionados das transcrições

A estrutura final deve seguir também o padrão adotado pela instituição.

Roteiro de entrevista entra no apêndice?

Pode entrar, especialmente quando o instrumento ajuda a compreender como os dados foram produzidos.

Isso é bastante comum em pesquisas qualitativas, principalmente quando o estudante utilizou:

  • roteiro estruturado;
  • roteiro semiestruturado;
  • protocolo de entrevista;
  • guia de tópicos;
  • formulário elaborado pelo próprio pesquisador.

A metodologia pode explicar a lógica do instrumento e o apêndice apresentar sua versão completa.

Preciso mencionar o apêndice no corpo do texto?

Sim, quando o material é relevante para a compreensão do método.

Exemplo:

As entrevistas foram conduzidas a partir de roteiro semiestruturado elaborado pelo pesquisador, apresentado no Apêndice A.

Isso cria uma relação clara entre a metodologia e o material complementar.

Como citar entrevista anônima no TCC?

Quando a identidade do participante precisa ser protegida, o pesquisador pode substituir o nome real por um código ou pseudônimo.

Essa escolha precisa ser planejada antes da redação dos resultados.

Quais códigos podem ser usados?

Algumas possibilidades incluem:

  • Participante 1;
  • Participante 2;
  • P1;
  • P2;
  • Entrevistado A;
  • Entrevistada B;
  • Professor 1;
  • Gestora 2;
  • Enfermeira A.

Não existe um código universalmente melhor. O importante é que o sistema seja:

  • claro;
  • consistente;
  • suficientemente neutro;
  • compatível com a proteção da identidade;
  • explicado na metodologia.

Como citar “Entrevistado 1”?

Um exemplo simples seria:

Segundo o Entrevistado 1, a maior dificuldade foi adaptar a nova rotina ao tempo disponível.

Ou, em citação direta:

“A maior dificuldade foi adaptar a nova rotina ao tempo disponível.” (Entrevistado 1)

O mesmo código deve acompanhar as demais falas daquele participante ao longo do trabalho.

Posso usar apenas iniciais?

Nem sempre é a melhor opção.

Iniciais podem parecer anônimas, mas em grupos pequenos elas podem permitir identificação indireta.

Por exemplo, “M.S., diretora da única escola municipal do bairro” pode tornar a identidade praticamente evidente.

Atenção à identificação indireta

Remover o nome não garante anonimato.

Outras informações podem revelar a identidade do participante, como:

  • cargo muito específico;
  • instituição única;
  • cidade pequena;
  • idade incomum dentro da amostra;
  • trajetória profissional facilmente reconhecível;
  • evento público específico;
  • combinação de várias características.

O que fazer quando características do participante são importantes para a análise?

O pesquisador precisa equilibrar duas necessidades:

  • oferecer contexto suficiente para interpretar os dados;
  • evitar revelar informações que identifiquem indevidamente a pessoa.

Em vez de informar:

Diretor financeiro da Empresa X, de 57 anos, responsável pela implantação do sistema em 2024.

pode ser possível utilizar uma descrição mais ampla, como:

Gestor com experiência na área financeira e participação no processo de implantação analisado.

A adequação depende do desenho da pesquisa e do nível de detalhe necessário à análise.

Posso usar pseudônimos?

Sim.

Pseudônimos podem tornar a leitura mais fluida em estudos com narrativas extensas, histórias de vida ou análises em que os participantes aparecem repetidamente ao longo do texto.

Exemplo:

Para preservar a identidade dos participantes, foram utilizados os pseudônimos Ana, Bruno e Carla.

O pesquisador precisa deixar claro que esses nomes são fictícios.

Boa prática

Escolha o sistema de identificação antes de começar a escrever os resultados.

Trocar códigos, pseudônimos e descrições durante a redação aumenta o risco de inconsistências e de exposição acidental da identidade real.

Entrevista confidencial deve aparecer nas referências?

Uma entrevista confidencial produzida para a própria pesquisa não deve ser tratada como uma fonte pública recuperável apenas para se encaixar em uma lista bibliográfica.

O tratamento precisa respeitar a metodologia e as condições de confidencialidade estabelecidas.

Isso inclui evitar situações como:

  • colocar o nome real do participante nas referências;
  • publicar um link privado;
  • indicar dados que revelem a identidade;
  • anexar transcrição integral contendo informações sensíveis;
  • disponibilizar gravações sem previsão metodológica e ética adequada.

E se a pessoa autorizou o uso do nome?

A possibilidade de identificação pública depende do contexto da pesquisa e das condições sob as quais a participação foi realizada.

Mesmo quando o nome pode ser utilizado, o pesquisador deve documentar corretamente essa decisão e manter coerência entre método, citação e apresentação dos dados.

Uma entrevista pública com uma autoridade ou especialista identificada é bastante diferente de uma entrevista confidencial com participante de pesquisa.

Como apresentar entrevistas na metodologia do TCC?

Quando entrevistas são utilizadas como instrumento de produção de dados, a metodologia precisa fornecer informações suficientes para que o leitor compreenda como essa etapa da pesquisa foi realizada.

Não basta escrever apenas:

Foram realizadas entrevistas com os participantes.

Essa frase informa muito pouco sobre o procedimento.

O que descrever sobre as entrevistas?

Dependendo do estudo, podem ser apresentados:

  • objetivo das entrevistas;
  • perfil dos participantes;
  • critérios de seleção;
  • quantidade de participantes;
  • tipo de entrevista;
  • estrutura do roteiro;
  • período de realização;
  • modalidade presencial ou remota;
  • duração aproximada;
  • forma de registro;
  • procedimento de transcrição;
  • sistema de anonimização;
  • método de análise;
  • cuidados éticos aplicáveis.

Exemplo de parágrafo metodológico

Exemplo didático:

Foram realizadas oito entrevistas semiestruturadas com profissionais selecionados de acordo com sua experiência no processo analisado. As entrevistas ocorreram entre março e abril de 2026, por videoconferência, com duração média de 45 minutos. Com autorização dos participantes, as conversas foram gravadas e posteriormente transcritas para análise. Para preservar a identidade, os participantes foram identificados pelos códigos P1 a P8.

Esse exemplo é apenas uma estrutura possível. O texto real deve refletir exatamente o procedimento utilizado na pesquisa.

Erro comum: copiar metodologia de outro TCC

Não descreva entrevistas como “semiestruturadas”, “gravadas” ou “analisadas por conteúdo” apenas porque essas expressões aparecem frequentemente em trabalhos acadêmicos.

A metodologia precisa descrever o que realmente foi feito.

Preciso informar quantas pessoas foram entrevistadas?

Normalmente, sim.

O número de participantes ajuda o leitor a compreender o alcance da produção de dados.

Entretanto, o número sozinho não determina a qualidade da pesquisa.

Em estudos qualitativos, critérios como:

  • relevância dos participantes;
  • profundidade das entrevistas;
  • coerência com o objetivo;
  • estratégia analítica;
  • suficiência dos dados;

podem ser mais importantes do que simplesmente alcançar uma quantidade elevada.

Como explicar a seleção dos entrevistados?

O leitor precisa entender por que aquelas pessoas eram adequadas para responder à pergunta de pesquisa.

Os critérios podem envolver, por exemplo:

  • experiência profissional;
  • participação em determinado processo;
  • pertencimento a determinado grupo;
  • tempo de atuação;
  • uso de determinado serviço;
  • participação em programa específico;
  • conhecimento especializado.

Evite justificativas vagas como:

Os entrevistados foram escolhidos porque estavam disponíveis.

Quando a conveniência faz parte da estratégia de amostragem, isso pode ser descrito e discutido de maneira metodologicamente transparente.

É preciso informar a duração das entrevistas?

A duração pode ajudar a caracterizar o processo de coleta.

Não é necessário apresentar cada duração individual se isso não acrescentar valor. Em muitos casos, uma faixa ou média é suficiente.

Exemplo:

As entrevistas tiveram duração entre 35 e 60 minutos.

Preciso informar se a entrevista foi presencial ou online?

Sim, quando essa informação ajuda a caracterizar o procedimento.

Entrevistas presenciais, por telefone ou videoconferência podem envolver condições de interação diferentes.

Se a modalidade teve influência metodológica, isso pode ser discutido com maior profundidade.

Como descrever a gravação?

Quando as entrevistas foram gravadas, explique de maneira objetiva como o registro foi realizado.

Exemplo:

Com autorização dos participantes, as entrevistas foram gravadas em áudio para posterior transcrição.

Não é necessário listar marca e modelo do equipamento, salvo se isso tiver relevância metodológica específica.

Como explicar a análise das entrevistas?

A metodologia precisa ir além da coleta. Também é necessário explicar como os dados foram tratados.

Dependendo da pesquisa, podem ser utilizados procedimentos como:

  • análise temática;
  • análise de conteúdo;
  • análise de discurso;
  • análise narrativa;
  • codificação qualitativa;
  • categorizações específicas da abordagem adotada.

O importante é não utilizar apenas o nome de uma técnica. O leitor precisa compreender, de forma compatível com o nível do trabalho, como o pesquisador passou das transcrições para os resultados apresentados.

Visão metodológica

Em uma pesquisa com entrevistas, existem pelo menos três etapas diferentes:

  1. produção dos dados;
  2. tratamento e análise;
  3. apresentação e interpretação dos resultados.

Descrever apenas a primeira etapa deixa a metodologia incompleta.

Como apresentar falas nos resultados?

Uma estrutura bastante clara combina quatro movimentos:

  1. apresentar o achado;
  2. mostrar evidência nas entrevistas;
  3. interpretar a evidência;
  4. relacionar o resultado à literatura ou ao problema de pesquisa.

Exemplo:

A falta de tempo apareceu como uma das principais dificuldades relatadas pelos participantes. O Participante 4 afirmou que “os treinamentos coincidiam com períodos de maior demanda da equipe”. Esse relato sugere que o problema não estava apenas na resistência individual, mas também na organização das atividades. A interpretação é coerente com a discussão apresentada no referencial teórico sobre barreiras organizacionais à implementação de mudanças.

Nesse exemplo, a fala não aparece isoladamente. Ela integra uma análise.

Boa prática: dado não substitui análise

Evite construir páginas inteiras com uma sucessão de falas como:

P1 disse…

P2 disse…

P3 disse…

As entrevistas fornecem evidências. Cabe ao pesquisador organizar, comparar e interpretar essas evidências de acordo com o método adotado.

Entrevista estruturada, semiestruturada e aberta mudam a forma de citar?

O tipo de entrevista influencia principalmente a metodologia da coleta. Ele não cria automaticamente um sistema bibliográfico diferente para cada modalidade.

Uma entrevista estruturada, semiestruturada ou aberta pode ser produzida pelo próprio pesquisador ou pode existir como conteúdo publicado. Portanto, a forma de documentar a fonte continua dependendo de sua natureza, disponibilidade e suporte.

Tipo de entrevista Característica geral Impacto principal
Estruturada Perguntas previamente definidas e maior padronização Procedimento de coleta e comparabilidade das respostas
Semiestruturada Roteiro prévio com possibilidade de aprofundamento Flexibilidade na coleta e exploração de temas emergentes
Aberta ou não estruturada Maior liberdade na condução da conversa Profundidade, narrativa e adaptação ao participante

O que é entrevista estruturada?

Na entrevista estruturada, o pesquisador trabalha com conjunto previamente definido de perguntas e tende a manter maior padronização entre os participantes.

Esse formato pode facilitar comparações, especialmente quando todos respondem aos mesmos itens em ordem semelhante.

O que é entrevista semiestruturada?

A entrevista semiestruturada utiliza um roteiro, mas permite perguntas complementares e aprofundamentos conforme as respostas surgem.

É bastante utilizada em pesquisas qualitativas porque combina direcionamento temático e flexibilidade.

O que é entrevista aberta?

A entrevista aberta ou não estruturada oferece maior liberdade para que o participante desenvolva suas respostas e para que o pesquisador explore temas emergentes.

Ela pode gerar narrativas extensas e dados ricos, mas também exige atenção redobrada à análise.

O tipo de entrevista precisa ser informado no TCC?

Quando essa classificação faz parte do desenho metodológico, sim.

O pesquisador pode explicar:

  • qual modalidade foi adotada;
  • por que ela era adequada ao objetivo;
  • como o roteiro foi construído;
  • como as entrevistas foram conduzidas;
  • como as respostas foram registradas e analisadas.

Vale lembrar

Tipo de entrevista e tipo de documento são coisas diferentes.

“Semiestruturada” descreve principalmente como a coleta foi conduzida. “Entrevista publicada em revista”, por outro lado, descreve uma situação documental que influencia citação e referência.

Exemplos de como citar entrevistas nas normas ABNT

Depois de compreender a diferença entre entrevista produzida pelo pesquisador e entrevista publicada, fica mais fácil aplicar o raciocínio a situações concretas.

Os exemplos abaixo são didáticos. Eles ajudam a identificar a lógica de apresentação, mas não substituem a conferência dos dados reais da fonte nem o manual da instituição.

Exemplo 1 — Entrevista feita pelo próprio pesquisador

Imagine um TCC em que o estudante realizou entrevistas com profissionais de uma empresa para compreender dificuldades de implantação de um novo sistema.

Na metodologia, o procedimento poderia ser descrito assim:

Foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas com profissionais que participaram diretamente da implantação do sistema analisado. As entrevistas ocorreram entre março e abril de 2026, por videoconferência, foram gravadas com autorização dos participantes e posteriormente transcritas. Para preservar a identidade, os entrevistados foram identificados pelos códigos P1 a P6.

Nos resultados, uma fala poderia aparecer assim:

Segundo o Participante 3, “a principal dificuldade foi adaptar o novo processo à rotina da equipe”.

Nesse cenário, a entrevista faz parte da produção de dados da pesquisa e não deve ser tratada automaticamente como se fosse uma publicação externa.

Exemplo 2 — Entrevista própria com participante identificado por código

Exemplo de citação indireta:

O Participante 5 relatou que o treinamento inicial foi insuficiente para que a equipe utilizasse todas as funcionalidades do sistema.

Exemplo de citação direta:

“No começo, usamos apenas as funções mais básicas porque ninguém tinha segurança para explorar o restante.” (Participante 5)

O código deve ter sido previamente explicado na metodologia.

Exemplo 3 — Entrevista própria apresentada de forma indireta

Nem toda evidência precisa aparecer por meio de uma fala literal.

Um estudante pode sintetizar os dados:

A maioria dos participantes associou as dificuldades iniciais à falta de treinamento e ao pouco tempo disponível para adaptação.

Depois, pode sustentar essa síntese com falas selecionadas.

Boa prática

Em pesquisas qualitativas, combine síntese analítica e trechos representativos. Isso produz resultados mais claros do que simplesmente reproduzir cada resposta integralmente.

Exemplo 4 — Citação direta longa de entrevista própria

Quando a fala ultrapassa três linhas, ela recebe o tratamento de citação direta longa.

Exemplo de conteúdo:

No início, a equipe teve bastante dificuldade porque o sistema alterou várias etapas que já faziam parte da rotina. Depois que os treinamentos começaram e conseguimos testar as funções com mais calma, o processo ficou muito mais simples. (Participante 2)

No documento final, esse trecho deve ser formatado conforme as regras para citação direta longa e o padrão adotado pela instituição.

Exemplo 5 — Entrevista publicada em revista

Considere uma entrevista fictícia publicada em uma revista.

Referência didática:

ALMEIDA, Renata. Educação e tecnologia nas universidades brasileiras. Entrevista concedida a Paulo Martins. Revista Educação em Debate, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 24-31, 2026.

Citação no texto:

Segundo Almeida (2026, p. 27), “a transformação digital precisa vir acompanhada de formação contínua”.

Como o documento possui paginação, a página pode ser utilizada para localizar a citação direta.

Exemplo 6 — Entrevista publicada em jornal

Referência didática:

COSTA, Helena. Pesquisa científica precisa dialogar com a sociedade. Entrevista concedida a Marcos Lima. Jornal da Universidade, Porto Alegre, 10 abr. 2026, Educação, p. 6.

Citação:

Costa (2026, p. 6) defende maior aproximação entre pesquisa acadêmica e problemas sociais concretos.

Exemplo 7 — Entrevista publicada em site

Referência didática:

FERREIRA, Lucas. Ciência aberta pode aproximar universidades e sociedade. Entrevista concedida a Mariana Alves. Portal Pesquisa Hoje, 22 maio 2026. Disponível em: https://www.exemplo.com/entrevista-ciencia-aberta. Acesso em: 8 set. 2026.

Citação indireta:

Ferreira (2026) argumenta que políticas de ciência aberta podem ampliar a circulação social do conhecimento acadêmico.

Exemplo 8 — Entrevista publicada em vídeo

Referência didática:

ROCHA, Marina. Universidade, inovação e sociedade. Entrevista concedida a Carlos Mendes. Publicado por Universidade Exemplo. YouTube, 14 maio 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=exemplo. Acesso em: 8 set. 2026.

Para uma fala específica:

Rocha (2026, 14 min 22 s) afirma que “a inovação universitária precisa estar conectada às necessidades da sociedade”.

Exemplo 9 — Entrevista publicada em podcast

Referência didática:

MARTINS, Beatriz. O futuro da pesquisa acadêmica. Entrevista concedida a Rafael Souza. Podcast Ciência em Pauta, 3 jun. 2026. Disponível em: https://www.exemplo.com/podcast/episodio-18. Acesso em: 8 set. 2026.

Citação direta:

Martins (2026, 22 min 10 s) afirma que “a pesquisa precisa dialogar melhor com problemas concretos da sociedade”.

Exemplo 10 — Entrevista gravada pelo pesquisador

Uma pesquisa pode registrar internamente seus arquivos da seguinte maneira:

P04 — entrevista realizada em 21 mar. 2026 — videoconferência — duração: 52 min — arquivo: P04_21032026_audio.m4a.

Esse registro ajuda na organização do corpus, mas não precisa ser convertido automaticamente em referência bibliográfica pública.

Exemplo 11 — Entrevista anônima

Na metodologia:

Para preservar a identidade dos participantes, foram utilizados os códigos E1 a E10.

Nos resultados:

Segundo o Entrevistado 7, “o principal problema não foi a ferramenta, mas o pouco tempo para adaptação”.

O nome real não deve aparecer em outra parte do trabalho se o compromisso metodológico é manter o anonimato.

Exemplo 12 — Entrevista remetida ao apêndice

No texto:

As entrevistas foram conduzidas a partir de roteiro semiestruturado elaborado para a pesquisa, apresentado no Apêndice A.

No final do trabalho:

APÊNDICE A — Roteiro de entrevista semiestruturada

Se transcrições selecionadas forem realmente necessárias:

APÊNDICE B — Trechos selecionados das transcrições

Vale lembrar

Não copie literalmente os exemplos deste guia para o TCC sem adaptar os dados. A referência correta precisa representar a fonte realmente utilizada.

Sequência prática para decidir como citar uma entrevista

Quando surgir uma nova entrevista durante a pesquisa, siga esta sequência:

  1. Identifique quem realizou a entrevista.
  2. Descubra se ela foi produzida especificamente para sua pesquisa ou já existia como publicação.
  3. Verifique se existe um documento recuperável.
  4. Identifique o suporte.
  5. Registre o entrevistado.
  6. Registre o entrevistador, quando informado.
  7. Registre título, veículo e data.
  8. Anote paginação ou minutagem quando disponíveis.
  9. Defina se a fala será direta ou indireta.
  10. Confira o manual institucional antes da entrega.

Na prática

Se você consegue responder às perguntas quem falou, onde a entrevista está, qual documento foi consultado e como outra pessoa poderia localizá-lo, a referência já está muito mais próxima de ser montada corretamente.

Qual modelo usar para cada tipo de entrevista?

A tabela abaixo resume os principais cenários abordados neste guia.

Situação O que identificar primeiro Tratamento principal
Entrevista feita pelo próprio pesquisador Participantes, método, registro e condições da coleta Descrição metodológica, identificação das falas e documentação do corpus
Entrevista própria com participante anônimo Sistema de códigos ou pseudônimos Explicar anonimização e manter identificação consistente
Entrevista publicada em revista Entrevistado, título e dados do periódico Citação no texto e referência da publicação consultada
Entrevista publicada em jornal Entrevistado, título, jornal e data Citação e referência conforme os elementos do documento jornalístico
Entrevista publicada em site Entrevistado, título, veículo, data e URL Citação e referência da publicação online
Entrevista publicada no YouTube Entrevistado, vídeo, canal responsável, data e URL Referência do documento audiovisual online
Entrevista em podcast Entrevistado, episódio, programa, responsabilidade e data Referência do documento sonoro/digital consultado
Entrevista gravada pelo pesquisador Participante, data, arquivo, suporte e finalidade Registro do corpus e descrição metodológica
Informação oral não publicada Origem, contexto e recuperabilidade Identificação no texto ou em nota quando aplicável, além da contextualização necessária
Transcrição de entrevista própria Autoria do material e necessidade de inclusão Pode integrar apêndice quando metodologicamente útil

Regra prática

Antes de procurar um modelo, responda:

“Estou citando um dado que produzi na minha pesquisa ou um documento publicado por outra fonte?”

Essa resposta resolve grande parte das decisões seguintes.

15 erros ao citar entrevistas no TCC

Grande parte dos problemas com entrevistas ocorre porque situações documentais diferentes são tratadas como se fossem iguais.

1. Usar o mesmo modelo para qualquer entrevista

Entrevista de campo, matéria publicada, vídeo e podcast não são documentos equivalentes.

Antes de formatar, identifique a natureza da fonte.

2. Colocar automaticamente toda entrevista nas referências

Uma entrevista produzida durante a própria pesquisa precisa ser compreendida primeiro como parte da produção de dados.

Tratamento metodológico e referência bibliográfica não são exatamente a mesma coisa.

3. Afirmar que entrevista própria nunca pode aparecer nas referências

Essa afirmação também é excessivamente absoluta.

A existência de documento recuperável, depósito, publicação ou regra institucional pode modificar a forma de documentação.

4. Confundir entrevista publicada com entrevista de campo

Uma entrevista feita pelo pesquisador produz dados para o estudo. Uma entrevista publicada é um documento externo já existente.

A mesma palavra não significa o mesmo tratamento documental.

5. Ignorar o suporte da entrevista

Revista, jornal, página web, vídeo e podcast possuem características diferentes.

O suporte interfere nos elementos necessários para identificar a fonte.

6. Ignorar que a NBR 6023:2025 coloca o entrevistado como primeiro elemento

Modelos antigos podem começar a referência de outras maneiras.

Ao trabalhar com a edição vigente, verifique se o exemplo utilizado já contempla a atualização normativa.

7. Citar apenas o nome do entrevistado

O nome da pessoa não é suficiente para identificar uma entrevista publicada.

O leitor também precisa saber qual entrevista foi utilizada, em qual veículo e em que contexto ela foi publicada.

8. Citar somente a URL

O endereço eletrônico ajuda a localizar a fonte, mas não substitui os demais elementos da referência.

9. Referenciar o Google como fonte

O mecanismo de busca apenas ajudou a localizar o documento.

A referência deve identificar a publicação original consultada.

10. Inventar número de página em conteúdo online

Se a página não possui paginação, não crie um número artificial.

Utilize elementos de localização apropriados ao documento quando existirem.

11. Expor a identidade de participante que deveria permanecer protegido

A normalização bibliográfica não pode anular os procedimentos de confidencialidade adotados na pesquisa.

12. Trocar apenas o nome e acreditar que houve anonimização completa

Cargo, instituição, cidade, idade, trajetória ou eventos específicos também podem permitir identificação indireta.

13. Misturar fala do participante com interpretação do pesquisador

O leitor precisa conseguir distinguir claramente:

  • o que foi dito pelo participante;
  • o que foi sintetizado;
  • o que foi interpretado pelo pesquisador.

14. Modificar excessivamente uma transcrição literal

Uma fala apresentada como citação direta não deve ser “melhorada” a ponto de deixar de representar o que foi dito.

Intervenções precisam ser metodologicamente justificadas e não podem alterar o sentido.

15. Achar que a ABNT resolve metodologia e ética

As normas de citações, referências e apresentação organizam formalmente o trabalho, mas não substituem decisões sobre:

  • seleção dos participantes;
  • consentimento;
  • confidencialidade;
  • armazenamento dos dados;
  • transcrição;
  • análise;
  • proteção da identidade;
  • desenho metodológico.

Atenção aos manuais antigos

Outro problema frequente é utilizar um tutorial ou manual antigo sem verificar em qual edição das normas ele foi baseado.

Como a NBR 6023 recebeu nova edição em 2025 e a NBR 10520 foi atualizada em 2023, a data da orientação consultada importa.

Antes de finalizar o TCC, vale fazer uma revisão visual dos erros mais frequentes.

Principais erros ao citar entrevistas em TCC segundo as normas ABNT
Evitar modelos universais, referências incompletas e confusão entre entrevista de pesquisa e entrevista publicada reduz os erros mais comuns.

Checklist para citar entrevista corretamente no TCC

Antes de finalizar o trabalho, utilize este checklist para revisar as entrevistas empregadas como fonte ou como instrumento de produção de dados.

Identificação da entrevista

  • ☐ Identifiquei se a entrevista foi realizada por mim ou se já estava publicada.
  • ☐ Identifiquei corretamente o entrevistado.
  • ☐ Verifiquei quem realizou a entrevista, quando essa informação está disponível.
  • ☐ Identifiquei o tipo de documento em que a entrevista foi publicada.
  • ☐ Não tratei automaticamente qualquer conteúdo falado como simples “informação verbal”.

Entrevistas produzidas na própria pesquisa

  • ☐ Expliquei na metodologia como os participantes foram selecionados.
  • ☐ Informei quantas entrevistas foram realizadas quando essa informação é relevante.
  • ☐ Indiquei se as entrevistas foram estruturadas, semiestruturadas ou abertas, quando aplicável.
  • ☐ Descrevi a modalidade de realização, como presencial, telefone ou videoconferência.
  • ☐ Expliquei como as falas foram registradas e analisadas.
  • ☐ Mantive códigos ou pseudônimos consistentes quando houve anonimização.
  • ☐ Verifiquei se outros dados do texto podem identificar indiretamente os participantes.

Citações diretas e indiretas

  • ☐ Diferenciei claramente fala literal, paráfrase e interpretação.
  • ☐ Coloquei citações diretas de até três linhas entre aspas duplas.
  • ☐ Formatei citações diretas com mais de três linhas como bloco destacado, conforme a NBR 10520:2023 e o manual institucional.
  • ☐ Não transformei a recomendação de recuo de 4 cm em uma regra absoluta quando a instituição adota outro padrão compatível.
  • ☐ Não inventei páginas para fontes não paginadas.
  • ☐ Utilizei página, minutagem ou outro localizador pertinente quando disponível e necessário.
  • ☐ Conferi as citações diretas com a gravação ou documento original.

Referências

  • ☐ Nas entrevistas publicadas, coloquei o entrevistado como primeiro elemento conforme a NBR 6023:2025.
  • ☐ Não confundi reportagem com entrevista propriamente dita.
  • ☐ Registrei título, veículo, data e demais elementos disponíveis.
  • ☐ Não utilizei apenas uma URL como referência.
  • ☐ Não referenciei o Google apenas porque foi a ferramenta usada para encontrar a entrevista.
  • ☐ Preferi a publicação original quando ela pôde ser localizada.
  • ☐ Indiquei URL e data de acesso quando aplicáveis ao documento online.
  • ☐ Verifiquei se o modelo consultado está atualizado para as versões atuais das normas.

Apêndices, anexos e transcrições

  • ☐ Diferenciei apêndice de anexo.
  • ☐ Coloquei no apêndice apenas materiais produzidos pelo autor que realmente ajudam a compreender o trabalho.
  • ☐ Não incluí transcrições integrais automaticamente.
  • ☐ Avaliei riscos de privacidade antes de disponibilizar transcrições ou gravações.
  • ☐ Expliquei as convenções de transcrição quando elas possuem função metodológica.

Revisão final

  • ☐ Conferi o manual de normalização da minha instituição.
  • ☐ Mantive a mesma forma de identificação dos participantes em todo o trabalho.
  • ☐ Verifiquei se todas as entrevistas publicadas citadas possuem referência correspondente.
  • ☐ Verifiquei se não existem referências de fontes que nunca foram utilizadas no texto.
  • ☐ Revisei anonimato, consistência e rastreabilidade das fontes antes da entrega.

Checklist essencial em cinco perguntas

Se estiver com pouco tempo, confira pelo menos estas cinco questões:

  1. A entrevista é da minha própria pesquisa ou publicada?
  2. Quem é o entrevistado?
  3. Qual é o documento ou suporte consultado?
  4. A fala foi utilizada como citação direta, indireta ou dado de pesquisa?
  5. Outra pessoa conseguiria compreender a origem daquela informação a partir do meu trabalho?

O checklist também pode ser utilizado visualmente antes da entrega do TCC.

Checklist para citar entrevistas corretamente no TCC segundo as normas ABNT
Antes da entrega, revise identificação da entrevista, forma de citação, referência, anonimização, metodologia e documentação dos dados.

Perguntas frequentes sobre como citar entrevista nas normas ABNT

1. Como citar uma entrevista nas normas ABNT?

Primeiro identifique se a entrevista foi produzida durante sua própria pesquisa ou se foi consultada como documento publicado.

Entrevistas realizadas pelo pesquisador precisam ser documentadas metodologicamente e ter suas falas identificadas de maneira consistente. Entrevistas publicadas precisam ser citadas e referenciadas de acordo com o documento consultado.

2. Quem deve aparecer primeiro na referência de uma entrevista?

De acordo com a ABNT NBR 6023:2025, o primeiro elemento da referência de uma entrevista é o entrevistado.

Esse ponto é especialmente importante porque modelos baseados em edições anteriores da norma podem apresentar estruturas diferentes.

3. O entrevistador também pode aparecer na referência?

Sim, quando essa responsabilidade estiver identificada no documento.

Uma entrevista pode indicar, por exemplo, que determinado conteúdo foi “entrevista concedida a” uma pessoa específica.

O entrevistador, porém, não substitui automaticamente o entrevistado como primeiro elemento da referência de uma entrevista propriamente dita.

4. Toda entrevista é informação verbal?

Não.

Uma entrevista publicada em revista, jornal, site, vídeo ou podcast é um documento recuperável. Já uma entrevista realizada especificamente para uma pesquisa integra o processo de produção de dados.

Por isso, “informação verbal” não deve ser utilizada como rótulo universal para qualquer conteúdo falado.

5. Entrevista feita pelo próprio aluno deve entrar nas referências?

Não automaticamente.

Quando a entrevista foi produzida exclusivamente como dado da própria pesquisa, sua principal documentação acontece na metodologia, na identificação das falas, nas transcrições quando necessárias e na descrição do corpus.

Se houver publicação, depósito recuperável ou orientação institucional específica, o tratamento pode ser diferente.

6. Entrevista publicada precisa aparecer nas referências?

Sim.

Se uma entrevista publicada foi utilizada como fonte, a publicação consultada precisa ser identificada na lista de referências.

7. Como citar uma fala de entrevistado no TCC?

Se a fala for reproduzida literalmente, ela funciona como citação direta e precisa ser identificada de acordo com o sistema utilizado no estudo.

Em entrevistas próprias, podem ser empregados códigos como Participante 1 ou P1. Em entrevistas publicadas, utiliza-se a identificação correspondente ao documento citado.

8. Como citar entrevista anônima?

Use um sistema consistente de códigos ou pseudônimos e explique a convenção na metodologia.

Exemplos incluem P1, Participante 2 ou Entrevistado A.

Também é necessário revisar outras informações capazes de revelar indiretamente a identidade da pessoa.

9. Posso usar o nome real do entrevistado?

Depende da natureza da entrevista e das condições da pesquisa.

Uma entrevista pública com especialista identificado é diferente de uma entrevista confidencial realizada com participante de pesquisa.

Quando houver compromisso de anonimato, o nome real não deve reaparecer em referências, apêndices, tabelas ou outros elementos do trabalho.

10. Como citar entrevista do YouTube?

Identifique a entrevista como documento audiovisual online, verificando entrevistado, título, responsável pela publicação ou canal, data, URL e acesso.

Se uma fala específica for utilizada, a minutagem pode ajudar a localizar o trecho.

11. Como citar entrevista em podcast?

Identifique o entrevistado e o episódio utilizado, além do programa, responsáveis, data e endereço de acesso quando aplicável.

Em citações diretas, a indicação da minutagem pode ser útil para localização da fala.

12. Posso colocar minutagem na citação?

Sim. Em documentos não paginados, como vídeos e áudios, um marcador temporal adequado pode ajudar o leitor a localizar o trecho citado.

Exemplo:

(Silva, 2026, 18 min 42 s)

13. Citação direta longa ainda precisa de 4 cm de recuo?

A NBR 10520:2023 estabelece que a citação direta com mais de três linhas seja destacada com recuo padronizado em relação à margem esquerda, fonte menor, espaço simples e sem aspas. O recuo de 4 cm é recomendado.

Se a instituição determina especificamente 4 cm, siga seu manual.

14. A transcrição inteira da entrevista precisa ficar no TCC?

Não existe uma regra universal determinando que toda transcrição completa precise fazer parte da versão final.

A decisão depende do método, da necessidade documental, das regras institucionais, da extensão do material e da proteção dos participantes.

15. Transcrição de entrevista vai em apêndice ou anexo?

Quando uma transcrição é produzida pelo próprio pesquisador e sua inclusão é necessária ao trabalho, ela tende a ser tratada como material de autoria do pesquisador e pode integrar um apêndice.

Documentos externos produzidos por terceiros são tratados de maneira diferente e podem constituir anexos quando sua reprodução for realmente necessária.

16. O roteiro de entrevista pode ficar no apêndice?

Sim.

Um roteiro elaborado pelo pesquisador pode ser apresentado em apêndice quando ajuda o leitor a compreender como as entrevistas foram conduzidas.

Exemplo:

APÊNDICE A — Roteiro de entrevista semiestruturada

17. Posso usar inteligência artificial para transcrever entrevistas?

Ferramentas automatizadas podem auxiliar na transcrição, mas o resultado precisa ser conferido com a gravação original.

Além da precisão, também precisam ser considerados requisitos de confidencialidade, proteção dos dados e regras institucionais antes de enviar gravações de participantes para serviços externos.

18. Como citar entrevista sem página?

Não invente uma página.

Quando o documento não possui paginação, utilize um localizador apropriado se estiver disponível e for pertinente, como minutagem em vídeo ou áudio.

19. Como citar uma entrevista encontrada no Google?

O Google não é a fonte apenas porque foi utilizado para localizar o conteúdo.

Abra a publicação original e monte a referência a partir do documento efetivamente consultado.

20. PDF de entrevista é um tipo de fonte?

Não por si só.

PDF é um formato de arquivo. A entrevista pode fazer parte de uma revista, jornal, boletim, documento institucional ou outro tipo de publicação.

Identifique o documento antes de montar a referência.

21. Entrevista semiestruturada possui uma forma diferente de citação?

Não necessariamente.

“Semiestruturada” descreve principalmente como a entrevista foi conduzida metodologicamente.

A maneira de documentar a fonte depende também de ela ter sido produzida na pesquisa ou consultada como documento publicado.

22. Preciso colocar todas as entrevistas realizadas no trabalho?

Não necessariamente de forma integral.

O TCC deve explicar adequadamente como as entrevistas foram realizadas e utilizar evidências suficientes para sustentar a análise. Isso não exige reproduzir todo o corpus na versão pública.

Como citar entrevista nas normas ABNT: resumo final

Citar entrevistas corretamente começa antes da formatação.

O primeiro passo é entender qual fonte você realmente possui.

Se a entrevista foi realizada pelo próprio pesquisador, ela integra o processo de produção de dados e precisa ser documentada na metodologia, identificada nos resultados e tratada de acordo com as condições de confidencialidade e análise.

Se a entrevista já estava publicada, existe um documento externo que precisa ser citado e referenciado.

Segundo a ABNT NBR 6023:2025, nas entrevistas o entrevistado deve aparecer como primeiro elemento da referência.

O restante da referência depende da publicação: revista, jornal, site, vídeo, podcast ou outro suporte.

Para citações, a ABNT NBR 10520:2023 diferencia citações diretas curtas e longas e permite utilizar localizadores adequados ao tipo de documento. Em materiais audiovisuais e sonoros, isso pode incluir minutagem.

Nas entrevistas produzidas durante a própria pesquisa, a normalização não substitui as decisões metodológicas. O estudante ainda precisa explicar quem participou, como as entrevistas foram conduzidas, como foram registradas, transcritas e analisadas e como a identidade dos participantes foi protegida.

Em resumo

  • Entrevista própria: trate principalmente como dado produzido na pesquisa e documente o método.
  • Entrevista publicada: cite e referencie o documento utilizado.
  • Primeiro elemento da referência: nas entrevistas, a NBR 6023:2025 determina o entrevistado.
  • Fala literal: aplique as regras de citação direta.
  • Paráfrase: preserve o sentido da fala e diferencie-a da interpretação do pesquisador.
  • Fonte sem página: não invente paginação; utilize localizador pertinente quando disponível.
  • Anonimato: proteja não apenas o nome, mas também informações que permitam identificação indireta.
  • Transcrição: utilize o grau de detalhamento compatível com o método.
  • Apêndice: inclua materiais produzidos pelo autor somente quando forem úteis ao trabalho.
  • Manual institucional: sempre faça a conferência final antes da entrega.

Continue aprendendo sobre normas ABNT

Depois de aprender como citar entrevistas, vale revisar os outros elementos responsáveis pela consistência das citações e referências do trabalho.

Continue aprendendo

Se a entrevista faz parte da coleta de dados do seu trabalho, o próximo passo é conferir se a descrição do procedimento está coerente com a metodologia do TCC. Se você está utilizando entrevistas já publicadas, revise também nosso guia completo sobre como fazer referências nas normas ABNT.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 10520:2023: Informação e documentação — Citações em documentos — Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2023.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14724:2024: Informação e documentação — Trabalhos acadêmicos — Apresentação. Rio de Janeiro: ABNT, 2024.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 6023:2025: Informação e documentação — Referências — Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2025.

FUNDAÇÃO HERMINIO OMETTO. ABNT NBR 6023:2025 — Referências. Material disponibilizado pela Biblioteca da FHO. Acesso em: set. 2026.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE GOIÁS. Sistema de Bibliotecas. Aprenda, com exemplos, o que alterou com a nova norma da ABNT para citações. Goiânia: PUC Goiás, 2023. Acesso em: set. 2026.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE JATAÍ. Sistema Integrado de Bibliotecas. Apresentação de citações em documentos — ABNT NBR 10520:2023. Jataí: UFJ. Acesso em: set. 2026.

UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI. Manual de normalização: trabalhos acadêmicos. Diamantina: UFVJM, 2025.

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